Actions

Work Header

O meu rei

Summary:

As vezes é preciso uma dose de casualidade, para que um mundo inteiro seja afetado.

Bakugou Katsuki foi parar em outro mundo, tornou-se um rei e voltou para seu mundo, agora para continuar sua vida e realizar seu sonho.

Notes:

Vocês podem achar estranho, que o resumo seja taaaaaaão simples, mas eu sou péssima nisso e como puderam ver, eu também não sei colocar tags 😅😅.

(ALGUÉM ME ENSINA)

Ok, vamos para a história. Espero que gostem.

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

Aconteceu um acidente peculiar não identificado e impossível de rastrear. Foi o que os heróis e policiais responsáveis pelo caso disseram ao casal Bakugou. 

 

Aparentemente do nada, Bakugou Katsuki desapareceu no meio de um restaurante lotado de pessoas. O garoto estava sentado na cadeira e tomava com copo de água quando — PUFF — desapareceu. Na verdade, foi isso que as câmeras de vigilância mostraram quando foram solicitadas.

 

A primeira hipótese foi de um ataque de vilão, mas geralmente os vilões não faziam algo tão pequeno e específico quanto sequestrar uma criança, e sem causar danos. Além disso, nenhuma outra criança foi levada. Nem mesmo um único fio de tecido foi movido do lugar.

 

A segunda hipótese foi a de um ataque direcionado. Investigaram a vida de Mitsuki e Masaru, mas não encontraram nada que pudesse ajudar no caso. O casal Bakugou estavam ligados ao mundo da moda e ao ramo imobiliário, mas não tem como uma estilista e um designe de interiores fazer um inimigo tão formidável nesse ramo.

 

Katsuki era uma criança e mesmo que houvesse alguém mesquinho o suficiente para guardar rancor contra algo que ele fez, ainda teria como investigar. Crianças costumam ser barulhentas e nada acontece com elas sem deixar um rastro.  

 

Katsuki Bakugou desapareceu em 14 de julho de 21XX tinha 10 anos de idade. 

 

╞═════𖠁𐂃𖠁═════╡

 

├┬┴┬┴ Ponto de vista do narrador ┬┴┬┴┤

 

O chão estava coberto de sujeira e lixo, das latas reviradas por gatos e cachorros vadios que procuravam quaisquer restos de comida. Parecia meio enlameado como se tivesse chovido alguns minutos antes, mas possivelmente era apenas líquido de alguma encanação quebrada. 

 

Aquele local que era um beco, levava a uma rua sem saída. Em cada lado havia um prédio que estranhamente não tinha janelas apontadas na direção da rua. Apenas paredes altas e lisas com algum desgaste na tinta e rachaduras do tempo. 

 

Em meio a sujeira e lixo havia um corpo, não morto mas pela aparência, parecia não muito longe disso. Mas as aparências enganam. Nem morto e nem perto disso, muito vivo e saudável, apenas sujo de sangue e seja mais lá o que. 

 

O corpo emitiu um grunhindo baixo, moveu-se um pouco e então, se levantou com tanta pressa que tropessou no lixo e caiu. A pessoa segurou o gemido que ameaçou escapar de sua boca e rapidamente se colocou em pé novamente. 

 

A pessoa olhou em volta não reconhecendo o lugar, mas era estranhamente familiar de alguma forma. Uma lembrança vaga daquele estilo de construção. 

 

- Oh! - sua boca se abriu minimamente ao puxar uma memória que tinha certeza que estava escondida no mais profundo abismo de memórias - porra! - seus lábios lentamente se esticaram em um sorriso fraco mas selvagem - estou de volta. 

 

Com um grunhido, esticou seu corpo, parecia mais leve do que se lembrava. Caminhou para o único caminho que levava para fora do beco e estreitou os olhos quando viu as luzes coloridas e carros. 

 

Um pensamento surgiu der repente. Como iriam reagir a ele? 

 

- Isso vai ser uma merda. 

 

..... 

 

Estava andando pela calçada. Perdido enquanto observava todos os detalhes do ambiente. Não sabia em que ano estava ou para onde iria, mas definitivamente não poderia dormir na pilha de lixo. 

 

Observando até onde os olhos podem ver, viu prédios altos, árvores que foram estrategicamente plantadas ou sobreviveram a urbanização. Os carros passando, o milagre de ter poucas pessoas nas ruas. Tudo parecia tão novo e ao mesmo tempo tão velho. 

 

Andou até que foi parado bruscamente, por alguém que simplesmente surgiu de lugar nenhum. Possivelmente do alto dos prédios. 

 

Observou esse desconhecido. Estava vestindo uma roupa ridícula e que mais parecia uma segunda pele, além é claro, do protetor nos olhos em formato de águia. Era suspeito.

 

- O que uma criança faz andando tão tarde da noite, sozinha? - o estranho questionou e observou a pessoa adotar uma postura defensiva. 

 

A pessoa olhou para o desconhecido de cima a baixo. Ele poderia ser maior, mas em uma briga no mano a mano, a vitória era dele. 

 

- Onde fica o hospital mais próximo? 

 

O estranho estreitou os olhos, o que era incrível já que era noite é ele ainda ousava limitar sua visão já limitada pelos óculos. Olhou para a criança é seus olhos se arregalaram tanto, que poderia sair de suas órbitas. 

 

Não era para menos. A criança estava completamente suja de sangue, como se tivesse saído de uma briga horrível. 

 

- Droga - o estranho pareceu escandalizado. Ele tocou a orelha direita, aparentemente tinha algum dispositivo de comunicação - central, aqui é Eagle Eyes. Estou com uma criança ferida aqui. A caminho do hospital. 

 

A criança ergueu as sobrancelhas ao notar o nome. 'Olhos de águia' era um nome muito arrogante para quem precisou descer um prédio para notar a situação de alguém. O homem pareceu ter recebido uma resposta positiva, já que moveu a cabeça como se alguém pudesse vê-lo. 

 

- Ok - o homem voltou seus olhos para ele - vou acompanha-lo até o hospital. Qual o nome do seus pais? - disse enquanto começava a caminhar e fez um gesto para segui-lo. 

