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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-05-19
Words:
3,478
Chapters:
1/1
Hits:
3

Combustão do Amor

Summary:

Yoongi normalmente não era uma pessoa estressada com tudo, mas naquele dia em especial tudo parecia estar indo ladeira abaixo. Muitos diriam que essas coisas acontecem e não ligariam, mas Yoongi acreditava piamente na Lei de Murphy e quando ela age, saiam da frente, pois o carro desgoverna mesmo.

E por falar em carros, Yoongi está indo para a faculdade quando seu fiel companheiro resolve lhe deixar na mão e a partir daí, tudo pareceu encontrar o seu caminho.

Lei de Murphy, meu amigos.

Notes:

Boa noite, Yoonminers!

Chegamos com mais uma oneshot e desta vez de outra autora!
Nossos agradecimentos especiais a veewriter96
que deu vida a essa linda história dos nossos Yoonmin.

Vem ler com a gente e chama a galera!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Capítulo Único: Whose line, soju e confissões tardias

 

Yoongi estava puto. Atrasado para a faculdade, ele amaldiçoava a noite virada fazendo um trabalho que só precisava entregar dali a alguns dias. Estava tão cansado que dormiu quase o dia inteiro, teve que correr atrás de Holly e, para completar, seu carro estava sem gasolina; tinha se esquecido de abastecer no dia anterior.

“Que grande dia merda!”, pensou ele enquanto procurava no Maps algum posto. Não queria correr o risco de entrar na reserva, mas pelo visto, era isso que ia acontecer se não encontrasse logo aquele maldito lugar. Tentou respirar e se acalmar, lembrando-se que o posto que seu melhor amigo trabalhava estava perto, portanto, sua odisseia acabou quando percebeu que faltavam apenas dois quarteirões para chegar lá.

Vibrou por dentro e fez o caminho indicado pela seta azul de seu mapa eletrônico, não demorando muito, já que a via estava quase vazia. Avistou o estabelecimento em tons de verde e vermelho piscando, quase como se uma placa neon estivesse apontando para ele, mas é de Min Yoongi que estamos falando, claro que ia acontecer algo para que seu momento de glória fosse totalmente arruinado: um carro entrou na sua frente e o seu morreu antes que pudesse chegar a qualquer uma das bombas de gasolina.

— Qual é, universo, tá de sacanagem!! – exclamou, dando um soco no volante.

Saiu do carro antes de se estressar e se atrasar mais, em busca de alguém para ajudá-lo a empurrar o veículo por poucos metros. Não demorou muito a avistar o garoto, mais ou menos de sua altura. Não tinha exatamente um uniforme, estava com botas pesadas e estranhamente brancas, uma calça jeans surrada e uma regata da mesma cor das botas. E o cabelo vermelho, claro, era uma característica que não podia faltar: seu cabelo ruivo em um corte revoltado. Min Yoongi podia jurar que estava vendo Deus em sua frente.

— Hyung! Espera, deixa eu te ajudar. – O garoto magrelo, apesar da falta de altura e peso, tinha uma força enorme, adquirida com os meses de trabalho naquele posto. Empurrou enquanto o mais velho manobrava para a bomba vazia mais próxima. – Boa tarde, Yoongi-hyung!

— Só tarde, Jimin-ah, só tarde. – Disse, de forma mal-humorada e entregando a chave para o mais novo. – Pode colocar 25 mil, por favor?

— Dia ruim? – Jimin indagou. — Comum ou aditivada?

— É, meio isso. Comum mesmo. – Yoongi soltou um suspiro. — Desculpa. Eu não deveria ter falado assim com você. Como você está?

O ruivo deu de ombros. Todos os dias para ele eram iguais, exceto quando Yoongi aparecia por lá em algumas vezes para abastecer, em outras apenas para visitar a loja de conveniência, mas na maioria delas, ia só com o intuito de vê-lo, embora Jimin não fizesse ideia deste último fato.

