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Servir e rezar pelo melhor (Aaríssimo)

Summary:

Quando o clã Strach é derrubado pela má administração dos últimos líderes, Aaron se vê como os outros sobreviventes daquela guerra civil: afundado em dívidas até o pescoço, devendo até a alma para o clã Veritatis. Sem ter como pagar as dívidas, e querendo poupar seu afilhado pequeno Jaser de um futuro sombrio nas mãos da máfia, ele resolve se oferecer como soldado ao clã dominante como forma de garantir a segurança de Jaser.
Veríssimo, líder do clã Veritatis, por outro lado, parece ter planos diferentes ao ver aquele belo jovem diante dele.

Notes:

Dia 4 da week, tema: máfia.

Work Text:

— Senhor Veríssimo, este é o rapaz de quem falei, Aaron Strach.

Aaron conhecia aquela voz, a voz do homem para quem tinha se entregado e oferecido os serviços ilegais que antes prestava para o clã de seu nome. Ele sequer ousava erguer os olhos para encarar o homem no sofá. Via na penumbra que cobria a sala o reflexo de luz no sapato de couro preto engraxado, as meias acetinadas que cobriam o tornozelo do homem responsável por decretar o fim de seu clã, e se escondiam sob a calça cinza de alfaiataria. O pé batia lentamente contra o tapete peludo que cobria o centro da sala. O homem respirou fundo antes de dizer algo.

— O sniper. — observou com sua voz grave e aveludada que arrepiou a nuca do atirador.

— O sniper. — o outro homem concordou. — Ele se entregou por livre e espontânea vontade e se ofereceu para servir ao clã Veritatis, jurando lealdade ao senhor.

— E você…? — o líder começou a pergunta e não terminou, deixando no ar, esperando que seu subordinado entendesse onde aquilo levava.

— Reuni toda informação possível a respeito dele. — disse sacando do bolso o celular de onde leria as informações para o chefe. — Nasceu na família Strach, serviu por obrigação, não parecia amar demais seus familiares, mas sempre foi obediente. Foi treinado no exército, tem 32 anos. Não estava em casa no dia da chacina, tinha viajado com o filho adotivo, um moleque de dez anos chamado Jaser. Os pais biológicos da criança são desconhecidos. Não possui ficha criminal, é reservista, não frequenta nenhum tipo de clube, nem templo religioso, também não cursou nenhuma faculdade, e não possui nenhuma dívida externa. Externa, por que como descendente dos Strach, tecnicamente ele nos deve a vida.

— Três anos mais velho que a Mia, o filho dele. — o líder se levantou sem pressa, caminhando lentamente os poucos passos que o separavam do sniper, parando diante dele como se o avaliasse.

Aaron sentiu o olhar frio queimar sua pele, o encarando diretamente. Então os dedos longos e calejados ergueram seu rosto pelo queixo, obrigando o Strach a encarar seu futuro líder ou assassino. Os olhos castanhos frios penetravam sua alma e roubavam seu ar, os dedos que apertavam seu rosto pareciam ásperos em sua pele, mas faziam-no ferver de algum jeito. Não sabia se era medo ou algo diferente, mas sentia-se paralisado ali diante do líder do clã Veritatis. Certamente a postura aterrorizante e elegante que o líder de uma organização como aquela precisava ter mesmo. 

— Seu clã me devia muito dinheiro, senhor Strach. É muita coragem sua aparecer em minha casa quando meus homens mataram os líderes do seu clã há tão pouco tempo.

As palavras duras e diretas poderiam ter feito qualquer homem chorar, mas Aaron tinha três certezas na vida: 1) morreria. 2) protegeria Jaser a qualquer custo. 3) Veríssimo não mataria um pai solteiro de uma criança quase da idade de sua própria filha.

— Eu sei. Se me permite dizer, sou grato por ter matado Abraão. Eu mesmo o teria feito se tivesse suporte. — reunindo toda sua coragem, Aaron respondeu.

— E me mataria também, se tivesse suporte ? — Veríssimo perguntou numa provocação explícita.

— Nunca jurei lealdade ao Abraão. As coisas são diferentes. Vim oferecer meus serviços de bom grado, sei que pode encontrar bom uso pra mim em suas fileiras. Em troca só peço proteção ao meu filho, ele é tudo o que eu tenho, não quero que ele perca a infância dele por causa da família de merda que tivemos.

Veríssimo pareceu pensar por um instante antes de responder, soltando o rosto do mais jovem, mas sem parar de encará-lo profundamente nos olhos.

— Então jura lealdade a mim? Mesmo se eu me provar um tirano?

— Eu sei que você é melhor do que isso, não tenho dúvidas, senhor Veríssimo. 

— E se eu for um degenerado?

— Pode fazer o que quiser comigo e serei leal, contanto que Jaser esteja seguro.

Um sorriso leve se desenhou nas feições maduras do líder, que virou-se, voltando à sua posição anterior ao sentar-se confortavelmente em sua poltrona. Os olhos voltaram a observar o jovem desertor Strach à sua frente. Veríssimo inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos sobre os joelhos e encarou o novato. Aaron não devia ter mais de trinta anos; seu rosto era marcado pela seriedade, mas seus olhos brilhavam com coragem, o que não evitava que o líder do clã Veritatis pudesse sentir seu medo através deles, mas reforçava que mesmo com medo o jovem estava disposto a encarar o que fosse pelo bem de seu filho.

