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Pat e Pran - FOFURRY

Summary:

O que aconteceria se o Pran gato e seu vizinho, Pat cachorro, precisassem passar algum tempo juntos?

A ideia de FOFURRY surgiu por causa da FOFURA destes dois desenhos:

https://x.com/yui_panda09/status/1723974026186604921

https://x.com/yui_panda09/status/1792164744243171751

Por favor, vão lá curtir e deixar uma mensagem de amor e carinho!!!!

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Nunca achei que fosse conseguir escrever uma one shot e espero que vocês gostem.

Work Text:

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Pran piscou algumas vezes e se esticou sobre o colchão, ficando de barriga para baixo. Com calma, ele enfiou as unhas na cabeceira da cama, empurrou o quadril para trás, como se fosse sentar sobre os calcanhares, e alongou as costas.

Ele sentou na beirada da cama de cima e deixou as pernas balançando para fora enquanto esfregava os olhos. Bocejando e com o olhar perdido pela vista da janela, Pran viu, sem querer, o vizinho dormindo com os braços abertos e a barriga exposta, vestindo somente um short curto que se enrolava em uma das coxas.

Com um pulo suave, Pran desceu da cama alta, se espreguiçou mais uma vez e desviou da terceira cama, que parecia um grande puff redondo, antes de entrar no banheiro e trancar a porta.

Toda vez que ia tomar banho, ele agradecia por não precisar usar a própria língua como seus antepassados faziam. Por mais limpo que fosse, por mais macia e fofinha que fosse sua pelagem, ele não sentia vontade de lamber determinadas áreas do seu corpo.

A família de Pran era descendente de felinos e, assim como boa parte das pessoas, sua pelagem era bem curta e fina no rosto, tórax, costas, pernas e braços, sendo um pouco mais espessa e volumosa na cauda, nas orelhas e na virilha.

Os mais velhos, como seu pai, por exemplo, preferiam deixar os cabelos um pouco mais compridos do que a pelagem do corpo. Por outro lado, os adolescentes gostavam dos cabelos longos, quase cobrindo os olhos. Pran era um deles e ainda tinha pintado de loiro para combinar com seu rosto branco e fazer um contraste com suas orelhas pretas.

Ele tinha um certo orgulho de como seus pelos pretos ficavam alinhados em sua cauda e orelhas, bem diferente de algumas outras espécies, inclusive de gatos, que tinham pelos longos, espalhafatosos e que embaraçavam com facilidade.

Enquanto se enxugava, ele olhou pela janela, e Pat ainda dormia no tapete grosso que a família usava como colchão. Seus pelos curtos tinham uma cor amendoada clara, mas seu rabo e orelhas eram de um amarelado escuro, quase marrom.

Ele tinha virado de lado e mexia uma das pernas, como se estivesse sonhando com uma corrida, até mesmo seu rabo amarelado e peludo se agitava com o que quer que se passasse em sua cabeça canina.

Pran fechou a cortina e suas orelhas se moveram para trás, sinalizando sua irritação.

O vizinho e a irmã sempre corriam pelo gramado do quintal, pulando um sobre o outro e fazendo barulho, provavelmente era com isto que ele sonhava.

Diferente da casa ao lado, o quintal de Pran tinha muitas árvores, pois sua família gostava de afiar as unhas sempre que podia, além de ser um excelente jeito de se alongar. Ao pensar nisso, ele enfiou as unhas no arranhador que ficava ao lado da porta e se esticou mais uma vez.

Do andar debaixo, vinha um cheiro de mingau de leite delicioso, especialidade da sua mãe, e sua barriga roncou.

Pat sentiu os pelos das suas costas eriçarem e rosnou, tentando defender duas crianças estranhas e sem rabos de um vulto assustador e de dedos longos¹. Ele tentou avançar sobre o ser fantasmagórico, mas havia alguma coisa no ar que dava choques e o impedia de se aproximar.

Assim que abriu os olhos, ele levantou em um pulo, assustado com o pesadelo que estava tendo e chacoalhou a cabeça como se quisesse se livrar da sensação ruim que parecia vir de um outro mundo.

Ao se acalmar, ele apoiou as mãos no chão, ergueu o quadril com o rabo apontado para o teto, espreguiçou e bocejou.

