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Português brasileiro
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Published:
2026-05-22
Words:
13,007
Chapters:
1/1
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30

Ronronterapia

Summary:

Park Jimin ama ser psicólogo, mas às vezes é cansativo. Seus amigos vivem dizendo que ele deveria tentar a ronronterapia, que consiste em passar o tempo que precisar com um gato ronronando.

Só tem um porém: o único lugar onde eles oferecem esse serviço é comandado por Min Yoongi, um híbrido de gato que Jimin odeia.

Notes:

Olá, leitores!

Chegamos com mais uma história e, desta vez, do autor ymwings

Ele trouxe uma história maravilhosa para nós hoje, então, se acomodem, e vamos ler!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

ᓚᘏᗢ

Até mesmo o som do estofado da cadeira voltando à posição normal parece alto aos ouvidos de Jimin. Ele se despede de sua última paciente do dia, e, ao abrir a porta, ouve todo o burburinho do lado de fora. Muita gente conversando ao mesmo tempo. Alguns ainda respeitam o silêncio, mas outros não, como um grupo de jovens quase gritando no fim do corredor. Há também o som, não tão acolhedor, das máquinas de café. Jimin é uma pessoa que precisa de café para sobreviver, só que a essa hora até mesmo o barulho dessas máquinas é um incômodo.

A Porta é fechada em questão de sete segundos ou menos; ainda sim, pareceu uma eternidade para ele.

Por algum milagre, quase toda a barulheira do lado de fora é dissolvida.
Jimin se encosta na porta, fechando os olhos e respirando profundamente, uma única lágrima escorre pelo seu rosto, ele não sabe dizer se é devido ao cansaço, se e por ter se emocionado durante a sessão, ou sei lá.

Sem pensar demais nisso, ele se joga de qualquer jeito em seu sofá, usado pelos pacientes. E daí que ele atendeu alguém que não parava de espirrar e talvez tenha contaminado todo seu estofado, e daí daí e daí. Foda-se.

Não muitos minutos depois, a porta se abre, desta vez o barulho de fora parece ter dado uma amenizada. Jimin nem se mexe, sabendo que só uma pessoa tem autorização de entrar sem bater.

Ele escuta a voz abafada de seu melhor amigo e o barulho da cadeira sendo movida, só assim Jimin ajeita a maneira que está deitado, ficando de barriga pra cima, olhando para o teto, e mãos no peito como se estivesse em seu leito de morte.

— Quer conversar?

— Se eu disser que não, você vai respeitar?

— Claro que sim! Que tipo de amigo você acha que eu sou?

— Do tipo que vai me enrolar até falar — Jimin fecha os olhos, não aguentando mais toda aquela claridade — se pagar minha bebida, eu aceito.

— Como se eu não pagasse toda vez que a gente sai.

— Por isso que eu te amo Jin-hyung.
Seokjin ri alto, limpando uma lágrima falsa do rosto, para dar ênfase no seu divertimento. Eles passam alguns minutos em silêncio, Seokjin dando o espaço que Jimin precisa para relaxar a mente e então poder realmente conversar sobre tudo que aconteceu hoje ou só… fazer companhia, Seokjin sabe que ter a presença dele ali ajuda a deixar Jimin mais relaxado.

— Sabe os dias de azar direto? Quando absolutamente tudo dá errado? É hoje.
Tudo começou às cinco da manhã, Jimin na verdade só tinha paciente às oito, mas ele acordou e nada no mundo o fez dormir de novo. Nem chá de camomila, nem ouvir música calma, ou tomar mais de um remédio pra dormir.

Ficar acordado das cinco até às sete, se revirando na cama, pode não parecer, mas cansa. Jimin só queria dormir…

Até aí tudo bem, essas coisas acontecem. Jimin sabe que ele tem uma genética boa demais que não deixa ele se afetar aos remédios e é por isso que ele tem tanta dificuldade para dormir. Não é algo de agora. Às vezes acontece. Coisas da vida.

Ele se atrasou. Jimin nunca se atrasa. O sono começou a se manifestar bem na hora que tinha que levantar, ele ignorou o sono e fez o que tinha que fazer. Chegar ao trabalho. Chegou tão correndo, que teve que pegar café em uma das máquinas de café do corredor onde fica as salas de atendimento, vulgo o pior café já tomado na história, ruim, nem um açúcar, um adoçante ou canela resolvem.

No fim, o psicólogo nem conseguiu tomar o café, pois acabou virando em si mesmo depois da primeira sessão.

O café já estava frio.

Poderia ter sido pior. Essas coisas acontecem.

Jimin já trás uma roupa extra na mochila para casos como esse.

— Eu já tava sem café, aí pensei em almoçar, só que a última sessão demorou tanto, e eu não podia parar porque era um caso delicado. Conclusão: não deu tempo de almoçar.

—  Tu não comeu nada até agora? Jimin…  — talvez, só talvez os hábitos alimentares de Jimin também não sejam dos melhores, mas em defesa dele… — vamos sair pra comer algo.

— Quero minha casa,  Jin-hyung. E não, não precisa cozinhar pra mim. Não quero ser um incômodo.

— Foda-se, vou do mesmo jeito — Jimin negou com a cabeça, seu hyung era insistente demais, quando envolvia a saúde de um de seus amigos — ou você vai mesmo negar a minha comida?

— Nunca.

— Foi o que eu pensei.

Além de tudo que tinha acontecido, o dia de Jimin foi baseado em sessões com todos os seus pacientes mais complicados, Jimin adora eles, de verdade, até os garotos rebeldes que estão ali por obrigação da mãe. É só que, todos juntos, no mesmo dia,  um atrás do outro, é demais, muito demais pra qualquer um aguentar.

Jimin está completamente e totalmente exausto.

— Quer que eu te carregue até o carro?
A alma até volta para o corpo dele, com o comentário de Seokjin.

— Isso seria ridículo. Tá cheio de gente lá fora.

— E desde quando você se importa com o que as pessoas vão pensar? — o psicólogo olha para Seokjin, observando aquele sorrisinho idiota na cara dele e a sobrancelha levantada.

Ele se deixa ser carregado nas grandes costas de Kim Seokjin.

 

ᓚᘏᗢ

Em casa, depois de um bom banho quente, e muito bem alimentado com a comida do seu melhor amigo hyung. A vida começa a voltar para o corpo de Jimin.

Os dois agora estão descansando na sala, alguma novela aleatória passando na tv. Jimin deitado no sofá, ocupando quase todo o espaço enquanto usa o colo de Seokjin de apoio para os pés, se Seokjin já não fizesse tanto por ele, Jimin pediria uma massagem agora, mas isso seria demais.

— Sabe o que seria muito bom pra ti?!

— O que?

— Ronronterapia.

Ah. Jimin lembra muito bem desse nome, vários de seus pacientes comentaram sobre tentar essa tal terapia ronron, a maioria deles que comentou sobre parou de vir nas sessões um tempo depois.

Jimin nem sabe sobre o que ela é, mas não importa, roubou metade de seus pacientes, ele já não gosta dela. Não que Jimin seja maluco por ter mais e mais pacientes, é só que ele se importa se seus pacientes estão indo em terapias de verdade, terapias com psicólogos formados que sabem o que estão fazendo. Diferente dessas outras ai…

— Não, Jin, nem vem. Você sabe que eu não tenho tempo pra terapia, ainda mais que terapias diferentes assim, nem são terapias de verdade, hyung.

— Mas ainda são terapias. Você como psicólogo sabe que deveria fazer terapia, e essa terapia você pode escolher a duração da sessão, normalmente elas são bem curtinhas, você só precisa de cinco minutos.

— Cinco minutos? E isso é uma terapia? Não dá pra fazer nada em cinco minutos.

—  Realmente. Mas você que nunca tem tempo na agenda, cinco minutos é o suficiente.

Jimin murmura ainda desacreditado que tão pouco tempo assim pode fazer alguma diferença na vida dele, entre terapia de cinco minutos, é melhor nem fazer. Ele sabe que Seokjin disse que dá pra escolher o tempo, mas saber que é possível escolher somente alguns minutinhos, não lhe passa tanta confiança sobre essa terapia.

— Que terapia é essa? — Seokjin sorri como se tivesse vencido uma olimpíada.

— Ronronterapia. Terapia do ronronar. Basicamente você paga pra ficar quantos minutos quiser em uma sala confortável, com um gato. Só de estar com o gato, suas energias e humor já melhoram, e ouvir ele ronronar, intensifica os efeitos.

— Isso ta parecendo invencão de algum riquinho pra ganhar dinheiro fácil de uma forma idiota, é tão mais fácil adotar um gato.

— Algumas pessoas não tem como adotar um gato, você por exemplo é alérgico, aguenta um tempo com eles, mas passar o resto da vida com um morando na sua casa seria um desafio enorme, ainda mais que nenhum remédio parece funcionar em ti.

Ponto pro hyung.

— Tanto faz. Isso não é terapia de verdade.

Jimin virou o rosto para o lado da tv, fingindo prestar mais atenção no que passava, para Seokjin se tocar que a conversa estava encerrada. Para o mais velho não estava, não por completo, mas ele vai dar um desconto hoje, Jimin está cansado demais para levar a sério qualquer coisa que ele diga.

 

ᓚᘏᗢ

Sabe quando tudo dá errado? Dia de azar. Uma sequência de azar durante o dia inteiro. Então um dia se torna dois, três. Vários dias de azar, que viram semanas de azar.

É começo do mês, todo sábado, na primeira semana do mês, seus amigos combinam de se reunir em algum lugar para beber e beber mais. Jimin não quer ir, ele não teve uma única noite de sono completa durante a semana, só que ele também já faltou as últimas duas vezes, ele sabe que seus amigos querem que ele vá.

Então é isso que ele faz.

Beber pelo menos ajuda a esquecer um pouco de todo o resto.

Isso até ele ouvir aquela palavra de novo.

