Work Text:
Senhor, que eu caminhe conforme a Tua vontade.
Dá-me um coração manso, olhos que enxerguem a dor do outro
e mãos prontas para servir.
Guia meus passos para que estes caminhem em direção aos Céus,
para que eu me prostre ao Teu lado.
Intercede pelas minhas irmãs e pelos menos assistidos;
livrai os pecadores de seus pecados assim como me livraste.
Esta é a oração que faço a Ti.
Com todo o meu coração e a minha fé, serei Tua noiva,
e que a Casa de Deus seja o meu lar para todo o sempre.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém.
Hyunjin abriu seus olhos lentamente, e a primeira coisa que viu foram suas mãos unidas em punho, os dedos entrelaçados enquanto seus nós esbranquiçavam pela força que colocava no aperto. Sempre sentia seu coração bater com mais força quando ajoelhava-se em frente a imagem da cruz no oratório, os olhos enchiam de lágrimas quando percebia a presença Dele, a mão divina pairando sobre sua cabeça.
Suas orações, das mais simples para as mais complexas, sempre eram regadas de emoção e a mais genuína fé, porque Hyunjin sempre acreditou no poder dela, foi assim que conseguiu se livrar de seus pecados e lhe fazer encontrar o verdadeiro caminho da salvação.
Veio de família religiosa. Nasceu dentro do catolicismo e sempre frequentou as missas e encontros assiduamente durante toda a sua vida. Sabia que sua vocação estava na vontade de ajudar as pessoas, de incentivar a seguir os caminhos corretos, de fazer de sua fé um instrumento transformador na vida das pessoas, por isso decidiu dedicar-se totalmente a igreja, iniciando seu acompanhamento vocacional aos dezesseis e fazendo seus votos perpétuos aos vinte e quatro, consagrando-se freira na Congregação da Ordem de Santo Agostinho.
A vida comunitária, onde a caridade e o atendimento aos necessitados eram a prioridade foi o que mais chamou a atenção de Hyunjin. Os princípios de vida cristã e o papel da igreja para Santo Agostinho fizeram com que ela se guiasse para este caminho, para esta vida, porque sabia que esse era o seu papel, sabia que Deus havia lhe dado a vida para servi-lo, assim como lhe concedeu o dom da empatia para acolher quem precisava.
Olhou para Jesus crucificado diante de si, seus olhos tinham lágrimas que embaçavam suas vistas. Ainda com o coração cheio, fez o sinal da cruz sobre seu tronco, levantando do genuflexório e caminhando para fora da sala de oração. A imagem de Cristo pregado na cruz permanecia em sua cabeça, fazendo-a lembrar do sacrifício Dele, seu sacrifício de vida em prol dos pecados do mundo.
Era um exemplo, uma imagem a se seguir. Sacrifique sua vida, se arrependa de seus pecados.
Hyunjin suspirava enquanto caminhava pelos corredores vazios do convento. Era final de semana e a grande maioria das freiras iam para a casa de suas famílias ou viajavam para outras congregações para dar aulas, fazer retiros ou resolver algumas burocracias. Esta seria uma realidade para Hyunjin, mas decidiu ficar no convento para organizar o próximo evento da igreja, aquele onde as irmãs conseguiam arrecadar alimentos e doar em cestas básicas ou fazer marmitas para distribuir.
Desde que iniciou seu postulantado, aos dezoito, já deixava claro que sua verdadeira vontade como freira era estar a frente de diversos eventos de arrecadação. Este era o seu propósito e as irmãs agostinianas nunca iriam se opor a isso, então antes mesmo dos seus votos perpétuos, Hyunjin já atuava de forma eficiente na igreja.
Isso fazia com que sua vida de freira fosse bem agitada. Estava sempre organizando algo, propondo algum evento, indo e vindo das congregações para organizar diversas parcerias. Com todas essas obrigações, mal conseguia ter tempo livre, então isso fazia com que seus pensamentos fossem completamente focados na vida religiosa, no seu trabalho e naquilo que ela tinha como dom. Hyunjin não tinha tempo para pensar em mais nada, nem revisitar um passado que desejava todos os dias esquecer.
Sabia que sua história era um testemunho real da obra de Deus na vida das pessoas — mesmo que não falasse diretamente sobre suas batalhas e nem revelasse o que passou. Hyunjin já foi uma mulher cujos desejos quase a fizeram sucumbir ao mundo, mas conseguiu se manter firme porque sua fé era maior do que qualquer desejo da carne, por mais forte que este seja…
Sempre se colocou como alguém forte, alguém que sabia reivindicar sua própria fé, alguém que controlava seus impulsos e falava muito bem sobre sua vida cristã, por isso era considerada uma ótima irmã, um bom exemplo para os jovens da igreja. Sua resiliência era tanta que seus dias eram dedicados totalmente a congregação, talvez seja por isso que a noite, quando colocava a cabeça no travesseiro após sua oração, alguns pensamentos a lembravam do porquê ela precisava não se deixar levar, manter-se firme e em constante vigília, para que os demônios da tentação não a atacassem quando ela estivesse fragilizada.
Os desejos iniciam nos seus pensamentos, Hyunjin. Não pense, logo não deseje. Lembre-se disso.
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Parou em frente a grande porta de madeira. Alguns papéis empilhados em suas mãos eram conferidos e reconferidos com o intuito de não deixar nenhuma ponta solta na organização.
Suspirou, batendo três vezes na porta, sabendo que mesmo que tenha sido baixo, quem estivesse lá dentro ouviria, já que o convento estava silencioso e sem qualquer sinal de pessoas pelos corredores.
Ouviu um “entre” suave, sabendo que aquela não era a voz que costumava ouvir dentro daquela sala, por isso, de forma instintiva e devagar, as dobras das palmas de suas mãos começaram a suar, umedecendo as folhas.
Engoliu a saliva acumulada e abriu a porta, revelando a sala espaçosa. Era fim de tarde, então a imensa janela deixava os vidros cristalizados contorcer a luz do sol, criando um aspecto diamantado pelo chão e paredes onde o calor do astro tocava. Na grande mesa, perto de uma das paredes, estava uma figura que Hyunjin considerava uma incógnita.
Felix, a secretária da Abadessa, assim como Hyunjin, era uma irmã relativamente nova no convento, mas tão dedicada quanto. Quando Hyunjin entrou para o postulantado, Felix estava finalizando seu noviciado, e quando Hyunjin terminou seus votos temporários, Felix tinha terminado seus perpétuos.
Eram freiras que dedicavam-se à vida na igreja e eram exemplos claros de irmãs cujo trabalho era digno de bençãos. Enquanto Hyunjin se tornou uma freira que organizava eventos de caridade, Felix havia se dedicado a organização interna, por isso se tornou uma mulher confiante dentro do convento e logo foi nomeada secretária da Abadessa, tendo autoridade para falar em nome dela.
Felix era realmente uma mulher exemplar, uma freira carismática e atenciosa, que se tornou o braço direito da Madre e usava esse posto com muita glória. Seus traços joviais e delicados a deixavam com a aparência angelical, sua forma singela e graciosa de andar a faziam flutuar pelo chão do convento, seu tom de voz era ameno, baixo e acolhedor, até mesmo seus cabelos loiros — que Hyunjin já teve o vislumbre de ver quando encontrou com ela algumas vezes pelos corredores das celas — e suas sardas a deixavam com o semblante belo e formoso.
Era uma mulher realmente bonita. Bonita e abençoada.
Porém, algo nela deixava Hyunjin um pouco nervosa e levemente acuada. Mesmo sendo uma bela comunicadora e até mesmo extrovertida na maioria das vezes, perto de Felix, Hyunjin não conseguia falar muito bem, nem mesmo trocar muitas palavras com a outra. Já havia visto Felix a olhando de forma curiosa no refeitório do convento e nas missas de domingo, trocavam olhares tímidos pelo banheiro compartilhado e direcionavam cumprimentos educados uma a outra quando se esbarravam por algum lugar.
Mas era apenas isso, nada além de cordialidade.
Já havia desviado de algumas conversas onde Felix era citada, já trocou o caminho quando viu que esta ia em sua direção, já fingiu que não ouviu seus chamados e cortou conversas que a outra tentava engatar consigo. Tudo pelo simples fato de que algo em Hyunjin se remexia quando olhava para Felix.
E isso era o que mais a assustava. Não queria voltar aos pensamentos que tinha antes de sua vida dentro do convento, não queria precisar lutar novamente contra seus demônios. Sabia que a vigília era eterna e que lembrar de seus pecados era uma forma de nunca mais cometê-los, mas era assombrada constantemente por eles e, por isso, sentia que seus pensamentos não eram para lembrar de não cometê-los e sim porque eles ainda estavam ali, vivos.
Perdia-se em sua própria consciência quando observava a irmã de longe, conversando com as freiras, sorrindo para elas, caminhando lentamente enquanto respirava o ar puro do pátio do convento e apreciava as flores do jardim.
Era como conviver com aquilo que a fazia lembrar constantemente do porquê estava ali. Como desviar do pecado no lugar onde escolheu estar justamente para não pecar.
Os olhos brilhantes levantaram-se do livro que lia, olhando para a porta. Hyunjin estava parada ali, como uma estátua enquanto encarava a figura sentada. Felix piscou algumas vezes, seu semblante curioso demonstrava que não esperava aquela visita, mas que havia agradado seus olhos, tornando-os mais abertos e cintilantes.
— Irmã Hyunjin — sua voz baixa entrou pelos ouvidos de Hyunjin, fazendo esta engolir novamente a saliva acumulada.
— Irmã Felix, boa tarde — sorriu pequeno, desviando os olhos para a mão que agarrava os papéis, apertando contra seu próprio peito — A Madre não se encontra?
— Ela foi convocada pelo padre da paróquia para ministrar uma palestra para os jovens — comentou, fechando o livro em cima da mesa, depositando a mão por cima da capa.
— E ela voltará ainda hoje?
— Creio que só volte amanhã.
— Certo — suspirou, apertando novamente os papéis contra seu corpo — Então passo aqui amanhã.
— Do que precisa? — a voz ainda mais suave que antes ecoou por toda a sala, que mesmo cheia de móveis de madeira e livros de teologia, parecia extremamente vazia naquele momento. O frio na espinha de Hyunjin a fez tremer, e pediu a Deus que sua reação estranha não tivesse sido captada pela irmã.
— É algo sobre o próximo evento que estou organizando.
— O de arrecadação de alimentos, certo? — Hyunjin piscou seus olhos, concordando de forma contida enquanto mantinha-os virados para o chão.
— Eu ia mostrá-la como está funcionando a organização e… — sua voz falhou um pouco, apertando a maçaneta da porta cuja mão ainda segurava — falar sobre a montagem das marmitas, quanto de verba precisaríamos para comprar recipientes e outros mantimentos, e também… — suspirou involuntariamente, piscando os olhos diversas vezes enquanto fazia um esforço anormal para finalizar sua fala de forma coerente — organizar como será preparada a comida, quais irmãs poderão ajudar, como distribuir — engoliu mais saliva, a parte interna de sua boca completamente encharcada contrastando com seus lábios secos — É isso.
Apertou os lábios ao finalizar de forma estranha, levantando os olhos para encarar Felix, esta que a olhava com um semblante cuja mensagem não parecia tão clara. Seus olhos piscavam lentamente, pareciam um pouco mais cerrados que antes, suas maçãs do rosto pareciam mais salientes devido ao sorriso singelo que pintava seus lábios rosados.
De alguma forma, Hyunjin sabia que Felix estava pensando algo, mas não fazia a mínima ideia do que.
— Eu posso ajudá-la, se quiser — respondeu finalmente, depois de encarar Hyunjin por longos segundos — Posso repassar as informações para a Madre quando ela retornar, assim você não precisa vir novamente.
— Faria isso? — não podia ver, mas sabia que seus olhos brilhavam ao olhar para Felix — A Madre não acharia ruim?
— Claro que não — sorriu, batendo os dedos de leve no livro que continuava em cima da mesa — A Abadessa confia em você assim como todo o convento, sabemos que você é uma irmã muito competente.
O sorriso que abriu em seus lábios foi grande a ponto de pressionar suas bochechas, fazendo-as doer. Não lembrava de dar um sorriso tão grande quanto aquele a um bom tempo, por isso acabou abaixando os olhos e mordendo o lábio, tentando conter sua euforia com o elogio que recebeu. Já havia sido elogiada antes, inclusive pela própria Madre, então não sabia de onde havia surgido aquela felicidade tão genuína com o elogio feito pela irmã.
— Entre e sente-se — pediu para Hyunjin, que prontamente adentrou mais a sala, tocando na porta para fechá-la — Deixe encostada.
Assim fez, deixou uma fresta pequena aberta, apenas para que quem aparecesse ali, visse que estavam em uma conversa.
Quando sentou na cadeira em frente a mesa, no entanto, seu coração começou a bater mais forte. Estava de frente para Felix, seus olhos a analisavam completamente, como se pudesse ter ciência de todos os seus pensamentos, até os mais íntimos. Era a primeira vez que trocava tantas palavras com a irmã e seria a primeira vez que teria um diálogo longo com ela, então foi inevitável que sentisse um pouco de suor se acumulando em sua nuca tampada pelo véu preto que utilizavam, sentindo as miçangas arredondadas de seu terço colarem ali.
