Work Text:
"You went from my home to 'it was nice to know you', and it breaks my heart that we gave it our best shot... Now I’m in California, I’m still waitin’ for ya. Will you change your mind? I would give it all up for us."
Kim Taehyung observava a cena como se estivesse assistindo a um filme em câmera lenta. Kim Seokjin estava lá, no centro de tudo, sendo envolvido pelos braços de cada membro assim que cruzou a porta da casa alugada em Los Angeles. As câmeras da Netflix capturavam cada risada, o buquê de flores entregue por Jung Hoseok e o brilho nos olhos de todos por terem o hyung de volta para a gravação do documentário e a produção do álbum em Los Angeles.
Todos estavam ansiosos. Menos Taehyung, que permanecia no segundo andar, com as mãos enfiadas nos bolsos, observando como se não pertencesse àquela cena.
Taehyung conhecia Seokjin melhor do que a si mesmo e, por isso, sabia exatamente quando estava sendo evitado. O gelo que sentia vindo do mais velho era ensurdecedor. O motivo? A última folga durante o serviço militar, quando o medo da finitude da vida bateu à porta de Taehyung e ele correu para Seokjin. Naquela noite, não houve cobranças; apenas uma janta reforçada preparada por Seokjin, ainda quente sobre a mesa, e um abraço que durou horas, mantendo os dois sãos enquanto o mundo lá fora os pressionava.
Eles não precisaram conversar naquela noite. Mas o silêncio de agora era diferente. Era uma barreira.
Taehyung tirou o vape do bolso, prendendo-o entre os lábios. Não era pela nicotina; era pelo hábito de ter algo preenchendo o vazio da boca, um substituto pálido para as palavras que já não sabia como dizer. Seokjin o encarou por um breve segundo, os lábios entreabertos como se fosse quebrar o protocolo recém-criado entre os dois, mas a voz nunca veio.
Taehyung apenas balançou a cabeça em uma compreensão amarga, assistindo Seokjin subir as escadas acompanhado por um staff. Ele não tentou segui-lo. Sabia que, se subisse, encontraria apenas uma porta fechada ou um olhar desviado. Girou nos calcanhares e foi para a sala do segundo andar; se não podia ter Seokjin, teria ao menos o trabalho.
friends, just for now. yeah, but friends don't say words that make friends feel like more than just friends
— Hyung.
Kim Seokjin deu um sobressalto, desviando o olhar da tela do celular enquanto atravessava a cozinha. Min Yoongi estava lá, escorado na bancada com uma caneta entre os dedos, esperando por uma inspiração que parecia não vir.
— Não te vi aí. — Seokjin sorriu, guardando o aparelho no bolso com um movimento rápido.
— Pode relaxar. Os staffs já foram e as câmeras estão desligadas. — Yoongi avisou, observando o ombro de Seokjin relaxar em um suspiro audível.
— Achei que iam gravar cada segundo para a Netflix — brincou Seokjin, indo até o armário. — Você sabe se temos as balas que eu gosto? As azedas?
— O Tae comprou para você. Estão na porta ao lado.
O nome de Taehyung foi o suficiente para causar um curto-circuito nos movimentos de Seokjin. Ele pegou o pacote no local indicado, sentindo o sabor ácido invadir a boca, mas o azedo da bala era irrelevante diante do nó que se formava em sua garganta.
— Como estão as coisas com você? — Yoongi perguntou, estudando-o.
— Bem. A tour acabou, estamos trabalhando... a gente já conversou sobre isso anteontem, Yoongi — Seokjin tentou desconversar, oferecendo uma bala ao amigo, que recusou.
— E como você se sente morando com o Taehyung novamente? Depois de tantos anos.
— Sempre seremos amigos — Seokjin respondeu com uma neutralidade.
Yoongi não retrucou. Apenas o encarou por tempo suficiente para deixar Seokjin desconfortável, recolhendo suas coisas e saindo em silêncio. Ele fez menção de sair da cozinha, mas seu corpo estancou — os pés colados ao piso frio — assim que seus olhos encontraram a silhueta de Taehyung. Ele nunca poderia ser apenas amigo do homem que já tinha tudo dele.
you and I go back to, like, oh-nine; it's like forever. and you were there, my lonely nights, yeah, keeping me together. so, wouldn't it make sense if I was yours and you could call me your baby?
Seokjin guardou o pacote de balas no bolso do moletom, sentindo o peso do plástico contra a coxa. Ele fez menção de sair da cozinha, mas seu corpo estancou, os pés colados ao piso frio assim que seus olhos encontraram a silhueta de Taehyung. O mais novo estava parado exatamente na entrada, enquadrado pelo batente da porta como uma assombração que ele não conseguia exorcizar.
Houve um hiato de tempo onde ninguém respirou. Seokjin viu a oscilação nos ombros de Taehyung, o micro-movimento de quem ponderava se deveria entrar e enfrentar o caos ou simplesmente girar nos calcanhares e sumir no corredor. Aquela distância deliberada doía em Seokjin; ele odiava ser a razão pela qual Taehyung hesitava em habitar o próprio lar.
— Eu esperei você falar comigo o dia inteiro — Seokjin quebrou o silêncio, a voz saindo mais grave do que pretendia. Ele encurtou a distância, os passos ecoando suavemente, forçando Taehyung a sustentar o olhar.
— Mesmo? — Taehyung rebateu, a voz carregada de uma ironia cortante. Ele não se moveu, mantendo os braços cruzados sobre o peito largo, uma postura defensiva que contrastava com a mágoa nos olhos. — Não pareceu. Especialmente quando você é quem está me tratando como um estranho há dias.
— Taehyung-ah... — Seokjin parou a centímetros dele. O perfume de Taehyung, uma mistura amadeirada com o frescor do banho recente, invadiu seus sentidos, desarmando sua fachada de indiferença. Ele forçou seu sorriso mais desarmante, aquele que costumava derreter as defesas do mais novo. — O Hyung sentiu a sua falta, bebê.
Taehyung abriu a boca duas vezes, as palavras lutando para sair. Seokjin via o conflito interno: a vontade de gritar, de mandar Seokjin se foder por ter sumido após aquela noite em que Taehyung se permitiu ter esperanças, versus a necessidade desesperada de ser tocado. Por um segundo, Seokjin achou que seria rejeitado. Ele merecia a rejeição.
— Eu também senti a sua, hyung — Taehyung confessou, a voz falhando no final.
Foi o suficiente. Seokjin rompeu a barreira final e o envolveu em um abraço desesperado. Seus corpos colidiram com uma força que expulsou o ar de seus pulmões, unindo-se em uma única massa de calor e saudade. Abraçar Taehyung nunca fora algo casual para Seokjin; não havia o desejo de se afastar, apenas a vontade de fundir as peles até que não houvesse mais espaço entre eles.
Seokjin enterrou o nariz na curvatura do pescoço de Taehyung, inspirando profundamente. Ele conhecia cada nota do cheiro de Taehyung — os cremes caros, os óleos essenciais —, mas nada superava o aroma natural da pele dele. O desejo de lamber aquela extensão de pele dourada, de mordê-lo com uma possessividade primitiva, subiu como uma maré alta em seu sangue. Ele queria marcá-lo, reivindicar o que era seu por direito e por destino.
Taehyung correspondeu com a mesma intensidade, as mãos grandes espalmadas na cintura fina de Seokjin, apertando-o contra seus próprios braços largos, como se tentasse esmagar qualquer distância que restasse. Eles permaneceram assim, dois homens cujos corações batiam em ritmos desenfreados, até que o som de gritos animados vindo do segundo andar os arrancou daquela bolha.
— Hyung! Hyung! — Era a voz de Jeon Jungkook, vibrante e alta.
Eles se separaram bruscamente, como se tivessem sido pegos em um crime. No topo da escada, Jungkook gesticulava freneticamente, com Park Jimin ao seu lado observando a cena com um sorriso calmo e analítico, um olhar que dizia que ele sabia exatamente o que acabara de interromper.
— Subam aqui! — Jungkook gritou, alheio ou fingindo estar. — Acabamos uma música e ela é incrível!
