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Jeongin estava aflito. Podia chamá-lo de burro, impulsivo ou simplesmente imprudente – a essa altura, pouco importava. Quaisquer justificativas por trás de seus atos haviam perdido o sentido. O que realmente contava era o estrago feito: ele tinha magoado Felix durante a semana. E sabia disso.
Ele havia vacilado – e por Deus, sabia que tinha –, mas as circunstâncias pareciam escapar de seu controle. Jeongin nunca foi bom em mentir. Era péssimo nisso, na verdade. Tentar esconder uma reforma em seu apartamento exigia mais do que ele podia oferecer. Por isso, achou que a melhor saída seria se afastar por um tempo. Um pouco de silêncio, pensou, evitaria perguntas e também evitaria que ele sem querer deixasse escapar tudo, estragando a surpresa pro namorado.
Mas o silêncio também machuca, ele sabia disso, inevitavelmente.
Mesmo com Minho, Seungmin e Han lhe importunando com comentários sobre como Felix estava aflito, tentando entender o sumiço repentino, Jeongin insistiu nisso. Até hoje.
Os olhos fixaram o pequeno calendário sobre o aparador da sala.
13 de junho de 2025. Sexta-feira.
Em dias como esse, Felix já estaria ali. Enrolados sob o edredom, espremidos um contra o outro no sofá apertado da sala. A televisão passaria algum filme de terror com qualidade duvidosa, e Felix faria comentários sarcásticos sobre os erros de continuidade e cores artificiais do sangue. Jeongin, por sua vez, se encolheria a cada susto, arrancando risadas do namorado.
“É só um filme de terror, fantasia, Lixie… ” Ele disse certa vez, bufando de nervoso. “Você não precisa me dar uma aula de psicologia das cores.”
Mesmo assim, adorava quando Felix falava com tanta paixão. O brilho nos olhos dele, os gestos exagerados, a forma como tudo ganhava cor quando ele estava por perto.
Mas agora, o sofá estava vazio. O edredom ainda dobrado. E Jeongin, tomado por uma ansiedade crescente enquanto descia as escadas em direção à portaria do prédio. Minho havia prometido tentar convencer Felix a vir. Era a última chance. Felix não atendia chamadas, nem respondia mensagens – não que essa última opção fosse possível, ele tinha sido bloqueado.
Ele devia saber que namorar alguém levemente dramático poderia acabar assim – em um caos emocional. Ainda mais quando ele mesmo tinha parte da culpa por toda a preocupação que causou.
Jeongin engoliu seco ao ver o carro de Minho dobrar a esquina e se aproximar lentamente. O motor ainda roncava baixo quando estacionou a poucos metros dali. Seu corpo reagiu antes mesmo que pudesse pensar: as palmas das mãos úmidas, o suor frio escorrendo pelas costas, o coração batendo em um ritmo estranho, irregular.
Por que estava tão nervoso?
Era apenas Lee Felix naquele carro.
Seu melhor amigo há quase vinte anos. Seu parceiro de aventuras, de erros e acertos, de promessas cochichadas entre risos. Sua outra metade. Seu namorado.
Eles ficariam bem. Sempre ficavam.
Mas então... por que o estômago dele se revirou quando, por entre o vidro, seus olhos finalmente encontraram os de Felix?
O moreno cambaleou para fora do carro como se Minho pessoalmente o tivesse chutado para fora do veículo. E, sendo bem sincero? Jeongin não duvidava que o mais velho tivesse feito exatamente isso.
Lee Minho tinha uma maneira muito peculiar de demonstrar suporte e apoio aos amigos, e talvez agressão não intencional fosse uma dessas formas.
Do outro lado da rua, no entanto, lá estava ele com suas mãos transpirando e estômago chutando em sua barriga . Jeongin encarou Felix, que parecia à beira de desabar em lágrimas – e, antes que pudesse sequer pensar em voltar para o carro e fugir, Minho já tinha dado partida e sumido pela rua.
Era apenas eles, como se todo o tempo ao redor tivesse congelado. E, a não ser que Lee Felix se tornasse irracional, ele não correria como um louco pelo bairro de Jeongin – pelo menos era o que Jeongin esperava.
Respirando fundo, Jeongin atravessou a rua, esforçando-se ao máximo para manter um semblante calmo, embora soubesse que estava falhando miseravelmente.
Ver Felix naquela situação o deixava desconfortável e profundamente culpado. Os olhos do loiro, cheios de lágrimas que ele tentava, inutilmente, segurar, e o corpo tenso, fechado em si mesmo, demonstrava uma insegurança que era tão rara em Felix que fez Jeongin quase vomitar de nervoso ao perceber que ele era o motivo.
Finalmente, eles estavam frente a frente. Jeongin sorriu, tentando aliviar a tensão.
— Não acredito que tive de pedir ao Minho para te trazer à força só para te dizer que eu não quero terminar com você. — Jeongin falou calmamente, observando Felix levantar o olhar para ele.
— Mesmo? — Felix perguntou, a voz trêmula.
— Mesmo. — Jeongin garantiu, com firmeza. — Achei que estava bem claro que você era, e ainda é, a pessoa que mais amo neste mundo.
— Eu…
— E para eu terminar com você, Yongbok... Por Deus, acho que você teria que cometer um crime. E dependendo do crime, eu ainda ficaria do seu lado, sabia? — Jeongin disse com um sorriso leve.
Felix riu, finalmente relaxando um pouco. Independente de qualquer coisa, Minho não estava errado, afinal.
Quer dizer… Felix ainda estava com raiva pelo sumiço repentino do namorado.
Durante toda a semana, Jeongin lhe respondia com frases curtas e frias, e Felix sabia que algo estava errado desde o primeiro dia, quando o namorado o ignorou por dez horas seguidas, alegando estar estudando para uma prova. Felix conhecia Jeongin bem demais para acreditar nisso – o garoto não estava em época de prova
Depois disso, foram mensagens lidas e não respondidas, ligações perdidas, e, o pior de tudo: Jeongin pediu para mudarem o horário da maratona de filmes que faziam desde a infância. Aquilo desestabilizou Felix completamente, culminando na mensagem de Jeongin dizendo que "queria conversar".
Então certo, ele podia estar aliviado pelo fato de ter Jeongin em sua frente lhe dizendo que o amava e que não existiria um término. Mas não, aquilo não tinha aliviado sua frustração.
— Mas então, por que você sumiu durante a semana? — Felix perguntou, firme, com o sorriso desaparecendo de seus lábios.
Jeongin lhe deu um sorriso amarelo, aquele típico sorriso de uma criança que aprontou algo.
— Bem... porque sou um péssimo mentiroso? — Jeongin cantarolou, tentando aliviar a tensão.
— Yang Jeongin! Você me deixou desesperado, seu idiota! — Felix resmungou, acertando um tapa no braço do namorado.
O tapa virou dois. Depois três. Cada palavra vinha acompanhada de uma nova pancada, até que Jeongin o agarrou em um abraço firme, abafando as próximas reclamações com um sorriso provocativo nos lábios.
— O que diabos foi tão importante pra você ter que fugir de mim essa semana? E que papo é esse de ‘precisamos conversar’? — Felix resmungou, alto o suficiente, como se fosse um grito contido.
Jeongin sabia que ainda estavam no meio da rua, mas não o culparia caso gritos fossem jogados em sua direção. Ele admitia que merecia.
— Quem manda esse tipo de mensagem pro namorado sem ter a intenção de terminar? — Felix prosseguiu, o corpo enfraquecendo sobre os braços do namorado. — Eu realmente achei que você ia me chutar na nossa data, seu...
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Jeongin, e antes que Felix pudesse completar a ofensa, lá estava o mais novo: o calando com um beijo.
E se Felix fosse sincero, ser calado pelos lábios de Jeongin nos seus era um dos hábitos favoritos.
Ele sorriu, sem controle algum sobre isso, era insuportável o fato dele amar Yang Jeongin mais do que seu peito poderia suportar, porque ele deveria estar com raiva, ele sabia disso, mas simplesmente não conseguia.
— Eu preciso de explicações sérias. — Felix murmurou, assim que se afastaram, a voz tão baixa que seria impossível para qualquer pessoa próxima deles ouvirem qualquer coisa.
— Ok. — Jeongin respondeu, ainda sorrindo.
— Pare de me dar esse sorriso, eu ainda estou com raiva de você!
Jeongin riu.
— Ok.
— Explicações, Yang Jeongin. Agora
— Ok. — A risada do mais novo se estendeu, entrelaçando seus dedos com os de Felix e começando a caminhar em direção à sua casa.
•••
Jeongin ainda tinha um sorriso nervoso estampado em seus lábios quando o elevador parou abrindo no seu andar – e Felix estava bem diferente do garoto, relutando em deixá-lo segurar suas mãos e com uma pequena carranca que Jeongin não admitiria em voz alta, mas era fofo.
Era raro ver Felix daquela forma, nervoso ou frustrado com algo, e apesar de Jeongin ter se sentido a pior pessoa do mundo por ter deixado o mais velho triste e em desespero por uma semana, ele também achava adorável a forma como a testa de Felix franzia quando ele estava nervoso daquela forma, ou como seus lábios se tencionava em um biquinho que fazia todo o autocontrole de Jeongin querer desaparecer apenas para poder tomá-los para si.
Ele estava meio vidrado naqueles detalhes quando o loiro o puxou para fora do elevador antes que a porta os fechasse lá dentro de novo. Então a realidade lhe caiu de forma dura.
Felix ainda poderia dizer não. Jeongin estava há cerca de dez passos da sua porta, ao final do corredor, e só naquele momento a realidade lhe tomou intensamente.
Felix poderia falar não.
Ele suspirou, pesado, tencionando os músculos de uma forma que ele sabia que Felix havia percebido – bom, se o moreno lhe puxar para perto fosse um indício disso.
— O que foi? — Felix indagou, baixinho, fazendo com que Jeongin engolisse seco.
Três passos para chegar no tapete de entrada.
E Felix ainda poderia falar não.
— Só… — Jeongin suspirou, afastando-se do mais velho. — Espera aqui fora, por favor.
Suas mãos estavam trêmulas quando ele pegou o pequeno envelope deixado rente a entrada de sua casa.
O espelho que ficava logo em cima do cômodo não ajudou em nada sua ansiedade; ele não estava com a melhor aparência do mundo, e subitamente até isso tornou-se uma insegurança.
Ele devia ter retocado o degradê do seu platinado? Quer dizer… Felix estava deixando o cabelo crescer com uma rotina capilar invejável, ele também deveria fazer isso? Talvez, só algumas vezes para deixá-lo mais orgulhoso-
Jeongin piscou fortemente, afastando qualquer pensamento.