Veríssimo dirigiu seu olhar para os outros presentes na sala e fez um sinal com a cabeça para que deixassem a sala. Os homens se curvaram em reverência a ele e então, um a um, deixaram o local, o último fechando a porta atrás de si, deixando apenas o líder e o desertor do clã inimigo na sala. Aaron permanecia de joelhos, aguardando o que fosse — sua aprovação, sua rejeição, sua morte; o que viesse —, quando o mais velho fez um sinal com a mão, um convite.

— Chegue mais perto, aqui na minha frente, Aaron Strach.

O sniper se levantou e caminhou até o mais velho, parando diante dele, as mãos juntas na frente do corpo, os ombros tensos. Tentava manter sua respiração controlada, não demonstrar medo, mas os olhos treinados e o espírito calejado sabiam bem que o líder estava perfeitamente armado naquele momento, e se quisesse tirar sua vida, o faria. Uma pistola apoiada casualmente sobre a mesa ao lado da poltrona deixou claro suas suposições, mas, mais do que isso, aquela pistola era um teste. Se Aaron tentasse roubá-la para atacar o líder, imediatamente seria abatido por ele… mas pensar sobre isso era estranho. A porta estava fechada, não encostada. A menos que tivesse outra pessoa escondida na sala, poderia ser tarde demais quando alguém viesse ao socorro do líder, caso Aaron tentasse algo contra o homem.

— De joelhos.

A ordem veio simples; o sniper obedeceu sem pensar, ajoelhando-se diante do homem e abaixando sua cabeça. Matar o líder com todos aqueles soldados espalhados pela casa e sem um plano decente de fuga era uma ideia imbecil, idiota. Ele não queria briga com aquela gente, muito pelo contrário, estava disposto a se humilhar para proteger Jaser. O garoto merecia uma oportunidade melhor do que ele tivera, merecia felicidade, uma infância e adolescência normais, uma oportunidade de uma vida livre de todos os pesares que a vida de um mafioso traziam.

— Bom garoto.

Aquelas palavras podiam ser terrivelmente ofensivas e algum modo; Aaron não era uma criança, muito menos um cachorro, para ouví-las, mas por algum motivo, talvez fosse o tom aveludado da voz do mais velho ou o jeito como ele levou as mãos aos seus cabelos e os afagou gentilmente, talvez o fato de que ele tinha toda aquela aura, aquela postura que fazia Aaron tremer em seu íntimo,... o efeito tinha sido, inesperado.

Seu rosto estava quente, ele não conseguia erguer a cabeça para encarar o homem, algo em seu corpo teimava em querer ter a pior reação possível com aquilo. Era um masoquista por acaso? Engoliu seco. Viu a mão do homem diante de seu rosto e instintivamente soube o que devia fazer, erguendo suas duas mãos para segurá-la com delicadeza e beijando a pedra de seu anel como se estivesse a cumprimentar o papa ou um rei. Malditos mafiosos e seus rituais, porque aquilo tinha que ecoar em sua mente de forma tão… 

“E se eu for um degenerado?”

Ele realmente não imaginava o que se passava na mente do sniper naquele momento. Descendo os lábios pelos dedos calejados, pegando o dedo médio com sua língua e trazendo-o para o interior quente e molhado de sua boca, envolvendo-o com seus lábios e sugando-o gentilmente. Erguendo seus olhos tomados de malícia e erotismo para ver o rosto do mestre enquanto chupava seu dedo de forma obscena, fazendo-o imaginar como seria quando colocasse outra coisa dentro daquela boca. Ah!

Voltou à realidade antes de fazer qualquer besteira, soltando a mão do mais velho e afastando o rosto sem ser capaz de dirigir o olhar para ele. Como podia estar pensando em tanta coisa indecente?

— Você jura pela sua vida e pela vida das pessoas que lhe são mais preciosas que será leal a mim pelo resto de seus dias, Aaron Strach?

— Eu juro, senhor Veríssimo, por tudo que me é mais precioso. Se eu estiver mentindo, pode me matar, me torturar. — respondeu sem pensar. As palavras que saíam de sua boca pareciam mais vergonhosas agora que sua mente tinha distorcido aquela situação toda de forma tão dramática. Céus! Como era degenerado! O primeiro dia naquela casa e de repente só conseguia pensar em como tudo aquilo era erótico.

Em defesa de Aaron, ele normalmente não era do tipo libertino. Na verdade, era extremamente raro que se interessasse por qualquer pessoa, mais raro ainda que esse interesse envolvesse atos libidinosos, então reagir àquilo era ainda mais difícil. Sua mente estava lhe pregando peças e ele torcia para que não tivesse que se levantar imediatamente, sob risco de acabar perdendo a cabeça por uma imbecilidade como sexualizar seu chefe, sendo que era impossível não pensar algo daquele naipe quando um homem como Veríssimo estava diante de si. Seu rosto queimava de vergonha.