Seokjin e Taehyung trocaram um olhar rápido — um pacto silencioso de normalidade forçada. Apenas assentiram e subiram as escadas, deixando para trás o calor da cozinha, mas levando consigo o incêndio que o abraço acabara de atear.
Uma semana mais tarde, o silêncio do quarto de Jungkook oferecia um refúgio temporário.
Seokjin estava deitado de costas para o mais novo, a cabeça afundada no travesseiro, olhando para a parede, perdido.
— Jungkook-ah — Seokjin chamou após um longo momento de silêncio. — Você já sentiu que não consegue ser feliz porque a sua vida parece incompleta?
Ele sentiu o olhar de Jungkook queimando em suas costas. O mais novo sempre foi intuitivo com as emoções de Seokjin.
— É como voltar para casa e perceber que ela não é mais sua — Seokjin continuou, soltando uma risada seca e sem humor. — É só um lugar grande, vazio e gelado onde... — Ele balançou a cabeça, desistindo da analogia. — Quando Jimin chega?
— Cinco minutos — Jungkook respondeu, movendo-se na cama para abraçar o hyung por trás, um gesto de conforto puro. — E não, eu nunca me senti assim. Mas isso não é sobre paredes e teto, não é, Jin hyung? Já moramos em hotéis por meses e você nunca reclamou de "casa".
— Se for sobre a minha casa, posso me mudar para a sua? — Seokjin brincou, virando o rosto por cima do ombro, os olhos brilhando com uma vulnerabilidade que tentava mascarar com humor. — Sua casa é grande o suficiente pro hyung.
— Não! Absolutamente não — Jungkook riu, segurando os braços de Seokjin quando ele tentou se levantar.
— Jeon Jungkook! Como seu hyung mais velho, eu tenho direitos! Eu exijo a senha da sua porta!
Em vez de responder, Jungkook inclinou-se e mordeu levemente o pescoço de Seokjin, arrancando uma risada alta e genuína de Seokjin, que começou a se contorcer sob o toque do mais novo.
— Acho que estou interrompendo algo? — A voz de Jimin soou divertida na porta.
Ele entrou no quarto e, sem pedir licença, jogou-se sobre os dois. O que se seguiu foi o caos amoroso que só eles conheciam: um "sanduíche" humano onde Seokjin era o recheio, tentando escapar dos beijos exagerados de Jungkook e dos apertos de Jimin. Seokjin ria até as lágrimas surgirem, o peito doendo de tanta diversão enquanto os dois mais novos o "torturavam" com carinho.
— Chega! — Seokjin finalmente conseguiu escapar e pulou para fora da cama com o cabelo bagunçado e o rosto vermelho. — Vocês dois são monstros!
Ele apontou os dedos longos para a dupla, que agora estava confortavelmente acomodada na cama, rindo da indignação fingida de Seokjin.
— Para quem estava rindo tanto, essa pose de ofendido não convence ninguém! — Jimin devolveu, jogando um beijo no ar.
Seokjin apenas pegou uma almofada próxima, arremessou-a contra Jimin e saiu do quarto, o som das risadas dos dois o seguindo pelo corredor. Mas assim que a porta se fechou e ele se viu sozinho no corredor silencioso, o sorriso desapareceu.
Ele caminhou até o quarto da frente — o de Jungkook, agora ocupado por Taehyung — que, naquele momento, estava na varanda, apoiado no parapeito, com os fones de ouvido e o vape na mão, observando as luzes de Los Angeles como se procurasse por algo que não estava lá. E Seokjin, incapaz de resistir à gravidade que aquele homem exercia sobre ele.
I really thought I made up my mind. hopped in the car and put it in drive. I tried to leave, like, a hundred times... but something's stoppin' me every time
Dividir uma casa em Los Angeles por dois meses significava proximidade constante, mas, para Seokjin, o ar parecia rarefeito toda vez que Taehyung estava no mesmo cômodo. Ele tentou se convencer de que deixaria o mais novo em paz, que respeitaria o espaço que ambos haviam delimitado com silêncio, mas seus pés agiram sozinhos.
Ele atravessou a porta de madeira da varanda e sentiu o cheiro adocicado e artificial do vape invadindo seus pulmões. Sem um pingo de gentileza, Seokjin esticou a mão por trás de Taehyung e arrancou o aparelho de seus dedos no exato momento em que ele o levava aos lábios.
— Que porra…? — Taehyung girou o corpo, os olhos faiscando de irritação, mas a raiva murchou instantaneamente ao dar de cara com Seokjin. — Hyung...
— Eu não gosto que você fume — Seokjin declarou, cruzando os braços sobre o peito, a postura rígida de quem tentava esconder o quanto estava afetado pela presença dele.
— Você sempre reclama — Taehyung deu um meio sorriso, retirando os fones de ouvido e deixando-os pendurados no pescoço. Ele também cruzou os braços, um espelho da postura de Seokjin, mas, em Taehyung, o gesto apenas ressaltava os novos músculos que o exército lhe dera; o peito mais largo, a presença mais imponente.
Seokjin desviou o olhar. Era perigoso olhar demais. Ele precisou morder o interior do lábio para conter o impulso de tocar aqueles braços, de sentir a textura da pele que parecia irradiar calor mesmo na brisa fresca da noite.
— E você continua fumando — Seokjin retrucou, fingindo não notar que Taehyung percebera seu olhar minucioso.
— Me ajuda a pensar, hyung.
— Pensa de outra forma! — O tom de Seokjin subiu, uma nota de irritação real vibrando no ar.
O silêncio que se seguiu foi denso. Taehyung não riu, não fez piada. Ele apenas ficou ali, estudando o rosto de Seokjin com uma seriedade que fazia o tempo estagnar. O mundo ao redor — as luzes de Los Angeles, o barulho distante do tráfego — desapareceu. Só existiam a respiração pesada de Seokjin e o olhar escuro de Taehyung.
— Por que você está me olhando assim? — Seokjin perguntou, a voz fraquejando.
— Achei que você estivesse me evitando.
A sinceridade na voz de Taehyung foi como um soco no estômago de Seokjin. Ele engoliu em seco, sentindo a garganta apertar. Sim, eu estava. Ainda estou. Estou tentando sobreviver a você.
fakin' a smile while we're breakin' apart, I never, never, never meant to take it this far, too late to save me, so don't even start, you never meant to hurt me, but you're makin' it hard; don't tell me that you're gonna miss me, just tell me that you wanna kill me, don't say that you love me 'cause it hurts the most
— A gente mora junto. Como você acha que eu fugiria de você? — Seokjin tentou um sorriso pálido, uma máscara de "hyung engraçado" que ele sabia que não colava mais.
— Você sabe exatamente como — Taehyung deu um passo à frente, a expressão imperturbável. — Você esteve "ocupado" com a tour, "trabalhando" no álbum... Mas cinco minutos atrás você estava rindo com o Jungkook e o Jimin, e agora está aqui, agindo como se fôssemos apenas colegas.
Taehyung caminhou em direção à porta do quarto, fechando-a atrás de si depois de lançar um olhar rápido para o corredor.
— Taehyung?
— Você pode ir embora se quiser, Jin-ssi — Taehyung encostou as costas na porta fechada, bloqueando a saída. — Eu só fechei a porta para termos privacidade, mas duvido que você aguente ficar mais de cinco minutos aqui sem fugir de novo.
— O que está acontecendo com você? — Seokjin se aproximou, mas o arrependimento veio no segundo em que seus olhos encontraram a mágoa profunda nos de Taehyung.
— Eu só estou cansado, Seokjin… — Taehyung desabafou, a voz desprovida de qualquer artifício. — O Namjoon hyung me perguntou se eu estava bem depois de ler os esboços que escrevi para o álbum. Eu li e reli aquelas letras por horas. São letras que escrevi no exército, em Paris, aqui… É um círculo vicioso em que estou preso há anos, e você sabe disso.
— Taehyung...
