Chapter Text
O momento seguinte passou parcialmente rápido.
Jaeyoon paga o milkshake. Trocam palavras no caminho, Jaeyoon tentando disfarçar o tecido levemente em pé em seu quadril enquanto caminha – quase correm. Kemi sorri, dando graças a Entidades d’outro lado quando não tem imprevistos pelo caminho; e se tivessem, a loura ficaria maluca e estouraria a cabeça do primeiro em sua frente.
Quando se têm sozinhos, a primeira ação é de Kemi, prensando o coreano contra a porta de sua própria casa – e quase a derruba com sua força. Mesmo que o outro fosse um tanto mais alto, acaba não sendo um problema enquanto o mesmo se curva para alcançar os lábios da outra, sem nem mesmo pedir, apenas desejando o conforto de sua língua contra a própria. Era um beijo com um gosto saboroso. Jaeyoon tinha gosto de menta na boca – culpa do halls –, e Kemi era uma mescla de tudo; flúor, chocolate, menta, e um leve gosto de laticínio do milkshake. Mas certamente a cereja do bolo, eram as risadinhas da menor, mordendo o lábio inferior de Jaeyoon enquanto o sentia escorrer o tato, enganchando em seu quadril.
Inverter as posições não foi difícil. Park joga Kemi contra a parede rachada da casa, e, conhecendo bem o ambiente, joga as pernas da mesma para que se entrelassem ao quadril alheio. Com certa ânsia, mas acima de tudo, sem esquecer a fala da mesma.
‘Talvez eu tenha que te lembrar’
Porra. Ele queria jogar Kemi ali mesmo, na mesa da sorveteria. Queria beijá-la, queria encher sua boca do peito macio, queria fazê-la ter um orgasmo tão intenso, um após o outro, que encheria sua boca daquele gosto maravilhoso dela, sentindo as unhas longas arranharem sua nuca, puxando seus cabelos de maneira anormal. Meu Deus, queria tanto. Quase implora ali mesmo para Kemi mostrar.
Mas agora, ali no cantinho dela, era mais gostoso. Então, mesmo quando ficam sem ar, Yoon beija o pescoço alheio, querendo arrancar pedaços da pele alheia com certa agressividade, para sentir seu gosto; seria tão doce quanto o milkshake? Ficaria maluco se morresse sem saber. Kemi ri, manhosa, sentindo o nariz passear pelo pescoço, então os braços se agarram no pescoço imaculado de Jaeyoon como se dependesse de seus toques, as unhas agarrando o ombro coberto enquanto se arrepia dos pés a cabeça sentindo tantos estímulos; da boca agressiva, do nariz que tanto a explorava, e agora o volume alheio enquanto era prensada contra a parede, os impulsos vindo involuntários, num leve roçar íntimo demais para quem já haviam se visto até demais.
Um suspiro trêmulo sai dos lábios da mulher quando sente a coxa ser massageada; um sorriso cresce conforme sente a respiração trêmula d’outrem em seu agarro. Jaeyoon ficava caladinhe ocupado, e isso era lindo. E, claro que de sua parte não seria diferente. Com uma das mãos levanta o queixo curioso, observando os olhinhos um pouco mais fechados que o normal, mas tão brilhantes quanto o habitual, pupilas dilatadas e uma respiração ofegante. Kemi teve de impedir um beijo, apenas para olhar o Park perdido. Era tanta excitação, que fez a retinta gargalhar um pouco e, antes que o outro pestenejasse contra, ela sorri, deslizando o dedão que segurava seu queixo, para dentro da boca. Um pedido silencioso, mas que dizia muito sobre a necessidade em que se encontrava.
— Você quer isso, não quer? — Jaeyoon afirma com a cabeça, Kemi tem certeza. Mas pouco ouviu de suas palavras, e aquilo a incomodava. — Me diz que quer, então. Como você quer, cachorrinho.
Park quer falar, mas com o dedão se forçando contra a língua é impossível. Mesmo assim não o força para tirar da boca, do contrário, os lábios se fecham e pintam o metacarpo de vermelho, enquanto tenta impulsionar o quadril para cima, para sentir um calor que em algum segundo lhe foi afastado. Kemi soa a negação com três estalos no céu da boca, e agora de pé, caminha com o Park até a sua humilde cama – daquele jeito mesmo, quatro dedos no queixo, e um dedo em sua boca, o calando. Anda com ele assim, mesmo enquanto se senta sobre a cama, e antes que elu fizesse o mesmo, ela sorri e o faz ajoelhar. Os joelhos estão na madeira dura, e a outra está no seu pódio. Ela sorri pela vitória, enquanto olha quem está perdido, mas rendido, aos seus pés.