— Vocês já foram na clínica de ronronterapia do hyung? É tão adorável — os olhos de Jungkook brilhavam mais a cada palavra, não que fosse muito diferente de como ele é normalmente — o único defeito é que você não pode ter uma sessão com todos os gatos ao mesmo tempo. Não sei porque, mas não pode. Seria o paraíso se desse.

— Tô doido pra ir, o Hobi só fala disso lá em casa, mas eu não tive tempo ainda, ou é aula todo dia ou é prova pra corrigir, tomara que as férias cheguem logo.

— Falando no Hobi, como ele anda Tae?

— Ocupado ensaiando pra peça de final de ano, ele conseguiu um dos papéis principais então… é cansativo né, mas ele adora. Ele queria ter vindo hoje, só que tinha ensaio.

— De noite? — Taehyung assente com certa dor no olhar.

Jimin consegue ver mais por trás do rosto dele. Um sentimento muito conhecido por todos do grupo. A saudade de quando todos do grupo eram mais jovens, a época da faculdade pra ser mais exato, era trabalho e prova pra todo lado, mas eles ainda tinham algum tempo para se encontrarem em noites como essas e beberem sem se importar com o amanhã.

Era divertido. Cada um do grupo fazia um curso diferente, eles tinham que caminhar por todo o campus para se encontrar todos os dias na hora do almoço e caminhar tudo de novo pra voltar a tempo das aulas da tarde, quando tinha aula de tarde.

Taehyung havia feito letras, ser professor de português não era exatamente o que ele queria, seu sonho era ser escritor, mas a escrita acabou se tornando apenas um hobbie. Já Hoseok era um cara que não se importava nem um pouco com o que diziam, fez artes cênicas, aproveitou a faculdade para fazer todos os contatos possíveis e sempre que possível estava em uma peça de teatro, sendo em cima do palco ou apenas nos bastidores.

Os prédios das artes e das letras eram os mais próximos, o que fez com que Hoseok e Taehyung passassem mais tempo juntos do que com os outros do grupo, consequentemente, eles se apaixonaram um pelo outro, logo depois da faculdade os dois decidiram morar juntos, pode ser que não tenha nenhum papel oficializando, mas todos os consideram casados.

— Mais um motivo pra vocês irem na ronronterapia. Ficar um tempinho com gatos vai ser ótimo, tenho certeza que o Yoongi hyung vai deixar vocês entrarem juntos. Vocês vão ver, essa terapia alivia muito o cansaço, parece milagre — Jimin acha Jungkook um pouco exagerado as vezes, no fundo ele até entendia, Jungkook cursou publicidade, era quase automático fazer propaganda de tudo, ainda mais coisas que ele parecia gostar tanto, como gatos e Yoongi.

Jimin até que entende ele, gatos são adoráveis, ronronterapia consegue ser um nome meio engraçadinho, por mais que ele tenha tudo contra outros tipos de terapia, a questão é que ele não gosta de Yoongi.

Yoongi e Jimin eram os únicos do grupo de amigos que faziam a mesma faculdade.

Yoongi não era bem do grupo em si, ele sempre foi mais amigo de Seokjin, já que os dois dividiam quarto.

Outra coisa sobre Yoongi é que ele é um idiota.

— E você Jimin? Seokjin hyung disse que você tava precisando de uma ronronterapia. Quando você vai? Nós podemos ir juntos se você não quiser ir sozinho.

Claro que o assunto cairia nele uma hora ou outra. Jungkook precisa convencer o universo inteiro a ir nessa clínica.

— Eu não vou.

Jungkook parece perder o brilho animado de antes e toda a mesa fica em silêncio.

— Não ajam como se fosse a pior coisa do mundo, eu só não preciso ir e também se precisar eu vou numa terapia de verdade não em uma clínica ridícula dessas.

— Mas você adora gatos… e é comprovado que gatos ajudam no estresse Jimin.

— Foda-se.

— Tudo bem, gente — Seokjin interfere na conversa antes que os mais novos briguem, Jimin está tão estressado do dia a dia que o Kim tem certeza que qualquer coisinha nesse momento é o suficiente pra tirar ele do sério — Jimin não precisa ir se ele não quiser.

O resto da noite segue mais calma depois disso, a bebida começa a deixá-los sonolentos. Jimin fica quieto, refletindo. Sua vida está tão merda assim pra ele quase ter brigado com seus melhores amigos por algo tão idiota? Provavelmente.

É duas da manhã quando eles saem do bar, Hoseok vem buscar Taehyung e dar um oi rápido se desculpando por não ter comparecido hoje. Jungkook aproveita pra pegar uma carona com eles.

Seokjin e Jimin ficam sozinhos. Os dois caminham juntos pra casa, trabalham em prédios um do lado do outro e moram no mesmo prédio. É engraçado porque aconteceu no acaso. Nada disso foi combinado, mas os dois gostam de estarem sempre perto. Jimin acha que já teria enlouquecido se não tivesse seu hyung tão próximo dele.

Ele ama seus amigos, mas Seokjin é o único que parece entender Jimin, sem que Jimin diga algo, e olha que o mais velho cursou Desenho Industrial, o que não faz sentido nenhum.

— Não vou insistir porque sei que você não gosta do Yoongi. Mas… considera pelo menos voltar pra terapia ou diminuir seus horários. Eu sei que você quer dar conta de todos seus pacientes, mas você não vai conseguir ajudar ninguém nesse estado.

Seokjin estava certo, de novo.

Talvez… só talvez, Jimin devesse cuidar mais da própria saúde antes de cuidar dos outros.

 

ᓚᘏᗢ

Viciado. Viciado em trabalhar. Viciado em querer ajudar tudo e todos o tempo todo. Viciado em café. Viciado em acordar cedo sem ter dormido direito. Viciado. Jimin era viciado.

Ele sabia disso e aqui estava ele mais uma vez, jogado de qualquer jeito em seu sofá após finalizar todas as sessões do dia. Já fazia alguns longos minutos que a última sessão acabou, pela janela dava pra ver a escuridão lá fora, e Jimin não tinha força nenhuma de levantar e ir pra casa.

Péssimos hábitos, ainda mais que amanhã ele tem que trabalhar o dia inteiro. Não se deve atrasar aqui pra não atrasar amanhã.

Não importa.

Por algum milagre ele pega o celular e percebe que Seokjin enviou várias mensagens a ele.

[18:04]

Não vou poder te levar pra casa hoje
Vai embora por favor não quero te encontrar aí morto no sofá amanhã de manhã

[19:53]

Se você não provar que está em casa até às 20h eu juro que dou um jeito de cancelar toda sua agenda amanhã

Jimin quase se desespera, Seokjin não seria louco a esse ponto, não é? E nem é oito horas…

[20:02]

Agenda cancelada

Confie em mim, Ji

Isso vai ser bom pra você

O ruim de ser amigo de Seokjin é que Seokjin tinha contatos. Quando ele diz uma coisa, existe 99.9% de chance de ele fazer tal coisa.

Jimin não acreditou nele porque tudo tem limite, aparentemente, não para Seokjin.

[20:06]

93 Myeongdong 7-gil, Jung District 📍

Não precisava nem abrir a localização, Jimin sabia que lugar era esse, e Seokjin sabia que Jimin não iria lá de jeito nenhum, nem nos seus piores pesadelos.

Se até a terapia tradicional que Jimin estuda e acredita tanto ele acaba negligenciando, ata que ele, sendo quem ele é, iria em uma terapia ridícula e sem fundamento algum, ainda mais comandada por um idiota.

 

ᓚᘏᗢ

“Quando estiver atendendo um paciente lembre-se sempre de manter a cabeça em ordem, para ter foco total em ouvir e acolher, sem julgamentos. Uma cabeça bagunçada leva vocês para muitos lugares que não devem”

Agora, se ela está bagunçada, nublada de tanto estresse, ela literalmente te leva a tomar as piores decisões da sua vida, e acabar em lugares reais.

Jimin não acredita que estava aqui.

Olhando de fora parecia um lugar normal, em uma rua normal, com pessoas normais passando por ela. Uma pequena placa na porta era o único indicativo do que se tratava esse lugar, nada chamativo como seus amigos fizeram parecer.

Por um segundo, Jimin hesitou, isso é ridículo, mas ele já estava aqui, não estava? Bem na entrada. Só precisava abrir a porta e dar alguns passos.

Que se foda. Qualquer coisa é só dar meia volta, quem sabe mudar de cidade, bloquear todos seus amigos nas redes sociais.

Um sininho toca acima dele, é quase irônico, um sininho em uma clínica com gatos, isso é pra que? Fazer você se sentir como um gato? Ou talvez chamar a atenção dos gatos daqui? Olhando rapidamente em volta, não há nenhum gato à vista, apenas…

— Olha só quem temos aqui…. O hyung disse que tava tentando te convencer, mas eu não achei que ele conseguiria — ele conseguiu? Dizer que ele conseguiu é uma palavra muito forte, o psicólogo prefere acreditar que ele está completamente fora de si  — quem diria que Park Jimin, o cara mais defensor da terapia tradicional viria a esse lugar? Eu lembro bem de todas as vezes durante a faculdade de você dizendo que todos os outros tipos de terapia são bobagens pra otários gastarem dinheiro.

Jimin não pode ver devido ao balcão separando eles, mas ele tem quase certeza que o longo rabo preto do híbrido deve balançar de um lado pro outro agora, para acompanhar o tom de sarcasmo de Yoongi.

— E são. Ou você quer mesmo me convencer que isso aqui faz algum sentido?

— Ai, Jimin… Quer mesmo discutir sobre isso? Eu poderia ficar horas até te convencer do meu ponto, mas eu tenho mais coisa pra fazer — como se fosse dar ênfase, Yoongi desvia o olhar de Jimin para o computador em cima do balcão, digitando algumas coisas aleatórias antes de voltar a conversa — Sabe, ninguém tá te obrigando a gastar dinheiro aqui é só ir embora.

E Jimin vai mesmo, depois dessa recepção de merda de Yoongi. Ele se sente ridiculo em pensar que talvez essa terapia não fosse tao idiota, mas ainda tinha Yoongi, o principal idiota desse esquema todo.