Para falar a verdade, era difícil tirar Park do sério, nem mesmo quando clientes insistiam que a contagem da bomba estava errada, ou quando errava algum cálculo na faculdade. Ele sempre estava com um sorriso leve no rosto e o pensamento focado em “ninguém vai estragar meu dia”. Jimin era feliz mesmo quando não tinha cenário para tal felicidade.

— Bem, hyung. – Deu um meio sorriso, o que fez Yoongi esquecer por breves segundos o quão horrível seu dia estava sendo até ali.

Focou naquele sorriso que sempre fazia seus olhos se fecharem em duas pequenas luas crescentes. Era o mesmo sorriso desde o colegial, e ainda tinha o poder de fazer qualquer dia de merda parecer insignificante. E aquele brilho? Era quase irritante como Park Jimin conseguia ser um sol particular no meio do caos alheio. Yoongi sentiu o mau humor derreter um pouco. Até o cheiro meio cítrico e alcoólico do etanol misturado à sua essência era inebriante.

O silêncio permaneceu até que a bomba apitasse o fim do abastecimento. Com um leve sorriso, Jimin tirou o bico do tanque e encaixou-o de volta no suporte.

— Prontinho, hyung. – ele colocou a tampa de volta no tanque e fechou a portinhola de proteção. Devolveu a chave para o Min e ao devolver, sentiu o frio das pontas dos dedos do maior. — Acho que deve andar uns bons quilômetros até você resolver completar o tanque novamente.

Yoongi sorriu, pagou com algumas notas de wons e sentiu uma imensa felicidade ao ligar o carro e ver que ele não engasgou, mas, ao manobrar o carro, decidiu apenas estacioná-lo ali nas vagas próximas à lojinha de conveniência que tinha no posto. Jimin franziu o cenho. Primeiro por não ter tido ao menos uma despedida, e em segundo, por seu amigo ter estacionado ali.

Bem, não era novidade para Jimin que Yoongi, às vezes, quando a faculdade exigia muito de si, vinha apenas para olhar o movimento dos carros, entrando e saindo das bombas. Quando podia, com certa frequência, até ficava conversando sobre aleatoriedades com o amigo, dando-lhe alguma atenção, ou mesmo o observava de longe, enquanto o outro se entretinha com algum jogo em seu celular.

Na maioria das vezes, Yoongi o esperava terminar de seu expediente e assim pediam duas ou três garrafas de makgeoli ou soju na conveniência e iam para a casa do mais velho, beber e assistir Whose Line Is It Anyway, o qual preferiam a versão inglesa à versão americana.

Mas, naquele momento, Jimin não sabia qual era a intenção de Yoongi ao ficar por ali naquela tarde. Sabia que àquela hora, Min estaria indo para a faculdade e que — muito provavelmente — já estava atrasado, por isso, apesar do mau humor do amigo, decidiu perguntar o que ele ainda estava fazendo ali.

E entenda: Yoongi convivia com aquelas sensações há mais tempo do que gostaria. Era fácil fazer tudo o que Jimin queria ou responder qualquer pergunta. Bastava que ele desse aquele maldito sorrisinho que deixava seus olhos pequenininhos, mesmo que o ambiente fosse uma tela bagunçada para uma presença tão etérea.

— Eu ia, mas como já estou atrasado mesmo, decidi tirar um tempo hoje. – Sorriu e deu de ombros. — Seu turno começou há muito tempo?

— Faltam 2 horas pra acabar, na verdade. Peguei mais cedo que o costume. – Suspirou. — Muito estresse na facul?

— Pô, nem me fala. Virei a noite quebrando a cabeça fazendo um trabalho de Equações Diferenciais, me atrasei todo pro que tinha que fazer hoje e pra completar, Holly me deu uma canseira antes de eu sair, só pra não perder o costume. – Min riu levemente, lembrando do cachorrinho fujão. — E você, Mimi? Tudo certo na sua?