Ficou um tempo sem saber o que fazer. Felix ainda olhava para si com um sorriso de canto e sua fisionomia parecia a de alguém que estava cada vez mais se deleitando com quaisquer que fossem seus pensamentos. Tentou não fazer qualquer juízo de valor ao que pudesse estar acontecendo, Felix sempre foi uma irmã muito exemplar e plenamente bem vista na comunidade católica, não havia motivos para Hyunjin achar que sua expressão parecia levemente perversa e que seu olhar carregava um tipo de regozijo contínuo.
Não faria o menor sentido.
Felix soltou o ar pelo nariz quando seu sorriso abriu um pouco mais, podendo revelar suas covinhas rasas.
— E então? — sua pergunta causou um susto e uma dúvida palpável no semblante de Hyunjin.
— E então… — repetiu, piscando algumas vezes enquanto rebobinava o próprio cérebro, tentando encontrar onde se perdeu. Felix abaixou os olhos, olhando para os papéis e, em seguida, retornou os olhos para Hyunjin. A outra seguiu seu olhar, só assim se dando conta do que ela estava falando — A-ah sim, o evento.
Felix não conteve o riso com a cena em sua frente, a irmã um pouco atrapalhada tentando ajeitar as folhas que escorregavam de suas mãos, folheando todas para saber por onde começava a explicar e quais eram as exigências necessárias.
A conversa soou moderada, calma e bem tranquila. Hyunjin explicava como funcionaria a arrecadação e qual a meta, bem como o que precisaria comprar para preparar as marmitas. Hyunjin falava tudo de forma calma, evitando olhar por muito tempo para os olhos de Felix, esta que ouvia tudo atentamente, prestando atenção em cada coisa, desde o que a irmã falava até como ela movimentava as mãos, como suas sobrancelhas se moviam para dar ênfase às palavras, como seus olhos corriam pelas folhas para conferir suas anotações, bem como a forma como seu corpo se esticava para frente, mostrando algo na folha que segurava para ilustrar o que estava contando, o crucifixo balançando pelo seu tronco com a respiração.
Felix apenas podia concordar, apoiar e dizer que providenciaria. Hyunjin já havia feito basicamente tudo, organizado cada detalhe e já até falado com algumas pessoas. Era uma exímia organizadora, prestativa e resiliente.
Resiliente até quando as desavenças acontecem dentro de sua própria cabeça.
Finalizaram tudo o que precisavam ver e confirmar, Felix fazendo algumas anotações no papel para repassar a Madre e dando permissões a Hyunjin para continuar com a organização, assim como ajudando-a em algumas outras decisões.
Foi fácil conversar com Felix, ela era tão simpática e ouvia tudo tão bem, sempre pontuando coisas importantes e brincando um pouco, deixando o clima leve entre as duas. Não entendia por que tinha tanto receio em se aproximar; sabia que elas poderiam se tornar amigas devido à idade aproximada, a forma delicada com que se dirigiam uma a outra e até a quentura no rosto que Hyunjin sentia todas às vezes que trocavam olhares, algo que mostrava um genuíno afeto pela irmã.
Talvez, dentro de seu âmago, existiam certezas que evitava dar voz, porque elas diziam respeito aos seus demônios, ao pecado que um dia cometeu, aos desejos que já assombraram seu corpo e mente. Sabia que o motivo de sentir-se acuada com Felix era porque sentia seu peito queimar, seu pescoço suar, sua respiração descompassar e seu corpo reagir de forma estranha quando esta se fazia presente, seja em corpo ou apenas pela menção de seu nome.
Era perigoso estar perto de Felix e Hyunjin sabia disso, no fundo sabia.
— Acho que isso é tudo — Hyunjin comentou, empilhando novamente as folhas, usando a mesa de apoio, organizando todas enquanto suspirava. Havia passado por aquilo de forma tranquila e, por um momento, quis rir de qualquer coisa que pudesse ter pensado sobre a outra — Obrigada por me ajudar, irmã.
— Não há de que — Felix assentiu, sorrindo enquanto apoiava o cotovelo na mesa — Nós gostamos quando você organiza esses eventos. Traz visibilidade para a nossa comunidade e para a nossa paróquia. É um trabalho lindo.
— Obrigada. Sempre gostei de fazer esses trabalhos de caridade, acredito que Deus tenha me concedido a vida para que este seja meu propósito aqui — comentou sorridente, mal conseguindo conter o suspiro de orgulho e de saber que estava fazendo o que amava e o que era sua vocação. Sentia-se cheia de graça e nada poderia trazer mais felicidade do que aquilo.
No entanto, um silêncio se instalou no local. Felix ainda olhava Hyunjin e sua euforia enquanto a outra cessava seu sorriso grande, tentando conter-se. Seus olhos vacilaram um pouco quando caiu dos de Felix para sua boca, esta que, de forma lenta, molhou seus lábios com a língua, umedecendo e deixando-os levemente brilhantes.
Hyunjin precisou engolir em seco antes de desviar, o ar de repente ficando preso em sua laringe. Piscou algumas vezes, recalculando sua própria mente, pensando no que havia sido aquilo, por que encarou a boca de uma irmã, por que ficou tão nervosa e por que seu coração tinha acelerado ainda mais.
— Sabe, — Felix iniciou, sua voz parecia ainda mais baixa, ainda mais profunda, como se estivesse prestes a fazer uma confissão — eu acho que nunca entendi por que você evitava conversar comigo.
Hyunjin levantou os olhos rapidamente, arregalando-os ao ouvir a sentença. Parecia constrangedor que Felix estivesse mencionando o fato de Hyunjin sempre a evitar, sempre correr dela e não se aproximar.
Sabia que suas bochechas estavam ficando extremamente avermelhadas só pela queimação que sentia no local, mostrando o quão nervosa havia ficado com aquele assunto. Felix não recuava, no entanto, mantinha a mesma expressão atenta, o semblante tranquilo e seus olhos fixos em Hyunjin, pronta para esperar o tempo que fosse até que obtivesse a resposta que buscava.
— Eu não… — iniciou incerta sobre o que falaria. Respirou fundo quando vasculhou sua mente, procurando alguma forma de responder — Eu não evitava. Acho que só não tínhamos assunto.
— Irmã… — seu sorriso desacreditado mostrava que ela não havia caído naquela desculpa — Sabe que mentir é pecado, né?
Sim, Hyunjin sabia. Mas como contaria que sentia-se intimidada por Felix porque olhar para ela causava sensações que Hyunjin não gostaria de sentir?
— Foi alguma coisa que eu fiz? — perguntou ainda mais baixo, como se tentasse passar a confiança necessária para que Hyunjin se sentisse confortável para se abrir.
— Não! — exasperou-se, coçando a garganta para acalmar os ânimos — Você não fez nada, irmã. É só que…
Não existia maneira de falar sobre aquilo sem soar como uma confissão. Hyunjin não cogitava nem chegar perto de contar a Felix seus verdadeiros pensamentos porque isso seria ruim em muitos níveis. Não precisava daquilo, não precisava criar aquele clima, não precisava de conselhos. Suas orações já eram regadas de pedidos para que Deus mantivesse seu corpo fechado e livre de pecado, para que sua vida fosse direcionada apenas a caridade e a fé.
Felix levantou-se da cadeira, o crucifixo balançando adornando seu pescoço sendo a primeira coisa que Hyunjin colocou seus olhos, correndo pelo tronco até o metal em formato de cruz que ficava pendurado devido ao volume dos peitos.
Odiou-se por reparar nesses detalhes, acompanhando os passos da outra freira que havia se colocado na lateral da mesa, apoiando uma das mãos ali e olhando Hyunjin com um sorriso acolhedor.
— Agora nós demos um bom passo com essa conversa, não acha? — seus olhos brilhantes pareciam inocentes, inocentes demais, como se fosse teatralmente exibido para que nublasse a mente de Hyunjin — Conseguimos conversar de forma agradável e foi um ótimo momento. Podemos partir disso.
— Sim — sua resposta foi murmurada, como se estivesse hipnotizada pela presença de Felix ali, em pé, com seus dedos apoiados no tampo da mesa enquanto seu sorriso era tão singelo que parecia sonso — Acho que foi um bom começo.
— Ótimo — sorriu, caminhando novamente enquanto contornava a mesa, aproximando-se das costas de Hyunjin. De forma sutil e quase imperceptível, seus dedos relaram pelo ombro direito da outra sentada, tocando precariamente na túnica que revestia o lugar — Sinto que seremos ótimas amigas.
Sua mão apoiou com mais veemência no ombro alheio, fazendo Hyunjin prender a respiração. Não encarava Felix, parou de segui-la com o olhar quando esta parou atrás de sua cadeira. Seus olhos agora encaravam o centro da mesa, mas sem realmente focar no local, já que a única coisa que conseguia pensar era na presença atrás de si, a mão delicada em seu ombro e as suas próprias mãos apertando em punho.
— E como você tem estado? — a pergunta soou capciosa, isso porque Hyunjin não sabia exatamente como respondê-la.
— Bem.
— Mesmo? — perguntou, agora tocando o seu outro ombro, as mãos pareciam tão leves que se Hyunjin não estivesse tão alerta, talvez não percebesse aquele toque — Não teve nenhuma… — pausou sua fala, fazendo Hyunjin ficar atenta. A pausa não parecia ser natural, como se ela estivesse buscando palavras, mas sim sendo proposital apenas para causar ansiedade — recaída?
Hyunjin virou levemente sua cabeça para o lado, podendo ver pela visão periférica a mão de Felix, os dedos brancos e finos com as unhas bem feitas, pintadas com uma base cintilante. O aperto parecia ter ficado ligeiramente mais pesado, como se a intenção fosse que aos poucos Hyunjin caísse naquela teia que a envolveria e a sufocaria com o tempo.
— Do que você está falando? — perguntou em um fio de voz, mal sabendo como realmente lidar com aquela conversa, não entendendo o rumo dela.
Houve um silêncio enquanto Felix apertava seus dedos cada vez mais, as palmas das mãos pesando de verdade nos ombros. Elas se movimentaram, um pouco mais para baixo, a ponta de seus dedos conseguindo tocar sua clavícula tampada.
— Você sabe do que estou falando — murmurou, tirando um suspiro audível de Hyunjin.
Sim, ela sabia, sabia tão bem que sua cabeça pesou. Quando seu desejo de virar freira se acendeu dentro de si, visitou alguns conventos como parte do processo de conhecer e decidir qual ela sentia mais afinidade. Encontrou-se com as agostinianas e, com isso, iniciou seu acompanhamento vocacional.
Assim que o início de seu postulantado se aproximava, Hyunjin sentia que precisava conversar com a Madre, ser completamente sincera e dizer que, além de sua vocação e fé, também existia outro fator que a fizesse ter vontade de iniciar a vida de freira, com o intuito de purificar o próprio corpo.
Foi acolhida, aconselhada e acompanhada durante todo o seu processo até os votos perpétuos. A Abadessa sempre a chamava para conversar para saber como andava sua fé, suas orações, a batalha contra seus pecados e sua vigília, ficando satisfeita ao saber que Hyunjin parecia muito bem.
Além da Madre, apenas o padre sabia sobre sua, digamos, condição. Eram os únicos que haviam ouvido de sua boca suas confissões e, por isso, não fazia a mínima ideia de como Felix sabia sobre, se é que ela sabia mesmo, porque aquilo poderia ser um blefe, poderia ser uma forma de mostrar que sabe algo que não tinha ideia.
Mas o que não entendia era porque Felix faria isso, por que ela tocaria naquele assunto? Por que estava fazendo isso consigo?
— Por um momento, — iniciou, tocando o véu de Hyunjin, arrumando o pano que se estendia até o meio de suas costas enquanto esta sentia-se cada vez mais tensa — achei que a irmã me evitava porque não queria se aproximar — suas mãos voltaram para seus ombros e, com o véu arrumado, parecia ter um acesso melhor por toda a extensão, conseguindo chegar seus dedos até perto de seu pescoço — Porque eu te causava alguma coisa.
Suspirou, mal conseguindo concentrar-se em suas próprias reações, a única coisa que conseguia perceber era as mãos em si, iniciando uma leve massagem pelos seus músculos.
— Você não… — suspirou, sentindo o aperto ficar mais forte e seu corpo automaticamente relaxar, segurando sua própria garganta para não emitir qualquer som. Não poderia mentir, não poderia falar que não se afetava — A irmã não me causa nada de ruim.
— Te causo algo bom, então? — sua voz pareceu animada, mas tão envolvente como antes, mostrando que havia gostado de saber daquilo.
— Sim, claro — comentou, apertando ainda mais seus punhos enquanto seus olhos quase se fechavam com a pressão em seus ombros. Não fazia ideia do quanto precisava de uma massagem e Felix parecia ter mais abençoadas — Você é muito legal com todas as freiras e faz um ótimo trabalho sendo assistente da Madre.
— Oh, obrigada. Estou feliz de receber um elogio seu — a voz suave e quase calmante somada aos apertos bons que Hyunjin recebia fazia seu corpo colar na cadeira, inclinando-se para mais perto, para mais toques. Já podia sentir a mão de Felix alcançar o seu pescoço, passeando os dedos pelo colarinho do guimpe que usava por baixo da túnica — Se você sempre sentiu algo bom sobre mim, por que se afastava?
