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O calor que continuamos trazendo - SukuIta

Summary:

Sukuna estava agindo de forma agressiva com Yuji ultimamente e isso deixava todos ao seu redor nervosos.

Mas ninguém, incluindo Yuji, entendeu o que estava acontecendo. Então, Yuji fez a coisa mais normal a se fazer, ele perguntou.

Notes:

Para aparecer para você ver todas as minhas 29 histórias sukuita, precisa se registrar no site.

Chapter 1: Velhos Hábitos

Notes:

Olá pessoal, estou aqui com mais um história do universo ABO.
Espero que gostem.

 

Se você por acaso caiu de paraquedas nesse universo dá uma olhada neste link :

http://sosfanfiction.blogspot.com/2016/04/universo-abo-o-que-e-como-funciona.html?m=1

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

𝐃𝐈𝐒𝐂𝐋𝐀𝐈𝐌𝐄𝐑:

  𝘖𝘴 𝘱𝘦𝘳𝘴𝘰𝘯𝘢𝘨𝘦𝘯𝘴 𝘥𝘦 𝘑𝘶𝘫𝘶𝘵𝘴𝘶 𝘒𝘢𝘪𝘴𝘦𝘯 𝘴ã𝘰 𝘥𝘦 𝘎𝘦𝘨ê 𝘈𝘬𝘶𝘵𝘢𝘮𝘪, 𝘯ã𝘰 𝘮𝘦 𝘱𝘦𝘳𝘵𝘦𝘯𝘤𝘦𝘮, 𝘱𝘰𝘳é𝘮 𝘵𝘰𝘥𝘰 𝘰 𝘦𝘯𝘳𝘦𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘢 𝘩𝘪𝘴𝘵ó𝘳𝘪𝘢 𝘢𝘭𝘵𝘦𝘳𝘯𝘢𝘵𝘪𝘷𝘢 é 𝘮𝘦𝘶, @𝘔𝘪𝘹𝘣𝘭𝘶𝘦𝘴__.

 

 

𝐋𝐄𝐆𝐄𝐍𝐃𝐀

( “ Conversa duas aspas ” )

(‘𝘗𝘦𝘯𝘴𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘶𝘮𝘢 𝘢𝘴𝘱𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘪𝘵á𝘭𝘪𝘤𝘰’)

( 𝘕𝘢𝘳𝘳𝘢çã𝘰 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘤𝘪𝘢𝘭 𝘦𝘮 𝘪𝘵á𝘭𝘪𝘤𝘰 𝘴𝘦𝘮 𝘢𝘴𝘱𝘢𝘴)

 

 

Obrigada por ler até aqui pessoal

 

O ginásio estava barulhento, tomado pela energia dos quatro times de basquete escolar que se reuniam para o sorteio, formando equipes mistas. Alguns jogadores pareciam satisfeitos com a nova formação, enquanto outros demonstravam uma relutância perceptível — um cheiro suave e amargo pairava no ar. Mas, desde que mantivessem a boca fechada, todos os outros eram educados o suficiente para ignorá-los, especialmente Geto e Megumi.

 

Antes mesmo de ver quem era, Yuji sentiu um braço se apoiar em seu ombro e reconheceu o cheiro familiar da chuva na floresta que invadiu seus sentidos.

 

"Ah, por quê?" Sukuna reclamou ao lado dele, pegando o papel colorido de sorteio das mãos de Yuji para conferir.

 

Eles estavam no mesmo time.

 

"EI, MEGUMI! TROQUE COM O PIRRALHO, NÃO QUERO ELE NO MEU TIME!" Sukuna gritou do outro lado do ginásio.

 

Yuji fechou a cara, os lábios se curvando em um claro aborrecimento.

 

"Idiota, não é como se eu quisesse estar no seu time também", resmungou, encolhendo os ombros para afastar o braço de Sukuna.

 

Para quem olhava de fora, os dois pareciam rivais mortais dentro da quadra, incapazes de trabalhar juntos. Mas, fora dali, tinham se tornado bons amigos.

 

Mas, no momento, parecia que esse título tinha sido jogado pra vala. 




O súbito som de um rosnado fez com que todos congelassem no lugar, olhando em volta, alarmados.

 

Até Sukuna ficou imóvel, o corpo tenso e cauteloso. Os olhos de Yuji dispararam freneticamente pelo ginásio ao ouvir o barulho repentino de agressão, tentando identificar quem estava chateado — até avistar Junpei olhando diretamente para ele.

 

Não... ele estava olhando para Sukuna.

 

Sukuna também olhou para trás, surpreso e, ainda que não demonstrasse, ligeiramente alarmado.

