Chapter Text
Harry James Potter.
Quinze anos, apanhador de quadribol, ótimo em feitiços contra as artes das trevas, e filho e afilhado de uma família extremamente carinhosa. Harry não tinha o que reclamar de sua vida, tinha tudo que queria e quando queria. Seus padrinhos, Sirius e Remus eram extremamente amorosos, especialmente Sirius.
Harry não sabia o que era pedir algo e ser negado quando se tratava do Black, era aceito como era, principalmente depois que se assumiu como um homem trans anos atrás.
James, seu pai, sempre sonhou em ter uma menina.
Lilian, pelo contrário, amava a Ideia de ter um garoto, mas seria amado independente do gênero.
Aos cinco anos, demonstrava um desconforto enorme quando o assunto era coisas para meninas. Chorava, odiava ser colocado com coisas rosas em volta de si, e sempre que possível acabava mudando a cor das roupas em meio a birras-magicas.
O ápice foi quando tinha cinco anos e cortou o próprio cabelo na frente do espelho com uma tesoura trouxa comum, ficando um caos completo.
James e Lilian não sabiam o que fazer, não entendiam o desconforto que sua filha demonstrava com toda aquela feminilidade, foi então que Remus interviu como um conselheiro, falando sobre a possibilidade da afilhada ser uma criança trans.
O mundo bruxo não tinha muito sobre essas informações, mas os trouxas sim. Ela foi levada a psicólogos especialistas na área, e foi então que com nove anos, Harry Potter nasceu.
As mudanças no comportamento foram rápidas depois que seus pais aceitaram como ele era, e Lilian parecia radiante de ter seu garotinho dos sonhos finalmente em seus braços, por isso os mimos eram maiores que o comum.
Começou a usar bloqueadores hormonais e fazer exames regulares para que as características do seu corpo ficassem de acordo como gostava, e assim vinha vivendo sua vida tranquilamente desde então.
Claro, tranquilamente era exagerado falar.
Em Hogwarts, constantemente driblava as situações que seu gênero pudesse ser exposto, eram poucas pessoas que sabiam sobre isso além dos professores, apenas o diretor e enfermeira. De restante, ninguém sabia.
Os primeiros anos foram tranquilos, até que o quarto ano veio junto a porcaria do torneio tribruxo e também o início de sua menstruação. Harry quase se jogou da torre da Corvinal, pensando seriamente se valia a pena continuar vivo. Nunca soube como seu nome foi parar naquele cálice, e muito menos como acabou ganhando o torneio. Além de toda tragédia, o quinto ano parecia ser promissor. Estava bem resolvido com seu gênero, suas questões corporais.
Porém.
Sempre tem um porém, uma nova questão estava surgindo — Harry era gay.
Estava sentindo-se terrivelmente atraído por ninguém menos que Draco Malfoy.
Harry não sabia em que momento Malfoy começou a se tornar Draco, e em que dia começou a analisar rapazes de Hogwarts para ter certeza de que não tinha qualquer outro candidato para sua recém descoberta gay adolescente.
Se pegava olhando demais para a mesa da sonserina, até o momento em que recebia um coice de Hermione, e então entendia estar encarando demais.
Tudo começou há um mês atrás.
Voltar para a escola de magia e bruxaria era um saco muitas vezes porque se despedia da família por longo tempo, gostava da companhia dos padrinhos, seus pais eram amorosos, além da pressão que sentia sobre sua postura masculina.
Por outro lado, na escola tinha seus amigos, quadribol, liberdade com magia muitas vezes, lidar com coisas sem um pouco de mágica é entendiante, Harry precisa admitir. Hermione e Rony têm o costume de tornar os dias mais suportáveis, o amigo com suas piadas sem noção em momentos difíceis, e amiga era uma conselheira muito boa, a parte difícil de sua jornada adolescente em Hogwarts era o loiro de olhos acinzentados.
A relação dos Potters com os Malfoys era bem difícil, principalmente com James e Lilian sendo aurores, e Lucious era conhecido por ser elitista, aristocrata, criminoso e participando de uma seita bruxa devota a um antigo bruxo das trevas, que em sua época de glória assassinou grande parte da sociedade bruxa apenas para limpar o sangue ruim.
Pelas falas de seu padrinho Harry assumiu que carregar sangue Malfoy não era digno nem mesmo de receber piedade, e quando começou no primeiro ano escolar Draco se mostrou bem desprezível com seus amigos, reforçando ainda mais o estereótipo 'Jeito Malfoy de ser'. Ele não conseguia engolir aquele cara, e então as provocações foram escalando até o quinto ano, seu auge sendo empurrões e quase brigas de soco pela escola. — seu padrinho sempre extremamente orgulhoso sobre isso, seus pais desaprovam. Lilian sempre puxava a orelha de Harry, dizendo que não deveria fazer esse tipo de briga.