— Eu te esperei quando recebi alta. Esperei uma mensagem sua depois da live, qualquer sinal... mas você não mandou nada. Isso deveria me dizer tudo, não deveria? — Taehyung deu um passo na direção de Seokjin, encurralando-o emocionalmente. — Eu preciso seguir em frente. Te amar não tem futuro. Passei anos me acostumando a amar sozinho, mas eu mereço mais. Mereço me permitir conhecer pessoas e amá-las pelo que são, sem procurar você em cada uma delas.
Seokjin não conseguiu responder. Ele baixou a cabeça, as palavras de Taehyung agindo como ácido em suas feridas abertas. Ele queria protestar. Queria dizer que também o amava, mas a confusão de sentimentos era um nó cego em sua garganta. Ele apenas se sentou na beira da cama, em silêncio, deixando as primeiras lágrimas caírem.
O som de um soluço contido quebrou o silêncio do quarto. Taehyung, que ainda estava parado em pé, sentiu o peito arder ao ver o corpo de Seokjin tremer.
— Hyung? — Ele se aproximou cautelosamente ao perceber que Seokjin estava chorando copiosamente.
— Me desculpa... — Seokjin tentou falar, mas a voz se quebrou.
Taehyung não aguentou. Ele se sentou ao lado de Seokjin e, com uma delicadeza que contrastava com sua força física, ergueu o rosto do mais velho. Seus olhos escuros estudaram cada rastro de lágrima, cada vinco de dor no rosto que, para ele, era divino.
— Jinnie... meu amor... — Taehyung murmurou.
Ouvir aquele apelido, dito com tanta ternura, foi o golpe final para Seokjin. Ele desabou. Taehyung o puxou para o seu peito, deitando-se na cama e envolvendo a cintura de Seokjin em um abraço protetor. Seokjin, que sempre fora o pilar, o brincalhão, o “hyung mais velho” que engolia as próprias dores para fazer os outros rirem, chorava agora como se o mundo estivesse acabando, escondendo o rosto no pescoço de Taehyung enquanto as lágrimas molhavam a camisa do mais novo.
Ele chorou até a exaustão tomar conta de seus sentidos, sendo embalado pelo aroma de Taehyung e pelo som rítmico do coração do mais novo, até que o sono — o único lugar onde eles não precisavam de explicações — finalmente o reivindicasse.
Quando Seokjin abriu os olhos, os primeiros raios de sol de Los Angeles filtravam-se pelas frestas da cortina, pintando o quarto com um tom de âmbar pálido. Ele não sabia que horas eram, nem em que momento o choro desesperado da noite anterior deu lugar ao sono. A única certeza era o peso reconfortante do braço de Taehyung sobre sua cintura, mantendo-os ancorados um ao outro.
A posição na cama não era das mais confortáveis, mas após meses dormindo em beliches de quartel, o calor do corpo de Taehyung tornava qualquer superfície um luxo. Seokjin moveu-se o mínimo possível, sentando-se na beira do colchão com cuidado para não despertar o mais novo, que dormia com uma expressão de paz que contrastava com a tempestade de palavras que trocaram horas antes.
Seus dedos hesitaram no ar antes de tocarem, com uma leveza quase divina, os fios de cabelo de Taehyung. Enquanto o acariciava, a mente de Seokjin vagou para o passado, para o dia em que o serviço militar ainda era uma sombra no horizonte.
Naquela noite, a mesa estava posta, com uma garrafa de vinho já pela metade. Seokjin observava Taehyung, que o encarava com uma intensidade devota, os olhos fixos em cada movimento do mais velho enquanto segurava a taça sem sequer beber dela.
— Não me olhe assim — Seokjin o repreendeu gentilmente, tentando quebrar o transe.
— Como? — Taehyung murmurou, a voz nublada.
— Como se eu estivesse saindo da sua vida pra sempre. Eu sou seu hyung, Taehyung. Vou me ausentar por um tempo, mas, entre nós… nada vai mudar.
Taehyung não respondeu com palavras. Em vez disso, retirou o boné que Seokjin usava e tocou o cabelo recém-raspado, sentindo a textura áspera sob a palma da mão. Ele fechou os olhos e respirou fundo, como se tentasse memorizar aquela sensação para os meses de inverno que viriam.
— Eu estou com tanto medo, Jinnie… — Taehyung confessou. — Me aterroriza pensar em você em um lugar onde eu não conheço ninguém, onde não posso te proteger. E não me venha dizer que você é o hyung — você sabe exatamente do que estou falando.
Seokjin não brincou. Ele entendia. O medo de Taehyung era o dele também: o medo de que a distância esfriasse o que eles mal tinham começado a nomear. Naquela noite, Seokjin apenas o puxou para seus braços, oferecendo o único refúgio que ainda restava antes que o desconhecido se tornasse realidade.
Enquanto ainda observava Taehyung ali, dormindo profundamente, Seokjin sorriu — o desconhecido agora era apenas o passado. Nada mais daquilo existia. Todos os seus medos ficaram para trás, Taehyung estava ali firme e bem. Todas as orações que ele fez por Taehyung e pelos membros pareciam ter dado resultado e, mesmo não sendo um homem religioso, ele oraria pelo resto da vida para que Taehyung continuasse dormindo tranquilo, sem precisar temer se afastar da própria família.
Família.
Seokjin sentiu a garganta secar novamente, o passado voltando mais uma vez à sua mente.
— O Taehyung está apaixonado por você.
Yoongi dissera aquilo com a mesma naturalidade com que pediria um café, sentado na cadeira giratória de seu estúdio enquanto revisavam letras para o álbum. Seokjin tentara fingir que não ouvira, mantendo os olhos no caderno de anotações.
— E você sabe. — Yoongi continuou rabiscando o caderno em seu colo, como se o que estivesse falando fosse irrelevante.
— Você está viajando, Yoongi — Seokjin retrucou, mas a ironia não disfarçou o tremor em sua mão.
Mas sua atitude não o ajudou, apenas despertou um interesse raro em Yoongi, que fechou o caderno e aproximou a cadeira do sofá, os braços cruzados enquanto sorria.
— E você também está apaixonado por ele. Agora, hyung, o que me deixa curioso é, o que você vai fazer a respeito?
— Min Yoongi… — Seokjin começou, mas ganhou uma revirada de olhos de Yoongi.
— Não venha com essa besteira pro meu lado. — Yoongi dispensou com as mãos no ar — Ele é absurdamente ciumento com você e você gosta.
— E isso configura paixão para você? — Seokjin perguntou irônico.
— A forma como vocês orbitam um ao outro, como se isolam do grupo... vocês se tornaram uma unidade só, como o Jimin e o Jungkook. Mas a diferença é que eles têm um relacionamento estabelecido, e você... você só escreve letras sofrendo por quem já tem ao seu lado.
— Não somos o Jimin e o Jungkook.
— Não, claro que não. — Yoongi concordou. — Isso significaria que vocês teriam um relacionamento estabelecido e não que todas as suas letras são sofrendo por quem você não tem. — Yoongi sorriu apontando o caderno de Seokjin. — Então?
— Não existe então, Yoongi. — Seokjin suspirou, pensando por um momento antes de responder. — Taehyung pode estar apaixonado por mim, mas ele quer casar, filhos, uma linda família e ele merece isso. Ele merece tudo que você sabe que não posso oferecer.
— Então você não vai corresponder a ele por achar que não pode corresponder algo que vocês dois querem?
— Você sabe exatamente os motivos pelos quais eu não posso corresponder ao Taehyung.
— Eu acho que você é um idiota do caralho, Kim Seokjin. — Yoongi finalizou a conversa, virando a cadeira enquanto voltava a atenção ao próprio trabalho.
A consciência de que o amor entre eles atravessava anos era o martírio silencioso de Seokjin. Corresponder àquela entrega significava, em sua mente, privar Taehyung do que ele tinha de mais sagrado: a liberdade de viver sem sombras.
Por mais que lhe dilacerasse a alma assistir Taehyung seguir em frente e buscar o afeto de outrem, Seokjin aceitava essa dor como o preço inevitável de uma escolha feita há muito tempo, resignando-se ao destino agridoce de ser um ídolo venerado por multidões, mas permanecendo irremediavelmente solitário por não poder pertencer ao único homem que detinha, por direito e devoção, todo o seu coração e a sua alma.