E novamente, Hyunjin se viu dentro de sua própria cabeça, brigando com sua própria consciência. Felix retornava àquele assunto e parecia querer tirar algo de Hyunjin, algo que ela não estava preparada para soltar. Estava fora de cogitação falar qualquer coisa do tipo, isso porque ela mesma evitava chegar nessa conclusão para o bem de sua vigília, para o bem de sua fé e, principalmente, para o bem de seus próprios desejos que ainda se agitavam dentro de si.
— Irmã Felix, eu não me afastava de você — sua voz era fraca, quase como se estivesse sofrendo ao dizer aquilo. Estava mentindo, estava realmente mentindo e quis se punir por estar fazendo aquilo, mas não tinha saída.
— Não só fugia como ficava me olhando de longe, como se tivesse medo de mim — suas mãos percorriam o pescoço da outra como se estivesse adorando a sensação da pulsação da artéria de Hyunjin em sua palma. Felix parecia estar entendendo cada reação física que estava causando, então seus movimentos pareciam controlados, pensados, certeiros — Você tem medo de mim, irmã?
— Não — sussurrou, sentindo os dedos de Felix tocarem seu véu estendido sobre sua cabeça, contornando sua testa, têmpora e bochecha. Estava constrangida de saber que Felix havia lhe visto olhando para ela de longe, achava que conseguia disfarçar bem e que apenas ela e sua própria consciência sabia o que fazia — Não tenho medo de você.
— Que bom — murmurou, tocando sutilmente a bainha do véu, mexendo ali e afastando um pouco, o suficiente para colocar para fora parte da orelha de Hyunjin. Seu corpo estancou no lugar quando sentiu uma respiração próxima o suficiente para aquecer sua pele, seus olhos ficando vidrados em sua frente enquanto prendia sua respiração — Até porque eu não mordo, só se você pedir por isso.
O sussurro soprado e os lábios colados em sua orelha fizeram Hyunjin derreter, seu corpo inteiro se arrepiou completamente e seu lábio inferior foi mordido com uma força desmesurada, tirando um chiado de sua própria garganta.
Felix sorriu. Ela sorriu enquanto via todas as reações que causava. Ela sorriu porque tudo estava acontecendo conforme ela imaginava. Era exatamente aquela reação que queria ver.
— Bom, se não era medo, era o quê? — levantou o tronco, começando a caminhar novamente, contornando a cadeira que Hyunjin estava sentada. Chegou perto da mesa, sentando em cima dela, cruzando as pernas. Viu quando os olhos de Hyunjin foram para seus tornozelos que ficaram à mostra quando cruzou suas pernas — Curiosidade?
Seus olhos se conectaram enquanto Felix abria um sorriso, o mesmo sorriso angelical que ela direcionava para todo mundo, mas que para Hyunjin, naquele momento, parecia ter outro significado. Felix não era como achou que fosse, embora suas intenções não parecessem tão claras em sua mente.
Piscou algumas vezes antes de respirar fundo, tocando seu crucifixo como se ele pudesse ajudá-la a elucidar de alguma forma o que estava acontecendo e, principalmente, por que ainda não saiu daquela sala.
— A-acho que sim — a voz fraca e a respiração descompassada fazia com que sua fala parecesse tão frágil que não se reconhecia. Sempre foi tão comunicativa e assertiva, falava bem e sabia se expressar. O que havia acontecido? — Estava curiosa sobre você.
— E no que tinha curiosidade? — suas costas se alongaram quando Felix apoiou suas mãos para trás, inclinando seu corpo.
Pecou. Hyunjin sabia que havia pecado no momento em que seus olhos não conseguiram ficar parados, descendo sorrateiramente até os peitos de Felix, estes que haviam ficado mais marcados na túnica preta que utilizavam. Pecou e se arrependeu instantaneamente de como seu corpo reagiu àquilo, a visão dos peitos arredondados tampados pelo hábito tradicional das freiras fazendo sua pele queimar e algo se remexer dentro de si, enviando uma mensagem direta para suas partes íntimas.
Precisava se recompor, precisava sair dali, precisava voltar para o oratório e se arrepender de cada pensamento que estava começando a ter, se arrepender do que estava desejando, do que estava sentindo.
Mas não conseguia, parecia que suas forças haviam sumido, evaporado como a água fervente em um bule. Não conseguia se mover e nem mesmo desviar seus olhos do corpo de Felix ali, parado, completamente tampado pela túnica, mas extremamente exposto para Hyunjin.
— Você não precisa ter medo de falar, Hyunjin — uma de suas mãos tocou em sua própria coxa, dedilhando de forma delicada o pano, arrumando o que já estava arrumado — Temos que confiar umas nas outras, lembra?
Aquilo era coisa de sua cabeça? Estava realmente vendo algo onde não tinha? Seus pensamentos sobre Felix estavam tão desordenados que estava vendo intenções onde não tinham? Estava tendo algum tipo de provação divina por meio de uma alucinação?
Eram perguntas que rodeavam sua mente enquanto via Felix continuar tocando sua coxa, puxando o pano de sua túnica devagar, mostrando um pouco mais de suas pernas cruzadas. Seus movimentos eram tão lentos que pareciam uma miragem, e Hyunjin poderia facilmente duvidar do que estava vendo, mas estava ficando cada vez mais difícil quando já conseguia ver a pele da canela de Felix, sua panturrilha bonita e pálida ficando exposta.
— Curiosidade porque… — iniciou, apertando a própria túnica, reprimindo a vontade inexplicável de ceder, mesmo sem saber a que — você sempre foi muito amada, todo mundo parecia ficar muito confortável ao seu lado e recebiam muita atenção. Acho que eu… — engoliu suas próprias palavras, querendo correr dali a ter que dizer o que havia pensado.
— Você…?
— Acho que eu queria sua atenção também.
Sem pensar, seus lábios apenas emitiram aquilo que quis esconder, aquilo que sua mente gritava, seu corpo clamava, mas não poderia acatar. Queria a atenção de Felix, queria tanto poder ter seus olhos em si, suas mãos apertando seu corpo como havia feito antes, seus lábios soprando em sua orelha e suas palavras sendo dirigidas a si.
Queria estar ali, queria realmente estar ali enquanto podia, mesmo que não fosse certo, mesmo que o mais prudente fosse sair de lá e não aceitar que seus desejos vencessem tão facilmente.
— Você queria minha atenção e por isso fugia de mim? — Felix perguntou divertida, seu sorriso aberto com os dentes a mostra era encantador e adorável, quase infantil — É um jeito inovador — balançou a perna, mostrando o quanto ela já estava a mostra, com sua túnica já estando enrolada em seus joelhos — Bom, agora que tem minha atenção, o que precisa que eu faça por você?
Aquela pergunta ecoou como um tipo de chamado vindo diretamente das profundezas de um abismo colossal e demoníaco. Hyunjin estava olhando diretamente para a porta que a levaria para o inferno e sua mão estava se estendendo diretamente para a maçaneta, a ponto de abri-la.
Seu corpo parecia estar sendo impulsionado para frente, para que esta entrasse com tudo, a excitação em todo o seu ventre fazendo suas pernas se fecharem com força em cima da cadeira, mal conseguindo se controlar quando viu Felix expor suas coxas claras, a pele hidratada, visivelmente macia e que parecia imaculada como seu próprio rosto, este que exibia um sorriso gentil e inocente.
Aquilo era uma loucura sem tamanho. A cabeça de Hyunjin girava e sua respiração já não mantinha o mesmo ritmo. Não era como se perdesse o ar, ele, na verdade, entrava pelos seus pulmões de forma desregulada, não deixando Hyunjin respirar devidamente; mesmo que seu peito se enchesse de oxigênio, ainda se sentia sem fôlego.
Felix parecia aguardar pacientemente por alguma reação, qualquer que fosse. Olhava para a outra como se estivesse passando a coragem necessária para que Hyunjin tomasse a decisão que gritava dentro de si para tomar, um contraste quase surreal entre a calmaria dos olhos de Felix com o caos do corpo de Hyunjin.
Seu peito subia e descia rápido enquanto buscava o fôlego que lhe faltava, percebendo os olhos de Felix descerem por seu corpo enquanto sua cabeça pendia para o lado, analisando cada centímetro, cada contorno minimamente evidente naquela túnica larga e escura, e que mesmo assim, parecia marcar com exatidão todos os seus músculos tensos e latejantes.
Respirou bem fundo, fechando os olhos enquanto suas mãos apertaram um pouco mais o pano que revestia seu corpo, sua mão encharcada e quente.
— Você sabe sobre mim, não sabe? — a pergunta foi categórica e displicente para si mesma, tinha medo da resposta que receberia, mas precisava saber se Felix estava fazendo aquilo tudo com alguma intenção.
— Saber o que, irmã? — seus olhos se abriram de forma inocente, brilhando — Que você, assim como todo mundo, tem seus desejos?
— O que quer de mim? — sua pergunta foi fraca e quase silenciosa, como se ela tivesse sido feita apenas dentro de sua própria mente, mas soube que não foi assim que viu o sorriso de Felix se abrir, seus olhos se afiarem e sua mão tocar sua coxa exposta, alisando — Quer que essa seja alguma provação? Quer testar a minha fé? Quer que eu reforce minha vigília?
Seu sorriso era tão grande que se tornou uma risada, era simples e baixa, mas fez seus olhos brilharem ainda mais enquanto mordia seu próprio lábio.
Desceu da mesa com um leve pulo, ainda segurando sua túnica enquanto agarrava o outro lado, suspendendo para que sua perna ficasse livre o suficiente para se apoiar na cadeira que Hyunjin estava sentada. Colocou cada joelho ao lado das coxas da outra enquanto sentava-se lentamente em seu colo.
Hyunjin colou suas costas na cadeira, se assustando com a forma como Felix se encaixou em seu colo, sua túnica suspensa até suas coxas expostas. Felix estava sentada em cima de suas pernas, seus corpos estavam colados e Hyunjin estava paralisada, mal sabendo o que seus olhos estavam realmente captando.
Era uma alucinação, tinha que ser.
— O que eu quero de você? — repetiu a pergunta, tocando delicadamente no queixo de Hyunjin, levantando sua cabeça enquanto seu rosto se direcionava para perto, sua respiração batendo nos lábios carnudos da outra — Eu quero que você faça o que sempre teve vontade de fazer.
— Como assim? — ofegante e confusa, era isso que estava e era isso que seu rosto demonstrava o que acontecia com seu corpo.
— Ah, Hyunjin… — sua boca se aproximou, se arrastando pela bochecha da outra, deixando rastros molhados pela saliva que sambava ali por ter umedecido seus lábios — Acha que nunca percebi seus olhares? Acha que você era discreta ao me evitar? Que eu nunca ia perceber o quanto você ficava inquieta quando eu estava perto?
Seu constrangimento foi quase mortal, sua culpa pesava seu peito e seus olhos haviam começado a ficar embaçados pelo possível choro que estava começando a brotar de dentro de si. Felix sabia de tudo, sabia de cada passo seu e até de suas reações que jurava passarem despercebidas. Não sabia como reagir, não sabia o que falar, não sabia como continuar e o que fazer para que todo aquele peso passasse.
— Você… — o fio de voz que saía de sua boca era tão baixo que nem ela mesma ouvia, mas Felix parecia atenta enquanto seus lábios ainda deslizavam por sua pele, dessa vez, contornando seu maxilar e queixo — sempre soube?
— Uhum — Hyunjin apertou os olhos, mal podendo continuar respirando devido os batimentos fortes de seu coração estarem lhe tirando todo o ar. Seu rosto se contorceu em culpa enquanto sentia Felix encostar o nariz no seu — Oh, não. Não sofra assim, eu quero te ajudar com isso.
— Me ajudar como? — perguntou de forma ácida, apertando os punhos, sentindo os dedos dormentes tamanha força que colocava ali — Me arrastando para a tentação?
— Sabe, — iniciou, se arrastando para mais perto, colando mais seu tronco no de Hyunjin, esta que podia sentir o peso do corpo de Felix em suas pernas, a carne de sua bunda e coxas se espalmando ali — saciar seus desejos nem sempre é algo ruim — seus lábios estavam tão próximos que Hyunjin conseguia sentir a umidade deles, o ar batendo em sua própria boca, fazendo-a salivar, pronta para umedecer a sua própria — Às vezes, isso ajuda a reforçar sua fé.
Seu maxilar estalou quando pressionou seus dentes um no outro assim que sentiu seu lábio inferior ser beijado. Os lábios de Felix eram tão leves que apenas puxou de forma escassa sua carne, arrastando os lábios um no outro quando passou para o de cima, puxando este com um pouco mais de força.
Hyunjin estava petrificada, sentindo sua cabeça pesar mais e mais enquanto seus olhos começavam a acumular lágrimas. Seus lábios estavam sendo delicadamente explorados por Felix que parecia não se importar com o fato de Hyunjin não corresponder, pelo contrário, estava disposta a esperar até que esta parecesse pronta.
Puxou o lábio inferior com mais afinco, soltando logo depois, sorrindo ao sentir a respiração descompassada da outra, ambos os pares de peitos se apertando um no outro devido à puxada de ar que Hyunjin dava, tentando não desmaiar com a restrição de oxigênio. Inconscientemente, assim que Felix puxou novamente seu lábio inferior, agarrou fracamente o superior dela, sendo a primeira correspondência àquele toque.