— Poxa, porque você não me ligou? Tive essa matéria no semestre passado, sabe, e devo dizer que fui bem demais nessa, modéstia à parte. – Jimin deu uma piscadela e lá estavam as borboletas no estômago de Yoongi, fazendo festa. — Mas tudo certo sim, tá sendo bem legal, tô ansioso pra começarem os estágios.

— Eu esqueci completamente. E você tinha que acordar cedo, de qualquer forma.  – Yoongi disse, dando de ombros e fingindo pouco caso. — Mas tô aqui. Tem planos hoje?

— Ia pra casa, sei lá. — Jimin lhe falou, limpando o suor que escorria de sua testa. Yoongi deu outra suspirada nada discreta, tentando não focar nos músculos definidos de Jimin e naquele cheiro de gasolina que exalava de suas roupas.

— Então tenho uma proposta a te fazer. – Yoongi disse, cruzando os braços.

— Uh, vamos ver, se for boa eu aceito.

— Minha proposta é…

A expectativa nos olhos de Jimin o fez hesitar. O coração de Yoongi martelava contra as costelas, um ritmo caótico que abafava o som dos carros na avenida. Era isso. Anos de amizade na linha de fogo. Ele podia simplesmente recuar, convidá-lo para beber e esquecer essa loucura. Mas a imagem de passar mais um dia, mais um mês, mais um ano engolindo aquelas palavras o sufocou. O medo de perder Jimin era enorme, mas o medo de nunca tê-lo de verdade era pior.

Foda-se.

— Minha proposta é simples: você larga esse turno aí, me acompanha até em casa para assistirmos mais uma temporada de Whose Line, e… – Yoongi engoliu em seco, a voz saindo mais baixa do que pretendia. — …a gente para de fingir que eu não sou completamente apaixonado por você.

Os olhos de Jimin arregalaram-se e seu coração palpitou mais que o normal. Será que tinha entendido direito? Agora, tudo fazia sentido, pelo menos as entrelinhas, sim.

— Como é, hyung?!

— Eu não vou repetir, minha coragem acabou nessa frase. – Min desviou o olhar para um carro que acabara de entrar na bomba 4. — Mas é isso, se você quiser fingir que foi um delírio coletivo, a gente finge e segue a vida-

— Não! – Jimin exclamou, de supetão. — Você demorou tanto pra dizer isso que eu já tava achando que era coisa da minha cabeça.

Agora, quem estava com os olhos arregalados era o mais velho.

— Quer dizer que… — a voz de Yoongi era um fio.

— Sim, seu idiota. — Jimin deu uma risadinha, mas era mais que felicidade; era alívio. De repente, tudo fazia sentido. As visitas aleatórias à loja de conveniência onde Yoongi nunca comprava nada. O jeito que ele ficava quieto quando Jimin mencionava algum encontro que não deu certo. A vez em que ele quase socou um cara que deu em cima de Jimin na saída de um bar. Eram peças de um quebra-cabeça que ele nem sabia estar montando. — Eu também gosto de você!

— Jura pra mim que você não vai sair correndo e fingir que nada disso aconteceu? — Ele perguntou, ainda meio inseguro com a resposta do outro.

—- Claro que não… Na verdade… — Park chegou mais perto de Yoongi. A igualdade de tamanho facilitava para que o mais velho pudesse sentir a respiração alcoólica do outro. — Só se você fingir que não está corado que nem um tomate.

Os dois riram e Jimin se afastou minimamente, mantendo uma distância segura. Infelizmente, ainda estava em horário de trabalho e não podia beijar Yoongi como ele merecia. Foi chamado para cumprir sua função, já que o movimento havia aumentado.

— Me dá vinte minutos. Mas antes de ir, por que agora, hyung?

Jimin partiu sem esperar uma resposta, porque sabia que a teria quando voltasse, portanto, sua curiosidade podia esperar alguns minutos. Fez sua função e logo o fluxo diminuiu, podendo voltar até onde Yoongi estava, brincando com o chaveiro pendurado no cós da calça jeans.