— Jimin espera! — ele já estava com a mão na maçaneta, um ou dois passos e estaria fora desse lugar, porque Yoongi tinha que gritar isso agora? — Seokjin vai me matar se deixar voce ir embora assim… Vem. Não vou nem cobrar pra você, considere um teste grátis.

Seus pés foram mais rápidos que o resto do corpo, e quando viu, Jimin estava seguindo Yoongi até uma salinha.

É uma sala pequena, parece com um consultório comum de terapia, tem um sofá, uma luz baixa em um tom amarelado, o detalhe é que há alguns brinquedinhos de gato, e um gato preto dormindo no sofá.

— Cinco minutos deve ser o suficiente, certo?

Yoongi apenas fecha a porta antes que o psicólogo diga qualquer coisa.

Sozinho com o gato, Jimin não sabe bem o que fazer, o gato parece bem dormindo, mas já que essa provavelmente será a única vez que ele vem aqui, Jimin se senta ao lado do gato.

Com a movimentação, o gato ergue a cabeça, Jimin estende a mão para que o gato possa cheira-lo, e então o bichano esfrega a cabeça na mão de Jimin. É quase automático um sorriso pequeno surgir no rosto. Jimin ama gatos, caso ainda não tenha ficado claro. A questão é que como muitas pessoas nesse mundo, Jimin nunca pode ter um gato em casa, primeiro porque seus pais não gostavam, depois porque ele não tinha tempo de cuidar de um, além disso, tinha a alergia ao pelo, passar um tempo com o gato é uma coisa, mas ter ele em casa por anos, nem os melhores antialérgicos do mundo o ajudariam.

— Cinco minutos — Jimin olha para Yoongi sem parar de fazer carinho no gato. Como já passaram cinco minutos? Não faz sentido… Jimin nem mesmo ouviu a porta sendo aberta de tão… Ai. Fazer carinho em gato realmente limpa a mente, não é?

Que se foda, Jimin tenta não esboçar nenhum sentimento ao ver a cara ironica de Yoongi e aquele maldito sorrisinho de lado dele. Até parece que ganhou alguma coisa.

 

ᓚᘏᗢ

[17:31]
Fiquei sabendo que você foi na ronronterapia

E aí??? Como foi?

[17:45]

Yoongi é um idiota

ronronterapia é idiota

tadinho dos gatos que nem sabem que tão sendo usados pra esse tipo de coisa

[17:47]

Os gatos sabem eles sempre sabem das coisas

E Yoongi é híbrido de um esqueceu?

Ele consegue falar com os gatos

Ele estudou essa terapia muito bem antes de tornar ela um lugar real

E os gatos foram escolhidos a dedo

Os que não se davam bem em ficar lá voltaram pra adoção

Não sei se você sabe mas o Yoon ajuda os abrigos

Quase todo o dinheiro da ronronterapia vai pros abrigos

[18:02]

Nossa que milagre, ele pensa também

Isso não muda o fato de ele ser um babaca e dessa terapia ser ridícula

As pessoas desistem de fazer terapia com profissionais por causa desses lugares sem sentido


[18:10]

Se você acha

[18:12]

Eu tenho certeza Jin

Já perdi pacientes q disseram na última consulta deles q fazer essas terapias não tradicionais ajudava mais do q a minha sendo que a minha foi bem mais estudada antes de ser executada


[18:16]

As outras terapias tbm foram estudadas

Mas eu não quero brigar Jimin

Só vim perguntar oq vc achou

Não foi nem um pouquinho bom ficar cinco minutinhos com um gato?

[18:21]

Não

Na verdade, não foi tão ruim quanto ele imaginava que seria, mas isso não muda o fato que pagar pra passar um tempo com um gato não é uma terapia.

Além disso, do jeito que Seokjin é amigo de Yoongi, tudo que ele falar logo vai estar no chat dos dois, e Jimin não quer isso, nunca que ele daria esse gostinho ao babaca, mesmo que seja uma frase tão pequena de “não ser tão ruim a falsa terapia”, um não ser tão ruim ainda é diferente de um ruim.

 

ᓚᘏᗢ

Um mês foi o suficiente para Jimin se encontrar no mesmo estado novamente.
Sair com os amigos, por mais que tenha gastado um pouco de sua energia o fez bem, e mesmo que ele nunca admita, ter tido aqueles cinco minutos com um gato também o ajudou.

Agora ele estava mais uma vez exausto,  jogado no chão de sua sala dessa vez, porque a bolinha do piercing da orelha havia caído, então ele se abaixou e procurou e quando ia se levantar, bateu a cabeça na mesa e simplesmente desistiu, acabando no chão e com dor, muita dor.

Jimin como um homem tradicional, não só na psicologia, mas em geral, nunca acreditou em superstições, ditados populares ou o que fosse. Para ele, ter passado debaixo de escadas, quebrado vários espelhos e visto um gato preto, não significava nada. No entanto, alguma coisa não fazia sentido na vida pra ele ter tanto azar assim.

Era impressionante como todos os dias acontecia merda atrás de merda.

— Você sabe que cinco minutos com um gato resolveria tudo, não sabe?

Jimin se senta assustado com a voz repentina, estava tão perdido nos pensamentos que não ouviu nem sequer a porta abrir. Mas também… havia estudos que gatos são naturalmente silenciosos, ele deveria ter imaginado isso, caso existisse a possibilidade desse indivíduo não esperado aparecer por aqui.

— Yoongi que porra você tá fazendo aqui?!

— É assim que você recebe seus pacientes? — Jimin o ignora, voltando a deitar no chão, não vale a pena discutir com um idiota que acha que ronronterapia é uma terapia de verdade — vim ver o Jin, me disseram que ele tava nessa sala.

— Não tá. Agora pode ir embora.

— E eu vou, mas posso te receitar um gato antes?

— Não!

 

ᓚᘏᗢ

77 Mensagens ignoradas.

Jimin só precisava que Seokjin o mandasse a merda que fosse, ou uma figurinha ridícula, tanto faz, ele só precisava que seu melhor amigo e hyung favorito o impedisse de fazer mais uma merda. Mesmo que no fundo soubesse que Seokjin seria o primeiro a acompanhá-lo durante um dos maiores erros de sua vida.

Mais um dia de muitos azares havia passado desde que Yoongi apareceu no consultório dele e Jimin nunca admitiria, mas ele precisava de terapia, daquela em específico.

A questão é que Jimin não quer ir lá, Jimin odeia aquele lugar, odeia Yoongi, odeia a vida e que se foda tudo.

Terapias não tradicionais vieram para roubar os pacientes da tradicional.

Yoongi não era um terapeuta.

Yoongi largou a faculdade de psicologia no sétimo semestre.

E agora por algum motivo ele acha que tem direito de alguma coisa.

O lugar é igual à última vez. Não dá pra ver nada pelo lado de fora, e só uma pequena placa na porta indica o que é. Jimin não acredita que vai fazer isso.

— Tô começando a acreditar que milagres acontecem.

— Não se sinta tão especial, não vim por você.

— Se quer acreditar nisso… Fique sabendo, que hoje não temos teste grátis — Yoongi saiu de trás do balcão e começou a caminhar pelo corredor, esperando que Jimin fizesse o mesmo — cinco minutos?

— Cinco minutos.

— Ok.

 

ᓚᘏᗢ

Cinco minutos não é tempo suficiente.

Jimin sabia disso desde a primeira vez que foi até aquela clínica, sabia até antes disso.

Nenhum problema some em tão pouco tempo, nem mesmo coisas ditas como pequenas como uma dor de cabeça ou estresse do dia a dia. Até porque não existe remédio que cure dor em cinco minutos ou menos, nada nesse mundo tem esse poder, e, principalmente, não é uma terapia ridícula envolvendo gatos que vai conseguir.

É ainda mais ridículo quando você para pra pensar.

Ronronterapia. Terapia do ronronar. No entanto, na prática, é um pouco raro que um gato decida ronronar imediatamente quando você estiver com ele, gatos não são assim, nem mesmo o gato mais simpático e sociável do mundo vai ronronar pra todos, ou o tempo todo, ronronar é um ato que os felinos só produzem quando estão confortáveis, em um certo nível de bem-estar e puro relaxamento onde estão e com quem estão.

Ou seja. Isso tá mais pra uma Terapia de gato, Gatoterapia, Cat Terapia, Catterapia.

— Catherapy? — Jimin pronuncia em um tom baixo carregado do inglês que ele não tem.

— Isso é algum tipo de terapia parecida com a do Yoongi hyung?

O psicólogo andava tão pensativo que nem percebeu o mais novo se aproximando de sua mesa na cafeteria do prédio onde ele trabalha. Normalmente Jimin só passa aqui pra pegar um café e segue para sua sala depois, quando esquece de tomar em casa, e ainda dá tempo de pegar um café bom de verdade ao invés daqueles horrorosos da máquina de café velha que tem no corredor do consultório dele. Jimin nunca tem tempo de sentar em uma das mesas da cafeteria daqui, e olha que até que não é tão ruim, as conversas ao fundo nem o incomodam tanto como costumam incomodar quando ele está na sala dele.

— Não, eu só tava pensando..

— Pensando no que?

— Você não devia estar trabalhando, Jungkook?

— Ai, Jimin… Eu posso fazer pausas, sabia? Diferente de alguns que usam suas pausas para atender outro paciente — Jimin o ignora, não era de hoje que seus amigos implicam com seus horários, mas não era culpa de Jimin que suas pausas entre uma sessão e outra fossem tão curtas, só assim ele conseguia atender todos… — Além disso, garantir que os clientes do café estão bem também faz parte do trabalho.

— Eu ficaria bem se você me desse um capuccino extra de graça.

