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the girl is mine

Summary:

Felix sempre foi apaixonado por Hyunjin, sua melhor amiga. Ele queria ser notado por ela, mas parecia impossível que uma garota tão linda e desejada iria se apaixonar pelo o melhor amigo nerd. Felix estava decidido a guardar todos aqueles sentimentos, até que o destino veio mostrá-lo que tudo poderia acontecer naquelas férias de verão.

Notes:

OLÁ AMORES, falei que voltava logo com uma hyun fem e aqui estou eu, voltei!!!

A ideia surgiu quando eu estava vendo os comentários da minha oneshot "the boy is mine" e pensei, preciso fazer uma versão com hyunjin fem, foi assim que surgiu a ideia para the girl is mine hahaha

Foi bem divertido escrever essa oneshot principalmente porque sou apaixonada por friends to lovers, e também para escrever algo novo para o projeto #hyunbottom então espero que vocês gostem também

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 

O carro parou em frente ao portão grande de madeira. Felix pegou a chave e desceu, junto de Hyunjin, para abrirem a garagem.

— Finalmente chegamos! — ela disse, com um sorriso enorme.

Felix olhou para ela e assentiu, também sorrindo. Sua mãe estacionou o carro e ele terminou de fechar o portão. 

Era verão, a combinação perfeita para as férias. Naquele ano, Felix e Hyunjin decidiram não fazer disciplinas de verão para poderem viajar com suas mães para Malibu, onde a sra. Hwang tinha uma casa de herança. 

Suas mães trabalhavam como sócias de uma loja de roupas, e nada mais justo do que tirarem férias juntas. Estava tudo certo: o pai de Felix ficou responsável por resolver qualquer problema da loja se precisasse, mas os funcionários eram excelentes, e elas confiavam de olhos fechados. 

O pai de Hyunjin também não pôde ir, não conseguiu tirar férias na mesma época que elas, assim como o irmão mais novo de Hyunjin, Jeongin, preferiu passar as férias com o namorado. Aquela seria uma viagem de melhores amigos, suas mães e claro, Hyunjin e Felix.

Felix não lembrava exatamente em que momento se tornou melhor amigo de Hyunjin, mas meio que a amizade entre eles foi planejada desde que eles estavam na barriga da mãe. 

Allison, mãe de Hyunjin, e Emma, mãe de Felix, viraram amigas desde a escola. Elas sempre foram inseparáveis, amizade para a vida toda, seja no trabalho, família ou em qualquer área da vida. Elas estavam sempre juntas, resolvendo problemas da loja, jantares em família, compras no shopping, filmes nos sábados e até mesmo viagens. 

E claro que a primeira gravidez não seria diferente. Elas planejaram ter um filho na mesma época, sonhando que os dois tivessem uma amizade tão bonita quanto a delas. E funcionou. 

Hyunjin veio primeiro, uma garotinha linda, chorona, de cabelos pretos e a cara do pai. Meses depois, Felix nasceu, pequeno, dorminhoco e com características dos dois, seu rosto lembrava o pai, mas os traços delicados e o cabelo loiro vinham da mãe.

Hyunjin e Felix foram criados juntos, sempre brincando, brigando e se divertindo muito. Estudaram na mesma escola, entraram para a mesma faculdade, e continuavam inseparáveis, como unha e carne.

— Vem, Lixie. Vamos pegar os quartos de cima, a vista é mais bonita — Hyunjin segurava seu pulso, puxando-o para a escada.

Felix carregava sua mochila e a bolsa de mão de Hyunjin, depois voltaria para pegar as malas dos dois. Assim que chegaram ao primeiro andar, ela correu para abrir as janelas e deixar o sol iluminar o corredor. A primeira porta era do banheiro, e mais a frente tinham duas portas, uma do lado da outra, para os quartos.

— Você fica nesse e eu fico no outro — ela apontou, pegando sua bolsa das mãos de Felix e andando até o outro quarto.

A casa era espaçosa, quatro quartos no total, o suficiente para cada um ficar no seu próprio quarto. Felix jogou a mochila na cama e foi até a janela, afastando as cortinas para olhar a vista. O mar ficava bem em frente a casa, azulzinho como ele se lembrava.

Felix ajustou os óculos de grau quando se afastou, lembrando-se da última vez quando ele esteve lá. Já fazia alguns anos, uns três talvez, que Felix viajou junto da família Hwang. Naquele ano, seus pais não puderam ir, mas os pais de Hyunjin prometeram que cuidariam bem dele.

Na época, eles tinham 19 anos e estavam com a curiosidade aflorada. Passavam o dia todo no mar, passeavam e conheciam pessoas novas, até beberam escondidos, e Felix teve sua primeira ressaca. Foi horrível. Ele vomitou tanto que achou que fosse morrer.

A viagem tinha tudo para ser inesquecível, mas aconteceu algo que traumatizou Felix e ele não quis voltar nem tão cedo. Nos anos seguintes, focou totalmente na faculdade como desculpa para não viajar com eles. No ano passado, apenas seus pais foram, Hyunjin passou as férias de verão com Felix, focados em adiantar disciplinas.

— Você ainda está assim? — Hyunjin apareceu em sua porta, eufórica. — Anda, vai trocar de roupa.

— O quê? Pra quê? — engoliu em seco, tentando não olhar para o vestido colado e transparente que ela usava.

— Vamos para a praia, ué. O sol está maravilhoso e o mar calmo. Vamos logo!

— Eu queria descansar um pouco e…

— Não, nada de descansar — ela revirou os olhos. — Descansa quando for de noite pra dormir, Lixie, agora vamos para a praia, anda!

— Tá, tudo bem.

Hyunjin sorriu, dando pequenos pulinhos, animada.

— Estou te esperando na sala. Não demora, hein? 

Felix suspirou quando ela saiu. Como um idiota apaixonado, ele aceitava fazer qualquer coisa por Hyunjin, desde o pedido mais tranquilo até a coisa mais absurda. Felix tirou suas roupas e colocou seu short de banho, pegou o protetor solar por precaução, pois sabia que ela sempre se esquecia de passar.

Chegou na sala e encontrou Hyunjin, de braços cruzados e batendo o pé. Ela parecia impaciente de esperar, mesmo que Felix nem tenha demorado. 

— Você pegou uma toalha? — ele perguntou.

— Não precisa, mamãe vai trazer depois. Anda, vamos.

Hyunjin segurou seu pulso e o arrastou para fora de casa. Pegaram as cadeiras de praia que estavam do lado de fora e caminharam pela areia, até se aproximarem do mar. Hyunjin não parava de sorrir, por pouco, ela começaria a pular igual os golfinhos no mar.

Felix mal teve tempo de falar algo. Hyunjin tirou o vestido e entregou em suas mãos. Ele prendeu a respiração por alguns segundos, de olhos arregalados enquanto assistia Hyunjin ajustar o biquíni branco.

Não importava quantas vezes ele já tivesse visto ela assim, seu coração iria acelerar em todas elas. Engoliu em seco, entrando em uma batalha espiritual para não olhar o corpo dela, mas era tão difícil… Como iria resistir quando a mulher mais linda do mundo estava ali, bem à sua frente?

Felix não fazia ideia de em que momento de sua vida se apaixonou por Hyunjin. Talvez, sempre foi apaixonado por ela, pois era difícil distinguir, já que ele só tinha olhos para ela.

— O homem do picolé! Eu quero um! — ela disse, acenando para o rapaz que passava empurrando um carrinho.

Felix assentiu e pegou dinheiro no bolso. Hyunjin escolheu um picolé de chocolate.

— Quer um pedaço?

Felix negou, guardando o troco no bolso. Mas claro que negar não era suficiente. Felix já estava acostumado e sempre cometia o mesmo erro.

Hyunjin enfiou o picolé em sua boca, fazendo-o morder.

— Obrigado — murmurou, de boca cheia. Ela sorriu e voltou a atenção para o picolé. Era engraçado, tudo o que ela comia, queria que Felix comesse também.

Eles eram inseparáveis desde pequenos, sempre fazendo tudo juntos como melhores amigos. Não foi difícil se apaixonar por Hyunjin, ela sempre foi linda, engraçada, compreensiva e claro, sua melhor companhia para tudo. Quando Felix se deu conta, já era um adolescente de músculos formados, mesmo que não fossem muitos, e grande o suficiente para entender o que eram aquelas palpitações estranhas em seu peito.

Mas claro que Hyunjin não chamava apenas sua atenção. Na escola, a maioria dos garotos de sua sala suspiravam por ela, alguns até achavam que Felix e ela namoravam já que estavam sempre juntos, mas Hyunjin negava sempre que um garoto perguntava, e depois de saber que era solteira, chamavam-a para sair.

Hyunjin não era o tipo de garota de sair com qualquer um, ela só aceitava quando era alguém muito bonito. Pelas conversas que escutava nos corredores, Felix podia dizer que eles faziam fila esperando pela chance de serem notados por ela. 

Felix sabia que nunca teria chance. Mesmo que sua mãe sempre falasse quanto ele era o garoto mais lindo do mundo, Felix não se sentia assim. Ele não era como os garotos altos e bombados que conseguiam levar Hyunjin em um encontro. Ele não era do tipo atleta que atraía a atenção de outras garotas e muito menos era extrovertido e piadista, como alguns garotos que faziam Hyunjin rir em algum momento aleatório da aula.

Felix gostava de prestar atenção nas aulas, chegar em casa e revisar tudo o que aprendeu, assistir a vídeos de curiosidades nos tempos livres ou jogar em seu computador. 

Por baixo daqueles óculos redondos, cabelo certinho, roupas largas e notas boas, escondia um garoto tímido, estudioso e muito apaixonado. 

— Hyunjin, já passou protetor? — perguntou, finalmente voltando a olhar para ela.

— Ainda não — Hyunjin se virou para ele e sorriu. — Pode passar em mim? Minhas mãos estão sujas.

Não só as mãos dela, como a boca também. Felix soltou um suspiro enquanto observava Hyunjin colocar o palito do picolé dentro da bolsa e se virar para ele, colocando os cabelos para a frente.

— Pode passar.

Como uma reação química instantânea, suas mãos começaram a tremer, assim como suas pernas. Não importava quanto tempo passasse, Felix nunca deixaria de ser apaixonado por aquela garota. 

Abriu a tampa do protetor e o espremeu na mão. Afastou uma mecha que continuava nas costas dela e espalhou o protetor, esfregando nos ombros primeiro. A pele de Hyunjin era macia, e seus dedos formigavam sempre que ele tocava nela. 

Ela se encolheu e riu.

— Está geladinho — disse, sorrindo, enquanto Felix tentava se concentrar em não surtar.

— Foi por causa do ar do carro — suspirou, espremendo mais protetor no restante das costas.

Felix desceu as mãos, esfregando os dedos por cada pedacinho dela. Céus, aquilo era uma tortura terrível, era como estar em frente ao maior sonho da vida, mas com os pés presos no chão e as mãos algemadas, sem poder sair do lugar. Era assim sempre que ele se sentia perto de Hyunjin.

— P-pronto — murmurou, limpando os dedos na própria pele.

— Na frente agora — ela se virou, jogando os cabelos para trás.

— Hyunjin… — olhou para o colo dela, evitando o maldito decote gritando pela sua atenção.

— O que foi?

— Você está me pedindo para passar protetor nos seus… seus…. — Abaixou o olhar para os seios cheios e engoliu em seco, voltou a olhar para ela. — E na sua barriga?

— Sim, o que tem?

O que tem? O que tem é que ele desmaiaria se fizesse aquilo. Como ia conseguir agir normal depois de tocar naquela preciosidade? Impossível.

— Hyunjin, eu…

— Para de frescura, Felix. Eu quero entrar logo no mar e minhas mãos estão sujas, se você não passar, então eu vou assim mesmo — bufou, fazendo um biquinho birrento.

— Tá, tá bom.

Hyunjin precisava parar de fazer isso com ele, mais um pouco e Felix surtaria de verdade. Já não bastava passar anos apaixonado em silêncio, ainda tinha que lutar contra sua própria mente para não entrar em pane na frente dela.

Colocou protetor nas mãos e espalhou nos braços de Hyunjin, tomando cuidado para passar em cada pedacinho. Depois espalhou na barriga dela, e foi torturante. O tempo parecia jogar contra Felix, fazendo tudo parecer terrivelmente lento. Mais um pouco e Felix culparia a gravidade. Não era possível que os movimentos de sua mão ficassem tão lentos assim de repente. Ele queria terminar logo, ao mesmo tempo em que queria ficar ali para sempre.

A cintura de Hyunjin era uma das partes mais lindas; era pequena, completamente desenhada, perfeita para ser apertada, por ele, é claro. Olhou para a frente, para os seios apertados pelo o biquíni e engoliu em seco, tentando disfarçar o tremor. 