— Ainda quer saber por quê? — Park anuiu à pergunta de Yoongi, que cruzou os braços, olhando diretamente nos olhos do mais novo. — Porque eu percebi que te perder, mesmo como amigo, era menos assustador que passar mais um dia sem você saber. Você mexe comigo, Park.
Jimin sorriu, e foi como se o dia inteiro de Yoongi tivesse sido só uma desculpa do universo para que ele parasse ali, naquele momento.

— Então vamos lá. Whose Line, soju e confissões tardias. Ainda dá tempo de salvar esse dia merda.

— Você sempre dá um jeito de salvar meus dias merdas — Yoongi murmurou, com um sorriso que era capaz de parar uma guerra, na concepção de Jimin.

Jimin rapidamente informou seu colega de turno que precisaria sair mais cedo, inventando uma desculpa esfarrapada sobre uma emergência familiar. Seu colega, acostumado com os horários flexíveis de Jimin, apenas assentiu com a cabeça, um leve sorriso enigmático nos lábios. Parece que não era o único a perceber a atmosfera diferente entre os dois.

Yoongi esperou pacientemente no carro, observando Jimin se apressar para trocar de roupa. O ruivo voltou usando uma camiseta folgada e uma calça de moletom, o cabelo ainda ligeiramente bagunçado, mas com um brilho nos olhos que o deixava ainda mais atraente.

— Estou pronto, hyung! — Jimin disse, abrindo a porta do passageiro e entrando no carro. O cheiro de gasolina que Yoongi antes achava tão neutro, agora se misturava com o leve perfume de Jimin, criando uma fragrância inesperadamente agradável, como sempre.

O caminho até a casa do mais velho foi preenchido por um silêncio confortável, pontuado por risadas esporádicas e olhares roubados. Ambos estavam ainda processando a avalanche de emoções que os havia atingido. Yoongi dirigia com um cuidado redobrado, como se o carro contivesse algo de valor inestimável — e na real, tinha mesmo.

Ao estacionar em frente à sua casa, Yoongi sentiu um frio na barriga. O que aconteceria agora? A confissão havia sido feita, a aceitação, recebida. Mas e o "depois"?

Ficaram ali alguns minutos. Jimin ficou meio inquieto pois não gostava muito do silêncio gritando em seus ouvidos e Yoongi, um tanto aliviado por terem chegado em um terreno seguro, embora estivesse nervoso com essas novas informações que insistiam em voltar como um looping.

— Se eu soubesse que ficaríamos aqui eu nem tinha vindo. Não nasci pra passar calor. – o de cabelos vermelhos disse, arrancando uma risada engraçada de Yoongi.

— Desculpa, eu só… ah, vamos logo. – Yoongi destravou as portas e logo estavam tomando o caminho até a porta principal da casa.

Entrar na casa de Yoongi era sempre um refúgio para Jimin. O apartamento era pequeno, mas aconchegante, com cheiro de livros, café e claro, um leve aroma de peônias vindo das velas aromáticas que Yoongi gostava de acender. Holly, o cachorrinho de Yoongi, veio correndo, abanando o rabo animado, pulando nas pernas de Jimin, como se dissesse que estava feliz de ver aquele humano ali.

— Oi, garoto! Sentiu falta do seu tio, é? — Jimin se agachou, fazendo carinho em Holly, que respondia com lambidas molhadas.

Yoongi observava a cena com um sorriso suave. Era uma das muitas coisas que amava em Jimin: sua capacidade de se conectar com todos, até mesmo com um cachorrinho fujão.

— Eu vou pegar o soju e você pode escolher o episódio de Whose Line, — Yoongi disse, indicando a estante de DVDs.

