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Kimi estava bem. De verdade.
Era só uma dor idiota em seu joelho depois do jogo de padel quinta à noite.
Ele só estava tomando mais cuidado ao andar, não colocando todo o peso de seu corpo no joelho sensível.
Mas ele estava bem.
E o TL2 tinha sido bom. Eles estavam testando os pneus macios, ele se sentia confiante, a aderência era boa, e ele estava fazendo um bom trabalho em administrá-los.
Ele tinha ficado em 3° lugar fazendo o melhor tempo. O que era bem legal. Ele sabia que tinha feito um bom trabalho, e estava orgulhoso de si mesmo.
— Tempo finalizado, Kimi. Volte pro box. — A voz de Bono surge pelo rádio.
E assim ele faz, dando mais um volta no circuito conseguindo virar para o pitlane, terminando mais uma sessão de treino.
Assim que o carro é posto para dentro da garagem, alguns mecânicos o cercam, o ajudando a retirar todos os aparelhos para que ele consiga sair do carro.
Suas duas mãos seguram firmemente o halo e Kimi se impulsiona para cima, se levantando.
Mas no segundo em que ele está de pé, o lado direito de seu corpo treme de dor. O joelho que antes estava levemente sensível agora pulsava e queimava.
Por alguns segundos é a única coisa que Kimi sente, ela toma conta de todos os seus sentidos.
— Tudo bem garoto? — Um dos mecânicos pergunta tirando Kimi daquela névoa pesada de dor, mas ela ainda estava ali, quente e sufocante.
— Sim — Kimi responde fazendo o máximo para manter a voz calma. Graças a Deus ele não tinha tirado o capacete.
Ok. Estava tudo bem. Ele provavelmente tinha levantado rápido demais, ele só precisava chegar até seu motorhome e colocar um pouco de gelo nele, e pronto, problema resolvido.
Kimi se move devagar, colocando uma perna de cada vez para fora do carro, fazendo uma leve careta assim que a esquerda alcança o chão porque mais um choque de dor o faz tremer, mas tudo isso passa despercebido por todos ao seu redor e ele fica grato.
Ele precisa dar o fora dali sem ninguém perceber que ele sumiu.
Na mesma hora um grupo de seis mecânicos fazem uma parede ao lado dele, então é fácil Kimi dar alguns passos e chegar até os fundos da garagem que estava vazio.
Ele tira o capacete rápido, conseguindo respirar melhor. Seu estômago estava começando a embrulhar por conta da dor.
Ele fica alguns segundos respirando fundo. Inspirando e soltando. Está tão focado nisso que nem percebe alguém se aproximando por trás.
— Sua saída na curva 16 foi incrível. Como você fez aquilo? — Era George. Ele logo surge ao seu lado, o olhando com aqueles olhos azuis brilhantes e cheio de energia.
— Mudei alguns centímetros do ponto de frenagem. — Kimi fala tentando manter o tom de voz neutro mas ele treme de dor mais uma vez.
— Kimi? Tá tudo bem? — George pergunta com os olhos agora cheio de preocupação.
— S-sim, eu só estou um pouco cansado.
George não compra a resposta dele nem por um segundo. Esse garoto é ligado no 220, vinte e quatro horas por dia, um treino de 50 minutos não o deixa assim.
George examina Kimi de cima a baixo com os olhos, ele é atento a cada centímetro do corpo do garoto mas assim tudo está perfeito, nada fora do lugar, mas George percebe a boca dele ficando cada vez mais pálida, e uma leve camada de suor surgindo em sua testa.
— Kimi-
— Eu só preciso ir pro meu motorhome.
Kimi fala tentando se desvencilhar da atenção do outro piloto, ele tenta se afastar de George andando para longe mas não consegue dar mais de dois passos. O choque de dor o atinge pior dessa vez o fazendo perder o equilíbrio.
— Merda.
Kimi solta alcançando a parede mais próxima para não cair.
George é rápido ao alcançar levando uma mão a sua costas e outra ao seu braço, segurando todo seu peso.
— Tá tudo bem, eu te ajudo.
Kimi está tão atordoado pela dor que nem percebe seu braço sendo posto nos ombros de George, ao mesmo tempo que o piloto mais velho tenta ajudar ele a continuar andando.
— Kimi.
George o chama, mas o garoto não responde, parece que ele nem está o escutando.
— Kimi!
Ele tenta mais uma vez.
— Fala comigo, garoto.
George assiste Kimi piscar meio atordoado ao mesmo tempo que tenta falar. Ele precisa de mais algumas tentativas, mas enfim consegue falar em uma voz baixa.
— Meu joelho.
— Eu vou te levar pro centro médico, tá bom? Vai ficar tudo bem.
