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O som da chave girando na fechadura soou pouco depois das onze. O apartamento os recebeu com o silêncio confortável depois de um dia longo. A iluminação amarelada da sala quebrava a escuridão dos outros cômodos, o tique-taque discreto do relógio sobre o armário ao lado da porta marcava os segundos, enquanto o aroma suave do chá que Itachi havia preparado antes de saírem, ainda preso ao ambiente.
Neji retirou os sapatos junto à porta e caminhou lentamente até a janela.
Lá fora, as luzes da cidade tremeluziam entre os prédios. Chovera algumas horas antes; o asfalto ainda devolvia reflexos dourados dos postes. Apenas a varanda ainda guardava os vestígios da chuva.
— Foi uma noite muito agradável — disse, mais para si do que para Itachi.
Atrás dele, ouviu o som do paletó sendo pendurado. O cheiro da colônia masculina se espalhou discretamente.
— Foi.
A resposta veio baixa, quase misturada ao movimento do tecido.
Neji sorriu, acenando levemente enquanto levava a mão ao colarinho. O primeiro botão da camisa já havia sido desfeito durante a volta para casa. Agora abriu mais um, permitindo que respirasse melhor. Em seguida afrouxou a gravata, puxando o nó lentamente até que ouviu os passos lentos do marido atrás.
Seu corpo antecipou o que viria, embora seu semblante permanecesse sereno.
Quando Itachi parou atrás dele, próximo o suficiente para que o calor de sua presença se tornasse perceptível a sua pele, mesmo sem encostar. Ainda assim, Neji permaneceu voltado para a cidade, com as mãos deixando a gravata.
— Ita — sussurrou, encarando o reflexo do outro. — Você tem me devorado o dia inteiro com esse olhar.
Um leve sorriso surgiu no canto da boca de Itachi, o olhar deslizando sobre o corpo esguio do marido.
— Sim — sussurrou de volta, a voz pesada.
Um arrepio subiu por sua coluna, interrompendo por um instante o ritmo tranquilo de sua respiração.
— E por que ainda não fez nada? — perguntou, rouco.
O Uchiha riu, sem responder, suas mãos, porém, ergueram-se devagar até encontrarem a cintura estreita do marido. O próprio corpo acomodou-se contra suas costas, aproximando o rosto da orelha delicada. A respiração quente aqueceu ainda mais a região.
Neji fechou os olhos, quase rendido, o suficiente para só esfregar o quadril na virilha do marido.
— Não me provoque — resmungou, contraditório.
Itachi mordiscou o lóbulo pálido, sentindo o marido contrair. A rigidez crescente encontrou a saliência macia do quadril do marido, ainda assim demorou mais alguns segundos para responder — apenas para admirar a expressão de Neji na janela.
“Ele não tem ideia do quão é lindo.”
Quando sentiu a tensão reaparecer no outro, sua língua tocou a lateral da orelha deixando outra mordida cálida na parte superior da mesma.
— Você parecia ter esquecido que era seu aniversário hoje — respondeu, apertando-o mais contra si. Talvez fosse uma reclamação. Ou uma tentativa de “puni-lo” por sempre ser tão indiferente de si.
Neji por outro lado abaixou o olhar, a excitação instigando seus pensamentos com sensações, mas não o suficiente para afastar a razão.
— Não costumo pensar muito nisso — rebateu suave.
O tom quase fez Itachi rosnar — quase. Porém ele se conteve, sorrindo de canto.
— Eu sei.
Mais um instante.
— Mas eu penso.
As palavras repousaram entre eles sem qualquer exagero. O silêncio tornou a ocupar o espaço entre os dois ao mesmo tempo em que Neji relaxou um pouco mais contra o peito do marido.