Jimin assentiu, já se sentindo em casa. Ele se levantou, caminhou até a estante e pegou a caixa da nova temporada, enquanto Yoongi se dirigia à cozinha. O som suave das garrafas de soju sendo retiradas da geladeira e o tilintar dos copos ecoaram pela sala.

Poucos minutos depois, Yoongi voltou com duas garrafas de soju gelado e copos, sentando-se no sofá ao lado de Jimin. Eles abriram as garrafas, serviram-se e, como de costume, fizeram um brinde silencioso. Mas, desta vez, o brinde parecia carregar um peso diferente, uma promessa.

A risada contida de Ryan Stiles e Colin Mochrie encheu a sala, mas a atenção de Yoongi e Jimin estava dividida. Entre uma esquete e outra, eles se pegavam olhando um para o outro, um sorriso tímido surgindo em seus lábios. A tensão era palpável, mas não era uma tensão ruim; era a tensão da antecipação, da expectativa de algo novo e belo.

— Então, sobre aquilo… — Jimin começou, quebrando o silêncio durante uma pausa comercial. Seus olhos encontraram os de Yoongi. — Você realmente quis dizer tudo aquilo, hyung?

Yoongi colocou o copo de soju na mesinha de centro e se virou completamente para Jimin, seus olhos fixos nos do ruivo. De forma meio improvisada, começou.

— Cada palavra, Park Jimin. Eu queria ter dito há muito tempo, mas sou um covarde.
Jimin sorriu, um sorriso que Yoongi reconheceu como sendo de alívio e compreensão e isso o acalmou.

— Eu também. Eu achava que estava imaginando coisas. As vezes que você aparecia no posto sem motivo, a forma como você me olhava… Eu pensei que estava pirando.

— Você nunca pirou, Mimi. Eu só… não sabia como. Eu tinha medo de estragar o que tínhamos. A nossa amizade. Você é importante demais para mim. — Yoongi confessou, sua voz baixa.

— E eu também morria de medo de estragar a nossa amizade. Você é meu melhor amigo, Yoongi-hyung. A ideia de perder você era insuportável. — Jimin admitiu, seus olhos levemente marejados. — Mas… o que acontece agora?

Yoongi hesitou por um momento, mas a coragem que ele achou ter perdido havia, de alguma forma, retornado com força total. Deu de ombros, fingindo um costume que, definitivamente, não era seu. Precisava tomar as rédeas de sua vida e pelo menos, uma vez, ser o protagonista da sua própria história.

— Agora, a gente para de fingir, Jimin. A gente para de fingir que não estamos completamente atraídos um pelo outro. A gente para de fingir que esses anos de amizade não foram, na verdade, uma longa e complicada história de amor se desenrolando bem debaixo dos nossos narizes.

O ar na sala ficou mais denso, carregado de uma eletricidade quase visível. Jimin sentiu o coração acelerar, o sangue correndo quente pelas veias. Ele olhou para Yoongi, para a seriedade em seus olhos, para a vulnerabilidade que ele estava mostrando. Ele sabia que esses momentos eram raros e, por isso, iria aproveitar cada segundo.

— Eu… eu quero isso, hyung, — Jimin sussurrou, sua voz mal audível.

Yoongi estendeu a mão, hesitante, e tocou o rosto de Jimin. A pele do ruivo era macia e quente sob seus dedos, e Yoongi sentiu um arrepio percorrer seu braço. Jimin fechou os olhos com o toque, encostando-se na mão de Yoongi. O momento era perfeito, delicado e frágil.
Yoongi inclinou lentamente, seus olhos fixos nos lábios de Jimin. O ruivo abriu os olhos, brilhando com uma mistura de expectativa e desejo. E então, Yoongi quebrou a pequena distância entre eles.

O beijo começou suave, hesitante, como duas almas que finalmente encontraram seu lar. Era um beijo de descoberta, de alívio, de anos de sentimentos reprimidos finalmente explodindo. Os lábios de Yoongi eram macios, e Jimin sentiu um calor se espalhar por todo o seu corpo, como se cada célula estivesse despertando.