Felix sabia que nunca teria chance com Hyunjin. Que tipo de pessoa pede para um garoto passar protetor assim? Tinha certeza que ela o enxergava como um amigo gay, sem ter a menor ideia do sentimento gigantesco que Felix escondia. 

— Vai logo — ela resmungou quando notou a demora de Felix.

Ela precisava ter paciência. Felix estava a ponto de ter um infarto, o coração acelerava tão rápido que ele jurava estar ouvindo as batidas. Fechou os olhos quando a mão tocou o colo dela e espalhou o protetor. Felix não podia olhar, se ele fizesse isso, não ia aguentar, precisaria sair correndo para seu quarto e se trancar pelo o resto do dia.

Hyunjin gargalhou, divertindo-se com sua cara.

— Credo, parece que você tem nojo de mim — ela balançou a cabeça, olhando para a ponta dos dedos deslizando entre seus seios, mal tocando. — Você tem certeza que gosta de garotas mesmo, Felix?

Ora, que coragem de perguntar isso. Ela não sabia o esforço mental que Felix enfrentava todos os dias para não se declarar aos pés dela, implorando por uma chance. E muito menos sabia o tanto de concentração que ele estava colocando para não cair duro na frente dela.

— G-gosto. — Sua voz falhou pateticamente, saindo fina e fazendo Hyunjin gargalhar.

— Só não encontrou a garota certa ainda, eu sei, você já disse.

Garota certa. Aquilo nem ao menos existia. 

Felix tinha que dar tantas desculpas para explicar o porquê ele não queria sair com alguma amiga aleatória de Hyunjin, dizendo que não estava pronto para isso, que ela começou a acreditar.

— Sim… isso mesmo — Felix suspirou, olhando para o mar.

Era ridículo. Ele já tinha 23 anos, deveria estar procurando alguém que fizesse ele se apaixonar ao ponto de esquecer Hyunjin, mas ele não conseguia, era fiel demais a sua primeira paixão e achava que ia morrer assim.

Felix já beijou algumas garotas, um total de três para ser mais exato. A primeira foi quando eles estavam em uma festa do pijama, e é claro que Hyunjin o incluiria na festa de pijama entre amigas. Elas resolveram brincar de verdade ou desafio. Hyunjin desafiou sua amiga, Lily, a beijar Felix e ele quase surtou. Não queria aceitar aquele desafio, pois, na mente dele, seu primeiro beijo seria de Hyunjin. Mas não teve tempo de falar nada; apenas sentiu o toque molhado de lábios. Depois, Hyunjin confessou que fez isso para Felix perder logo o BV. Humilhante.

A segunda vez foi em uma festinha de aniversário que Hyunjin obrigou Felix a ir. Na época, ela estava de papo com um cara bonitão. Felix ficou tão chateado quando viu eles dois se beijando que só queria esquecê-la. Saiu andando sem rumo e no fim, acabou trocando beijos com a garota bêbada que o puxou. 

E, por fim, a sua última tentativa foi no ano passado, quando Hyunjin cismou que Felix precisava estudar menos e conhecer alguém. Ela apresentou uma garota da turma dela, que era linda, tinha cabelos pretos iguais aos de Hyunjin, e talvez esse foi o motivo por eles terem trocado tantos beijos, porque, sempre que fechava os olhos, a imaginava. Mas ele se sentiu tão culpado que não conseguiu continuar e pediu para Hyunjin não tentar bancar a cupido dele. Felix iria esperar a pessoa certa aparecer.

Desde então, ele estava sempre se esquivando, já que a pessoa certa para seu coração não o queria de volta.

— Falta seu rosto — Felix murmurou, espremendo o protetor nos dedos.

Ela assentiu e colocou o braço nos cabelos para impedir que atrapalhasse. Felix deslizou os dedos no rosto, espalhando o líquido.

Ela era linda, a pessoa mais perfeita que existia naquele planeta, a melhor combinação de DNA que ele já viu. Ela tinha genes dos deuses, era a única explicação.

Olhou para a boca suja, o sorvete já tinha secado, mas ainda parecia adorável. Felix perdeu a conta de quantas vezes sonhou em sentir aqueles lábios, quanto imaginou como seria o beijo dela. Seu coração palpitava dolorido sempre que ele se lembrava que nunca conheceria a sensação. Era cruel ter aqueles lábios tão perto e não poder senti-los nos seus.

Deslizou os dedos pelas bochechas, espalhando devagar e aproveitando ao máximo o contato. Queria continuar assim o dia todo, mas Hyunjin parecia ter pressa, pois se afastou.

— Tá bom, já passamos protetor demais, quero ir para o mar. 

— Falta suas pernas.

— Me dê isso aqui.

Hyunjin tomou o protetor de suas mãos e espremeu nas pernas, esfregando de qualquer jeito. 

— Vamos — ela sorriu, segurando sua mão e o arrastando até o mar.

Felix não tinha passado protetor, mas que se dane também, depois ele faria isso. O importante agora era vê-la pulando entre as ondas, jogando água nele e se pendurando em suas costas quando ela sentia algo estranho na areia, tudo isso enquanto ouvia o melhor som do mundo: a risada dela.

𖤓☽

A noite chegou e a fadiga veio junto. Depois de passarem a manhã inteira no mar, quando voltaram para casa, cada um capotou em sua cama e só acordaram horas depois. Felix andou se arrastando até o andar de baixo, e encontrou sua mãe e Allison conversando, enquanto tomavam um café. Olhou ao redor e não tinha nenhum sinal de Hyunjin. Ela ainda devia estar dormindo.

— Quer café, filho? — Emma perguntou quando ele sentou ao lado dela. Acariciou seus cabelos bagunçados, colocando os fios no lugar.

Ele negou.

— Estou com fome — resmungou, empurrando os óculos que estavam caindo do rosto.

— Pedimos pizza faz 10 minutos, estamos exaustas demais para cozinhar — Emma falou. — Mas tem comida no armário, querido. Coma algo enquanto a pizza não chega.

Felix assentiu e se levantou para pegar o Doritos que ele e Hyunjin começaram a comer no meio na viagem, mas não terminaram. Quando voltou para a mesa, viu Hyunjin aparecer.

Ela usava um moletom largo e um shortinho curto, os cabelos também estavam bagunçados, mas o que chamou sua atenção foi o rostinho emburrado e o bico enorme. O nariz dela estava vermelho do sol.

— Acordou, dorminhoca — Allison sorriu, afastando a cadeira para ela sentar.

— Meu rosto está ardendo — resmungou, cruzando os braços.

— Você foi a única que não passou protetor de novo, Hyunjin. Eu te avisei que ia queimar. — Sua mãe repreendeu.

Felix sentou ao lado dela, segurando sua vontade de acariciar o rosto de Hyunjin até desfazer aquela expressão emburrada. Ela olhou para Felix e enfiou a mão no Doritos, pegando um punhado. 

— A culpa foi do Felix que não passou protetor direito no meu rosto — provocou, dando um sorrisinho.

— Você não deixou, né? Saiu me arrastando pro mar.

— Eu estava com saudades, poxa — resmungou, colocando um salgadinho na boca.

Felix riu.

— Você parece um peixinho, não pode ver água que só quer saber disso.

— Eu amo praia e piscina — Hyunjin disse, e olhou para Allison. — Mãe, o homem veio ajeitar a piscina?

— Sim, ele colocou os produtos e disse que já podemos usar amanhã.

— Eba — Hyunjin sorriu.

Nem parecia que ela estava com o rosto queimado do sol. No dia seguinte, ela pularia na piscina assim que acordasse, com ou sem sol.

Enquanto elas conversavam, Felix foi até o quarto de sua mãe pegar um creme que ela usava para o rosto. 

Suas mães continuavam conversando sobre os planos para os passeios da viagem. Felix tocou o ombro de Hyunjin, fazendo-a olhar para ele.

— Deixa eu passar isso no seu rosto para aliviar — ele disse, tirando a tampa.

Hyunjin assentiu, afastou os fios do rosto e fechou os olhos. Felix passou o creme com cuidado, espalhando pelas partes vermelhas. Hyunjin enrugou o nariz com o toque, pois estava muito sensível.

— Desculpe — Felix murmurou.

— Tudo bem.

Felix assoprou onde tinha passado o creme e voltou a aplicar mais uma camada com cuidado. Olhava para o rosto dela, apreciando cada detalhe que ele já observou tantas vezes. Conhecia cada marquinha da pele dela, cada expressão. Felix era fascinado por aquele rosto, nunca existiria nada igual no mundo. 

Passaria o resto de sua vida apreciando cada pedacinho dela, nunca se cansaria de olhar e admirar Hyunjin. Ela era a dona de cada batida do seu coração, sempre dominaria sua cabeça, mesmo que nunca soubesse dos seus sentimentos.

Deixou a pele de Hyunjin bem hidratada e entregou o creme nas mãos dela para usar antes de dormir. Ele estava tão concentrado nela, que nem notou que sua mãe e Allison estavam caladas, olhando para eles. 

Felix pigarreou e se afastou, voltando a sentar. Ele era muito óbvio, todo mundo devia saber que ele era apaixonado por Hyunjin, estava estampado em sua cara, mas parecia que só ela não percebia. Felix se perguntava se ela nunca tinha notado mesmo ou fingia não notar. Talvez fosse mais fácil assim para não ter que partir o coração dele quando ela o negasse. 

Felix tinha medo disso acontecer, por isso, preferia viver no silêncio. Tinha medo das coisas ficarem estranhas depois. Felix achava que poderia suportar um coração partido, mas se Hyunjin começasse a evitá-lo, não sabia o que aconteceria com sua vida. Seria seu fim. 

— Ah… mãe, peguei seu creme de rosto para Hyunjin — ele disse, tentando conter os pensamentos bagunçados. 

— Tudo bem, querido. Ele é ótimo, vai hidratar bem sua pele, Hyune.

— Obrigada, tia — Hyunjin sorriu, guardando o creme no bolso do moletom.

Minutos depois, a campainha tocou. Finalmente, o entregador tinha chegado com as pizzas. 

Estavam com tanta fome que não sobrou uma fatia para contar história. Felix saiu para jogar as caixas fora e quando voltou, elas estavam no sofá, escolhendo algum filme para assistir. Tinham duas poltronas grandes e um sofá de três lugares. Suas mães sentaram nas poltronas, e Hyunjin estava estirada no sofá. 

— Ei, Felix. Pega um cobertor para nós — ela pediu, encolhendo os ombros. 

Ele assentiu e foi até seu quarto para pegar o cobertor que estava usando, era quentinho e perfeito. Pelas janelas, entravam a brisa do mar, trazendo aquele ar gelado. Hyunjin se sentou quando Felix voltou e cobriu as pernas dos dois enquanto o filme passava.

— Que filme é esse? — Felix perguntou.

— Quando em Roma, começou assim que ligamos a TV — Emma respondeu.

O filme seguiu, mas, sinceramente, Felix não prestava atenção. Principalmente quando Hyunjin colocou as pernas em seu colo e deitou o rosto em seu ombro. Ela sempre gostava de assistir qualquer coisa assim, grudada nele, mas era torturante, só Felix sabia como precisava se controlar para não abraçá-la de volta.

Segurou o pé dela e fez massagem por baixo do cobertor. Ela agradeceu baixinho e se encolheu.

As horas foram passando, o segundo filme começou, mas sua mãe já estava bocejando demais para aguentar assistir. Ela deu boa noite e foi para o quarto. Minutos depois, a sra. Hwang fez a mesma coisa. Felix também queria ir dormir, mas não teve coragem de se mexer, estava bom demais ficar daquele jeitinho com Hyunjin, ele passaria a noite assim.

Mas quando a ouviu suspirar, percebeu que Hyunjin estava dormindo. Felix sorriu. Ela era adorável assim, um biquinho fofo se formava nos lábios e ele achava que poderia morrer só de olhar para ele. 

— Hyunjin, vamos dormir — tentou acordá-la, cutucando a perna dela, mas Hyunjin só resmungou.

Felix desligou a TV. A sala não estava totalmente escura, era iluminada pela lua. Tentou acordá-la mais uma vez, porém, sem sucesso.

— Vamos, Hyunjin…

— Não — resmungou, emburrada. 

Hyunjin se afastou para deitar no sofá e puxou Felix junto. Ele apenas aceitou, porque ele aceitava tudo por ela. Deitou no sofá, enquanto Hyunjin se aconchegava em seus braços. A perna dela entrelaçou na sua, o rosto descansava em seu peito e a mão ficou apoiada em sua barriga. 

Felix suspirou, um sorriso bobo e idiota estampado no rosto. Seu coração batia loucamente, e por sorte ela já estava dormindo, se não ele tinha certeza que ela perceberia seu coração gritando. 