Felix poderia falar não, mas isso não anularia tudo que eles construíram juntos – fossem os anos de amizade ou os meses de namoro.
Ele se esquivou para fora de casa encarando Felix.
O moreno ainda estava ali, parado no mesmo lugar que Jeongin o deixou, os dedos ansiosos brincando um com o outro e o olhar curioso lançado para a porta de onde Jeongin saiu.
— Você realmente tá me preocupando, pare de ser tão suspeito.
Jeongin riu, nervoso.
Era a primeira vez que eles passavam uma sexta-feira 13 oficialmente como namorados.
Jeongin nunca teve a oportunidade de entregar uma de suas cartas daquela forma, desde o dia em que todas suas cartas foram encontradas ele não teve que passar por aquilo. Afinal… a última sexta-feira foi uma sessão nostálgica e de humilhação com Felix relendo todas as cartas que Jeongin tinha escrito nos últimos anos.
Agora algo novo? Não. Ainda não tinha acontecido.
— O que é isso?
— Eu sempre escrevo pra você nas sextas-feiras 13 desde nossa adolescência, você sabe disso. — Sua timidez era evidente em seu tom de voz. Jeongin sequer tentou esconder. — A última vez você fez o favor de pedir para ler todas, então acabei não escrevendo nada novo… Mas essa? Não sei, alguns velhos hábitos são bons para voltar.
— Innie… — Felix cantarolou em um sussurro, puxando as mãos do garoto até que eles estivessem colados um ao outro e seus lábios fossem conectados como imã.
Jeongin sentiu tanta falta daqueles beijos durante toda a semana.
— Obrigado. — Felix falou, seus lábios ainda roçando um no outro.
— Só leia a carta e não me deixe explodir de vergonha. — Jeongin grunhiu, se afastando. — Aqui fora.
Ele concluiu se lançando para dentro de casa em um piscar de olhos, a porta fechando atrás de si enquanto seu peito subia e descia de forma descontrolada.
Certo, agora estava feito, sim?
Felix ainda poderia falar não, mas bem… Que se dane, agora estava feito.
•••
Querido Lix,
Essa é a primeira vez que eu escrevo algo sabendo que vou conseguir te entregar, e é estranho, sabia? Eu fiquei por tantos anos escrevendo para você com a certeza de que as cartas iriam para o fundo do meu guarda-roupa que agora me sinto um pouco sobrecarregado.
Não sobrecarregado em um mau sentido, eu acho. É só… diferente, você me entende? Eu realmente acho que não.
Acordei hoje sentindo um revirar no meu estômago, você não havia mandado uma mensagem de bom dia e acho que a culpa é completamente minha, novamente.
Pois essa cartinha vai além de mais uma sexta-feira 13 ao seu lado, e antes que você possa ler as próximas páginas eu preciso que você prometa me perdoar por ter te afastado essa semana.
Você pode fazer isso por mim?
Porque eu queria muito fazer algo especial, e sinto que dez minutos ao seu lado seriam mais que o suficiente para eu estragar meus planos. E eu sabia desde o primeiro dia que te afastar ia ser uma tortura – e foi!
E deixa eu lhe contar um pequeno segredo… talvez eu tenha dormido todos os dias enrolados naquela blusa sua que você esqueceu aqui em casa.
Eu amo tanto seu perfume que cogitei comprar o mesmo apenas para me apegar um pouco mais ao seu cheiro. Isso é meio estranho de admitir? Acho que sim, mas você é meio estranho, então estamos quites.
E, de qualquer forma, não era isso que eu queria falar com você., então eu deveria ir ao foco antes que eu me perca… como sempre.
Tópico 1: Você sabe que eu te amo, não sabe?
Eu acho engraçado que a gente nunca teve essa fase de ficar com vergonha de dizer eu te amo. Talvez porque a gente já se amasse bem antes de saber, e lidar com isso foi a coisa mais linda, então sim. Eu te amo.
E muito.
Amo tanto que é insuportável ficar mais de 24 horas sem ter você do meu lado, seja para me fazer companhia em um dia ruim, seja para cozinhar receitas sem sentido, seja para me dar suporte quando estou ansioso, seja para me amar independente de qualquer coisa.
Tópico 2: Você também sabe que eu amo seus hábitos?
Porque eu simplesmente amo passar o tempo ao seu lado.
Amo ver você tentando me fazer rir com piadas idiotas, amo seu senso crítico para filmes, amo o quanto você é inteligente sem sequer perceber, mas também amo quando consegue ser a pessoa mais idiota do mundo. Amo seu sorriso, suas sardas, seus olhos, sua boca. Seu corpo, a curva em seu abdômen quando você rir, ou bem… quando você faz outras coisas também. Amo suas mãos, e amo elas entrelaçadas nas minhas – sendo sincero, amo elas em qualquer parte do meu corpo, porque bem, eu amo quando você me toca, mesmo eu jamais conseguindo verbalizar em alto e bom som o tanto que o contato do seu corpo com o meu me faz bem.
Eu realmente poderia ficar horas escrevendo sobre cada pedacinho seu que me faz ser a pessoa mais feliz e sortuda de todo mundo.
Tópico 3: Você sabe que eu sou SEU?
Porque, caso você ainda precise de um lembrete, eu sou.
Sempre fui.
E, nessa primeira sexta-feira 13 sendo oficialmente seu, por inteiro, sem tirar nem pôr, eu te peço, por favor, não me deixe sozinho.
Com todo o amor do universo,
Innie.
•••
Felix dobrou a carta rapidamente, as lágrimas rolando em seu rosto sem controle algum, ele estava em prantos sem conseguir controlar os efeitos que as palavras de Jeongin tiveram sobre ele.
Então ele tentou abrir a porta do apartamento, trancada. Pressionou a maçaneta mais uma vez e nada. Felix franziu o cenho.
— O envelope menor. — Ouviu Jeongin falar do outro lado, Felix podia sentir o mais novo sorrindo, enquanto ele se desabava em um choro nada abafado.
E claro que ele havia esquecido do pequeno envelope, o peso da carta lhe atingiu tão forte que ele havia esquecido de qualquer outra coisa, porque seu cérebro só conseguia pensar que ele precisava, urgentemente, beijar seu namorado e não soltá-lo nunca mais.
Felix pegou o pequeno envelope, abrindo-o aflito. E ali estava, uma cópia de uma chave, com um pequeno papel enrolado.
“Você já é meu lar, mas seria ainda melhor se eu pudesse dividir uma casa com você.”
Felix tornou a chorar, mal conseguindo encontrar a fechadura para girar a porcaria da maçaneta e quando finalmente o fez, Jeongin não estava do outro lado da porta.
Felix queria gritar pelo mais novo, mas ele congelou na entrada.
O apartamento de Jeongin estava completamente diferente desde a última vez que estivera ali.
Jeongin sempre foi uma pessoa muito prática quando se tratava da própria casa, fora seu quarto, o resto era sempre muito bem organizado e branco, o garoto nunca teve tempo o suficiente para fazer algo diferente nas paredes a não ser colocar alguns pequenos quadros e porta-retratos. Desde o momento em que passaram a namorar, eles fantasiavam por horas no pinterest de como seria a casa do sonho deles, e bem… ali estava.
Felix cambaleou pelo cômodo, os passos leves e os olhos arregalados, como se tivesse acabado de entrar num sonho recém-pintado. Um êxtase sutil o envolvia – não pelo impacto de uma grande transformação, mas pelas pequenas mudanças carregadas de significado.
A parede da sala agora era azul, um tom profundo que parecia respirar calma. Os móveis da entrada continuavam os mesmos, mas alguns exibiam um novo acabamento em azul acinzentado. O sofá, fiel desde a mudança de Jeongin, permanecia em seu lugar habitual. No entanto, havia algo na combinação da parede azulada com o tapete novo que fez Felix soltar uma risada breve e surpresa, quase um suspiro.
Um tapete. Um tapete felpudo. Jeongin sempre fora avesso à ideia por conta de suas alergias e, dificuldade na limpeza.. Mas em uma tarde qualquer, Felix havia comentado, meio rindo, meio sério, que seria bom poder se jogar no chão com ele, quando o cansaço ou a preguiça de ir para a cama falassem mais alto. E agora, ali estava ele, macio sob seus pés.
Seu olhar deslizou pelo restante da sala, e uma sensação morna tomou conta de seu peito. As novas prateleiras de madeira finalmente haviam sido instaladas – aquelas que Jeongin prometia comprar há meses, mas sempre deixava para depois. Felix sorriu diante dos porta-retratos cuidadosamente posicionados, reconhecendo cada rosto, cada momento eternizado.
Tonto de tantas lembranças, ele se virou para o corredor e seus olhos encontraram a pequena galeria na parede: o espaço dos filmes. Eles haviam falado sobre aquilo tantas vezes — criar um cantinho para expor os pôsteres dos filmes que marcaram sua história juntos, como se fossem obras de arte.
Felix se aproximou devagar, os dedos tocando suavemente as molduras.
Scream – o primeiro beijo – e então A Casa Monstro, – a primeira sessão –, Eli – a primeira vez, graças a um filme tedioso; Felix riu com todas as memórias dançando em sua cabeça.
Ele riu, as memórias cintilando vivas na cabeça como cenas projetadas na parede.
Foi então que sentiu. Um toque delicado em seus ombros, quente e familiar. Virou-se devagar e encontrou Jeongin sorrindo – o mesmo sorriso de sempre, aquele que parecia iluminar tudo ao redor. E, por um instante, Felix teve certeza: aquele espaço agora também era seu.
— Innie. — Ele soprou, sem conseguir verbalizar tudo que passava em sua mente.
— Eu tenho um sim ou um não?
— Para morar com você? — Felix falou ainda abismado, enxugando as lágrimas em seu rosto. — Meu Deus você é louco, Yang Jeongin, louco.
Felix o puxou, selando seus lábios.
— Eu moraria com você até se nossa casa fosse de papel. — Ele murmurou, sem afastar-se completamente dos lábios de Jeongin. — Eu moraria com você em qualquer lugar, por Deus é óbvio que isso é um sim.
Jeongin soltou um suspiro que sequer sabia estar guardando. Felix era algo. Era seu melhor amigo, então seu namorado e agora a pessoa pelo qual ele poderia acordar todos os dias lado a lado. Ele sabia que sua avó iria lhe importunar sobre isso dizendo que o casamento deveria vir antes de compartilharem um lar. Mas Felix já era seu lar e sua vida já era compartilhada com o moreno desde a infância e ele o amava por inteiro.
Jeongin tomou seus lábios mais uma vez, surpreso pelo quanto ele precisava daquilo, da certeza.