— Eu acredito em você, Aaron, ou melhor, eu quero acreditar em você, mas vou precisar de provas. Você entende, não? Você teria todos os motivos do mundo para me querer morto, somente suas palavras, por mais que eu queira acreditar que você odiava Abraão Strach e sua família, não significam muito diante da grandeza do conflito entre nossas famílias e da dívida que seu antigo clã teve comigo. — o jeito como ele falava estava tendo efeitos adversos sobre o sniper; sua voz grave e que naquele momento soava sugestiva, gentil, ao mesmo tempo que séria e imponente, faziam os pelos do corpo do mais novo se arrepiarem por completo, ainda mais depois de Aaron ter se imaginado submisso àquele homem pelos últimos dois minutos completos. — Você entende que precisamos levar isso a outro nível, não?

— S-sim. — não foi hesitação, mas excitação , que tornou a voz do sniper trêmula. Não era possível que aquele homem não soubesse o que estava fazendo consigo.

A atenção de Aaron voltou ao momento presente quando sentiu os dedos calejados segurarem seu queixo novamente, forçando-o a erguer seu rosto. Merda.

Aaron estava corado, não conseguia se permitir olhar para o homem diretamente, então manteve o olhar baixo, mesmo erguendo o rosto; o problema era que dessa forma o que ficava em seu campo de visão era a fivela de seu cinto, a braguilha da calça que ele tinha se imaginado abrindo com a boca, a camisa alinhada perfeitamente para dentro da calça. Ele usava aqueles suspensórios de cinta-liga para segurar a camisa no lugar? Merda, como parar de pensar naquelas coisas?

— Olhe pra mim, Aaron, nos meus olhos. Diga com clareza, isso é muito importante.

O sniper engoliu seco, mas obedeceu, erguendo os olhos para encontrar o rosto do líder. Por que, caralhos, aquele homem tinha que ser tão lindo? A barba bem alinhada, o cabelo penteado sem um fio fora do lugar, até as olheiras que tinha sob os olhos castanhos pareciam cooperar para sua beleza insana.

— Contanto que Jaser esteja protegido, senhor, eu sou seu para fazer o que quiser que eu faça. — dizer algo assim foi mais fácil do que imaginado, mas ao mesmo tempo completamente constrangedor, pois sabia que em partes queria que o homem fizesse alguns tipos específicos de coisas consigo naquele exato momento, e, ah, como era injusto não poder simplesmente realizar sua imaginação naquela hora.

— Ótimo. Eu o aceitarei, Aaron, mas quero que nunca se esqueça desse juramento. Você vai pagar pela sua dívida comigo com seu trabalho, e eu vou garantir que seu filho esteja protegido pela nossa organização, contanto que você continue sendo um bom garoto.

Um bom garoto.  

Aaron já tinha 32 anos, ser chamado daquele jeito não estava tendo nenhuma outra reação que não deixá-lo com um tesão absurdo ao qual não tinha direito. Sentia-se deixado no limite, sem poder se satisfazer daquele desejo, submetido à vontade de um dominador sádico que estava jogando consigo, brincando com seu desejo sem tocar em seu corpo e sem permitir que Aaron o tocasse também. Um jogo de poder e sedução que ele jamais pensou que jogaria, principalmente numa situação séria como aquela.

— Eu serei seu bom garoto , senhor. — sem nem perceber, respondeu à provocação com palavras que poderiam ser igualmente mal interpretadas.

Veríssimo sorriu.

Um sorriso discreto, de canto. Àquela altura, Aaron só agradecia a todos os deuses por ter escolhido uma calça escura para sair de casa, e por estar com uma jaqueta amarrada sobre a cintura. Aquela “reunião” precisava acabar logo, ou ele acabaria gozando nas próprias calças só com aquele jogo de poder e dominação que o estava deixando louco.

— Você é casado, Aaron?

A pergunta pegou o sniper de surpresa. Ele negou com a cabeça.

— Não, senhor. Nunca me casei.

— Certo, mas com certeza sabe o que é um casamento. — ele esperou um menear positivo da cabeça do sniper para continuar sua fala. — Sua relação com esse clã será como um casamento com algo a mais, meu jovem. Você vai dar tudo, vai dar sua alma por esse clã, vai cumprir cada ordem que eu lhe der com prazer. Enquanto você for bom, terá muito em troca, poderá crescer aqui dentro, poderá alcançar glória e riqueza, eu te tratarei como parte da minha família e cuidarei de você como cuidaria de alguém de alta estima para mim; mas se você nos trair, vai pagar da pior forma. Trate essa organização com o cuidado e estima que deveria tratar uma boa esposa, e então será recompensado por ela e sempre terá um lar para onde voltar.

Aaron curvou-se levemente em agradecimento.

— Obrigado por me dar essa oportunidade, senhor Veríssimo. Eu vou fazer por merecer a confiança que deposita em mim.

— Só tenho que pensar em um lugar para te encaixar melhor. — o homem relaxou na cadeira e pendeu a cabeça para trás. — Acho que executor seria o melhor cargo, mas não quero você longe agora no início. Quero você onde meus olhos possam te ver constantemente. Talvez te coloque para trabalhar com o Arnaldo; certamente seria uma boa opção, mas vou estudar a situação. Por ora, pode ficar comigo mesmo, vou ver o que faço com você.

