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Até Que Eu Diga Sim

Summary:

Chanyeol e Kyungsoo eram faces diferentes da mesma moeda. Chanyeol era filho da boemia, gostava de levar a vida sem complicações sendo um violinista renomado, do outro lado Kyungsoo levava seu trabalho como cerimonialista com rigidez. Quando numa festa de casamento o destino dos dois se entrelaça, eles percebem que de alguma forma não são tão diferentes assim.

Notes:

[#SP27 ]Bom, finalmente veio ai!

Estou muito contente por está no softyeol participando desse fest tão legal e atencioso. Confesso que estou nervosa com a recepção dessa história, ela é uma curva do que eu realmente costumo trabalhar, mas acho que não poderia começar de uma forma diferente sendo abençoado pelo softyeol!
Queria agradecer as pessoas que torceram por mim e a equipe do softyeol que é muito especial e atenciosa. A minha beta que é um anjo na minha vida, surtamos, comemoramos e finalmente estamos aqui no projeto final. E também queria agradecer uma amiga muito especial, que eu não posso revelar quem é, mas quando ela ler essa notas vai saber que é dela que estou falando, te amo muito amiga obrigada por toda a sua paciência e o cuidado comigo e com essa história.

Também agradeço de imediato quem está lendo aqui muito obrigada. 🩵

Chapter 1: Uh oh, I'm falling in love

Chapter Text

Tem dias que a gente sabe como vai funcionar, você acorda, toma seu café, briga com uma senhora de 70 anos por cetim duchese, liga para sua assistente que é seu corpo inteiro de tão importante que ela é na sua vida e torce muito para que no final do dia não vá parar no hospital com estresse, balbuciando sobre doces de casamento e arranjos de mesa.  

Essa era exatamente a vida de Kyungsoo há exatos 10 anos, quando assumiu os passos calculados que andava lado a lado com o de sua mãe, ser cerimonialista de casamentos. Óbvio, não era tão bom quanto ela na parte da costura, mas conseguia ser ideal em organizar casamentos e colocar um batalhão em ordem num dia tão especial. 

A realidade é que a vida de Kyungsoo é toda branca, os babados da renda dos vestidos, o arranjo de mesas, as flores Copos-de-Leite que juntavam ao buquê, o próprio vestido da noiva quando passava pelos convidados de forma graciosa, onde aquele dia seria apenas dela. Satisfação era o que mais enchia o peito de Kyungsoo quando esse momento finalmente acontecia. Era o respiro de alívio de saber que pelo menos aquele seria o dia perfeito de alguém. 

Peixe Palhaço para Pinguim, a Princesa está quase saindo do cativeiro, repito a Princesa está saindo do cativeiro! — o chiado da voz eletrônica no ponto do ouvido de Kyungsoo latejou em seu ouvido. 

Do outro lado, Abigail, conseguiu ver o sinal positivo que o chefe fazia um homem baixinho e um pouquinho carrancudo.

Daminhas a ordem, Peixe Palhaço

Músicos, okay

Organizar uma festa de casamento correspondia bastante a Missão Impossível, ele poderia muito bem colocar a trilha sonora do filme no lugar dos músicos que cantavam Love Yourself do Justin Bieber, o que era muito irônico já que Love Yourself não era uma música romântica, uma péssima escolha para uma cerimônia de amor eterno. Deveriam ter escolhido Favorite Girl, seria uma escolha melhor! Teria que falar urgentemente com o músico. 

Peixe Palhaço, quem escolheu Love Yourself? Tipo é Love Yourself, a pior música para se tocar num casamento, a não ser que ela queira o divórcio! — Kyungsoo riu cordialmente para um par de mocinhas que passaram por ele, já que parecia que estava falando sozinho com o ponto escondido na orelha. 

Um lunático falando sozinho.

Foi escolha da princesinha, Pinguim

Tranque as portas para que ela não tente fugir ou ajude ela a pegar o táxi mais próximo.

Abigail riu do comentário infame do seu chefe. As vezes ele era engraçado quando não estava totalmente maníaco.

Os sim foram trocados, agora perante todos aqueles convidados, a noiva jurou ao seu cônjuge amor eterno, na saúde ou na doença, na tristeza ou na pobreza até que a morte os separasse.

