Chapter Text
Barulho de sucção de canudo num copo sem nada.
Era o fim do milkshake de Kemi, mas com certeza não era o fim daquela conversa. Jaeyoon a olhava com uma fome intensa, que fazia a mulher sorrir, mesmo com o canudo em sua boca.
Prolongar a conversa com objetos supérfluos era coisa sua. O famoso 'encontrinho' de ambes – e, com certeza, o doce era só uma desculpa –, onde o conteúdo de conversa eram contratos disfarçados de palavras, e as claras provocações e flertes. Mesmo que Kemi tivesse um 'algo' com 'alguém' – que Jaeyoon pouco se importava, e sim, se incomodava, como se Kemi fosse sua ficante –, nada impedia a mercenária de flertar tão descaradamente com o Park em sua frente.
E, flertes esses, que não se manifestavam com palavras.
Kemi fazia isso de um jeito... exótico, para se dizer o mínimo. Passava os dedos por cima da luva do outro, falando nada com nada enquanto arrastava as unhas, causando arrepios mesmo por cima do tecido; olhava, com fome e vontade as íris castanhas escuras de Jae; mexia no próprio cabelo, enrolando cachinhos que insistiam em se soltar dos dreads; e, o mais importante, abraçava com a língua, o canudo do copo em sua frente – ao mesmo tempo em que oferecia para Jaeyoon toda vez após tomar um gole ou outro. Bom, talvez nada disso seja considerado um flerte, no final das contas; mas Jaeyoon sente como se fosse explodir de calor. Talvez fosse o próprio tesão lhe pegando peças? Sim. Mas talvez fossem sinais, e Park também não poderia simplesmente ignorá-los.
Quando Kemi repuxa mais uma vez, como se houvesse líquido no copo de milkshake, Jaeyoon não consegue ignorar.
— Kemi... — Indaga. Recita baixinho seu nome, e aquele olhar de cachorro abandonado na mudança; um sorriso maroto, ao mesmo tempo, toma os lábios da citada. Como se estivesse esperando aquilo por um bom tempo, Jaeyoon continua. — 'Cê quer mais?
Como uma naja, o pé de Kemi encontra a canela de Park, acariciando de cima a baixo com o pé desnudo da rasteirinha. O não binário engole seco, mas com certeza não se faz desfeito.
— Mais o que, Jay?
A pergunta paira em pleno ar, leve como uma pena — mas com um ar pesado, e isso fez Jaeyoon arrepiar da cabeça aos pés, como se fosse a primeira vez que o acontecesse. Extrai um sorriso ambíguo, mas com certeza transparecendo um desejo perverso ao morder a pontinha da língua, presa entre seus caninos superior e inferior. A voz é baixa, um tom comum entre eles; mas de Park, soava quente; sempre respingando o tóxico de seus desejos junto à isso.
— Sei lá. — Jaeyoon da ombros quando ajeita o próprio cabelo com uma das mãos, jogando os fios para trás, estes voltando com a naturalidade da curvatura seca. Kemi parecia o observar do começo ao fim. Ele solta um suspiro, algo como cansaço, mas a retinta reconhecia bem o tom daquilo. 'Um tédio, que você pode me entreter'. — Outro milkshake?
— Outro Milkshake...? — ela repete, sobrancelhas levantadas como se esperasse ouvir a resposta certa daquilo. Quer rir, mas prefere pôr a ponta da unha em sua boca; mordendo, imitando o gesto de Jaeyoon com a ponta pintada. Ela sabe o que quer dizer. Mas quer tanto ouvir dos lábios pintados, que chega a ser loucura.
No final do dia, ninguém fazia Kemi desejar tanto algo de alguém — ninguém, exceto Jaeyoon.
— É.. Outro. ‘Cê parece querer outro, não tira esse canudo da boca.
— Às vezes gosto de ter algo na boca. Me sinto mais ativa, se te coincide.
O barulho da sucção preenche seus ouvidos de novo; e dessa vez, o coreano parece sentir o gelado, visto um calafrio por toda sua coluna. Kemi ri, e elu não sabe se isso o atiça, ou o irrita.
— Não sei se sou capaz de relembrar algo assim.. — Park dá ombros, olhando para qualquer outra coisa no ambiente que não seja a boca brilhante de um lip combo e um canudo irritante. Nessa de fingir que não o afeta, seu sistema lhe engana enquanto sente Kemi brincar com o interior de sua coxa; perto, tão pouquinho para cima, engole seco e retrai os pensamentos.
Mas isso faz Kemi rir. ‘Como assim não?’, como se Park Jaeyoon, a porra de um rico quase coach, não fosse um grande beijoqueiro. Ela deve ficar bem caladinhe com uma língua dentro de sua boca. Deve ficar bem atento quando põe a língua para fora e presta atenção em comandos que não venham de si mesmo. Agora brinca com o canudo, mesmo quando conta os segundos para ter os olhos em si de novo; e quando os têm, sorri.
— Então talvez eu tenha que te lembrar.