— Eu te amo tanto. — Felix disse, as palavras sendo engolidas pelos selares, até se afastarem. — Mas se você se afastar de novo só porque não consegue manter uma mentira eu vou chutar sua bunda tão forte que você não vai conseguir sentar por um mês.
— Desculpa. — Jeongin falou, sincero. — Eu realmente não queria ter te afastado. Era só, difícil… Sabia que na primeira mensagem trocada eu mandaria uma foto minha todo sujo de tinta e você enlouqueceria e iria aparecer aqui.
Felix riu.
— Eu teria adorado te ajudar.
— A gente ainda tem o quarto extra, é o de visitas, mas podemos transformá-lo. Eu também não fiz nada de diferente no nosso quarto, então temos duas telas em branco.
Felix o encarou, a realização lhe atingindo. O apartamento de Jeongin não era grande, apenas uma sala conjugada com a sala de jantar; a cozinha era aberta para ambos os cômodos. Um corredor minúsculo com um banheiro no final e dois quartos.
— Espera. — Felix murmurou, rindo sozinho.
— O que?
— Acabei de perceber que não vai existir mais o seu quarto. — Felix falou, a risada se esvaziando até seus olhos encontrarem os de Jeongin, confusos. — Nosso.
— Hum… esse não é o ponto de morar juntos? — Jeongin indagou retoricamente, as bochechas vermelhas de vergonha pela forma como Felix o olhava.
— Nosso quarto, — Felix disse, beijando a ponta de seu nariz. — Nosso guarda-roupa. Nossa sala- espera. Nossa cama.
Jeongin sorriu, sentindo os pequenos selares serem distribuídos pelo rosto de forma carinhosa, enquanto Felix resmungava baixinho vários “nossos” entre sorrisos. Uma pequena e inofensiva bagunça sobre sua própria pele. Definitivamente, aquela tinha sido a melhor decisão que poderia ter tomado.
Deixou que Felix enroscasse os dedos nos seus e o puxasse pela casa – a casa deles . O mais velho ainda parecia flutuar enquanto andava pela sala, os dedos passeando por qualquer objeto ao alcance, como se redescobrisse tudo.
— Nossa sala... — Jeongin o ouviu murmurar, mais para si do que para ele, os dedos deslizando pela lateral do sofá como se o visse pela primeira vez.
Jeongin o observava em silêncio, sendo guiado por onde quer que Felix quisesse levá-lo, com um sorriso preguiçoso pendurado nos lábios e o peito aquecido.
— Nossa cama... — Felix continuou, agora com o olhar voltado para uma das fotos emolduradas na estante.
Era uma fotografia simples, mundana demais para estar em um porta-retrato, mas parecia ter nascido para aquilo. Uma imagem que Felix tirara escondido, numa manhã qualquer de sábado, quando Jeongin acordou bagunçado no antigo quarto – agora seu quarto.
— Nossa cozinha… — Ele riu sozinho, parando diante de outra foto em que ele aparecia tentando cozinhar, segurando uma colher de pau como se fosse uma espada. — Meu Deus, Jeongin. Até essa bagunça agora é nossa.
— Isso soa como um pedido desesperado por responsabilidade compartilhada com o caos. Você quem queimou o brigadeiro esse dia. — Jeongin provocou, rindo baixo.
Felix sorriu, ainda abobalhado, sem se sentir genuinamente ofendido.
— Você não pode voltar atrás nesse pedido, porque… talvez eu esteja ficando levemente louco por dividir uma casa com você.
— Eu não vou voltar atrás. — Jeongin respondeu, puxando-o pela cintura, fazendo os dois caírem no sofá com um baque leve e um emaranhado de risos. — Eu quis dizer tudo aquilo na carta. A gente já compartilha tudo, e você já é minha casa há um bom tempo.
— Innie… — Felix grunhiu, os olhos úmidos, antes de voltar a salpicar beijos por toda a face do namorado.
— Não seja tão sensível ainda! — Jeongin protestou, embora não negasse o quanto estava adorando ser encharcado de afeto. — Ainda temos uma maratona para fazer.
— Eu sei. — Felix cantarolou, selando seus lábios num beijo breve. — E eu quero escolher o filme.
— Você sempre acaba escolhendo, de qualquer maneira. — Jeongin deu de ombros. — Mas achei que a gente podia começar leve. Tipo... algum especial de Halloween da Disney, sabe? Um sustinho leve. Hoje tá com clima perfeito pra um chocolate quente e coberta.
Felix piscou. Eles tinham o hábito de começar maratonas com filmes inofensivos, só pra entrar no clima. Foi assim que já tinham assistido todos os episódios de Halloween de Os Feiticeiros de Waverly Place . Mas então algo despertou em sua memória – um debate em uma das aulas da faculdade sobre domínio público.
— Yang Jeongin! — Felix exclamou, animado.
— Meu nome?
Felix riu e rapidamente pegou o controle. Digitou algo, e em segundos seus olhos se arregalaram.
— Eu sabia!
— Nem ferrando. — Jeongin grunhiu, meio incrédulo diante do cartaz na televisão. Winnie the Pooh: Sangue e Mel. — Quando e por que existe um filme de terror do Ursinho Pooh?
— Quando os direitos autorais foram pro domínio público, o filme saiu. Tava na minha lista desde então, eu só… tinha esquecido. É um trash de qualidade duvidosa com péssimas avaliações.
— E por que nós vamos assistir isso? — Jeongin choramingou. Ele odiava trash filmes. — Eu tinha preparado uma sessão com Halloweentown e o Gasparzinho , não uma tortura cinematográfica.
Felix riu de novo.
— A gente assiste depois, eu prometo. — Ele já apertava play com a empolgação de uma criança em loja de doces. — Vamos honrar essa nova fase da nossa vida do jeito certo: com um filme péssimo de terror e o Ursinho Pooh traumatizando a nossa infância.
— Você tem um problema. — Jeongin disse, rindo.
— E agora é nosso problema. — Felix respondeu, se aninhando no peito do namorado enquanto o menu do filme começava.
•••
Jeongin bloqueou o celular com um suspiro impaciente, largando o aparelho no canto do sofá com um movimento brusco. A tela da TV exibia uma cena grotesca; sangue artificial escorrendo e sons exagerados o suficiente para fazê-lo revirar os olhos com desgosto.
Normalmente, eles não se submetiam a esse tipo de filme: terror com toques de gore barato. Mas, na hora de escolher, a ideia de assistir a uma adaptação de baixo orçamento de um desenho infantil soara cômica para Felix. Engraçada até. Não... repulsiva.
Mas, para a surpresa de Jeongin, Felix parecia ter se interessado. Não que o mais velho estivesse gostando, necessariamente. Era aquele tipo de fascínio estranho, como quando se observa algo tão ruim que acaba sendo hipnotizante.
Felix estava sentado no chão, as costas apoiadas no sofá e a testa levemente franzida. Soltava risadas sarcásticas a cada cena ridícula demais para ser levada a sério.
Jeongin, por sua vez, permanecia largado sobre as almofadas, os olhos vagando por qualquer lugar que não fosse a televisão. Ele realmente não estava com muita vontade de ter seu sono roubado por pesadelos nojentos.
Sua mão descansava nos fios castanhos escuros do namorado, brincando com suavidade, traçando linhas invisíveis no couro cabeludo. O cheiro familiar da loção de Felix se espalhava por seus dedos. Era um perfume que ele reconheceria em qualquer lugar, e amava.
Felix inclinou a cabeça, instintivamente, como se estivesse pedindo por mais daquele cafuné. Jeongin continuou, os movimentos lentos, quase meditativos. A cena bizarra do filme contrastava completamente com o conforto daquele toque.
Um sorriso preguiçoso surgiu em seus lábios.
— Lixie… — Ele murmurou, arrastando a voz com a preguiça de quem já sabia a resposta.
Felix não respondeu. Nem mesmo olhou para trás, sabendo exatamente que Jeongin queria mudar de filme, e encará-lo parecia não ser uma opção. Jeongin revirou os olhos.
Mudar o filme era contra as regras. Ele sabia disso.
Uma daquelas promessas bobas, um tanto quanto idiota, que tinham feito ainda na infância e, mesmo anos depois, seguiam cumprindo: por pior que fosse o filme, não importava se o roteiro era mal feito ou se os efeitos especiais fossem de uma qualidade duvidosa, eles nunca trocavam o filme.
Jeongin suspirou, revirando os olhos, e escorregou até o chão, sentando-se ao lado do namorado. Tudo bem. Que o filme seguisse em frente. Ele encontraria outro jeito de passar os próximos trinta minutos – e, com Felix por perto, esse tempo nunca era realmente perdido.
Felix abriu os braços em um convite silencioso, oferecendo abrigo no calor do próprio corpo. Jeongin poderia simplesmente aceitar e se aninhar ali – e certo, seria o mais lógico. Mas preferiu algo melhor.
Sentou-se no colo do namorado sem cerimônia, como se aquele lugar tivesse sido feito para ele.
— Jeongin! — Felix grunhiu, a voz entre surpresa e riso.
Jeongin afundou o rosto no pescoço do mais velho, os braços apertando-o pelas costas em um abraço que, em outra situação, talvez fosse carente demais. Mas Felix conhecia aquele toque. Sabia exatamente o que ele dizia, mesmo em silêncio.
— Shhh — Jeongin murmurou, a respiração quente fazendo cócegas na pele sensível do pescoço. — Você quer assistir essa coisa… eu quero você. Então, no fim, os dois saem ganhando.
— Eu não diria isso-
— Cala boca, Lee Felix. Você vai perder o filme.
Felix obedeceu, deixando-se mergulhar naquele abraço apertado, em silêncio, como se o mundo inteiro se resumisse ao cheiro de Jeongin, à pressão dos braços em volta de si, ao calor daquele corpo encaixado sobre o seu.
O rosto de Jeongin ainda repousava contra seu pescoço quando ele começou a depositar beijos suaves sobre a pele exposta. Um, depois outro, e mais um. Lentamente. Com cuidado.
Ele tinha sentido falta de Felix.
Nem mesmo nos anos de amizade haviam ficado tanto tempo longe um do outro. E sim, o culpe por tudo isso – sete dias inteiros planejando uma surpresa em segredo, preso dentro do próprio apartamento enquanto tentava deixar tudo em ordem.
No fundo, Jeongin não sentia-se verdadeiramente arrependido por tudo aquilo. Mas agora, queria compensar. Sentir o mais velho como se sua vida dependesse disso.
Seus lábios percorreram cada centímetro de pele acessível entre o moletom e o pescoço de Felix, absorvendo a fragrância fresca da colônia que ainda pairava no ar, impregnando seus sentidos.
Felix suspirou, remexendo-se sob o tapete, o corpo levemente tenso. Jeongin percebeu. E continuou.