— Eu posso sentir você me olhando há um tempo, Jinnie — a voz de Taehyung soou rouca, pesada de sono.
— Eu te acordei? — Seokjin o olhou preocupado, não sabendo em que momento Taehyung acordou já que permanecia de olhos fechados.
— Não, mas eu senti você me olhando por um tempo. — Taehyung abriu os olhos para encarar Seokjin que o olhava de perto, os dois se olhando por um momento. — Como você tá, hyung?
— Me desculpa por ontem. Aquilo não deveria ter acontecido daquela forma.
— Está tudo bem. Eu não deveria ter te pressionado quando você não estava bem.
Seokjin negou com a cabeça, buscando a mão de Taehyung que descansava sobre os lençóis. Ele entrelaçou seus dedos, sentindo a pele quente do outro queimar contra a sua.
— Eu quero que você seja feliz, Taehyung. Essa sempre será minha prioridade. Lembra quando você chegou ao dormitório e me disse que queria ser como o seu pai? Casar, ter uma família de quem se orgulhar? — Seokjin sorriu, embora o peito doesse. — Você merece isso. Andar pelas ruas sem se esconder, sem limites para os seus sonhos. Eu vi as fotos que você postou com sua ex-namorada e você merece viver aquela liberdade mais vezes.
Taehyung ouviu em silêncio absoluto. Quando Seokjin terminou, ele sentou-se na cama, com o corpo rígido.
— Você acha que não podemos ficar juntos porque somos dois homens no topo da indústria? — Taehyung perguntou, a voz perigosamente calma.
— Isso acabaria com os seus sonhos de uma vida normal, Taehyung.
— Isso é inacreditável — Taehyung levantou-se, a irritação voltando a borbulhar. — Você me fala de namoradas hipotéticas e filhos que não existem, mas não considera por um segundo que eu não me importo com nada disso? Que nos últimos anos a única pessoa que eu amo é você? Eu tentei fugir, tentei namorar, tentei não sentir... mas nunca funcionou.
Taehyung se afastou da cama, a frustração emanando de cada movimento enquanto encarava Seokjin. A luz da manhã agora incidia diretamente sobre ele, revelando a determinação em seu olhar.
— Eu sou bissexual, Seokjin. Que garantia você tem de que, se um dia eu parar de te amar, eu vou amar uma mulher e seguir esse roteiro de família feliz que você criou para mim? — Taehyung despejou as palavras, a voz firme.
Seokjin o olhou, desarmado. A lógica que ele usara para se manter distante — a ideia de que estava "poupando" Taehyung de uma vida de segredos — ruiu.
— Eu não tenho essa garantia — Seokjin admitiu, a voz baixa e sincera.
— Você ao menos percebe o quão idiota você está sendo? — Taehyung sentou-se novamente ao lado dele, a raiva dando lugar a uma exaustão melancólica. — Você planejou o meu futuro sem me consultar. Decidiu que eu seria mais feliz longe de você do que vivendo um segredo ao seu lado.
— Eu só não queria te prender... viver como o Jimin e o Jungkook vivem, sempre olhando por cima do ombro.
— E você pensou no que eu quero? — Taehyung virou o rosto, a mágoa evidente. — Não me trate como uma criança, Seokjin. Somos dois adultos. Eu vi o quanto você estava no seu limite, a forma como você me visitava nas folgas do exército só porque precisava dormir comigo para se sentir em paz. E em todas aquelas noites em que jantamos e você dormiu nos meus braços... eu te amei mais.
Seokjin sentiu o peso daquelas palavras. Ele tocou o rosto de Taehyung com uma delicadeza trêmula, mas retirou a mão logo em seguida, consciente do território perigoso onde estavam pisando.
— As mágoas que eu te causei… não podem ser apagadas com uma desculpa — Seokjin murmurou.
Taehyung apenas assentiu, levantando-se para ir ao banheiro. Seokjin permaneceu sentado, com o coração martelando contra as costelas. Ele sabia que deveria sair, deixar Taehyung começar o dia em paz. Mas seus pés não se moviam. Ele não queria que aquilo fosse o fim. Não agora que a verdade estava nua entre eles.
Seokjin permaneceu estático, o peso do silêncio sobre seus ombros, tornando a tarefa de se levantar quase impossível. Uma parte de sua mente gritava que ele deveria recuar, abandonar o quarto e permitir que Taehyung começasse o dia em paz, longe do caos que sua presença causava. No entanto, o corpo não obedecia; o medo de que aquele fosse o ponto final — o encerramento de algo que sequer tivera a chance de florescer — o ancorava ao colchão.
Não. Ele não podia aceitar um fim antes mesmo do começo.
Impulsionado por uma coragem súbita, Seokjin colocou-se de pé. Seus pensamentos atropelavam-se em uma velocidade frenética, mas se recusou a naufragar neles. Caminhou até o banheiro com a determinação cega de quem precisa dizer algo, qualquer coisa, mesmo sem ter as palavras prontas.
Seus passos travaram assim que Taehyung surgiu no batente da porta. O mais novo tinha o rosto úmido e segurava uma escova de dentes, os olhos carregados de uma expectativa silenciosa que desarmou Seokjin instantaneamente.
— Eu me esforcei ao máximo pra ouvir o som da porta… pra saber se você tinha ido embora — Taehyung confessou, a voz baixa revelando que, no fundo, ele torcia pelo silêncio.
Ele estendeu a escova de dentes em um gesto cotidiano, quase doméstico, que fez o coração de Seokjin falhar uma batida. Ao pegá-la, Seokjin sentiu o roçar breve de seus dedos, um gatilho elétrico que o acompanhou enquanto entrava no banheiro, abrindo espaço para que o outro passasse.
Minutos depois, ao cruzar novamente a soleira, Seokjin encontrou Taehyung exatamente onde o deixara: sentado na beira da cama, com o olhar perdido. O ar entre eles parecia rarefeito. Seokjin respirou fundo, sentindo o oxigênio queimar seus pulmões antes de encarar o homem que detinha, sem saber, todo o controle sobre o seu destino.
Quando Seokjin saiu do banheiro, encontrou Taehyung sentado na mesma posição de antes. Ele respirou fundo, reunindo toda a coragem que ainda possuía.
— Desculpas não resolvem tudo, mas são um começo — Seokjin começou, sustentando o olhar de Taehyung. — Eu deveria ter reconhecido o que sinto há muito tempo. Eu escolhi relacionamentos que sabia que iam falhar só pra não tentar algo com você. E quando desisti deles, achei melhor me calar — mesmo vendo você com outras pessoas. Eu achei que estava fazendo o certo, mas nunca considerei te dizer o óbvio: eu te amo.
Taehyung levantou-se lentamente. A distância entre eles desapareceu em segundos. Taehyung segurou o rosto de Seokjin com as mãos firmes, a pele quente agindo como um ímã. O primeiro beijo foi gentil, quase um teste, uma confirmação de que a química que incendiava os palcos era real — e avassaladora fora deles.
Seokjin respondeu com um desespero contido, puxando Taehyung para mais perto, sentindo a respiração misturada e o gosto do outro. Eles caminharam até a cama em um emaranhado de pernas e lábios, caindo sobre os lençóis bagunçados. Seokjin ficou por cima, os beijos descendo pelo rosto de Taehyung com uma adoração que beirava o sagrado.
— Jinnie... — Taehyung arfou, segurando o cabelo de Seokjin para trazê-lo de volta para sua boca.
— Me desculpa… se eu estiver indo rápido demais — Seokjin sussurrou, a preocupação ainda presente.
Taehyung apenas sorriu, um sorriso escuro, carregado de necessidade. Ele ergueu o quadril, pressionando o corpo contra o de Seokjin. O contato direto, mesmo através das roupas, arrancou um gemido baixo e rouco do mais velho ao sentir o volume rígido de Taehyung contra o seu.
— Eu não quero que isso seja só sexo, hyung. — Taehyung murmurou, os olhos escuros fixos nos dele. — Eu quero que tudo entre nós seja real.