Seu banho foi rápido e ele tomou cuidado para não molhar o rabo, pois não teria tempo para secá-lo e sua mãe sempre dizia: rabo molhado, fedor espalhado.

Ele desceu as escadas correndo, já com sua mochila nas costas, pegou uma coxa de frango e saiu rapidamente, sem nem ao menos parar para cumprimentar a mãe (nem ouvir reclamações dela pelo seu atraso) e foi para a escola.

Pat roía uma parte do osso que ainda tinha nas mãos quando viu uma cauda balançando e pequenas orelhas pretas voltadas para frente, atentas ao celular.

Todos os alunos usavam o mesmo uniforme, bermudas escuras e camisa branca, mas Pat reconheceria aquele rabo com pelo preto e brilhante em qualquer lugar. Animado com a distração dele, Pat jogou o osso fora, lambeu as mãos e depois limpou o restante na calça. Tentando não fazer barulho, ele se aproximou lentamente; era só ficar atento às orelhas, se elas não se virassem, Pran não perceberia sua chegada.

Seus olhos estavam fixos nas orelhas da sua presa, seus pés tocavam com leveza o chão e ele tentava manter sua respiração baixa, mas a excitação do que pretendia fazer o impedia de manter a boca fechada, porque seu sorriso aumentava a cada passo que dava.

Um passo e ele pegaria o vizinho.

Um passo a mais seria suficiente, mas as orelhas dele torceram para trás, obrigando Pat a antecipar seus planos.

“AaAAaaaAa!” Ele pulou, gritou na orelha de Pran e correu.

Pran saltou para o lado e bateu contra o muro. Por causa do susto, seu celular voou de suas mãos, seus olhos arregalaram, seus dentes ficaram à mostra, e seu rabo, antes liso e bem alinhado, ficou tão eriçado que dava para ver sua pele branca por baixo de todo o seu estufamento.

Com o coração disparado, Pran viu Pat se afastar em alta velocidade com aquele maldito rabo abanando e se virando de vez em quando para sondá-lo, feliz pelo que tinha feito.

Assim que se acalmou um pouco, Pran pegou o celular do chão e notou que o aparelho não ligava. Furioso, ele correu atrás do seu vizinho vira-lata.

Quando passou pelo portão de entrada da escola, todos os alunos notaram que sua raiva crescia a medida que todos os pelos do seu corpo arrepiavam.

Do outro lado do pátio, Pat ria com os amigos e o olhava com deboche.

Pran avançou com dentes e garras à mostra e Pat se encolheu, assustado com o ataque aparentemente violento. No último segundo,  Pran retraiu as unhas e acertou um soco no nariz do vizinho. Ele não era um gato vadio que brigava arranhando os outros e não daria esse desgosto para sua família.

O soco de Pran tinha sido forte e Pat caiu de costas no chão. Seu primeiro impulso foi passar o dorso da mão pelo nariz e, ao notar que não havia sangue, ele levantou e tentou atingir Pran com um chute. Pat sabia que o vizinho era rápido, mas não contava que ele teria tanta agilidade.

Pran pulou para o lado, bateu os pés no muro e saltou por cima de Pat, antes de cair elegantemente de pé, recebendo aplausos dos colegas.

Os dois se encaravam, preparados para um novo embate quando sentiram o cheiro forte do diretor Skunk² se aproximando. Ele agitava seu rabo de espanador branco e preto pelo caminho e exalava o aroma da sua raiva.

Com as orelhas baixas e os rabos entre as pernas, os filhotes repreendidos caminharam para a sala da detenção após a aula. Eles nunca tinham passado por isso antes.

Pat estava particularmente magoado com seu comportamento, pois sempre foi um bom garoto e, por mais brincalhão que fosse, nunca tinha recebido nenhum tipo de repreensão. Ele não era um filhote de esquilo agitado, mão leve e desatento. Ele era fofo e obediente.

Quem era o bom garoto? Ele!! Ele era o bom garoto!!

Se não fosse por Pran e seu mau humor, ele não estaria aqui.

Os dois pararam na porta da sala e observaram seu interior, depois se encararam mais uma vez e olharam para sala novamente: só restavam dois lugares, um a frente do outro.