 

A criança inclinou a cabeça. Fazia muito tempo que ele não pensava nos pais, tinha até esquecido o nome deles. 

 

- Eu não lembro - disse e viu Eagle Eyes voltar seu olhar para ele e seu rosto parecia estrategicamente inexpressivo - mas eu sei meu nome. 

 

- Ok, eu posso trabalhar com isso - o Eagle Eyes concordou - qual o seu nome? 

 

- Bakugou Katsuki. 

 

- Certo - o estranho disse - vou pedir para procurarem no sistema. Assim podemos descobrir onde estão seus pais e contactados. 

 

Bakugou descobriu que o homem em questão, é um herói. Ele não parava de falar nisso é deixou tantas Informações vazarem, que nem foi preciso perguntar nada. Claro, as informações eram úteis para qualquer um além dele. Ele só sabia que era 14 de julho de 21XX, mas isso não indicava nada. 

 

O hospital parecia bem silencioso, com poucas pessoas para atender. O homem o levou na recepção e mostrou um cartão com sua foto. A recepcionista nem parecia impressionada, talvez visse muito daqueles cartões, mas foi só olhar na direção de Bakugou, que seus olhos se arregalaram. 

 

- Por que diabos você não o mostrou antes? - ela praticamente rosnou enquanto saia de trás da bancada - venham comigo. 

 

O homem parecia ter comido uma mosca, mas logo se recuperou. 

 

- Vou pedir para entrar em contato com seus pais. 

 

A mulher o levou para a ala de emergência, como se um braço ou perna estivesse faltando. Ela quase arrancou o braço de um médico que passava e gesticulou com tanta força que poderia muito bem nocautear qualquer um que passasse por alí. 

 

- Eu estou tão ruim assim? - Bakugou questionou. Ele não se sentia diferente. Não tinha dores e estava com todos os seus membros. 

 

.... 

 

Duas pessoas tropeçaram na entrada do hospital, quase caíram. Os poucos que estavam lá, olharam para os dois como se fossem loucos, mas pelo olhar de ambos, poderia muito bem ser o caso. 

 

- Porra! - a mulher xingou ao ver que tinha quebrado o salto. Mas logo se recompos. Um salto não valia um centavo perto do que a tirou da cama tão tarde da noite - onde está? 

 

- Querida - a voz do homem não menos abalado, mas mantendo uma compostura quase impecável - temos que encontrar o responsável. 

 

- Não deveríamos encontrar o responsável - a mulher rosnou - ele já deveria está aqui, para nós receber. 

 

O homem ficou em silêncio quanto a isso. Ela tinha razão. Só eles sabem quantas vezes esperaram noites a fio esperando por uma misera ligação. Noites em claro ao lado do telefone, assistindo qualquer site ou canal de notícias, esperando um maldito sinal. 

 

As vezes acontecia um alarme falso, alguém ligava perguntando se sabiam de alguma coisa. Outras vezes eram eles quem ligavam, mas nunca tinham respostas ou qualquer rastro. Sempre a mesma coisa, nunca era nada, 

 

Então, uma ligação. O toque ecoou pela casa como estrondo, um eco fantasma que reverberou por todo o lugar como um sinal horripilante. O medo, a ansiedade, raiva, alegria, tristeza; tudo veio a tona e quando finalmente tomaram coragem para atender e ouvir as mesmas palavras vazias dos ultimos anos, veio a notícia. 

 

Como um raio no meio do céu claro. 

 

"Um herói encontrou uma criança vagando sozinha. Sexo masculino, aparentemente tem entre uns 12 a 14 anos. Foi levada ao hospital e atualmente está sob atendimento. Ele deu um nome. Bakugou Katsuki." 

 

Saíram de casa tão desesperados, que se a polícia não tivesse sido informada de antemão, talvez estivessem presos por dirigir acima dos limites. 

 

- Parece que chegaram. 

 

O par se virou em direção a voz. Um homem alto com cabelos pretos e curtos, vestindo um sobretudo bege, estava ali, olhando para a forma desgrenhada dos dois. Bem ao seu lado, um homem que mais parecia um vagabundo do que um herói, tomava um copo tão grande de café, que as enfermeiras que passavam, olhavam como se ele pudesse cair a qualquer momento. 

 

- Detetive Tsukauchi, Ereser - a mulher disse ao ver ambos - o que fazem aqui?

 

- A central de polícia me mandou e possivelmente a Comissão mandou Ereser - Tsukauchi falou calmamente - além do mais, esse é um caso ainda em aberto. 

 

- Uma criança sumiu de forma tão misteriosa e agora aparece também, de forma misteriosa  - Ereser olhou para os dois - não importa o quanto tínhamos investigado, nunca deu em nada, mas agora podemos saber o que diabos aconteceu. 

 

- A central não leva isso de ânimo leve - Tsukauchi falou seriamente - não queríamos atrapalhar o reencontro, mas ainda é um mistério a ser resolvido. 

 

A mulher, Mitsuki, respirou fundo. Não era por Ereser, mas por Tsukauchi. O detetive esteve tão empenhado no caso de seus filhos que podia muito bem morar com eles, dada a quantidade de vezes que o homem os visitou. 

 

- Tudo bem - Mitsuki concordou. 

 

Masaru apenas deu um sorriso leve. Ereser quase pensou no homem como a reencarnação de um santo, pois ele sempre foi gentil e atencioso. 

 

- Tudo bem, não vamos deixa-lo esperando. 

 

.... 

 

Muito diferente do que se parecia, pintado de sangue, sujeira e tudo mais, Bakugou Katsuki não tinha nem mesmo um único arranhão. 

 

Na visão dos médicos e enfermeiros, o garoto era a encarnação viva de um guerreiro que passou por uma batalha de vida ou morte, tão sangrenta que eles nem ousava imaginar o tamanho do dano. No final, revelando extensões de pele, limpando o sangue e procurando uma agulha no palheiro, Bakugou Katsuki só precisava tomar um bom banho. 

 

Enquanto ele tomava um banho, com direito a água quente e produtos de higiene que definitivamente não faziam parte do pacote generoso do hospital, o detetive, o herói e um casal andavam pelos corredores e passando por leitos. 