Uma das mãos de Jeongin deslizava devagar pelas costas de Felix, traçando caminhos invisíveis com a ponta dos dedos. A outra puxou, com o mesmo cuidado, a gola do moletom largo, afastando-a dos ombros do mais velho – abrindo espaço para tocar, para selar beijos ali onde a pele pedia por atenção.
— Jeongin... — Felix murmurou, a voz rouca e baixa.
— Sim? — Jeongin respondeu com falsa inocência, os olhos brilhando ao fitar o rosto do namorado. Mas Felix apenas suspirou, rendido.
O sorriso de Jeongin retornou, suave, quase vitorioso. Ele pressionou os lábios contra o maxilar de Felix, depois sobre o pomo de Adão, onde sentia o leve pulsar da respiração acelerada. Seus dedos, antes por fora da roupa, encontraram uma brecha e mergulharam sob o tecido. A pele estava quente, protegida pelo calor do moletom, pela quietude do momento.
Deslizou devagar entre os músculos do abdômen recém definido, a ponta dos dedos raspando de leve, explorando.
Talvez fosse a diferença de temperatura entre eles, ou talvez fosse o toque em si, mas Felix estremeceu.
E Jeongin sentiu.
Sentiu aquele leve tremor sob suas mãos e soube, com uma certeza tranquila, que estava fazendo tudo certo. Seu quadril se ajustou ligeiramente sobre o colo do namorado.
E, mesmo com as roupas entre eles, o contato foi suficiente para que percebesse o quanto Felix reagia. O quanto o queria ali.
Jeongin respirou fundo, oscilando entre o conforto e a tensão do momento. Seu rosto ainda pairava perto do pescoço de Felix, onde o cheiro familiar misturado ao calor da pele o fazia querer fechar os olhos e apenas existir ali.
Suas mãos exploravam com calma, como se mapeassem um território conhecido. Os dedos deslizaram pelo abdômen de Felix até encontrarem sua cintura, puxando-o um pouco mais para si – um suspiro soprou em seu ouvido, Felix segurando a respiração por um instante.
— Você realmente quer terminar esse filme? — Jeongin indagou contra sua clavícula, a voz baixa.
— Mudar o filme é contra as regras. — Felix arfou, forçando seus olhos para a televisão; embora fosse humanamente impossível concentrar-se em qualquer cena que estivesse passando por ali.
Jeongin riu, sarcástico.
— Não estava sugerindo mudar de filme. — Sua voz suave estava ali, contradizendo todos os movimentos de seu corpo.
Era um talento – se perguntasse a Felix –, mas Jeongin sabia exatamente como provocar o namorado (ou era apenas anos de estudo sobre como agir sobre Lee Felix).
Fosse o real motivo da provocação, ela estava sendo bem sucedida. E Jeongin sabia exatamente disso.
Seu corpo começou a se mover, devagar, como uma dança sutil. Seu quadril roçava no de Felix com o atrito contido o suficiente para que o garoto resmungasse. A respiração entrecortada de ambos enchia a sala, o som do filme de terror abafado há muito tempo.
Ele deslizou as mãos por debaixo do moletom de Felix, agora com mais firmeza, puxando-o para cima, revelando a pele aos poucos, como se cada centímetro exposto fosse uma descoberta preciosa.
A luz fraca da televisão tremeluzia sobre o peito de Felix e Jeongin deixou que seus olhos percorressem aquele corpo como se o estivesse vendo pela primeira vez – não porque fosse novidade, mas porque era dele. Era seu.
Ele se inclinou, deixando os lábios traçarem um caminho lento, a língua tocando de leve, quente, provocando arrepios visíveis, presa sob o mamilo direito do mais velho – enquanto sua mão brincava com sua cintura.
Felix arqueava o corpo em resposta, os dedos enlaçando o tecido da camiseta de Jeongin nas costas, puxando-o mais para si.
— Você é insuportável. — Felix grunhiu, a voz falhando entre um suspiro e outro.
Jeongin riu contra sua pele, um som abafado pelo beijo que deixou sobre a linha de sua clavícula.
— E você fala muito. — Jeongin provocou. — Não queria assistir o filme? Ainda estamos em seu termo, gatinho.
— Cala a boca, Yang Jeongin.
Felix mordeu o lábio, sentindo o namorado responder instantaneamente ao seu comentário – os dedos de Jeongin tocando sua cintura, aprofundando-se sobre a camada de roupa.
— Jeong- — O nome do garoto morreu antes mesmo que pudesse ser vocalizado.
Jeongin sorriu antes de tocá-lo superficialmente, sem fazer realmente qualquer pressão sobre o membro do moreno.
— Sim?
Felix fechou os olhos, a cabeça tombando para trás por breves instantes, entregando-se ao ritmo provocador – e propositalmente lento – dos movimentos de Jeongin. Era como se cada toque tivesse sido calculado para deixá-lo à beira.
Um suspiro escapou de seus lábios sem que pudesse conter, quando os dedos do namorado apertaram com mais firmeza. O som suave da risada de Jeongin roçou sua pele como um arrepio.
— Você está sensível hoje. — Ele murmurou, provocando, antes de pousar um beijo demorado no rosto de Felix, e depois, em sua boca.
Uma parcela de Jeongin sabia que arrancar o namorado da sala seria a coisa mais fácil de fazer naquele momento, Felix estava tão mole sobre seu toque e convencê-lo a desligar a televisão agora se tornou um objetivo fácil demais para seu gosto. Mas outra parcela de Jeongin gostava da sensação de provocá-lo.
Era divertido de um jeito que só eles entendiam. E, por mais que Felix protestasse – com resmungos, olhares tortos ou até xingamentos –, no fim sempre acabava admitindo que gostava. Contra o orgulho, claro, mas admitia.
De repente, Jeongin interrompeu os beijos. E os toques. Felix soltou um resmungo baixo, ainda com os rostos quase colados, o calor entre os dois pulsando.
— Você tem um filme para assistir. — Cantarolou, afastando-se um pouco, as mãos repousando sobre o abdômen nu do namorado.
— Jeongin, não é possível-
— Filme. — Jeongin o cortou. — Depois você pode me contar o final.
Felix franziu o cenho, confuso. Sabia que Jeongin mal prestava atenção ao que estava na tela – e pedir um resumo? Isso era... estranho.
Mas qualquer linha de raciocínio evaporou quando sentiu os lábios do namorado tocarem sua barriga. Jeongin se abaixava, beijando cada curva com lentidão, até alcançar a borda do elástico. Antes que Felix pudesse organizar um pensamento, a boca dele pressionou o moletom rente ao seu pau. E porra – Felix odiou o som manhoso que escapou de si com aquele toque sobre o tecido.
Jeongin levantou os olhos, os traços marcados por uma expressão travessa, brilhando com diversão.
— Filme. — Repetiu, firme. Sua mão subiu até o queixo de Felix, guiando-o com delicadeza para olhar na direção da televisão.
Um gemido rouco escapou da garganta de Felix – frustração e desejo misturados na mesma medida. Ainda mais agora, privado da visão do que acontecia ali embaixo, mas intensamente ciente de cada movimento.
Os sons se tornaram mais soltos, escapando sem filtro, enquanto Jeongin puxava o moletom com uma paciência quase cruel. A peça deslizava como se fosse parte de um ritual – e então, o toque direto. O ar frio encontrou a pele exposta, provocando um arrepio que fez Felix suspirar baixo.
Jeongin sorriu contra ele. E então voltou a tocá-lo. Lento. Preciso. E antes que Felix pudesse sequer recuperar o fôlego, os lábios do mais novo o envolveram.
— Jeongin... — ele arfou, a voz embargada pelo prazer, enquanto uma de suas mãos se enroscava nos fios do cabelo do mais novo, segurando-o ali sem de fato aplicar pressão.
A língua de Jeongin deslizou lenta e molhada por toda a extensão de seu membro, provocando um arrepio elétrico que percorreu a espinha de Felix. Antes que pudesse processar, sentiu um beijo suave ser depositado no topo
— Tão, tão sensível pra mim... — Jeongin gemeu contra a pele dele, a voz grave reverberando direto em seus nervos. — Você já está tão molhado, e eu mal te toquei.
— Jeon-
— Filme. — Jeongin o cortou outra vez. Ele forçou um pouco mais o toque no rosto de Felix, mantendo seu olhar fixo na televisão, embora os olhos do mais velho já estivessem desfocados demais para distinguir qualquer imagem que passasse ali.
Jeongin tinha um autocontrole impressionante. O refluxo, o ritmo, a intenção – tudo era milimetricamente dosado. E não era como se Felix se gabasse por ser “grande” ou qualquer coisa assim, ele honestamente acreditava que se encaixava na média. Talvez um pouco acima, talvez não. Mas ainda se surpreendia quando sentia o nariz de Jeongin encostar contra sua pelve, inspirando sua pele como se aquele cheiro fosse o próprio ar que ele precisava para respirar.
Normalmente, esse tipo de sensação deixava Felix meio... entorpecido. Como se pudesse levitar, se isso fosse algo humanamente possível.
E então Jeongin intercalava os movimentos da boca com a língua, girando devagar ao redor de sua extensão, provocando arrepios que pareciam se espalhar até as pontas dos dedos.
Era um vício.
Um que os dois conheciam bem, então Felix não segurou o gemido arrastado que brotou de sua garganta quando Jeongin o engoliu novamente, com aquela facilidade pecaminosa, borbulhando sob sua pele em calor e tensão.
Felix também sabia que naquela noite estava mais sensível do que o habitual – algo como não ter tido Jeongin por uma semana completa, somado de uma declaração vinda do namorado, foi uma grande rede de emoção
Felix tinha certeza de que, se Jeongin tivesse um pouco mais de paciência, ele teria gozado só com eles se esfregando entre beijos.
Então, sim, Jeongin não precisou se esforçar muito para deixá-lo à beira.
— Innie… — Ele gemeu, manhoso, quando subitamente o garoto subiu raspando seu dente pelo seu comprimento. Parando no topo apenas para beijá-lo sutilmente. — Porra. Eu estou perto, querido.
Jeongin sorriu, afastando-se apenas o suficiente para roubar um beijo. Felix se afundou na sensação – seu próprio gosto nos lábios do namorado, quente, íntimo.
— Posso montar em você? — Jeongin murmurou contra sua boca, ainda colado, sem romper o beijo por completo.
— Eu realmente não acho que vou aguentar te ver se abrindo pra mim… — Felix sussurrou, a voz falhando em um fiapo de desejo.
Uma risada suave cortou o ar, carregada de ternura. Jeongin sorriu largo, os olhos se fechando em uma expressão genuína de felicidade.
— Ah, querido… você acha mesmo que eu não estaria preparado pra essa noite?