Não era a primeira vez que eles dormiam assim e provavelmente não seria a última. Mas cada vez que acontecia, aquela paixão queria sair, berrar com todos os pulmões o quanto era apaixonado por ela. Era cruel não poder amar Hyunjin como gostaria, e Felix não sabia até quando seu coração se contentaria com aquilo.

𖤓☽

Como já esperado, Felix encontrou Hyunjin na piscina. Ela nadava de uma ponta a outra enquanto suas mães estavam sentadas na borda, conversando. Felix acabou dormindo mais naquela manhã, pois demorou para adormecer com Hyunjin agarrada daquele jeito nele.

— Felix, vem! — Hyunjin gritou, acenando.

Ele sorriu, soltando um suspiro apaixonado. Jogou a camisa na cadeira que estava perto e colocou seus óculos em cima para não molhar. Desceu pela escadinha da piscina, e Hyunjin já estava ao lado, esperando por ele.

— Pensei que você não ia acordar mais — resmungou.

— Eu senti você me cutucando pra acordar, mas eu tava com muito sono.

Hyunjin gargalhou e deu de ombros. 

— Eu queria que você viesse logo, vem — puxou a mão dele para o fundo.

Felix ficou na ponta do pé, enquanto Hyunjin dava pequenos pulinhos.

— A água está perfeita — ela disse antes de mergulhar. Quando levantou, passou a mão nos cabelos, jogando-os para trás.

Como sempre, Felix não conseguia desviar o olhar dela. O nariz continuava vermelho, mas a pele dela parecia brilhar. Ela estava tão animada que não parava de sorrir, e Felix se perguntava como alguém conseguia acordar mais linda a cada dia daquele jeito.

— Vou pegar água de coco, alguém quer? — Allison se levantou, passando a mão no vestido. A mãe de Felix se também levantou.

— Eu quero — Hyunjin disse, e Felix negou.

Não demorou muito para elas voltarem com os cocos. Hyunjin pegou o dela, e suas mães foram sentar na cadeira de praia para tomar um sol. O dia não estava tão quente como o anterior, a piscina coberta pela sombra do telhado.

Felix observou Hyunjin colocar o canudo na boca para provar a água de coco. Ela arregalou os olhos e sorriu.

— Está bem docinho, prova — enfiou o canudo na boca de Felix sem esperar uma resposta.

Ele suspirou e provou, logo assentindo. 

— Está bom mesmo.

Hyunjin balançou a cabeça, confirmando, e colocou o canudo na boca. Felix não conseguia tirar os olhos da boca dela, sempre aquela tortura humilhante. Por Deus, quando Hyunjin ia ter pena dele e lhe dar um beijinho de verdade? Felix estava quase surtando.

Eles voltaram para o raso, a água batia abaixo do peito. Felix finalmente notou o biquíni rosa, que parecia menor que o branco que ela usou no dia anterior. Engoliu em seco e desviou o olhar, sua nuca estava ficando quente e a água não refrescava o seu corpo, na verdade, parecia fervilhar. 

Felix precisava acalmar seu coração agitado. Ele se afastou, voltando para o fundo e olhando para qualquer lugar que não fosse Hyunjin. Porém, claro que seus minutos de paz estavam contados, pois não demorou para ela deixar o coco vazio no chão e nadar até ele.

Hyunjin não disse, só se pendurou em suas costas e circulou as pernas em sua cintura. 

— Você está quieto hoje, o que aconteceu? — Hyunjin murmurou, parecendo confusa.

Felix fechou os olhos, suspirou, e ela percebeu.

— N-não é nada. — A voz de Felix falhou.

— Felix? Você sabe que pode me contar qualquer coisa — disse, apoiando as mãos no seu ombro.

Era mentira. Ele não podia contar que era apaixonado por ela e que vivia com aquele sentimento há anos. Ele não podia revelar algo assim quando ela dava todos os sinais de que nunca o veria de forma diferente.

— Acho que só estou cansado da viagem ainda, e também não dormi muito bem no sofá — Felix deu a primeira desculpa esfarrapada que veio à cabeça.

— Desculpa por fazer você dormir no sofá — ela murmurou, dando um beijinho em sua nuca.

Maldições! Ele ia sucumbir. Fez carinho no braço dela. Hyunjin não deveria pedir desculpas, já que ele amou dormir daquele jeito. O problema foi sua mente querendo fantasiar um relacionamento que não iria existir.

— Tá tudo bem.

Passaram mais um tempo assim, Felix andando pela piscina com Hyunjin pendurada em suas costas. Ela falava coisas aleatórias para distraí-lo e estava funcionando. Felix não podia negar: ela era uma amiga incrível, e ele se sentia sortudo demais.

Hyunjin não era só atenciosa, como muito cuidadosa e fazia de tudo para deixar Felix feliz.

— Meninos, vamos fazer o almoço — Emma disse, chamando a atenção dos dois.

— Tudo bem — Hyunjin falou e finalmente se soltou de Felix.

Ela se sentou na escada e ficou olhando para a água. Felix não disse nada, cruzou os braços sob a borda e apoiou o rosto. O silêncio reinou. Eles escutavam apenas o barulho das panelas na cozinha e alguns passarinhos cantando.  

Felix fechou os olhos, pensando em descansar um pouco, quando ouviu a risada de Hyunjin.

— O que foi? — perguntou ao olhar para ela.

Hyunjin negou, ainda rindo.

— Lembrei de uma coisa — olhou para Felix e fez careta.

— O que?

— Ano passado, quando Jeongin veio com o namorado — desviou o olhar, ainda fazendo careta.

— Com o Seungmin?

Ela assentiu.

— Ele disse que transou com Seungmin bem aqui, nessa escada que estou sentada.

— Meu Deus — Felix olhou espantado. — É sério isso?

— Infelizmente, sim — disse, rindo.

— Isso é loucura — Felix balançou a cabeça, negando.

— Também acho, mas ele disse que foi gostoso, um dos melhores até agora — Hyunjin olhou para ele, curiosa.

— E-Ele disse? — engoliu em seco.

— Disse… será que é verdade? Nunca tentei.

Felix virou o rosto rapidamente, o ar parecia evaporar dos seus pulmões. Aquele assunto era um dos poucos que quase nunca falavam. Primeiro, porque Felix era virgem, e segundo, porque ele surtava de amargor ao saber que outro homem já realizou o seu sonho com Hyunjin.

— Fiquei curiosa — ela mordeu o cantinho do lábio, olhando para a água. — E você, Felix?

— Eu o quê? — Sua voz saiu mais grossa do que o normal, atraindo o olhar dela.

Hyunjin manteve o olhar fixo nele por um tempo.

— Quando você for transar pela primeira vez, acha que vai preferir lugares assim? Tipo a piscina, um banheiro, o banco do carro.

— E-eu não sei…

Ele faria em qualquer lugar desde que fosse com Hyunjin, mas aquela resposta ela não podia saber.

— Você parece do tipo que vai preferir a cama mesmo, ou o sofá — ela disse, com a mão no queixo.

— Acho que sim… — respirou fundo, evitando olhá-la.

— Quando acontecer, você vai gostar tanto, Felix…

— Vou? — perguntou, tomando coragem para encarar aqueles olhos felinos.

Quase desmaiou.

— Aposto que você vai querer fazer o tempo todo, sem parar…

Felix assentiu. Ele queria realmente transar com Hyunjin o tempo todo, em qualquer oportunidade.

— Você precisa saber como é bom, Lixie.

Céus, seu pau estava duro. Queria pedir para Hyunjin lhe mostrar como era, já que ele tinha muito a aprender e ela era a única mulher que conseguiria fazer isso. 

Antes que pudesse falar algo, foi contaminado por aquela imagem pecaminosa que estava sempre em seus sonhos. Ele entre as pernas de Hyunjin, sem nenhuma roupa atrapalhando, enquanto seu pau atingia bem fundo.

Felix se arrepiou inteiro, seu pau latejou tanto que ele quis enfiar a mão dentro do short. Respirou fundo, tentando se acalmar, mas parecia impossível.

Ele não aguentava mais, precisava sair dali.

— Aonde vai? — Hyunjin perguntou quando Felix pulou e se apoiou na borda para sair.

— T-tô me mijando — falou, sem olhar para trás.

Felix não pegou a toalha. Entrou em casa molhado mesmo, quase caiu na escada, mas se segurou no corrimão. Correu até o banheiro, precisava de um banho gelado, qualquer coisa que conseguisse acalmar seus nervos. 

Felix abaixou o short e se enfiou embaixo do chuveiro. Fechou os olhos, esperando a água fazer efeito, ou sua mente tentar se acalmar, porém, não funcionou. Seu pau continuava terrivelmente duro, vazando sem parar. 

Felix choramingou quando finalmente tomou coragem de olhar para baixo. Seu pau não ia abaixar, não adiantava. Ele tinha que fazer aquilo, render-se à imagem deliciosa em sua mente de Hyunjin naquele biquíni rosa. Céus… ela estava gostosa demais.

Felix evitava fantasiar com Hyunjin para poupar seu coração apaixonado, mas tinha horas que não aguentava se segurar, pois conter aquele desejo já estava ficando impossível. Gemeu baixinho quando deslizou a mão no pau, segurou a ponta, pressionando e tentando acalmar seu corpo. Estava tremendo inteiro.

Felix apoiou as costas no azulejo quando a mão pegou impulso, deslizando mais rápido. Mordeu o lábio para conter os gemidos e fechou os olhos, deixando sua imaginação levá-lo para longe. 

E sua mente desgraçada levou, imaginando Hyunjin deitada em sua cama, toda molhada da piscina. Imaginou ela abrindo as pernas, deslizando o biquíni para o lado e o chamando até que ele estivesse com o pau inteiro dentro dela. Empurrou a mão mais forte, arfando alto.

— Puta merda — murmurou, delirando de desejo.

Respirou fundo e gemeu quando seus dedos pressionaram a ponta, deslizou pelo o comprimento e voltou para a glande inchada. Estava tão vermelha… queria saber se Hyunjin gostava de pau assim, se ela gostaria do tamanho do seu, se ele era grosso suficiente para satisfazer ela. Felix precisava tanto sentir como era deslizar dentro dela, que não parava de pensar naquilo. Queria beijar Hyunjin até sua boca cair enquanto seu pau se desmanchava de tanto meter.

Ele ia enlouquecer, não era forte o suficiente para aguentar aquilo. Empurrou os dedos mais rápido e gozou, gemendo alto de alívio.

Pressionou os olhos, tentando se livrar das imagens de Hyunjin, que continuavam impregnadas no seu cérebro. Terminou o banho rapidamente, tinha que sair dali antes que ficasse duro de novo.

Felix enxugou os cabelos e o corpo, enrolou a toalha na cintura e pegou seu short. Quando abriu a porta, encontrou Hyunjin do outro lado, olhando fixamente para ele.

Felix engoliu em seco. Há quanto tempo ela estava ali?

— Você… esqueceu seus óculos — ela murmurou.

Hyunjin entregou os óculos em sua mão e saiu, sem dizer mais nada.

𖤓☽

Depois do almoço, Felix passou um tempo trancado no quarto. Ele não parava de pensar se Hyunjin tinha escutado alguma coisa. Mesmo assim, não tinha coragem de perguntar, pois sabia que se entregaria se fizesse isso. Era melhor continuar assim, sem saber.

Estava pensando em dormir, só assim ele conseguiria silenciar sua mente por um minuto. Felix se levantou para fechar a janela, quando ouviu batidas na porta. Era ela.

— Lixie — murmurou, com aquele jeitinho de quem queria pedir algo.

— Oi, Hyune.

— Vamos tomar sorvete?

Ele sorriu e concordou, indo pegar a carteira. Podia dormir depois.

Perto da casa deles, havia uma sorveteria que eles sempre visitavam. Quando eram mais novos, eles iam todos os dias, até mais de uma vez ao dia. 

A sorveteria continuava do mesmo jeito, pequena e confortável como Felix lembrava. A moça do caixa não era mais a senhorinha que os atendia e dava picolé de graça, era uma garota jovem agora. Felix e Hyunjin montaram seus sorvetes, e ela, como sempre, pegou todo de chocolate, enquanto Felix escolheu uma mistura de sabores.

Foram para uma das mesinhas que ficavam do lado de fora. Felix sentiu falta de estar ali. Já fazia muito tempo, mas o sorvete continuava gostoso. Hyunjin enfiou a colher em seu sorvete, roubando um pedaço grande do meio.

— Até que essa gororoba está boa. Escolheu o quê? — perguntou, ainda com a colher na boca.

— Não sei, só coloquei.

Hyunjin balançou a cabeça e riu.

— Mas o meu ainda está melhor, prova.

Hyunjin encheu a colher de sorvete e enfiou na boca de Felix, e como ele sempre fazia, só aceitou. 