O ano começou tranquilo. Novos professores, inclusive uma porca gorda insuportável, brigas com alunos, e sua implicante relação com Malfoy. Não existia nada fora do comum, não até em uma de suas discussões, uma menina esbarra em Harry enquanto corria para sabe-se lá onde, e o rapaz acabou caindo nos braços do loiro aguado tal qual uma princesa.
Não deveria ter afetado o outro, até perceber o quão lindo era Draco. Seus olhos acinzentados pareciam uma tempestade prestes a se formar, seu rosto fino e pálido, lábios desenhados pelas mãos de um Deus, cílios e sobrancelhas claras como seus cabelos loiros, quase platinados de tão brancos, além dos músculos em seu corpo, forte e robusto.
Harry avermelhou tanto, ficou extremamente envergonhado e correu para longe dele como se fosse um Trasgo horrendo ali parado, mas era o rapaz mais lindo que viu em toda sua vida. Desde então, tem tido sonhos molhados com Draco em várias posições diferentes, principalmente com seus beijos.
Ele puxou-o pela cintura, invadiu sua boca como se pertencesse naquele momento, suas mãos apalpando tudo que tocavam, tornando mais difícil segurar o ar e se esfregar contra o corpo robusto, e mais difícil ainda conter os gemidos, principalmente quando Draco descia a mão para suas pernas, começando a masturbar e
Isso levou ele até a situação atual, acordando de noite para se masturbar pensando em Draco, aquele ódio saindo pela janela enquanto a admiração e a safadeza entravam pela porta.
Agora, não conseguia chegar perto dele sem tremer como um rato assustado com o gato grande ao lado, e que gatinho. Para piorar sua situação já bem ruim, Draco parecia estar notando, e espremendo ainda mais a relação deles, sendo um pouco sutil com provocações e investidas, gargalhando quando Harry ficava travado ou saia aos palavrões sem raciocinar.
Quando mesmo que Malfoy se tornou Draco?
Suspirou escrevendo no pergaminho, alternando os olhos do quadro negro para a própria pena.
Aula de poções era a pior de todas, dividir o mesmo ambiente que os alunos da sonserina era difícil, mais impossível ainda quando o motivo de molhar a cueca quase toda madrugada estava sentado a poucos centímetros. O tão desprezível, desgraçado Malfoy, o riquinho mimado, loiro estúpido, doninha, cara de homem mais lindo que Harry viu nos últimos anos estava mexendo com seus sentimentos, era horrível e não sabia descrever aquilo que estava sentindo.
Seus olhos traidores começaram a procurar entre as cabeças loiras uma específica, parando quando viu Draco escrevendo distraído, fazendo anotações extras e alternando entre o livro e a folha do papiro.
O cabelo normalmente penteado, com gel e bem cuidado estava um pouco desalinhado, caindo sobre os olhos. Ah, aqueles olhos.
Azulados como o céu e ao mesmo tempo cinzas como uma chuva nublada, e no fundo de sua mente se permitiu sonhar que estava ajeitando os fios bagunçados.
Harry estava deitado, Draco, entre suas pernas. A boca dele fazia um trabalho tão incrível, aquecia deu corpo, fazia suas bochechas ficarem vermelhas tal qual o brasão da Grifinoria. Um gemido escapou de seus lábios enquanto puxava ele para cima, tomando a boca atrevida, sentindo seu gosto contra a língua alheia.
O beijo era feroz, cheio de desejo e conversa suja, suas mãos percorrendo seu corpo, apertando, sentindo a dureza contra a coxa, como o desejo era recíproco. Malfoy colocou ele de bruços, abriu a calça e então
— Potter, devo fazer ensinar a classe uma poção para desentupir ouvidos? — O baralho da batida na mesa ecoou na sala, professor Snape olhando de cima para o rapaz, sua cara de desprezo ganhando vida.
— Desculpe senhor, eu...
— Diga-me, Potter. — Interrompeu. — Se eu adicionar duas penas de hipogrifo com patas de aranha e olhos de morcego, o que obtenho? — Foi firme, ríspido. Todos os olhos da sala estavam neles.
Hermione era a única com a mão levantada.
Nervosismo começou a tomar conta do pobre grifinorio, se sentindo humilhado novamente na frente dos colegas, não era incomum na aula de Severus.
— Eu não sei, senhor...
— Musgo de caracol, dedos de um morto, petúnia de cemitério, o que obteve, Potter? — Outra interrupção, a voz ainda mais alta, estava mais pavoroso.
— E-eu não sei. — Gaguejou, se encolhendo um pouco na cadeira. Normalmente teria uma resposta ácida para dar ao professor, mas não era o caso quando foi abruptamente tirado de uma fantasia íntima.