— Yang. Jeong. In! — Felix engasgou, surpreso, o nome escapando como um meio-gemido. — Seu pervertido!
Jeongin gargalhou, beijando docemente a bochecha do namorado.
— E só levou um ano de relacionamento pra você perceber isso… e quase vinte anos de amizade.
Felix riu também, deixando-se levar pelo momento.
No fundo, não era uma surpresa. Nem uma grande revelação. Mas Jeongin nunca tinha feito aquilo antes… então, bem mais uma descoberta pra lista de coisas que ele aprendia diariamente sobre o homem que amava.
— Mas eu posso? — Jeongin repetiu, os olhos brilhando, suaves.
— Ugh… — Felix grunhiu, frustrado, o corpo implorando por mais. — Você não precisa pedir, seu idiota. Só para de enrolar antes que eu morra aqui.
Jeongin sorriu, o tipo de sorriso que diz “eu te amo” sem precisar de palavras. E então o beijou – ele o amava por esses pequenos detalhes, e por absolutamente todo o resto.
O tempo parecia dilatado, suspenso entre respirações e toques que queimavam mais que qualquer palavra dita. O filme seguia esquecido, sombras dançando na parede
Felix ainda tentava recuperar o fôlego, os olhos marejados pela intensidade que se espalhava como eletricidade sob sua pele.
Jeongin, por outro lado, observava-o com um brilho satisfeito no olhar. Foi com um último beijo demorado nos lábios do namorado que ele se levantou, ágil, desaparecendo pelo corredor.
Felix soltou um resmungo arrastado, a voz ainda falha pela frustração acumulada.
Jeongin voltou segundos depois, os passos silenciosos sobre o piso e um pequeno frasco de lubrificante entre os dedos. Sua presença preencheu a sala como se nunca tivesse saído.
— Você não podia ter escondido isso entre as almofadas do sofá? — Felix bufou, o tom entre a irritação e o desespero. — Não foi preparada o suficiente.
— Apressado. — Jeongin gargalhou, divertido, os olhos faiscando. — Não achei que faríamos qualquer coisa aqui.
— Você quem começou a provocar!
— Você quem escolheu um filme horrível.
— Eu vou te matar, Yang Jeongin. Te matar. — Felix ameaçou, mas o olhar faminto denunciava que era pura encenação.
— Sim, sim. Entra na fila ou pega um ticket preferencial. — Jeongin respondeu com um sorriso presunçoso.
Felix revirou os olhos, puxando-o de volta para seu colo como se não aguentasse mais um segundo de distância. E antes que Jeongin pudesse processar o movimento, já estavam se beijando de novo – urgente, profundo e desajeitado de tanto desejo acumulado.
— Innie… — Felix murmurou, a voz rouca e embargada, como se tivesse medo de quebrar a tensão do momento.
— Sim? — Jeongin respondeu entre beijos, os olhos fixos nos dele.
— Eu posso… tirar? — Felix perguntou, hesitante, o rosto incendiado por um rubor repentino.
Jeongin riu baixinho, enternecido com a vulnerabilidade do namorado. Tocou seu rosto com suavidade e depositou um beijo leve na ponta de seu nariz.
— Você realmente ficou surpreso com isso, não ficou? — Murmurou, ainda montado sobre ele, sentindo o quanto Felix continuava duro sob seu corpo.
Felix desviou o olhar por um segundo, só para depois encará-lo de novo com mais ousadia.
— Você nunca… fez isso antes? É meio sexy imaginar você se contorcendo sozinho enquanto se preparava, só pra mim. — A voz saiu baixa, mas carregada de tensão, como uma corda prestes a arrebentar.
— Oh, meu Deus, Lee Felix… — Jeongin gemeu com um tremor na voz, deixando o som escapar como um sopro quente. — Você não pode falar essas coisas pra mim… principalmente com essa cara.
Felix riu contra seu pescoço, enterrando o rosto ali como se pudesse esconder o próprio constrangimento.
— Idiota. — Murmurou, enquanto o calor da pele de Jeongin envolvia a sua num abraço silencioso.
Apesar da respiração ainda irregular debaixo de si, Jeongin tomou a mão de Felix com delicadeza e a guiou pelas costa, ainda vestidas pela blusa, traçando o caminho com intenção.
— Você pode fazer qualquer coisa que quiser comigo. — Disse, com uma sinceridade crua, a voz baixa e firme, como uma promessa sussurrada entre beijos e suspiros.
O gemido arrastado de Felix foi como um sopro quente direto em seus ouvidos, fazendo Jeongin estremecer. O mais velho desceu lentamente os dedos, ainda hesitante, puxando com cuidado tanto a calça quanto a cueca do namorado. Jeongin inclinou-se para frente, facilitando o acesso com um suspiro trêmulo, e então sentiu – o toque sutil, quase reverente, de Felix explorando-o com a ponta dos dedos.
O plug não era grande nem particularmente elaborado. Jeongin não tinha uma coleção extensa, mas talvez devesse considerar montar uma. A maneira como Felix reagira ao saber que ele o usava... o modo como sua expressão ficava vidrada só de imaginar a cena... tudo isso tinha acendido algo novo nos dois. Ele sentia isso no olhar faminto, na respiração pesada do loiro, no modo como suas mãos tremiam só de tocá-lo.
Os dedos de Felix pressionaram o plug, empurrando-o para dentro antes de puxá-lo de volta com firmeza. Jeongin soltou um gemido agudo, quase um soluço – a sensação de ser preenchido e depois deixado vazio era avassaladora, crua.
Um novo grito escapou de seus lábios quando o objeto foi empurrado de volta, desta vez com menos delicadeza, como se Felix tivesse perdido completamente o controle. O movimento era rítmico e cada investida fazia o corpo de Jeongin arquear.
— Felix... — Jeongin arfou alto, a voz falhando entre um suspiro e uma gargalhada sem fôlego. — Achei que você tinha dito que não aguentava me preparar.
Felix soltou uma risada curta, carregada de luxúria, como se mal conseguisse manter-se consciente do que fazia, retirando o plug.
— Desculpa... — Murmurou, a voz rouca. — Acho que acabei de ganhar um novo vício. Você tá tão... tão aberto pra mim.
Jeongin revirou os olhos, o rosto escondido no antebraço, sabendo que Felix não veria sua reação. Ainda assim, aquele comentário o fez morder o lábio, tentando conter o sorriso atrevido que ameaçava escapar – ou talvez apenas conter um novo gemido.
Felix afastou o rosto devagar de seu pescoço, os olhos brilhando sob a luz suave do quarto. Havia algo mais vulnerável em seu olhar agora, como se, mesmo depois de tudo, ainda precisasse de uma confirmação.
— Obrigado pela noite. — Sua voz saiu baixa, quase hesitante. — Eu te amo muito, você sabe disso, não sabe?
Jeongin sorriu, os dedos roçando suavemente o rosto do outro antes de selar seus lábios com um beijo rápido e doce.
— Querido… — Disse, em um sussurro carregado de carinho. — Eu sinto em lhe informar, mas eu te amo mais.
O sorriso de Felix se alargou, e ele o puxou de volta para um beijo mais intenso, apaixonado. Deixou que Jeongin o guiasse, os corpos encaixando-se como se tivessem sido moldados um para o outro, até que o toque quente e firme de Felix roçasse contra sua entrada – o gemido entrecortado de ambos ecoando pelo apartamento.
Jeongin poderia ter se preparado melhor. Tinha feito isso mais cedo, antes de toda a confusão do dia, mas seria mentira dizer que se sentia completamente pronto. Não confessaria tão cedo o quanto gostava da sensação de estar preenchido o dia inteiro. Mas agora… agora ele não queria mais esperar, nem perder tempo com dedos ou cuidados. Queria sentir.
Queria ser tomado por completo.
Não tentou conter o gemido alto quando Felix o penetrou, em um único movimento, quente e firme, puxando sua cintura para baixo. O som atravessou as paredes como uma nota dissonante e intensa, e, por um segundo, Jeongin rezou para que os vizinhos estivessem ocupados demais com suas próprias vidas para ouvir.
Mas naquele instante, nada mais importava. Quando finalmente sentiu o toque da pélvis de Felix contra seu corpo, Jeongin soltou um suspiro profundo, abafado contra o peito do loiro, como se só ali, completamente cheio dele, conseguisse finalmente respirar em paz.
— Tudo bem? — Felix perguntou, a voz rouca, tão arrastada quanto a de Jeongin.
— Você é tão gostoso… como isso é possível? — Ele murmurou, ofegante, os lábios entreabertos enquanto o olhava de cima com puro desejo.
Felix riu baixinho e o puxou para mais um beijo, lento, quente, preguiçoso.
— É um dom. — Murmurou contra sua boca, com aquele sorrisinho convencido que Jeongin odiava amar .
A risada de Jeongin escapou logo depois, mesclando-se a um gemido manhoso quando sentiu Felix se mover sob ele – um deslizar sutil que pareceu sacudir cada nervo em seu corpo.
Tomado pelo impulso, Jeongin empurrou Felix contra o sofá, ajustando-se em seu colo até encontrar o ângulo perfeito. Então começou a se mover por conta própria, ditando o ritmo – lento no começo, intenso em segundos – fazendo Felix soltar um suspiro profundo, tão próximo de sua pele que a respiração quente fez seu corpo arrepiar.
Ele era, sem dúvida, obcecado pelos sons que Felix fazia. E talvez fosse porque seu namorado era normalmente mais contido, reservado… mas ali, cada arfar, cada gemido arrastado e pequeno sussurro se tornavam preciosos demais para não memorizar.
Era como música composta só para ele.
E conforme os movimentos aumentavam em intensidade, Felix se desfazia sob ele.
— Innie… — O loiro gemeu, voz embargada, os dedos antes cravados em sua cintura agora buscando desesperadamente o rosto de Jeongin, puxando-o para um beijo desajeitado, quente, trêmulo. — Eu…
— Você pode vir, querido. — Jeongin sussurrou, a própria voz falhando, trêmula, entre um beijo na têmpora e outro no canto da boca.
Felix gemeu alto, as unhas cravando fundo na pele de Jeongin, deixando sulcos que ardiam, os dentes em seu ombro. Ele não se importaria de ver as marcas no dia seguinte – na verdade, gostava da lembrança.
Ainda assim, a dor repentina em sua cintura o fez soltar um gemido abafado, cortado por um suspiro trêmulo quando o prazer voltou com força total, nublando qualquer desconforto e fazendo-o se entregar completamente.
Deixou-se ser usado, entregue ao ritmo que Felix impunha, os quadris do loiro encontrando os seus com estocadas intensas e ritmadas. Jeongin o puxou para mais perto, os dedos firmes nas costas de Felix, guiando os movimentos, incentivando cada avanço, cada estocada que o preenchia por completo e fazia sua respiração falhar.