Eu poderia até mesmo ficar sob sua escrivaninha se quisesse, Aaron pensou, mas não ousou dizer. Quando estava tentando se acalmar e levar a conversa de forma profissional, sua mente parecia lhe pregar peças, fazendo acreditar que havia alguma tensão sexual entre eles e que não era apenas ele mesmo que estava distorcendo tudo.

— Sim, senhor, estou ao seu dispor. O que me ordenar, farei. — foi o que conseguiu dizer sem acabar elevando aquela conversa a um roteiro de pornô.

— Bom garoto.

De novo. Ele precisava parar com aquilo ou deixaria o sniper louco.

— Você está bem? — a pergunta pegou Aaron desprevenido, e ele piscou olhando confuso para o mais velho. — Seu rosto está vermelho há algum tempo. Está se sentindo febril? As pessoas costumam ficar pálidas quando estão com medo, vermelhas quando estão com raiva, mas você não me parece irritado. Por acaso está com febre?

Não era possível que aquele homem não tinha percebido o que estava realmente acontecendo com Aaron! Mas, por outro lado, era bom que Aaron não entrava na organização já tomando um puxão de orelha por ter ficado com tesão no chefe da organização na primeira conversa deles.

— E-estou bem, senhor, obrigado por se preocupar.

— Estou curioso. Isso não vai afetar meu julgamento sobre você, senhor Strach, mas por acaso o senhor é gay?

Os olhos de Aaron se arregalaram com a pergunta repentina. O homem estava tentando adivinhar o que estava rolando consigo por eliminação? Merda. Se fosse isso, estava no sal, então. Estava perto demais de ser pego.

— Senhor? Não. Não tenho nada contra quem é, também, não é problema meu, mas não sou. — de fato, Aaron não gostava de se rotular. Raramente se atraía por alguém, então se acontecesse, era bem-vindo independente do gênero da pessoa.

— Hm. Desculpe-me perguntar de forma invasiva, só que estava pensando, já que não é casado e as investigações do Jhonny não citaram nenhuma mulher na sua vida; ele não teria deixado isso de fora se houvesse. Você é bonito e jovem, não deve ser falta de oferta.

Aaron estava perplexo com aquele assunto, seus joelhos começavam a doer depois de tanto tempo ajoelhado, mas o homem não parecia ter nenhuma pretensão de deixá-lo se levantar também.

— Isso… É só que não saio muito. É um pouco…

— Pessoal? Sim, mas estou tentando te conhecer um pouco melhor pessoalmente, não vejo necessidade de ler sobre sua vida quando posso perguntar diretamente. — Veríssimo deu de ombros. — Então gosta de mulheres, só “não sai muito”. E se eu te levar pra uma festa regada a drogas e prostitutas? É uma pergunta genuína.

Confuso, o sniper tentava entender que tipo de conversa era aquela, pois os sinais que o líder enviava eram confusos, já não estava entendendo mais. Parecia que ele queria uma conversa casual, mas, porque aquele tema?

— Eu lhe faria companhia e guarda, beberia um ou dois drinks por cordialidade se o senhor me convidasse a beber, mas não uso nenhuma droga, então não passaria disso. — respirou fundo e desviou o olhar mais uma vez antes de seguir com a resposta. — Honestamente, senhor, não tenho interesse em prostitutas. Para esclarecer diretamente, pois sei que essa resposta vai levar a mais confusão a respeito da minha sexualidade, eu não costumo me rotular, mas seria lido como bissexual, só que não é qualquer pessoa que me atrai, são casos raros. Nunca tive um envolvimento romântico duradouro também, então mesmo que revirem minha vida por inteiro, não vão encontrar nada relativo a isso. Minha vida é servir e obedecer, senhor, eu nunca tive tempo para gastar com esses pormenores.

Veríssimo ergueu as sobrancelhas e afirmou com a cabeça, o que se passava dentro dela foi um mistério para Aaron naquele momento de silêncio que se seguiu, mas que logo foi quebrado pela voz do líder.

— Isso explica muita coisa.

Muita coisa o quê? O pânico se instaurou dentro do sniper com aquela curta frase, ele mordeu a língua dentro da boca com alguma pressão para se acalmar. As mãos sobre o colo, inquietas, mexiam no couro da jaqueta amarrada sobre seu quadril.

— Então eu deveria me sentir lisonjeado. — o mais velho afirmou com a cabeça como se concordasse consigo mesmo antes de inclinar-se para frente, ficando a poucos centímetros do rosto de Aaron, que recuou um tanto, sentindo o rosto queimar ferozmente com a vergonha. — Você fica mais vermelho cada vez que eu digo “bom garoto”. A princípio achei que tinha ficado com raiva, mas com você mais perto percebi outras reações discretas suas. Eu sou um excelente observador, Aaron Strach, que sirva de aviso: você não conseguirá esconder nada de mim.

Um aviso, uma ameaça, o que quer que fosse, Aaron era incapaz de conter a excitação que lhe subiu junto com a vergonha ao ouvir aquilo. Merda. Tinha efetivamente sido pego pelo líder. O que seria de si agora?