 

- Onde está? - Mitsuki rodou seus olhos vermelhos por todo o lugar e não viu nenhum fio de loiro - cadê meu filho? 

 

- Está tomando banho - uma enfermeira se aproximou - ele estava muito sujo. Tinha muito sangue e... 

 

- Sangue? - a voz de Mitsuki quase podia ser sentida de tão alta - quão ferido ele está? 

 

- Ele não está ferido - a enfermeira quase quis revirar os olhos - também ficamos surpreendidos. Parecia que ele tinha passado por alguma briga terrível ou algo assim, mas ele só estava sujo mesmo. 

 

A informação não ajudou a aliviar. Katsuki não estava ferido, mas estava ensanguentado. A pergunta é, de onde veio o sangue? 

 

A tensão estava aumentando ao ponto de se tornar quase tangível. 

 

- Vou leva-los ao quarto dele. 

 

A enfermeira os guiou até o quarto. Era grande, tinha uma maca que lembrava muito uma cama de casal. Duas portas que gentilmente foi explicado como um sendo o banheiro é a outra um mine closet. O quarto possuía sofás ao invés de cadeiras e tinha um frigobar, até mesmo uma televisão. 

 

Parecia mais uma suíte de hotel do que um quarto de hospital. Tsukauchi sentiu suas palpebras tremer diante de tal luxo. Só de ver isso, dá uma noção do quão importante o garoto é para a Comissão. 

 

Enquanto admiravam o quarto, o trinco da porta do banheiro foi girado e pela soleira da porta, um garoto passou, fazendo a visão de mundo de quatro pessoas ser abalada. 

 

A verdade era que esperavam encontrar uma criança magrela, doente de todas as formas. Anêmica, disidratada, com marcas de tortura e faltando membros. Mas parecia que a preocupação era exagerada, o garoto parecia ter saído por um longo período de férias. Diferente de quando foi sequestrado, Katsuki parecia ter saido de algum lugar que beirava a selvageria e luxo. 

 

Diante dos olhos deles, um garoto que parecia ter ficado preso em uma academia surgiu. Músculos que eram tão duros e que mesmo a roupa feia do hospital, não podiam esconder, mesmo que ele só estivesse de calças. 

 

Havia elegância na forma como ele se movia, como uma fera escondia e observando sua vítima. A semelhança entre ele e sua mãe eram tão gritantes que pareciam gêmeos separados por época. O garoto é bonito de uma forma que parecia um modelo, com cabelos loiros cinzentos, espetados como um dente de leão. Seu rosto é andrógeno e mesmo como seu físico musculoso, tem um equilíbrio perfeito. 

 

Seu nariz é pequeno, empinado e seus lábios são cheios. O garoto é um maldito modelo. 

 

Mas o que realmente estava chamando a atenção, eram os olhos. Diferente dos olhos de Mitsuki que parecia um vermelho enferrujado, os olhos de Katsuki estavam brilhando, vermelho em brasa e eles podiam apostar que se apagarem a luz, tudo o que veriam eram duas órbitas brilhando em sangue. 

 

Sua pele estava um pouco bronzeada, não muito, como se ele tivesse pegado um pouco de sol enquanto caminhava. Tinha sombra vermelha em suas palpebras, como se estivesse marcado na pele. Falando em marcas, tinha símbolos estranhos nos peitorais, braços e abdômen. Desenhos entrelaçados com os símbolos, de cores suaves e em formanto de padrões bonitos. 

 

Brincos de rubi, um colar que o casal Bakugou tinha certeza que era de ouro puro, com esmeraldas e diamantes. O garoto tinha até uma jóia em formato de losango no centro da testa. Não sabiam qual era o mineral, mas pelo brilho e pelo belo trabalho feito, era sem dúvidas muito caro e raro. 

 

Nem parecia que o garoto tinha sido sequestrado. Era ridículo, que tipo de sequestrador leva uma criança e o cria como se fosse seu filho, dando joias e seila mais o que?  

 

Se Ereser não tivesse cavado todo o submundo com outros heróis, juraria que estava lidando com um clássico caso de tráfico e prostituição de menores. 

 

O garoto olhou na direção deles, sem os reconhecer. Ficaram nesse impasse por vários minutos e em silêncio. Os olhos vermelhos do garoto se aguçaram e era bem perceptível o fato de que as pupilas do garoto eram como de répteis. Finas fendas se destacavam no vermelho vivo. 

 

Seu olhar era muito predatório, causava desconforto. Ereser que já teve sua cota de encaradas mortais, sentiu seus cabelos em pé. Era como ser observado por uma besta pré-histórica, um ser mítico cujo o único propósito era mostrar o quão insignificante alguém poderia ser. 

 

Tsukauchi e o casal foram os mais afetados. O detetive estava acostumado aos olhares penetrantes e todos os tipos de olhares que alguém poderia lançar nele, mas nenhum vilão de mérito ou herói, conseguiu lançar um olhar tão horrível e fazer com que a sensação de agulhas estivessem perfurando sua pele. 

 

O casal Bakugou eram civis. O máximo de olhares ruins que receberiam era de outros civis, alguns com intenções maliciosas, mas era só isso. Foi como ter a pele arrancada. 

 

Como uma criança poderia ter um olhar tão terrível. Mas, deus sabe pelo que esse garoto passou. Ele voltou cheio de tatuagens, como uma criança problemática. 

 

Katsuki olhou para esses quatro desconhecidos, que o olhavam de forma estranhamente avaliativa. Olhou para a enfermeira que parecia querer ir embora e o desejo de acompanha-la surgiu. 

 

- Katsuki, esses são os detetive Tsukauchi, o pro-hero Ereser - a enfermeira apontou para ambos os homens, um tinha uma expressão carrancuda e o outro estava pálido - e esses, são seus pais - apontou para o casal que parecia doente. 

 

Katsuki olhou para o casal. Não lembrava deles, nem mesmo a menor fagulha de memória. Isso não era um problema, não é como se ele fosse pular de alegria ao vê-los, mesmo que se lembrasse. 

 

Seja lá o que eles esperam, não encontrariam com ele. Katsuki pegou a blusa que estava sobre a cama e a vestiu. 