O gemido de Felix ecoou no cômodo quando ele chegou ao clímax, alto, rouco, quebrado. Jeongin o puxou para um beijo urgente, bagunçado, sem coordenação, as línguas se tocando com a mesma pressa do momento.
Ele já esperava por aquilo. Felix adorava prolongar o prazer – precisava sentir tudo, até a última gota – e Jeongin não se surpreendeu quando ele continuou empurrando, mesmo enquanto o gozo já escorria dentro dele. As estocadas vinham mais instáveis, desesperadas, como se o corpo de Felix não quisesse soltar o dele tão cedo.
E Jeongin também não queria.
Mas quando o loiro finalmente desabou contra o sofá, tremendo, os olhos úmidos e o corpo sensível demais, Jeongin tomou o controle. Segurou o namorado firme contra si e começou a cavalgá-lo com o máximo de cuidado, mesmo que ainda intenso – os gemidos de Felix se tornando choramingo entre sussurros trêmulos, até que lágrimas silenciosas brotassem no canto de seus olhos.
— Porra, Innie… — Ele gemeu contra o ombro do mais novo, os dentes marcando sua pele em um mordiscar entre prazer e exaustão.
— Você é tão bom pra mim, querido… — Jeongin murmurou, a voz baixa, quase um sussurro, enquanto seus dedos se enredavam nos fios escuros e úmidos de suor do namorado. — Tão bom, me preenchendo mesmo quando eu deveria estar fazendo o trabalho aqui.
Um sorriso suave curvou seus lábios. Ele segurou o rosto de Felix com delicadeza, os polegares acariciando sua pele quente antes de selar um beijo doce e calmo, diferente da urgência de instantes atrás.
— Tão bom pra mim… — Repetiu, e o som abafado de um gemido suave escapando de Felix reverberou como um sopro quente contra sua clavícula. Felix o puxou ainda mais para perto, os braços ao redor de seu corpo num abraço apertado, possessivo.
— Não pense em sair ainda. — Felix grunhiu, a voz ainda arrastada.
Jeongin riu, o som abafado no pescoço do outro.
— Não é como se eu tivesse muita opção com você me mantendo preso assim.
— Me dá um minuto… — Felix resmungou, os olhos semicerrados e a respiração lenta. — Então a gente vai pro quarto.
— Sem pressa, Lixie… — Jeongin respondeu de forma tranquilizadora, depositando um beijo suave nos cabelos suados do namorado. — A gente pode ficar aqui o tempo que você quiser.
— Ah, não, você não entendeu… — Felix murmurou, sorrindo contra seu peito. — Eu preciso de você na nossa cama ainda hoje. De preferência… nos próximos dez minutos.
Jeongin riu, a testa apoiada no ombro do namorado.
— Sim? E o que mais você precisa?
Felix deslizou por suas costas, calmamente.
— Que você me devolva seu plug.
Jeongin congelou por um segundo.
— O quê?
— Você quer mesmo fazer mais bagunça na sala? — Felix arqueou uma sobrancelha, o tom brincalhão, mas com uma lógica difícil de contestar.
Jeongin engoliu em seco.
De todas as coisas que esperava ouvir, essa não estava nem no final da lista. Olhou ao redor, notando o tapete novo sob seus joelhos – e, sinceramente, não era seu desejo estreá-lo daquela forma. Ainda mais considerando a sensação quente e escorregadia entre suas pernas, manchando sua calça – um lembrete íntimo do quanto Felix o havia preenchido momentos antes.
Então, não… não era uma má ideia. Mas havia algo mais ali – um rubor sutil tomou conta de seu rosto.
Apesar da intimidade intensa que compartilhavam, nunca tinham explorado muito além daquilo que conheciam. Eram confortáveis naquilo que chamavam de “baunilha com toque próprio”. E talvez… só talvez… aquele momento fosse um convite para atravessarem juntos a fronteira da zona de conforto.
Tateando devagar, Jeongin encontrou o plug onde havia sido deixado, um pouco afastado do alcance imediato de Felix. Pegou o objeto com hesitação, os dedos trêmulos de leve, e o entregou à mão estendida do namorado.
Felix sorriu, com aquele brilho malicioso e ainda assim incrivelmente carinhoso nos olhos.
— Você pode se mexer. — Disse suavemente, como quem pede um beijo, não um favor íntimo.
Jeongin levantou a cintura devagar, sentindo-se ser esvaziado centímetro por centímetro. A sensação de abandono tomou seu corpo de imediato, os músculos latejando de desejo, implorando para ter Felix dentro de si outra vez. Mas antes que a ausência se tornasse incômoda, lá estava ele – pressionando com cuidado a base fria do plug contra sua entrada ainda sensível.
— Lixie… — Jeongin gemeu, a voz arrastada, abafada contra o ombro do namorado.
Felix empurrou o plug por completo, selando o interior do outro com um leve estalo abafado, evitando que qualquer vestígio do que haviam compartilhado escorresse pelo tapete recém comprado.
— Acho que preciso te ver usando um desses todos os dias. — Felix grunhiu rouco, a boca próxima à orelha de Jeongin, que estremeceu com o calor do sussurro.
Com gentileza, ele o empurrou para frente, puxando a blusa que Jeongin ainda vestia. Quando a peça caiu, deixando o tronco de mais novo exposto à luz suave do cômodo, o moreno percebeu com clareza as marcas avermelhadas em sua pele. Não havia notado antes – estivera tão absorto nos próprios sentidos, no calor, nos toques – que mal percebeu que suas unhas também haviam cavado caminhos por todo abdome de Jeongin.
Ele puxou as mangas da blusa e passou sobre a pele úmida de ambos, limpando-os de forma superficial, mas atenta, com um cuidado silencioso.
— Acho que você pode levantar. — A voz de Felix soou baixa,.
Jeongin assentiu com um leve movimento de cabeça. Com delicadeza, ergueu-se, sentindo cada músculo protestar com a lentidão dos movimentos. A calça e a cueca ainda agarradas às pernas foram puxadas de volta ao corpo, mesmo que o tecido úmido provocasse arrepios sutis de desconforto. Ele estremeceu, franzindo o nariz pela bagunça entre suas coxas, mas logo se recompôs, estendendo a mão para ajudar Felix a se levantar e fazer o mesmo com a própria roupa.
— Meio injusto, você ainda está praticamente vestido enquanto eu já gozei! — Felix resmungou, os olhos semicerrados, embora um sorriso malicioso pendesse do canto dos lábios.
— Você também está de calças, querido… mas, bem, pelo menos eu posso me gabar disso. — Jeongin cantarolou, triunfante, puxando o namorado para junto de si.
Os lábios se encontraram num beijo calmo, sem pressa. Moviam-se com naturalidade até o corpo de Jeongin sentir o toque suave dos lençóis atrás de si – o colchão macio do, até então, seu quarto. Em um reflexo, ele puxou Feliz, fazendo com que ambos caíssem juntos sobre a cama.
Felix sorriu contra seus lábios antes de beijá-lo com mais intensidade. Suas mãos se tornando um pouco mais ousadas, explorando cada curva do corpo de Jeongin, como se quisesse gravar cada centímetro em sua memória tátil. Um mordiscar provocativo no lábio inferior veio junto de um olhar carregado de desejo.
Em um movimento rápido, Felix se afastou apenas o suficiente para alcançar a cintura de Jeongin. Seus dedos encontraram o cós da calça, aquela mesma peça que havia sido vestida com tanto cuidado. Agora, com um gesto firme, ele a puxou de volta para fora, despindo o namorado por completo mais uma vez
Jeongin se deitou com os olhos semicerrados, os fios platinados espalhados sobre o travesseiro como uma moldura suave.
O quarto, iluminado apenas por um feixe de luz vindo da sala – ou melhor, da televisão, ainda ligada –, parecia envolvê-los em uma bolha de calor e silêncio confortável. Seu corpo, ainda sensível, se arqueou levemente quando Felix se acomodou ao seu lado, os dedos deslizando com reverência por sua cintura exposta.
— Você está tão bonito assim…
— Cansado? — Jeongin indagou de forma retórica, engolindo a timidez súbita que subiu em seu rosto, a risada trêmula.
Felix soltou uma risada abafada.
— Eu diria entregue.
Jeongin revirou os olhos e o puxou para mais perto, o tom provocativo voltando à voz.
— Então por que você não aproveita esse momento pra ser um bom namorado e me fazer gozar, sim?
Felix sorriu, descendo lentamente pela cama, deixando um rastro de beijos preguiçosos pela pele de Jeongin – ombro, muito perto do local que havia mordido, a marca começava a ganhar cor, peito, barriga… até se posicionar entre suas pernas. Seus dedos deslizaram pela base do plug, brincando com a borda, pressionando de leve. Jeongin mordeu os lábios, os quadris tremendo sob o toque calculado.
— Lixie… — Ele suspirou, os olhos fechando-se por instinto.
Felix ergueu o rosto com um sorriso sutil, quase preguiçoso, e então começou a puxar o plug devagar – dolorosamente devagar. O som úmido e abafado rompendo o silêncio do quarto fez Jeongin gemer, contido e um pouco desesperado, como se a ausência repentina deixasse um vazio maior do que o esperado.
Sem pressa, Felix levou o plug à boca, passando a língua pela ponta com curiosidade, provando a si mesmo misturado a Jeongin. Os olhos nunca deixando o corpo estirado à sua frente. Ele parecia maravilhado – tanto pela imagem quanto pela reação que provocava.
— Você é um perigo. — Jeongin resmungou, mas a frase perdeu toda a força no instante em que o plug voltou a pressioná-lo, agora ainda mais úmido pela língua de Felix.
Os dedos dele guiaram o brinquedo com facilidade de volta à entrada, girando-o levemente, apenas o bastante para provocar um espasmo involuntário. Jeongin arqueou-se, os dedos se cravando nos lençóis em busca de estabilidade.
— Eu quero ver você usando isso quando a gente sair pra jantar. — Felix provocou, o tom brincalhão escondendo um desejo real.
— Não mesmo. — Jeongin gemeu, arrancando uma risada de Felix.
— Seria divertido. — Ele continuou, seus lábios agora roçando a parte interna da coxa do namorado com beijos suaves, contrastando cruelmente com a pressão constante do plug. — Você não poderia fazer barulho…
Jeongin gemeu, os quadris tremendo involuntariamente quando a língua de Felix roçou seu comprimento, lenta, provocativa, quase como se ele estivesse debochando do namorado.