 

"JUNPEI?"

 

Yuta, que estava mais próximo, gritou o nome dele, assustando o homem menor e entrando em ação.

 

Junpei olhou em volta, horrorizado, antes de gaguejar uma sequência de desculpas e se curvar profundamente. O cheiro acre de angústia emanava dele, e os jogadores ao redor foram rápidos em dar um passo à frente na tentativa de acalmá-lo.

 

"Que diabos foi isso?", Sukuna murmurou, afastando-se mais um pouco de Yuji. "Vou pedir para Uraume me trocar de time."

 

Yuji apenas acenou com a cabeça, observando Sukuna se afastar. Megumi se aproximou dele, o olhar fixo em Junpei.

 

Yuji alternou o olhar entre Megumi e Junpei, confuso.

 

"Yuji, o que aconteceu?" Megumi perguntou, mas Yuji não tinha uma resposta, olhando confuso para o moreno, que cantarolou, pensativo. "Junpei é um beta, então ele não deveria se sentir naturalmente intimidado por um alfa. Além disso, ele está em um relacionamento sério, então não há nenhum desafio a ser enfrentado. Que razão ele poderia ter para agir agressivamente com Sukuna?"

 

"Territorial." A voz vinda de trás fez com que os dois se virassem. Geto se aproximava, carregando um leve cheiro de madeira de cedro. "Alguns betas são territoriais com certas pessoas, comprometidas ou não."

 

Megumi assentiu, compreendendo. "Entendo... Não sabia que Junpei era um beta territorial."

 

Antes que Yuji pudesse dizer algo, Gojo surgiu ao lado de Geto com um sorriso malicioso no rosto. A fragrância da madeira de cedro se misturava agora com um toque cítrico de limão.

 

"É mesmo? Quando ouvi, tomei um susto. Achei que era o Geto que estava chateado de novo—ah!"

 

Geto agarrou a camisa de Gojo sem hesitar, sua expressão serena se transformando em puro aborrecimento enquanto o arrastava para longe de Megumi e Yuji.



A dupla de amigos permaneceu em silêncio por um tempo antes de Yuji cortar a quietude:

 

"Por que Junpei está territorial comigo?"

 

Quando olhou para Megumi, percebeu que este não estava o encarando diretamente, mas sim focando em algo próximo ao seu rosto — seu ombro.

 

"Venha comigo", Megumi disse calmamente.

 

Yuji obedeceu, seguindo-o até os bancos encostados na parede do ginásio. Seu amigo pegou uma toalha limpa, despejou uma boa quantidade de água nela e, sem hesitar, levou-a até a lateral do seu pescoço.

 

O toque frio o fez se encolher instintivamente, seus ombros se curvando enquanto ele dava um passo para trás com uma leve careta.

 

Megumi pausou o movimento e estendeu a toalha para ele.

 

"Pegue e limpe seu ombro e pescoço. Prefiro que você faça isso sozinho a transformar isso numa briga entre alfas."

 

Yuji não disse nada. Apenas pegou a toalha e começou a esfregar os ombros e o pescoço de maneira brusca.

 

Enquanto fazia isso, sentia o olhar atento de Megumi sobre ele. Não era exatamente um olhar avaliativo, mas ter outro alfa o observando tão de perto o deixava nervoso.

 

"O que foi agora?" Resmungou entre dentes.

 

"Você percebeu o que Sukuna fez?" Megumi perguntou, a voz carregada de um tom sugestivo.

 

Yuji franziu a testa, pensativo.

 

Sukuna jogar o braço sobre ele não era nada incomum. Na verdade, depois das primeiras vezes, ninguém mais estranhava esse comportamento entre os dois alfas. Era simplesmente algo que Sukuna fazia sempre que se aproximava dele — natural, habitual.

 

Mas, naquele momento, Yuji começou a se perguntar se realmente era tão simples assim.



Ele olhou de volta para Megumi.

 

"Não estou entendendo."

 

Seu amigo apenas indicou a toalha com o olhar, levando Yuji a fazer o mesmo. Estava úmida de água, nada além disso — ou pelo menos era o que parecia.

 

"Não percebi antes porque, nas primeiras vezes que o vi fazer isso, não havia nada", Megumi começou.

 

Foi então que Yuji sentiu. Um leve cheiro de terra molhada, agora muito mais proeminente e enjoativo com a umidade do pano. Era o cheiro de Sukuna, misturado com calor e suor — algo primitivo.

 

O pavor começou a se instalar, e Yuji cerrou os dentes.