— Isso eu não posso. Mas então… O que você  tava dizendo antes de Cat Therapy? — Jungkook se senta de frente pra Jimin na mesa, aproveitando que não tinha muita gente no café, só assim para realmente poder fazer uma pausa para conversar com um amigo. É engraçado para Jungkook, que Jimin e ele trabalhem no mesmo prédio e quase não se encontrem pra conversar, nem mesmo almoçam juntos, já que esse é o horário mais movimentado no café. Sendo que Seokjin, que trabalha no prédio ao lado em um escritório de arquitetura, quase sempre dá um jeito de passar um tempinho por aqui, conversar com Jungkook, Jimin e mais vários outros amigos que ele encontra pelo caminho. Às vezes até parece que ele trabalha nesse prédio ao invés do outro.

— Pensando alto.

— Sobre?

Em outras ocasiões, Jimin nunca diria o que estava pensando, pensar em Ronronterapia significava pensar em gatos e no dono daquela clínica. E bem, e daí que Yoongi de alguma forma fazia parte do grupo de amigos dos seus melhores amigos? Pensar nele poderia ser um pouco questionável.

E dependendo de pra qual amigo ele falasse isso, logo chegaria a informação para Yoongi.

Se tem uma coisa pior do que odiar uma pessoa que é um grande amigo de seus amigos, e criar uma rivalidade com ela por que vocês faziam faculdade juntos e de repente ele largou a faculdade antes de terminar e agora de alguma maneira trabalha com uma coisa semelhante com a sua que é menos confiável que uma terapia tradicional, já que ele não terminou a faculdade, ou seja, ele não tem direito nenhum de trabalhar com isso. Essa coisa com certeza, é ele ficar sabendo que você pensa nele, não importa se é um pensamento de “ai meu deus a terapia dele é ridícula” tudo que importa pra esses babacas é invadirem sua mente e dominarem um espaço nela por um bom tempo.

O clássico, “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

Idiotas. Todos eles que usam essa frase e principalmente, Min Yoongi.

A questão é que foda-se. Eles eram seus amigos também. Jimin já estava cansado de não conseguir conversar com seus amigos porque eles são amigos daquele híbrido idiota.

— Ronronterapia é um nome que não faz sentido, os gatos não ronronam tão fácil assim pra esse ser o nome da terapia.

— É um bom ponto. Mas chamar de Cat terapia parece que é uma terapia pra gatos, ou gatos híbridos como o hyung.

— Hmm. Até que faz sentido. Falando nisso, o Yoongi não… — de repente algo o para, quem era ele pra lembrar de coisas que uma vez o híbrido havia dito na faculdade quando eles ainda eram… alguma coisa — deixa pra lá.

— Começou vai ter que falar — ele olha para Jungkook com aquela cara de “sério isso?”, e Jungkook apenas ri — tá, tá, não vou insistir, mas se quiser saber algo sobre ele seria legal se você perguntasse pra ele, como pessoas normais fazem.

Alguém chama Jungkook para voltar ao trabalho e ele rapidamente levanta, deixando Jimin mais uma vez sozinho com seus pensamentos barulhentos e um capuccino.

Em algum lugar, no fundo do cérebro dele, Jimin sabe que deveria tentar se dar bem com Yoongi, pelo bem do grupo de amigos deles, mas que se foda. Quantos anos eles se conhecem e nada nunca deu certo entre eles? Jimin realmente não consegue entender como um ser tão idiota, quanto Yoongi, pode ser tão amigo dos amigos dele. O híbrido nem tem nada de especial.

Bem, pra ser honesto, dizer que nada nunca deu certo entre eles, pode ser um exagero, ou até mesmo um erro. A grande questão é que algo aconteceu.

No começo da faculdade os dois eram estranhos, fazendo o mesmo curso por três semestres inteiros, até conversarem de verdade, quando Seokjin chamou os dois para saírem junto com outros amigos. Depois disso, eles se aproximaram um pouco, um comentário aqui, outro ali, sobre a aula ou algo bobo, nada demais. Nada que os torna-se amigos realmente. Nada. E talvez esse fosse o problema.

 

ᓚᘏᗢ

Yoongi ser um idiota, não significa que Jimin tem que evitar ele totalmente, querer ele queria, mas, independente dele admitir ou não, passar um tempo com gatos talvez, bem lá no fundo, seja um tipo de terapia, não uma terapia tradicional, nem mesmo uma terapia de verdade, é mais como um modo de dizer do que ser uma terapia. A questão é que, funciona, ajudou o psicólogo a desestressar, coisa que até algumas semanas atrás parecia uma missão impossível. Seus amigos estavam preocupados de verdade com ele, afinal não era a primeira vez que Jimin se prendia a alguma coisa assim, ao ponto de nem comer direito, e eles lembram muito bem o que aconteceu com ele da última vez que isso aconteceu.

Era final do último semestre da faculdade, e toda a pressão depositada em cima do trabalho de conclusão de curso estava lá, Jimin passava horas pesquisando, planejando e escrevendo, e escrevendo, e escrevendo, enquanto via seus amigos saindo e se divertindo, porque claro que mesmo que estivessem todos na fase final da faculdade, alguns deles tinham se formado, e os que estavam terminando já tinham quase tudo pronto, porque diferente deles, Jimin queria que tudo estivesse perfeito.

E o trabalho ficou perfeito, mas Jimin acabou sendo internado um dia antes da apresentação porque desmaiou de exaustão.

No fim, ele conseguiu apresentar e concluir a faculdade. Só que decidiu ignorar completamente o que aconteceu, e daí se a saúde mental dele ficasse ferrada? Havia coisas mais importantes nesse mundo pra fazer.

Por muito tempo ele se manteve bem, perder tempo era a coisa que ele mais odiava e ficar internado era uma perda de tempo, então Jimin se cuidava na medida do possível. No entanto, nem tudo dura pra sempre, e alguns hábitos ruins voltam a aparecer…

E como no fundo ele sabe que deveria fazer alguma coisa, ele acabou aceitando a ideia de ir até a clínica de ronronterapia, por mais estranho que isso seja, mas bem, são gatos! Jimin ama gatos desde pequeno, e nunca pode ter um devido a alergia. É por isso que ele vem tentando ignorar a existência de Yoongi.

Infelizmente a clínica dele é a única que oferece esse tipo de serviço, então Jimin se vê obrigado a lidar com o híbrido.

No entanto, quando ele entra no local já tão conhecido depois de todas essas vezes que veio aqui, não é Yoongi que o psicólogo vê atrás do balcão como de costume.

— Joon?

— Jimin, quanto tempo!! — o mais velho imediatamente dá a volta no balcão e puxa Jimin pra um abraço repentino, mesmo que Jimin não estivesse esperando por isso, ele retribui o abraço. Namjoon era um antigo amigo querido, fazia parte do grupo de amigos deles, mas infelizmente ele teve que se mudar para Londres depois que a faculdade acabou e Jimin acabou perdendo contato com ele, mesmo que alguns de seus amigos ainda o tivessem, eles nunca mais se falaram, Jimin dificilmente tinha tempo.

— É, quanto tempo… Faz pouco que você voltou?

—  Faz algumas semanas.

— O que?! E por que ninguém do nosso antigo grupo se juntou pra comemorar?

— A gente meio que saiu pra comemorar, mas eles me disseram que você estava tão ocupado que nem viu as mensagens.

Ah.

— Isso… — me lembrou daquele último semestre… a sua despedida que eu também não fui — Me desculpa.

— Tá tudo bem, Jimin. A vida adulta acaba com todo mundo. Eu entendo de verdade, fazer o que né, não somos mais os mesmos jovens que tinham tempo livre no meio da semana pra sair beber.

— É. Podemos… Marcar algum dia pra beber juntos como fazíamos? Sinto falta disso

—  Claro! Só me dizer o dia que você pode, e me passa seu contato também pra gente ir combinando.

Jimin faz o que ele diz e nem acredita que isso está acontecendo, ele realmente não imaginava que um dia encontraria seu amigo de novo, muito menos que eles sairiam para beber juntos.

— Então… Você veio aqui pelo Yoongi ou pelos gatos? — foi um pouco difícil para Jimin ignorar aquela expressão sugestiva no rosto de Namjoon, de todos seus amigos, ele era o que mais acreditava que essa implicância que Jimin construiu por Yoongi fosse outra coisa. Jimin sempre o achou ridículo por isso.

— Os gatos. Seokjin me obrigou a tentar essa terapia ridícula.

— Entendo — Namjoon se afasta dele, voltando para trás do balcão, e Jimin observa enquanto ele mexe em alguma coisa no computador que há ali — você costuma fazer com um gato específico?

—  Na verdade, não.

— Hmm, que estranho, normalmente é recomendado que você faça com um específico, Yoongi não te falou sobre isso? — Jimin nega com a cabeça — ok, ele que sabe o que faz. Quanto tempo? 

— Quinze minutos.

Se Yoongi estivesse aqui, o psicólogo tem certeza que seguiria com os mesmo pouquíssimos minutos, mas já que ele não está, parece tudo bem escolher um tempo maior, assim Yoongi não fica sabendo sobre Jimin admitir que precisa de mais dessa terapia.

Dez minutos a mais, ainda não é muita coisa, mas para Jimin, foi bom.

O gato dessa vez era mais brincalhão, sim, era um gato laranja. A pequena sala, diferente das outras, tinha mais espaço e mais brinquedos para o gato. Nessas vezes que veio, Jimin pode observar como cada sala foi projetada para cada gato com um certo carinho e delicadeza, que só alguém realmente determinado faria.

E novamente, isso o lembra da época da faculdade.

Depois que ele e Yoongi começaram a conversar mais nos encontros com os amigos, Jimin percebeu o quanto ele parecia ser assim, determinado tanto quanto Jimin, uma pena que ele abandonou a faculdade e sumiu sem dar explicação nenhuma no sétimo semestre só para reaparecer anos depois com essa maldita clínica sem sentido que roubou metade dos pacientes de Jimin.

Jimin odeia Yoongi por isso.

Ele tá de saco cheio dessa terapia, olhando para o gato agora, ele até entende porque as pessoas gostam tanto e acreditam que isso vai resolver o problema delas, mas não vai!! Gatos não são psicólogos! E o híbrido de gato que era pra ser, largou a porra da faculdade.