Pat se jogou na direção da porta, abrindo as pernas e os braços para impedir a passagem de Pran e correu para pegar o primeiro lugar. Ele não iria ficar olhando para aquelas orelhas pequenas e bobas a tarde toda.

A vontade de Pran era pular por cima de Pat, mas ele já tinha tido problemas demais por um dia. Ele sentou e recebeu a lista de exercícios que deveria fazer.

Pat erguia suas orelhas peludas e inclinava um pouco a cabeça ao ler os exercícios sem saber que isso tirava a concentração de Pran. Este comportamento não era proposital, mas ao ouvir Pran bufar atrás dele, Pat abanou o rabo involuntariamente.

Não era educado balançar o rabo estando tão perto de outra pessoa, mas Pat não se importou. Ele sentia que batia na folha que Pran escrevia e imaginava como deveria estar a cara contrariada e ofendida dele.

Na mesa de trás, Pran agitou ainda mais seu rabo e o bateu com força no chão, quando uma de suas folhas foi empurrada.

“Algum problema, Parakul?” O professor com olhos de raposa velha perguntou.

Pat se encolheu e ouviu Pran dizer que estava só se ajeitando, embora a ponta da sua cauda ainda se movesse freneticamente sinalizando seu nervosismo.

Assim que o professor voltou a ler seu livro, o rabo de Pat espalhou os papéis de Pran novamente.

Ele os juntou,  puxou sua mesa para trás e deitou a cabeça sobre eles, tentando protegê-los com seu corpo. Por causa disso, a cauda de Pat alisava sua cabeça agora.

Pran baixou as orelhas e pensou que era muita falta de educação não cuidar do próprio rabo.

O que se podia esperar de um cachorro? Nada! Seus pais tinham razão: os vizinhos eram animais!!

Pat e seu rabo peludo, comprido e indomável!

Quando ele batia da direita para esquerda, isso o irritava muito!

Quando batia da esquerda para direita, o irritava demais!

Era tão perturbador sentir que Pat alisava sua cabeça.

Era chato!

Era como se ele acariciasse seus cabelos.

Maldito rabo comprido.

Peludo e macio.

E fofo.

Tão fofo!

Tão agradável.

Pran nunca admitiria, mas era gostoso, tão gostoso, que o deixou sonolento.

Sem se dar conta, Pran ronronou baixinho e, surpreso com o que fez, deu um leve salto na cadeira.

“Ainda não conseguiu se ajeitar, Parakul?” O professor perguntou de novo.

Pran se desculpou e verificou se os colegas riam ou mostravam sinais de terem ouvido seu deslize, porém todos pareciam concentrados nos seus deveres ou em não dormir.

Que vergonha!! Que vergonha!

Ele ronronou para um cachorro!!

Se não fosse esse maldito rabo indo e vindo nada disse teria acontecido. Pran colocou as garras para fora e sorriu.

Não!! Não, não, não!

Se ronronar era estranho, tocar na cauda de outra pessoa era ofensivo e desrespeitoso. Onde ele estava com a cabeça ao pensar nisso??

Pran recolheu as garras e continuou olhando para frente. Olhando para aquele rabo indo de um lado para o outro, de um lado para o outro de um lado para o outro dum lado pro outro dumladoprooutro

Não eram só seus olhos que acompanhavam esse balançar quase hipnótico. Sua cabeça se movia minimamente, suas pupilas dilataram, focadas nesse pompom que o provocava. Era tentador. Tentador! De um lado pro outro.

Pran arrastou vagarosamente o braço pela mesa até sua mão chegar na beirada. De fato, a pelagem de Pat era bem fofa quando resvalou em seus dedos. E também era comprida e por isso, deveria embaraçar fácil.

Quando a cauda dele o tocou pela terceira vez, Pran expos a ponta da unha e na mesma hora, Pat deu um ganido fraco e olhou para trás com as orelhas murchas.

“Desculpa!” Pran sussurrou com um meio sorriso.

“Algum problema?” O professor ergueu os olhos do livro.

“Não é nada.” Pat virou para frente e encolheu o rabo.