À medida que o beijo se aprofundava, a hesitação desapareceu, substituída por uma urgência crescente. Yoongi moveu a mão para a nuca de Jimin, puxando-o para mais perto, a outra mão repousando em sua cintura. Jimin respondeu com a mesma intensidade, suas mãos se aninhando nos cabelos de Yoongi, puxando-o para ainda mais perto. O soju, antes um mero acompanhamento para a série, agora parecia ter amplificado todas as sensações, tornando o momento ainda mais inebriante.

O beijo era tudo o que eles esperavam e mais. Era doce e apaixonado, uma promessa silenciosa de um futuro que eles estavam finalmente prontos para explorar juntos. O mundo exterior, com seus carros, suas faculdades e seus dias "merdas"... tudo desapareceu.

Haviam apenas eles dois naquele sofá, sob a luz suave da sala, e as risadas de Whose Line Is It Anyway tocando suavemente ao fundo, como a trilha sonora perfeita para o início de sua própria história.

Quando finalmente se separaram, ofegantes, seus rostos estavam corados e seus lábios inchados. Os olhos de Yoongi brilhavam com uma intensidade que Jimin nunca havia visto antes, e os olhos de Jimin refletiam a mesma paixão.

— Eu esperei tanto por isso, — Jimin sussurrou, ainda segurando Yoongi perto.
— Eu também, Mimi. Eu também, — Yoongi respondeu, sua voz rouca de emoção. Ele beijou a testa de Jimin, depois o nariz e finalmente, deu um selinho demorado em seus lábios novamente.

Eles ficaram ali, abraçados no sofá, assistindo ao restante do episódio de Whose Line, mas sem realmente ver. Apenas o som de suas risadas e o calor de seus corpos juntos importavam. Conversaram sobre tudo e nada, sobre como se sentiam, sobre os medos que tinham guardado, sobre a alegria de finalmente terem um ao outro.

Yoongi contou sobre as noites em que ficava no posto, observando Jimin, criando desculpas para vê-lo. Jimin confessou sobre as borboletas no estômago toda vez que Yoongi aparecia, a forma como o sorriso do mais velho o afetava, e como ele secretamente torcia para que os "dias merdas" de Yoongi os levassem a se encontrar.

Eles beberam mais soju, as garrafas esvaziando-se enquanto a noite avançava. As confissões tardias e improvisadas se tornaram a trilha sonora perfeita para o florescer de um amor que havia sido silenciosamente cultivado por tanto tempo. Holly, satisfeito com a atenção, dormia enrolado aos pés de Jimin, alheio à revolução que ocorria em seu pequeno universo doméstico.

Quando o sol começou a espreitar pelas cortinas, anunciando um novo dia, Yoongi e Jimin ainda estavam acordados, aninhados um no outro no sofá. O cansaço era evidente em seus olhos, mas era um cansaço feliz, um cansaço preenchido pela euforia da descoberta e da conexão.

— Acho que meu dia merda valeu a pena, afinal. — Yoongi murmurou, beijando o topo da cabeça de Jimin.

Jimin se aninhou mais perto, o corpo de Yoongi sendo um porto seguro. — Com certeza, hyung. Com certeza.

Eles sabiam que o futuro traria seus próprios desafios, suas próprias incertezas. Mas, naquele momento, naquele amanhecer, cercados pelo calor um do outro e pela promessa de um novo começo, tudo o que importava era o presente.

O dia "merda" de Yoongi havia se transformado no dia mais extraordinário de suas vidas, o dia em que o amor, finalmente, encontrou seu caminho. E enquanto o sol nascia, pintando o céu de tons rosados e alaranjados, Yoongi e Jimin sabiam que essa era apenas a primeira página de um novo e emocionante capítulo em suas vidas.

FIM!

Notes:

Isso tava incrível né? Comentem muito o que acharam!
Mas a autora arrasou demais nessa história. Hehe.