Os quinze minutos acabam e Jimin está decidido a não voltar mais ali. Isso tudo é tão ridículo.

Ele se despede de Namjoon, e antes que saia do lugar, algo volta à mente dele.

Curioso. Jimin sempre foi a pessoa mais curiosa entre seus amigos. Mesmo que ele odeie Yoongi, isso não o impede de querer saber porque Namjoon está aqui no lugar dele.

— Joon… Por que você tá aqui cuidando da clínica? — se o mais velho percebeu que Jimin está perguntando sobre Yoongi da forma mais indireta que conseguiu, ele não comenta sobre.

— Yoongi não tava se sentindo muito bem, e como eu queria conhecer a clínica, perguntei se podia vir no lugar dele.

— Aconteceu alguma coisa? — as palavras saem mais rápido do que Jimin consegue controlar, ele quer se matar depois disso, imagina Namjoon contar isso pro híbrido? Ele iria achar que Jimin se preocupa com ele, mas ele só tem esse instinto de psicólogo! Nada a ver com preocupação… Ata que ele iria se preocupar com o idiota do Yoongi, aquele que só deixa sua vida mais complicada.

— Não. Só… ele está naqueles dias.

Naqueles dias.

Sim, porque isso explica muito. “Naqueles dias”, é uma questão muito aberta para um híbrido de gato que pode tanto estar no cio quanto ter voltado a ter episódios depressivos.

Mas tudo bem, não é problema de Jimin. Jimin não devia estar pensando sobre isso.

 

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Não pensar. Uma habilidade para poucos se for pra ser sincero. Jimin inveja quem consegue não pensar demais.

Normalmente, quando estava com os gatos, os pensamentos de Jimin davam uma aliviada, mas ele não pode recorrer a isso mais. Sem ser os gatos, Jimin não vê outra opção, nem mesmo beber é algo que funciona para ele.

E encher seus horários com pacientes, também não é uma opção, ele não quer acabar com a saúde deles também.

Não restando mais nada, os dias passam quase em piloto automático. Jimin pensa no que precisa fazer, nas sessões com os pacientes, na máquina de café do corredor que ainda continua fazendo um café horroroso, em seus amigos que andam tão ocupados com o trabalho que ninguém se encontra mais, e olha que só Jimin que tinha essa fama no grupo. Em como Yoongi se tornou um inimigo depois de ter roubado metade de seus pacientes com a ronronterapia e ter roubado o psicólogo junto. Em como Yoongi está. Em…

Jimin sente o vento gelado passar por seu corpo quando ele sai do carro.

É um pouco inacreditável como ele realmente combinou de sair pra beber com Namjoon depois de tantos anos, e que Namjoon aceitou, ignorando todas as vezes que Jimin não pode estar lá, Jimin praticamente abandonou a amizade deles e aqui estavam os dois, se encontrando em um bar.

Ele até pensou em chamar Namjoon para beber em sua casa, mas parecia… estranho demais, mesmo que eles fossem velhos amigos. O único ruim é que Jimin odeia beber fora de casa, isso significa não poder extrapolar os limites. Não que ele fosse extrapolar demais, afinal, não é pra isso que ele veio. Hoje é pra ser sobre colocar a conversa em dia. Muitos anos de conversa, e nada mais.

É. Jimin vai ficar bem.

Pelo menos durante as primeiras duas horas de conversa, tudo ficou bem, o ambiente é bem legal, bebidas com a porcentagem de álcool perfeita e tudo mais. Mesmo depois de todos esses anos, Jimin e Namjoon conversavam como se nada nunca tivesse mudado, como se eles tivessem continuado se falando todos os dias. A conversa fluiu tão bem que Jimin conseguiu esquecer por um momento de seus pensamentos.

Isso até Namjoon pedir uma bebida específica.

Um drink feito com uísque bourbon e tangerina. Jimin se lembra desse drink. Yoongi sempre pedia esse drink quando eles saiam com seus amigos. Era o favorito dele… Não que ele tenha dito isso para Jimin, eles não conversavam o suficiente para Yoongi falar sobre isso com ele… Nem mesmo conversavam direito, o máximo que faziam era conversar junto com os outros, nunca uma conversa só dos dois. Jimin sempre quis saber como seria, mas que se dane, Yoongi nem olhava pra ele, porque é um idiota.

Jimin não conseguia conversar com ele, então começou a implicar. Implicar era legal, tinha atenção dele, mesmo que fosse com Yoongi querendo o matar.

E então, Yoongi parou de aparecer nos encontros do grupo.

A única coisa que restou desses encontros, foi o ódio, e o maldito uísque bourbon com tangerina.

— Jimin?

— Hm?

— Tá tudo bem? Eu te perguntei algo e acho que você tava perdido em algum lugar longe daqui.

— É, me lembrei de umas coisas que tenho que fazer. Desculpa, o que você tinha dito?

— Eu tava comentando que daqui algumas semanas é aniversário do Hoseok, e estávamos pensando em sair pra comemorar, já que você quase não olha as mensagens, queria te convidar pra ir, vai ser bem no dia do aniversário, na sexta, lá naquele pub que a gente costumava ir, o Old Skool, lembra?

— Lembro…  Vou ver se consigo ir. Se eu faltar mais um aniversário é capaz deles me matarem.

— Provavelmente.

Jimin bebe um longo gole da bebida dele. Pensando, ele quer perguntar algo, mas… Melhor não. Ele já perguntou demais no outro dia. Só que a essa altura o álcool mexe com a cabeça dele e ele mais uma vez deixa as palavras escaparem.

— O Yoongi vai?

— Vai. E você vai também, porque ele concordou que não vai deixar de ir por sua causa então você devia fazer o mesmo — Merda. — vamos Jimin, você tem se encontrado lá na ronronterapia numa boa, e lá no pub e só você sentar bem longe dele. Ninguém vai obrigar vocês a conversarem.

— Tá. Tá bom, eu vou.

— Tenho certeza que os caras vão ficar felizes em saber disso.

Jimin engole metade de sua bebida e termina com ela de uma vez, pedindo pro garçom trazer outra em seguida. Só bebendo para lidar com isso mesmo.

— Jimin.

— Hm.

— Por que você odeia tanto o Yoongi?

— Porque ele é um idiota, toda vez que eu tentava conversar com ele que nem uma pessoa normal faz, ele me ignorava, ou falava de um jeito babaca. Aí depois quando ele abriu a merda daquela clínica, vários pacientes meus abandonaram a terapia tradicional pra fazer essa sem sentido algum.

— Entendi, você sabe que isso pode ser resolvido com vocês sentando pra conversar, não sabe?

— Até parece — Jimin ri alto com o pensamento. Yoongi e ele conversando? Yoongi não conversa direito nem quando Jimin vai na clínica, imagina fora — é impossível, ele não consegue conversar sem ser um babaca.

Namjoon decide mudar de assunto percebendo o quão rápido Jimin começou a terminar com suas bebidas quando a conversa virou sobre Yoongi.

O resto da noite passa sem eles falarem mais sobre Yoongi, ou gatos em geral.

No fim foi bom, quando chegou em casa Jimin apagou feliz por ter conversado tanto com Namjoon. Nem parece que no dia seguinte acordaria com o nome do híbrido dominando todos os pensamentos.

 

ᓚᘏᗢ

Jimin sabe que disse que deveria parar de vir. Que isso tudo é ridículo. Que realmente ele nunca mais voltaria.

Só que… Algo foi mais forte.

Como uma linha invisível que o puxa de volta todas às vezes que se afasta demais.

A intenção dele era na verdade tomar um café bom e super faturado em uma cafeteria longe de onde ele costuma trabalhar, aproveitando que hoje não há horários durante a manhã.

Fazer o que se essa cafeteria que ele veio ficava em frente a clínica de ronronterapia.

Não era culpa dele. Certo?!

Não claro que não, Jimin checaria bem seu google maps para não acabar aqui tão próximo do lugar que ele jurou não voltar.

Ele também definitivamente não terminaria seu café e atravessaria a rua. Não. Ele não é idiota.

Jimin vê uma criatura de um e setenta e pouco, todo de preto, e com uma touca preta adentrando a clínica. Só pode ser Yoongi. Yoongi escondendo suas características híbridas do mundo.

Por mais que Jimin o odeie muito, ele se sente um pouco triste por ver Yoongi assim, na época da faculdade o híbrido também costumava esconder suas características, todas as vezes que saiam para beber com seus amigos, ele dizia odiar isso.

As únicas vezes que Jimin via Yoongi sem nada escondendo quem ele é, era quando eles se juntavam na casa de alguém, ou na clínica.

Jimin pensa o quanto deve ser difícil, ninguém o levava a sério por ser híbrido na época da faculdade, ele se pergunta se a vida dele tem sido menos complicada agora.

Droga. Onde Jimin está com a cabeça? Pensando tanto assim nele. Idiota. Idiota. Idiota.

— Jimin?

Oh. Não... Que porra ele tá fazendo aqui? Ele não devia estar trabalhando do outro lado da rua?! Como Jimin não viu ele saindo de lá e entrando aqui?

Para piorar, Yoongi decide sentar-se na mesma mesa, na cadeira em frente a Jimin, como se fossem amigos. Jimin observa o híbrido enquanto ele pede um mochaccino e um bolinho de laranja. O silêncio reina por alguns minutos. Jimin não sabe o que dizer, ainda um pouco surpreso porque Yoongi sentou aqui, tinha tantos outros lugares vazios no café, e de novo, ele não devia estar trabalhando?

De repente, a risada de Yoongi corta o silêncio.

Jimin tem vontade de revirar os olhos, mas se contém. Seu ódio por Yoongi aumenta um pouco mais. Yoongi rindo assim do nada? Só pode estar tirando sarro dele!

— O que foi?