— Você é meu, bebê — Seokjin provocou, a voz carregada de desejo, antes de calar Taehyung com outro beijo, esse muito mais profundo e exigente.
If you wanna be animals. baby, we can be animals
Seokjin se tornou maleável sob o toque do mais novo, o corpo relaxando contra o colchão quando Taehyung, com uma agilidade possessiva, inverteu as posições. Agora por cima, Taehyung manteve os braços esticados, sustentando o peso enquanto os olhos escuros devoravam cada detalhe do rosto de Seokjin. Não havia câmeras, não havia roteiros; apenas a verdade nua entre eles.
Taehyung começou a descer, distribuindo beijos lentos e úmidos pelo pescoço de Seokjin, descendo pela clavícula até o peito. A cada toque, Seokjin sentia a pele incendiar, os pelos se arrepiando em cadeia conforme o calor de Taehyung o reivindicava. Os gemidos que escapavam dos lábios de Seokjin eram baixos, manhosos, a melodia mais perfeita que Taehyung já tivera o privilégio de reger.
Sem pressa, Taehyung deslizou as mãos pelas coxas de Seokjin, e o mais velho abriu as pernas em um convite silencioso, permitindo que ele se acomodasse firmemente entre elas. O peso do corpo de Taehyung ali, naquela zona de intimidade, era um lembrete constante do que estava por vir.
— Eu nunca imaginei que você realmente me deixaria tocar em você assim... — Taehyung murmurou, a voz rouca de desejo enquanto abaixava a calça de Seokjin com as mãos firmes. Ele parou ali, o rosto a centímetros da cueca de Seokjin, onde o volume já era evidente. — Não desse jeito.
— Você pensou muito nisso? — Seokjin tentou manter a voz casual, mas o tremor em seu tom o traía.
— Mais do que é considerado ético para dois amigos de grupo — Taehyung riu baixo, um som sombrio e viciante, antes de passar a língua deliberadamente sobre o formato do pau de Seokjin através do tecido da cueca.
— Eu também — Seokjin admitiu, a honestidade fluindo agora sem barreiras. — Eu nunca fui de sair por aí... de ter muitos casos. Mas às vezes você me provocava tanto, Taehyung-ah... me levava tanto ao limite com esses seus olhares.
Taehyung sorriu contra o tecido, satisfeito com a confissão.
— Então eu precisava... eu precisava de um alívio. Às vezes eu transava com alguém tentando te esquecer, ou apenas me masturbava sozinho, mas minha mente... ela sempre me trazia de volta para você. Mesmo de olhos abertos, eu via o seu rosto.
Seokjin sentiu o rosto queimar de vergonha, mas Taehyung parecia radiante.
— Então eu sou o responsável pelos seus orgasmos, hyung?
— Não me chama assim — Seokjin sibilou, os dedos enterrando-se no lençol.
— Mas você não é meu hyung? — Taehyung provocou, a voz vibrando.
— Você não pode usar esse tom de voz comigo enquanto passa a língua na cabeça do meu pau! — Seokjin exclamou, o corpo dando um solavanco quando Taehyung o sugou com força através da cueca.
Seokjin arqueou o quadril involuntariamente, buscando mais daquele calor úmido. Taehyung se afastou apenas o suficiente para deixar um beijinho casto na ponta do tecido antes de abaixar a cueca de vez, deixando Seokjin totalmente exposto. Sob a luz dourada da manhã de Los Angeles, Seokjin parecia uma obra de arte sacra sendo profanada. Taehyung mordeu o lábio inferior, a visão roubando seu fôlego por alguns segundos.
— Eu não vou ser o único nu aqui — Seokjin declarou, a voz recuperando um pouco de sua autoridade natural.
Ele se sentou na cama, com as pernas cruzadas de forma desleixada, e começou a remover o próprio moletom. Em seguida, suas mãos alcançaram a barra da camisa de Taehyung, retirando-a com calma antes de tocar a perna do mais novo, incentivando-o a ficar de pé. Taehyung obedeceu, levantando-se e livrando-se da calça e da cueca com uma eficiência.
Ficaram frente a frente, completamente nus. O pau de Taehyung estava molhado de pré-gozo, latejando em busca de atenção.
— Você já me viu nu antes — Taehyung sorriu, mas o brilho em seus olhos era diferente. Era o olhar de um homem que finalmente ia possuir o que mais desejava.
— Não é a mesma coisa, e você sabe — Seokjin retrucou, lambendo os lábios secos.
— Você nunca me olhou como se quisesse tanto chupar o meu pau — Taehyung deu um passo à frente, apoiando uma das pernas no colchão, posicionando sua ereção a centímetros do rosto de Seokjin. — Você pode, se quiser. Eu sou todo seu.
— Eu ainda tenho que cantar hoje... — Seokjin brincou, mas a resistência durou pouco.
Ele envolveu o caralho de Taehyung com as mãos, iniciando uma masturbação firme e rítmica que arrancou um gemido alto e gutural do mais novo. Com os olhos fixos nos de Taehyung, Seokjin inclinou-se e passou a língua pela cabeça inchada, circulando a ponta com uma destreza que fez os joelhos de Taehyung fraquejarem.
Uma das mãos de Seokjin desceu, abandonando o eixo para segurar as bolas de Taehyung, massageando-as com uma delicadeza que contrastava com a força da outra mão. Ele arrastou a língua por toda a extensão, descendo até as bolas, levando uma das esferas para a boca e sugando-a levemente.
Taehyung sentiu o mundo girar. Sua cabeça pendeu para trás, os olhos fechados em puro êxtase quando sentiu os lábios de Seokjin envolverem a cabeça do seu pau novamente. O movimento de sucção era profundo, rítmico, as mãos de Seokjin agora alternando entre segurar suas bolas e roçar as unhas de leve por toda a extensão do eixo, um toque fantasmagórico que o fazia tremer por inteiro.
Em um gesto final de possessividade e carinho obsceno, Seokjin envolveu a mão firmemente ao redor do pau de Taehyung e bateu-o suavemente contra a própria bochecha algumas vezes, sentindo o calor e o peso do outro contra seu rosto. O som do gemido de Taehyung, quebrado e desesperado, foi o gatilho final; Seokjin sentiu-se ainda mais duro, a luxúria transbordando enquanto ele se preparava para levar Taehyung ao limite.
— Jinnie, se você não parar agora, eu vou gozar na sua boca — Taehyung avisou com a voz rouca, os dedos enroscados com força nos fios da nuca de Seokjin, ditando o ritmo da sucção.
Seokjin soltou uma risada pequena e ofegante contra o membro dele, um som vibrante que reverberou direto no baixo ventre de Taehyung. Sem recuar, Seokjin envolveu o eixo com ambas as mãos — uma sobre a outra — e capturou a glande de volta para a boca. Ele trabalhou o comprimento com as mãos em movimentos de torção, subindo e descendo freneticamente, enquanto o som úmido e obsceno de slurping preenchia o quarto, denunciando a falta de fôlego e o excesso de saliva.
Antes que o orgasmo de Taehyung explodisse e sua garganta fosse castigada pela profundidade da invasão, Seokjin se afastou milímetros. Ele queria mais.
— Você vai gozar em mim, bebê — Seokjin sorriu, os lábios vermelhos e inchados. O contraste entre o rosto angelical e a forma devassa como ele acabara de acomodar o pau absurdamente grande de Taehyung em sua boca era o suficiente para enlouquecer qualquer um.
— Deita na cama. Agora — a ordem de Taehyung ecoou com um peso que fez o corpo de Seokjin obedecer por instinto.
Ele se jogou contra os lençóis, permitindo que Taehyung o manuseasse como bem entendesse. Com agilidade, o mais novo posicionou um travesseiro sob os quadris de Seokjin, elevando sua bunda e deixando sua entrada perfeitamente exposta e vulnerável. Seokjin abriu as pernas, o peito subindo e descendo em expectativa, mas Taehyung apenas o cercou, subindo sobre ele para um beijo carregado de segundas intenções.