 

"Acho que Sukuna deixou uma marca de cheiro em você", concluiu Megumi, confirmando a preocupação de Yuji.




 

 

Sukuna não conseguiu convencer o treinador nem Uraume a trocar um deles de time, o que só deixou Yuji ainda mais impaciente com a proximidade do outro Ás. Ele observou Sukuna pentear o cabelo para trás, entediado, enquanto esperava o outro time se preparar.

 

O jovem alfa fixou o olhar na maneira como aqueles dedos passavam pelos fios finos e corais escurecidos, descendo pela parte rebaixada do corte até a nuca, antes de Sukuna soltar a mão ao lado do corpo.

 

Yuji baixou os olhos para a mão dele, seca.

 

De qualquer forma, era impossível encontrar qualquer evidência visível de uma marca de cheiro do outro alfa. Ele nem sabia por que tentou procurá-la.

 

Kugisaki acenou para Yuji na linha central, e ele avançou, ignorando os olhos vermelhos de Sukuna sobre si.

 

O apito soou, e ele saltou.

 

O jogo progrediu com dificuldades, como era de se esperar quando ele e Sukuna eram forçados a cooperar. Yuji sentia que estava jogando praticamente sozinho um jogo de 6 contra 4, já que Sukuna parecia mais interessado em roubar a bola dele do que no próprio time.

 

O alfa mais velho não demonstrava preocupação, limitando-se a lançar olhares e dar esbarrões descuidados, mantendo Yuji em alerta máximo a cada rodada.

 

"VOCÊ PODE PARAR?" Yuji gritou quando Sukuna, mais uma vez, interceptou a bola assim que ele a recebeu.

 

O outro atacante apenas zombou, levantando os ombros e esticando o corpo ao máximo, como se quisesse parecer ainda maior.

 

O de cabelo rosa hesitou diante da postura súbita e intimidadora, instintivamente dando um passo para trás.

 

O rangido dos tênis no chão cessou. O tempo pareceu desacelerar.

 

Todos olhavam para eles, observando com a respiração suspensa — alguns alarmados, outros preocupados. Sabiam que Sukuna o estava desafiando, mas ninguém ousava intervir.

 

Ninguém sabia por que ele estava fazendo isso agora.



Sukuna ficou na frente de Yuji como se estivessem em times opostos, prestes a enfrentar um ao outro em um duelo direto. Ele observou o rapaz mais alto se aproximar de seu espaço, a tensão entre os dois aumentando a cada segundo.

 

Yuji podia sentir a mudança no perfume de Sukuna, a umidade suave e calma da floresta se transformando na eletricidade de uma tempestade que se aproximava — um perigo iminente.

 

Quando Sukuna jogava sério, o cheiro de uma tempestade violenta sempre pairava sobre ele, mas não havia nada disso até aquele momento. Yuji xingou baixo para si mesmo; devia ter percebido que algo estava errado quando não sentiu o forte cheiro da tempestade mais cedo na quadra.

 

Agora, Sukuna o desafiava e Yuji não fazia ideia do motivo.

 

Antes que qualquer um deles pudesse dizer algo, a campainha tocou, sinalizando o fim do primeiro tempo.

 

No entanto, Sukuna manteve o contato visual, seus olhos escarlates buscando algo nos castanhos de Yuji. Só então ele se afastou, e a tensão no ar se dissipou, arrancando suspiros de alívio dos outros jogadores, aliviados por não terem que interromper uma briga.

 

O alfa de cabelos corais se sentou no banco, visivelmente irritado, enquanto Uraume — assistente do time e amiga de Sukuna — já estava ao seu lado. Eles se envolveram em uma discussão privada e silenciosa.

 

Ninguém da equipe ousou sentar perto do banco, levando suas garrafas de água e discutindo estratégias do outro lado da bancada.



Um leve som de passos e Yuji sentiu o cheiro de capim-limão e madeira de cedro. Ele se virou para encontrar Gojo e Geto atrás dele, com Megumi se aproximando lentamente.

 

“O que entrou na bunda dele e morreu?” Yuji gesticulou para a dupla de infância que discutia. Gojo balançou a cabeça, enquanto os outros dois permaneciam em silêncio.

 

“Nunca vi Sukuna se comportar assim antes.” Gojo comentou, e Yuji olhou novamente para a dupla, que agora estava afastada deles.

 

Sukuna estava com uma toalha na cabeça, escondendo seu rosto da maioria das pessoas. Seus lábios estavam voltados para baixo, e os dentes quase à mostra. Ele não conseguia ver o rosto de Uraume daquele ângulo, mas, pelos chiados ocasionais que escapavam dela, devia estar mais chateada do que ele imaginava.