— Está melhor mesmo — disse, só para ver aquele sorrisinho convencido que ele tanto amava.

 Felix observava o movimento, as crianças correndo e fazendo briga para ver quem montaria o sorvete primeiro. Tudo continuava igual a antes, do jeitinho que ele se lembrava.

Ele tinha terminado de tomar seu sorvete e estava esperando Hyunjin acabar também, quando algo por trás chamou a atenção dela.

— Hyunjin? É você?

— Meu Deus! Jacob, quanto tempo! — ela levantou, sem parar de sorrir.

Todos os seus pelos se arrepiaram, enquanto seu estômago embrulhava. Jacob. Aquele nome foi seu pesadelo por muito tempo, o motivo por Felix não querer pisar nem tão cedo em Malibu.

Olhou para trás, vendo os dois se abraçarem. As lembranças voltaram em sua mente. Felix queria vomitar todo o sorvete que comeu.

Anos atrás, naquela viagem que tinha tudo para ser especial e inesquecível, Hyunjin conheceu Jacob. O encontro ocorreu naquela mesma sorveteria, quando ele se juntou a eles na mesa, sem ser convidado, e começou a puxar papo com Hyunjin.

Felix nunca esqueceu da sensação. Foi horrível, seu coração queimava tão forte que a única solução seria arrancá-lo do peito. O sorvete que ele comia ficou azedo, impossível de comer. Felix ficou o tempo todo assistindo o sorvete derreter só para não ter que olhar para eles. Só para não ter que ouvir a risada dela para outro garoto.

Jacob era bonito, tinha traços coreanos e o corpo bem desenvolvido, com músculos que chamavam a atenção. Na época, Felix se odiou por parecer tão garotinho ainda. Mesmo com 19 anos, seu corpo não era igual ao de Jacob e não atraia a atenção de Hyunjin. 

Eles se aproximaram muito. Hyunjin passou a convidar ele para tomar banho de piscina na casa dela. Felix estava tão amargurado que evitava ficar perto e, na maioria das vezes, trancava-se no quarto e mentia dizendo que estava com a barriga doendo.

Mas no fim, não era mentira, sua barriga doía de angústia, daquele ciúme que só faltava sufocá-lo. Mas a cereja do bolo para seu trauma foi quando ele flagrou Hyunjin e Jacob se beijando.

Foi a primeira vez que Felix viu Hyunjin beijar alguém. Foi horrível, o pior tipo de dor que ele já sentiu na vida. Foi tão ruim que ele correu para o banheiro e vomitou todo o jantar, passou o resto da noite acamado, resmungando de dor.

Não importava quantos remédios a sra. Hwang lhe desse, nada curaria seu coração partido.

Naquele tempo, Hyunjin viveu seu primeiro romance de verão, enquanto Felix vivia sua maior desilusão amorosa. 

Olhar para Jacob ali, ao seu lado, fazia todo aquele desconforto retomar. Felix sentiu vontade de ir embora, queria voltar para sua casa e ocupar sua mente com a faculdade. Aceitava qualquer coisa para não ter que ficar ali, vendo seu pesadelo acontecer outra vez.

— Nossa, Felix. Você cresceu — Jacob disse, tocando seu ombro.

Ele suspirou, achou que conseguiria passar despercebido, mas não deu certo. Levantou, estendendo a mão para Jacob. Ele estava bem mais musculoso agora, o rosto amadureceu, mas continuava bonito. Felix queria gritar de ódio.

— Você também… — respondeu, amargo.

— Continua nerd, do mesmo jeito que eu lembro — ele gargalhou e olhou para Hyunjin. — E você continua linda, uma princesa.

Felix revirou os olhos sem eles perceberem. Maldito, ninguém chamou ele ali.

— Obrigada… — Hyunjin abaixou o olhar, envergonhada. 

E aquilo foi o suficiente para acabar com o dia de Felix.

Ela ainda tinha interesse nele. Ela queria Jacob. Sentiu sua cabeça girar, colocou a mão na barriga, enquanto engolia o gosto amargo. Felix iria vomitar a qualquer momento.

— Faz tempo que não te vejo aqui, desde aquela época — Hyunjin comentou, alheia demais para perceber que Felix estava azedo de ciúmes.

— Pois é, linda. Terminei o namoro ano passado, não foi muito fácil, mas decidi seguir em frente, sei que vai aparecer uma garota especial na minha vida — sorriu, aquele sorriso cafajeste de sempre. — Alguém como você…

Felix bufou, cruzando os braços. Não deveria ficar ouvindo aquilo, era torturante demais.

Mas Hyunjin percebeu e olhou confusa para ele. Felix só virou o rosto.

— Vai ter uma festinha hoje de noite na casa do Changbin, lembra? 

Hyunjin assentiu, mas a atenção dela sempre voltava para Felix.

— Vai ser às 20h, você está convidada — continuou, sorrindo. — Vocês, é claro.

— Eu adoraria, as festas do Changbin sempre eram as melhores — Hyunjin ficou empolgada, a animação estampada nos olhos.

— Então espero encontrar vocês por lá, vai ser incrível.

— Nós vamos!

— O quê? — Felix olhou incrédulo.

— Pelo o visto, o nerd ainda não gosta de festas — Jacob gargalhou. — Mas não se preocupe, linda. Estarei por lá caso ele não for.

Chega. Felix cansou de ficar ali ouvindo aquele cara.

Precisava ir embora antes que vomitasse na cara dele.

— Eu vou pagar a conta, Hyunjin.

Ele saiu, sem esperar por uma resposta. Pagou pelos sorvetes, sem conseguir desfazer suas expressões de raiva. Ele estava tão irritado que as mãos tremiam. Quem aquele cara achava que era? Já não bastava ter lhe traumatizado no passado? Ele queria fazer aquilo de novo? Que pesadelo.

Jacob continuava puxando assunto, mas Hyunjin parecia mais preocupada com Felix, pois não parava de olhá-lo. 

— Vamos? — ele disse para Hyunjin, impaciente.

— Mas já? Só porque cheguei agora? — Jacob protestou, e Felix se controlou muito para não revirar os olhos pela milésima vez.

— Quero ir embora, Hyunjin… — Felix olhou para ela e finalmente ela assentiu.

— Vamos.

Felix saiu andando na frente, sem se despedir de Jacob.

— Te vejo na festa, princesa — ele piscou, enquanto ela apenas acenou e correu para alcançar Felix.

Assim que chegou ao seu lado, ofegante, colocou a mão no seu ombro.

— Ei, o que aconteceu com você? Por que está tão estranho?

— Eu não tô estranho — murmurou.

— Está sim, o que foi? — insistiu, tentando encontrar seu olhos, mas Felix se recusava a olhar.

— Não é nada, Hyunjin.

— Tá, tá, tudo bem — resmungou, acompanhando seus passos. — Mas vamos para a festa, né?

— Ah, não — resmungou. — Não me diga que você realmente quer ir a essa insalubridade…

— Para de drama, Lixie — Hyunjin balançou seu ombro. — As festas do Changbin são muito legais.

Legais para ela que se divertia e dançava enquanto Felix ficava parado igual um esquisito, tentando espantar aqueles urubus ao redor. 

Legal para ela que beijou Jacob bem na sua frente.

— Não tem nada de legal — murmurou, enquanto o coração palpitava com a lembrança do beijo.

— Eu sei que você vai mesmo assim — ela disse, sorrindo, e segurou sua mão.

Ele iria mesmo, porque ele era um idiota apaixonado que fazia tudo por ela. Felix não deixaria Hyunjin ir sozinha para lugar nenhum, então ele estaria lá, como sempre fazia por ela, mesmo que soubesse que a noite terminaria com seu coração sendo partido ao ver Hyunjin beijar Jacob outra vez.

𖤓☽

Felix nunca sentiu seu coração tão acelerado daquela forma. O motivo? Hyunjin, finalmente, pronta para a festa. Ela estava muito linda, mais do que o normal. 

Ela usava um vestidinho azul de tule, a cor clarinha combinando com os acessórios prateados. O tecido ia até o meio das coxas e deixava o corpo dela bem acentuado, com um decote de deixar qualquer um babando. Felix prendeu a respiração quando ela se aproximou do seu corpo e colocou a mão no seu ombro. Hyunjin estava tão cheirosa que ele só queria enfiar o nariz naquele pescoço e não tirar nunca mais.

— Ficou bom? — ela perguntou, olhando para o próprio vestido.

— Perfeita… — Felix murmurou, quase babando.

— Você está ótimo também, Lixie — sorriu antes de se afastar. — Vou pegar meu celular e vamos.

Céus, que o universo o ajudasse a não surtar naquela noite. Seria uma tortura terrível ficar olhando para Hyunjin, linda assim, durante a noite toda e ter apenas que se contentar com isso.

— Lixie, vamos — Hyunjin chamou, já na porta.

Antes de segui-la, sentiu a mão de sua mãe no ombro. Ela estava o tempo todo lá, observando em silêncio.

— Boa sorte, querido — falou, apertando seu ombro. — Seja corajoso.

 Felix nunca chegou a contar nada, mas sabia que sua mãe desconfiava, já que seu sentimento estava estampado em sua cara, gritando para todos que Hyunjin era a dona do seu coração.

Apenas assentiu e deu um sorrisinho. Ele precisaria de sorte mesmo quando os urubus começassem a se aproximar dela. E coragem? Bem, talvez ele não soubesse o que era isso.

— Vamos, Lixie — Hyunjin chamou outra vez, impaciente.

— Tô indo — suspirou e se despediu de sua mãe.

A casa de Changbin ficava perto, algumas casas depois. Já dava para ouvir o som alto, tocando músicas eletrônicas que Felix odiava.

Assim que chegaram, encontraram Changbin na entrada. 

— Ei, quanto tempo — ele sorriu, surpreso.

— Olá, Changbin — Hyunjin o abraçou, e Felix apenas acenou.

— Jacob me disse que te reencontrou, que bom rever vocês — ele disse, sem deixar de sorrir. — Fiquem à vontade e aproveitem a festa.

Passaram pelo corredor onde tinham algumas pessoas paquerando. Felix engoliu em seco, nunca esteve muito acostumado com aquele tipo de ambiente e só ia quando Hyunjin o arrastava. Chegaram na sala e já tinha bastante gente, alguns conversando, ou apenas dançando. 

Para quem gostava, diria que a festa estava divertida, porém, Felix não conseguia se mexer, seus olhos atentos em Hyunjin. Ela se virou para ele e sorriu, segurou sua mão, incentivando a acompanhar os passos dela.

— Vamos dançar — gritou, colocando as mãos em seu ombro.

— Hyunjin… Eu não sei dançar.

— Sabe, sim… — resmungou, fazendo biquinho.

Ele queria negar, só para continuar olhando para aquele biquinho fofo, mas quando Hyunjin circulou os braços em seu ombro, ele aceitou, segurando a cintura dela.

Já ficou perto de Hyunjin tantas vezes, mas sempre parecia que era a primeira. Suas pernas tremiam igual a primeira vez quando ele se deu conta de que estava apaixonado. Felix tentava seguir os passos dela, e acabava arrancando risadas. Ele queria passar o resto da noite assim, sentindo o corpo dela contra o seu e a fazendo sorrir.

— Viu só? Você dança bem — ela disse, olhando em seus olhos.

Felix assentiu, ainda nervoso.

— Tenho a melhor professora.

Antes que Hyunjin pudesse responder, o primeiro urubu apareceu, e era aquele que Felix estava mais temendo.

— Finalmente te achei — Jacob puxou Hyunjin, tirando-a dos seus braços.

Felix sentiu falta do calor dela, e do cheiro doce que continuava grudado em sua roupa. Engoliu em seco quando ele a abraçou e ofereceu bebida, mas Hyunjin recusou.

— Não quero beber hoje — ela deu um sorriso pequeno, afastando-se de Jacob. — Já faz tempo que você chegou?

— Cheguei agorinha, fui só pegar bebida e vim te procurar.

Felix observava o sorriso do cafajeste. Queria tanto que ele sumisse. Queria que ele não tivesse encontrado Hyunjin e estragado seu único momento bom na festa. Felix sabia que, dali para frente, seria uma chuva de tortura.

— Você está linda, princesa — Jacob segurou a mão de Hyunjin.

Felix não sabia até quando aguentaria assistir aquilo. Jacob mal chegou e seu estômago já estava embrulhado.

Notou quando Hyunjin olhou para ele e voltou a atenção para Jacob.

— Obrigada — deu apenas um sorriso, e soltou a mão para colocar a alça da bolsa no ombro.

— Tem certeza que não quer beber? Eu posso pegar algo diferente para você — Jacob insistiu.

— Estou bem assim.

Jacob continuou conversando com Hyunjin, enquanto Felix deu alguns passos para trás, até se encostar na parede. Ficou ali, com as mãos no bolso, observando os dois. Seu coração estava dolorido, mas ele já sabia que estaria desde que aceitou ir para a festa.

