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Não quero pensar sobre isso

Summary:

Kou Yusuke está passando por momentos difíceis. Não consegue afastar pensamentos que assombram sua mente, ele tenta fugir, mas as coisas não são tão fáceis assim.

Notes:

Primeira fanfic de PDA que eu escrevo. Faz MUITO tempo que eu não escrevo sem vergonhices e acho que tá horrível, forças para quem ler. Porém, não tinha como não escrever algo depois do capítulo 33.

Work Text:

Precisou fugir. Não era realmente uma fuga, mas precisava não estar naquele quarto. Saiu o mais silenciosamente possível. Acordá-lo geraria perguntas que ele não queria ter que responder. Na verdade, provavelmente, responderia com apenas um grunhido, falar faria com que ele fosse pego.

Encontrou um quarto vazio e escuro no fim do corredor. Se sentou no canto e ficou ali encolhido. Acreditava que o silêncio da noite e o ar frio limpariam sua mente, não precisava daqueles pensamentos, não queria eles. Alguns minutos lá seriam o suficiente.

Mas não eram. Não importava para onde corresse dentro de sua mente, aqueles sentimentos, aquelas vontades, aquelas ideias iam atrás. Queria gritar “CHEGA! CALA A BOCA, MENTE DE MERDA”. Talvez se pudesse bater com a cabeça na parede, mas faria muito barulho. Não podia fazer barulho, mas não tinha certeza se não tinha feito, a algazarra dentro de si não deixava com que ele tivesse uma noção certeira do exterior.

Antes era mais fácil, nem tinha aquelas ideias, se algo surgisse, ele conseguia colocar para fora com tranquilidade. Podia fingir que nada daquilo cruzava os caminhos dos seus pensamentos. Porém, se tornava cada vez mais difícil, quase torturante. Não sabia mais quanto tempo ia aguentar. E era tudo culpa daqueles dois. Tetsu se aproximava cada vez mais, às vezes ele falava tão perto que Yusuke conseguia sentir o ar quente da sua expiração. E Zen, aquela raposa filha da puta desgraçada, fazia de propósito, ele sabia que sim. Frequentemente encontrava aqueles olhos fixos na sua direção, com certeza maquinando qual a melhor forma de tirar Yusuke do sério. De vez em quando, Zen chegava muito perto e fazia barulhos extremamente suspeitos, furtivos o suficiente para que só atingissem Yusuke, Tetsu não fazia ideia. Não entendia porque seu corpo e sua mente reagiam daquele jeito a essas coisas. Ou entendia, mas se recusava a aceitar. Não era possível. Não podia. Não queria.

Pouco antes de sair para sabe-se lá onde, Zen tinha feito de novo. Os olhares devoradores, as indiretas extremamente diretas sobre a relação de Yusuke com Tetsu. Aquilo deixou Yusuke já desconcertado, um pouco bagunçado, mas tinha conseguido controlar. No entanto, aquele controle não durou muito tempo. Logo Tetsu começou a falar com toda a empolgação do mundo sobre novas descobertas feitas com o livro obtido com Ha-onna. Os olhos dele brilhavam, chegava a suspirar entre as frases. Yusuke queria tocar. Não! Não queria! Queria ficar longe, isso sim! Após o grande monologo sobre as plantas, Tetsu foi dormir. Dormiu virado para o lado do futon de Yusuke. Yusuke poderia simplesmente virar para o outro lado ou arrastar o futon para outro canto, mas não fez nada disso. Os pensamentos começaram a invadir. As ideias passaram a correr junto do seu sangue. As vontades aqueciam o seu corpo. Foi ali que decidiu sair do quarto, tirar um tempo para se acalmar. Agradecia tanto por Zen ter saído, esperava que ele demorasse.