 

Sem pensar, Yuji tocou a nuca, sentindo a pele macia sob seu toque. Megumi o observava novamente. “Está tudo bem, não sinto mais o cheiro”, Yuji tentou tranquilizar.

 

“Que cheiro?” Gojo perguntou, inclinando-se para cheirar, e Yuji deixou, sabendo que o olfato de um ômega podia ser mais aguçado que o de um alfa.

 

Gojo franziu a testa e se endireitou. “Há outro cheiro em você, mas não posso dizer de quem é.” Comentou, e Yuji suspirou aliviado.

 

“É o cheiro de Sukuna, não é?” Geto perguntou, e uma sensação de desconforto percorreu a pele de Yuji. O rosto de Geto parecia impassível enquanto ele ajustava os cabelos longos. “Vejo que ele está fazendo isso de novo. Achei que tivéssemos acabado com isso.”

 

“Espere, o que está acontecendo?” Yuji murmurou, intrigado.

 

Megumi parecia curioso. “Também não sei.”

 

Geto lançou-lhes um olhar calculista antes de se afastar. “Agora não,” disse ele, ignorando o protesto deles e fixando o olhar em Yuji. “Se você quer que o dia de hoje termine da maneira mais tranquila possível, sugiro que jogue bem com Sukuna. Sei que não é da natureza de um alfa jogar bem, então faça o seu melhor.”

 

Ele se afastou sem dizer mais nada, e Gojo estufou as bochechas. "Credo! Não pode simplesmente soltar algo enigmático e sair correndo assim?”

 

O ômega alto olhou para Yuji e Megumi. “Talvez possamos falar com Sukuna e fazer ele dizer pra gente!”

 

“Seria melhor deixar Yuji cuidar disso.” Megumi advertiu, colocando-se entre Gojo e Yuji. Ele olhou para o de cabelo rosa, que apenas franziu a testa e se afastou, indo em direção a Sukuna.

 

 

Falando francamente, Yuji não tinha ideia do que dizer a Sukuna, e Geto parecia ser a única pista razoável sobre por que ele estava agindo daquela forma. Mas, quando Geto foi embora, Yuji ficou confuso e irritado com toda a situação.

 

Sentado pesadamente no banco ao lado do outro alfa, ele pegou sua garrafa de água. “Escolha brigar depois do treino, não no meio, idiota. A treinadora Kugisaki vai nos matar depois disso.” Ele deu um gole e murmurou, observando de soslaio os lábios de Sukuna se curvarem com suas palavras.

 

Uraume apitou e, no instante em que Sukuna se levantou, jogou a toalha cheia de feromônios sobre Yuji. “Bastardo,” Yuji rosnou, arrancando o pano da cabeça para encarar Sukuna, que, estranhamente, parecia estar com um humor melhor.

 

Sukuna deu um passo à frente, olhando por cima de Yuji. O jovem alfa enrijeceu, enfiando a cabeça nos ombros e puxando os lábios para baixo, mostrando os dentes. Era um instinto natural de um alfa não expor o pescoço perto de outro alfa.

 

O alfa mais velho não se incomodou com o gesto de defesa, esticando o próprio pescoço para proporcionar um pouco mais de sombra sobre Yuji.

 

O cheiro da tempestade turbulenta que o outro exalava o envolveu, deixando-o nervoso. Ele percebeu o que o outro estava tentando fazer: uma demonstração de domínio sobre seu alfa interior.

 

A exibição foi desconcertante. Sukuna expôs várias partes vulneráveis do corpo, e os instintos de Yuji começaram a enlouquecer com o gesto dominador. Algo dentro dele gritava para atacar, para forçar o outro a trabalhar por sua submissão. Seria fácil se levantar e rasgar aquela garganta, mas ele se agarrou desesperadamente ao autocontrole. Sua mente estava clara, e ele se recusou a ceder aos seus instintos mais primitivos.

 

O cheiro amadeirado de cedro invadiu seus sentidos, mas Yuji não se distraiu tão facilmente com isso. Não quando havia um alfa tentando posar diante dele. Só virou a cabeça quando Sukuna desviou a dele também.

 

Geto estava perto deles, com uma carranca evidente no rosto, claramente desaprovando o que estava acontecendo. Sukuna estalou a língua, visivelmente aborrecido, e recuou rapidamente, dando espaço para Yuji relaxar após a situação tensa.

 

Com os ombros caídos, Yuji fez um breve aceno de cabeça para Geto, e os dois se separaram, retornando aos seus respectivos times.