— Deplorável. Menos cinco pontos para grifinoria. Eu quero um pergaminho de quarenta centímetros sobre o que acabei de perguntar até a próxima aula, Potter. — Virou de costas para ele, a capa esvoaçante de forma dramática. Caminhou com passos firmes até o quadro de novo, escrevendo ferozmente sobre a prova para o mês que vem. — O conteúdo está todo nos livros, será sem consulta. Dispensados.
Recolheu suas coisas extremamente desanimado, tinha milhares de trabalho de Snape nas costas, e lá vinha mais um. Não entendia como sua mãe podia ter uma amizade de longa data com aquela coisa feia.
Potter estava sendo observado, bem observado e não notou isso. Seu rosto desanimado, o óculos um pouco torto, a forma como seus lábios estavam sendo mordidos pelos dentes branquinhos e bem alinhados, além dos ombros encolhidos. Queria, no fundo, um dia poder tocar seu rosto com os dedos e dizer que tudo iria ficar bem.
— Draco? Vamos. — Pansy chamou, indicando a saída com a cabeça. Ele pegou a mochila, concordando enquanto saia da sala, deixando seus pensamentos serem guardados novamente.
Harry guardou todo material e esperou Rony e Mione para saírem juntos para a aula que teriam junto a corvinal em poucos minutos, tinham que correr.
— Por que você estava tão distraído, cara? Ultimamente Harry anda nas nuvens, não acha? — Rony olhou para a amiga, esperando a concordância. Ele era meio lerdo, mas não tanto. Hermione pingarreou. Harry estremeceu. Não estava sendo discreto.
— Acredito que seja preocupação com as aulas, Shape está no seu pé mais que nunca. — Era verdade.
— Se continuar desse jeito vou estar ferrado nas férias, minha mãe avisou. — Eram tantas coisas para uma só cabeça pensar.
— Mamãe falou que se eu não passar na prova com professora Minerva vou perder o direito de ter um quarto só meu, sabe o que é dividir quarto com Fred e Gorge? — Bateu as mãos na cabeça como se fosse o maior pesadelo do mundo, e realmente era.
— Acho que eles que não querem dividir quarto com você, Ron. — Harry falou em meio a uma risadinha descontraída, pensando nas artimanhas que os gêmeos devem ter feito para conseguir um quarto só para eles.
O trio continuou conversando nos corredores, caminhando em direção ao segundo piso. Hermione estava reclamando indignada sobre como os alunos do terceiro ano estavam deixando as coisas completamente bagunçadas na biblioteca, autores fora do lugar, gêneros literários em lugares errados.
Ron ria e fazia piadas, comentando como ninguém queria ser um sabe tudo como ela.
A conversa estava tranquila enquanto viravam o corredor, até Harry bater fortemente contra uma coisa rosa, baixa e gorda.
Oh não.
— Senhor Potter, Senhor Weasley, Senhorita Granger... — Analisou o rosto dos três alunos, dando ênfase a seus sobrenomes com um sorriso forçado e irritante, as mãos juntas na frente do corpo. — Devo perguntar, por que estão andando pelos corredores ao invés de estarem em suas respectivas aulas? Não é permitido alunos perambulando pelo corredor em horário de lecionamento, isto é, contra o regulamento da escola.
— Professora, nós — Weasley foi abruptamente interrompida.
— Não terminei, Senhor Weasley. Exijo dizer também que é necessário manter limpo e bem vestido o uniforme escolar, que não é o seu caso, senhor Potter. — Levou a mão até a camisa dele, puxando o tecido totalmente amarrotado, até mesmo um pouco sujo.
— Da próxima vez que esquecer de lavar meu uniforme eu mando para sua sala, professora, não tem problema.
— Temos aula com a professora Minerva, né Harry? Vamos agora — Hermione puxou Harry pela mochila e Ronald pelos cabelos, correndo com os dois o mais rápido que podia para longe dela. — Você já está ferrado com o Snape, quer uma detenção também? — Soltou os dois, vendo ambos reclamarem totalmente indignados.
Ronald reclamou muito sobre não ter feito nada e ser puxado pelos cabelos, ajeitando a cabeleira ruiva bem ofendida.
A aula com Minerva foi calma, principalmente produtiva.
Não tinha o que reclamar da professora, ela era paciente quando as dúvidas não ultrapassaram a lógica comum, e o ponto mais importante, não enchia os alunos com trabalhos e provas, conseguia entender que outras matérias existiam. Harry suspeitava que esse bom humor todo era devido ao último jogo do quadribol onde Grifinoria saiu vitoriosa pela Corvinal e iria jogar contra a sonserina no próximo jogo.