 

- Então, qual o problema? - perguntou olhando para os quatro - acenou levemente para a enfermeira que sorriu e saiu. 

 

- Filho - a voz pequena e trêmula do homem soou. Ele parecia prestes a chorar. Seus olhos castanhos por trás das lentes, tinham um brilho fraco - você finalmente voltou. 

 

Katsuki podia jurar que o homem queria se aproximar. 

 

- Quem diabos é você? - Katsuki olhou para o homem que se encolheu - e não me chame de filho. 

 

- Olha como fala com seu pai, seu merdinha - Mitsuki estreitou os olhos para o garoto - é assim que você trata seu pai, depois de quatro anos sumido? 

 

- Quatro anos? - Katsuki olhou para a mulher friamente - você acha mesmo que eu esqueceria dos meus pais se apenas quatro anos tivessem passado? Além disso, quem caralhos você pensa que é para me chamar de merdinha? 

 

Tsukauchi que estava calado ao lado de Ereser, ficou um pouco surpreso ao ouvir a conversa. Parece que existe um conflito sobre anos? 

 

- Você só tem 14 anos, acha mesmo que pode falar comigo assim? - Mitsuki zombou e ergueu a mão. 

 

A mulher parece ter esquecido que seu filho tinha sumido, que ele não voltariam exatamente como antes de sumir. Esqueceu que crianças crescem, mudam e se desenvolvem. Talvez na cabeça dela, tudo voltaria ao normal. Seu filho voltou para casa e seria como se nada tivesse acontecido. 

 

A mudança na sala foi palpável. O ar pareceu se tornar mais pesado, arrepios tomaram os corpos dos ocupantes da sala. Estava ficando quente, como uma sauna e a sensação sufocante de o próprio ar ficando quente e queimando o nariz e a garganta a cada respiração. 

 

Não era uma sensação. Estava realmente ficando quente. Ereser olhou para Katsuki, aquele cuja a pele estava saindo fumaça. Cujo peito retumbou em um rosnando animalesco. 

 

Ereser cujos olhos são negros, brilharam em vermelho e seus cabelos flutuaram no ar. Esse era o sinal de que sua anulação estava em efeito mas, para o horror do herói e do detetive, não houve o efeito esperado. O calor não sumiu, a fumaça continuava e agora, os símbolos sobre a pele do garoto estava brilhando em roxo, as tatuagens estavam se movendo, vivas. 

 

- Você ousa levantar a mão para mim? - o peso do olhar de Katsuki caiu em Mitsuki, que sentiu as pernas cederem, o impacto delas no chão foi tão alto, que era quase poético o fato de estarem no hospital caso houvesse qualquer lesão - eu deveria transforma-la em cinzas pela audácia. 

 

O horror puro de não poder conter seja lá o que estivesse acontecendo, fez Ereser sentir  tremores. Mitsuki que recebeu o maior impacto, tinha sangue escorrendo pelo nariz, uma resposta ao estresse. 

 

Então a porta se abriu, a mesma enfermeira que tinha guiado os quatro adultos entrou e olhou em volta. Mitsuki no chão, Masaru encolhido ao lado, Ereser parecendo doente e Tsukauchi tão pálido quanto um fantasma. 

 

O quarto estava tão quente que todos os ocupantes estavam suando. Roupas encharcadas. 

 

A enfermeira olhou para Katsuki. Se fosse qualquer outra pessoa, era teria gritado e repreendido por fazer tumulto no hospital, teria feito o discurso do século, um que faria um vilão voltar para a luz. Mas, ela confiava em sua individualidade; graças a ela, sempre soube quão ruim seria um dia, as chances de salvar uma vida e entre outras coisas que pareciam besteira, mas eram muito significativas. 

 

Quando ela viu Bakugou Katsuki pela primeira vez, sua individualidade 'Instinto', que geralmente dava pequenos sinais como um pulsar, pequenos arrepios ou mostrava em forma de cores visíveis apenas para ela, enviou sinais tão fortes que ela quase desmaiou. O pulsar mais parecia convulsões, os arrepios eram como uma faca arrancando pedaços de pele e as cores que ela via no garoto, eram vermelho como sangue e preto. 

 

Bakugou Katsuki era perigoso, possivelmente a coisa mais assustadora que anda sobre a terra. Alguém ousou deixar esse monstro com raiva, então ela também estava com raiva. 

 

- O que diabos vocês pensam que estão fazendo? - ela questionou olhando para eles. Mesmo que o teto do hospital voasse agora sobre suas cabeças, ela preferia por a culpa em All Might do que em Katsuki - vocês vieram ver o paciente ou pertubar ele? 

 

O calor sumiu. O ambiente esfriou rapidamente como se nunca tivesse mudado. Mitsuki ainda estava estava de joelhos e tremendo e Katsuki que deveria está com uma blusa, estava nu do torço para cima. Eles haviam subestimado o quão quente corpo do garoto tinha ficado. 

 

- Não se preocupe - Katsuki se dirigiu a enfermeira que voltou-se para ele com um sorriso - creio que isso não irá se repetir. Certo? - olhou para os convidados. 

 

Acenaram rápidamente com a cabeça. Eles realmente não queria saber a extensão do poder do garoto ou o quão fiel as próprias palavras ele era. 

 

- Você precisa de alguma coisa? - a enfermeira perguntou de forma gentil. 

 

- Algo para comer. 

 

- Certo. 

 

Com isso, a enfermeira foi embora, como se ela fosse a empregada do garoto e não um membro do hospital. E pela aparência das coisas, ela não iria só pegar algo para comer, ela iria procurar algo que Katsuki provavelmente aprovaria. 

 

- Que negócios vocês tem comigo? - Katsuki se virou para eles - sem graçinha. Minha paciência não é grande o suficiente para lidar com besteiras. 

 

- Estamos fazendo uma investigação - Tsukauchi deu um passo a frente e tomou liberdade para se sentar em uma das poltronas do quarto. Ereser permaneceu em pé, Masaru ajudou a esposa a se levantar e mantiveram a distância - para ser preciso, a investigação é sobre você é seu desaparecimento a quatro anos atrás. 