Mesmo que soubesse o que esperar, ainda era chato de ver. Queria voltar para casa, sua cama, dormir e só acordar depois que esquecesse aquela noite.

Sempre que Jacob se aproximava de Hyunjin para falar algo no ouvido, seu peito palpitava, achando que ele ia beijar, que ia sentir os lábios dela outra vez, e Felix só conseguia soltar o ar quando ele se afastava.

A hora passava, a música pulava de uma em outra, tocando hits que Felix já tinha ouvido por causa de Hyunjin. Ele não sabia a quanto tempo estava encostado naquela parede, vidrado nela, apenas esperando seu coração ser quebrado mais uma vez.

Felix tinha quase certeza que ia acontecer pela forma como ela parecia se divertir, rindo para ele, olhando para ele, sorrindo para ele. Já conseguia ver o trajeto de sua madrugada, encolhido na cama, chorando.

Até que notou Hyunjin se inclinar para trás quando Jacob tentou beijá-la.

Felix se desencostou da parede, atento, mas seu sangue subiu quando Jacob agarrou o pulso dela e a puxou, tentando de todo jeito beijar Hyunjin.

— Me solta — ela resmungou, mexendo o pulso para se livrar dele.

— Por que você está tão difícil, princesa? Está fazendo charme agora? — Ouviu Jacob dizer e Felix não conseguiu mais se controlar, ele ia esganar aquele cara.

— Solta ela — Felix empurrou o ombro dele, conseguindo fazê-lo soltar o pulso de Hyunjin.

Jacob olhou para Felix e riu.

— Uau, princesa. Seu cão de guarda já veio te defender.

Babaca. Felix sabia que ele era um cafajeste e não prestava, estava estampado na cara dele.

— Fica longe dela — disse, entre dentes.

Mas não o intimidou, pelo contrário, Jacob apenas gargalhou. Felix sentiu o sangue subir, não conseguia se controlar. Nunca sentiu tanta raiva como agora.

— Sai da frente, preciso falar com Hyunjin — Jacob tentou avançar, mas Felix não deixou.

— Ela já disse que não quer.

— Sai do meio, frangote.

Jacob estava impaciente e Felix cego de ódio. Seus impulsos gritaram, tomando conta do seu corpo. Ele fechou o punho e bateu no rosto de Jacob, fazendo-o cambalear para trás.

— Lixie — Hyunjin gritou atrás dele, espantada.

Mas antes que Felix pudesse olhar para ela, Jacob veio para cima, socando seu rosto. 

— Quem você pensa que é pra bater em mim? Nerdzinho fracassado.

— Felix — Hyunjin segurou seu rosto, preocupada.

Sentia sua bochecha latejar, estava doendo muito. Felix nunca apanhou assim, queria chorar, mas precisava ser forte e revidar.

— Se afasta, Hyunjin, eu vou acabar com esse frangote — Jacob deu um passo na direção deles, e Felix engoliu em seco.

Ele ia apanhar mais.

Porém, Hyunjin olhou para Jacob cheia de fúria, enquanto tirava a bolsa do ombro.

— E quem você pensa que é pra bater nele? 

Hyunjin segurou a alça da bolsa e acertou Jacob em cheio. 

— Você nunca mais vai triscar um dedo nele.

Ela falava, dando uma bolsada atrás da outra.

— Hyunjin, calma… — Jacob tentava se esquivar, os braços em frente ao rosto enquanto ela batia.

— Você não deveria ter batido nele, seu babaca — ela gritava, dando bolsadas em Jacob sem parar.

Ele merecia aquilo, céus, ele merecia passar a noite apanhando de Hyunjin. Mas Felix teve que interromper quando Changbin chegou e puxou Jacob.

Felix segurou Hyunjin pela cintura e a puxou para seu lado, mantendo-o longe daquele safado.

— O que aconteceu? — Changbin perguntou, surpreso.

— Esse idiota tentou me beijar a força e ainda bateu no Felix — Hyunjin respondeu, furiosa.

— Você não se comporta, né Jacob? — Changbin revirou os olhos. — Me perdoem por isso, vou tirar ele daqui. Podem aproveitar a festa.

Changbin sumiu com o canalha, mas o clima já tinha acabado. Felix só queria ir embora, não aguentava mais ficar ali, e Hyunjin estava do mesmo jeito.

— Vamos embora — ela segurou sua mão e o puxou. 

Ignoraram os olhares tortos e curiosos em cima deles. Seu rosto ainda estava doendo, porém bem menos do que antes. Hyunjin parou no balcão onde estavam as bebidas e pegou um gelo.

— Coloca no seu rosto — entregou o gelo nas mãos de Felix e voltou a puxá-lo.

Sentiu os dedos dela entrelaçarem nos seus quando saíram da casa de Changbin. O caminho foi silencioso, não disseram nada, apenas andaram, sem separar as mãos. Felix não queria ouvir mais nada além do som do mar, não queria saber dos seus pensamentos e muito menos lembrar de Jacob. Nada importava.

Quando chegaram em frente a casa de Hyunjin, ela parou.

— Não quero entrar agora — murmurou, sentando-se na escadinha da varanda.

Felix sentou ao lado dela e olhou para o mar. Estava escuro, as ondas barulhentas, e as únicas coisas que os iluminavam eram o poste ao lado e luz da lua refletindo no meio do mar.

Continuava com o gelo no rosto, mas já estava dormente o suficiente para anestesiar a dor. Felix soltou o gelo na areia e suspirou. Ele não sabia o que falar e nem fazia ideia do que estava se passando na cabeça de Hyunjin. Ela estava muito quieta.

Felix não estava acostumado com aquele silêncio.

— Desculpa — ele murmurou, agoniado demais para ficar quieto. 

Mesmo que Felix fosse apreciador do silêncio, aquele estava incomodando.

Hyunjin olhou para ele.

— Desculpa pelo quê?

— Talvez eu tenha estragado sua noite — confessou, suspirando. 

Mas ela negou.

— De jeito nenhum, Lixie — tocou o ombro dele, fazendo-o olhar para ela. — Obrigada por me defender daquele idiota.

Felix deu um sorrisinho e ajeitou os óculos.

— Eu não aguentei ver ele falar daquele jeito.

— Eu sei, senti raiva também — suspirou. — Mas adorei ver você dando um socão nele, fiquei chocada. Só pensei: caramba, é meu Lixie mesmo?

Meu Lixie… Felix desviou o olhar, soltando um suspiro apaixonado.

— Só não gostei dele ter batido em você — ela murmurou, segurando seu rosto. — Está melhor?

Felix assentiu, suas bochechas queimaram pelo contato.

— Não importa, você bateu muito nele.

Hyunjin gargalhou e assentiu.

— Ora, ele mereceu!

— Sim, cada bolsada.

— Eu estaria batendo nele ainda se Changbin não tivesse aparecido — brincou, olhando para a areia.

— Sei que sim.

Mesmo que tivesse feito ela sorrir um pouco, ainda parecia ter algo estranho. Hyunjin olhava para o mar, pensativa. Felix só queria saber o que estava se passando naquela cabecinha. 

— O que você tem? — Felix tomou coragem para perguntar.

Hyunjin soltou um suspiro profundo, continuou olhando para a areia.

— Não sei, eu… sinto que tem algo errado comigo — confessou, a voz baixa.

— Errado? Como assim?

— Não sei explicar, é que eu… — Hyunjin parecia perdida nos próprios pensamentos. — Eu nunca dou certo com ninguém.

Felix arregalou os olhos por alguns segundos antes de olhar para ela. Eles não falavam muito sobre questões amorosas, no máximo, Hyunjin contava sobre alguém que estava saindo, mas sem entrar em detalhes.

— P-por que você acha isso?

— Ah, Lixie — ela suspirou. — Eu já saí com alguns garotos, mas nunca namorei de verdade. É como… se eu não estivesse pronta.

— Pronta para namorar? — Felix engoliu em seco.

— É, sei lá… Todos eles parecem idiotas — resmungou, apoiando o rosto nas mãos. Ela continuava olhando para o mar. — Jacob, por exemplo, foi tão legal na época que eu conheci ele, achei que dessa vez seria do mesmo jeito, mas… eu não queria beijar ele, não sei explicar, eu não queria fazer nada com ele.

— Você deveria ter dito isso a ele desde o início — sugeriu, seu coração não se acalmava por nada.

— Esse é o problema, Lixie. Eu só percebo depois que já estou com eles, eu não sei explicar, eu acho que quero, mas percebo que eles não são exatamente o que eu queria.

— E… e o que você quer, Hyunjin?

— Eu não sei — murmurou, frustrada. — Eu queria que eles parassem de ser tão babacas… Por que só aparecem esses na minha vida, Lixie?

Ele quis gritar: estou bem aqui, poxa.

Felix sabia que não era um babaca como os garotos que Hyunjin estava acostumada a sair, e o melhor, ele estava sempre disponível para ela, só esperando sua chance de ser notado.

— Talvez o problema seja eu — ela desabafou, encolhendo os ombros.

Quando Hyunjin o olhou, encontrou os olhinhos brilhantes, segurando as lágrimas. Aquele aperto pegou seu coração, Felix só queria tirar toda e qualquer angústia de Hyunjin, ela era boa demais para sentir isso.

Não tinha nenhum problema nela. Nunca teve.

Ela só precisava da pessoa certa, assim como Felix.

— Não tem nada de errado em você, Hyune — sussurrou, segurando a mão dela. — Você é uma garota incrível, qualquer um se apaixonaria por você. Não é sua culpa ter conhecido esses caras, eles só não combinam com você. Na verdade, você merece alguém que te valorize, que entenda seu jeito, que reconheça suas qualidades, e que esteja disposto a te fazer feliz. Eles não te merecem, eles nunca vão conseguir te tratar como você precisa.

Eles nunca vão te tratar como eu. Felix queria tanto dizer.

— Mas onde eu encontro alguém assim? — perguntou, baixinho.

Aqui. Eu estou bem aqui, droga.

— Às vezes, essa pessoa está bem ao seu lado — Felix disse, com o coração batendo a mil.

Ele iria confessar, ele precisava disso, Hyunjin tinha que saber dos seus sentimentos. Se ela não soubesse agora, não ia descobrir nunca mais. 

Mas os olhos, que estavam presos nos seus, desviaram, voltando a olhar para o mar. Ela fugiu não só do seu olhar, mas do seu sentimento também. Felix não conseguiu continuar, sua garganta travou, ele queria chorar, ele precisava se afundar em sua cama e lamentar seu azar. 

Sua vida inteira, Felix esteve lá, ao lado dela, fazendo tudo aquilo. Por que Hyunjin não conseguia enxergar? Por que ela não conseguia sentir nada por ele?

Era horrível, nunca seria o suficiente para ela. Nunca seria notado.

Ele tinha que desistir. Aquela paixão já foi longe demais, havia chegado a hora de seguir em frente. Felix precisava parar de insistir e aceitar o seu destino, algumas coisas não eram para ser.

Hyunjin não era para ser sua.

— Vou entrar — ele disse, levantando-se de repente.

Felix não podia ficar ali, ele precisava sair antes que começasse a chorar na frente dela. Assim que pisou na escada, sentiu as lágrimas aparecerem.

Estava doendo tanto, doía muito mais do que ver Hyunjin beijar Jacob.

Era uma dor de fim, de algo que ele precisava abrir mão para conseguir voltar a respirar. 

Aquele amor acabaria com ele se não parasse de gostar de Hyunjin, tinha que seguir em frente, chegou a hora de aceitar. Fechou a porta. Enquanto a tristeza o consumia, Felix não conseguia parar de chorar, seu óculos estava manchado pelas lágrimas, tirou do rosto e jogou na penteadeira antes de encontrar sua cama, cobrir o corpo com o cobertor e se entregar à dor.

Felix chorou. Chorou tudo o que não viveu com Hyunjin. Chorou suas desilusões, chorou por não ser suficiente para ela. 

Deixou o sentimento sair, entre lágrimas e soluços, na esperança que aquilo fosse o bastante para curar seu coração partido.

𖤓☽

Hyunjin não parava de pensar nas palavras de Felix.

Depois que ele saiu, ela continuou sentada lá, olhando para o mar, e sentindo a brisa congelar seu corpo.

Estava confusa, sua mente não parava de girar. Tantas coisas se passavam em seus pensamentos, deixando tudo um breu. O que significava aquilo, afinal? O que ele queria dizer? Por que ele saiu daquele jeito?

Sempre que fechava os olhos, as palavras de Felix voltavam.

Às vezes, essa pessoa está bem ao seu lado.

Será que… Será que ela estava sendo cega o suficiente para não perceber? Será que era mesmo tão confuso de entender? 