O silêncio na sala era quase tão perturbador quanto a proximidade e falta de uma nova reação do líder do clã Veritatis. Aaron tentava não deixar sua respiração se abalar, mas era praticamente impossível agora. O jogo de provocações tinha cedido por um tempo, apenas para voltar com tudo agora, e ele não sabia como lidar com aquilo.

— Isso me faz um mau garoto ?

Se odiaria eternamente por falar aquilo daquela forma. De todas as opções de vocabulário que tinha para escolher naquele momento, aquelas palavras definitivamente eram as piores possíveis.

— Somente se mentir pra mim. Até agora você só escondeu. Quando estivermos sozinhos, não quero que me esconda nada, Aaron. Se você se esconde, eu não tenho como confiar em você.

O que aquilo significava? Merda. Aquele homem estava brincando consigo e ele estava caindo feito um patinho sem ter como fugir, afinal, ele era seu líder agora, e ele mandava em si. Seu membro se apertou novamente dentro da calça ao pensar outra vez nas dinâmicas de poder envolvidas com aquilo. Veríssimo mandava nele. Veríssimo era seu dono agora, seu mestre.

— Me perdoe, senhor, não foi minha intenção ofendê-lo de qualquer forma, seja pela minha reação ou pela omissão. — tentou não gaguejar ao dizer, completamente encurralado e envergonhado.

— Não me ofendeu, garoto. Estou há tempo demais nessa vida para me ofender com algo tão pequeno. Dito isso, espero que não se ofenda também com a próxima pergunta que farei. — uma bandeira vermelha; Aaron tentou se preparar para o que quer que fosse que ele diria a seguir, chegando a segurar a respiração por um breve período. — Estaria disposto a pagar pela sua dívida com seu corpo nesse sentido? Claramente eu não o faria se prostituir para quitar as dívidas da sua família, ao menos não no sentido tradicional da palavra.

Aaron assistiu estático enquanto o homem ajeitava sua postura na poltrona, pegando no bolso do paletó um maço de cigarros, do qual levou uma unidade aos lábios. Ao guardar o maço, pegou um isqueiro e o jogou para o sniper, que o segurou com bons reflexos, retornando à realidade para então se desajeitar um pouco a acender a chama para que o patrão acendesse o cigarro nela e desse então uma tragada profunda, soltando a fumaça aos poucos.

— Senhor Veríssimo… Está me pedindo para…

— Ser meu, corpo e alma, como você mesmo disse antes que seria. Você disse que seria meu para fazer o que eu quisesse que você fizesse, mas, veja bem, eu sou muitas coisas, Aaron, um assassino, um criminoso, um golpista, mas um estuprador não está entre elas. Se você disser que a isso não está disposto, eu verei o que mais posso pedir a você, já que não está entre meus costumes fazer com que meus subordinados me odeiem. Entretanto, se você por acaso estiver de acordo com essa proposta, eu sei exatamente o que fazer com você. Claro que isso ficará entre nós, seu garoto não ficará sabendo, mas penso que é a forma mais simples e eficiente de resolver nosso pequeno impasse.

— Impasse? — Aaron perguntou com a voz baixa. Aquela proposta era perigosa, ele sabia que era uma péssima ideia para sua imagem, mas não pretendia trair a organização nunca, e seu corpo queria muito concordar com aquela ideia sem vergonha.

— Sim. Eu terei um segredo seu que certamente você não vai querer que se espalhe, vai conseguir me satisfazer com seu trabalho e eu terei uma garantia de que você não vai me trair. Mas antes de tudo, caso seja sua intenção aceitar, o que penso que está cogitando, já que não descartou a ideia de primeira — Aaron estava cada vez mais envergonhado porque aquele homem o estava desvendando tão facilmente como ninguém antes tinha feito, e isso era visível em seu semblante vermelho —,devo deixar algumas coisas claras: eu não divido, se você aceitar isso, não quero que outras pessoas tenham acesso ao que me pertence. Dito isso, se você em algum momento quiser encerrar esse contrato, vamos conversar sobre como poderemos substituir esse serviço por outro que me seja benéfico.

— Eu posso… pensar sobre a proposta? — perguntou, hesitante em tomar a decisão tomado pelo tesão do momento.

— Não. — Veríssimo foi curto, fazendo o sniper engolir seco. — Você disse que cumpriria minhas ordens, então eu ordeno que me responda agora. Pode ser que eu desista dessa proposta amanhã, então você precisa me dar uma resposta enquanto te ofereço essa alternativa aos serviços que prestaria em nome do clã. Prefere tanto assim matar pessoas, invadir suas casas ou trabalho para cobrar dívidas em frente aos seus familiares e amigos? Diga-me, Aaron, você prefere ser meu ou ser do clã?

Seu corpo arrepiou-se completamente com aquela pergunta. Merda. Era dele no momento que o ouviu falar pela primeira vez com aquela voz grave e deliciosa, quando sentiu os dedos calejados dele contra a pele de seu rosto, ajoelhado entre as pernas dele querendo chupá-lo desde o momento em que aceitou o juramento de lealdade. Era dele, só precisava confirmar em palavras.