O cerimonialista correu para o lado não convencional do casamento, onde todos os garçons trabalhavam. Ele se esgueirou pelos convidados facilmente se camuflando entre as peças de decoração, seu terno não era o mais brilhante e muito menos o mais chamativo. Esse era o trabalho de Kyungsoo, fazer noivos felizes. Preparar toda aquela festa, falar com organizadores de buffet, DJ, costureira, florista, paisagista, até mesmo com padre, se fosse preciso. Poderia dizer que era uma parte importante e ao mesmo tempo que era invisível. 

Tendo dez anos de profissão era humanamente impossível não ter uma equipe toda por trás, por mais que seu nome estivesse na frente e fosse sua marca, ele não agia sozinho. Por exemplo: o chefe que estava servindo brigadeiros era seu sócio-barra-primeiro melhor-amigo ( Baekhyun teria que se conter com o segundo lugar). E a moça que estava se esbaldando na bancada desses mesmos brigadeiros era seu corpo inteiro, Abigail, uma jovem moça que aos poucos tinha se tornado seu bem mais precioso já que não conseguia fazer metade daquilo sem ela. Mesmo contrabandeando os brigadeiros e bem-casados da mesa de doces. 

— Você não tem vergonha de ficar roubando beijinhos como uma criança de cinco anos? — sussurrando em seu ouvido, Abigail quase se entalou com o docinho de chocolate, os olhos dobrando de tamanho. Foi pega no flagra.

— Que susto, achei que fosse a megera mãe da noiva — falando bem baixinho a ofensa à pagadora oficial de toda aquela festa luxuosa. Mesmo que fosse verdade, se seu comentário chegasse à bruxa seria um escândalo. — Eu estou tirando dos ricos e dando para os pobres, no caso eu. 

É uma boa observação, Kyungsoo tinha que concordar.

— Sabe que não deve falar assim dessas pessoas. Pelo menos não alto e muito menos na festa da princesinha. 

O riso de deboche dos dois teve que ser contido assim que viram a senhora com roupas luxuosas e cara repuxada de procedimentos estéticos, o que era um pouquinho medonho já que seu riso era totalmente estático. 

— Festa esplêndida, querido, tudo está perfeito como a minha princesa merece. — As pulseiras extravagantes pagavam facilmente cinco parcelas do carro de Kyungsoo. Eles riram cordiais mantendo a boa postura de profissionais. 

— É um prazer, Sra. Bennet, ver a felicidade das minhas clientes é o meu maior presente. — Abigail riu engessado olhando para o seu chefe. Era uma mentira tão deslavada que ela precisou se segurar para não rir escandalosamente.

A festa dava indícios que não iria terminar tão cedo, Kyungsoo suspirou se afastando, ajeitando uma coisinha aqui outra ali, os recém casados o agradecendo novamente — suas falas estavam emboladas assim como o vestido caríssimo pelo chão com a bordas sujas. Ele ajeitava a gravata de um dos garçons, falava baixinho com a equipe perguntando se estavam tendo algum problema. Kyungsoo por mais cricri que fosse não deixava sua equipe na mão, mesmo trabalhando para granfinos, era nítido que ele não participava daquele nicho luxuoso, era só mais um trabalhador. Também estava cansado, gostaria de sentar e beber Dom Perignon e falar sobre negócios e viagens. Mas essa era a vida real.

— Kyungsoo? — Abigail cutucou seus ombros carnudos, ele olhou para ela em dúvida, mostrou seu pulso com um olhar aflito. 

O cerimonialista saiu festa a fora, Abigail ficou para trás, enrolando naquela festa de granfinos teria que cuidar de tudo antes de pegar o táxi mais perto na caótica NY. Do outro lado, Kyungsoo corria no meio das pessoas naquele espaço caótico por dentro do espaço do buffet. Desafivelou o cinto da calça social de trabalho que era totalmente diferente da calça do terno que estava guardado dentro da capa, o chefe do buffet e seu sócio lhe entregaram o pacote. 

— Você está muito atrasado, Kyungsoo, por Deus! — Minseok lhe deu seu típico olhar julgador que só ele tinha.

— Eu sei, eu sei. Seguinte, a Abigail ainda está aqui, mas eu preciso ir antes. 

— Óbvio, você é o padrinho! — ele choramingou, o som do barulho metálico foi a última coisa que Minseok escutou e o som dos seus olhos revirando. 