Hyunjin se levantou e foi para seu quarto, ela precisava dormir e esquecer tudo aquilo. Sentiu vontade de parar em frente ao quarto de Felix e ver se estava tudo bem, mas algo travou, e ela não conseguiu. Apenas suspirou e foi para seu quarto.

Tirou os acessórios e o vestido, deixou na cadeira ao lado. Tomou um banho, que era para ser rápido, mas acabou demorando mais tempo do que gostaria. Hyunjin vestiu seu babydoll de renda e deitou. 

Fechou os olhos, esperando dormir o mais rápido possível, mas não conseguiu. Bolava de um lado para o outro, sua mente barulhenta não dava sossego. Ela pensava em tudo, pensava no azar que era sua vida amorosa, pensava na briga que teve com Jacob, e por fim, pensava nas palavras de Felix.

— Chega, eu só quero dormir — resmungou, pressionando os olhos.

Mas segundos depois, tudo voltou. Hyunjin suspirou, encarando o teto. Não parava de pensar no que Felix disse, em como os olhos dele carregavam tantos sentimentos que quase a deixaram tonta. Sabia que aquelas palavras tinham um significado a mais que ela estava fingindo não entender.

Felix era aquele cara. Ele era atencioso, valorizava ela, reconhecia suas qualidades e estava disposto a sempre deixá-la feliz. Ele tratava Hyunjin como ela precisava, como merecia.

Hyunjin percebeu porque nenhum cara conseguia atrair sua atenção o suficiente: nenhum deles era como Felix. Nenhum a tratava igual, nenhum tinha aquele brilho no olhar e admiração nas palavras. Nenhum deles estava tão interessado em conhecer Hyunjin o suficiente e fazer coisas que ela gostava, só Felix era assim.

Esse tempo todo, como não percebeu? Estava estampado na cara dele, impregnado em cada ação. Mas Hyunjin ficou cega, resumindo Felix ao papel de melhor amigo que não percebeu os sentimentos dele, e muito menos os seus.

Como demorou tanto tempo? Felix era perfeito para ela. Era lindo, carinhoso e cuidadoso. Com ele, Hyunjin se sentia segura, ela poderia enfrentar tudo na vida desde que tivesse ele ao seu lado. 

Cresceram juntos, vivendo como melhores amigos, que ela não notou que Felix era sua outra metade. Ele era além de amigo, era a pessoa com quem Hyunjin queria dividir o resto da vida.

Céus, nenhum cara chegaria aos pés dele, ninguém conhecia ela tanto quanto ele. A resposta de todas as suas dúvidas estava ali:

Felix.

Era ele. Sempre foi ele. 

Hyunjin sentiu seu fôlego ir embora, sentou-se de repente, ofegante e assustada. Precisava falar com ele, não conseguiria esperar o dia amanhecer para confirmar aqueles sentimentos, precisava ser agora. 

Empurrou o cobertor longe e correu até a porta. Antes de sair, respirou fundo, tentando acalmar o coração, e correu até o quarto de Felix.

Bateu na porta e entrou, ele estava deitado, todo encolhido. 

— Felix? — chamou, aproximando-se da cama. 

Hyunjin não conseguiria sair daquele quarto até conversar com ele. Mas, para sua surpresa, ele estava acordado, olhando espantado para ela.

— Hyunjin? — ele se sentou.

— Ainda acordado?

— Não consigo dormir — suspirou.

Ela começou a imaginar o motivo para ele não conseguir dormir, estava estampado na cara dele desde que ele entrou em casa. Hyunjin tinha magoado Felix de alguma forma.

— Nem eu… Felix, se eu te perguntar uma coisa, você promete ser sincero? — falou, mordendo o cantinho do lábio.

Felix assentiu e se levantou. Conseguiu ver o rosto dele de perto, os olhos estavam inchados e o nariz vermelho. Saber que ele estava chorando quebrou seu coração, só queria abraçá-lo bem forte e correr atrás do tempo perdido.

— O que foi? — ele murmurou.

— Às vezes, essa pessoa está bem ao seu lado… Você… estava falando sobre você? — Sua voz saiu baixa, receosa. 

Felix desviou o olhar e continuou em silêncio. Hyunjin percebia que ele se dividia entre falar ou não, só queria que ele confirmasse, ela precisava saber.

— Lixie… Me fala… Você gosta de mim?

Ele assentiu, sem encará-la. 

Então era verdade, ele gostava de Hyunjin, ele era a pessoa perfeita para ela.

— Desde quando? — murmurou, seu coração não parava de acelerar.

— Não sei, Hyunjin… A minha vida toda, talvez. Não lembro de algum momento onde eu não estava apaixonado por você — confessou, cruzando os braços e encolhendo os ombros.

Hyunjin fechou os olhos e suspirou. Como ela foi burra em não ter percebido… Era óbvio, dava para notar através do olhar dele, de como ele suspirava sempre que ela se aproximava, de como ele fazia tudo para fazê-la sorrir. 

Felix sempre esteve lá para ela, sendo o homem que ela precisava. Hyunjin não sabia por que passou tanto tempo procurando sua felicidade nos braços de outra pessoa, quando ela estava bem ali, na sua frente, só esperando ela perceber.

Sentiu-se tão idiota por não notar antes, por ter esperado tanto tempo. Mas ela não esperaria mais, ela queria Felix, precisava dele como seu oxigênio para sobreviver.

Deu um passo até ele, segurando aquele rosto tão bonito. Felix olhou espantado, sem esperar a proximidade repentina. Hyunjin deslizou os dedos pelas bochechas, admirando as sardinhas que ela achava tão fofas, os olhos redondinhos e surpresos, e até mesmo o machucado no rosto.

Hyunjin riu, balançando a cabeça.

— Ainda não acredito que você enfrentou um cara daquele tamanho para me defender — ela disse e deu um beijinho no machucado.

— Eu nunca deixaria ele te forçar a nada — Felix murmurou, vidrado nela.

Hyunjin assentiu, sorrindo. Encostou a ponta do nariz no dele e deslizou devagar, ainda segurando seu rosto.

— Me desculpa por ter demorado tanto tempo para perceber — Hyunjin disse.

— Hyune…

Ela encostou seus lábios de leve, um pequeno selinho.

— Eu encontrei a pessoa certa, Lixie — ela não conseguia parar de sorrir, principalmente depois de perceber como ele ficou ofegante, o rosto vermelhinho.

Céus, queria beijar ele todinho.

— Você… — ele sussurrou e Hyunjin assentiu, dando mais uma bitoquinha nos lábios dele.

— Você estava esse tempo todo do meu lado e eu não percebi, Felix — suspirou, olhando para a boca dele. — Eu nunca ia encontrar a pessoa que eu procurava neles porque essa pessoa era você, nenhum deles era igual a você.

— Hyunjin… — Os olhos dele brilhavam.

Notou como as pernas de Felix tremiam e como ele se segurava para não desabar, ele estava guardando tanta coisa que aquilo doeu.

— Me desculpa, meu amor — ela disse, abraçando-o com força. — Eu te amo, Felix. Eu te amo tanto.

— Eu te amo, meu Deus, eu te amo mais que tudo — Felix confessou, soltando um soluço.

Algumas lágrimas apareceram e ele tentou conter, enterrando o rosto no seu pescoço. Acariciou as costas dele, finalmente sentindo paz. Era aquela sensação que Hyunjin sempre buscou nos braços de outros, aquela leveza que acariciava sua alma e preenchia seu coração de amor, de tranquilidade e de todos os sentimentos mais lindos do mundo.

Felix era tudo o que ela sempre sonhou e procurou. Ainda não acreditava que estava ali, o tempo inteiro do seu lado. 

— Eu te amo, Hyunjin. Te amo muito — Felix a apertou com mais força, fazendo-a sorrir.

Segurando o rosto dele, Hyunjin não conseguia parar de sorrir. Seu coração palpitou quando olhou para o rostinho úmido e o nariz vermelho. Ele era tão lindo, parecia ainda mais lindo agora com aquele sentimento estampado no rosto.

— Eu amo você — murmurou, dando outro beijinho nos lábios dele.

Sentiu as mãos dele apertarem sua cintura e puxarem, juntando seus corpos. Ele fechou os olhos, fazendo o coração de Hyunjin ir a mil, contaminando-a com aquela ansiedade da paixão. 

Fechou os olhos também e beijou os lábios dele, sem afastar. O toque iniciou devagar, seus lábios se conhecendo depois de tantos anos querendo se encontrar. Estavam juntos finalmente, e nunca mais se separariam, pois Hyunjin não queria saber de mais nenhum beijo que não fosse o de Felix.

Seus lábios ficaram molhados conforme se conheciam, mas Hyunjin queria mais, ela precisava disso. Colocou a ponta da língua entre a boca dele, fazendo-o arfar alto. Ela sorriu, puxando seu rosto para aprofundar o beijo. Invadiu a boca dele sem esperar mais. Ela precisava sentir.

Assim que suas línguas se encontraram, Hyunjin sentiu tudo explodir por dentro, como fogos de artifícios faiscando por todos os lados, bonitos e brilhantes. 

Felix circulou os braços em sua cintura, aprofundando o beijo. Era lento, gostoso e molhado. Hyunjin enfiou os dedos no cabelo dele, acariciando devagar e aproveitando cada sensação nova e única.

Agora, ela conhecia a sensação de beijar o amor de sua vida, e era bom, a melhor coisa do mundo inteiro. Não existia mais vazio em seu peito, ela se sentia completa agora. 

Com ele, Felix. Seu melhor amigo e também o seu amor.

Afastaram-se por alguns segundos, mas não demorou e voltaram a se beijar. Era delicioso, assim como da primeira vez, e seria delicioso todas as próximas vezes. O barulho molhado acompanhava suas respirações ofegantes, enquanto as ondas agitadas do mar comemoravam o amor deles, tornando aquele momento ainda mais inesquecível. Hyunjin nunca se esqueceria daquele som.

Perderam a noção do tempo, suas bocas tinham sede depois de passarem tanto tempo separadas. Beijaram-se por longos minutos, arfando juntos, olhando no olho um do outro e voltando a beijar. Hyunjin sentia que poderia passar o resto da sua vida assim, beijando Felix sem parar.

Mas beijos já não eram suficientes. Hyunjin estava mais ofegante do que o normal, e ela sabia o que estava acontecendo com seu corpo. Aquela tremedeira em suas mãos e ansiedade em sua barriga eram o mais puro desejo. Ela precisava de mais. 

Afastou suas bocas, deixando uma mordida no lábio dele. Felix gemeu e ela sorriu.

— Você está tão duro, Lixie — murmurou, ainda de olhos fechados.

Ele grunhiu, empurrando o quadril para a frente. Hyunjin tremeu ao sentir o pau dele. Merda, ela precisava tanto disso. Puxou o cabelo de Felix para o lado e beijou o pescoço dele. 

— Ontem… Você estava batendo uma no banheiro, não é? — provocou, aproveitando para deslizar a língua na pele dele.

— Pensando em você — respondeu, segurando sua cintura com força.

Hyunjin pressionou as coxas. Sentir o pau de Felix assim estava sendo uma tortura.

— Confesso que fiquei com vontade de ver. 

Hyunjin colocou a mão entre eles, apalpando o pau de Felix. Ele gemeu alto, olhando para baixo, curioso. 

— Me mostra? — ela sussurrou, os dedos deslizando devagar no comprimento. 

— Hyune…

— Me mostra como você faz quando está pensando em mim, Lixie. Eu quero ver — Hyunjin puxou o short até conseguir liberar o pau, arregalou os olhos quando viu o tamanho.

Como Felix escondeu aquilo esse tempo todo?

O tamanho era delicioso, mas o que mais chamou sua atenção foi a grossura, o pau dele era cheio, com veias discretas e a ponta avermelhada. Olhou para o rosto dele, querendo devorá-lo. Hyunjin queria sentar naquele pau até ver estrelas, até esquecer o próprio nome.

A mão tímida agarrou o pau, movimentando devagar, choramingando. Parecia sensível, e Hyunjin sentiu a boca salivar para provar, mas seria paciente, precisava assistir aquela cena linda. Ela se afastou um pouco só para olhar e notou como ele apertava a ponta e gemia, antes de deslizar a mão para baixo. 

— O que você pensa quando está se masturbando, Lixie? Me conta tudo, eu quero saber — falou, baixinho, aproveitando para roubar um selinho dele.

Felix fechou os olhos e respirou fundo, o corpo dele tremendo enquanto a mão deslizava.

— P-penso em você. — A voz chorosa fez Hyunjin sorrir, sua fome aumentando a cada minuto.

— O que você pensa, hm? — provocou, enfiando as mãos nos fios loiros e acariciando.

— Eu me imagino… — ofegou, pressionando os olhos. — Transando com você.