 

- Eu ouvi isso - Katsuki se sentou na maca, ou meio que deitou nela também. Ficou tão confortável quanto o possível - vocês falam de quatro anos, mas para mim, se passaram séculos. 

 

- Hm. Como assim? - Tsukauchi pegou uma caneta e uma caderneta. 

 

- Como eu disse, se passaram séculos - Katsuki zombou - não figurativamente, mas literalmente. 

 

O detetive fez uma pausa e olhou para o garoto. Ele não parecia ter séculos de idade, ainda era uma criança. 

 

- Quantos anos você tem, literalmente? - o detetive estava pronto para anotar pelo menos uns 200 a 300 anos. 

 

- Mais de 4 mil anos - Katsuki sorriu com dentes e tudo. 

 

Tsukauchi respirou fundo. Ereser se segurou na poltrona de Tsukauchi e o óbvio engasgo do casal atrás, indicou o quão incrédulos eles pareciam. 

 

- Você tem certeza disso? - Tsukauchi perguntou novamente. 

 

- Você está duvidando de mim? - Katsuki estreitou os olhos. 

 

- Besteira - Mitsuki gritou - de onde diabos você tirou essa idade? 

 

- Ele não está mentindo - Tsukauchi respondeu pelo loiro. Ainda incrédulo de como a pessoa mais velha dessa terra, está diante dos olhos dele. 

 

- Como você saberia disso? - Mitsuki estreitou os olhos. 

 

- Acredite em mim, você conseguiria mentir para qualquer um, menos para ele - Ereser olhou para Katsuki - como é possível você ter tal idade? 

 

- Normalmente seria impossível, mas você vê isso? - Katsuki apontou para si mesmo, onde os símbolos e tatuagens estavam - isso são bençãos que recebi de presente. 

 

Isso não explicava o motivo de o garoto ser tão velho, em termos de idade é claro. 

 

- Por que você recebeu tantas... Bênçãos? - Tsukauchi sentiu que finalmente estava entrando no tópico do sequestro, que iria desvendar o mistério e que finalmente iria saber onde diabos o garoto esteve esse 'tempo' todo. 

 

- Por que eu sou um rei - Katsuki sorriu diante do olhar confuso do grupo - rei de um Império e como um rei, os presentes que recebo devem ter o maior valor possível. 

 

O silêncio foi quebrado novamente pela enfermeira que trouxe o que poderia ser um prato de carne, bem grande com várias verduras. O cheiro era ótimo. 

 

- Você fala de um Império que você consquistou? 

 

- Não, eu criei o Império - Katsuki agradeceu e sobre os olhos dos quatro, uma breve luz brilhou e um colar que sem dúvidas era de pérolas, bem grandes e redondas. Entregou para a enfermeira que ficou chocada - obrigado. 

 

A mulher sentiu o peso do colar e sabia que aquilo valia milhões, ela praticamente estava segurando um seguro de vida gigantesco que foi tirado do nada. Tudo isso por causa se um prato. Ela foi embora olhando para o vazio. 

 

- Eu não entendo - Tsukauchi realmente estava confuso. Como uma criança de sequestrada, se torna rei de um Império? 

 

- Para ser sincero com vocês, faz tantos séculos que eu mesmo não lembro dos detalhes - Katsuki deu uma mordida generosa na carne. Ele tinha presas, longas - mas eu não diria que fui sequestrado, mas fui parar em outro mundo. 

 

- Outro mundo? 

 

- Sim. Para ser preciso, vou contar o que me lembro - Katsuki lambeu os lábios e encarou o detetive. 

 

( A partir de agora, vamos para uma pequena narração dos eventos. Não vai ter diálogos, só uma história contada

 

No dia 14 de julho de 21XX, Bakugou Katsuki desapareceu de um restaurante. 

 

A verdade é que um evento muito raro, que nem mesmo foi documentado em qualquer lugar, aconteceu. Uma corrente telúrica em atividade, acabou gerando uma evento meio místico e sísmico, criando assim uma 'casualidade' 

 

A criança na época, foi vítima dessa casualidade. A corrente telúrica no subsolo acabou criando uma estática e contra todas as possibilidades, Katsuki estava no lugar certo e na hora certa, sendo assim uma vítima infeliz pois o evento meio místico ocorreu justamente no lugar onde ele estava sentado. Qual a probabilidade disso acontecer? 

 

Katsuki foi enviado atráves de uma rasgo minúsculo do espaço-tempo para outro mundo. Ele ainda teve a sorte de está vivo e sem qualquer membro faltando. 

 

O lugar que ele foi eviado era tão esquisito e estranho. Só sabia que estava no meio de uma floresta, com casas visíveis de barro e palha, com homens muito altos, mal vestidos e com várias cicatrizes. Todos o olhando.

 

Para eles, uma criança surgiu do ar. 

 

O negócio ficou estranho mesmo quando Katsuki foi forçado a caçar, andar pela floresta que parecia não ter fim, sobreviver a ataques de animais que pareciam ter vindo de um filme de terror. Tudo isso sem saber falar a língua deles

 

O pior de tudo, era quando outras aldeias atacavam. Só se podia ver morte, sangue e violência por todo o lugar. Nem queira ser capturado, o destino era pior que a morte. 

 

Levou um tempo, mas Katsuki acabou se adaptando a vida lá. Teve que ou não sobreviveria, ali não funcionava nenhuma outra regra além da sobrevivência. 

 

Quando matou pela primeira vez, aquele bando estranho da aldeia comemorou como se ele fosse um filho. Fizeram um banquete, mas o que deixou Katsuki de cabelos em pé, mais do que matar alguém, foi ser banhado em sangue em uma espécie de ritual macabro. 

 

A quantidade de vezes que Katsuki quase perdeu a vida, eram imensurável.  Mas quanto mais ele lutava, mais forte se tornava, mais poderoso ficava e mais influente. Levou um ano para que Katsuki aprendesse a língua nativa. 

 

Esses homens são bárbaros. Não um título de pessoas selvagens mas uma raça, que era conhecida por sua incrível força, resistência e manejo surreal em armas. Naquele lugar a lei do mais forte prevalecia. Você mata ou morre. Não espere por ninguém, seus próprios aliados irão te abandonar se você for inútil. 