Do outro lado, Kyungsoo segurava o celular na orelha tentando encontrar algum uber, táxi, charrete, óvni, qualquer coisa que o levasse para o lugar do casamento do seu melhor amigo, que por acaso era o padrinho. E por mais que isso seja ainda mais irônico, ele havia planejado o casamento peça por peça, cada detalhe. E para ficar ainda mais engraçado nessa situação caótica, estava atrasado.

Mas para mostrar que o mundo estava rindo menos que minimamente, um táxi parou em seu sinal. Ele entrou apressado entregando o papel do convite e o local onde estava marcado o casamento. Desabotoando suas calças, o motorista olhou pelo retrovisor interno do carro para o cliente tirando suas calças. Mais um dia maluco em NY.

— Eu pago o dobro se você chegar antes que eu termine de me vestir. — Ele sempre quis dizer isso, era uma frase de efeito tão boa que todo mundo devia ter a oportunidade de usá-la. 

— Aqui não é Velozes e Furiosos, isso não vai me fazer dirigir o mais rápido. 

— Nem se eu pagar o triplo? — Kyungsoo puxava a calça do terno especial de casamento. O motorista balançou a cabeça em concordância. Acelerando o máximo que era permitido legalmente. Kyungsoo quase caiu do banco, deslizando pelos lados. 

Era difícil enxergar o botões pretos da camisa social, estando all black como era pedido no convite, graças a Deus Baekhyun era muito mais consciente esteticamente que Jongdae que queria fazer algo mais performático e exageradamente gay (se é que é possível sendo o casal mais homoafetivo daquela cidade). Graças aos céus, o sapato não teve que mudar, já que dessa vez tinha lembrado de por seu par mais elegante e não o velho. Ficou muito claro seu desespero tentando ao máximo não chorar tentando dá o nó em sua gravata e faltavam 30 min para o casamento acontecer, onde já se viu o padrinho chegar depois do noivo? 

A sua luta com o tecido ainda não havia terminado, já que era impossível dar um nó duplo com o carro entrando no seu estilo Dominic Toretto, Kyungsoo sempre escorregava no banco. 

Mas como um milagre naqueles momentos decisivos dos filmes, Kyungsoo conseguiu apertar o óculos, sendo mais assertivo que podia no escuro. Avistou de longe o prédio do endereço no convite. 

Kyungsoo sacou a carteira do bolso, tirando 200 dólares. 

— Seguinte, se eu precisar um dia fugir, espero muito que você seja meu motorista. Valeu amigão. — Saiu porta afora correndo pelos lances da escada. Estava com muito medo de estar feio já que praticamente se vestiu no escuro e dentro de um carro. Quando abriu aquela porta dupla a igreja se virou para si, 120 cabeças o olhando em confusão e descrença, ele correu para o seu lugar. Jongdae se aproximou, estava lindo, lindo, lindo, um perfeito noivo. 

De todas as coisas que ele poderia dizer, Jongdae escolheu a mais Jongdae possível:

— Seu cabelo está horrível! — Seu amigo tentou arrumar aquele ninho de confusão no estilo undercut baixinho. Os olhos famintos dos convidados o observavam. Kyungsoo estava escarlate. — Você pintou o cabelo? 

— Ah sim! Pintei semana passada. Ficou ruim? — Kyungsoo gostava da aprovação de Jongdae para qualquer coisa, mesmo sendo fácil agradar o amigo. 

— Preto azulado. Ficou bom, gostei. — Ele lhe deu um sorriso bonito e sincero. Kyungsoo ficou do seu lado perto do altar. 

Quando a música ecoou pelo salão enfeitado de luzes douradas. Não era como se Kyungsoo estivesse vendo pela primeira vez um casamento sendo realizado, mas a sensação era totalmente oposta ao ver seu melhor amigo se cansando subindo no altar segurando um buquê e prometendo juras de amor eternas. E foi mais difícil ainda não derrubar duas lágrimas no começo (talvez dez contando o discurso). E agora eles seriam felizes para sempre. 

Baekhyun estava na mesa dos recém casados junto da sua família e do seu agora esposo. Sua camisa no estilo vitoriano branca e um corset champagne fazia um contraste incrível, ainda bem que ele tinha bom gosto. Segurando uma taça de champanhe as atenções viraram para si. Ele começou seu discurso. 