— Certo. — Aaron engoliu seco, mexendo-se inquieto no lugar e mordendo a parte interna do lábio antes de continuar. — Então eu sou seu. O que devo fazer agora?

Veríssimo sorriu de canto, quase sádico, satisfeito com a submissão do sniper. Aaron era lindo, talvez não tivesse noção do quanto, e suas cicatrizes, algumas delas visíveis subindo por seu pescoço, faziam o líder querer conhecer sua história mais a fundo noutra hora. Primeiro queria ver se aquele jogo todo tinha valido a pena. Com o cigarro pendendo entre seus lábios, desafivelou o cinto, desabotoando a calça e descendo o zíper deixando que o mais novo, aparentemente sedento sendo sinal seus olhos que não piscaram uma vez sequer enquanto acompanhavam o desenrolar de suas mãos, o observasse à vontade.

— Me mostre o que você sabe fazer.

Aaron não tinha como negar aquele pedido, vinha imaginando o que poderia fazer há algum tempo. Quase gemeu quando finalmente teve a permissão para tocá-lo, ainda mais quando dito daquele jeito, com aquela voz, naquele cenário.

— Com licença. — disse antes de apoiar as mãos nos joelhos do chefe, o coração acelerado como louco dentro do peito, dedos subindo pelas coxas do homem mais velho, apertando e alisando por cima da calça até alcançar o cós, inclinando o corpo em direção a ele, aproximando seu rosto do corpo dele.

Veríssimo se ajeitou na poltrona, movendo um pouco seu quadril em direção ao rapaz; seus olhares se cruzaram e o chefe lhe deu um sorriso ladino, vendo o mais jovem engolir seco enquanto gentilmente puxava o tecido de sua calça para o lado como se desembrulhasse um presente. Assistiu quando ele umedeceu os lábios com a língua. Os dedos do sniper puxaram sua camisa para cima, uma mão segurando o tecido acima de seu umbigo enquanto a outra ousava tocar-lhe a pele, sentindo seus músculos definidos entre os dedos. Ele não demorou a aproximar o rosto, beijando sua barriga, inicialmente com certa timidez, mas soltando-se aos poucos, permitindo-se fazer o que parecia querer há algum tempo.

Tinha percebido bem antes como o rapaz parecia lhe dedicar desejo constante em seu olhar, como às vezes parecia perder-se em suas fantasias imaginativas durante a conversa. Inicialmente não tinha pensado em usá-lo daquela forma, mas vendo suas expressões, começou a pensar em como seriam as que ele faria quando estivesse gemendo sob si. O rapaz tinha pouco mais da metade de sua idade, Veríssimo já tinha chegado aos sessenta, mas se o queria, e o sentimento era mútuo, por que não fazer bom uso daquilo? Honestamente não sabia dizer se seus homens se sentiriam confortáveis em ter um Strach em campo com eles, mas se pudesse usufruir do garoto apenas para si…

Aaron se sentia aos poucos mais confortável para tocar o mais velho como queria. Desceu a mão até alcançar o membro do mais velho, ainda coberto pelas roupas dele, mas não por muito tempo. O acariciou suavemente por cima da boxer, mas logo tratou de puxá-lo para fora, envolvendo-o com sua mão, iniciando uma masturbação bem ao lado de seu rosto, enquanto ainda beijava-lhe a virilha. Seus olhos avermelhados buscaram o castanho dos de Veríssimo, encontrando-os tomados por uma satisfação silenciosa, mas embora a expressão dele fosse deliciosa, não superava ainda a sensação de sentir o pau dele se endurecendo em seus dedos. Aaron lambeu a base do membro do líder sem pressa, descendo a língua para seus testículos e sugando-os um de cada vez para dentro de sua boca; seu polegar subindo pela linha do freio e circulando a glande inchada, fazendo o mais velho se arrepiar por inteiro e pender a cabeça contra o encosto da poltrona, deixando um suspiro escapar de seus lábios.

Aaron estava tão fodidamente excitado com aquela cena que achava que iria explodir.

Subiu a língua pela extensão do membro, abrindo bem a boca e colocando-a para fora, esfregou a glande contra sua língua antes de escorregar o membro do mais velho para dentro em direção à garganta, relaxando a musculatura para evitar o reflexo de enjôo. Chupou com vontade, masturbando a base e movendo a cabeça num vai e vem ritmado, fechando os olhos quando tentava enfiá-lo mais fundo em sua boca, salivando bastante para lubrificar bem a passagem.

Os dedos calejados do líder do clã se embrenharam nos cabelos do mais novo, puxando sua cabeça e fazendo-o se arrepiar mais, mas sem forçá-lo demais também. Veríssimo queria ver o que ele podia fazer por si só, não fazia muito sentido impor um ritmo quando aquele era o objetivo. A pressão dos lábios e da sucção era boa, Aaron não parecia bem um novato; talvez não tivesse tanta prática assim, se considerasse o depoimento dele anteriormente, mas não era totalmente inocente naquela função. Estranhamente, pensar nisso era um pouco incômodo, mas Veríssimo deixaria esse impasse para resolver em outro momento. Era difícil pensar com clareza quando abria os olhos e encontrava o novato lambendo seu pau de forma tão obscena, saliva escorrendo por seu queixo e sujando suas mãos enquanto ele o masturbava, em seguida mamando sua glande como se fosse a melhor coisa do mundo, revirando os olhos de prazer.