— Sabe Jimin, você é tão óbvio. É engraçado como quase consigo ouvir o que se passa pela sua cabeça só pela sua cara — Jimin respira fundo, termina de tomar seu cappuccino e decide que definitivamente, deve ir embora nesse momento. Ele não veio aqui para ter que lidar com esse idiota, ele só queria um café bom e talvez, só talvez, olhar para a clinica do outro lado da rua, nada mais. Quando ele levanta, Yoongi o segura pelo pulso — Jimin, espera! Eu… Desculpa, eu não quis que isso soasse ruim, só… vamos conversar, por favor? Como nossos amigos vivem dizendo “conversem como pessoas normais.”

A mão de Yoongi no pulso dele é quente, o olhar dele sob Jimin diz que ele só quer conversar, pela primeira vez, Jimin não vê aquele tom babaca e frio na voz e no olhar dele.

Convencido tão facil pelo hibrido que Jimin tem vontade de se matar por isso, quando se senta novamente.

— O que você quer conversar?

— Jin hyung me disse que você disse que não iria nunca mais na ronronterapia, e você não apareceu mais…

— E daí? Sua terapia não é uma terapia de verdade, não precisa nem mesmo marcar consulta. Não é como se eu devesse alguma coisa pra você. Eu posso decidir se vou ou não.

— Eu sei disso, é só que… Por que? Por que você parou de ir depois de ter aceitado que ela te ajudava?

— Quer que eu seja sincero, Yoongi? — o híbrido assente sem nem pensar duas vezes — Então eu vou ser. Sua terapia é ridícula, eu não sei como concordei pra começo de conversa. Eu devia estar muito fudido da cabeça mesmo pra concordar. Foi burrice. Porque sua terapia não faz sentido, não existe prova de que ela tenha mesmo me ajudado, e além disso, você e essa sua terapia roubaram meus pacientes, pacientes complicados que acreditaram que estar com um animal seria mais funcional do que conversar com um psicólogo formado. Eu não sei como andam meus pacientes depois disso, realmente espero que eles estejam bem, e se não tiverem, saiba que a culpa disso é sua, e de todos os outros que criam essas outras terapias sem estudo nenhum.

Jimin observou atentamente a reação de Yoongi. Ele o olhava nos olhos até a última palavra e então abaixou a cabeça, e respirou fundo. Jimin viu o suéter azul bebe que ele usava balançar, o que significa que a cauda escondida dele balançava. Gatos balançam a cauda quando estão irritados, e híbridos não são diferentes.

— Primeiro, é comprovado que gatos ajudam os humanos a lidar com estresse, ansiedade e depressão, eu estudei, você estudou isso também. Tivemos uma disciplina inteira sobre isso na faculdade, caso você não lembre. Segundo, se você tivesse prestado mais atenção, saberia que tem bilhetes em toda a minha clínica dizendo que essa terapia não substitui uma terapia com um psicólogo formado, eu sempre aviso as pessoas que vão lá disso, não falei com você sobre, porque você sabe. Terceiro, eu não obrigo ninguém a fazer essa terapia. E por último… Vai se fuder, Park Jimin.

Yoongi se levanta e vai embora. Deixando Jimin ainda mais irritado.
E daí que Yoongi deu uma boa resposta e parecesse estar certo sobre ela? Ele ainda tinha roubado os pacientes de Jimin, poxa!

 

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Era fim de tarde da segunda, todas as sessões do dia haviam terminado, e Jimin havia voltado a pensar nas palavras que Yoongi o disse uma semana atrás.

Jimin não podia acreditar que ainda estava pensando nisso, mas o híbrido não mentiu em nada do que disse, e isso era pior do que tudo que Jimin já ouviu saindo daquela boca bonita.

Sem saber mais o que fazer. O psicólogo faz a coisa mais inteligente que consegue pensar: vai até o escritório do seu melhor amigo. Afinal, é pra isso que melhores amigos trabalham em prédios um do lado do outro, certo?

Logo, ele pega suas coisas e saí do prédio, entra no outro, dá uma olhadinha em sua pessoa no espelho do elevador enquanto espera chegar ao andar do escritório de Seokjin. Normalmente, é Seokjin que vai até ele, só porque Jimin é mais propenso a se jogar no sofá de exaustão depois de tantas seções, e não levantar tão cedo. Claro que isso não impede dele vir ao escritório de Seokjin.

Quando ele chega, bate na porta de leve por respeito e aguarda. Seokjin não responde.

Seokjin não responder significa muitas coisas, e nenhuma delas é sobre Jimin não poder entrar. Então ele entra, e percebe que a não resposta do amigo é porque ele não está. As coisas dele ainda estão aqui, espalhadas pelo escritório, indicando que Seokjin está em algum lugar do prédio, provavelmente conversando com outro colega ou pegando café na salinha dos funcionários.

Conhecendo Seokjin, ao mesmo tempo que não deve demorar muito para ele voltar, pode ser que demore horas caso ele esteja ouvindo uma fofoca. Jimin decide sentar no sofá do canto da sala para esperar. Até hoje Jimin não entendo porque um ser que trabalha projetando e desenvolvendo produtos, tem a necessidade de ter um sofá no escritório dele, não seria mais prático não ter? Seokjin que mobiliou o escritório. Tinha uma escrivaninha grande para  o computador, papéis, a cadeira chique que ele senta, mais duas cadeiras na frente da escrivaninha, para conversar com colegas e clientes, alguns papéis, pôsteres de produtos já projetados por ele decorando a parede, uma outra mesa maior com materiais jogados de qualquer jeito, uma estante pequena do lado com  mais materiais, e então  esse sofá sem sentido no canto menos iluminado da sala, estrategicamente colocado meio atrás da porta. Tudo para ser o sofá da procrastinação do trabalho, e por incrível que pareça, ele  nunca foi visto nesse sofá.

Antes que Jimin se deite no sofá, ele nota uma presença que nunca havia estado aqui nas outras vezes que veio.

Um gato preto com apenas pequenos detalhes do pelo em branco, um frajola.

O gato, deitado no canto do sofá, ergue a cabeça para olhar Jimin. Com medo de assustá-lo, Jimin se move devagar e estende a mão para o felino que segue olhando Jimin nos olhos, ele não parece muito interessado e socializar, mas antes que Jimin tire a mão de perto, o focinho gelado encosta nele. O gato o cheira por um tempo, então se afasta de novo, e  continua observando Jimin, sem sair do lugar.

Jimin decide sentar no outro canto do sofá, para não incomodar o espaço do felino.

Alguns minutos em silêncio, são o suficiente para Jimin não se aguentar mais e acabar conversando com o gato. Jimin sempre gostou de conversar com animais, e bem mais fácil do que conversar com humanos, ou híbridos idiotas, como um em específico.

— Você é fofo. Da onde você veio, gatinho?

O gato o olha com a mesma expressão, no entanto algo diz a Jimin que ele parece surpreso em ouvir a voz de Jimin sendo direcionada a ele.

— Tudo bem, depois eu pergunto pro hyung de onde você surgiu… . . . . . Seu pelo é tão bonito, você não veio da rua né? Então porque será que o hyung te trouxe aqui… O hyung te adotou por acaso? — Jimin o olha realmente esperando por uma resposta, a única coisa que recebe é a mesma cara de tédio — Sabe eu sempre quis ter um gato. Mas não posso por causa da alergia, o que é engraçado, porque perto de híbridos é como se eu não tivesse. Não é como se eu fosse adotar um híbrido também, não concordo com esse tipo de coisa. Se eu tivesse um gato, acho que ele seria um frajola como você, ou um calico, já me disseram que eu parecia com um calico uma vez… Um híbrido de gato que me disse, como ele é gato, acho que é verdade. Também acho que faria sentido ter um, né. Queria não ter essa alergia. A vida seria mais fácil, aí eu teria gatos em casa e provavelmente não teria que recorrer a terapias ridículas que me convencem a ir só porque eu não posso ter gato. Na verdade, se for pra ser honesto, acho que queria ser um gato pra não ter que me preocupar com nada disso, com trabalho, com terapias diferenciadas, com estresse, com híbridos bonitos e idiotas que viram meus inimigos de trabalho. Deve ser legal ser um gato, né gatinho? Apenas miau, miau, e nada pra se preocupar…

O silêncio volta por um tempo, até que a porta é aberta e Seokjin encontra Jimin e o gato no sofá. Seokjin o cumprimenta e segue para a mesa dele, para organizar as coisas e ir embora.

— Da onde apareceu esse gato, Jin? Você adotou e não me falou nada?

— O que? Eu adotar? Esse gato no sofá??? Não. Ele já me incomoda o suficiente sendo um dos meus melhores amigos, não quero adotar ele.

Sendo um dos meus melhores amigos?

Seokjin para e percebe a confusão no rosto de Jimin. Ele não sabe.

— Jimin. Esse aí, é o Yoongi.

O que?!

— Você tá brincando, não tá?

— Não.

— Não acredito.

Então. Para provar que Seokjin está certo, e porque talvez Yoongi também queira que Jimin saiba que é ele ali. O híbrido muda para a forma humana, rapidamente se cobrindo com o cobertor que estava ali no sofá.

— Acho que precisamos conversar, Jimin.

Jimin olha ele de cima a baixo, enrolado naquele cobertor, o cobertor sendo a única coisa que cobre o corpo nu do híbrido, Jimin observa as orelhas pontudas se mexerem de ansiedade, mas não, ele não vai ficar aqui pra isso. De todas as coisas que Jimin já teve que lidar sobre Yoongi, essa não vai ser uma delas.

No entanto, antes que Jimin consiga alcançar a porta, Seokjin corre pra fora e fecha, trancando os dois lá dentro.

Ele não sabe se quer matar Seokjin ou se matar por o quão idiota foi nos últimos minutos, ele precisava mesmo ter vindo aqui? Ter ficado e conversado com um gato estranho? Seokjin nunca quis ter gatos, é claro que esse gato aqui seria um certo alguém e não a porra de um gato comum. Como Jimin não notou?

— Jimin.

— Coloca uma roupa, por favor.