 

Dois anos depois, agora com 13 anos, a tribo foi atacada por um monstro. Os bárbaros quase foram erradicados, mas Katsuki sempre foi inteligente, tinha o dom da liderança e com suas ordens, guiou aquele bando de homens selvagens para vitória. 

 

Foi preciso mais alguns conflitos e vitórias para que Katsuki fosse intitulado 'o senhor da tribo'. 

 

Katsuki teve a ideia de se mudarem. Aquele lugar mais parecia um ninho de monstros, pois a cada noite tinha um atacando.  Foi só depois de viajar por vários dias, que o garoto finalmente teve idéia da extensão daquele lugar. Foram várias semanas sem encontrar quaisquer rastros de outras tribos. 

 

As viagens se tornaram mais crescentes, as lutas por território também, isso depois de encontrar a primeira aldeia, foi como abrir um GPs para a próxima. 

 

Katsuki se tornou um lutador implacável. A insegurança e o medo de matar outro ser vivo se foi a muito tempo. Em um mundo daqueles onde machados e pedras voavam de todos os lugares, arrancando pedaços e tirando vidas, ter medo de matar era um convite para a própria morte. Qualquer moralidade seria destruída em um ambiente assim. 

 

Katsuki se tornou um besta em forma de homem, sanguinário o suficiente para se tornar um símbolo de medo. Conquistou terras e quanto mais conquistava, mais tribos se juntavam a sua bandeira.

 

Bakugou Katsuki, o rei dos bárbaros. 

 

Foi depois que Katsuki fincou sua bandeira no chão e montou um acampamento temporário, que o loiro finalmente viu algo além de bárbaros. Metamorfos. 

 

Nenhum bárbaro ousaria se mover sem as ordens do rei, então quando um grupo de homens bestas com espadas e machados surgiu na entrada do acampamento, mesmo com a tensão e sede de sangue no auge, ninguém se moveu. 

 

Esses homens usavam ainda menos roupas que os bárbaros, com tangas feitas de pele. Possuíam orelhas extras de animais, caudas e até mesmo faziam barulhos de animais. 

 

Eles ficaram assim, por dias um olhando para a outro sem ultrapassar a linha imaginária do acampamento. Talvez eles estivessem em uma competição de quem irritava mais, pois as vezes aqueles metamorfos caçavam e comiam na frente deles, outra vez eram eles. 

 

Katsuki ignorou. Se eles não atacavam, ele também não se daria o trabalho. Eles estavam em maior número, três vezes mais do que os metamorfos. 

 

Então, Katsuki saiu para explorar, sob o olhar dos metamorfos e bárbaros. Ele não se importou, ainda possuía sua individualidade e agora era um guerreiro consagrado, podia lidar com alguns idiotas. 

 

O garoto poderia relacionar tudo ao azar ou a sorte, mas foi nessa exploração que o garoto descobriu a existência de dragões. Por que não? Tinha metamorfos, pessoas com características de animais. 

 

Bem no topo da montanha, um ninho simplesmente enorme e com dois ovos enormes, tão grandes que já se podia imaginar o tamanho da mãe. Ele se virou para ir embora, mas parou quando viu o que seria um monstro tão grande quanto os ovos, entrando no ninho. 

 

O monstro obviamente estava olhando para os ovos. Katsuki poderia ter ido embora, não era da conta dele mas ao lembrar que só um monstro gigantesco faria um ninho tão grande, que o acompamento era perto desse lugar e muito possivelmente, seriam atacados por uma mãe furiosa, Katsuki ergueu suas espadas. 

 

A luta foi brutal, mais do que se poderia imaginar. O monstro parecia estranhamente resistente a explosões o que indica o tipo de evolução que deve ter tido para ousar caçar o que quer que saisse desses ovos. 

 

Foi um banho de sangue. O monstro finalmente tombou, pela perca de sangue ou não, mas era uma vitória. Katsuki estava tão cansado que todo seu corpo tremia. Foi quando ele sentiu como se o mundo estivesse desabando sobre seu corpo, o medo mais primitivo vindo do fundo do seu ser. 

 

Olhando lentamente na direção da beirada do ninho, ele viu um focinho enorme e escamoso, seguido de um rosto comprido que levava a olhos enormes e brilhantes. 

 

Um maldito dragão. 

 

O dragão ficou vesgo tentando olhar para o loiro, pois ele parecia uma formiga. Tão grande ele era que nenhum filme ou quadrinho que Katsuki já viu em seu mundo, fazia justiça a sua existência. 

 

Foi em um piscar de olhos, Katsuki estava suspenso no ar, sem nada o segurando e na mente do loiro veio a seguinte palavras — Magia. Ele ficou bem na linha de visão de um único olho do dragão, que parecia querer vê-lo melhor pois virou sua enorme cabeça para facilitar. 

 

Katsuki jurou que iria morrer, mas aparentemente matar um monstro tentando defender os ovos, foi o suficiente para ser considerado um amigo. 

 

Então, como uma mentira, uma gota do que seria sangue roxo saiu de uma das escamas do rosto do dragão e flutuou até ele. Ele estava confuso, isso até o desgraçado do dragão tentar afoga-lo com o sangue. 

 

Katsuki voltou desorientado para o acampamento. Nem lembrava como saiu de lá, se foi ou não expulso do ninho, mas só sabia que queria voltar para sua casa improvisada, se cobrir com as cobertas de pele e fingir que esse dia não aconteceu. 

 

Imagina o tamanho do susto que os bárbaros não tiveram, além dos metamorfos que ainda estavam alí. O rei bárbaro voltou para casa coberto de feridas, com manchas roxas na pele e mesmo de longe, se podia sentir o calor anormal emitido pelo corpo do garoto. 

 

Foi com uma semana agonizando em dor e febre, que Katsuki deu o que poderia ser considerado o grito mais miserável da história. Foi tão alto e horrível que os metamorfos correram para ver o que estava acontecendo. Depois de tanto ficarem no mesmo ambiente sem nenhum conflito, poderia ser dizer que os bárbaros e eles já eram amigos. 