Ainda sorrindo, Pran tirou a mecha dourada presa em sua unha e a olhou por alguns instantes antes de guardar dentro da sua mochila.

Depois disso, Pat passou a sondar sobre os ombros e quando Pran se distraía, ele batia com o rabo em sua mesa e já o abaixava de novo. Cada vez que via a ponta da cauda de Pran se agitar, nervosa no chão, ele sorria um pouco, se sentindo vingado.

Pran tinha reparado que Pat tinha a mania de mexer levemente as orelhas antes de abanar o rabo, então, quando ele menos esperava, Pran bocejou alto, fingiu se espreguiçar e fechou a mão, enterrando as unhas na pele dele.

Foi tudo muito rápido e Pat deu um ganido mais alto, mas foi abafado por suas mãos ao cobrir a boca.

“O que está acontecendo?” O professor perguntou visivelmente irritado.

“Eu cochilei e pisei no rabo dele. Foi sem querer! Desculpa, eu não estou acostumado a ficar acordado a tarde toda.” Pran mentiu com um sorriso tranquilo no rosto.

Ele sorria porque Pat o olhava ofendido e machucado, com as orelhas caídas e alisando a ponta do rabo que tinha sido unhada.

“Talvez você queira ficar mais um tempo acordado, então.” O professor disse “Mais uma hora de detenção!”

Pran arregalou os olhos e esticou as orelhas para cima e Pat riu. Não foi uma risada alta nem longa, foi somente um “Ha!” um único som arrastado de deboche.

“Seu amigo parece que quer te fazer companhia.” O professor levantou “Os demais estão dispensados! Vou avisar a diretoria que vocês vão ficar mais tempo. Se eu escutar um miado, um latido, os dois ficarão aqui todas as tardes pelo resto do ano.”

Logo que os passos do professor e dos outros alunos se tornaram um eco ao longe, Pat virou para trás e encarou Pran.

“Por que você pegou no meu rabo?” Ele falou profundamente ofendido.

“Foi sem querer.” Pran sorriu.

“Não foi, não!” Ele abraçou a própria cauda “Você usou a unha.”

“Eu estava espreguiçando!”

Pat rosnou e Pran fechou a cara, colocando as orelhas baixas e para trás.

“Você quer brigar?” Pran chiou.

“Não!” Pat virou para frente “Eu quero ir pra casa.”

Pat alisou a ponta do rabo e choramingou  e Pran revirou os olhos.

“Nem foi uma unhada de verdade!” Pran colocou todas as garras para fora com orgulho e depois as retraiu.

“Ficou um buraco aqui!” Pat girou o corpo mais uma vez e mostrou a parte que Pran tinha arrancado os pelos e ele fingiu não ver “E ta arranhado aqui, olha!” Ele abriu a pelagem e dava para ver um risco vermelho de sangue coagulado.

“Foi sem querer.” Pran falou se sentindo mal de verdade.

“Tá doendo.” Pat debruçou sobre a mesa e ficou encolhido lá por um tempo.

“O professor tá demorando, né?” Pran comentou passados alguns minutos.

“Já está quase na hora da gente ir embora.”

“Acho que ele esqueceu a gente aqui.” Pran levantou e caminhou até a porta.

“Você não pode sair!” Pat ficou de pé, mas não o acompanhou.

“Você foi bem adestrado, né, cachorrinho?” Pran o provocou e abriu a porta “Quem é o bom garoto?”

“Eu!” Pat respondeu instintivamente, mas percebeu que era uma provocação e tentou consertar “Eu respeito as ordens!”

“Que estranho! Parece que não tem ninguém na escola.” Pran saiu e espiou o corredor.

Pat deu alguns passos e parou. Ele queria acompanhá-lo, mas não sabia se era o certo a se fazer.

“Vem! Pode vir.” Pran estalou os dedos e Pat deu alguns passos rápidos, agindo sem pensar mais uma vez, e parou.

“Eu só estou indo porque terminou o horário do castigo!” Pat voltou a caminhar devagar.

“Tanto faz, Pat! Olha! Não tem ninguém na escola.” Pran segurou a mão dele e o puxou para o corredor escuro.

“Será que trancaram a gente aqui?” Pat correu até uma das portas e mexeu na maçaneta, depois a empurrou e jogou seu corpo contra ela.