Yoongi não insiste, e faz o que o mais novo manda, pegando a roupa que ele deixou dobrada no encosto do sofá, mais um indicativo do híbrido que Jimin não percebeu. Jimin se mantém de pé, olhando para a porta trancada. Sem acreditar no que Seokjin fez. 

— Pronto. Podemos conversar agora? Seokjin não vai nos deixar sair até que a gente converse.

— Foda-se —  Jimin se vira e não sabe dizer o que e pior, Yoongi enrolado no cobertor, ou usando bermuda deixando suas pernas bonitas a mostra. Não que Jimin tenha reparado, longe disso.

— Jimin. Aquilo que você falou é verdade?

— O que? — não fazia diferença perguntar o que, Jimin sabia que tudo que disse era verdade, e talvez Yoongi soubesse também, mas nada melhor do que ouvir a confirmação do seu até então inimigo.

— Que você me acha um híbrido bonito.

— E idiota.

— Então é sobre mim?

— Não!! Eu disse híbridos bonitos e idiotas, não a porra do seu nome.

— E aquilo sobre ser inimigo de trabalho. Achei que eu era seu único inimigo hibrido bonito e idiota de trabalho.

— Tenho outros.

— Tem? Até onde eu sei o único híbrido no ramo da psicologia sou eu.

— Você nem é um terapeuta de verdade.

— Eu terminei a faculdade Jimin. Você não sabe disso porque eu tive uns problemas e me formei depois que você. Mas minha terapia foi muito bem estudada, senhor psicólogo tradicional.

— Foda-se. Ainda é uma terapia ridícula como você.

— Vai se fuder, porra — Yoongi não aguenta se controlar mais. Seus instintos de gato o dizem briga, briga, briga. Ele se aproxima e segura no colarinho de Jimin o empurrando até o humano bater as costas na parede, bem ao lado da porta — destranca essa merda, Jin!

— Não até vocês se resolverem!! Vamos lá, ninguém aguenta mais essa briguinha de qual terapia é melhor.

Yoongi xinga toda a geração passada e futura do Kim. Enquanto Jimin se mantém ocupado com outra coisa. O irrita pra caralho o jeito que Yoongi o agarrou. O ódio sobe a cabeça rápido demais para ele pensar de maneira clara. Uma de suas mãos para no peito de Yoongi, como se tentasse empurra-lo sem empurrar de verdade, enquanto a outra mão desce pela lateral do corpo do híbrido e encontra a cauda fofa de Yoongi balançando fervorosamente, Jimin agarra a cauda e puxa, não muito forte pra não machucar, apenas para chamar atenção.

O híbrido congela. Todos os xingamentos ficam presos na garganta. Jimin consegue sentir o quanto o híbrido se arrepiou com o toque dele. Yoongi o olha nos olhos e o mais novo não consegue decifrar o que se passa na cabeça dele, é estranho porque Jimin jurou que só veria o ódio de um segundo atrás, e o que ele vê agora é… diferente.

Eles ouvem o som da porta sendo destrancada e Yoongi se afasta dele.

— Aí que bom. Por um momento pensei que tinham se matado.

Yoongi sai antes que Seokjin invente mais alguma coisa.

— Ok. O que aconteceu pra vocês ficarem tão quietos? Por acaso vocês se be-

— Não. Depois a gente conversa, tá? Preciso ir pra casa.

 

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Old Skool. Um pub cheio de memórias nostálgicas da época da faculdade.

Quando eles estavam estudando, o pub já trazia esse conceito, e agora, anos depois de terem se formado, ele parecia ainda mais presente, como se finalmente eles estivessem na época certa de ir ao pub. Claro que isso não passava de um pensamento de Jimin sobre o local, ele nem mesmo acreditava no próprio pensamento, não existe isso da época certa.

Jimin adentra o lugar, já querendo dar a volta.

Aniversário do Hobi. É por isso que você veio, só isso.

Uma música com tom de juventude soa pelas caixas de som, Jimin logo avista seus amigos em uma mesa no canto. Ele parabeniza Hoseok, com um longo abraço, uma cheirada no pescoço, enquanto deseja tudo de bom e entrega o presente que trouxe pra ele.

— Uaaaaahhhh. Sua presença já é um baita presente, mas obrigado.

Jimin procura um lugar para se sentar, e considera seriamente se não seria melhor ir embora, ele já veio por um minuto, não precisa de mais né.

— Perdão, mas você chegou atrasado, Jimin, só sobrou um lugar.

Um lugar.

Bem ao lado de um certo híbrido.

Ele vai fingir que isso não foi calculado pelos seus amigos.

Pelo bem da noite e do aniversário de Hoseok, ele se senta sem reclamar, ignorando a presença do outro e logo engatando em uma conversa com Jungkook, sentado em frente a ele.

Tudo corre bem.

Eles bebem pra caralho. Comemoram pra caralho. Aproveitam quando Hoseok vai ao banheiro para organizar um bolo surpresa com trinta velas para o aniversariante assoprar. Hoseok se surpreende e fica ainda mais feliz. Eles bebem mais. Seokjin ameaça subir em cima da mesa para dançar. Ameaça fazer um lap dance especial para Hoseok. Taehyung quase mata ele por isso.

Na maior parte do tempo, Jimin esquece por completo a existência de um certo alguém.

Isso até Jungkook ficar totalmente perdido na conversa de Namjoon, e não dar mais atenção para ele. Seus outros amigos parecem mais interessados em suas conversas paralelas e de alguma forma, Jimin não consegue se encaixar em nenhuma delas.

Ele percebe que Yoongi também não está conversando com eles há um tempo.

Jimin olha para ele e percebe o quão estranho ele está hoje.

Quando eles saiam com seu grupo anos atrás, Yoongi era bem mais animado, bebia e animava mais ainda, e hoje ele só está… Na dele. Bebendo devagar seu drink de uísque bourbon e tangerina, olhando para os outros de vez em quando, e arrancando a pelinha do dedo igual um ansioso. Jimin observa os movimentos dele. Yoongi sibila baixo quando arranca em um ponto específico, onde sai sangue. No automático, Jimin pega um guardanapo e enrola no dedo dele.

— Não precisava — Jimin não responde.

A cabeça do psicólogo vai à loucura. Milhões de pensamentos se desenvolvendo, se emaranhando uns nos outros e todos focados em um único nome e uma situação alguns dias atrás no escritório de Seokjin.

Ele tinha mesmo puxado o rabo do híbrido, não tinha?

— Desculpa.

— O que?

Jimin se aproxima um pouco de Yoongi, percebendo que o mais velho não conseguiu ouvi-lo.

— Desculpa, por aquilo — ele esperava mesmo que o híbrido entendesse, se Jimin tiver que dizer com todas as palavras que puxou o rabo dele, algo considerado íntimo demais pra qualquer um tocar, Jimin jura que vai m-

— Tudo bem.

— Tudo bem?!

— É.

— Não parece tudo bem.

— Jimin. Só… não faz mais isso.

— Pode ter certeza que não vou. É só você não me irritar.

— Foi você que me irritou primeiro, caso tenha esquecido, e isso não te dá direito de tocar na minha cauda.

— Eu só tava te respondendo.

— Falso.

— Tanto faz, Yoongi — Jimin pega seu copo e engole a bebida de uma vez, sentindo ela queimar. Ele deve ir embora. Ele pode muito bem ir embora. Ele não tem porque continuar conversando com esse idiota  — por que não pode tocar na sua cauda?

— Porque não. Ele é minha, não sua.

Jimin estava perto o suficiente para eles sussurrarem sem seus amigos ouvirem o que eles estavam conversando, o que também significa que ele estava perto o suficiente para notar que o rosa florescendo no rosto de Yoongi não era devido as luzes do pub.

— Você é sensível na cauda, não é? — o álcool definitivamente mexeu com a cabeça do mais jovem, deixando ele sussurrar aquilo de maneira sugestiva demais para alguém que jura ser inimigo do híbrido, e Yoongi rapidamente entendeu isso, decidindo que seria melhor só ignorar, logo Jimin esquecia dele e ia puxar conversa bêbada com outro amigo — sabe eu sempre achei engraçado que eu vivo do seu lado e minha alergia não ataca, e você é um gato, eu tenho alergia a gatos, e eu toquei na sua cauda e nem assim tive reação, mas você…

— Jimin. Para. Para de falar isso.

— Do que? De que você reagiu quando eu to-

Yoongi tapa a boca de Jimin com a mão. Só agora seus amigos percebem que está acontecendo algo entre eles.

— Yoongi??!

— Ele tá muito bêbado, e falando merda como sempre — Jimin tenta se soltar, Yoongi usa a outra mão para segurá-lo.

— Acho que tá na hora de ir então — o mais velho do grupo se levanta devagar, Seokjin costuma gostar de ficar até o final em todas as festas e reuniões possíveis, mas se um dos seus amigos estiver bêbado demais para não conseguir ir pra casa sozinho, ele é o primeiro a ajudar. Yoongi vê como seus amigos não pretendiam acabar a comemoração tão cedo, mas se Seokjin vai embora, Hoseok perde metade da energia, e se Hoseok perde metade da energia, a festa acaba.

— Deixa que eu levo ele, hyung. Pode ficar. Não vou deixar o Jimin bêbado estragar a festa do Hobi.

— Tem certeza, Yoongi?

— Sim, vou fazer esse sacrifício de cuidar dele.

— Sacrifício. Hm.

Yoongi só não vai matar Jungkook por esse comentário porque ele tem que lidar com um Jimin bêbado agora.

 

ᓚᘏᗢ

O híbrido realmente não sabe o que ele pensou quando achou que seria uma boa idéia isso. Ele seguiu o endereço da casa de Jimin, que Seokjin havia enviado, procurou pelas chaves da casa de Jimin na bolsa dele, levou ele pra dentro da casa dele. Tudo isso com um Jimin o provocando a cada segundo do caminho.

— Deu, me trouxe pra casa a força, agora pode ir embora.

— E eu vou — ele quase foi.

Prestes a sair, ele ouve o som de uma garrafa de soju sendo aberta.

— Jimin?