A pressão se intensificou, os lábios começaram a se tocar com mais afinco, o barulho molhado das bocas começando a se abrir e a saliva aparecer parecia o som do que estava se quebrando aos poucos dentro de Hyunjin: a resistência.
Mais pressão, mais saliva, mais aceitação, e o beijo começou a pegar forma, com Hyunjin cedendo enquanto sua cabeça virava lentamente, aprofundando os toques, querendo sentir mais daquela boca. Já não conseguia se segurar, não conseguia sequer pensar no que estava fazendo, só conseguia sentir Felix em seu colo, seus peitos tampados se arrastando um no outro e suas bocas molhadas se encaixando em uma perfeição atroz.
— Foi mais fácil do que pensei — Felix sussurrou enquanto arrastava sua boca pela de Hyunjin, tocando ambas as bochechas com seus polegares enquanto seus outros dedos se agarravam no pescoço dela — Você queria muito isso, né?
Hyunjin engoliu a saliva que se acumulou, respirando fundo enquanto seus olhos já não conseguiam mais aguentar suas lágrimas, deixando as primeiras se derramarem pelas bochechas. Felix aproximou sua boca dali, recolhendo uma gota com a língua, traçando o rastro da lágrima com o músculo úmido até que chegasse perto dos cílios de Hyunjin. Ainda com a língua para fora, se direcionou novamente a boca da outra, passando a ponta pelos lábios, contornando as bordas, molhando a carne com a lágrima que recolheu.
De algum jeito, aquilo fez o coração de Hyunjin pulsar em um incômodo cativante, como se a dor de estar fazendo aquilo não fosse mais tão forte, já que o desejo de estar ali era ainda maior. Não tinha coragem de admitir, mas pela primeira vez, enquanto deleitava-se com a língua de Felix contornando toda a sua boca, sentia-se no céu.
Abriu sua própria boca quando a língua tocou a linha que unia os dois lábios, como um convite para que esta invadisse sua cavidade. O convite foi atendido com gosto quando Felix ultrapassou seus dentes, tocando sua própria língua, arrepiando até mesmo a sua alma.
Foi instintivo a língua de Hyunjin se movimentar, tocando a de Felix enquanto estas iniciavam um abraço quente. Mal pôde entender o que seu corpo fazia quando chupou a língua da outra, tirando um som que podia jurar vir do pensamento mais profundo de sua consciência, um arfar audível e totalmente entregue de Felix, que apertou suas mãos em seu pescoço e afundou mais sua língua, querendo mais daquilo.
Seus músculos se encontraram fora da boca enquanto continuavam se tocando, e a maneira que suas salivas criavam teias suspensas e brilhantes pelas línguas e lábios deixavam toda a trocação de toques ainda mais delirante. Suas bocas se ocuparam novamente em um beijo mais profundo e mais íntimo, agora usando suas línguas para trazer ainda mais daquele sentimento compartilhado entre as duas, um sentimento que Hyunjin não saberia nomear, mas que era forte e crescente.
Sentimento que existia antes mesmo de qualquer menção ao que estavam fazendo naquele instante.
Agarrou sua túnica entre seus dedos quando foi a vez de Felix chupar sua língua, mal conseguindo conter o murmúrio que saiu de sua garganta, suas lágrimas descendo sem parar e sua boca ficando dormente com as chupadas que recebia.
Queria abraçá-la, queria tocar suas coxas, queria contornar sua cintura e sentir seu corpo em suas mãos, mas algo ainda a prendia mesmo compartilhando salivas e desejos.
Porém, algo parecia estar ligando as duas, como se pudessem ouvir os pensamentos uma da outra, já que Felix largou seu pescoço, direcionando suas mãos para as de Hyunjin, pegando-as e depositando em sua cintura, em um pedido mudo para que fosse tocada.
Hyunjin apertou os olhos, arfando quando sentiu a cintura fina sob suas mãos. Deslizou os dedos, tocando em seu quadril e em sua lombar, podendo sentir o início de sua bunda empinada em seu colo. Não conseguiu resistir quando apertou suas mãos com uma força que não sabia que tinha, tirando um gemido de Felix, esta que desgrudou seus lábios apenas para emitir o som.
Com isso, pôde abrir os olhos, tendo a visão embaçada pelas lágrimas que desciam ali, mas podendo ver o rosto de Felix bem perto de si, seus olhos cerrados, suas bochechas vermelhas, as sardas espalhadas ficando ainda mais evidentes pelo contraste e sua boca com os contornos já mal delineados pelo inchaço, brilhantes de saliva. Seus lábios estavam partidos, sua respiração saía pesada entre eles e Hyunjin deliciou-se em satisfação por vê-la daquele jeito, arfando pelo seu aperto, com a boca destruída pelos seus beijos.
Afinal, não era apenas Hyunjin que estava sucumbindo aos desejos.
Puxou sua cintura, arrastando seu corpo para mais perto quando tomou seus lábios novamente, o beijo iniciando de forma forte, retirando todo o fôlego que Felix havia recuperado. Gemeu novamente, arrastando sua bunda pelas coxas de Hyunjin, sentindo sua cintura ser apertada com mais força enquanto era reivindicada com posse.
Suas mãos se arrastaram para a cabeça de Hyunjin, tocando o véu, puxando o pano para trás enquanto este escorregava pelos cabelos escuros. Jogou pelo chão, tendo passe livre para emaranhar seus dedos pelos fios negros, estes que sempre desejou tocar, sempre desejou passar os dedos enquanto os via balançando quando Hyunjin andava pelos corredores das celas das freiras.
Seu cabelo não era longo, arrastavam-se pelos ombros, mas eram macios o suficiente para Felix sentir um prazer fora do comum enquanto os fios se agarravam entre suas falanges, podendo apertar sua nuca, tirando um murmúrio de Hyunjin, tão deleitoso quanto.
Separaram os lábios, abrindo os olhos e conectando suas orbes, podendo sentir algo balançar dentro de ambas. Felix passou o polegar pelo lábio inchado de Hyunjin, observando o quanto ela parecia desejosa naquele estado tão degradante, com a boca destruída, o rosto vermelho, as lágrimas secas deixando rastros pela sua pele enquanto seus cílios úmidos deixavam sua aparência inocente e culposa.
— Você é tão linda — sussurrou, olhando cada detalhe daquele rosto esculpido, perfeito e pecaminoso — É um desperdício você sufocar seus desejos quando pode realizá-los comigo.
Hyunjin ofegou, apertando a cintura que agarrava enquanto parecia cada vez mais dentro daquele casulo que Felix estava construindo para as duas, como se aquilo fosse completamente certo e necessário. Sentia seus dedos descerem por sua nuca, tocando os botões de seu guimpe, desabotoando-os lentamente.
— Eu não sabia que você também sofria desse mal — suspirou aliviada com o aperto em seu pescoço se afrouxando quando a gola do guimpe foi desabotoada totalmente, sendo retirado de seu pescoço, destampando seu colo, expondo parte de seus peitos no decote quadrado da túnica.
— Não é um mal — comentou, arrastando suas mãos pelos ombros, tocando o pano ali antes de começar a arrastar pela pele, expondo mais os ombros, passando pelo local estreito antes de descer pelos braços — É uma necessidade.
— Felix… — suspirou, começando a tremer com a forma como era despida aos poucos pela outra, sentindo sua pele queimar com os olhos que seguiam cada movimento do pano que descia cada vez mais, até que seus peitos estivessem expostos. Não usava sutiã, permitia-se se sentir um pouco mais confortável quando o convento estava vazio, mal pensando na possibilidade de ter seu corpo facilmente exposto enquanto a outra tirava sua túnica, chegando até seus pulsos, retirando estes do pano, ficando completamente nua da cintura para cima a não ser pelo terço e escapulário que ainda permaneciam ali — Você sabe que isso que estamos fazendo é-
— Shhh — foi calada com o polegar de Felix, que pressionou a digital ali antes de enfiar dentro da boca da morena, sentindo esta chupar de forma tímida — Sem moralismo agora, meu bem. Só faça.
Retirou o dedo da boca de Hyunjin, direcionando até seu seio, tocando seu mamilo com a ponta antes de circular ali, sentindo a outra se tremer abaixo de si, vendo seus olhos se fecharem e sua boca abrir em um gemido soprado. Seus lábios iniciaram beijos pelas bochechas, passando pelo queixo até chegar em sua mandíbula, dando uma leve mordida ali enquanto sua mão se enchia do seio de Hyunjin, apertando a carne.
Hyunjin delirava, revirava os olhos e mordia os próprios lábios com as sensações que a faziam pulsar entre suas pernas. Era delicioso sentir os lábios de Felix em seu pescoço, lambendo e beijando enquanto suas mão agarrava sua nuca e a outra brincava com seu peito, contornando seu mamilo com o polegar, criando uma fricção que a deixava nas nuvens, em um vislumbre claro do que poderia ser o paraíso.
A culpa pelo que fazia carregava seu peito, o deixava pesado, a cabeça parecia girar e, enquanto sentia os lábios de Felix descerem por sua clavícula, olhou a parede em sua frente, a imagem da cruz cravada bem ali, com Jesus preso pelos pregos nas estacas de madeira que faziam todos lembrarem de seu sacrifício.
Devia estar morrendo para o mundo como Ele, devia estar se arrependendo de seus pecados, mas estava bem ali, se jogando para eles, deixando-os tomar conta de seu corpo.
Antes de uma nova lágrima brotar e o peso de seu próprio mártir recair sobre seu corpo, revirou seus olhos quando a língua de Felix tocou seu mamilo, chupando enquanto abocanhava seu peito. A mão de Hyunjin voou para sua nuca, ficando restrita a tocar apenas na linha cervical devido ao véu que tampava sua cabeça.
Queria retirar o pano, queria tocar os cabelos loiros e longos de Felix, sabia que eles eram macios apenas pelo brilho que estes tinham enquanto caía pelos ombros magros. Mas algo sobre a cena que assistia, sobre Felix completamente vestida com os hábitos de freira enquanto se mantinha em seu colo e abocanhava seus seios, fazia a cabeça de Hyunjin entrar em espiral. Era tudo pecaminoso demais e talvez por isso estivesse tão maravilhada.
Estar atraída pelo pecado era abominável, mas não conseguia parar.
Gemeu um pouco mais alto quando seu mamilo foi mordido, arqueando suas costas enquanto sua cabeça pesava, apertando a nuca de Felix e afundando seus dedos em sua cintura.
— Felix — sussurrou, mal conseguindo conter os barulhos constrangedores que saíam de sua boca — Nós não…
Foi calada com uma lambida generosa, esta que iniciou os movimentos circulares que Felix fazia no seu bico. Suas pernas se apertaram mais enquanto suas coxas tremiam, sentindo a quentura anormal em sua intimidade. Olhou novamente para Felix, vendo esta olhando para si, apreciando suas expressões e seu corpo reagindo ao estímulo.
— O que você ia dizer? — perguntou, sorrindo ao ver que Hyunjin mal conseguia segurar seus próprios olhos abertos, ainda tendo um mamilo sendo lambido enquanto seu outro peito era apertado — Não consegue falar? Está tão bom assim?
Murmurou algo que foi incapaz de saber o que era, só sabia que havia saído de uma forma suplicante e completamente delirante. Felix sorriu ainda mais, chupando com vontade enquanto trocava de lado, iniciando os movimentos no outro mamilo.
— Eu sempre quis fazer isso, sempre quis tocar seus peitos — começou, soprando o ar enquanto falava e isso fazia arrepios descomunais perpassarem por todas as fibras de Hyunjin devido o bico do seu peito estar molhado de saliva — Eles pareciam tão lindos mesmo tampados pela túnica, e quando você entrou aqui, seus mamilos estavam marcados. Eu salivei com vontade de chupar.
Gemeu alto, apertando mais as coxas uma na outra para tentar inutilmente reprimir a pulsação que sentia ali. Algo dentro de si remexeu ao ouvir aquilo, como um deleite incontrolável por saber que era desejada por Felix.
— Mesmo? — perguntou suplicante, seus olhos exalando um misto de insegurança com um pedido silencioso de aceitação.
Felix tocou os dois seios, empurrando-os um no outro, os juntando enquanto o cordão do crucifixo ficava preso entre ambos, olhando como pareciam suculentos daquela forma. Suas sobrancelhas se uniram e um arfar saiu de sua boca enquanto os balançava, ficando viciada no movimento que eles faziam, achando linda a cor avermelhada de seus mamilos duros, as auréolas em um marrom claro e até a pinta que Hyunjin tinha em um deles, como a assinatura do escultor divino que moldou aquela perfeição. Colocou a língua para fora, passeando com ela pelos dois mamilos que estavam mais próximos, inundando ambos os peitos de saliva enquanto Hyunjin gemia de novo, apertando sua nuca.
— Mesmo — respondeu, lambendo a união das duas carnes, tirando um murmúrio choroso da outra — Você é tão gostosa.
Outro gemido escapou dos lábios de Hyunjin, esse ainda mais choroso que o outro, como se fosse a força motriz para o seu prazer. Parecia gostar de ser elogiada e Felix estava cada vez mais agraciada pelos aspectos que ia captando da morena abaixo de si.