 

 

 

Qualquer que fosse o problema de Sukuna com Yuji, ele desapareceu misteriosamente pelo restante da prática. Agora, o foco do alfa parecia ser tornar a experiência de Geto um verdadeiro inferno.

 

Yuji sentiu uma ponta de pena pelo colega, que tinha a bola repetidamente arrebatada e bloqueada. Era evidente no rosto de Geto o quanto a situação estava se tornando frustrante. Quando Sukuna deu mais um golpe e Geto falhou em bloquear, Yuji decidiu que era hora de intervir.

 

Correndo até Sukuna, que estava voltando para o lado deles da quadra, Yuji deu um leve toque de ombro nele.

 

“Esta é uma partida de treino, dá uma folga para ele. Não sei o que diabos está acontecendo com você hoje, mas pare de intimidá-lo.” Yuji fez uma pausa enquanto eles se viravam para encarar o outro time, se posicionando e se preparando para correr novamente. “Se for por minha causa, espere até depois do treino.”

 

Sukuna apenas bufou, empurrando o ombro de Yuji com um pouco mais de força do que o necessário.

 

“Que se dane.” O alfa teimoso grunhiu e correu para bloquear o atacante.

 

Finalmente, Geto percebeu que Sukuna não estava mais tentando tornar as coisas pessoais e fez um forte aceno de cabeça em agradecimento a Yuji. Ele entendia a situação, pois sabia o que era ser alvo da intensidade de Sukuna — ele mesmo tinha experimentado isso duas vezes no mesmo dia.

 

Era raro ver Sukuna demonstrando tanta agressividade. Foi estranho para Geto, algo que ele não estava acostumado a ver.

 

“Sukuna parece ser menos agressivo agora”, Megumi comentou atrás dele e Yuji se encolheu, detectando tardiamente o leve cheiro arejado do orvalho da manhã. Sempre o incomodou o quão estranhos eram os feromônios do moreno. Seus outros colegas carregavam aromas melhores que ele.

 

Caso em questão, Geto.

 

 

“Você acha que Subuxa está prestes a entrar na rotina?” Ele estava nervoso em perguntar, não gostando que hoje tivesse se tornado um jogo de intimidação comandado sozinho pelo idiota Ás de cabelo coral. Parecia provável que houvesse uma rotina para a mudança de comportamento.

 

 

Mesmo assim, como num clique, Megumi olhou para ele como se essa fosse a resposta.

 

 



 

Logo após o fim da prática, uma mão firme agarrou o bíceps de Yuji, impedindo-o de seguir o time até o vestiário.

 

Era Geto, com seu leve aroma de madeira de cedro, quase imperceptível agora. “Vamos conversar agora”, ele disse de forma seca, seus olhos passando rapidamente por cima do ombro de Yuji. O garoto seguiu seu olhar e viu Sukuna, com a testa franzida, observando-os de longe.

 

"Sim, sim! "Já estava na hora!" Gojo interrompeu, entrando na conversa abruptamente, e empurrou os dois para um canto do ginásio. “Vamos, Megumi!” Chamou o jovem de cabelos negros por cima do ombro, e Yuji assistiu Sukuna entrar no vestiário com o resto do time, enquanto Megumi se aproximava deles, com Uraume logo atrás.

 

“Se três é uma multidão, então cinco é um exército,” resmungou Yuji, desconfortável com a cena. “O que Sukuna está fazendo é realmente tão importante?”

 

Geto ajustou os cabelos, formando um coque com habilidade, e respondeu: “Depende de como você interpreta a situação.” A fragrância de grama recém-cortada de Uraume misturou-se repentinamente com um cheiro amargo de frustração, e ela não escondeu o aborrecimento no rosto. “Ele tem… um hábito.”

 

Quando o grupo ficou em silêncio, ela continuou. “Sukuna tem o hábito de tentar cheirar e marcar as pessoas próximas a ele. Na maioria das vezes, ele não percebe que está fazendo isso. Gojo descobriu isso no início das aulas, quando o comportamento piorou, mas... pensei que ele finalmente tivesse superado isso.”

 

Uraume estufou as bochechas e colocou uma mecha de cabelo branco atrás das orelhas, visivelmente irritada. “Parece que não foi esse o caso,” ela suspirou, claramente incomodada.

 

Gojo franziu a testa, inclinando-se um pouco para frente. “Não se pode sair por aí cheirando e marcando as pessoas sem permissão;” é falta de educação. Ele deveria saber disso!”