— Você tem certeza? Eu acabei de te chupar... — Seokjin murmurou, sentindo o calor de Taehyung contra sua pele.
Em resposta, Taehyung deslizou os dedos até a própria glande, colhendo o pré-gozo brilhante que saia dali, e levou os dedos à boca, chupando-os lentamente enquanto mantinha o contato visual. A visão daquela autogratificação roubou o fôlego de Seokjin.
— E o que você acha de me beijar enquanto sente o meu gosto e o seu gosto se misturando nas nossas línguas? — Taehyung sussurrou antes de selar seus lábios.
Seokjin nunca desejou tanto um beijo. Era desleixado, úmido e desesperado; o rastro de saliva e pré-gozo no rosto de Seokjin agora borrava a pele de Taehyung, unindo-os em uma bagunça sensorial de fluidos e desejos. Quando Seokjin tentou erguer o quadril, buscando o contato direto entre seus membros, Taehyung o segurou firme contra o colchão, impedindo o atrito. Ele interrompeu o beijo, olhando no fundo dos olhos de Seokjin.
— Eu vou cuidar de você, hyung. Eu prometi.
Seokjin, incapaz de ficar parado, levou as mãos ao comprimento de Taehyung, tateando a extensão cheia de veias saltadas e sentindo o latejar do sangue sob a pele fina. Ele impulsionou o quadril minimamente, os dedos dos pés arrastando-se pelo lençol, bagunçando a cama em sua agonia por toque.
— Gosta disso, hyung? Gosta que eu provoque você enquanto você fica aí deitado, sendo a minha pillow princess? — Taehyung sibilou, usando as palavras para entorpecer Seokjin tanto quanto o toque.
O dedo de Taehyung desceu, arrastando-se com lentidão torturante pela fenda das nádegas de Seokjin até repousar sobre a entrada. Ele pressionou ali, sentindo a contração involuntária e faminta do músculo. Começou a mover o dedo em pequenos círculos, mapeando o contorno da entrada que piscava em um pedido mudo por preenchimento. Para Seokjin, era uma covardia ser provocado daquela forma quando estava tão desesperado para ser fodido.
Ele quis gemer alto, mas a consciência de que os outros membros poderiam acordar a qualquer momento o fez levar a mão à própria boca, abafando o som.
— Enfia seus dedos em mim... — Seokjin implorou, a voz manhosa e quebrada. — Um por um, Taehyung... até caberem quatro. Eu quero estar bem aberto para você.
Taehyung sorriu, uma expressão de pura possessividade.
— Sim, Senhor hyung. Como você quiser.
As mãos de Taehyung mapearam as laterais do corpo de Seokjin com uma urgência contida, subindo pelas costelas até que seus dedos encontrassem o relevo da coluna vertebral. A cada toque, Seokjin soltava um murmúrio melódico, balançando o quadril em um convite silencioso que fazia o sangue de Taehyung ferver.
Taehyung sorriu contra a pele alva e, em um impulso lúdico e possessivo, abriu as bochechas da bunda de Seokjin, cravando os dentes com força moderada na carne macia. O sobressalto de Seokjin veio acompanhado de um ofego ruidoso, seguido por uma risada rouca que vibrou entre eles. Taehyung selou a marca da mordida com três beijos estalados, batendo a palma da mão contra a pele de Jin com um som seco e carnal que ecoou pelo quarto.
Seokjin girou o pescoço, o rosto iluminado por um sorriso genuíno, deleitando-se com a adoração. Taehyung desceu o rosto, ignorando a entrada por um momento para se concentrar no cóccix, beijando o caminho até o espaço entre as coxas, onde capturou uma das bolas de Seokjin entre os lábios.
— Oh... — o suspiro de Seokjin foi um sopro de rendição enquanto Taehyung usava a língua para traçar uma linha úmida e firme desde o períneo até o topo de sua entrada.
O músculo de Seokjin contraiu-se instantaneamente, implorando por mais, mas Taehyung parou apenas para observar. A visão era arrebatadora: o homem mais cobiçado do mundo, entregue e aberto sob seu olhar, era um troféu que Taehyung queria fotografar com a alma.
— Você tem um olhar... — Seokjin sussurrou, a voz falhando — Ninguém nunca me possuiu só com os olhos desse jeito.
— É porque você é uma obra-prima, hyung. E eu vou apreciar cada detalhe.
Sem esperar, Taehyung pressionou a língua com força contra o anel avermelhado, lambendo-o com uma técnica voraz. Seokjin afundou o rosto no travesseiro, tornando-se uma bagunça de gemidos desconexos. Seus quadris moviam-se para trás, buscando mais daquela língua habilidosa, enquanto seu pau, duro como pedra, batia contra o próprio abdômen a cada espasmo de prazer. Taehyung percebeu, com um triunfo sombrio, que Seokjin era capaz de gozar apenas com aquela estimulação.
Taehyung afastou-se bruscamente, a necessidade de preenchimento tornando-se insuportável. Ele se levantou e caminhou até a mesa de cabeceira para pegar o lubrificante. Seokjin, ainda ofegante, não desviou os olhos por um segundo, apreciando o show particular: Taehyung, com uma perna apoiada na cama, o caralho latejando de pré-gozo enquanto ele o masturbava lentamente, derramando o gel transparente sobre os dedos.
— O seu pau... ele é tão grande. Eu não acho que já fui fudido por um desse tamanho — Seokjin admitiu, os olhos fixos na ereção de Taehyung.
Taehyung soltou uma risada curta e anasalada. — Você é uma rainha do tamanho, não é, hyung?
Seokjin não negou; apenas arqueou as sobrancelhas enquanto Taehyung voltava para entre suas pernas. O lubrificante gelado foi despejado diretamente sobre a entrada de Seokjin, e enquanto Taehyung se inclinava para calar qualquer protesto com um beijo profundo, ele deslizou o primeiro dedo.
— Puta que pariu... — Seokjin rompeu o beijo para buscar ar, os olhos arregalados — Faz tanto tempo, Taehyung.
— Quer que eu pare? — Taehyung provocou, mas já estava forçando o segundo dedo, separando as paredes internas com um movimento de tesoura que fazia Seokjin salivar.
— Mais um. Agora — Seokjin ordenou, a voz carregada de uma autoridade manhosamente submissa.
Taehyung obedeceu de pronto, acrescentando o terceiro e, logo em seguida, o quarto dedo. Ele sentia o interior de Seokjin quente e pulsante, as paredes abraçando seus dígitos com um desespero que o fazia perder a razão. Mais lubrificante foi adicionado, o líquido escorrendo para o interior totalmente preparado.
A paciência de Taehyung evaporou. Ele retirou os dedos de uma vez e, antes que pudesse se posicionar, Seokjin sentou-se bruscamente. Sem qualquer sinal de desconforto, Seokjin puxou Taehyung para um beijo faminto e subiu em seu colo, sentando-se sobre suas coxas.
— Porra... — Seokjin grunhiu, sentindo o caralho de Taehyung pressionado contra sua bunda — Esse seu pau... é uma loucura. Eu nunca vou me cansar de dizer o quanto isso é absurdo.
Seokjin apoiou as mãos nos ombros de Taehyung, usando o corpo do mais novo como suporte para rebolar em círculos lentos e torturantes sobre a cabeça do membro dele. A pele dourada e firme de Taehyung sob seus dedos parecia esculpida no próprio inferno, emanando um calor pecaminoso que Seokjin aceitava como uma benção.
— Delicioso — Seokjin sussurrou no ouvido de Taehyung, antes de morder a clavícula bem delineada do mais novo, sugando a pele até deixar uma marca arroxeada que contrastava com a perfeição do corpo dele — Tão... lindo.
— Me dá sua mão, Taehyungie — Seokjin pediu, a palma voltada para cima.
Taehyung entregou a mão, e Seokjin a guiou até seus próprios lábios. Ele segurou o queixo de Taehyung, forçando-o a olhar enquanto ele envolvia os dois dedos longos do mais novo com a língua. Seokjin chupou até a última falange, sentindo os dígitos contra sua garganta, encharcando-os de saliva com um olhar devoto e obsceno.
