Chapter Text
"Não tem a mínima chance disso funcionar", reclamei para Danny enquanto deslizava a ponta do cigarro debaixo de um prato para o bolso do meu avental.
Danny revirou os olhos e soprou a franja castanha-clara para longe do rosto.
"Vamos lá, Tom. Eles disseram que receberíamos adiantado. E precisamos do dinheiro", argumentou ele.
Ignorei-o e dirigi-me para trás do balcão, onde pedaços de papel indicavam quais pratos precisavam ser levados para cada mesa.
Peguei um prato com linguiça, um ovo e uma panqueca salgada de salsa e enfiei contra o peito dele.
“Leve isso para a mesa três”, ordenei, virando-me antes que eu tivesse que ver a cara que ele certamente faria. Ele sempre mostrava a língua quando estava irritado.
"Rapazes, parem de discutir ou os clientes não voltarão", sibilou Monna entre dentes cerrados, forçando um sorriso de atendimento ao cliente para um senhor idoso que se sentava no balcão à sua frente.
“Desculpe, Monna”, eu disse, voltando para a cozinha.
O lugar estava uma bagunça. A cozinheira tinha ligado dizendo que estava doente, o que significava uma pessoa a menos para cuidar da cozinha e da limpeza. Eu daria conta da limpeza numa boa, mas cozinhar? Isso não era muito a minha praia.
Me espremi entre os armários para alcançar o botão de volume do radinho que mantínhamos "escondido" da Monna. A música "Wouldn't It Be Nice" estava tocando tão alto que conseguia passar pela cortina que separava a cozinha da sala de jantar.
“ Então não precisaríamos esperar tanto tempo... ” cantava Danny enquanto entrava na cozinha, como se a própria música o tivesse convocado.
“Não vou tocar essa música para eles. Ainda não está pronta”, admiti, com o estômago embrulhado.
“ E não seria bom morarmos juntos ?”, ele continuou cantando, me ignorando completamente.
Danny gesticulava com os braços num movimento meio desajeitado de dança.
“No tipo de mundo ao qual pertencemos?”
Ele não estava mais cantando. Ele estava me perguntando.
Umedeci os lábios. Abri a boca para dizer algo, mas as palavras ficaram presas na minha garganta.
"Eu sei, Tom", disse ele suavemente, com os olhos agora mais gentis. "Minha beleza te deixa sem palavras." Ele jogou a franja dramaticamente para o lado.
Escapou-me um resmungo.
"Idiota." Dei um tapa no ombro dele.