Kemi não sabe o poder que exerce em Park, mas não era necessário, era até visível. A mudança drástica de comportamento, das provocações indo à submissão, aceitando o que era lhe dado, de bom grado.
Jaeyoon, se fosse um pecado, seria a gula; era ansioso por possuir, e ansioso por ser possuído.
Quando olha ali de cima, o que conhecia por ‘rica’ e ‘mimado’, era para ‘pidão’ e ‘submersa’; o olhar refletia luxúria, desejo, e Kemi não podia ignorar. Era impossível. Então enquanto analisa os olhos, a feição de um pedido silencioso, a retinta se levanta apenas para se desfazer das vestes do quadril para baixo, deixando Park sensível. Ah, dava para ver pelo olhar. Elu não aguentaria o próprio silêncio.
Kemi volta a se sentar, as pernas abertas, expondo o próprio milkshake.
— Não falou nada… você não quer me provar?
O rosto da coreana quase explode quando a outra pende a cabeça para um lado, uma mão descendo lentamente aos pubianos meio louros, afastando os lábios maiores com com o indicador e o anelar, expondo sua formação – e Kemi percebe, ri baixinho com gosto ao ver a lufada de ar que o outro solta em resposta.
Para Jaeyoon, o tempo é diferente com a mulher em sua frente. Momentos de tensão passam rapidamente, e momentos de prazer, devagar; como se ela controlasse o tempo de tudo o que lhe é bom. Ver Kemi assim, expondo o clitóris inchado, a vulva bonita, o alinhamento dos pelos, mesmo cacheadinhos, aquilo era arte. Quase esquece de respirar, e agora parece mais próxima dela; inspira o ar novamente, sentindo o cheiro das pregas femininas de lubrificante natural e um toque ácido que lhe fazia delirar. Jaeyoon ama mulheres, mas com certeza nada supera Kemi. Park quase choraminga quando a vê deslizar pelos lábios maiores, ameaçando adentrar a própria vagina – como se elu sentisse.
Porra.
— Kemi…
— Mhm.. Fala, bebê.
— Você deixa eu te tocar…?
A negra sorri.
— Claro. Eu disse que ia te lembrar, não disse?
Jaeyoon acena com a cabeça e se aproxima mais da buceta bonita. Meu Deus, o cheiro o deixava zonzo; mas mais que isso, olhar de pertinho as cores que lhe acompanhavam. Elu olha para cima, vendo a concordância em Kemi ao deslizar os dedos em seus cabelos.
Céus, que dessem autocontrole para a outra, que esse não binário estava prestes a encontrar o que era o gosto do milkshake.
Antes de qualquer coisa, Jaeyoon desfere beijos no interior da coxa, na virilha. Analisa mais um pouco, e percebe a lubrificação natural que atingia até certa parte dos lábios maiores; então com uma das mãos, afasta igualmente ela já tinha feito, revelando novamente a intimidade de pertinho.
E o piercingzinho que havia esquecido da existência.
Respira o ar novamente, antes de deslizar a língua debaixo para cima; ouve Kemi suspirar longo, a mão em sua cabeça lhe afastando alguns fios do rosto. Repete o movimento; olha para Kemi e percebe o sorriso de ser observada, Yoon agora parando na joia de seu clitóris para sugar o nervo. Com poucos segundos, estalinhos e ofegos já eram ouvidos. Park pouco se aguentou, usando a mão livre para adentrar o indicador aos pouquinhos.
Kemi era um sorvete; doce, gelado e refrescante. Mas ali, para Park, era tudo; o doce, o salgado, o azedo, o calor, o desejo, uma emoção, tudo. E assim, degustar a sobremesa lhe era encantamento que cura ferida. Elu geme alto com a buceta na boca ao sentir os cabelos puxados e a cabeça empurrada; mas não pesteneja, põe a língua trabalhar mais, adicionando um segundo dedo, sem deixar de prestar atenção em nada – nas reações, nos gemidos, no barulho que seus movimentos faziam quando dentro e fora dela. Sente tudo; sente o deslizar frequente que a outra estava a fazer contra seu rosto, o afogando no encontro do próprio orgasmo. Ele se sentia tontinho, com certeza; não apenas pela falta de ar, mas toda vez esquecer o gosto dela, de temer a inteiramente loba, de ignorar investidas e perder tudo aquilo. Kemi era demais para seu caminhãozinho, mas como lhe diziam; existe boca ‘pra aguentar também. Levaria dela na sua carreta e na sua boca, e foda-se. Ninguém merecia Kemi, tanto quanto Park Jaeyoon merecia.
E esse ciúmes retroativo quase mata um na hora.