— Eu posso ser sua princesa lá fora, Taehyung — Seokjin murmurou, a saliva escorrendo pelo queixo enquanto ele encarava o outro com uma entrega total — Mas aqui, entre essas quatro paredes, eu sou apenas a sua puta. Me fode logo.
Seokjin estava perdido no ritmo. Sentado no colo de Taehyung, ele sentia cada centímetro daquele caralho latejando dentro de si, preenchendo-o de uma forma que o fazia se sentir completo e, ao mesmo tempo, perigosamente vazio toda vez que Seokjin subia no rebolado. Suas mãos apertavam os ombros de Taehyung, as unhas cravando na pele dourada conforme ele buscava equilíbrio naquela cavalgada desesperada.
— Você é tão... grande... — Seokjin arquejou, a cabeça pendendo para trás enquanto seus músculos internos abraçavam a ereção de Taehyung com uma força faminta. — Eu sinto você... em todo lugar...
Taehyung rosnou, as mãos subindo das coxas de Seokjin para suas costelas, apertando-as com uma possessividade bruta. Ele não aguentava mais o ritmo controlado; ele precisava de mais impacto, de mais resistência.
Sem interromper a penetração, Taehyung segurou firmemente a bunda de Seokjin, as palmas grandes servindo de suporte enquanto ele se levantava da cama com o mais velho nos braços. Seokjin soltou um gritinho agudo de surpresa, enlaçando as pernas com força ao redor da cintura de Taehyung e prendendo os braços em seu pescoço para não cair, sentindo o pau de Taehyung escorregar ainda mais fundo com a mudança de gravidade.
— Taehyung-ah! — Seokjin exclamou, a voz trêmula.
Taehyung não parou. Ele caminhou os poucos passos até a parede mais próxima, o peso de Seokjin parecendo não afetar sua determinação. Ele o prensou contra a superfície fria do gesso, o contraste térmico fazendo Seokjin soltar um ganido. Agora, o pau de Seokjin — que estava sem contato há muito tempo — foi esmagado entre seu próprio abdômen e o peito largo de Taehyung, uma pressão que o fez ver estrelas.
— Você disse que queria sentir no estômago, não disse, hyung? — Taehyung sibilou, a voz carregada de uma luxúria sombria. — Então aguenta. Eu quero que você sinta exatamente o tamanho do homem que você tentou ignorar por todos esses anos.
Taehyung ergueu uma das pernas de Seokjin, apoiando-a em seu quadril para abrir o ângulo. Com esse novo suporte, ele começou a socar o quadril com uma violência rítmica, atingindo a próstata de Seokjin com uma precisão devastadora. A parede vibrava com o impacto dos corpos, e o som da carne colidindo era a única coisa que Seokjin conseguia processar além do prazer avassalador.
— Gosta disso, hyung? Gosta que eu te foda contra a parede como se você fosse meu brinquedo? — Taehyung provocava, o dirty talk saindo sem filtros enquanto ele observava o rosto de Seokjin se contorcer em puro êxtase.
— Sim! Porra, Taehyung... me quebra... me marca... — Seokjin gritava, sem se importar com quem pudesse ouvir. — Me fode... me fode como se você me odiasse por ter esperado tanto!
Ele estava no limite. O atrito do seu próprio pau contra o peito de Taehyung e a parede nas suas costas, somado às estocadas brutas que pareciam alcançar sua alma, o levaram ao ponto de não retorno. Seokjin apertou o pescoço de Taehyung, escondendo o rosto ali enquanto seu corpo entrava em convulsão, gozando em jatos desesperados que escorreram entre seus ventres.
Segundos depois, Taehyung deu uma última estocada profunda, mantendo-se pressionado contra Seokjin enquanto sentia o próprio sêmen inundar o interior do outro, um batismo quente que selava o pacto que haviam feito em silêncio durante anos. Eles permaneceram ali, colados à parede, o único som sendo o das respirações ruidosas e o pulsar sincronizado de seus corpos agora finalmente unidos.
Taehyung agiu com uma agilidade protetora, desprendendo Seokjin da parede e carregando-o de volta para o epicentro da bagunça que haviam feito. Ele não deu a mínima para os lençóis embolados ou para a umidade que marcava o colchão; apenas deitou Seokjin com delicadeza, depositando um beijo estalado e demorado em sua bochecha ruborizada. Seokjin mal conseguia manter os olhos abertos, o corpo amolecido por uma exaustão deliciosa que parecia ter drenado cada grama de tensão de seus músculos.
— Sabe, Jinnie... minha ideia era ir com calma — Taehyung murmurou, a voz ainda rouca, enquanto seus dedos traçavam linhas aleatórias e suaves pelo abdômen de Seokjin. — Mas você é uma puta do caralho, hyung. Você me faz perder o controle em segundos.
Seokjin soltou uma risada anasalada, um som vibrante de quem finalmente se sentia leve. Ele abriu os olhos devagar, encontrando o olhar devoto de Taehyung, e deu um tapinha suave no colchão, sinalizando para que o mais novo se deitasse ao seu lado.
— Eu não sabia que seria assim — Seokjin confessou, a voz sumindo um pouco enquanto ele se acomodava no peito de Taehyung. — Eu passei anos reprimindo cada desejo, cada impulso. Eu nunca me permiti ser... tudo o que eu queria ser entre quatro paredes.
Taehyung parou o carinho, prestando atenção absoluta. Seokjin suspirou, o olhar fixo em um ponto qualquer do quarto iluminado pelo sol de Los Angeles.
— Você sabe como é, Tae. Fazer sexo sem ter uma conexão completa, sempre com aquele contrato de confidencialidade na gaveta da mesa de cabeceira... — Seokjin deu um sorriso triste e irônico. — É mecânico. É solitário, mesmo acompanhado. Mas com você... eu não precisei performar. Eu só precisei ser seu.
Taehyung apertou o abraço, beijando o topo da cabeça de Seokjin. Ele entendia melhor do que ninguém o peso daquela armadura que vestiam diariamente. O silêncio que se seguiu não era desconfortável; era o som de duas almas finalmente descansando.
Taehyung fechou os olhos, aproveitando os parcos minutos que restavam antes que o despertador os arrancasse daquela bolha, forçando-os ao banho rápido e à máscara de ídolos impecáveis. Mas, por enquanto, ali naquela cama bagunçada, eles não eram o BTS. Eram apenas dois homens que haviam descoberto que a liberdade tinha o gosto do beijo um do outro.
baby, what you want? baby, what you need?
Quando Taehyung despertou novamente, o sol de Los Angeles já inundava o quarto, mas um frio súbito atingiu seu peito ao tatear o lado vazio da cama. Seokjin não estava lá. O pânico, alimentado por anos de insegurança, subiu pela garganta. Ele foi embora?Depois de tudo o que dissemos… ele simplesmente me deixou aqui? Taehyung engoliu o nó seco que se formou em sua garganta, lutando contra a vontade de desabar.
Ele se forçou a levantar, movendo-se no automático. Tomou o banho mais rápido de sua vida e, em um gesto de quem queria apagar as evidências de sua vulnerabilidade, recolheu os lençóis bagunçados e os jogou no cesto, sem coragem de olhar para o celular ou para as horas. Ele só queria descer e encarar a realidade, por mais dolorosa que fosse.
Ao chegar no primeiro andar, o som de risadas e o tilintar de talheres o atingiram. Na cozinha, o cenário era puramente doméstico: Jungkook estava envolto nos braços de Jimin de um jeito que deixava claro que as câmeras estavam desligadas — e que ali, entre eles, não havia necessidade de máscaras.
— Finalmente a Bela Adormecida resolveu aparecer! — Jungkook provocou, exibindo um sorriso vitorioso.
— Taehyung, venha comer logo — Yoongi chamou com um aceno, embora seus olhos estivessem semicerrados em diversão. — Estamos aqui há uma hora e você não descia nunca.
— Hyung, você precisa entender que o nosso Taetae trabalhou dobrado esta manhã. — Jimin comentou, apoiando o rosto nas mãos com uma expressão de falsa inocência que contrastava perfeitamente com o veneno lúdico de suas palavras.