— Exatamente há três anos atrás conheci meu atual esposo, que naquela época era apenas um pessoa desconhecida pra mim. Dizem que o casamento sempre é o fim da história, mas eu discordo. Jongdae, a partir de agora a nossa história começa, fico feliz que a minha jornada seja ao seu lado. 

Uma salva de palmas foram ouvidas fervorosamente pelo salão, os convidados estavam em êxtase, os noivos lindos e a decoração maravilhosa.

Na sua mesa, Abigail e Minseok estavam na ala dos solteiros com outros convidados, o trio conversava entre si. 

— Não te deixa um pouquinho mexido, estar no casamento do Baek com o Dae? — Minseok entornou o vinho na taça, suas bochechas estavam começando a ficar vermelhas, o que era um péssimo sinal. Um sinal que sobraria para Kyungsoo.

— Não, na verdade foi um casamento lindo, como sempre. Por que? — disse presunçoso. 

— Você sabe o motivo. — Ele se levantou dando tapinhas em seu ombro puxando Abigail para dançar. 

Minseok sabia mesmo como estragar com o clima. Kyungsoo revirou os olhos em desdém. O cansaço tinha o pego, não queria pensar em besteiras numa data tão especial. Do outro lado, viu Baekhyun e Jongdae dançando lento, porque, óbvio, tinha que estar tocando uma música lenta. Olhando para a sua taça percebeu que pinha colada não iria dar o efeito que queria. Precisava de whiskey. Ele se levantou indo até o bar, agora estava rolando uma grande roda, Jongdae acenou para Kyungsoo entrar, ele fez um sinal com os dedos indicando que depois iria. Ele pediu para o garçom um Rob Roy. 

— Você não odeia casamentos? — uma voz grossa falou perto de si. Aquele homem com certeza era um homem, se é que você me entende. Alto com o cabelo raspado nas laterais, penteado para cima de um jeito imponente, um cabelo loiro quase branco, mãos grandes e muito, muito a ver.

— Na verdade não, eu amo casamentos.

Ele olhou para Kyungsoo como se dissesse: "sério?", e automaticamente Kyungsoo entrou no modo defensivo. Agradeceu ao garçom quando sua bebida vermelha chegou. O homem ao seu lado permaneceu. O negroni em suas mãos mostravam especificamente que eles dois eram os únicos naquela festa tentando se embebedar o mais rápido possível. 

— Você ama casamentos, mas está aqui no bar bebendo um Rob Roy, sozinho? Geralmente não usam casamentos pra flertar? — ele perguntou afrouxando a gravata do colarinho. 

— Eu não sei como funciona a parte do flerte, geralmente fico trabalhando em casamentos. 

— Você é garçom ou gogoboy? — o tom da sua voz evidenciou que era sério enquanto Kyungsoo piscava incrédulo. 

Ele riu por ser a primeira vez que tinham lhe feito uma pergunta tão surreal. 

— Sou cerimonialista de casamentos há dez anos. Eu que organizei esse casamento, aliás, se tiver críticas vai ter que reclamar diretamente com Deus. 

— Agora entendi toda a sua paixão. Legal, nunca conheci alguém que queira estar num casamento por vontade própria. 

Kyungsoo revirou os olhos novamente, talvez batesse o recorde hoje. 

— Aliás, sou Park Chanyeol, ex do noivo, prazer. — Ele estendeu as mãos que poderiam muito cobrir as suas num aperto de mão firme, o anel em seu dedo estava gelado.

E novamente Kyungsoo olhou para baixo rindo balançando a cabeça em negação dando mais um gole grande em seu Rob Roy. 

Chanyeol estava esperando uma reação dele, algo como: "Uau, ex do noivo?", as não foi isso que recebeu. O cerimonialista respondeu.

— Prazer é todo meu Chanyeol, sou Kyungsoo, ex do noivo. 

O queixo de Chanyeol foi ao chão. Talvez essa seja a reação que ele quisesse. Uma baita coincidência. A realidade era essa Kyungsoo era ex de Jongdae e Baekhyun era seu melhor amigo, segundo melhor amigo. 

— Então quer dizer que eu não sou o único fracassado a ir no casamento do ex. Mas óbvio você está mais na merda que eu já que planejou todo o casamento. Nossa isso é inacreditável. — Ele pediu outro drink, aquele parecia ainda mais forte. 