— E você é um pouco vocal demais… então seria divertido. — Felix continuou, como se conversasse sobre o clima, mesmo enquanto provocava arrepios em cada centímetro do corpo à sua frente. — Seria ainda melhor se eu pudesse controlar a vibração. Aposto que você já viu algum desses pela internet
— Lee Felix… — Jeongin gemeu, o nome escapando de sua garganta como um lamento arrastado.
— Você gostaria disso?
Ele não esperava uma resposta. Nem precisava. O corpo de Jeongin era um livro aberto – arfando, se curvando, estremecendo a cada toque mais decidido. Felix deslizou as mãos pelas coxas do namorado, afastando-as com calma até deixá-lo completamente exposto e vulnerável sob sua atenção.
Com o plug ainda encaixado, Felix começou a girá-lo devagar, para um lado, depois para o outro, provocando ondulações de prazer que reverberavam pela espinha de Jeongin como se cada nervo estivesse em chamas. O mais novo gemeu, alto, o som rouco ecoando pelo quarto, os dedos apertando o lençol como se aquilo pudesse mantê-lo ancorado.
— Por favor, Lixie… — Ele sussurrou, quase implorando, o rosto virado contra o travesseiro. — Eu vou te matar se você não me tocar de verdade nos próximos trinta segundos.
Felix riu, os olhos brilhando em adoração. Ele mordeu o lábio inferior, lutando contra o próprio ímpeto de simplesmente ceder ao desejo. Mas havia algo irresistível em ver Jeongin assim – rendido, implorando, com a pele arrepiada e o corpo suplicando por mais. Ele empurrou pela última vez, deixando os murmúrios de Jeongin vagarem pelo quarto e, com cuidado, retirou o plug,
Jeongin estremeceu, o vazio repentino arrancando um gemido entre o alívio e a frustração. Mas não houve tempo para lamento.
A língua de Felix o substituiu quase imediatamente, quente e firme, lambendo devagar, saboreando, pressionando, entrando com movimentos lentos e circulares.
Felix manteve o ritmo, uma das mãos segurando firme a cintura do namorado enquanto a outra deslizava por sua coxa, massageando, oferecendo contraste entre o toque firme e o deslizar molhado de sua língua. A respiração de Jeongin ficou irregular, os quadris movendo-se em busca de mais, o corpo inteiro se tensionando
O som que escapou da garganta de Jeongin foi tudo o que Felix precisava para continuar. A língua circulando a área enquanto seu dedo o invadia – um deslizando com precisão pela entrada sensível, o outro pressionando com firmeza, o provocando devagar, mas com determinação. Ao mesmo tempo, sua mão livre afastava ainda mais as pernas do namorado, abrindo espaço para explorá-lo com liberdade.
Jeongin se arqueou sob ele, os músculos da coxa tremendo, a respiração entrecortada, os lábios soltando gemidos baixos, entrecortados pelo nome de Felix, repetido como uma prece impaciente.
E quando ele tentou levar a própria mão até seu pau, buscando alívio, Felix o interrompeu no mesmo instante, entrelaçando seus dedos e afastando a tentativa com firmeza.
— Você não pode se tocar. — Ele murmurou, sua voz rouca vibrando entre os corpos, enquanto substituía a língua pelo segundo dedo, mergulhando-o com suavidade.
— Felix! — Jeongin protestou, a voz engasgando em um gemido, o corpo se contorcendo sob o toque. Ele tentou soltar a mão, mas a pegada de Felix era firme.
— Tenho planos melhores pra você.
Ele curvou os dedos no interior de Jeongin, pressionando exatamente onde sabia que faria o mais novo perder o controle, enquanto espalhava beijos molhados e lentos pela coxa trêmula do mais novo.
— Eu também tinha planos. — Jeongin resmungou, puxando-o para mais perto, seus corpos se encontrando no meio do movimento, colidindo com naturalidade. Felix desequilibrando-se ao cair em cima do namorado.
— Tinha? — Felix ergueu uma sobrancelha, curioso, a ponta dos dedos ainda dançando dentro do outro.
— Sim… — Jeongin gemeu, arfando. — E nenhum deles envolvia você me dobrando hoje.
A risada de Felix foi baixa, aquecendo a pele entre seus corpos. Ele deixou um beijo bem no centro do peito de Jeongin, onde o coração batia rápido demais.
— Eu não tinha pensado nisso, mas... a sua sugestão não é uma má opção.
— Lee Felix! — Jeongin protestou,
Felix riu com gosto, os olhos brilhando com a imagem à sua frente. Havia algo hipnotizante em ver Jeongin assim – suado, ofegante, manhoso.
— Queria que você se visse agora. — Ele sussurrou, os dedos se afundando ainda mais, marcando novamente aquele ponto escondido com exatidão.
Jeongin arqueou de novo, os dedos cravados no edredom, a boca entreaberta, mas sem conseguir formular uma palavra. Um som agudo e doce escapou de seus lábios, como um pedido sem fala, puro instinto.
Felix sorriu, encantado, como se estivesse tocando algo sagrado.
— Lix… por favor…
Felix se moveu devagar, deslizando o corpo por cima de Jeongin, os rostos tão próximos que seus narizes quase se tocavam, dividindo o mesmo fôlego quente e entrecortado. Seus dedos deixaram o interior do namorado com a mesma reverência com que haviam entrado – o som úmido do gesto sendo engolido pelo silêncio denso que pairava no quarto. Jeongin se remexeu sob ele, os músculos contraindo involuntariamente, o corpo suspenso entre a urgência e o prazer.
— Você quer que eu entre em você de novo? — Felix perguntou, a voz rouca, os olhos fixos na pele quente e exposta do namorado. — Ou prefere inverter?
Jeongin virou o rosto, a respiração falhando por um segundo. As bochechas estavam ruborizadas, os olhos brilhando com aquele desejo contido que o deixava vulnerável.
— Você consegue se abrir? — Ele provocou, a tentativa de ironia morrendo diante do cansaço evidente em sua voz.
Felix riu com suavidade, deixando a mão escorregar pela cintura do outro antes de se afastar.
— Que péssimo namorado eu seria se não conseguisse — Cantarolou com um sorriso torto, levantando-se e tirando a própria calça com movimentos lentos.
Jeongin se ergueu parcialmente, apoiando-se nos cotovelos para observar Felix. Seu olhar percorreu cada centímetro da pele exposta do namorado, admirando a forma como seus músculos se moviam sob a luz suave, como se fossem esculpidos apenas para ele.
Felix se ajoelhou entre suas pernas, inclinando-se para frente até que seus corpos se tocassem novamente. A pele quente contra pele quente. Seus lábios se encontraram em um beijo calmo, antes de se afastar o suficiente para pegar o lubrificante jogado na cômoda ao lado da cama.
— Eu posso... — Jeongin começou.
— Não precisa — Felix o interrompeu, já abrindo a embalagem, o olhar sereno mas decidido.
Jeongin sorriu e se acomodou de forma que o namorado pudesse manter o corpo sobre o seu, apoiando uma das mãos bem ao lado de sua cabeça. A outra, agora untada com lubrificante, deslizou para trás, com um tremor discreto que denunciava tanto excitação quanto nervosismo.
Um gemido abafado escapou dos lábios de Felix assim que sentiu o próprio dedo penetrá-lo, o corpo reagindo em ondas sutis.
— Lix — Jeongin sussurrou, segurando seu rosto com carinho. — Eu estava só te irritando, eu posso fazer isso.
— Tá tudo bem — Felix garantiu, o beijando de novo, deixando que Jeongin engolisse seu suspiro trêmulo ao empurrar o dedo mais fundo.
Jeongin levou as mãos às costas do namorado, acariciando sua pele com delicadeza. Seus dedos logo encontraram os de Felix, e com um impulso suave, o ajudou a ir mais fundo, arrancando-lhe um gemido abafado que fez seu corpo fraquejar.
Jeongin sorriu, permitindo que Felix voltasse a mordiscar seu pescoço, relembrando o exato ponto onde havia deixado a marca anterior. Com os dedos trêmulos, alcançou o frasco de lubrificante e o inclinou, deixando o líquido escorrer sobre a entrada do namorado, agora mais receptiva.
— Innie... — Felix gemeu em seu ouvido, estremecendo com o toque gélido antes de introduzir o segundo dedo.
— Você está indo tão bem — Jeongin murmurou contra sua têmpora, acariciando seus cabelos. — Mas isso não quer dizer que eu não precise de você urgentemente, gatinho.
Felix soltou um gemido longo quando Jeongin, com calma, também inseriu um dedo, deixando-o com três dentro de si. Por um instante, manteve-se imóvel, permitindo que o corpo do namorado o aceitasse, antes de começar a mover o dedo em um ritmo lento e cuidadoso, guiando Felix a acompanhá-lo.
— Tudo bem...? — Jeongin perguntou, a voz mais baixa agora, carregada de cuidado.
— Sim — Felix respondeu, o som abafado contra sua pele. — Você pode continuar…
Jeongin prosseguiu os movimentos com cuidado, o dedo deslizando dentro de Felix com uma precisão quase reverente. Sentia os músculos do namorado cederem pouco a pouco, tremendo ao redor dele, até que começaram a se moldar àquela invasão com uma docilidade que o deixava ainda mais duro.
O rosto de Felix permanecia escondido na curva de seu pescoço, os gemidos abafados se dissolvendo contra a pele úmida de suor. Jeongin distribuía beijos lentos por seus ombros e pela nuca, intercalando-os com toques mais ousados – dedos que escorregavam pelas costas, unhas que arranhavam de leve, apenas o suficiente para provocar arrepios e sorrisos ofegantes.
Quando sentiu que o corpo do outro já aceitava bem os três dedos, decidiu provocá-lo. Retirou um deles de forma súbita, deixando apenas os dois dedos de Felix. O soluço que o moreno soltou contra seu pescoço foi puro prazer, abafado, como se tivesse sido arrancado de seu peito sem permissão.
Felix mordeu os próprios lábios, tentando conter o tremor involuntário dos quadris que buscavam mais fricção, mais toque. Ele afastou o rosto do pescoço de Jeongin apenas o suficiente para encará-lo. Seus olhos estavam marejados e pesados de desejo, as pupilas dilatadas, as bochechas coradas. A respiração saía em suspiros entrecortados.
— Ok, — Ele murmurou, com a voz rouca. — Estou pronto.
Jeongin assentiu em silêncio, seus olhos fixos nos de Felix. Segurou o pulso do namorado com delicadeza e, com lentidão, o puxou, retirando os dedos. Felix gemeu ao sentir o vazio, o som arrastado e carente escapando de sua garganta. Antes que qualquer um deles tivesse tempo de pensar, Jeongin o virou com firmeza e o deitou nos lençóis, ficando por cima num movimento fluido.
— Se for demais-
— Eu te aviso. — Felix completou, puxando-o pela nuca para mais perto. — Mas eu estou bem, querido. Só queria te pedir algo.