— Pois é, ele e o Seokjin hyung acordaram a gente com um festival de gritos. O hyung é bem vocal, não é? — Jungkook completou, escondendo o rosto no pescoço de Jimin enquanto Yoongi e Hoseok caíam na risada e Namjoon os encarava em um estado de choque claramente fingido.
— Me poupem, vocês dois! — Seokjin finalmente se manifestou, a voz firme mas tingida de um rubor inegável. — Todo mundo aqui já foi traumatizado de forma muito pior por vocês!
— É, mas não fomos nós que fomos ouvidos gritando o quanto amamos o pau enorme do Tae! — Jimin rebateu, vitorioso, fazendo a cozinha explodir em gargalhadas.
Seokjin ficou vermelho como um pimentão, mas Taehyung, sentindo o peso sair dos ombros ao ver que Seokjin ainda estava ali, apenas riu.
— O quê? Eu não vou discordar. É a mais pura verdade — Taehyung declarou, caminhando finalmente até a mesa.
Ele se sentou ao lado de Seokjin, que imediatamente se ajustou para dar espaço ao seu corpo. Seokjin inclinou-se e depositou um beijo terno em sua bochecha, sussurrando um bom dia rouco que só Taehyung pôde ouvir.
— Fofos — Yoongi comentou, voltando para sua refeição.
— Fofos? O hyung deveria me ajudar a controlar esses dois — Namjoon apontou para Jimin e Jungkook — mas agora ele vai ser pior que eles com o Taehyung.
— O que existe de diferente com essa vocal line? — Hoseok divagou, divertido. — Eles não podem ficar juntos por muito tempo que... — Ele juntou as mãos, simulando beijos barulhentos, arrancando mais risos de todos.
— Bem — Seokjin começou, assumindo um tom mais sério enquanto olhava de soslaio para Taehyung, que assentiu positivamente — Sabemos as regras. E sabemos o que fazer daqui pra frente.
— Acho que, a esta altura, todos temos experiência de sobra com segredos — Namjoon concluiu com a sabedoria de líder.
— Amor, eu sabia que um dia todos seriam gratos a nós por abrirmos o caminho — Jungkook sorriu para Jimin, que beijou sua bochecha em concordância.
— Agora, se puderem parar de falar da minha vida sexual, eu gostaria de cinco minutos de paz antes do trabalho — Seokjin pediu, levantando-se e guiando Taehyung para o jardim.
O sol de Los Angeles estava escaldante, mas nenhum deles se importou. Eles caminharam até a beira da piscina e deram as mãos, os dedos se entrelaçando com naturalidade.
— Eu pensei que você tinha ido embora quando acordei e vi o seu lugar vazio — Taehyung admitiu, a honestidade brilhando em seus olhos escuros.
— Oh, meu bebê... — Seokjin sorriu, e para Taehyung, aquele sorriso brilhava mais que qualquer luz da Califórnia. Ele soltou a mão de Taehyung apenas para envolver seu pescoço. — Não. Eu acordei com o barulho do Jungkook no corredor e aproveitei para tomar um banho... você sabe... para tirar as evidências.
Seokjin riu, o rosto ficando vermelho novamente. Taehyung sorriu, envolvendo a cintura dele com firmeza.
— Você contou tudo a eles?
— O Jimin e o Jungkook ouviram o que quiseram ouvir, e eu não neguei nada. Você queria que eu tivesse negado?
— Não. Eu ainda não sei exatamente o que temos, mas não quero ser um segredo para a nossa família.
— Então me deixa te levar para um encontro — Seokjin pediu, a voz doce e carregada de promessa. — Me deixa te chamar de namorado. Me deixa te provar que, por anos, eu te amei no silêncio da noite… e que agora podemos nos amar sob o sol.
Taehyung sentiu o sorriso quadrado dominar seu rosto enquanto Seokjin o cobria de beijinhos rápidos.
— Você aceita, meu bebê? Deixa o hyung te mostrar que só ele te conhece de verdade? Que sabe exatamente o que você quer e o que precisa?
— Você é o meu sol, hyung — Taehyung o encarou com uma devoção absoluta.
— Engraçado... costumam me chamar de lua — Jin brincou.
— Não — Taehyung negou com a cabeça, sério. — Em dias escuros, eu não busco a lua. Eu busco o sol. E você é o meu sol, Seokjin. Eu te amo.
I wanna go home, where you are. where the grass grows and the stars set
— Eu quero ir embora!
Seokjin já havia perdido a conta de quantas vezes anunciara sua exaustão, mas o som da música e o foco absoluto dos outros membros pareciam abafar sua voz. O grupo estava imerso na prática da nova coreografia, ajustando cada ângulo para o comeback, mas as pernas de Seokjin já estavam dormentes. Ele tinha sido o primeiro a chegar ao estúdio, horas antes de Hoseok, entregando cada fibra de sua energia ao ensaio.
Ele estava no seu limite físico, mas o espírito estava leve.
— Kim Taehyung, eu vou trancar você do lado de fora! — ameaçou, tentando soar severo.
— Só mais cinco minutos, hyung! — Taehyung respondeu, sequer desviando o olhar do espelho enquanto ajustava o tempo do passo com Jimin.
Seokjin suspirou, um sorriso contido brincando em seus lábios. Ele aceitou seu destino e simplesmente se deixou cair no chão da sala de prática, fechando os olhos. O piso frio era um alívio contra suas costas aquecidas pelo esforço.
— Você finalmente se sente em casa?
Seokjin não precisou abrir os olhos para identificar a voz de Jungkook ao seu lado.
— Como assim, Kookie?
— Você me disse, lá em Los Angeles, que não se sentia em casa... que não estava feliz — Jungkook o lembrou, sentando-se no chão próximo a ele. — E agora? Você se sente em casa?
Seokjin abriu os olhos lentamente, virando o rosto para encontrar o olhar sereno e sorridente de Jungkook.
— Eu sou seu hyung, mas parece que você já tinha essa resposta antes mesmo de mim, não é?
— Eu entendi que amava o Jimin e agarrei essa chance com todas as minhas forças — Jungkook admitiu com uma maturidade que sempre surpreendia os mais velhos. — Eu escolhi ser feliz. Amar e ser amado. Você só demorou um pouco mais para entender que não existia problema em amar o Tae hyung.
— Você veio aqui me criticar, moleque? — Seokjin brincou, erguendo uma sobrancelha.
Jungkook riu, balançando a cabeça. — Não, só queria confirmar se eu estava certo.
Seokjin olhou além de Jungkook. No reflexo do espelho, capturou o olhar de Taehyung. Mesmo exausto e suado, o mais novo sorriu para ele — um sorriso cúmplice, cheio de segredos compartilhados e promessas cumpridas — antes de voltar a se concentrar no trabalho.
— Eu sempre achei que minha vida seria como a da lua — Seokjin começou, a voz baixa e reflexiva. — Brilhando em um céu solitário, cercado por estrelas que me iluminavam, mas nunca podiam me tocar de verdade.
— E agora?
— Agora eu sei que não sou solitário. Eu e o Taehyung estamos caminhando juntos sob o sol. Quando as coisas ficam difíceis, ainda estamos lá, um pelo outro, felizes no que realmente importa.
Jungkook assentiu, satisfeito. Era a confirmação que ele buscava.
— Sabe, hyung... se você quiser pedir meu melhor amigo em casamento, eu te dou a minha bênção.
Seokjin sentou-se num salto, a indignação fingida voltando com tudo. — Eu sou o hyung aqui!
O que se seguiu nos minutos seguintes foi a visão clássica do caos da vocal line: Seokjin correndo pelo estúdio atrás de um Jungkook que gargalhava, enquanto os outros membros, sentados e exaustos, assistiam à cena rindo. Ali, entre o suor do ensaio e as piadas internas, Seokjin finalmente entendeu.
Ele não precisava mais se esconder nas sombras ou na frieza de um contrato. Ele tinha o sol ao seu lado. Ele estava, finalmente, em casa.