 

“Ele sabe,” Geto interveio, ajustando o amuleto em sua mão com calma. “Eu acho que o problema é que Sukuna se conectou com seus instintos muito cedo, quando ainda era mais jovem. Isso tornou difícil para ele controlar as partes mais primitivas da sua natureza.”

 

Ele olhou diretamente para Yuji, com um leve sorriso nos lábios. “Sendo você também um alfa, deveria entender isso melhor do que ninguém.”

 

Geto estava certo. Demorou um tempo para Yuji se adaptar quando se apresentou como alfa. Era fácil confiar nos instintos básicos para reagir, mas isso trouxe muitos problemas, como quando o time adversário começou a achar que Yuji tinha uma vingança pessoal contra eles.

 

Confiar nos instintos básicos o levou a se mover mais rápido, a reagir mais intensamente e a empurrar com mais força. Mas isso também criou uma aura agressiva e dominadora que era vista como falta de espírito esportivo, transformando o jogo em uma batalha entre dois alfas raivosos.

 

“Então, ele está me marcando?” Yuji parou abruptamente. Os outros se entreolharam perplexos, exceto Uraume, que manteve a cabeça baixa, seu cheiro cuidadosamente isento de qualquer emoção. “É meio estranho perguntar, mas... uh... um alfa pode gostar de outro alfa?”

 

Gojo falou baixinho, esfregando um dos braços com leve desconforto.

“Não estou dizendo que tenho problemas com isso! Eu só…

 

A cabeça de Uraume se levantou, surpresa visível em seus olhos violetas. “Gojo? O que você quer dizer?”

 

O de cabelos brancos rapidamente fez um gesto negativo com as mãos, tentando dissipar a confusão que causara. “Não! Não! Está tudo bem se Sukuna gosta de um alfa. Já ouvi falar de outros ômegas reivindicando entre si, então, com alfas, é possível, certo? Eu só nunca ouvi falar disso acontecendo… assim,” ele disse, pausando, os olhos nervosos se voltando para Yuji.

 

 

A sensação de descrença se revirou dentro dele. Sukuna gostava dele? Ele gostou o suficiente para tentar marcá-lo sutilmente, sem que Yuji soubesse? O pensamento de Sukuna tentando reivindicá-lo indiretamente enviou uma onda quente de raiva e vergonha que percorreu seu corpo.

 

Nada sobre a situação parecia justo. Seu orgulho havia sido ignorado por Sukuna, que parecia achar que ele era fácil o suficiente para simplesmente ser colocado sob sua posse.

 

Maldito idiota.

 

Antes que ele pudesse responder, Uraume interrompeu com um gemido.

 

“Não! Gojo, seu grande idiota! Sukuna não está tentando reivindicar Yuji como companheiro; ele está tentando marcá-lo como se fosse parte de uma matilha! Uma matilha para proteger!”

 

Ela bufou, cruzando os braços. 

 

“Quando vocês acabaram com esse hábito dele, ele passou a guardá-lo para mim, por causa de sempre andarmos juntos. E foi por isso que, na época, muita gente presumiu que éramos um casal, porque eu continuava carregando o cheiro dele.” Ela pegou a mão de Yuji com um sorriso de cumplicidade e alívio. 

“Mas ele parou agora, entende?” Yuji estranhou o comportamento dela.

 

Geto pigarreou, trazendo a atenção de todos de volta para ele. “Então, minha próxima pergunta seria: quem mais ele está marcando? Sukuna tem uma tendência a fazer contato visual e físico com as pessoas, sejam amigas ou não. Esse contato sempre deixa um leve aroma, que pode facilmente mascarar uma marca sutil. Ele também gosta de marcar lugares.”

 

“Eu não sei, mas a rotina dele está se aproximando. Talvez seja melhor evitarmos mais contato por um tempo. Você sabe como ele fica.” Uraume franziu a testa, visivelmente preocupada.

 

A conversa foi interrompida quando Sukuna gritou da entrada do vestiário, avisando a Uraume que estava indo embora.

 

“Ah! É melhor eu ir agora. Avisarei a todos se acontecer alguma coisa!” Ela fez uma pausa, agarrando o pulso de Yuji com uma firmeza inesperada, olhando para ele com um foco claro. “Se ele estiver exagerando, diga a ele para parar.” Em seguida, soltou o pulso de Yuji, que passou a esfregá-lo com cuidado, enquanto ela se afastava rapidamente, deixando-o com um sentimento de desconforto e confusão.

 



 

Yuji sabia que abordar o assunto naquele momento era uma péssima ideia, mas sua natureza alfa se recusava a deixar aquilo passar. Ele queria respostas agora, não depois da rotina de Sukuna, quando ele estivesse mais lúcido.