Soltou seus peitos, dando uma última chupada em cada um antes de voltar sua boca para a da outra, agarrando seus lábios com uma fome que nunca sentiu antes, sendo recepcionada por Hyunjin com a mesma fome, sua boca recebendo um gemido da outra que abraçou sua cintura, depositando ali toda a tensão que sentia e o prazer que lhe atacava.
— Você está sendo uma ótima menina — seu tom de voz era autoritário mas, ao mesmo tempo, carinhoso. Seus dedos fazendo um carinho pela lateral do cabelo de Hyunjin, vendo seus olhos brilharem atentos — Merece uma gratificação, não acha?
Hyunjin piscou lentamente seus olhos sem saber muito bem o que Felix estava falando, mas recebendo o beijo em seus lábios com prazer antes de senti-la saindo de seu colo, vendo esta sentar em cima da mesa da Abadessa, em sua frente. Seus pés estavam descalços — havia possivelmente tirado seus sapatos em algum momento — e eles se apoiaram nos braços da cadeira em que Hyunjin estava sentada.
Sua túnica foi suspensa lentamente, revelando novamente suas pernas e coxas. Hyunjin prendeu a respiração quando esta continuava sendo levantada, já conseguindo ver de relance algo que fez seus olhos embaçarem completamente. Com a túnica embolada perto de sua barriga, pôde ver: Felix usava uma calcinha de renda branca, uma peça tão pequena e transparente que mal conseguia cobrir sua pele e tampar corretamente sua intimidade.
Hyunjin ofegou, não conseguindo manter o pulmão oxigenado, muito menos seu próprio cérebro que pesou com a visão de Felix de perna aberta, exibindo com louvor sua calcinha fio dental minúscula. Ainda parecia insano pensar que aquela era a mesma Felix que via pelos corredores do convento, que a tinha como exemplo de freira, que pensava ser completamente imaculada.
Esta mesma que estava naquele momento tocando sua própria coxa na parte interna, deslizando os dedos por ali até chegar em sua intimidade, tocando sutilmente sobre a renda enquanto inclinava seu corpo para trás, apoiando sua mão no centro da mesa. Hyunjin não conseguia desviar os olhos, não conseguia parar de olhar o movimento de seus dedos contornando o pano quase transparente, tirando um suspiro de Felix enquanto esta parecia cada vez mais disposta a fazer da mente de Hyunjin um antro de adoração a ela.
Choramingou em súplica quando Felix contornou a borda da própria calcinha, afastando para o lado e se expondo completamente. As pálpebras de Hyunjin piscaram lentamente, o rosto queimando em desejo enquanto passava a língua pelos lábios, mal podendo controlar o acúmulo de saliva que inundou sua cavidade.
Precisava parar, precisava se recompor, já havia feito demais e não sabia se seria perdoada algum dia. Suas orações precisariam ser mais fervorosas, entraria em completa clausura para reparar todo o pecado que dobrou sua carne e a fez esquecer sua missão, sua fé e sua resiliência.
Mas Felix estava ali, estava bem na sua frente, aberta e exposta, tocando sutilmente nos lábios de sua intimidade enquanto parecia encantar Hyunjin cada vez mais. A morena podia ver, podia perceber exatamente todos os contornos, os grandes e pequenos lábios rosados, o clitóris um pouco mais inchado de excitação envolvido em uma pele sedosa enquanto sua vagina parecia molhada, irrigando sua entrada.
— Gosta do que vê? — perguntou, podendo observar como a expressão de Hyunjin parecia de alguém que estava em uma batalha interna intensa, onde o lado do desejo estava ganhando com folga. Hyunjin suspirou, passando novamente a língua pelos lábios, dessa vez mais lentamente — Eu sei que você sempre quis ter uma buceta na boca, Hyunjin.
Seus lábios tremeram com a fala tão explícita e tão verdadeira. Sempre lutou contra esse desejo desde a adolescência, desde quando se encantou por algumas colegas de classe em sua nova escola, desde que uma família se juntou a congregação que frequentava, onde um dos novos membros era uma menina linda, um pouco mais velha que Hyunjin, que sorria facilmente e tirava suspiros encantados de si.
Tinha desejos sublimes noite e dia, do tipo que a aterrorizava e a fazia delirar, sonhava constantemente com meninas e acordava suada, com a garganta seca e o peito cheio. Já havia se tocado pensando nelas, dentro de seu banheiro, mordendo a própria mão para não emitir nenhum barulho que pudesse denunciar aos seus pais o que fazia lá dentro.
Eram lembranças que não queria voltar a ter, porque sabia que estava completamente tomada pelo pecado incandescente que queimava sua alma. Havia jurado para si mesma que não voltaria a ter aqueles desejos, que havia entendido que era errado e se livrado daquilo de forma completa, mesmo que algumas lembranças ainda a assombrassem.
Mas era tão engraçado como seus desejos, por mais forte que a repressão fosse, sempre voltavam com força, e eles nunca se fizeram tão presentes quanto naquele momento, com Felix ali, lhe expondo aquilo que mais fugiu, mas sempre desejou.
— Felix, isso não é certo — ainda tentou encontrar alguma lucidez tanto em si quanto em Felix, esta que também estava em pecado, mas parecia inútil quando ela mesma já nem sentia que suas restrições fariam efeito.
— É mais do que certo, meu bem, é necessário. Você anseia por isso, está me olhando como se quisesse me devorar — seus dedos continuavam tocando por ali, recolhendo um pouco do líquido transparente e molhando o clitóris, fazendo movimentos circulares por ele — Vem, me devora.
Com uma obediência visceral, Hyunjin se movimentou na cadeira, arrastando-se por ela enquanto seus joelhos cediam, se ajoelhando no chão. Seus olhos ficaram de frente para a intimidade de Felix, podendo ver ainda mais claramente todos os seus detalhes e o quanto ela parecia ainda mais saborosa de perto.
Seu nariz ardeu quando uma lágrima escapuliu de um de seus olhos, uma única e solitária lágrima, esta que a fazia lembrar o quanto estava cega de desejo e completamente submissa a Felix. Olhou para cima, vendo seu rosto deleitoso, sua aura confiante e seus olhos exalando uma dominação que outrora nunca viu antes, mas que parecia tão certa, tão inigualável, tão intimidadora.
Chegou seu rosto mais perto, podendo sentir o cheiro delicioso, algo doce como uma fruta suculenta cheia de sumo. Suspirou, cerrando os olhos antes de colocar a língua para fora, passando pela buceta de forma lenta, lambendo toda a extensão até terminar no clitóris. A boca de Felix se abriu e o ar escapou dali enquanto suas sobrancelhas se uniam, não conseguindo descolar seus olhos de Hyunjin.
Fez o mesmo movimento, dessa vez mais lentamente, colocando pressão na ponta da língua enquanto essa recolhia o líquido transparente que expelia da vagina, sentindo o gosto completamente insano, um sabor que tinha aspecto de vício e deleite. Seu cabelo foi tocado em um carinho reconfortante enquanto Felix incentivava a continuar, seus olhos vacilando em sua dominação enquanto o prazer tomava conta de seu corpo.
Hyunjin nunca havia feito aquilo, estava perdida e anestesiada pela sensação da buceta quente e do sabor excepcional em sua língua, então por um momento, mal conseguiu raciocinar sobre como faria, mas suspirou, passando seus lábios fechados pela pele sensível, decidindo agir por puro e singelo instinto. Era a única coisa que estava lhe acompanhando naquele momento.
Fechou seus lábios no clitóris, sugando para dentro, sentindo a maciez extraordinária daquela pele. Soltou de seus lábios, passando a ponta da língua de cima para baixo, tirando um gemido contido de Felix enquanto esta mordia o próprio lábio. Circulou a língua, iniciando uma série de movimentos, alternando entre lambidas e chupadas.
— Isso, me chupa — sussurrou, agarrando a nuca de Hyunjin, abraçando seus cabelos com os dedos enquanto pressionava mais o rosto ali — Está adorando isso, não é? Ansiou sentir o gosto de uma buceta bem molhada na sua língua.
Um murmúrio de satisfação saiu da garganta de Hyunjin, esta que estava com seus lábios fechados em Felix, prendendo o clitóris ali enquanto trabalhava sua língua dentro da sua própria boca. Os gemidos de Felix estavam aumentando de volume e a satisfação invadia Hyunjin de forma violenta, fazendo suas mãos agarrarem as coxas da outra, apertando a carne enquanto afundava mais seu rosto em sua intimidade.
— Você parece com tanta fome — sua voz era ofegante e seu peito subia e descia pela respiração forte — Já se imaginou assim, me lambendo?
— Já — comentou de boca cheia, descendo a língua para a entrada da vagina, passando-a por ali enquanto apontava, pressionando o buraco, se forçando para dentro — Muitas vezes.
— Então aproveita, meu bem. Me chupa do jeitinho que sempre sonhou — sua boca se abriu em um gemido longo quando Hyunjin enfiou sua língua dentro de sua cavidade, fodendo o local enquanto o quadril de Felix se moveu, apreciando aquela sensação — O que será que Jesus está pensando enquanto vê sua noiva fodendo uma buceta tão bem assim?
Hyunjin apertou os olhos. Felix havia apelado completamente com aquela fala e a menção do divino fez o rosto da morena se arder, a culpa corroendo suas entranhas. Mas fora de qualquer cogitação, o simples ato de ter mencionado a entidade fez Hyunjin acelerar seus movimentos, sua cabeça começando a mexer com mais rapidez enquanto ainda fodia Felix com sua língua.
Lambeu toda a extensão da buceta, voltando a focar no clitóris com uma agilidade fora do comum. A língua trabalhava incansavelmente em um zigue-zague preciso, fazendo Felix jogar a cabeça para trás e gemer alto enquanto apertava os cabelos de Hyunjin. A morena olhava para cima, captando cada reação, cada gemido, cada estancada que o corpo da outra dava enquanto não parava de circular sua língua, sambando a ponta dela pelas laterais da pele que revestia o nervo sensível.
— Me fode, Hyunjin — pediu em forma de gemido, voltando sua cabeça para baixo, olhando dentro dos olhos da morena — Enfia seus dedos em mim e me fode.
Hyunjin acatou na mesma hora, enfiando dois dedos dentro da própria boca, molhando ao máximo suas digitais antes de passar pela fenda, enfiando devagar o dedo médio, vendo este ser engolido aos poucos pela vagina tão bonita e molhada. As paredes internas pressionavam sua falange como se quisesse puxar para dentro, relaxando e apertando de forma moderada enquanto Hyunjin havia conseguido chegar no fundo, podendo sentir seu útero.
Felix gemeu de forma manhosa, rebolando seu quadril enquanto Hyunjin puxava o dedo de volta, encantada com o movimento que a intimidade de Felix fazia ao deixar seu dedo encaixar completamente ali. Empurrou novamente, tirando um novo gemido, ficando viciada no som, fazendo o mesmo movimento, se deleitando com o barulho já um pouco mais desesperado de Felix que parecia estar completamente entregue.
O dedo deslizava fácil, então forçou o segundo, vendo este também ser abraçado enquanto o corpo da loira estancava no lugar. Era instintivo e fácil tocar em Felix, seu corpo parecia receptivo e sensível, então Hyunjin apenas aproveitou o acúmulo de saliva que inundou sua boca e depositou no meio de seus grandes lábios, vendo a saliva escorrer até se apossar de seus dedos, sendo colocada para dentro conforme os movimentos de Hyunjin.
Seu cabelo foi agarrado e puxado para cima, tirando seus joelhos do chão, ficando de pé. Felix agarrou seus lábios, beijando-os com vontade enquanto seus queixos escorregavam devido os próprios fluidos estarem brilhando ali.
As mãos dela foram para seu próprio guimpe, desabotoando com uma rapidez assustadora e retirando de seu corpo, jogando em algum lugar. Sua túnica também foi retirada pelos ombros, deixando seus seios tampados pelo sutiã de renda para fora. Hyunjin observou que tanto a calcinha quanto o sutiã pareciam um conjunto provocante que Felix estava usando, e esta se perguntou se eram peças íntimas que ela costumava usar todos os dias.
Sua mente se embaralhou quando pensou em diversas cenas, todas elas sendo Felix com lingeries de cores diferentes, todas bonitas e incrivelmente provocantes. Mordeu o próprio lábio quando uma de suas mãos — a que não estava ocupada — levantou, tocando em um dos peitos de Felix, apertando por cima do sutiã enquanto esta sorria, colocando os braços apoiados atrás de si, exibindo a peça de renda, deixando a mercê de Hyunjin.
Não conseguiu se segurar, passou a língua pelo pescoço de Felix, contornando sua jugular até a ponta de seu lóbulo que estava para fora do véu, mordendo o local. Seus lábios desceram pelo seu colo, molhando as miçangas do terço que Felix usava, traçando beijos pelo local, passando a língua no meio de seus seios, lambendo também o metal do crucifixo enquanto deixava uma mordida em um dos peitos.
Seus dedos ainda trabalhavam lá embaixo em um ritmo moderado, tirando gemidos e arrepios de Felix, que parecia estar apreciando cada toque de sua mão e boca, já que um sorriso singelo pintava seus lábios bonitos.