— Eu não tô bêbado o suficiente e você sabe.

— Idiota. Vai ter um coma alcoólico daqui a pouco.

Yoongi fecha a porta e tranca novamente, ele se senta junto com Jimin no chão da sala.

— Por que você ainda tá aqui?

— Não sei — Jimin passa a garrafa pra ele, e o híbrido bebe direto da garrafa como Jimin fez, um minuto atrás.

— Você não me respondeu… Sua cauda… é sensível?

— Talvez. Você não me respondeu quando eu perguntei se era verdade que você me acha bonito.

— E daí se for verdade? Ainda é idiota, e roubou meus pacientes de mim.

— Eu nunca quis roubar seus pacientes. Não sei se vai lembrar, mas na época da faculdade  meu sonho era abrir uma clínica para atender híbridos, não humanos.

— Eu lembro. Achei estranho quando me disseram que você trabalhava com uma tal de ronronterapia — eles passam o soju entre eles mais uma vez, antes de Jimin perguntar — por que você não seguiu com isso?

— Híbridos ainda são criaturas raras e procuradas. Meus pacientes iam correr muito risco se soubessem que existe um lugar onde híbridos vão, e outros híbridos nem iriam, por medo de ser apenas uma fachada para capturá-los.

— E você?

— Seria pior ainda. Acho que não duraria uma semana até me encontrarem. Pensei em fazer a ronronterapia ser a fachada para atender outros híbridos, pelo menos híbridos de gatos, mas o medo foi maior.

Jimin assentiu, sem ter o que falar. Sabia o quão difícil era a vida dos híbridos, e ouvir diretamente de um deixava tudo mais real. Jimin olhou para ele enquanto passava a garrafa de soju quase vazia para o mais velho. Yoongi se mantinha com as orelhas escondidas na touca preta e o rabo enrolado na cintura por baixo das roupas. Ele podia odiá-lo, mas desejava que Yoongi fosse livre.

O álcool mais uma vez controla os movimentos de Jimin. Ele ergue a mão e para quase  encostando na touca de Yoongi, queria que ele não escondesse, pelo menos não aqui. Mas  que direito ele tem de encostar no outro que nem amigo é?

— Você devia embora.

— Deveria — Yoongi termina de beber o soju compartilhado — você quer que eu vá?

— Não… Sim. Quer dizer, sim.

Yoongi coloca a garrafa vazia no chão ao lado dele, e olha para o outro. Jimin sente que está sendo observado e retribui o olhar, notando o quão fundo Yoongi parece estar o analisando, como se ao olhar diretamente nos olhos dele, o híbrido visse tudo, cada pedacinho daquela alma cansada com a quantidade de horários de trabalho que tem, estressado com aquela maldita máquina de café ruim e principalmente vê a inimizade de todos esse anos que Jimin nutriu por ele. Tudo porque Yoongi não conversava muito com ele na época da faculdade, fazer o que se Jimin era bonito demais e o deixava meio tímido para falar direito. Depois veio toda a questão da terapia, do roubo de pacientes, um ódio criado diretamente da cabeça de Jimin, e Yoongi só foi na onda, por não entender Jimin, agora ele o entende melhor como Jimin também o entende.

A boca de Yoongi de repente parece tão atraente, como tudo no híbrido, tudo que Jimin ignorou por tanto tempo, era tão fácil só odiá-lo, do que tentar conversar com ele como pessoas normais, Jimin deveria ter insistido mais nele, mesmo que o híbrido não parecesse estar afim de conversar, mas nada disso importa agora.

Jimin não sabe dizer se é o álcool, provavelmente ele dirá que é caso de errado. Ele não tinha percebido antes o quão perto eles tinham se sentado, tão fácil, Jimin se inclina ao mesmo tempo que Yoongi e seus lábios se encontram no meio do caminho. Jimin não deixa espaço para calmaria, um segundo depois de beijar Yoongi, ele passa a língua pelos lábios do híbrido pedindo passagem para aprofundar cada vez mais, as mãos de Jimin param na cintura dele, o puxando para mais perto, até que ele acaba sentando no colo de Jimin.

O movimento faz com que suas bocas acabem se separando e por um pequeníssimo segundo, os dois lembram quem são e que talvez isso não faça sentido. Se beijar desse jeito não faz sentido, serem inimigos por causa do trabalho deles não faz sentido. Definitivamente Jimin delinear os dedos sob os lábios de Yoongi de maneira lenta, apreciando a maciez deles não faz sentido. Jimin segura o rosto do híbrido com uma mão e a outra segue para o pescoço dele.

— Posso… ? — o psicólogo olha para cima indicando a touca e Yoongi assente. Ele remove a peça devagar, deixando as orelhas pontudas livres — lindo. Você é tão lindo. Como você consegue ouvir com elas tapadas assim?

— Escuto tudo meio abafado, com o tempo acostumei — Jimin não pode evitar se sentir triste por isso — ei. Tá tudo bem. Sua voz continua bonita mesmo abafada, sabia?

— O que? Então quer dizer que você acha minha voz bonita?

— Talvez…

E Yoongi o beija de novo, para evitar que Jimin continue pensando em outras coisas. A única coisa que importa agora é beijar, beijar, beijar.

Jimin desliza uma de suas mãos pelo cabelo do híbrido, esbarrando nas orelhas dele de vez em quando e sorrindo com a forma que elas tremem quando seus dedos as tocam.

Lentamente Yoongi deixa sua cauda escapar conforme ele se entrega mais e mais aos beijos do mais novo.

— Yoongi.

— Hm — ele parece tão perdido em Jimin que não para de beijá-lo, Jimin precisa o segurar por um momento para conseguir falar.

— Sua cauda.

Então Yoongi percebe. Sua longa cauda fofa enrolada por completo no braço de Jimin.

O mais engraçado é que ele não tem a menor vontade de tirar ela de onde está. O braço de Jimin é tão quente. Tão bom o segurando perto assim enquanto eles se beijam. E enrolar a cauda nele parece tão certo, mesmo não fazendo sentido nenhum já que essa situação nem estava no imaginário deles.

— Melhor você soltar — de todas as pessoas do mundo, e das coisas que Jimin poderia dizer agora, Yoongi não esperava isso — não quero puxar sem querer e te machucar.

Ah.

Isso… Ok.

Yoongi meio que se encantou pelo cuidado que o mais novo teve agora.

— Tá tudo bem — o híbrido sorriu voltando a beijar Jimin, dessa vez era mais calmo, apenas pequenos selares — eu realmente deveria ir. Não quero fazer algo que você se arrependa depois.

— Não tô alcoolizado o suficiente pra isso, mas é… você tá certo.

 

ᓚᘏᗢ

O toque dos lábios de Yoongi no seus ainda estão tão vivos na mente de Jimin que nem parece que já se passou uma semana desde que aquilo aconteceu.

Para ser sincero, Jimin se sente um pouco idiota agora.

Ele criou uma inimizade na cabeça dele por ter seus pacientes roubados e por Yoongi agir feito um babaca ignorante em todas as suas conversas, enquanto o híbrido só… Não era como se ele tivesse motivos para ser um idiota, Yoongi só retrucava as provocações de Jimin e agora que ele percebe isso tudo parece meio rídiculo.

Pensar que perdeu tanto tempo com esse ódio, quando tudo podia ter sido diferente…

Jimin está recolhendo suas coisas após a última sessão, quando ouve algumas batidinhas na porta, é diferente de como Seokjin toca, mas ele não presta atenção nisso, pode ser qualquer pessoa do prédio vindo falar com ele.

— Pode entrar — ele ouve a porta abrir e depois fechar, enquanto termina de guardar algumas coisas no armário, então ele se vira e — Yoongi.

— Oi Jimin. Acho que eu já disse isso umas mil vezes, mas podemos… conversar?

— Claro — Jimin se sente nervoso, seu coração se acelera de repente, e é tão estranho, Jimin nunca pensou que se sentiria assim sobre Yoongi.

— Você ainda me beijaria estando sóbrio? Ou aquilo foi só o álcool?

— Dizem que o álcool nos impulsiona a fazer as coisas que não temos coragem de fazer sóbrios, então…

— Eu sei. Mas você…..

Jimin não o responde, ao invés disso ele caminha até Yoongi e o beija. Apenas um pequeno encostar de bocas, testando como Yoongi se sente sobre isso, o híbrido não parece recuar, pior, ele parece afetado na visão de Jimin, olhando para o mais novo esperando por mais. Jimin o segura pela cintura e o beija mais profundamente dessa vez, arrancando um suspiro do híbrido.

— Quer tomar um café superfaturado comigo e depois ir lá pra casa?

— Tipo um encontro?

— É.

— Hmm. Ok. — Yoongi aceita fingindo não ligar muito, mas seu sorriso o trai.

 

ᓚᘏᗢ

[21:12]

Então quer dizer que você foi em um encontro em uma cafeteria

Porque sabe que o Yoongi gosta

Logo depois do trabalho

Ou seja

A hora que a única coisa que você quer é se jogar no sofá

E só porque era o Yoongi, você automaticamente tinha animação para sair

Tinha animação pra chamar ele pra sua casa depois

Ele tomou banho na sua casa e você emprestou as SUAS roupas pra ele não precisar ir embora porque você queria que ele ficasse e ele também queria ficar mais

Como se não bastasse isso vocês ficaram acordados até altas horas “conversando” de acordo com o audio que ele me mandou

Resumindo, você teve toda essa energia
Pra tudo isso aí

Depois de um dia inteiro de sessões cansativas

E ainda quer me convencer que ter um gato na sua vida não muda nada no seu humor???

[21:47]

A questão nunca foi sobre gatos Jin hyung

Nada contra gatos, eu só tinha tudo contra um híbrido

Coisa que eu não tenho mais

E talvez, só talvez ronronterapia não seja tão ridícula assim

Mas não conta pro Yoongi que eu disse isso

FIM.

Notes:

E com isso terminamos com essa história incrível!
Comentem bastante o que acharam e nos digam... O autor foi incrível, né?!