“Liga para os seus pais!” Pran disse assim que chegou perto dele.

“Meu celular tá sem bateria. Liga você!”

“Você quebrou meu celular!” Pran sentiu os pelos da nuca eriçarem ao lembrar de como isso tinha acontecido.

“Eu não quebrei nada!” Pat empurrou as orelhas para trás e mostrou os dentes “Eu te assustei. Se você é bobo e derrubou o celular,  a culpa não é minha!”

“É sua culpa, sim!” Pran chiou e ficou nas pontas dos pés, tentando parecer tão alto quanto Pat.

Um trovão forte soou do lado de fora e os dois se encolheram.

“Alguém vai vir procurar a gente.” Pat falou baixo.

“Meus pais trabalham à noite, eles nem vão perceber que eu não estou em casa.” Pran teve que falar alto porque uma chuva intensa começou a cair, abafando o som da sua voz.

“Minha mãe deve pensar que eu estou brincando na chuva.” Pat falou pesaroso.
Outro trovão reverberou pela escola, chacoalhando os vidros e portas, apagando a luz na sequência e Pat se encolheu. O corredor escuro trouxe de volta a sensação de pavor do pesadelo daquela manhã, embora ele não se recordasse exatamente do que tinha acontecido.

“Você tem medo de escuro, filhotinho?” Pran sorriu.

“Não! Eu não tenho medo de nada.” Pat falou com segurança “Eu só não gosto do barulho alto do trovão.”

“Tá bom!” Pran riu alto e começou a caminhar pelo corredor.

“Aonde você vai?” Pat correu e segurou sua camisa.

“Vou para a sala de esportes, deve ter uns colchonetes lá.”

“É uma boa ideia!”

Os dois andaram lado a lado por um tempo, então Pat acelerou seus passos e sondou Pran por sobre os ombros. Ao perceber o que ele fazia, Pran começou a caminhar mais rápido. Pat aumentou sua velocidade. Pran correu, sendo seguido de perto pelo vizinho.

Os dois disputavam uma corrida barulhenta pelos corredores escuros da escola e riam um do outro.

Os dois respiravam pesadamente e com dificuldade assim que chegaram na sala e a felicidade de Pat era o sinal da sua vitória.

“Eu nem queria ganhar mesmo!” Pran falou tentando respirar.

“Eu queria, por isso eu ganhei!” Pat tocou debaixo do queixo de Pran e fez cócegas com as pontas dos dedos.

“Não encosta no meu queixo!”

Antes que Pran pudesse atingir sua mão com um tapa, Pat se afastou, pois já esperava por esse tipo de reação.

“Por quê?” Pat perguntou sem prestar muita atenção, porque vasculhava e farejava a sala.

“Porque eu não gosto!” Pran murmurou e fechou a cara.

“Tem alguns colchonetes mesmo. Para um gato esnobe, você é até inteligente, Pran!” Pat riu ao dizer isso.

“O único animal aqui é você!” Ele respondeu ainda ofegante.

“Diz isso pro MEU RABO!” Ele falou alto e apontou para a parte machucada na sua cauda.

“Você é um chorão!” Pran revirou os olhos.

“Não sou, não!” Pat respondeu com os olhos úmidos e vermelhos.

“Afff…” Pran suspirou e depois alisou duas vezes a ponta do rabo de Pat “Pronto! Sarou?”

“Você… tocou… no… meu… rabo?” Pat perguntou, profundamente chocado.

“Foi só um carinho para sarar o machucado.” Pran falou, envergonhado “Você ficou choramingando, eu só pensei…eu não queria…eu não pensei… eu…” Ele gaguejou.

“Você tem alguma tara pelo meu corpo, Parakul?” Pat sorriu com tanta malícia que, mesmo no escuro, Pran virou o rosto, constrangido.

“Nesse corpo peludo e fedido?” Pran se afastou “De jeito nenhum.”

“Vamos ver quanto tempo você consegue ficar sem tocar neste corpo fofinho!” Pat deu uma gargalhada e Pran o sondou com o canto de olho.

A cauda dele se agitava no ar com uma empolgação desproporcional e Pran se afastou um pouco mais.