Abocanhou o seio ainda tampado, passando os dentes pelo pano, puxando a renda, sentindo essa se desfazer um pouco em sua boca. Tocou a alça de um dos lados, deslizando pelo ombro lentamente, revelando o peito incrivelmente perfeito que parecia muito mais bonito do que um dia imaginou. Era uma loucura que sua boca conseguisse acumular tanta saliva, este sendo o reflexo de seu desejo ardendo em seu corpo, então logo colocou a boca no peito, chupando como se quisesse extrair algo dele.
Felix chiou enquanto os dedos de Hyunjin aumentavam o ritmo, podendo sentir sua cavidade se movimentando freneticamente, alargando-se e deixando com que os barulhos molhados e os gemidos de Felix inundassem a sala inteira, o que estava delirando completamente a cabeça de Hyunjin.
Sua língua, assim como trabalhou no clitóris, trabalhava também no bico do peito de Felix, este que era um pouco menor do que o seu, mas suculento na mesma medida. Sua auréola clara havia ficado mais avermelhada, assim como seu mamilo tinha tomado um tamanho maior do que inicialmente, apontando para fora, e aquilo satisfez Hyunjin de diversas formas.
Desceu a outra alça, abocanhando o outro seio enquanto sua mão abria o gancho do sutiã, tirando-o e depositando em cima da mesa. Agarrou a cintura de Felix enquanto fazia seus corpos se colarem, podendo sentir as coxas dela se pressionarem nas laterais das suas, percebendo o quanto sua perna tremia de prazer.
Seus lábios subiram, tomando posse da boca de Felix que emitia gemidos altos e incontroláveis. Seus lábios tinham um gosto muito mais intenso do que de desejo, tinham gosto de encantamento, de uma magia que pairava pelas suas cabeças e fazia o ambiente pegar fogo, como em uma estufa. Sentia-se dentro do experimento mais secreto e diabólico de São Cipriano.
— Gostou de mamar meus peitos? — perguntou enquanto arrastava-os pelos da morena, os mamilos se tocando. Hyunjin olhava a cena completamente fascinada, aumentando o ritmo de seus dedos enquanto seu polegar começava a rodear o clitóris de Felix, fazendo seu corpo se derreter em seus braços e sua cabeça pesar ainda mais.
— Foi a melhor sensação da minha vida — confessou, apertando os olhos enquanto afundava o rosto no pescoço de Felix, sentindo os músculos de seu braço começarem a queimar, mas não diminuindo o ritmo de sua mão em momento algum — Você tem um gosto tão bom.
— Sua língua me enlouqueceu — sussurrou, passando sua mão pelas costas nuas de Hyunjin, descendo sua palma até chegar em sua bunda, apertando a carne farta que ficava incrivelmente moldada no hábito que usavam — Dentro da minha boca, lambendo meu peito, chupando meu grelo. Você faz isso como ninguém.
Hyunjin arfou, capturando a pele do pescoço de Felix, chupando esta com força. Soltou com um estalo, olhando para o local que iniciava a coloração em um tom avermelhado, brilhando com a umidade. Lambeu a pele, sentindo os dedos de Felix apertarem mais sua bunda, gemendo em seu ouvido.
— Seus dedos estão indo tão fundo — murmurou entre dentes, sentindo Hyunjin dobrar suas falanges, começando a empurrar sua parede interna para cima, tocando diretamente seu ponto mais sensível, a sensação indo direto para seu clitóris que pulsou em sintonia com os movimentos — Isso, continua assim.
— Desse jeito? — perguntou por pura curiosidade. Ainda não sabia muito bem o que estava fazendo, mas as reações de Felix pareciam lhe responder de forma direta que seu trabalho estava insanamente bom — Você gosta assim?
— Oh, sim, meu bem — gemeu, revirando os olhos quando Hyunjin manteve os movimentos, empurrando seus dedos para cima enquanto seu polegar continuava circulando o clitóris — Está delicioso. Você faz isso tão, tão bem. Ah, meu Deus…
Um gemido sobressalente saiu dos lábios de Felix quando Hyunjin ondulou seus dedos, podendo empurrar todas as paredes internas de sua vagina. Seu corpo estancou no lugar e seu quadril rebolou novamente, mostrando que ela parecia perto de um orgasmo.
Hyunjin ajoelhou novamente, voltando a estimular a buceta com a própria boca enquanto via Felix se descontrolar acima de si. Sua língua ziguezagueava enquanto seus dedos ainda mantinham os mesmos movimentos ondulados, sua mão já completamente lambuzada de lubrificação que Felix soltava em abundância.
Sentia seu grelo circular em sua língua pelos movimentos do quadril de Felix, ajudando a estimulá-la e deixando com que ela usasse sua boca para o próprio prazer. Nem mesmo a dor em seu braço a fez parar de dedar a outra, sua calcinha esquecida completamente para o lado, úmida de pré-gozo. Suas coxas tremeram e Felix empurrou sua buceta na boca de Hyunjin, sentindo essa prender seu clitóris no lábio e lambê-lo dentro da própria boca.
Um gemido alto e fino ecoou por todo o lugar. O corpo de Felix tremeu e suas pernas se abriram mais, apoiando um de seus pés na própria mesa que sentava. Hyunjin não parou, fascinada pelo novo gosto que inundou sua boca, algo muito mais doce e gostoso do que o que já havia provado, ficando extasiada pela maneira como Felix convulsionava e seus olhos reviravam, querendo manter aquela visão por mais tempo, estendendo as sensações dela.
Sua boca tremeu quando levou um susto ao sentir um jato quente em seu queixo, molhando seu pescoço e parte de seu rosto. O corpo de Felix tremia ainda mais e suas coxas se apertaram em volta da cabeça de Hyunjin, apertando suas laterais e deixando-a completamente imóvel, mas sem interferir nos movimentos de seus dedos e nem de sua língua.
Sentia a vibração de suas pernas tremendo em volta de sua cabeça, era como se conseguisse ouvir seu sangue correr pelas veias de seu corpo, o prazer exalando em forma de pulos que a loira dava em cima da mesa, ficando derretida. Hyunjin diminuiu a velocidade de seus dedos, podendo sentir melhor o quanto sua mão estava verdadeiramente molhada com o gozo e o esguicho que recebeu.
Retirou seus dedos com cuidado, lambendo toda a extensão da buceta, tomando tudo o que lhe foi entregue e se sentindo satisfeita com a forma como Felix sorria enquanto seus olhos voltavam ao normal, olhando Hyunjin e seu estado completamente catastrófico. A morena se afastou depois de uma longa lambida, engolindo os sinais de sua chupada, encarando a buceta pingando, ligeiramente mais aberta pelo trabalho de seus dedos e os grandes lábios avermelhados, assim como o clitóris completamente inchado e pulsando.
Lambeu o próprio lábio ao olhar para si, vendo a calamidade que se encontrava. Não só sua mão estava molhada, como as pontas de seus cabelos e seu peito brilhava com o líquido da ejaculação de Felix, com seu terço e seu escapulário úmidos e grudados em sua própria pele.
Levantou do chão, tendo Felix puxando sua mão enquanto grudavam seus corpos, se beijando de forma erótica, com Felix completamente extasiada pelo orgasmo intenso que teve e com o gosto de seu próprio prazer na boca de Hyunjin. Mordeu o lábio inferior da morena, sentindo esta abraçar seu corpo, colando-se em si, compartilhando a umidade de seus seios com Felix, deixando a fricção de seus mamilos ainda mais escorregadios.
Era bom sentir os peitos de Felix pressionados aos seus, era a sensação mais indescritível do mundo sentir a carne avantajada se apertar em si, os mamilos endurecidos roçarem em sua pele, o contorno de suas auréolas tomando uma cor mais escarlate conforme Felix ficava excitada. Não sabia como havia negado aquilo, não sabia como conseguiu fugir, mas sabia que uma vez deixado se satisfazer, não teria mais volta. Precisaria de mais, muito mais.
— Você viu como me deixou? Completamente babada de gozo — seu tom de voz era baixo e cansado, como se ainda estivesse se recuperando — Você me comeu tão bem que eu não consegui segurar. Espero que não tenha sido um problema.
— Não foi — respondeu, lambendo seus próprios lábios, relembrando do gosto. Felix desceu sua boca pelo queixo de Hyunjin, lambendo o local úmido, tão viciada em seu próprio gosto na pele da outra — Eu gostei de te deixar assim.
— Assim como? Tremendo de tanto gozar? Ejaculando na sua cara? — sua fala foi constrangedora, mas Hyunjin não conseguiu negar, não quando aquele havia sido exatamente o motivo de ter gostado tanto. Enfiou seu rosto no pescoço de Felix, sentindo esta rir enquanto fazia carinho em seu cabelo úmido — Você é uma vadia muito mais safada do que imaginei.
Gemeu de vergonha com a fala, mal percebendo quando seu quadril se chocou com o de Felix, arrastando seu corpo nela, beijando o pescoço enquanto sua bunda era agarrada, retirando um novo gemido seu.
— Acho que agora chegou a minha vez de fazer você enlouquecer — sussurrou em seu ouvido, sentindo Hyunjin se encolher ainda mais em seu abraço — Escute bem o que eu quero que faça — sua voz mudou, ficando mais autoritária, mais forte, dominante na medida certa para Hyunjin delirar e acatar sem cerimônias — Você vai sentar na cadeira atrás de você, retirar sua túnica, se desfazer de sua calcinha, abrir as pernas e apoiar as panturrilhas nos braços da cadeira. Pode fazer isso, meu bem?
Hyunjin gemeu novamente, podendo sentir seu baixo ventre se contorcer. Arrastou a testa pelo ombro de Felix, olhando em seus olhos que pareciam ter uma chama de autoridade dilacerante, como se ela estivesse pronta para aniquilar seu corpo caso sua ordem não fosse cumprida.
A morena acenou positivamente, dando passos para trás enquanto procurava a cadeira para se sentar, então assim que achou, fez o que foi pedido. Sentou-se enquanto tirava os sapatos, tocando nos cordões da cintura, desfazendo os nós, vendo seu rosário balançar preso no cíngulo. Jogou os cordões no chão enquanto sua túnica deslizava mais livremente pelo corpo, precisando apenas de certo esforço para passar a gola pelos quadris, deixando cair pelas pernas.
Por um momento, sentiu vergonha da calcinha que usava. Enquanto Felix exibia uma lingerie branca rendada, Hyunjin usava apenas uma calcinha simples de algodão azul, não muito grande, mas definitivamente maior que a de Felix. Ela incomodava seu corpo na medida em que o pano de algodão sugava a umidade, deixando-a completamente molhada, a mancha escura ficando visível no meio de suas pernas.
Olhou para Felix, esta que encarava Hyunjin. Sua perna continuava aberta e sua intimidade continuava a mostra, e isso incentivou Hyunjin a tocar sua própria calcinha, descendo-a pelas coxas e pernas. Assim que jogou no mesmo lugar de sua túnica, encostou suas costas na cadeira, suspirando fundo antes de colocar suas pernas para cima, abrindo lentamente enquanto apoiava suas panturrilhas nos braços da cadeira, assim como foi ordenado.
Felix encarava seu corpo como se quisesse levá-la ao inferno. Sentia-se tão envergonhada de sua própria exposição que apertou os olhos, respirando fundo enquanto seu crucifixo parecia pesar em seu estômago. Sabia que existia uma imagem de Jesus Cristo na cruz bem em sua frente, sabia que estava em um convento, sabia que era uma freira fazendo aquilo tudo com outra feira, na sala da Madre Superiora.
Eram tantos erros juntos que Hyunjin sentiu a cabeça pesar novamente, as lágrimas começando a se acumular insistentemente como um ritual de culpa, como a forma de lembrar que ela era completamente frágil, refém de seus próprios desejos e pecados. Não importava quantas vezes se arrependesse, no final, não valia nada, seu arrependimento era fantasmagórico, tão frágil como as pétalas de um dente-de-leão.
Odiaria a si mesma para sempre, mas seria incapaz de se arrepender do que estava fazendo.
— Abra os olhos — a voz de Felix soou baixa e rouca, então Hyunjin só pôde obedecer. Seus olhos foram direto para suas mãos, estas que se movimentavam no próprio corpo, arrastando a calcinha pelas pernas, retirando-a de si — Agora a boca — e Hyunjin fez, abrindo os lábios o suficiente para qualquer que fosse o propósito. Felix desceu da mesa e se inclinou para Hyunjin, embolando sua calcinha na mão antes de direcionar a boca dela, enfiando delicadamente a renda para dentro — Mantenha-se assim, com minha calcinha na sua boca e seus olhos bem abertos. Quero que veja o que vou fazer com você, esta é sua punição por ter reprimido seus desejos por tanto tempo.
Felix ajoelhou no chão enquanto colocava os dois polegares na boca, molhando-os antes de direcionar para os mamilos de Hyunjin, circulando como havia feito anteriormente. Hyunjin gemeu, sua voz saindo abafada pela calcinha em sua boca. Seus seios foram apertados com vontade, fazendo-a arquear sua coluna.
Passou as palmas pela cintura, apertando os dedos na pele, fazendo o corpo de Hyunjin estancar pelo local sensível de sua costela. Contornou os quadris, apertando suas coxas, estalando um tapa em uma delas enquanto Hyunjin apertava os olhos, abrindo-os logo depois, lembrando que precisava olhar, obedecendo à risca como uma boa garota que era.