Ele definitivamente era bonito. Dava vontade de segurá-lo pelo pescoço e meter nele com força. Pensando bem, por que não?

Um sorriso de canto se desenhou em seu rosto, a melhor das intenções se fortalecendo em sua mente.

— Aaron — ele chamou e o rapaz tirou seu membro da boca num som estalado, dirigindo-lhe o olhar mais obsceno possível —, tire as calças, venha aqui. — ele deu dois tapinhas leves sobre suas próprias coxas.

O sniper voltou a ficar envergonhado pela ideia de se expor excitado como estava, no colo do chefe como ele queria, mas, droga , estava louco de tesão, precisava se aliviar hora ou outra. Levantou-se timidamente, desamarrando a jaqueta e deixando-a cair ao chão, tratando em seguida de tirar as botas para que pudesse tirar a calça jeans que lhe incomodava mais do que ajudava naquela altura.

Veríssimo podia ver claramente o quão excitado ele estava, a cueca escorregou junto com a calça jeans apertada para fora do corpo, deixando o jovem exposto para si. Suas pernas eram cobertas de tatuagens, algo normal no ramo em que trabalhavam, seu membro estava ereto e úmido pelo tesão que estava tentando suportar há um longo tempo.

— Pensando bem, tire toda a roupa, quero te ver nu. — ordenou e viu o mais novo assentir com a cabeça antes de tratar de tirar também a camiseta que vestia, dando-lhe o mesmo destino que as outras peças de roupa, o chão. — Antes de vir pra cá, na escrivaninha, segunda gaveta, tem uma caixinha com preservativos; faça-nos esse favor, Aaron.

Talvez ele realmente não tivesse em nenhum lugar mais perto, talvez apenas quisesse observar o corpo do sniper por outros ângulos enquanto ele dava a volta e se estivaca sobre a escrivaninha para pegar as pequenas embalagens, Aaron nunca teria certeza, mas tratou de obedecer. Quando voltou com os objetos em mãos, mais uma vez foi convidado a subir no colo do mais velho com um gesto de suas mãos. Engoliu seco antes de obedecê-lo mais uma vez, sentando-se sobre as pernas dele, de frente para o líder, com um joelho de cada lado de seu corpo.

As mãos do mais velho, aquelas mesmas mãos que já tinham-no enlouquecido só de segurar seu rosto, subiram por suas coxas e para sua cintura, explorando seu corpo despudoradamente, fazendo o rapaz se arrepiar mais uma vez. Os olhares dos dois se encontraram e Veríssimo lhe sorriu mais uma vez logo antes de puxar com leveza os piercings de seus mamilos.

— Colocou estes pra ninguém ver? Espero que não esteja mentindo para mim sobre seus costumes sexuais, Aaron. — uma brincadeira? Uma ameaça velada? Não tinha como saber.

— Não menti, senhor Veríssimo. Coloquei esses piercings quando ainda era um moleque, achava que mais piercings e tatuagens me dariam uma aura mais ameaçadora ou alternativa… Só nunca tirei, mas se o senhor quiser que eu tire…

— Seria um desperdício. — ele disse simplesmente, brincando com os piercings em seus dedos. — Só estava com ciúmes, não leve este velho a sério demais também, Aaron. — ele se desencostou da poltrona, juntando mais seu corpo ao do mais novo, envolvendo sua cintura com um dos braços, escorregando os dedos da mão por sua lombar e então pelo meio de suas nádegas indiscretamente acariciando-lhe o cu. — Nas vezes que se envolveu com alguém antes, chegou a ser passivo, ou vou ter que lhe ensinar do zero?

A pergunta em tom obsceno ao pé de seu ouvido foi seguida pelo toque dos lábios do mais velho em seu pescoço. A barba roçando em sua pele, pinicando e arrepiando, a umidade da língua contra sua pele, Aaron teve que se segurar muito para não gozar só com aquilo, mas não conseguiu evitar que um gemido baixo escapasse de seus lábios, principalmente quando ele levou a mão livre ao seu membro, acariciando-o tão intimamente.

— Já fiz isso antes, senhor, mas foi há vários anos, posso estar um pouco enferrujado.

— Desacostumou completamente? Ou será que brinca sozinho em seu quarto antes de dormir? — Veríssimo provocou, descendo beijos pelo ombro do sniper, pela pele tatuada que descia por seu peito.

— Às vezes… — a resposta sumiu com a voz quando o líder apertou os dedos ao redor de seu membro, e o rapaz só conseguiu gemer.

— Então sabe se preparar sozinho, certo?

— Sim, senhor.

— Então façamos desse jeito.

Veríssimo pegou entre as embalagens trazidas pelo mais novo um preservativo e um pacotinho de lubrificante, os quais entregou ao garoto.

— Mostre-me como faz.

Talvez aquele ato estivesse entre as coisas mais constrangedoras que ele tivera que fazer até aquele momento em sua vida inteira, mas ter os olhos do mais velho em si enquanto enfiava os dedos para dentro de seu corpo, alargando-se para recebê-lo enquanto ele se masturbava entre suas pernas, era delicioso também. Quando terminou de se preparar, observou Veríssimo colocar em si uma camisinha e então seus olhares se cruzaram com uma ordem.

