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Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-06-05
Words:
914
Chapters:
1/1
Kudos:
3
Hits:
28

Half A Heart [Thilbo Bagginshield ]

Summary:

Bilbo se sente incompleto desde a morte de Thorin, apesar de estar de volta ao Condado, sente que carrega apenas metade de um coração.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Only half a blue sky
Kinda there, but not quite
I'm walkin' around with just one shoe
I'm half a heart without you
I'm half a man, at best
With half an arrow in my chest
I miss everything we do
I'm half a heart without you.

-×-

Bilbo se sente incompleto após a morte de Thorin, um vazio que lhe causa aperto no peito e falta de ar.

Mesmo após estar de volta em casa, no Condado, ele sabe que falta algo. Ou melhor, alguém.

Os dias no Condado seguiam seu curso, tão pacíficos quanto sempre haviam sido, mas Bilbo não conseguia encontrar conforto na familiaridade do lugar. O calor do chá pela manhã não aquecia sua alma, e o tilintar das colheres contra os pires era um som vazio, sem sentido.

Sua toca parecia maior, mais silenciosa do que antes, mesmo tendo Frodo, seu sobrinho de dois anos, perambulando de um lado para o outro, enchendo o espaço com risadas infantis e perguntas incessantes. O pequeno agarrava-se a ele com carinho, puxava sua mão para brincar ou ouvir histórias, mas Bilbo se via perdido em pensamentos, as palavras presas na garganta.

Ele caminhava pelos corredores estreitos, os dedos deslizando pelas paredes, como se procurasse algo que nunca esteve ali. Ou, talvez, algo que ele havia deixado para trás, sob as rochas frias de Erebor.

O tempo deveria curar, diziam. Mas não havia cura para um coração que se partiu ao meio.

Bilbo saía para longas caminhadas pelos campos verdejantes, os pés descalços sentindo a terra macia. O vento soprava entre os cachos de seus cabelos, e por um instante ele podia quase acreditar que ouvia uma risada grave ao seu lado, que sentia o peso de um olhar afiado e intenso sobre si. Mas quando virava o rosto, tudo o que encontrava era o vazio.

Erebor chamava por ele em sonhos. O ouro reluzente, as pedras polidas, o brilho do trono onde Thorin jamais se sentaria novamente. Ele acordava ofegante, a pele fria de saudade, os dedos apertando os lençóis como se quisesse segurar algo que já havia escorrido por entre seus dedos.

Thorin se fora. Mas Bilbo ainda sentia sua presença em cada sombra, em cada silêncio.

E ele sabia que, não importa quanto tempo passasse, parte de seu coração sempre estaria sob aquela montanha.

Os dias seguiam um ritmo previsível. Bilbo acordava cedo, preparava o chá e saía para colher ervas no jardim antes que o sol ficasse muito quente. Frodo perambulava atrás dele com passinhos curtos e desajeitados, tropeçando na grama alta e segurando flores amassadas nas mãozinhas sujas. Quando caía, olhava ao redor como se ponderasse se valia a pena chorar. Bilbo sempre o erguia antes que a decisão fosse tomada.

A rotina deveria ser reconfortante, mas era apenas um lembrete de tudo que estava diferente.

Ao entardecer, sentava-se na poltrona com um livro no colo, as páginas abertas, mas os olhos presos à lareira acesa. O crepitar do fogo era um som familiar, mas não o suficiente. Ele se lembrava das noites na montanha, do calor de uma fogueira cercada por anões cansados, das vozes graves narrando antigas canções. Do brilho azul de um olhar que sempre parecia chamá-lo para perto, mesmo sem palavras.

Agora, o silêncio da toca parecia se estender por quilômetros.

A noite caía suavemente sobre o Condado, trazendo consigo o cheiro de terra úmida e o canto distante dos grilos. A lareira crepitava baixinho, lançando sombras suaves pelas paredes da toca. Bilbo estava sentado em sua poltrona favorita, segurando Frodo no colo, balançando-o de leve enquanto o pequeno esfregava os olhos sonolentos contra seu peito.

— Conta históa — murmurou Frodo, a voz arrastada pelo sono.

Bilbo sorriu, passando os dedos pelos cachos escuros do sobrinho.

— E que história você quer ouvir, meu pequeno?

Frodo bocejou, apertando os olhinhos. Então, num sussurro preguiçoso, pediu:

— Da montanha.

Bilbo sentiu um aperto no peito.

Ele nunca contara a Frodo sobre Erebor, não de verdade. Quando falava sobre suas viagens, limitava-se a histórias de trolls desajeitados, elfos misteriosos e festas alegres em casas de Beornings. Mas nunca falava da montanha. Do ouro. Da batalha.

De Thorin.

Mas naquela noite, olhando para o rostinho tranquilo de Frodo, Bilbo decidiu abrir uma exceção.

— Havia uma vez um rei muito corajoso — começou, a voz baixa e suave. — Um rei forte e orgulhoso, que guiou seu povo por terras perigosas, enfrentando grandes desafios. Ele tinha cabelos escuros como a noite e olhos como fogo azul… e um coração nobre, ainda que muitas vezes pesado pelo fardo que carregava.

Frodo suspirou, os dedos pequenos se apertando contra a camisa de Bilbo. O hobbit continuou, sua mente viajando de volta aos tempos em que cavalgava ao lado daquele rei, discutia com ele sob as estrelas e via seus olhos se suavizarem, apenas por breves momentos, quando acreditava que ninguém estava olhando.

— Esse rei lutou bravamente para recuperar sua casa, uma montanha magnífica, repleta de tesouros antigos e histórias esquecidas. E, no fim, mesmo diante do perigo, ele nunca recuou. Seu coração era de pedra e fogo, forte como as montanhas que tanto amava.

O silêncio preencheu a toca, interrompido apenas pelo estalar da lareira. Frodo já dormia, o corpinho relaxado nos braços de Bilbo.

O hobbit suspirou, fechando os olhos por um instante, permitindo-se sentir o eco de um tempo que não voltaria.

Talvez o tempo não curasse tudo. Mas, por ora, segurar Frodo contra si tornava o peso da saudade um pouco mais suportável.

Notes:

Eu sou completamente apaixonada por essa música, e eu achei que ela pudesse combinar com eles. Espero que tenham gostado. ♥️