“Só tem quatro colchonetes pequenos aqui.” Pran comentou pensando nas três camas fofas que tinha à sua disposição em seu quarto.

“Será que o resto está na sala do zelador?” Pat os puxou das mãos de Pran.

“Não sei!” Ele tentou pegar de volta, mas Pat rodou o corpo, impedindo que ele os alcançasse.

“Você não vai ficar com todos!”

Assim que Pran gritou, Pat jogou os colchonetes no chão e pulou sobre eles.

“Me dá um!” Pran tentou tirar um deles debaixo de Pat, mas ele se espalhou e os abraçou com braços e pernas.

Pran tentou empurrar e depois puxar, mas Pat estava preso como um carrapato nos colchonetes. Sem outra opção, Pran respirou fundo e segurou o rabo de Pat com as duas mãos e o torceu.

O ganido forte de Pat pareceu ser mais alto do que a chuva e os trovões e Pran se sobressaltou. Ele sabia que não tinha feito uma coisa decente, mas tinha sido necessário  para conseguir pegar um dos colchões para si.

“VOCÊ FEZ DE NOVO!!” Pat chorou alto desta vez.

“Você estava agindo feito um filhote!” Pran sentou sobre seu prêmio e cruzou as pernas.

“VOCÊ É UM GATO MAU! MUITO MAU!”

Pat colocou seus três colchonetes próximos de onde Pran estava e deitou de lado, apoiando a cabeça em um dos braços e, com a outra mão , ele massageava a base da coluna, perto do início da cauda, e fungava.

“Eu puxei muito forte?” Pran perguntou depois de algum tempo.

“SIM!” Ele gritou.

“Desculpa.” Pran juntou os joelhos perto do peito, se sentindo mal pelo que fez.

“Três vezes! Você me machucou três vezes hoje. E eu só te assustei!” Pat falou com uma voz chorosa e um quase uivo de lamento escapou ao final.

“Você ficou me provocando.” Pran tentou se justificar.

“Mas eu não te machuquei.” Ele fungou ao dizer.

“Desculpa!” Pran insistiu com mais sinceridade desta vez “Você me desculpa?”

Pat fungou e não respondeu.

“Pat, você me desculpa?”

Pran falou mais alto e o cutucou, mas Pat chacoalhou o ombro, afastando seu contato.

“Droga!”

Pran engatinhou até onde ele estava e o empurrou para que deitasse de barriga para baixo.

“O que você está fazendo?” Pat tentou se soltar, mas Pran espalmou sua pata com as garras de fora sobre suas costas e ele paralisou.

“Fica quieto que eu vou fazer uma massagem!” Pran retraiu as unhas e começou a apalpar a lombar de Pat.

“Você não sabe fazer isso!” Pat tentou se virar e Pran o segurou.

“Sei, sim! Fica quieto!”

Pat sentia a palma da mão dele pressionar sua pele, depois todo o comprimento dos dedos até as pontas macias, sem as unhas, em um movimento delicado e ondulado. Uma mão e depois a outra.

Suas mãos eram fofinhas e o toque era gostoso e relaxante, indo da lombar até a base da coluna, um pouco acima das suas nádegas, exatamente no começo da sua cauda.

Pat o observava de soslaio, encantado pela maneira como o olhar de Pran se perdia em algum lugar na parede, enquanto ele parecia completamente entregue à massagem que fazia.

Pran parecia levar isso muito a sério e estava  concentrado nos seus movimentos ritmados e suaves. Alguns segundos depois, uma vibração leve ressoou e Pat ergueu as orelhas e arregalou os olhos. Assustado, Pran deixou suas unhas escaparem e o arranharam de leve, mas Pat nem percebeu.

“Você ronronou???” Pat questionou já sabendo a resposta.

“NÃO!” Pran mentiu.

“Você ronronou, sim!”

Com um pulo, Pat estava ajoelhado de frente para Pran, que fingia indiferença.

“Você deve ter sonhado.” Pran girou o corpo para outro lado, mas mantinha sua orelha voltada para Pat, atento ao que ele poderia fazer.

“Você gosta de mim?”

O ruim de estarem tão próximos é que, ao perguntar, Pat nem esperou pela resposta e pulou e abraçou Pran, derrubando os dois no chão.