O sol estava começando a descer fora dos muros do castelo, trazendo uma brisa fresca e aquela sensação de se arrepender caso esquecesse o casaco em algum lugar.
Harry se separou dos amigos, dizendo que iria para a biblioteca dar início aos trabalhos que Snape tinha passado antes que deixasse para a última hora e acabasse em puro arrependimento.
Enquanto caminhava pelos longos corredores e escadas malucas, os pensamentos começaram a voar mais rápido que o esperado, indo para ninguém menos que Draco Malfoy.
Passou o dia sem ver ele, e isso aborrecia muito Harry. Mesmo que com as implicâncias, gostava demais de admirar ele ao longe, ao menos era assim nos últimos dias. Sirius iria matá-lo caso descobrisse que estava tendo suspiros por um Malfoy, mas quem poderia culpá-lo? Harry não se culpava, nenhum pouco.
Pensar em Draco era difícil, porque a safadeza e a razão entraram em conflito imediato.
De um lado, o cara que debochava da cara de seus amigos, humilhava qualquer um que não fosse de sua turma, era um pé no saco.
Do outro, o loiro dos cabelos sedosos, sorriso charmoso, corpulento, gostoso, inteligente, e tinha uma habilidade com quadribol de outro mundo quando Harry não estava em campo junto com ele.
Ah, e era um Malfoy.
Queria tirar uma casquinha, matar o tesão e quem sabe isso passaria, mas não estava passando de jeito nenhum, só piorava.
Entrou na biblioteca, indo diretamente para a sessão onde Snape costumava tirar seus livros e pegou alguns, analisando o resumo e fazendo uma pequena pilha na mesa. Tinha essa também, o castigo que recebeu por pensar demais em Draco.
Sentou-se com um livro aberto, folheando as páginas, mas sem realmente ler seu conteúdo, continuava pensando no sonserino.
Como chegaria em Malfoy pedindo por uns beijos? Harry nem sabia beijar. Nunca sentiu esse tipo de atração física, no máximo que fez foi ficar de mãos dadas com uma menina quando jurava ser hétero, e aquilo durou dois dias.
Claro, notou outros rapazes flertando consigo principalmente na época do torneio tri-bruxo, mas nada que valesse a pena ir atrás, estava focado demais em sair vivo das provas e apenas ignorou qualquer outra situação, agora se arrependia.
Conversar com Hermione sobre isso era a única coisa que alivia seus pensamentos, a amiga descobrir foi um alívio.
Tinha acordado pela madrugada e ido diretamente à sala principal onde Granger estava lendo um livro depois de um pesadelo.
Entre conversas, desabafou sobre suas frustrações em relação a uma pessoa que pensava odiar toda sua vida, mas estava mudando.
Bastou três perguntas para notar que era de Draco que se tratava, e ela ficou extremamente ofendida. Iria brigar com Harry antes de entender seus motivos, e isso bastou.
Por que o sonserino precisava ser tão... sonserino? Queria que fosse mais fácil flertar com ele e então realizar suas fantasias.
Harry sabia da popularidade dele entre as garotas, a fama de pegador e como ele era elogiado pelos corredores do castelo, aquilo era tenebroso.
Ah, além de toda tragédia acima ainda tinha que estudar para os N.O.Ms. Tudo era uma grande merda.
Suspirou pesado, enfiando o livro na mochila. Não tinha lido nada, apenas foleado várias vezes até a página final, não ia conseguir estudar. Colocou a mochila nas costas e se levantou, caminhando para fora da biblioteca.
Distraído demais no mundo "Draco e Harry", esbarrou violentamente em alguém, derrubando suas coisas no chão desastroso.
— Me desculpe..
— Olha por onde anda, Potter. Tem quatro olhos e não usa? — Draco xingou com nojo na voz, olhando para ele com superioridade e desprezo. Harry queria ser olhado com tesão e desejo.
— Tem razão. — Se abaixou, pegou a mochila dele e estendeu. — Não te vi, me desculpe Malfoy. — Pegou a própria mochila e continuou caminhando, sem esperar uma resposta.
Draco ficou para trás, completamente em choque. Seu coração pareceu ter errado nas batidas por um momento, balançando a cabeça para distrair os pensamentos que cercaram sua cabeça. Harry estava lindo e distraído.
Pegou a mochila com força e jogou por cima do ombro, indo devolver o livro que estava com um tempo de atraso graças a um descuido pequeno.
Caminhou até a sessão de herbologia, procurando nas prateleiras vazias até parar onde queria, abriu a mochila e tentou encontrar o livro, porém não estava ali.
Franziu o rosto, a expressão completa e confusa. Vasculhou, olhando mais fundo, puxando os livros e os pertences dali, até cair um broche da Grifinoria.
Ele e Harry trocaram as mochilas. Isso era péssimo.
Malfoy iria morrer.