A mão de Felix havia ficado marcada ali, o que a fez sorrir antes de dar um beijo na pele quente. Seus dedos continuaram contornando suas coxas até chegar em sua pélvis, vendo a intimidade de Hyunjin com alguns poucos pelos muito bem aparados e laminados, quase como se ela dedicasse um bom tempo em sua aparência, deixando sua buceta atraente o suficiente para quem pudesse olhar.
E Felix estava tendo aquele privilégio naquele momento.
Tocou em alguns pelos, descendo suas digitais até encostar no clitóris, separando os dedos enquanto a pele passava entre eles, estimulando as laterais do local. Hyunjin gemeu abafado, mordendo a calcinha em sua boca enquanto sentia-se pulsar. Felix desceu mais os dedos, passando pelos grandes lábios bem vermelhos, um pouco mais do que os seus próprios, tocando de forma vagarosa a entrada da vagina, vendo a quantidade exorbitante de lubrificação ali.
— Você está encharcada — deu algumas batidinhas com as digitais, vendo o líquido criar um filete de baba entre seus dedos com e a cavidade — Isso tudo é tesão pra eu te tocar?
Hyunjin murmurou algo que não pôde ser entendido devido à boca ocupada, então Felix apenas riu, continuando a dedilhar a buceta, voltando seus dedos molhados para o clitóris pulsante. Os dedos dos pés de Hyunjin se apertavam e isso era o medidor de Felix para saber se ela estava sentindo prazer, assim como suas sobrancelhas que se apertavam diversas vezes ao longo de seus toques.
Passou o polegar o nervo sensível, tocando-o como em uma corda de violão, vendo a pele se mover enquanto este pulsava sem parar, ficando ainda mais inchado bem na sua frente, diante de seus olhos. Percebia a parte interna das coxas de Hyunjin tremerem e sabia que esta estava delirando com os toques, por isso acumulou uma boa quantidade de saliva, esticando-se o suficiente para que seu cuspe fizesse um caminho longo e certeiro de sua boca até o início do colo de sua buceta, se rastejando pelo clitóris, passando pelos lábios, vagina e se perdendo pela entrada em sua bunda.
Circulou os indicador e o médio com um pouco mais de pressão, vendo Hyunjin arquear as costas e revirar os olhos, babando a calcinha em sua boca. Felix empurrou seu pescoço, colando suas costas de volta na cadeira enquanto mantinha sua mão ali, pressionando sua traqueia, sentindo a artéria de Hyunjin em sua digital.
Os gemidos abafados pareciam tão piedosos que confundiam-se com os de alguém que estava sendo flagelado. Seus olhos enchiam de lágrimas, estas que ficavam presas pela linha lacrimal, ameaçando escorrer. Hyunjin era linda chorando, tão linda que Felix estava completamente viciada em seu rosto sôfrego e suplicante, por isso tocou novamente com o polegar, empurrando seu clitóris para cima, botando um pouco mais de pressão e de rapidez em seu dedo.
Foi como apertar o botão certo para as lágrimas começaram a cair em abundância, escorrendo pelo maxilar, sambando por sua mão envolta do pescoço, pingando no colo e se acumulando pela clavícula. Era uma cena maravilhosa, Hyunjin completamente exposta, com a buceta encharcada, sendo dedilhada enquanto seu rosto era inundado por lágrimas de tesão e culpa.
Suas pernas iniciaram um tremor instantâneo, seu peito subindo como se estivesse prestes a soltar algo delicioso, e foi exatamente isso que aconteceu. Com mais algumas dedilhadas, Hyunjin esguichou uma ejaculação quente no queixo de Felix, esta que aparou com a sua língua, sentindo sua boca ser inundada com o prazer, mal se importando se molharia suas roupas ou o chão da sala.
Hyunjin revirava os olhos como se estivesse sentindo o corpo ser invadido, a queimação em seu clitóris a fazia rosnar, sua respiração completamente negligenciada pela mão de Felix que apertava moderadamente seu pescoço. Nunca havia realmente sentido algo tão intenso daquela forma, seu corpo era sensível e não precisava de muito para fazê-la se desmanchar em um prazer intenso e completamente subliminar.
Tentou fechar suas pernas, mas Felix agarrou suas duas coxas, mantendo-as arreganhadas enquanto usava a própria boca para prolongar o prazer, sentindo mais jatos saírem de Hyunjin. Seu quadril ganhou vida, sendo empurrado para cima, desesperada para continuar sendo estimulada ao mesmo tempo que sentia-se agoniada com toda aquela sensação.
— Gostosa pra caralho — Felix comentou com o rosto molhado, inclinando os lábios para dar um beijo no clitóris de Hyunjin, que pulou no lugar. Seus dedos foram novamente para a fenda, vendo-a levemente fechada. Tocou ali, sentindo pulsar — Se eu enfiar meu dedo em você, acha que vai doer muito?
Olhou para Hyunjin, esta que estava com os olhos cerrados, seu rosto vermelho e as marcas das lágrimas recentes bem ali. Não sabia o quão resistente a morena era, sabia que retirar a virgindade de alguém era um processo demorado e Hyunjin precisava estar totalmente à vontade para aquilo.
Procurou em seu semblante algum tipo de resistência de sua parte, apenas vendo esta respirar fundo, piscando lentamente enquanto seu maxilar continuava apertando a calcinha.
— O que me diz, meu bem? — voltou a perguntar, dando toda sua atenção aos sinais de Hyunjin — Eu posso te foder aqui?
A cabeça de Hyunjin acenou em concordância, fazendo Felix sorrir.
— Não vai doer? — um novo aceno, dessa vez negando — Como tem tanta certeza? Já se tocou aqui?
E a ausência de aceno fez Felix deduzir algo que alargou o seu sorriso enquanto Hyunjin parecia se encolher em sua própria destruição.
— Então você já se tocou? — um suspiro foi ouvido enquanto Hyunjin desviava o olhar, mas logo retornou, ainda lembrando-se da ordem — Já enfiou seus dedos em você? — outra pergunta que Hyunjin não podia responder com veemência, mas todo o seu corpo se tremendo já deixava clara a resposta — Faz isso com frequência?
Naquele momento, a morena já não sabia mais o que poderia fazer para manter seu outro segredo a salvo. Porque além de desejar mulheres, se tocava pensando nisso, se tocava constantemente pensando em dedos femininos dentro de si, tocando todos os seus lugares e apertando todos os seus botões.
Seus toques eram escassos, não conseguia durar tanto e sua culpa se encarregava de fazer seu orgasmo chegar sempre muito apressadamente, mal conseguindo bombear seus dedos dentro de si. De qualquer forma, definitivamente já havia se tocado por dentro e a menção de Felix fazer aquilo parecia ser o suficiente para que um novo orgasmo aparecesse na porta, sabendo que não ia durar muito.
— É mesmo, irmã? — comentou sarcástica, dando pequenos tapas em cima do clitóris sensível, fazendo Hyunjin pular na cadeira — É isso que você faz toda noite quando termina suas orações? Pensa em alguma garota, deixa sua buceta molhada o suficiente pra deslizar seus dedos pra dentro e goza enquanto bate uma siririca gostosa?
Hyunjin choramingou, agarrando as próprias coxas com as palavras sujas que saíam dos lábios de Felix, expondo sua intimidade mais amarga possível.
Suspirou quando a calcinha foi arrancada de sua boca, esta que foi tomada por Felix, beijando seus lábios dormentes enquanto sua língua afundava para dentro, tocando as duas línguas em um encontro deleitoso.
Hyunjin agarrou o pescoço da outra, tocando seu véu, finalmente puxando ele para trás, retirando seus cabelos para fora, longos fios loiros que caíram sobre seus corpos. Jogou o véu pelo chão enquanto ainda beijava Felix, agarrando seus dedos pelos fios sedosos, gemendo ao sentir o cheiro de shampoo de frutas com o farfalhar de seu cabelo.
Descolaram as bocas, mordendo seus lábios de forma erótica e etérea. Hyunjin suspirou, olhando nos olhos de Felix, esta que a encarava com o mesmo desejo. Ela era linda, era a mulher mais encantadora que já viu na vida, poderia compará-la a qualquer divindade, a qualquer figura mágica, a qualquer força celestial que pudesse se personificar e se transformar na loira.
Felix não era como Eva, era como Lilith.
— Não é qualquer garota… — murmurou, ofegante.
— O quê?
— Não penso em qualquer garota quando me toco — continuou, suspirando e fechando os olhos, sentindo que estava prestes a se expor mais uma vez — Eu penso em você.
O peito de Felix estufou com o ar que puxou, precisando respirar fundo com o que lhe foi revelado. Seus olhos brilharam em uma luxúria atroz, apertando o maxilar enquanto olhava dentro da alma de Hyunjin.
— Porra — rosnou antes de atacar a boca da morena, dando um tapa mais forte em seu clitóris, tirando um gemido sôfrego da outra, gemido engolido pelas suas bocas como em um buraco negro que sugava tudo e qualquer coisa que ousasse orbitar por perto — De quatro. Agora.
Hyunjin prontamente atendeu, apoiando suas mãos nos braços da cadeira enquanto suspendia seu corpo, vendo Felix se levantar do chão, ficando de pé, bem de frente para si. Virou-se, apoiando seus joelhos no estofado em que estava sentada, mantendo as coxas juntas enquanto uma nova onda de vergonha se apossava de si.
Seus braços se apoiaram no encosto da cadeira, olhando para trás enquanto suas bochechas queimaram, observando Felix olhar toda a sua bunda, a entrada ficando exposta enquanto esta estava molhada pelo cuspe que escorreu até ali e a ejaculação de minutos atrás. Felix observou tudo, lambendo sua pele com seus olhos, desde o cabelo molhado agarrado na altura de sua nuca, a linha de sua coluna, sua cintura afunilada com algumas carnes sobressalentes perto de seu quadril, o cóccix moldado com duas covinhas rasas e a bunda redonda completamente suculenta bem ali, em sua frente.
Era a visão que pediu a Deus em suas orações. Orou para que Ele desse Hyunjin para si, para que Ele fizesse ela entender que precisava sucumbir aos seus desejos, e queria que Felix fosse os motivos para tais.
Sempre soube que Hyunjin parecia sentir-se intimidada por si, sempre percebeu suas movimentações estranhas, seus olhos perdidos, seu peito subindo e descendo com a respiração engatada de forma rápida e até a forma como sua voz mudava nas poucas vezes em que foram educadas uma com a outra, ficando mais baixa e até submissa, mal conseguindo olhá-la nos olhos devido sua cabeça sempre pendendo para baixo.
O contraste quase ridículo com a Hyunjin que palestrava sobre a sua fé, sobre o mover de montanhas, sobre a caridade e tudo o que contempla a vida simples e auspiciosa no convento. Era lindo vê-la tão confiante, tão certa, tão inteligente, mas era ainda mais lindo vê-la completamente exposta, o corpo tremendo, as coxas se apertando uma na outra enquanto sua buceta molhada lembrava a Felix do quanto ela estava encharcada pelo orgasmo que recebeu através de seus dedos.
— Abra as pernas — ordenou, percebendo seu corpo tremer um pouco mais antes que seus joelhos se movessem, deixando com que o ar frio da sala passasse pelo seu corpo, indo diretamente para sua intimidade, causando um arrepio — Você continua tremendo pelo orgasmo, mas sua bucetinha está piscando, pedindo por mais.
Tocou as bandas da bunda, apertando o local macio e grande, deixando-o se avermelhar com a pressão de seus dedos, os vincos esbranquiçados marcando ali. Seu polegar escorregou desde o clitóris, passando pela fenda molhada, pressionando o curto períneo até chegar na entrada em sua bunda, circulando o dedo molhado ali. Hyunjin tocou a testa na cadeira, mal conseguindo conter os próprios gemidos com o toque novo, não sabendo que poderia sentir prazer em um leve arrastar da digital em sua entrada, esta realmente imaculada.
Enquanto sentia-se cada vez mais engolida, o som de uma canção murmurada foi ouvida, som esse que saía de Felix. Ela parecia ter iniciado o cântico de alguma música que, a princípio, Hyunjin não entendeu, mas com o passar dos segundos, sua cabeça revirava-se com a conexão mental que acabou fazendo ao reconhecer.
“Kyrie, eléison (Senhor, tende piedade de nós)
Christe, eléison (Cristo, tende piedade de nós)
Kyrie eléison (Senhor, tende piedade de nós)
Pater de cælis, Deus, Miserére nobis (Deus Pai do céu, tende Misericórdia de nós)”
Aquela era a Litaniae Sanctorum, Ladainha de Todos os Santos, cantada na cerimônia dos votos perpétuos, ladainha que evoca a Santíssima Trindade e todos os Santos.
Felix murmurava a música em latim, fazendo Hyunjin tremer ainda mais pelo peso colossal que aquele ato tinha em si enquanto sentia a respiração da outra perto de sua intimidade. No momento em que seus olhos se apertaram em busca de uma redenção, a língua de Felix se apossou de seu clitóris novamente, tomando em sua boca enquanto iniciava algumas chupadas, tirando um grito sufocado de Hyunjin.