George segura firme o braço dele, e cintura, e tenta dar alguns passos ao mesmo tempo que precisa carregar Kimi, mas parece que eles não vão chegar a lugar algum assim.
George olha a sua volta desesperado, e chama a primeira pessoa que ele vê em seu campo de visão.
— Max!
Max olha pro lado, quase ofendido do porque caralhos George Russell está gritando por ele? E porque tem um rookie desmaiado em seus braços?
Max nem percebe mas já cruzou metade da distância que estava dos dois, e se aproxima de um George assustado e preocupado.
— Ele tá morrendo? — Max fala meio grosso mas não de verdade é só o jeito estranho que ele fala.
Max não estava realmente preocupado, esse rookie tinha um time de mil pessoas pra fazer esse trabalho, mas porque caralhos ele estava tão pálido?
— Ele está com dor, e precisa ir pro centro médico. Me ajuda. Coloca o outro braço dele no seu ombro.
E Max faz exatamente o que George manda.
— Tá tudo bem, Kimi. Já estamos chegando.
George fala no mesmo tom que Max viu sua irmã falando com seus sobrinhos.
Metade das pessoas que eles encontraram no caminho até o centro médico os encaravam curiosos. Max podia apostar que em menos de 10 minutos isso ia parar em todos portais de notícias, mas foda-se isso não importa agora.
— A gente precisa de ajuda aqui. — Max grita assim que abre a porta da estação médica.
E tudo acontece rápido demais.
Kimi é posto em uma maca, Erin, a médica que os acompanha em grande parte da temporada aparece.
— Kimi, a doutora Erin está aqui. Você pode contar pra ela o que está sentindo?
George pergunta parado ao lado do garoto.
— Meu joelho. Ele começou a doer ontem a noite. Não era nada demais. Mas agora é como se a minha perna inteira estivesse esmagada.
Kimi conta chateado, com a voz embargada, levando o braço até os olhos o tampando.
— Ok. Eu vou te dar alguma coisa pra dor, mas antes eu preciso te examinar primeiro, tudo bem?
Kimi responde com um aceno tímido.
Max assistiu o garoto se encolher na maca quando a médica o tocou. Ele faz uma careta, não gostando da cena, mas não se aproxima como George que leva a mão pro cabelo do garoto. Mexendo nele carinhosamente, com cuidado. Sussurrando promessas de que tudo ficaria bem.
— Bom, podemos descartar qualquer tipo de lesão, acredito que seja apenas uma dor por atividade física intensa. Você correu por muito tempo essa semana, Kimi?
— Sim.
Kimi responde.
— Você estava com dor desde do jogo e não falou nada?
George pergunta.
— Eu não achei que fosse tão ruim.
Kimi responde baixinho quase como se estivesse com vergonha.
— George — Max o chama em um sussurro. Assim que ele tem a atenção do outro piloto, ele negou com a cabeça, como se dissesse, agora não.
E George entende. A pequena discussão é encerrada, e Erin consegue voltar a cuidar de Kimi.
Poucos minutos depois uma intravenosa está presa na mão de Kimi, ao mesmo tempo que uma bolsa de gel quente é posta em seu joelho. Ajuda a aliviar a dor, Erin disse. E agora era um Kimi completamente sonolento deitado na maca.
E mesmo que Max teimasse em admitir ele estava aliviado em ver cor voltar pro rosto do rookie.
— Meu deus, o Toto vai me matar. — George fala olhando pras horas no relógio em seu pulso. — Eu tinha que falar com a SkySports a dez minutos atrás.
— Vai! — Max fala se aproximando da maca pela primeira vez desde que chegou. — Eu fico com ele e levo ele de volta pro hotel.
— Você tem coisas pra fazer também, Max.
— Tá de brincadeira? Você vai estar me livrando de ter que falar com mais pessoas do que o necessário.
— Isso não é justo, você não gosta de falar com ninguém.
— Você vai ficar discutindo comigo ou vai dar a droga da sua entrevista?
— Tem certeza? Eu posso pedir pra alguém do time vir.
— George, eu cuido dele. Dá o fora daqui.
George o encara por alguns segundos, depois olha para Kimi, quase com pesar de deixar o garoto ali.
— Ei, tudo bem se o Max te levar pro hotel?
Kimi pisca algumas vezes, devagar, e meio desfocado, mas de completo sono agora. O que é meio fofo, George pensa.
— Tudo bem. — Kimi responde em um sussurro.
George volta a acariciar seu cabelo bagunçado com carinho.
— Qualquer coisa é só me ligar.
George fala se dirigindo para Max agora.
— Eu sei.
— Ele não gosta de ficar no escuro, então deixa alguma luz no quarto dele acessa.
— Tá bom.
— Ele só dorme com o ar ligado.
— George, dá o fora daqui.