 

No momento, os dois estavam descansando na sala de estar, tentando, sem sucesso, fazer o dever de casa em uma noite de sexta-feira, apenas para liberar o fim de semana. Yuji podia sentir o cheiro cortante de frustração emanando de Sukuna, um contraste com o aroma da floresta de verão que sempre o cercava.

 

O cheiro de Sukuna era muito mais tranquilizante do que ele imaginava quando o sentiu pela primeira vez. Era suave, quase sedutor aos sentidos, trazendo consigo a sensação de um calor preguiçoso de verão, algo muito parecido com o próprio dono.

 

Ele, por outro lado, sabia que seu próprio cheiro não era de calmaria eterna. Seu aroma trazia o calor da praia e o cheiro salgado das ondas quebrando nas pedras, vibrante e cheio de energia. Para alguns, seu cheiro era revigorante, mas para outros, podia ser opressor.

 

 

Um lápis tilintou quando Sukuna baixou a cabeça sobre a mesa: "Apenas me mate agora." Gemeu deprimente. Yuji revirou os olhos, marcando uma caixa aleatória em seu dever de casa, antes de se levantar com um grunhido e ir até a cozinha.



Quando voltou à sala, trouxe consigo um prato de frutas fatiadas. Sukuna estava sentado em seu lugar, ainda folheando o dever de casa de Yuji.

 

"Volte para o seu lado, idiota", Yuji resmungou, colocando o prato na mesa. Mas Sukuna não se moveu, ainda concentrado, folheando o caderno. 

 

No final, só restou empurrar o outro para fora de seu lugar no chão com o pé para que ele pudesse se sentar e pegar o dever de casa do outro. 

 

Sukuna bufou e ficou ali deitado, com um braço sobre os olhos. “Você errou na segunda pergunta, pirralho,” ele falou lentamente e vago.

 

Yuji apenas semicerrrou os olhos para seu dever de casa, sem entender. Sukuna deve ter percebido sua confusão porque ele se sentou e entrou no seu espaço pessoal, pegando outro lápis para sublinhar um texto em seu dever de casa.

 

Exceto que Yuji não estava mais prestando atenção, agora hiperconsciente de sua proximidade e mente em frenesi, tentando descobrir se esse era o hábito sobre o qual Uraume falou ou se era apenas Sukuna sendo tão ‘generosamente prestativo’.



“Ei, você está prestando atenção?” Sukuna franziu a testa, seus braços pressionados contra Yuji com um calor suave. De perto, Yuji podia sentir o cheiro da névoa da floresta, que se intensificava, agora com um toque eletrizante que parecia invadir o ar ao redor deles.

 

Foi então que os instintos de Yuji se confundiram. A proximidade de Sukuna, tão próxima, ativou algo dentro dele. Os sentidos dele se aguçaram, e uma sensação de alerta tomou conta de seu corpo. Outro alfa tão perto dele.

 

Yuji se afastou bruscamente de Sukuna, soltando um grito de alarme, enquanto este apenas o encarava, irritado e confuso. “E agora?” O murmúrio do alfa era indiferente, enfiando uma fruta na boca e olhando para ele como se estivesse mais entediado do que qualquer outra coisa. 

 

"Você não pode sa...?" Yuji começou, mas parou, as palavras emaranhando-se na sua mente. Sukuna arqueou uma sobrancelha, aguardando uma explicação, claramente não entendendo a sua confusão.  

 

"Você! Tipo... você está invadindo o meu espaço pessoal!" Yuji tentou juntar as palavras, querendo que não soasse rude, mas sabia que provavelmente soava. Sukuna, como esperado, não reagiu bem àquilo.

 

"Que diabos? Por que você está tão sensível com isso de repente?" Sukuna fez uma careta, agarrando o braço de Yuji com firmeza. "Você nunca se importou com contato físico antes. O que te irrita agora?"

 

Yuji, tentando soltar o braço de Sukuna, sibilou quando a pressão aumentou. "É você! Você está desencadeando minha resposta de luta ou fuga, seu filho da puta! Um dia vou te morder por reflexo, e nós dois vamos nos arrepender!”

 

O garoto mais velho não se moveu, ainda segurando-o com força. "Então ensine esses instintos de merda a aprenderem a diferença entre amigo e inimigo!" Ele puxou Yuji para mais perto dele, e, de imediato, Yuji colocou a cabeça entre seus ombros, tentando esconder o pescoço.

 

"Idiota, espere," Sukuna estalou a língua e o manteve ali, com seus corpos ainda pressionados um contra o outro.