“Sai! Não! Eu não gosto!” Pran se debatia, mas o corpo de Pat era mais pesado e o esmagava contra o chão gelado em um abraço caloroso e amigável.

Ele pensou em usar as unhas mais uma vez, mas achou melhor não o machucar de novo para não ter que lidar com todo aquele drama e o empurrou com mais força e se levantou.

“A gente pode ser amigo?” Pat, sentado no chão, olhava para cima com as orelhas em pé e o rabo agitado atrás dele.

“Você sabe que nossos pais não se dão bem.” Pran deu alguns passos para longe, parando perto de uma das estantes que tinham equipamentos para as aulas de educação física.

“Ah! É verdade.” Ele falou desolado.

“Se eles não souberem…” Pran falou baixinho e sentiu seu rosto esquentar “... a gente pode conversar de vez em quando.” Ele bateu com o indicador em uma bola de tênis que estava ali e ela rolou um pouco “Você sabe guardar segredo?” Ele deu mais um toque nela que rolou até a beirada da prateleira, depois empurrou até que a bola caiu e quicou no chão.

“Sim! Eu sou ótimo em guardar segredos!” Pat pegou a bola e entregou para Pran.

“Legal!” Pran observou a bolinha na sua mão e em seguida a jogou contra uma das paredes.

Antes que ela batesse no chão, Pat a pegou e a devolveu para ele.

Pran sorriu e jogou a bola no chão, que rebateu na parede e voltou muito alta, mas Pat pulou, esticou o braço e a pegou no ar.

“Você não é tão chato como eu pensava.” Pat falou ao devolver a bola para ele.

“Você não é tão fedido como eu achava.” Pran guardou a bola na estante e voltou para o colchonete.

“Você tem um cheiro bom!” Pat enfiou o focinho no pescoço de Pran, que se encolheu, envergonhado.

“Não faz isso!” Ele empurrou Pat “Eu não gosto!"

“Tá bom! Você está com fome? Acho que eu tenho alguma coisa na minha mochila. Espera aqui que eu já volto!”

Pran nem teve tempo de responder antes de Pat sair em disparada pela porta. Poucos minutos depois, ele voltou com as mochilas dos dois.

“Trouxe suas coisas também.” Ele as jogou em qualquer lugar e se sentou ao lado de Pran “Eu tenho salgadinho de carne, você gosta?”

“Eu prefiro de peixe.” Pran falou com um certo desdém.

“Eu só tenho de carne.” Pat disse chateado.

“Eu gosto do salgadinho de peixe!” Pran insistiu.

“Mas eu só tenho de carne!” Pat repetiu, abriu o pacote e ofereceu.

“O de peixe é mais gostoso.” Pran franziu o nariz.

“Então não come!” Pat enfiou a mão dentro do pacote, pegou um punhado de petiscos e enfiou na boca de uma vez só.

“Não! Eu quero.” Pran falou ao ouvir sua barriga roncar “Você vai comer tudo de uma vez?”

“Se você continuar enrolando, sim.” Pat falou de boca cheia.

“Espera!” Pran abriu a mochila e pegou o pote vazio que tinha trazido seu almoço “Coloca um pouco aqui pra mim!”

Pat virou o pacote e encheu o pote de Pran e os dois ficaram comendo em silêncio por um tempo, até que Pran resmungou.

“O que foi?” Pat parou de comer para prestar atenção no amigo.

“Nada.” Ele olhava o pote e Pat viu que ainda estava cheio.

“Você não gosta desse sabor mesmo, né?”

“Eu até gosto...” Pran falou e abaixou as orelhas envergonhado “... mas eu não gosto quando fica assim.”

“Assim? Assim como?” Pat forçou os olhos para tentar enxergar o que tinha de errado.

“Assim!” Pran apontou “Eu não gosto quando fica vazio no meio.” Ele confidenciou, encabulado.

“É só balançar!” Pat segurou a beirada do pote e os petiscos que estavam nas laterais se espalharam, cobrindo o buraco aberto no meio.

“Não!” Pran choramingou “Eu não gosto quando fazem isso, parece que o buraco ainda tá lá!”