Jeongin arqueou uma sobrancelha, parando os movimentos e esperando.
— Você não pode gozar.
O mais novo piscou, surpreso, o coração batendo com força. Felix riu baixo ao ver sua expressão, e beijou-lhe a bochecha com carinho.
— Juro que você vai me matar, e vai ser ridículo eu ter que te assombrar por uma eternidade!
— Você não pode gozar, não antes de mim.
Jeongin soltou um resmungo, o rosto enterrado na curva do pescoço de Felix por um segundo, tentando se recompor. Ele estava duro há tempo demais, o corpo em ponto de combustão, e ouvir aquilo só deixou tudo ainda mais intenso. Mas ele assentiu.
— Tá bom. — Sussurrou, contra a pele do namorado.
Ele faria qualquer coisa que Felix o pedisse, não importasse o que fosse.
Felix sorriu, satisfeito, puxando-o para um beijo lento.
— Então estou pronto.
Jeongin se acomodou entre suas pernas, uma das mãos deslizando até a base do próprio pau, guiando-se com calma. A cabeça roçou contra a entrada já sensível, e Felix gemeu, um som baixo, quebrado.
E então, em um único movimento firme e contínuo, Jeongin o preencheu por completo.
Felix arqueou levemente o corpo, os olhos fechados, a boca entreaberta, como se fosse incapaz de suportar tanta sensação de uma vez só. Jeongin começou a se mover com controle absoluto, cada estocada medida, profunda, como se estivesse decorando a sensação de tê-lo por dentro e por fora, como se cada impulso fosse mais uma forma de memorizar Felix por inteiro.
Sua mão esquerda entrelaçou os dedos com os de Felix, apertando com ternura, enquanto a outra se firmou em sua cintura, guiando os movimentos com firmeza.
— Olha pra mim. — Pediu, fazendo com que Felix abrisse os olhos.
Jeongin sorriu, e naquele instante, mesmo tremendo sob o peso do prazer, parecia imensamente calmo. Seu corpo se moldava aos movimentos de Felix, empurrando-o, como se soubesse exatamente onde aquilo os levaria.
— Innie… — Felix suspirou, puxando-o pela nuca até que seus lábios se tocassem outra vez.
Os quadris de Jeongin encontraram um ritmo firme e profundo, empurrando-o até o limite. Os gemidos de Felix, antes contidos, tornaram-se mais altos, mais indecentes, arrancados sem culpa a cada nova estocada. Jeongin se movia como se soubesse exatamente o que fazer para deixá-lo em pedaços – e montá-lo de novo, do zero.
E quando Felix começou a implorar, em pequenos sons arrastados e curtos, Jeongin acelerou. Seus corpos colaram-se ainda mais, suados, ofegantes, até que nada mais existia além daquele momento. Sem barreiras. Sem vergonha. Só desejo e confiança.
— Eu estou perto. — Felix disse contra seus lábios.
Jeongin sorriu, segurando suas pernas, dobrando-as contra o peito, fazendo com que a penetração fosse ainda mais intensa. Felix agarrou seus ombros, os olhos entreabertos e a boca entreaberta, completamente entregue à sensação.
E no momento em que Jeongin deslizou uma das mãos para o meio das pernas de Feliz, tocando-o no ritmo das estocadas, o mais velho arqueou o corpo inteiro.
— Porra. — Ele resmungou, pego de surpresa pela intensidade. — Innie…
O nome saiu em meio a um sussurro sufocado, logo engolido por um orgasmo que atravessou Felix como um raio – quente e devastador. Seu corpo se apertou ao redor de Jeongin com força, levando o mais novo à beira do abismo.
Jeongin o segurou com força, gemendo baixo contra sua boca, lutando contra o próprio corpo para não acompanhá-lo, mesmo com cada músculo implorando por alívio.
Ainda arfando, Felix sorriu, meio zonzo, meio bêbado de prazer.
— Eu deveria deixar você vir? — Felix o provocou, a voz se perdendo quando Jeongin o empurrou mais forte. — Você foi um péssimo namorado sumindo por uma semana.
— Felix-
— Talvez você não mereça vir. — Ele prosseguiu, prendendo suas pernas ao redor de Jeongin, o forçando a ir mais fundo, enquanto ignorava qualquer resmungo indecifrável do mais novo. — O que você acha, querido?
— Lixie, — Jeongin gemeu, a voz se perdendo. — Por favor. Me desculpa eu juro- porra. Eu te amo tanto e senti tanta sua falta.
Felix o puxou novamente, prendendo-o ainda mais.
— Aposto que sim. — Ele murmurou, beijando a têmpora do mais novo.
Não era difícil perceber que Jeongin estava em seu limite – Felix o mantinha sob seu corpo, com as pernas entrelaçando sua cintura, as mãos arranhando despreocupadamente suas costas e um sorriso despreocupado estampado em seu rosto. Jeongin estava uma bagunça, sem um ritmo constante, tremendo e vocal implorando por “por favor” como se esse pedido fosse uma prece sagrada.
Felix o beijou, embora Jeongin sequer conseguisse retribuir, a boca entreaberta deixando que Felix fizesse o que bem entendesse.
— Ok, agora… — Ele murmurou, sua própria voz falhando. Você pode gozar pra mim, querido
Jeongin afundou-se mais uma vez dentro dele e, com um gemido abafado contra o pescoço de Felix, finalmente, gozou também. O corpo inteiro se contorceu, os músculos se contraíram em espasmos intensos, agradecimentos saindo de seus lábios sem ao menos ter controle sobre isso. Então ele caiu sobre o peito do namorado, ofegante, suado, exausto.
Os dois tremendo juntos, colados, até que o mundo ao redor pareceu derreter, restando apenas o calor dos corpos e o silêncio satisfeito da intimidade partilhada.
Com cuidado, Feliz deslizou os dedos pela cintura do namorado, oferecendo um carinho reconfortante. Sentia-se inundado de amor e desejo e algo quase reverente.
— Quer que eu saia? — Jeongin Perguntou baixinho, a voz rouca pelo esforço de se conter por tanto tempo.
Felix balançou a cabeça, os olhos ainda fechados.
— Ainda não. Fica… só mais um pouquinho. — Sussurrou, os braços envolvendo-o com mais força, como se temesse que ele desaparecesse.
Jeongin assentiu, mesmo que Felix não pudesse ver. Afundou o rosto no cabelo dele, respirando seu cheiro com calma. Um silêncio confortável se instalou entre eles, quebrado apenas pelos sussurros de suas respirações entrelaçadas.
Quando o corpo de Felix finalmente começou a relaxar por completo, Jeongin moveu-se com delicadeza, saindo de dentro dele com um cuidado quase cerimonial. Felix soltou um suspiro baixo ao sentir o vazio, mas não reclamou. Apenas se aconchegou nos braços de Jeongin, ainda vulnerável, ainda entregue.
Foi então que Jeongin esticou a mão para o plug que ainda repousava ao lado da cama. Seus dedos o pegaram com hesitação, e ele olhou para Felix, em busca de permissão silenciosa.
Felix abriu os olhos, um brilho malicioso e satisfeito neles. Assentiu devagar
Jeongin beijou sua clavícula antes de guiá-lo com doçura para o lado, deixando-o de bruços. E então, com a mesma paciência com que havia construído o momento todo, pressionou o plug em sua entrada, observando atentamente cada reação.
Felix gemeu, abafado contra o travesseiro, o corpo estremecendo com a sensação de ser preenchido mais uma vez.
— Então… talvez eu apoie a ideia do restaurante. — Jeongin falou, beijando com delicadeza o ombro do namorado.
O moreno riu, fraco.
Felix virou-se, aninhando-se nos braços do mais novo.
— A gente devia tomar um banho... — Resmungou, a voz rouca e arrastada, ainda embebida em cansaço. — Mas eu não quero sair daqui. Ainda não.
Jeongin sorriu de canto, os dedos traçando linhas suaves nas costas suadas de Felix.
— Ok, volto em um minuto. — Falou, relutante em se afastar. Mas, eventualmente, levantou-se com cuidado e desapareceu pelo corredor silencioso do apartamento.
E antes que Felix pudesse reclamar da solidão, Jeongin surgiu com uma delicadeza silenciosa, carregando um pano úmido em uma mão e, na outra, uma garrafinha de água e uma barra de chocolate.
Felix sorriu ao vê-lo, os olhos suaves. Deixou que o mais novo o limpasse – ou fizesse o melhor possível, dadas as circunstâncias.
Em seguida, Jeongin caminhou até o banheiro, retornando minutos depois, também limpo.
— Eu posso tirar o edredom agora ou o príncipe não vai deixar?
— O príncipe não vai deixar. — Felix gemeu, manhoso, os braços se abrindo em convite explícito.
Jeongin riu baixo, baixinho, e deitou-se novamente ao lado do namorado. Puxou-o para perto com delicadeza, até que os corpos se encaixaram como peças de um mesmo quebra-cabeça. As pernas se entrelaçaram sob o edredom amassado, a pele de um colando-se à do outro, quente e úmida.
— Você está bem? — Murmurou, os dedos deslizando pelos fios bagunçados do cabelo de Felix.
— Uhum… — Felix respondeu, a voz sonolenta e cheia. — Estou inteiro. Exausto, mas inteiro. Você?
Jeongin hesitou, franzindo o nariz com leveza, como se ponderasse as palavras antes de dizê-las.
— Você não costuma tomar tanto as rédeas da situação. Fiquei meio surpreso no começo. — Admitiu, rindo de si mesmo. — Mas eu estou bem. Na verdade… você foi ótimo.
Felix não respondeu de imediato. Apenas ergueu o rosto e encostou o nariz ao pescoço de Jeongin, respirando fundo, como se buscasse um porto seguro.
— Ok, isso é bom. — Felix falou, baixinho, deixando o silêncio se prolongar por alguns instantes.
Jeongin sentiu a respiração de Felix desacelerar, como se cada toque dissolvesse os últimos vestígios de tensão em seu corpo. As pontas de seus dedos traçaram desenhos invisíveis nas costas nuas do namorado, contornando lentamente a espinha
— O que você está pensando, hum?
Felix riu.
— Nossa cama. — Ele respondeu, e aquilo foi o suficiente para que Jeongin soltasse uma risadinha curta, derretida.
— Eu te amo. — Felix continuou. — Tipo, cada parte sua.
— Eu também amo você… — Murmurou, como se fosse a coisa mais simples do mundo. E, para ele, era.
Jeongin passou o polegar pelo canto de seus lábios e o beijou novamente – sem pressa, sem urgência, apenas para sentir. Felix se deixou levar, os corpos se acomodando em um ritmo que só eles entendiam.