Com os pensamentos fora da cabeça, ouvir os xingamentos da loura quando ignora a proximidade do orgasmo para se jogar na cama junto a ela e tirar as calças rapidamente, era um grande nada comparado a sua vontade, a própria fome. Jaeyoon queria fazer Kemi nunca esquecer de si – porque elu nunca esqueceu dela, e jamais quer.
A cala com um beijo quando se posiciona entre as pernas dela; o próprio pau pingava pra caralho, Kemi tava toda babada, com certeza preparada. Park sorri quando a beija novamente, se encaixando apenas para sentir o calor de seu corpo novamente; mais perto, conforme os calcanhares lhe puxavam. Ânsia de ter, pra caralho.
E se Jaeyoon era a gula, Kemi era luxúria. Tão próximos, despertos de desejos. E talvez assim que as coisas funcionem tão bem, com tanto encaixe; porque Kemi não reclama quando Park entra em si, num choramingo de desespero, um soar tão íntimo e rendido. Ela quer tudo para ela, então porque não Park Jaeyoon, em sua lista? – claro que estava nela, seria impossível viver sem alguém tão quente como elu.
E quente em vários sentidos; exalava o calor corporal, suprimia calor ambiental. Polos opostos, quando Kemi chega em sua palheta fria e lhe põe em seu lugar, menos acalorada. Jaeyoon era vermelho, amarelo, laranja; Kemi o azul, o verde, branco. São opostos, e opostos se atraem – mas também semelhantes, que não se repelem.
É química envolvida; Kemi segura o rosto de Park e quase o acalma com os dedos gelados, as lágrimas de tesão escorrendo dos pequenos olhos, lágrimas de sal e calor. A de dreads brancos sorri, se deliciando com a troca de calores, o interior quente recebendo o membro gostoso numa troca bonita de relações. Ela não se importa quando resmunga o nome de Kemi, nem quando a pele de seu pescoço é puxada, na verdade se não fosse Park, as coisas se tornariam diferentes; porque iria adorar a ver gozar sem tocar. Uma prova de que era sentida, mais que um toque.
Jaeyoon prova de seu milkshake de forma quase cruel; Kemi o agarra no rosto, enquanto beija a boca e tranca a única passagem de ar quando o sente exacerbado demais. Sorri porque percebe um pouquinho mais do que gostar de tudo isso, o que lhe definia como pessoa.
Mas talvez fosse inumano repetir aquele nome, tal qual um mantra, Kemi era sua perdição.
Seus movimentos não são lentos; Park tem fome. E mesmo ali dentro, entre os movimentos ondulados e precisos, sentia a mulher pingar. Igualmente a si, era a tal gula que não suprimiam um do outro. Era pouco, nada era suficiente. Park quer vê-la segurar sua prole, mas nunca aconteceria; então com isso, quer vê-la quebrar. Uma das mãos que antes lhe apoiava, agora lhe faz afastar do beijo, sentando no calcanhar para manter certa distância e, antes de qualquer outra reclamação, uma das mãos cai em meio às pernas, sentindo-a se contorcer, pingar, delirar, a curva de sua lombar atingindo uma bonita meia lua enquanto se sente sensível demais, dedos precisos deslizando nos nervos inchados.
E não havia poesia para descrever o momento de pré-orgasmo; as paredes do útero lhe jogando e puxando, o calor da sensibilidade, a harmonia do pulsamento. Kemi via estrelinhas, e Park a admirava como a própria constelação. Constantemente a sente, e isso o deixa pior até atingir o próprio orgasmo. A retinta vem, um orgasmo constante onde as paredes uterinas se incham, o que pouco oferece resistência para Jaeyoon, que se desfaz num gemido áspero dentro dela. É quase uma grande sincronia; Kemi se sente quente, o sentimento de preenchimento caçoando a própria cabeça. Já Jae, sente que vai explodir se nunca mais sentir isso; a sensação do calor, porque um leve frio a atinge quando sai da loura. Mas não há muito tempo para pensar em descansar, não. Kemi parece seguir faminta, e quando se vê já está deitado de novo, a cabeça sendo segurada por ela.
— limpa, ‘mor. Sente o gosto do nosso milkshake.
Jaeyoon não resmunga, mesmo vendo a própria porra escorrer da boceta bonita. Porra, elu nunca ia se cansar. Põe a língua para fora, sentindo o próprio gosto junto ao de Kemi; um trabalho árduo quando sente tudo escorrer, estimulando-a quase que no extremo, ao degustar tudo com a ponta da língua.
Barulhos, agora, de sucção infindável, abaixo do umbigo de Kemi. Um gosto incrível, um milkshake saboroso.