Todos os anos era igual. Itachi insistia em transformar aquela data em algo digno de ser lembrado, enquanto ele fazia o possível para tratá-la como apenas mais um dia. Um jantar reservado, uma viagem inesperada, um presente envolto com cuidado. Nunca era sobre o que recebia, mas sobre a dedicação silenciosa que existia em cada escolha.
Talvez fosse justamente por isso que jamais conseguira fazê-lo desistir.
No fundo... já nem desejava que desistisse.
Era injusto...
Porque funcionava.
Itachi percebeu o sorriso discreto refletido no vidro da janela e aproximou ainda mais os lábios de seus cabelos.
— Você ficou bonito esta noite — comentou, beijando as mechas castanhas.
Neji abriu os olhos, soltando uma pequena risada nasal.
— Ah, a roupa te impressionou? — provocou, vendo o rosto do outro se esfregando em seu cabelo.
— Não — sussurrou, o sopro de sua voz roçando o couro cabeludo. — Você estava impressionante.
Uma risada baixa escapou e Neji virou-se para trás, os braços envolvendo o pescoço do outro. Naquele instante, seus olhares se encontraram frente a frente, ambos observando o fascínio cintilar nas pupilas. Ao mesmo tempo, Itachi observava superficialmente daquela distância curta, a gravata ainda frouxa em torno do pescoço do outro, as pontas caídas sobre o peito meio desnudo. Alguns fios claros haviam escapado do penteado durante a caminhada, suavizando ainda mais a aparência etérea do Hyuga.
Itachi ergueu a mão, mas não o tocou de imediato.
Seus dedos pairaram próximos ao rosto de Neji como se quisesse memorizar cada detalhe daquela expressão. Só então afastou delicadamente uma mecha clara que havia escapado. O arrepio do toque percorreu seus sentidos — sendo o suficiente para que eles inspirassem um pouco mais fundo.
O polegar então demorou-se junto à têmpora, descendo devagar até encontrar sua face.
— Você… ainda tem mais alguma coisa para me dar esta noite? — perguntou Neji em voz baixa.
Itachi sustentou seu olhar por alguns segundos. A distância entre eles era quase nula, o bastante para que o perfume do marido se misturasse ao seu.
Sândalo.
Chá.
Os olhos escuros desceram lentamente até seus lábios antes de voltarem ao rosto.
— Eu tenho — respondeu, descendo a mão. — Se me permitir, é claro.
Neji não respondeu, em vez disso, levou uma das mãos até o peito de Itachi. Os dedos encontraram o tecido da camisa e pouco a pouco, foi abrindo os botões.
Ele não o impediu, seus olhares continuaram fixos um no outro até a peça cair no chão. Com a ponta de seus narizes quase se encontrando, as respirações começaram a dividir o mesmo espaço.
E Neji fechou os olhos primeiro — foi um gesto pequeno. Uma resposta silenciosa, uma aceitação.
Itachi diminuiu a distância restante, tomando os lábios sem pressa. Convidando a língua rosada a dançar com a sua, ao mesmo tempo seus dedos chegaram até a cintura do marido, puxando-o mais para si mais uma vez. À medida que o desejo subia, o beijo se tornava mais intenso, ambos roubando cada pedaço de fôlego do outro.
Até que a respiração se fez necessária e os lábios se separaram relutantes.
— Feliz Aniversário, Neji — sussurrou Itachi, um sorriso lento tomando seus lábios enquanto puxava-o para seu colo, começando a andar em direção ao quarto deles.
Neji arfou baixo, a pele aquecida, ainda assim assentiu de leve antes de roubar outro beijo rápido do marido. Sentindo as mãos fortes apertarem sua carne, fazendo-o gemer descaradamente para Itachi — apenas um momento para despisse de toda a modéstia. Depois ouviu a porta ser aberta com um chute e a escuridão do cômodo cobri-los em seguida.
Lá fora, a chuva voltava a cair com delicadeza contra as janelas. O silêncio quebrado pelo farfalhar das roupas, do ranger da cama e dos sons apaixonados.