“Isso não faz o menor sentido!” Pat falou exasperado.

“Eu sei, mas eu não gosto!”

“E se eu colocar mais?” Pat virou o pacote novamente e completou com comida.

Pran sorriu de orelha a orelha e duas lindas covinhas se formaram em suas bochechas.

“Obrigado!” Pran esfregou a orelha no ombro de Pat e voltou a comer.

Assim que terminaram, Pran foi ao banheiro se lavar e arrastou Pat. A água estava muito fria, por isso eles optaram (Pran mandou, na verdade, porque Pat não via necessidade de se molhar antes de dormir) por lavar as mãos, pés, rosto e axilas.

Ao voltarem para a sala, Pat sugeriu que eles colocassem os colchonetes lado a lado e dormissem juntos, seria mais quente e confortável.

Pran concordou porque o dia tinha sido cansativo e ele não tinha dormido todas as horas que precisava. Ele deitou de lado, puxou os joelhos para perto do peito e fechou os olhos.

Perto dele, Pat deitou de lado, depois de barriga para cima, de barriga para baixo, de cabeça para baixo, de lado de novo, com o queixo na barriga de Pran, com as pernas sobre Pran, e voltou a deitar de lado, até que Pran levantou.

“O que foi?” Pat sentou, assustado com a reação dele.

“Se ajeita, depois eu deito!” Pran cruzou os braços.

Pat virou, girou e rodou mais algumas vezes, até optar por deitar de lado, como tinha feito da primeira vez.

“Está confortável?” Pran agachou.

“Sim!” Pat sorriu e sua cauda bateu no chão.

“Ótimo!”

Pran deitou de barriga para cima, depois virou de lado, puxou seu rabo e o colocou entre as pernas e foi se ajeitando, até se encaixar entre as pernas e braços de Pat.

“Você tá dormindo grudado em mim!” Pat resmungou.

“Eu gosto de dormir encostado em almofada, mas a única coisa macia aqui é você.” Ele puxou um dos braços de Pat e deitou a cabeça sobre ele “Agora está melhor.”

“Como eu vou dormir com esse monte de cabelo na minha cara?” Pat falou e Pran sentiu o hálito dele ao lado da sua orelha.

“Fecha os olhos e dorme.” Pran sorriu, respirou fundo e fechou os olhos, seguindo seu próprio conselho.

Pat resmungou mais um pouco sem saber o que fazer com o braço que estava livre. Era estranho deixar caído sobre a cintura de Pran, porque o rabo dele estava ali perto e ele tinha receio de tocá-lo sem querer; abraçar o peito dele era esquisito; deixar caído para trás doía seu ombro.

Toda essa indecisão o deixava agitado, mas ele sabia que se começasse a se mexer, Pran brigaria de novo.

E foi neste momento que uma ideia boba surgiu em sua cabeça. Seria só uma brincadeira.

Os braços de Pran estavam cruzados sobre seu peito, então Pat foi esgueirando seus dedos até  se infiltrarem no meio deles. Pran abriu um pouco os olhos para sondar essa movimentação inesperada. Pat continuou subindo sua mão pelo peito dele até chegar no pescoço e seus dedos começaram a fazer carinho embaixo do queixo.

“O que você está fazendo?” Pran ergueu um pouco o rosto, em um movimento instintivo.

“Estou tentando dormir.” Pat continuou a carícia e jogou suas pernas sobre as dele, o imobilizando naquela posição.

“Eu já falei que não gosto…” Pran esticou o queixo ainda mais, embora sua boca dissesse  que não gostava do carinho.

“Isso me acalma, Pran! Deixa eu continuar.” Pat sussurrou.

“Isso é estranho!”

Pran não conseguiu terminar de falar, pois a vibração fraca do seu ronronar começou mesmo contra sua vontade. Pat sorriu e seus dedos deslizaram do queixo até a base da garganta de Pran.

O ronronar não era só uma vibração mais: o som era alto, forte e cadenciado e Pat continuou até que os dois adormeceram.

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Notas:
¹ Referência às minhas fics: Tic Tac Toe e Twilight Zone (capítulo: Além das escadarias).

² Skunk é nome em inglês da jaritataca ou gambá americano.
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