— É? — Hyunjin puxou o ar entre os dentes, apertando o cabelo dele. — Você quer transar comigo?

— Muito… — arfou, empurrando a mão com mais força.

Hyunjin mordeu os lábios, assistindo aquela imagem deliciosa. 

— Eu também quero, Lixie — empurrou a mão dele e segurou o pau. 

Felix choramingou, os olhos vidrados em sua mão deslizando. 

Hyunjin precisou respirar fundo e pressionar as coxas quando sentiu como o pau dele estava quente e pulsando. Parecia ainda mais grosso em sua mão. Ela só conseguia pensar em sentar nele. Queria tanto isso, sentir Felix atingindo bem fundo, pois sabia que o pau dele conseguiria fazer isso melhor que qualquer um.

— Eu tô louca pra te sentir — murmurou, aumentando a velocidade da mão.

Felix grunhiu, agarrando seu corpo. Enterrou o rosto em seu pescoço, respirando fundo e falando seu nome. Ele estava perto de gozar, as pernas dele tremendo entre as suas enquanto ele gemia baixinho. Hyunjin continuava empurrando a mão, acariciando todo o pau sem parar. 

Ela jamais acreditaria se, dias atrás, falassem que ela estaria masturbando seu melhor amigo e sedenta para vê-lo gozar. Hyunjin demorou tanto tempo para perceber o que estava perdendo, que aquilo sequer passava por sua cabeça. Ela estava tão acostumada a ser melhor amiga de Felix, que não enxergou os sentimentos escondidos entre eles. 

Mas agora, ela enxergava tudo, e meu Deus, ela queria tanto aquele garoto, queria fazer ele gozar de todas as maneiras possíveis, queria sugar tudo dele até vê-lo implorar por misericórdia. Hyunjin passaria o resto do mês trancada naquele quarto, só ela e Felix, saciando todo o desejo que carregaram por anos.

Ouviu Felix choramingar em seu pescoço, apertando sua cintura com força. Ela sorriu, já viciada naquele som, esperando fazê-lo choramingar muito mais, todos os dias.

— Você estava guardando a virgindade para mim? — perguntou, deslizando a mão apenas na ponta.

Felix gemeu, esfregando o nariz em seu pescoço.

— Sim… — A voz saiu abafada, tão grossa que todos seus pelos se arrepiaram.

— Eu vou compensar todo esse tempo, meu amor. Prometo.

Felix apertou seus corpos, gemendo sem parar. Com mais alguns movimentos, Hyunjin sentiu os jatos quentes melarem sua mão. Virou o rosto, procurando a boca dele, e Felix tomou seus lábios em um beijo desesperado. 

Aquela bagunça de línguas era uma delícia. Hyunjin circulou os braços ao redor dos ombros dele, beijando-o sem parar. Era o mais profundo desejo se manifestando, dominando seus corpos.  Hyunjin queimava, sentia toda sua pele incendiar como nunca antes. Era incrível, nunca imaginou que se sentiria tão completa nos braços do seu melhor amigo.

Hyunjin interrompeu o beijo em um estalo alto e beijou o rosto de Felix, completamente viciada na maciez, no gosto da pele dele. 

— Você é tão linda, Hyunjin, tão perfeita — ele sussurrava, deslizando as mãos em seu corpo.

Ela revirou os olhos, louca por mais. Apertou Felix em seus braços, sentindo o corpo inteiro colado no seu, tão gostoso, como se eles tivessem nascido para ficarem assim, coladinhos e se amando.

— Você é lindo — ela disse, esfregando o nariz no de Felix, enquanto suas mãos deslizavam pelos ombros dele.

— Sou tão apaixonado por você — ele suspirou, enchendo sua boca de selinhos.

Hyunjin sorriu, também apaixonada. A paixão invadiu seu peito de um jeito que ela jamais sentiu. Estava louca por ele, seu amor.

— Linda… — Felix olhou para seu corpo inteiro, desde os olhos até as coxas.

Percebeu ele engolir em seco quando os olhos pararam em seus seios.

— Quer tocar? — Hyunjin perguntou, vendo os olhos dele triplicarem de tamanho.

Ele assentiu, desesperadamente. Hyunjin tirou a blusa do babydoll e jogou para trás. Felix estava estático, os olhos ainda arregalados e a saliva brilhando nos lábios. Segurou as mãos dele e colocou em seus seios, fazendo-o apertar.

— Pode tocar, meu amor. São seus agora.

Hyunjin tirou as mãos e deixou ele tocar, explorando devagar. Os polegares deslizavam no biquinho, deixando-os duros. Hyunjin mordeu o lábio para conter o gemido. Olhar Felix daquele jeito, trêmulo e babando, era demais para aguentar. Ela sentia a buceta reclamar toda hora, querendo sentar nele. 

Empurrou Felix pelos os ombros, dando passos até a cama. Ele sentou e Hyunjin se aproximou o suficiente, ficando entre as pernas dele, acariciava os fios loiros, enquanto as mãos dele deslizavam pela sua cintura.

— São tão lindos — murmurou, vidrado. — Eu sempre quis tocar neles.

— Verdade? — apertou o cabelo dele, mordendo o cantinho do lábio.

Felix assentiu.

— Você me fez passar protetor nos seus peitos e ainda teve coragem de perguntar se eu gostava de garotas mesmo. Você não sabe a tortura que foi.

Hyunjin gargalhou, lembrando daquele momento. Talvez fosse por isso: Felix fazia tanto esforço para se controlar quando estava ao seu lado, que ela simplesmente não enxergava o desejo reprimido. 

— Desculpa, Lixie. Você não precisa se controlar mais… Pode fazer o que quiser com eles.

— O que eu quiser? — ele engoliu em seco, a boca já se abrindo.

— O que quiser… 

Agarrou os fios loiros e empurrou para frente, fazendo-o abocanhar o biquinho duro. Gemeu assim que sentiu a língua quente deslizar em sua pele. Felix agarrou seu peito como se estivesse morrendo de fome. Ele chupou com vontade, lambuzando e babando sem parar.

— Está gostoso? — Hyunjin perguntou, admirando as bochechas avermelhadas dele.

Ele assentiu, fechando os olhos e sugando. Hyunjin notou que o pau de Felix estava duro outra vez, e ela queria se esfregar nele, sua buceta implorando para isso, mas aquela posição estava tão gostosa, que queria que ele se deliciasse com seus peitos o quanto precisasse.

Felix soltou seu peito para abocanhar o outro. Ele era muito atencioso e queria dar atenção igualmente. Contornou o biquinho com a língua, e sugou, arfando contra seu seio. Hyunjin gemeu quando ele mamou, pressionando a língua e apalpando seu outro peito.

Felix podia não ter experiências, mas ele tinha fome de Hyunjin, e aquilo era o suficiente para fazê-la delirar.

— Tão gostoso — ela arfou, agarrando o cabelo dele e puxando para trás, fazendo-o soltar o seio em um estalo molhado.

— Hyunjin… — choramingou, colocando a língua para fora

Ela riu.

— Você quer mais, hm? — provocou, aproximando um pouquinho só para sentir a ponta da língua no bico.

Felix apertou seu corpo, conseguindo abocanhar seu seio. Hyunjin deixou ele brincar mais um pouquinho, acariciou o cabelo, tirando os fios do rosto. A boca de Felix estava toda babada, Hyunjin tinha certeza que ele gozaria assim, só mamando seus peitos, mas sua boca também queria atenção, poxa.

Puxou o cabelo de Felix outra vez, fazendo-o choramingar. Ele tentou se aproximar, mas ela deu um passo para trás e apontou para a cama.

— Deita.

Felix assentiu e obedeceu, como um garoto bonzinho. 

— Tira a camisa — Hyunjin pediu, enquanto puxava o short e a cueca, deixando-o pelado. 

Felix era lindo, o corpo todo perfeitinho, gostoso, e o pau delicioso. Céus, ela ganhou na loteria.

Apoiou os joelhos na cama e se abaixou, até que sua língua encontrasse aquela delícia. Hyunjin lambeu o pau de Felix, arrancando um gemido alto. Ela lambeu outra vez e fechou os olhos ao engolir a ponta, deslizou a boca para baixo, mamando todo o pau dele. Era grosso demais, sentia seus lábios esticados, tentando dar conta de tudo, mas ela sabia que conseguia.

Felix soltou um gemido estrangulado, tadinho, devia estar se engasgando com a própria saliva. Ela deu um sorrisinho e voltou a chupar, abaixando e subindo a boca devagar, gostava de apreciar o gosto dele, era muito bom, Hyunjin sabia que não conseguiria ficar longe daquele pau nunca mais. Ia mamar ele todos os dias.

— Meu Deus — ele choramingou, agarrando o cobertor.

Felix era tão sensível, ele era do jeito que Hyunjin gostava, tudo nele era perfeito, feito e pensado nela. Felix foi feito para ser seu e nada mais conseguiria convencer ao contrário.

Felix não era o único faminto, Hyunjin também estava esfomeada pelo pau dele. Aumentou o ritmo, engolindo e babando o pau inteiro, sentia a ponta em sua garganta, o barulho molhado acompanhava os gemidos de Felix, que aumentavam a cada segundo. 

Mas quando ele gemeu alto, ela parou e olhou para ele.

— Assim você vai acordar nossas mães, Lixie — deu um beijinho na ponta. — Geme baixinho.

Ele assentiu, as lágrimas brilhando no canto dos olhos. Hyunjin voltou a chupar ele, no mesmo ritmo de antes. Agarrou as coxas de Felix e forçou a boca, engolindo tudo, sentir o pau dele enterrado na garganta era bom demais, Hyunjin amava aquela sensação. 

Ela amava chupar pau, queria acordar todos os dias com um pau na boca, só que sempre pegava raiva muito rápido dos caras com quem ela saía já que eles eram entediantes. Porém, agora era diferente, Hyunjin não estava mais com um cara entediante, ela estava com seu melhor amigo, o homem mais divertido e incrível do mundo inteiro, e o pau dele era terrivelmente gostoso.

— Hyunjin… — ele gemeu alto, segurando seus cabelos contra ele. 

Ela resmungou com o pau na boca, para ele ficar em silêncio, mas sabia que ele não tinha entendido pela forma como ele gemeu mais alto ainda. Deslizou a boca, soltando seu pau babado. 

Felix choramingou, empurrando o quadril para a frente, mas Hyunjin se afastou cada vez mais, até ficar ajoelhada.

— Pelo o visto, eu vou ter que te silenciar, não é? — falou, abaixando o short do babydoll junto com a calcinha.

Felix arregalou os olhos, automaticamente agarrando o cobertor. 

— Você vai ficar quietinho agora, Lixie.

Hyunjin se aproximou mais, de joelhos, até se virar e passar a perna ao redor dele, deixando sua buceta na altura do rosto de Felix. Abaixou seu corpo, voltando a chupar o pau e empurrando o quadril no rosto dele. 

— Puta que pariu, Hyunjin… — ele murmurou antes de colocar a língua para fora e lamber sua buceta.

A falta de experiência não impediu Felix de chupar sua buceta bem gostoso, ele segurou seu quadril e a devorou, sugando seu clítoris com vontade. Hyunjin revirou os olhos, rebolando devagar contra a língua dele, enquanto sua boca engolia o pau, até a ponta voltar para sua garganta.

Continuaram assim, dando prazer ao outro, gemendo abafado, competindo para ver quem estava com mais tesão. Felix mantinha seu quadril preso contra a boca dele, enquanto Hyunjin chupava o pau inteiro, sem deixá-lo se mexer.

Mas Felix começou a ganhar aquela batalha quando conseguiu enfiar dois dedos em sua buceta, empurrando rápido, do jeito que ela necessitava. Hyunjin grunhiu, soltando o pau de Felix para gemer, ele estava se vingando, e estava conseguindo.

— Geme baixo, Hyune — provocou, empurrando os dedos com força. 

— Maldito — ela arfou, sem aguentar mais se segurar. 

Sua buceta estava tão molhada que conseguia sentir os dedos de Felix se afogarem dentro dela, não esperaria mais, precisava do pau dele.

— Chega — ela murmurou, tentando se afastar por mais que fosse difícil. — Quero seu pau, Lixie…

— Deixa eu te comer, Hyunjin, por favor — implorou, tirando os dedos rapidamente. 

Ela sorriu, não importava o quanto ela estivesse sedenta, Felix estaria pior. Saiu de cima dele, respirando fundo para tentar se acalmar. Hyunjin olhou para o pau molhado, pulsando de ansiedade para sentir ela. Passou a perna no quadril dele, Felix segurou o pau para cima e com a outra mão, agarrou sua cintura, garantindo que ela realmente fosse sentar nele.