 

Quem ouviu o grito, disse ser o grito da morte de seu rei. A cerimônia fúnebre já estava em andamento, só precisavam do corpo. Os bárbaros tinham conhecimento médico, mas não eram deuses e o que podiam fazer era limitado. Nunca na história deles, houve alguém com tal febre e nível de agonia. 

 

Bárbaros e metamorfos juntos, esperavam pelo momento do enterro, desde o dia em que o garoto voltou ferido. 

 

Depois do grito de Katsuki, foi como se a própria floresta ficasse em silêncio. Nem mesmo o barulho de folhas balançando foi ouvido. Isso era ainda mais assustador do que qualquer monstro. A ansiedade agarrou o coração dos súditos e até os metamorfos pareciam apreensivos. 

 

O silêncio foi quebrado por uma batida. Foi tão sutil que pensaram estar ouvido coisas, quando o chão começou a tremer e as batidas se tornaram mais altas. Tudo tremeu, desde as árvores até o chão. 

 

Os bárbaros gritaram, os metamorfos assumiram suas formas animais, prontos para lutar ou fugir. Uma sombra tomou o céu e olhando para cima, cada ser vivo que tivesse um único fio de pensamento, ficou paralisado de medo. Bem a vista de todos, um ser que era considerado lendário naquele mundo, desceu dos céus. 

 

Um dragão. Um ser que é considerado uma força implacável da natureza, aqueles cuja própria existência é considerada um deus. Os seres mais perfeitos, que apareciam apenas quando queriam e raramente eram vistos. Não existia tantos dragões, no máximo quatro. 

 

Mas aqui estava um, derrubando árvores e casas pelo caminho, quase matando esmagado os mais lentos. Foi em meio ao choque de que estavam vendo a coisa mais perfeita do mundo, que viram o dragão jogar a casa do rei fora, como poeira, revelando o loiro ainda vivo na cama. 

 

O choque inicial da presença do dragão nem tinha passado, quando outro choque os atingiu. O dragão que quase apagou seu acampamento com seu corpo maciço, tirou dois ovos de lugar nenhum e colocou-os lado a lado com o rei, enrolou deu corpo em volta dos três e fechou os olhos. 

 

No próximo mês, a visão do acampamento era de bárbaros e metamorfos, que acabaram por se integrar informalmente a multidão e um dragão coexistindo no mesmo lugar. 

 

Ninguém tentou se aproximar. Não eram covardes, eles sabiam  seus limites. Podem chamar qualquer um para a briga, mas aquilo era um dragão, eles não morreriam de graça. 

 

Foi no segundo mês, depois de a besta não mover nem as escamas, que a fera de mexeu. Causou tumulto pelo medo. Tinham que dar crédito a eles, pois pegaram suas armas de forma reflexiva, mas logo a curiosidade tomou conta.

 

O dragão levantou a cabeça e olhou para os ovos em volta do seu corpo. Os ovos tinham eclodido e Katsuki  estava acordado. Tinha um beber dragão enorme usando o loiro como travesseiro e outro sendo agarrado pelo próprio loiro. 

 

Seja lá o que aconteceu no último mês, foi algo extraordinário, pois no momento em que Katsuki fixou seus olhos em seus seguidores, eles sabiam que seu rei não era mais como um humano. 

 

Os olhos vermelhos e intensos do loiro, agora brilhavam, literalmente, suas pupilas eram fendas reptilianas e até mesmos presas cresceram. Sua aura parecia mais selvagem e sua presença mais perceptível. Duas semanas depois e o dragão ainda estava lá, com seus dois filhos e Katsuki era o único permitido em se aproximar. 

 

Eles descobriram a extensão do poder de um dragão. Antes, eles só tinham uma ideia mínima. Os dragões usam magia, mas não se limitam a isso ou você os veria usando muito pouco. Um ataque supresa na aldeia e antes que qualquer um levantasse um única lança, o dragão abriu a boca cheia de dentes. O fogo que saiu era tão quente que até o que não foi atingido, virou cinzas. 

 

O mais chocante de tudo foi que depois de tudo, um segundo dragão apareceu, logo o terceiro e  quarto. O lugar ficou muito pequeno para morarem, mesmo sendo uma floresta. 

 

Katsuki decidiu que era hora de mudar, expandir procurando novas terras. Para o choque de todos, o loiro entrou em uma conversa unilateral com os quatro dragões orgulhosos e quando menos esperavam, estava sendo levados através do mar verde. 

 

Os metamorfos foram juntos. 

 

Percorreram tantas terras que parecia não ter fim. Foi em uma cadeia de montanhas gigantescas que Katsuki decidiu chamar de lar. Eram montanhas tão grandes e absurdas, que os dragões pareciam meros pontinhos em comparação. Tal coisa só podia ser mágica. Era perfeito. 

 

Com um total de seis dragões, incluindo os filhotes, que Katsuki foi chamado de mestre dos dragões. Inesperadamente, tinha o sangue de um deles correndo nas veias do loiro. 

 

Mais terras foram exploradas, conquistadas e catalogadas. A aldeia cresceu, virou cidade, reino e Império. Katsuki tinha vinte anos quando o castelo ficou pronto. Mais e mais bárbaros se juntaram e metamorfos também. 

 

Foi quando Katsuki fez 40 anos, que ele percebeu que não estava envelhecendo, os outros também perceberam. Parecia que seu corpo tinha congelado nos 25 anos. Talvez fosse a magia dos dragões. 

 

Falando neles, os dragões crescem rápido, o que era estranho. Como se eles acelerassem o tempo para ficarem maiores o mais rápido possível e depois, simplesmente congelavam o tempo, para viver o máximo possível. Antes eles eram apenas sete, agora são vinte e por tudo que é mais sagrado, ainda bem que eles moram em um lugar montanhoso e amplo. 

 

O Império cresceu ao ponto de se tornar uma potência e talvez por isso, Katsuki teve a surpresa de conhecer um Reino. 

 

O rei parecia muito arrogante quando andou pelas terras dos bárbaros, isso até ver o castelo, o ouro jogado casualmente pelos cantos e as pedras preciosas sendo varridas das casas, como sujeira. 

 

Algo que acertaram sobre os dragões. Eles gostavam de colecionar tesouros. 

 

O rei estrangeiro andou com seus homens olhando tudo e absorvendo tudo, a ganância quase jorrando de seus olhos. 

