Chapter Text
Foi na sua décima primavera que Arella viu um pardal morrendo.
Ela tinha ido à floresta só para passar o tempo. Infelizmente ela não tinha amigos para brincar, então o jeito era vagar sozinha.
O som das folhas se bate e os pássaros lhe agradam. A faz sentir-se menos sozinha.
Sua cabecinha estava acima do pássaro. Os cabelos brancos estavam ao redor dele, o impedindo de ver outra coisa. Ela usava um quimono esfarrapado, era o único que ela tinha.
Antes de ser encontrada, a garota estava vagando sem barcos. Só o encontrei porque o senti, como um chamado que não dá para negar.
Ele era um filhote, tinha bastante sangue nele. O pardal se debate demonstrando sua dor.
Ela presumiu que provavelmente ele tentaria voar, mas tinha falhado. Agora sua morte era iminente.
Invés da Arella ficou horrorizada, ela estava curiosa. Ela nunca tinha visto um ser morrido antes, então para ela essa experiência era única. Aos olhos negros da garota, o pardal começou a se debater cada vez menos até ficar parado.
Ela inclinou a cabeça de lado.
Finalmente morreu?
Ela levanta sua mão fina mas um arrepio na nuca a para. A garota olha ao redor, mas não tem nada. Os únicos seres ali eram ela e os animais. Provavelmente poderia ter sido um predador.
Arella volta a atenção ao pardal e o toca com um dedo, e ele começa de novo a se debater.
Estranho , pensou Arella. Jurava que ele estava morto…
Ao tocar de novo ele para se mexer. A garota começou a tocar, o pardal se debateu e parava repetidas vezes.
O rosto da Arella aos poucos começa a dar um sorriso grande. Ela tinha acabado de encontrar uma nova brincadeira, só dela.
"Querida?" chama uma voz doce
A voz que a chamou era de uma mulher jovem. Ela usava um quimono, mas muito mais esfarrapado que a da Arella. Ela coloca um fio de cabelo preto atrás da orelha, olhando para trás. Quando vê a garota agachada, seus olhos de cor prateado ficam sérios e anda até ela.
Vendo a mulher chegar, a Arella sente suor em seu pescoço. Ela se levanta tentando esconder o pássaro atrás de si.
"O que eu disse sobre andar na floresta?" repreendeu Emi. "Faz ideia do quanto estou preocupado"
"Desculpa mãe… eu"
Um som de pássaro a interrompeu. Emi franziu as sobrancelhas ao escutar. Arella fica na ponta dos pés, tentando desviar a atenção.
"Querida" disse Emi
"Sim?"
"Você não quer me contar algo?"
"Não." atrás de Arella o pardal pia
"Sério?"
A garota vai dizer outra mentira, mas sabe que não é o certo. Sua mãe lhe ensinou que é errado mentir. Ela sentiu que a mulher em sua frente sabia que escondia algo. Então, relutante, ela anda para o lado.
Emi se mudou e viu que tinha um passarinho no chão. Ela se agachou para pegar o pássaro em suas mãos.
“Coitadinho… deve ter caído do ninho” lamentou Emi. "Podemos colocá-lo de volta."
"Por quê?"
Emi encara sua filha com sobrancelhas franzidas.
"Se ele caiu é para ser assim. Hoje ele tem que morrer." explica Arella
Um silêncio parou. Emi olhou para Arella com olhos arregalados. Ela começou a respirar fundo tentando encontrar palavras certas.
"Não precisa ser assim" Emi estava segurando o pardal com mais cuidado. Ela falou um pouco as mãos para mostrar pra Arella. "Viu? Ele está vivo , não morto."
"O que adiantaria? Ele está muito machucado, vai morrer uma hora ou outra, só estaria adiando."
Emi franziu as sobrancelhas, ela olhou para o pardal confuso. Ela começou a tocar delicadamente no passarinho, verificando as suas asas.
" Ele está bem, querida. Só tenho um pouco de sangue, mas não tenho nenhuma ferida…"
Arella pisca os olhos. Ela olha de novo para o pardal, agora mais relaxado nas mãos de sua mãe.
"Filha" Chamou Emi, ela colocou sua mão direita no ombro da Arella. "Se você puder ajudar alguém, ajude. Olha esse pardal, ele pode morrer se o deixarmos aqui, mas se o levarmos para o ninho ele vai sobreviver."
Arella não entendeu o que ela queria dizer. O certo seria deixar o pardal ali. Afinal, se ele caiu da árvore seu destino é a morte. Os predadores deveriam pegar aquele pássaro e devoralo. Contudo, ela sabia que sua mãe era gentil demais para deixar isso acontecer. Só de pensar no rosto triste que ela teria…
"Tá…" Disse Arella olhando para o pardal. "Então… temos que colocar ele no ninho?"
Emi invejosa e deu um beijo na testa da Arella. Ela se levanta, colocando o pardal dentro do quimono, começando a observar as árvores, procurando algum ninho.
"Agora, a mamãe aqui vai te mostrar minha grande habilidade!" Emi vai em uma árvore e começa a escalar.
Arella observava sua mãe, que escalava a árvore com uma grande maestria. As vezes ela se perguntava se era realmente filha dela. A personalidade delas são completamente opostas.
Após sua mãe colocar o pardal no ninho, ela desceu com cuidado. Emi pegou a mão de Arella e começou a caminhar de volta para casa.
"Querida, espero que tenha aprendido a lição." disse Emi "Não há problema em ajudar os outros, mesmo que esteja indo contra…"
"O destino." completou Arella
Emi não respondeu. Ela abriu a mão da sua filha enquanto cantava. Arella começou a cantar junto com sua mãe, acompanhando seu ritmo.
Arella deu um sorriso genuíno enquanto sua mãe suava nas mãos.