 



O cheiro da floresta estava espesso e carregado pela umidade da chuva, o aroma saturado de uma tempestade iminente envolvendo a pele de Sukuna. Esse cheiro se espalhava pelo ar lentamente, fundindo-se com a leve fragrância salina e quente de seu aroma, reminiscente do mar no verão. Yuji sentiu como se estivesse na borda de uma vasta floresta, com a praia se arrastando nas margens, enquanto uma tempestade tomava a ilha, avançando pela terra e invadindo seus sentidos.

 

Seu próprio cheiro começou a se intensificar, uma força vibrante que parecia crescer com o calor de sua aura, aquecendo o ambiente ao redor deles. Era como se o ar ao redor estivesse ficando cada vez mais carregado, até que o cheiro de madeira fumegante chegou, deslizando pelas bordas de sua percepção como uma brisa quente e densa, preenchendo cada espaço com sua presença.

 

Seus instintos se confundiram e oscilaram dentro dele, tão desordenados quanto ele próprio se sentia, vulnerável e imprevisível. Sua mente parecia vagar, perdendo-se nas sensações, como se o cheiro lhe mostrasse flashes de imagens e sensações desconexas, intensificando a sensação de caos interno.

 

Com o tempo, Yuji sentiu Sukuna se soltando lentamente, como se a tempestade dentro dele começasse a diminuir. A pressão pesada no ar se aliviou, e o cheiro da floresta, antes abafado pela tormenta, retornou fresco e renovado. O calor pungente de uma fogueira ardente esfriou aos poucos, dando lugar ao calor suave e relaxante da praia no verão, uma brisa leve que dissolvia o calor acumulado.

 

Eles permaneceram próximos um do outro, imóveis e avaliando. E seus instintos permaneceram quietos.

 

 O silêncio foi quebrado por Yuji, que não conseguiu mais conter a curiosidade. “O que está acontecendo?”

 

Sukuna, com um sorriso arrogante no rosto, respondeu sem pressa: “Apenas seus instintos percebendo que, como não arranquei sua garganta, estamos em um impasse de rivalidade.”

 

Sem conseguir suportar o tom provocador de Sukuna, Yuji empurrou-o automaticamente. “Foda-se.” 



Sukuna, por sua vez, não se abalou e continuou a mastigar a fruta, como se nada tivesse acontecido.

 

“Veja, muitas pessoas não têm esse problema…”

O alfa de cabelos corais balançou o garfo diante de Yuji, que o olhou com uma sobrancelha erguida. “Nossos instintos são muito mais fortes do que os de outras pessoas. Por isso, estamos sempre brigando uns com os outros. Não reagimos bem a outros alfas que possam nos desafiar.” Sukuna fez uma pausa, pegando outro pedaço de fruta e colocando na boca.

 

Isso lhe restou um resmungo com um tom sarcástico.

 

“É mais provável que seja você quem continua brigando comigo.” Yuji pegou um pedaço de fruta com a mão, mas, antes que pudesse levá-lo à boca, Sukuna espetou seus dedos com o garfo.

 

“Idiota!” Yuji retractou a mão como se tivesse tocado fogo.

 

“Vadia!” Sukuna tossiu, engasgando um pouco com o pedaço de fruta que estava mastigando. Ele não estava nem um pouco contente com o chute que o garoto de cabelos rosa lhe deu em seguida.

 

 Já sem paciência, Yuji pegou rapidamente outro pedaço de fruta e enfiou na boca, de forma quase desafiadora. “E agora? Terapia de exposição?”

 

Sukuna encolheu os ombros com desdém, como se a questão fosse mais simples do que ele imaginava. “Algo assim. Estou cansado de você se pavonear como se fosse o alfa superior.”

 

“EU? VOCÊ É QUEM ESTÁ TENTANDO SE AFIRMAR SOBRE MIM!” Yuji gritou, mas o outro não se alterou. Apenas apontou o garfo para ele, como se fosse uma conclusão definitiva para a discussão.

 

“Terapia de exposição,” Sukuna respondeu calmamente, como se tivesse acabado de dar a resposta certa para tudo.

 

Yuji, exasperado, levantou as mãos em um gesto de rendição e, com um suspiro de frustração, voltou para sua lição de casa.

 

Essa ‘terapia de exposição' certamente acabaria com seu pescoço mordido; ele tinha certeza disso.

 

 

 

 

Continua…

Obrigada por ler até aqui pessoal


 

Até o próximo !!

 

Notes:

Obrigada por ler até aqui pessoal.

Gostaria de saber o que vocês acharam, vão ser alguns capítulos.

Até o próximo !!