Sua língua acolhia cada centímetro de sua buceta, deliciando com o gosto inconfundível de um grelo inchado e uma fenda expelindo lubrificação como uma torneira aberta. Seus braços se enfiaram por entre as pernas de Hyunjin, contornando a cintura, cruzando suas mãos bem em cima da lombar dela e puxando para baixo, fazendo usa bunda ficar ainda mais exposta.
— Se empina pra mim, eu quero chupar você mais um pouco antes que meus dedos terminem o trabalho — falou, vendo a cabeça de Hyunjin pender para cima, esticando seu pescoço e gemendo arrastado.
Hyunjin perdia toda a sua consciência, parecia que tudo o que existia era Felix, sua língua e a sua própria buceta sendo comida. Seus olhos se direcionaram para a porta da sala, observando-a encostada, a fresta podendo mostrar o corredor escuro devido o sol já praticamente posto, os últimos raios enfeitando o chão da sala, laranja e quente, fazendo brilhar as poeiras que cintilavam pelo ar. Aquela porta aberta era perigosa, mal lembrava que Felix havia pedido para deixá-la encostada, e sua cabeça girou em seu próprio eixo enquanto cogitava a ideia de que ela fez aquilo de propósito.
Queria criar aquela adrenalina, aquele sentimento de que pudessem ser pegas, de que qualquer um que passasse ali poderia vê-las se tocando. Mal percebeu quando seu quadril se moveu, ainda olhando para a porta, o sentimento mais puro do medo a fazendo se remexer, rebolando na boca de Felix.
— Felix — gemeu, sentindo a entrada de sua intimidade ser lambida — A porta.
— Eu sei — sussurrou, ainda abocanhando-a.
— N-nós podemos ser vistas — murmurou, a única gota de sanidade já evaporando com o quão fervente suas entranhas estavam.
— E mesmo assim você está rebolando na minha língua, ficando ainda mais encharcada — sorriu dissimulada, trabalhando bem nos seus movimentos, tirando choramingos da morena.
Hyunjin desviou os olhos da porta, não aguentando continuar olhando, precisando afastar os pensamentos que fazia seu corpo encher de adrenalina. Abaixou a cabeça a ponto de conseguir ver seu próprio corpo, podendo ver Felix atrás de si, sua língua lambendo tudo o que podia e seus peitos balançando junto do terço que usava.
Com uma chupada, Felix afastou-se da outra, ainda vendo seus quadris balançarem enquanto parecia sentir falta de sua boca. A loira poderia gargalhar de excitação com a sensação avassaladora de Hyunjin buscando por seus toques, completamente entregue e delirando com as sensações que tomavam conta de todos os cantos de seu corpo e alma.
Chegou próximo do rosto dela, tocando sua bochecha enquanto a beijava de forma lenta, o beijo sendo íntimo, viciante, envolvente e completamente desconcertante. Pareciam estar se conectando de diversas outras formas ali, formas essas que estavam longe de ser apenas carnal; era como se estivessem finalmente selando seus destinos, condenando o resto de suas vidas, destinando-se a ficarem juntas até os últimos dias.
Felix tocava o cabelo de Hyunjin, penteando os fios com seus dedos enquanto a envolvia com seus lábios. Era carinhoso, possessivo e dilacerante, Hyunjin mal conseguia respirar frente aquele beijo tão lento e envolvente. Distraiu-se a ponto de tomar um susto quando sentiu os dedos de Felix em sua vagina, começando a empurrar a digital para dentro, introduzindo-se devagar, quase como uma tortura anunciada.
Não foi tão difícil chegar ao fundo. Embora tivesse feito esse processo de forma lenta, Felix podia sentir as paredes sugando seu dedo enquanto Hyunjin abria a boca, soltando suspiros rente aos seus lábios, descompassado o beijo. Sempre gozava rapidamente quando enfiava seus dedos dentro de si, isso porque sua cavidade era sensível o suficiente para trazer um prazer inigualável, então forçou-se a permanecer quieta, sentindo o médio de Felix começar a se movimentar, tentando não acabar com a sensação de seu prazer crescente.
Não queria terminar, não queria finalizar aquilo, estava viciada na atenção de Felix.
Foi quase um suplício quando Felix afundou bem seu dedo, quase tocando no colo do útero de Hyunjin, podendo sentir todas as contrações que esta fazia em sua volta. Seu líquido vazava em abundância, e ele foi primordial para facilitar a entrada do segundo dedo, este que fraquejou as pernas da morena, fazendo tremer, quase cedendo seus joelhos.
— Eu quero que escute com atenção — Felix começou, beijando sua bochecha enquanto se direcionava para sua orelha, mordendo sua cartilagem — Eu vou fazer você gozar com os meus dedos, mas eu quero que você busque por isso — ordenou, mexendo os dedos dentro de si, tirando um choramingo — Você se lembra dos seus votos perpétuos, meu bem?
Hyunjin mal conseguia ver um palmo à sua frente, seus olhos fazendo descer as lágrimas que ameaçavam cair, chorando mais uma vez, pateticamente. A menção de seus votos perpétuos era como a última pá de terra no túmulo de sua salvação, lembrando de quem era, onde estava, com quem estava e por que estava.
Puxou o ar de forma errada, sentindo seu pulmão arder ao lembrar da cerimônia de sua nomeação como freira, lembrando da emoção que sentiu quando finalmente pôde usar o véu preto que tanto ansiou, sendo felicitada pelas irmãs que já estavam lá, inclusive Felix.
Concordou com a cabeça. Sim, ela lembrava de seus votos e o que eles significavam.
— Quero que recite-os enquanto senta nos meus dedos — Hyunjin apertou os olhos, negando de leve com a cabeça. Aquilo era demais para si, seus votos eram sagrados e recitá-los naquele momento era como jogar fora toda a sua fé. Não eram votos simples, exigia uma entrega espiritual mesmo sendo apenas formalidades exigidas pela cerimônia. Seu significado era especial para Hyunjin, era o que a fazia lembrar de seu propósito, por isso negou veementemente com a cabeça, não podendo fazer aquilo — Você jurou obediência, Hyunjin. Então obedeça.
Recebeu um tapa em sua bunda, este que ardeu sua pele e a fez estancar no lugar. Seus joelhos cederam mais um pouco, suas coxas mal conseguindo ficar estendidas enquanto automaticamente sentava em seus calcanhares, afundando instintivamente os dedos de Felix em si.
Sua cabeça estava uma bagunça. Seu juramento de obediência havia sido a igreja, a Instituição, a Cristo e a Deus, mas por algum motivo, sentia que devia obediência a Felix também. Não era apenas um juramento de obediência, era uma reivindicação.
— Recite-os.
— Felix…
— Comece, Hyunjin.
— Eu não posso-
— Agora.
Um novo tapa foi dado, fazendo seus quadris suspenderem, causando o estímulo dentro de si. Sentou-se novamente, começando a cavalgar na mão de Felix.
— Eu, Irmã Hyunjin, — começou sussurrado. Recebeu um novo tapa e o pedido de Felix para que falasse mais alto — diante de Deus, da Igreja e desta comunidade que testemunha meu coração desvelado, entrego-me por inteira — revirou os olhos quando algo se revirou dentro de si, seus movimentos ficando mais rápidos — Faço votos de castidade, pobreza e obediência, — gemeu alto quando Felix agarrou seu seio, apertando-o — segundo a Regra e as Constituições desta congregação — virou seu rosto para baixo, deixando suas lágrimas pingarem no estofado da cadeira. Via a mão de Felix apertar seu peito, o terço e o escapulário balançando em seu tronco pelos movimentos que fazia, buscando seu prazer — Que minha vida seja chama constante diante do Senhor, — seu quadril encaixou um ritmo frenético, seu clitóris e vagina pulsando enquanto sentia suas coxas formigarem, algo intenso crescendo dentro de si — e que minha alma encontre n’Ele seu único caminho.
— Amém — Felix sussurrou, enfiando seus dedos com tudo enquanto Hyunjin tremia, chegando ao seu orgasmo. Não expeliu jatos, mas sentia que havia sido mais intenso que o anterior, já que seu corpo estava sensível o suficiente para que perdesse completamente a força das pernas.
Desabou, apoiando seus braços no encosto da cadeira, respirando fundo enquanto sua boca não parava de gemer, sentindo todos os seus músculos se movimentarem e os dedos de Felix ainda dentro de si, prolongando seu orgasmo. Seu clitóris queimava enquanto uma gota de suor escorria pela pele de suas costas, queimando como rastro de labareda. Felix beijou seu ombro, tirando os dedos de dentro de si, massageando seu grelo enquanto parecia não querer afastar suas mãos.
Os cabelos negros estavam ainda mais grudados do que antes, o suor pesando seus fios e deixando-a em estado deplorável, tão destruída quanto se tivesse passado por uma guerra sanguenta.
Sentiu as pontas dos dedos de Felix passar por seus lábios, abrindo-os e enfiando suas falanges para dentro. Hyunjin sentiu o gosto de seu prazer, a acidez de seu orgasmo forte, a temperatura quente das digitais da outra enquanto esta pressionava sua língua, deixando com que a morena se deliciasse com o próprio sabor.
— Amém — sussurrou assim que desocupou a boca, recebendo um abraço em sua cintura, sentindo-se acolhida.
Era como se Felix lesse seus pensamentos, como se ela soubesse exatamente o que Hyunjin precisava, sentindo-se tão frágil que um abraço reconfortante era a âncora para se agarrar, retirando-a da deriva em que estava.
Deitou sua cabeça no ombro da loira, sentindo beijos em seu cabelo e rosto, sua cintura sendo abraçada com cuidado e posse, adorando a pressão que Felix fazia ali.
— Você foi uma ótima menina — sussurrou, puxando o rosto de Hyunjin enquanto seus lábios se tocavam precariamente, iniciando um beijo tão lento que parecia preguiçoso. Aquilo tinha um gosto infame de congratulações, como se Felix estivesse a parabenizando pelo seu ótimo desempenho — A melhor de todas.
— Melhor do que as que você já teve? — sua fala era arrastada e grogue, mal raciocinando o que dizia. Felix sorriu, mordendo seu lábio inferior.
— Muito melhor, será a minha única a partir de hoje.
Hyunjin sorriu, um sorriso grande e que mostrava todos os seus dentes alinhados. Algo sobre ser a única de Felix havia acendido uma chama dentro de seu coração, a expectativa de que aquilo voltaria a acontecer e que mal podia esperar para tal.
Não perturbou-se com a culpa se apossando de si, não iniciou questionamentos sobre o que fizeram, não quis olhar novamente para a imagem da cruz pregada na parede, nem para a Bíblia Sagrada que estava em cima da mesa, o livro que Felix lia antes de Hyunjin entrar na sala. Nada disso ocuparia sua mente naquele momento, esta que já estava completamente ocupada pela loira que beijava seus lábios com uma fome de quem queria fazer a refeição de novo.
E Hyunjin estava pronta para servir de banquete.
Arrumaram suas roupas, vestindo-se lentamente enquanto seus olhos faziam o movimento inverso, despindo-se. Sorrisos eram trocados, suas mãos se tocavam às vezes e propositalmente, apenas para que tivessem um motivo para se olharem e sorrirem de novo. Assim que seus corpos estavam tampados novamente, Hyunjin ainda se sentia nua, seu corpo estava grudento de suor e sua calcinha mal podia segurar a umidade que ainda permeava por sua intimidade. Seus cabelos, agora tampados pelo véu, precisavam ser lavados, mas, ao mesmo tempo, não queria retirar nenhum dos resquícios daquilo que fizeram.
Olhou para o pescoço de Felix, vendo de relance, sob o véu de sua cabeça, um chupão que havia deixado ali, sorrindo ao perceber que não era a única com marcas permanentes em seu corpo — e em sua alma. Olharam-se por longos segundos, até que Felix se aproximou, tocando o queixo de Hyunjin enquanto erguia seu rosto. Mesmo a morena sendo um pouco mais alta, a presença de Felix era tão sufocante que Hyunjin sentia-se minúscula, como se coubesse no seu bolso, ou no meio de seus seios.
— Você não vai mais escapar de mim — Felix murmurou, puxando o lábio de Hyunjin, chupando a carne abundante — Espero que não fuja de novo.
— Não irei — sussurrou, fechando os olhos enquanto seus lábios eram maltratados pelos dentes de Felix — Não preciso mais fugir.
— Ótimo — sorriram uma para a outra antes de seus lábios se capturarem, beijando-se de forma lasciva, como se o desejo de ambas fosse marcarem-se, deixar seu rastro irreversível para que tudo o que se mantivesse era a vontade massiva de buscar uma pela outra — Então apareça na minha cela hoje, após o toque de recolher.
Recebeu um tapa na bunda, este que a fez pular, soltando um grito fino e manhoso. Hyunjin mordeu o lábio, concordando sem pestanejar, não podendo desobedecer a quem jurou obediência.
Felix se tornou sua nova confidente. Não precisaria mais se desmanchar nas lamúrias silenciosas em suas orações ou em seus próprios pensamentos, não precisaria mais passar por noites solitárias, tocando seu próprio corpo enquanto os demônios riam de sua vigília fracassada.
Pararia de fugir, caminharia confiante em direção à perdição. Não arderia de novo, foda-se a castidade.
Amém.
_____ Fim.