Não adiantava. Estava sendo derrotado. O quarto vazio parecia cada vez mais abafado, conseguia sentir o ar ocupando cada centímetro do espaço. Sentia todos os lugares em que o tecido da roupa encostava. Estava ciente de cada parte do seu corpo, o vão entre os dedos dos pés, a parte de trás do joelho, sua nuca. Desprendeu o cabelo, deixou que caísse sobre seu rosto. Tudo se fazia sentir demais. Era sensorialmente insuportável. Agarrou as próprias roupas, cogitou arrancá-las. Não, não, não. Quente, sua pele estava quente. Deveria estar vermelho. Deveria estar um caos. Quase rezava para que Tetsu não acordasse e para que Zen não voltasse, não queria ser visto, não poderia ser visto.

Sabia o que seu corpo queria. Sabia o que seu corpo implorava. Uma única vez ele tinha dado, uma única vez ele cedeu. Não faria de novo. Negava os pedidos de seu corpo. Se recusava. Não costumava ter que lidar com aquilo tão frequentemente antes de toda essa desordem começar. Sabia o que acontecia quando rejeitava a vontade, sabia que não seria deixado em paz, não dormiria tranquilo, se reviraria até o cansaço ser maior. E, então, acordaria sujo. Precisaria correr para se limpar sem ser visto. Era um milagre que Zen não tivesse notado ainda. Quase nada escapava daquela raposa.

Negar doía. E se cedesse daquela vez? Só mais uma vez. Não faria barulho, Tetsu não ouviria, não acordaria. Não! Mas e se? Não tinha como voltar do quarto daquele jeito. Era notável demais. Estava tão duro. Tinha tanta raiva de si mesmo, tanta raiva daqueles dois. Por que tinha que ser assim? Por quê? Acabaria logo com aquilo, seria rápido, se limparia e iria dormir, não pensaria mais sobre, não teria acontecido.

Deixou que sua mão encontrasse o que lhe doía tanto. Sentiu um arrepio ao tocá-lo. Não tinha noção de que suas mãos estavam tão geladas mesmo com o todo calor do seu corpo. Conforme ia e vinha, perdia cada vez mais o controle de suas ações. A outra mão passou a explorar outras partes, nunca tinha feito aquilo, nunca tinha testado outras sensações. Mordia os lábios com força para não deixar escapar nada. Queria acabar logo, mas não queria ao mesmo tempo. Lutava, mas se entregava aquelas sensações, se desmanchava. Entre arquejos cortados via os olhos brilhantes de Tetsu, lembrava de seus toques cuidadosos, e em uma parte ainda mais sombria de si mesmo, via os sorrisos perigosos de Zen. Não era o momento de questionar, estava deixando tudo vir. Passou a ver coisas que nunca tinham acontecido, imaginar toques nunca sentidos, o desejo formava afirmações em sua mente que o envergonhariam quando ele lembrasse depois. As sensações faziam tudo ser admitido. Queria ser tocado. Queria ser cuidado. Queria ser devorado. Iria explodir, não demoraria muito mais, rasgaria os próprios lábios, inventaria uma desculpa depois. Não faltava muito, quase nada.

 

— Belo show, Yuu-chan.

 

Tudo desmoronou no exato momento em que tudo se derramou. Estava sujo. Estava desesperado. O coração batia mais rápido ainda, vergonha, desespero, raiva, ainda mais desejo. Não sabia o que fazer, travou, não podia gritar, acordaria Tetsu. Não tinha visto a porta do quarto ser aberta. Dali, Zen observava a bagunça que Yusuke se tornara, absorvia sua aflição, se deliciava com as expressões perdidas estampando o mais satisfeito de todos os sorrisos.

 

— Raposa maldita! — Yusuke conseguiu dizer.

 

Antes que ele pudesse processar mais algum xingamento, Zen tinha se movido, estava quase em cima dele. Escorregava as garras de uma das mãos pelo peito exposto de Yusuke enquanto com a outra segurava seu rosto. Yusuke queria socar a cara dele, queria que ele tocasse mais. Não! Não queria! Não! E tão rápido quanto chegou, Zen se afastou, voltou para o corredor.

 

 — Não se preocupe, Yuu-chan. Não vou contar para ele. — Ria. — Ainda.

 

 E foi embora. Deixou Yusuke com todos os palavrões do mundo trancados no peito e todas as incertezas ainda mais inflamadas em sua mente.