 

Foi quando ele entrou no salão mais amplo que viu em toda sua vida. Tão grande e alto, cheio de luxo que nem parecia algo feito por selvagens. Foi quando o rei levantou o rosto, para uma escadaria que levava para um trono, tão grande que caberia cinco pessoas sentadas lado a lado. 

 

Um homem jovem, alto e com olhos vermelhos brilhantes o olhando do alto. O rosto livre de qualquer emoção e o corpo meio deitado no trono, em um estado de relaxamento. Lobos e metamorfos pareciam usar a escadaria de cama, deitados  de forma desleixada, alguns até roncando. 

 

O rei estrangeiro foi apresentado. Rei de um reino vizinho que supostamente só soube da existência dos bárbaros, depois que muros começaram a serem erguidos do nada. O rei estrangeiro veio exigir compensação, gritou por justiça dizendo que os bárbaros tomaram suas terras. 

 

Katsuki ouviu tudo sem sequer piscar. No salão, mesmo com tantas pessoas reunidas, a única voz era a do servo do rei, que tinham que adimitir, sabia chorar. 

 

Quando viram que ninguém se moveu ou pareceu prestar atenção as lamúrias, passaram a se tornar agressivos. Com ameaças e um ousou levantar a espada para o homem no trono. 

 

As ameaças morreram, joelhos se dobraram e o cheiro de medo preencheu o lugar, fazendo os metamorfos levantarem e franzirem o rosto em desgosto. O motivo? A cabeça enorme de um dragão simplesmente veio de algum lugar de trás do trono. Um longo pescoço rodeou a cadeira e a cabeça se virou para os convidados indesejadas. 

 

Várias cabeças surgiram novamente, detrás dos pilares do salão, todos pareciam fazer um círculo. 

 

O rei estrangeiro olhou para o rei dos bárbaros, cujos olhos brilhavam tão parecido com os olhos do dragão ao seu lado. Katsuki levantou do trono, fazendo os metamorfos saírem do caminho, os bárbaros no salão se ajoelharam e os dragões pareciam se aproximar mais. 

 

Foi quando o loiro ficou cara a cara com o rei estrangeiro, que o homem olhou naqueles olhos vermelhos brilhantes que seu mundo pareceu virar de cabeça para baixo. O rei bárbaro não era humano. 

 

O rei estrangeiro foi embora o mais rápido que suas pernas permitiram. Se presentes do nada apareciam na porta de Katsuki, isso não era problema dele, não pediu por isso. 

 

A próxima visita de um rei, Katsuki tinha 100 anos e mais de 40 dragões. A visita era tudo, menos humana. 

 

O castelo tinha cheiro de hiper natureza, como se estivesse lotado de árvores ao invés de ouro e joias. Katsuki sentou em seu trono e o dragão que generosamente deu seu sangue ao loiro, tinha o estranho fascínio de ficar atrás do trono. 

 

Katsuki olhou para a visita e nem ficou surpreso em saber que existia outras raças. Seres com orelhas pontudas e tão bonitos, que pareciam os filhos mais amados dos céus. A mana ao redor deles era tão grande e vasta, que parecia se dobrar a sua vontade. 

 

Elfos. 

 

Eles entraram olhando tudo, curiosos e surpresos. Ficaram chocados ao ver o dragão maciço rodear o trono. Olharam para Katsuki de cima a baixo como se julgassem algo. 

 

Tinham vindo saudar o rei que ouviram dizer ter um século. O que era estranho para um humano, ainda mais um bárbaro.

 

A conversa fluía normalmente, até que uma elfa que parecia arrogante o suficiente para rivalizar com um dragão, teve a brilhante ideia de retrucar Katsuki, falando e falando de forma arrogante como se fosse o centro do mundo. 

 

Foi nesse dia que Katsuki descobriu que talvez o sangue de dragão em suas veias, fosse tão arrogante quanto um de verdade. Sua raiva liberou uma pressão tão grande que o espaço se distorceu. O lugar ficou quente como uma fornalha e o dragão atrás do trono ergueu sua cabeça, abriu a boca apontando diretamente para os elfos, luz vermelha podia ser vista no fundo da garganta da besta. 

 

Os elfos se ajoelharam tremendo. Nunca tinham visto tamanho poder vindo de um humano. O terror que era a existência do rei bárbaro se solidificou no coração deles e quando saíram do Império, tinham um elfo a menos, vivo já que levavam a cabeça de uma. 

 

A pressão da raiva de Katsuki não foi sentida apenas no castelo, ela viajou muito longe, reinos e atingiu Impérios. Finalmente perceberam que haviam algo aí fora que era perigoso.  Então descobriram os bárbaros e seu exército de selvagens, metamorfos e dragões. 

 

Sereias que com algum sacrifício podiam andar sobre duas pernas, Orcs, fadas, anões, bruxas, vampiros e tudo que só existia em fantasia, veio para conhecer o rei. 

 

Quando Katsuki fez 300 anos, desistiram de tentar casa-lo. Quem precisa de herdeiros quando o próprio rei, parece não ter um prazo de validade. 

 

Mil anos depois, Katsuki estava vivo. O Império tinha mais de mil dragões e ele era considerado o ser mais velho andando sobre a terra, além dos dragões. 2000 anos depois e ninguém ousava falar o nome do rei, sem demonstrar respeito absoluto. 

 

Ao longo dos anos, houveram tentativas de invasão, assassinato ou declaração de guerra. Mas Katsuki simplesmente pegava sua espada, se jogava na luta e saia do campo de batalha invicto, voltando para casa e deixando o matadouro que criou para trás. Outras vezes ele montava um dragão e queimava os reinos e impérios até o esquecimento. 

 

Dizem que só se podiam ouvir gargalhadas altas e cânticos alegres vindos do céu, enquanto na terra, os gritos de temor e desespero soavam em meio as chamas. 

 

Katsuki recebeu benções. Ele não era apenas o rei dos bárbaros, mas também era o guardião das florestas. Protegeu e cuidou não só de seu povo, mas todos aqueles que estavam sob sua bandeira. 

 

Então, um dia, o evento meio místico voltou. 

 

(Fim)