— Vem, senta pra mim.

Aaron ergueu seu corpo, segurando o membro do mais velho e encaixando-o em sua entrada previamente lubrificada, provocando-o ao esfregar sem enfiar algumas vezes, mas logo forçando-o para dentro de si e deixando seu corpo pesar para baixo. O pau de Veríssimo alargava deliciosamente seu interior conforme se afundava para dentro de si, arrancando um gemido arrastado do sniper que se sentia preenchido por ele. Desceu até tê-lo inteiramente dentro de si, e teve que se segurar por um instante antes de começar a cavalgar, ou gozaria só de senti-lo dentro.

— Bom garoto. — Veríssimo afagou-lhe os cabelos enquanto dizia aquelas malditas palavras. — Eu certamente vou te usar com frequência, mesmo se for só pra esquentar meu pau, já que você faz isso tão bem. — a mão desceu para acariciar seu rosto e puxar seu queixo de leve.

O sniper não esperava um beijo, mas ele veio, os lábios dos dois se tocando sem pressa, beijando-se de um jeito sensual. Aaron moveu seu quadril, rebolando sobre o membro do mais velho, sentindo-o tocando todos os pontos sensíveis dentro de si com aquele movimento, logo antes de começar a quicar pra ele, fazendo o membro do líder entrar e sair de dentro de si de forma ritmada.

As mãos do mais velho o seguravam firmemente pelas coxas, ajudando-o a se mover sem que eles interrompessem o contato dos lábios, que abafava seus gemidos, mas o excitava ainda mais. Sentir a língua do mais velho na sua, envolvente, convidativa, a barba dele arranhando seu rosto suavemente, Aaron estava no paraíso. Aquele homem era delicioso.

O ritmo de seus movimentos acelerava cada vez mais, e conter seus gemidos se tornava cada vez mais difícil, forçando Aaron a interromper o beijo para morder os lábios como forma de evitar sons que chamassem a atenção dos homens do lado de fora da sala. Veríssimo observava satisfeito cada expressão do rapaz, o jeito como ele rebolava em busca de mais prazer, os olhares. Lindo. Não tinha como ficar apenas olhando.

Veríssimo segurou o rapaz pela cintura, movendo seu quadril de encontro ao dele, fodendo-o rápido, fundo e com força, sem pensar demais. Um gemido mais alto escapou dos lábios do mais jovem, que segurou-se aos ombros do líder com ambas as mãos como se temesse perder a sanidade. O mais velho subiu uma das mãos, segurando-o pelo pescoço enquanto metia forte nele, vendo Aaron revirar os olhos de prazer, tentando buscar ar com dificuldade.

Por algum motivo, mesmo considerando os conflitos anteriores dos clãs, Aaron confiou nele e aproveitou o prazer de estar no limite. Os dedos em seu pescoço deixariam marcas que ele teria que esconder depois, mas foda-se . Quando ele afroxou o aperto, Aaron puxou o ar com força para dentro de seus pulmões, tossindo um pouco, mas não o mais velho não parou de o foder por um instante sequer. Logo a mão voltou ao seu pescoço, dessa vez as duas mãos do mafioso o prendiam no lugar e o impediam de respirar por alguns instantes, antes de permitir que ele voltasse. O orgasmo veio forte como nunca.

O corpo de Aaron se contraiu, ficando ainda mais apertado, delicioso e irresistível . Veríssimo soltou o pescoço dele e abraçou sua cintura, colando os corpos de ambos sem se importar que se sujaria ainda mais com o semen do novato. Suas bocas se juntaram em um beijo urgente, desajeitado, e Veríssimo também se permitiu alcançar seu ápice, preenchendo o preservativo que usava com seu semen, reduzindo os movimentos aos poucos até parar. Só então findaram o beijo, normalizando as respirações. O líder se retirou de dentro do corpo do mais novo, tirando a camisinha e dando um nó, atirando-a em direção a onde sabia que havia uma lixeira, mas duvidando para si mesmo se a acertaria.

A consciência voltava aos poucos para a mente do sniper com a constatação do que tinha acabado de fazer; não só tinha se rendido a um tesão infundado por um mafioso, mas por aquele que agora seria seu chefe, e com quem tinha selado um acordo em troca da exclusividade de seu corpo. Ainda trêmulo pelo prazer, percebeu que a roupa do líder estava manchada agora com sua semente, e envergonhou-se.

— M-me desculpe, senhor Veríssimo, acabei lhe sujando. — mordeu o canto do lábio, franzindo o cenho. — Eu pago pela lavagem da roupa, senhor.

— Hey, calma aí, garoto. — Veríssimo afagou-lhe os cabelos empapados pelo suor, pulsando os fios para trás gentilmente. — Uma pessoa que resolve fazer uma coisa dessas sem tirar as roupas tem que estar ciente dos riscos que corre. A única moeda de troca que haverá entre nós será o seu corpo. Por ora, vista-se e volte para casa. Eu te chamarei noutra hora.

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