Hyunjin revirou os olhos quando sentiu a pontinha invadir sua buceta. Mesmo sabendo que era grosso, sentiu aquela ardência gostosa enquanto descia o quadril. Sua buceta se esticava para receber ele, mas ela conseguiu engolir tudo, sentia o comprimento preencher em todos os lados, era tão bom, nunca se sentiu tão cheia assim antes.

— Que pau gostoso, porra — murmurou, subindo e descendo devagar. 

Quando olhou para Felix, ele estava com os olhos pressionados, mordendo o lábio e com as sobrancelhas juntas. Os dedos que pressionavam sua cintura com força, desceram para suas coxas, apalpando. Hyunjin mantinha o ritmo, empurrando contra o pau, sentando devagar.

— Você é uma delícia — ele disse, tomando coragem para olhar para ela. 

Os olhos de Felix captavam tudo, querendo memorizar cada detalhe, como seu rosto de prazer, seus seios se movimentando junto e por fim, sua buceta engolindo o pau. Ele parecia encantado, como se estivesse sonhando, mas Hyunjin não estava muito diferente, ela também achava que era um sonho muito gostoso, bom demais para ser verdade.

Ela inclinou o corpo para a frente, apoiando as mãos no peitoral de Felix. Começou a sentar com mais força, suas peles faziam barulho sempre que se encontravam.

— Lixie… Eu quero sentir seu pau todo dia — disse, dengosa, olhando para o rostinho sofrido dele. — Você vai deixar? Hm?

Ele assentiu freneticamente, as mãos voltando para sua cintura. 

— Quando e qualquer hora que você quiser — murmurou, soltando um gemido.

— Quero você dormindo na minha casa todo dia, Lixie — Hyunjin começou a rebolar com força, alternando entre cavalgadas. Felix gemia, desesperado. — Vamos transar tanto.

— Por favor — choramingou, tentando empurrar o quadril para cima.

— Você vai enfiar o pau em mim no meio da noite? Eu gosto tanto disso, Lixie…

— Eu vou, meu Deus, eu vou — puxou a cintura de Hyunjin para baixo, tentando aumentar o atrito.

— Eu quero transar em vários lugares — ela falava, com os olhos fechados enquanto sentava no pau. — Quero tentar na piscina também…

— Em qualquer lugar — arfou, perdendo a cabeça. 

Felix puxou Hyunjin para a cama, fazendo-a se deitar de costas. Ele se ajoelhou na frente dela, juntou suas pernas para cima e as abraçou, enquanto enfiava o pau na sua buceta de novo.

— Hm… Lixie… — ela gemeu, levantando as mãos para agarrar o travesseiro.

— Gostosa — Felix disse, apertando suas pernas enquanto metia.

Estava tão bom, Felix parecia focado, o ritmo aumentando a cada segundo. Eles já tinham se descontrolado, gemiam vergonhosamente, faziam barulho e se entregavam, eles não queriam saber de nada e ninguém, só eles dois ali, naquela bolha deliciosa.

— Mete, Felix… — implorou, arqueando as costas e apertando o travesseiro com mais força.

Estava tão perto de gozar, todo seu corpo se arrepiava, tremendo sem parar. Felix empurrou mais forte, fazendo o pau entrar inteiro dentro dela e atingir bem fundo, como era gostoso, não se cansaria nunca daquela sensação. 

— Ah, Felix… Eu… — Hyunjin se contorceu, gozando deliciosamente. 

Sentia sua buceta pulsar, terminando de devorar o pau dele. Felix revirou os olhos quando empurrou uma última vez e ficou parado, com o pau todinho dentro de si, enquanto gozava. Os gemidos roucos deixaram ela louca. Hyunjin segurou os próprios seios e apertou, cheia de tesão. Abriu as pernas e puxou Felix para beijá-lo, mas dessa vez, o beijo veio calmo, cheio de carinho e amor.

Continuaram assim por mais alguns minutos, beijando sem parar. Pela primeira vez na vida, Hyunjin sentiu seu coração preenchido de amor, e era tão bom, ela se acostumaria rápido com aquela sensação, não tinha nada melhor. 

Felix se deitou ao seu lado, sem desgrudar suas bocas. Sorriram juntos, dando muitos selinhos, Hyunjin esfregou seus narizes, completamente apaixonada. Segurou o rosto dele e acariciou devagar, ela não parava de pensar em como era sortuda por ter descoberto tudo, por Felix finalmente ter criado coragem para confessar seus sentimentos, se ele não tivesse feito isso, talvez ela levaria anos para perceber.

— Nem acredito que estamos juntos agora — ela murmurou, deslizando o polegar no lábio dele.

— Como vamos contar a nossas mães? 

— Ah, Lixie. Acho que elas já esperavam que isso fosse acontecer um dia — sorriu.

— Você acha que sua mãe vai apoiar, então? — perguntou, receoso.

— Não tenho dúvidas, não existe ninguém melhor para ser meu namorado do que você — deu um selinho nele.

— Você é minha agora, minha garota — murmurou mais para ele mesmo. Felix encheu Hyunjin de beijos no rosto, fazendo-a gargalhar.

De mãos dadas, eles foram para o banheiro na ponta dos pés, evitando barulho. Foram sem roupa mesmo, não iam usar roupa quando voltassem a dormir. Tomaram um banho rápido, trocando selinhos o tempo todo. 

Foram para o quarto de Hyunjin para não ter que ajeitar a cama bagunçada de Felix. Enfiaram-se embaixo do cobertor, agarradinhos e sentindo o cheiro um do outro.

Hyunjin fechou os olhos quando o sono começou a chegar. Ela se sentia tão leve, como nunca sentiu antes, seu coração não parava de sorrir, parecia que o amor tinha contaminado cada parte do seu corpo, enchendo-a daquela doença chamada paixão.

E seu remédio estava bem ali, abraçando-a com força e beijando seu rosto sem parar.

Nunca imaginou que encontraria o amor nos braços do seu melhor amigo, era até clichê de pensar, passou a vida inteira vivendo com Felix, criando memórias que alimentavam aquela amizade tão linda, sem fazer ideia que tudo mudaria em uma noite.

E que bom que mudou, porque não tinha ninguém melhor para se apaixonar do que ele. Hyunjin amava Felix com todo seu coração, e continuaria o amando até o resto de sua vida. Juntos para sempre, é assim que ela sempre imaginou sua vida com ele, agora, como um casal.

𖤓☽

Felix não conseguia dormir. Ainda parecia um sonho, o melhor de todos que ele teve até agora. Quando o sono se aproximava, ele abria os olhos de repente para ter certeza que Hyunjin estava mesmo nos seus braços. 

 Era surreal olhar para ela assim, tão linda, e agora sua. 

Felix não imaginou que, ao entrar no quarto depois de achar que Hyunjin o rejeitou, sua noite mudaria tanto. Era estranho como tudo se transformou, Felix viveu os extremos, desistiu de amar Hyunjin, para logo depois ter certeza que nunca deixaria de amar ela. 

O seu sentimento confessado pela metade foi o suficiente para fazer Hyunjin também perceber que amava ele. Talvez ele pudesse ter feito isso antes, ter Hyunjin muito antes, mas preferia acreditar que as coisas aconteciam no momento certo.

O que importava é que ela seria sua pelo o resto da vida e ninguém mudaria isso. 

Beijou o rosto dela, viciado na sensação. Queria beijar Hyunjin o tempo inteiro, incansáveis vezes para recuperar todo o tempo perdido. Passou tantos anos querendo ela, desejando, amando em segredo, que agora ele queria correr atrás do tempo perdido, queria fazer tudo aquilo.

Deu um beijinho no nariz dela, fazendo-a se mexer e o abraçar. Hyunjin entrelaçou suas pernas e se encolheu nos braços dele. Seu coração disparou, nunca pararia de bater feito um louco descompensado quando estava com ela. Felix olhou para baixo, contemplando a pele macia, ele deslizou a mão nas costas dela, estava quente e sentiu vontade de afundar os dedos. 

Fez isso, apertando a pele de Hyunjin. Ela se aproximou com o contato, fazendo os seios tocarem seu peitoral, Felix arfou, tentando se controlar para não perder a cabeça. Ele não conseguiu evitar, lembrou da sensação quando estava dentro dela, foi tão gostoso, melhor do que ele poderia imaginar. Ainda sentia o gosto da buceta dela, e o calor molhado apertando seu pau, era macia e deliciosa.

Felix se afastou um pouco só para olhar para os seios de Hyunjin, eram lindos, redondos e cheios, sentiu vontade de colocar na boca outra vez, queria apertá-los, queria se esfregar contra eles. Felix se aproximou da boca dela para dar um beijinho, mas acabou pressionando seus lábios por mais tempo. 

Ele estava duro. Sentia o pau latejar, sedento de tesão. Gemeu baixinho quando empurrou o quadril para frente, pressionando em Hyunjin. Segurou a coxa dela e puxou para colocar em sua cintura, acariciava a pele, afundando seus dedos no meio do caminho. 

— Hyunjin… — chamou, tentando se controlar quando seu pau pulsou, tocando a buceta dela.

Ela continuava dormindo, sem fazer ideia de como ele estava queimando de desejo. Felix precisava transar de novo, enlouqueceria se não fizesse.

— Hyune — murmurou, beijando a boca dela. Apertava a coxa e empurrava o quadril para a frente, esfregando o pau nela.

— Hm? — ela respondeu, de olhos fechados.

— Hyunjin, eu posso…? — esfregou de novo, tremendo inteiro. Seu coração palpitava de ansiedade.

Hyunjin abriu um olho e gemeu quando ele empurrou o pau outra vez.

— Você não está dormindo? — perguntou, a voz grogue de sono.

— Deixa eu colocar, por favor — beijou a boca dela, puxando a coxa de Hyunjin em sua cintura, buscando um ângulo melhor para se esfregar nela.

— O que você quer? — provocou, com um sorrisinho.

Hyunjin ainda estava de olhos fechados, mas sua buceta já estava bem acordada, molhadinha pra ele.

— Deixa eu colocar meu pau em você, por favor — pediu, já segurando a base para esfregar a ponta no meio dela.

— Pode colocar, Lixie — murmurou, esfregando o nariz no seu e dando um beijinho em sua boca.

Mesmo com a mão trêmula, Felix pressionou seu pau até sentir ele entrar. Deslizou devagar, gemendo contra os lábios de Hyunjin, ela arfava, apertando seus ombros. Quando meteu tudo, esperou seu coração se acalmar um pouco antes de começar a se movimentar. 

— Seu pau é tão grosso, nossa… — ela encarou seus olhos enquanto segurava seu rosto. — Será que eu me acostumo?

— Acostuma — Felix gemeu, empurrando com vontade. 

Segurava a coxa de Hyunjin em sua cintura e deslizava o pau dentro dela sem parar. Felix tinha acabado de perder sua virgindade com a mulher que ele sempre sonhou, e agora sentia que não poderia viver mais sem isso, ele precisava ficar dentro de Hyunjin o tempo inteiro. 

— Que pau gostoso — Hyunjin sussurrou contra sua boca, segurando seu rosto. 

Ela arfava mais alto cada vez que Felix metia nela, ele estava vidrado, o rosto de Hyunjin era a coisa mais linda do mundo, e sentindo prazer parecia mais lindo ainda, nunca se cansaria de olhar para ela.

— Hm… mais rápido, amor — ela gemia, apertando seus cabelos. 

Hyunjin abriu a boca, sem sair som quando Felix começou a meter mais rápido, ele estava desesperado, precisava gozar, tinha que encher ela de novo. 

— Meu Deus… Que delícia — ela choramingou, subindo a perna para que Felix conseguisse encaixar melhor. 

Ele já tinha perdido a cabeça, só conseguia gemer e empurrar o quadril contra ela, afundando seu pau inteiro em Hyunjin. Continuaram assim, gemendo juntos, transando sem parar.

Ela abraçou seus ombros quando começou a gozar, sentia a buceta dela pulsar e apertá-lo de uma forma tão deliciosa que ele explodiu junto, enchendo Hyunjin de porra. Sabia que ela tomava anticoncepcional, mas a possibilidade de Hyunjin carregar seus filhos deixava ele tão enlouquecido que seu pau ficaria duro outra vez.

Tentou se livrar dos pensamentos quando deslizou o pau para fora. Hyunjin estava ofegante, mas parecia cansada, deitou o rosto em seu peito e suspirou.

— Me deixa dormir agora — resmungou, agarrando-se ao seu corpo.

Felix sorriu, deixaria ela dormir. Acariciou os cabelos pretos enquanto observava ela adormecer. Sabia que não ia conseguir dormir, tinha muita informação em sua cabeça, só queria que o dia amanhecesse logo para ele aproveitar a praia com Hyunjin, agora, sua namorada.

Sua melhor amiga, e também o seu amor.

— Eu te amo, Hyunjin.

Notes:

obrigada quem leu até aqui, espero que tenham gostado
até a próxima <3