Kyungsoo pediu um igual. 

— Pois eu acho que você está mais na merda do que eu já que não superou o término, o que foi, Baekhyun te traiu? — dando um gole na sua bebida Kyungsoo queria saber, estava muito curioso. 

— Não, ele é meu primeiro namorado do ensino médio. 

— Ata entendi, então é uma paixão mal superada. Bem típico do seu tipinho

Meu tipinho? — Chanyeol imitou seu tom. 

— É, sabe, o que aparece no casamento do ex e fica resmungando que odeia casamentos. Isso para mim parece alguém amargurado. 

Sabia que estava sendo babaca, ele sentia que estava sendo um merdinha total. Mas aquele cara tinha começado primeiro merecia alguém para botar em seu devido lugar. 

— Não sou amargurado, estou apenas trocando figurinha com alguém que tem mais problemas que eu. 

— Você não me conhece, cara. — Kyungsoo saiu do balcão, não se despediu e não fez questão, para ele, preferia não ver aquele sujeito nunca mais. Uma criatura totalmente egocêntrica mergulhada totalmente dentro do seu próprio ego, chutava que a profissão dele fosse advogado. Pra alguém tão mesquinho e babaca com certeza era. 

Abigail o viu de longe e o puxou para dançar com os convidados que ainda estavam muito animados. Por mais que estivesse morrendo, xoxo e capengo, mandar aquela dor para debaixo do tapete só hoje não o faria mal.

Mas óbvio que no dia seguinte fez.

Kyungsoo não sabia como havia parado em seu apartamento, ele não estava nem brincando, talvez tenha sido os jogos com bebidas. O gosto forte em sua boca era muito presente, tinha gosto de whiskey e morte. Até mesmo seu campo de visão estava o irritando. 

Nunca mais ia viver como se o amanhã não o esperasse no dia seguinte estava velho demais para isso. Principalmente que interferia na sua rotina, Kyungsoo odiava falta de rotina, tinha que acordar e saber o que faria no dia, todos os passos, onde iria, com quem iria. Geralmente era bom de papo e fazia as pessoas caírem no seu encanto, tinha que ter jogo de cintura no mundo dos negócios e principalmente no mundo dos casamentos. 

Conviver com noivas não era algo fácil, era o dia mais importante da vida delas e mulheres poderiam ser totalmente histéricas se algo não saísse do jeito planejado, mas para tudo havia uma solução no mundo de Kyungsoo. 

O banho gelado e uma vomitada deprimente tinha o livrado de uma ressaca boa, por mais que ainda estivesse no mundo da lua e sentindo como se estivesse caminhando nas nuvens. Pelo menos sua cabeça não doía mais depois do analgésico e de uma boa cochilada.

Sacou o celular do bolso checando seu email, era apenas sua rotina daquela semana que Abigail havia mandado e contatos de confirmação dos seus compradores e clientes. Nada fora do comum. Semana que vem seria uma grande comemoração, tiraria a semana inteira só pra ver de perto aquele casamento, daria total cautela a ele.

Sorte que sua casa estava em bom estado de limpeza e não aguentaria o cheiro de desinfetante tão cedo, não depois do desastre do banheiro. Seria bom comida caseira, mas entre se levantar e fazer uma sopa de tofu era muito mais fácil abrir o aplicativo de comida e pedir uma pizza com um grande combo de batatas fritas e refrigerante.

E foi isso mesmo que fez, dessa vez sairia da sua rotina e de sobra da dieta que tanto gostava de seguir. Todo mundo merecia um docinho. 

 

[....]

Arthur poderia muito bem matar Park Chanyeol naquele exato momento. 

Ninguém nunca iria descobrir, mas iriam com certeza desconfiar do suspeito número um ser seu melhor amigo. Era um peso muito grande ter essa árdua tarefa quando Chanyeol não era nada mais nada menos do que o maior filho da puta que já existiu. Vamos ser sinceros, que no meio onde estavam inseridos e na classe social que ocupavam, ser um babaca não era novidade. Fazer parte da orquestra de NY e, principalmente, sendo violinista, era uma posição no mínimo vantajosa para ser o que quisesse ser. 

Chanyeol era um desses babacas que gostava de fazer todos ensaiarem de novo, mesmo estando todos cansados e pensando seriamente em enfiar um arco nas suas próprias gargantas. 

Foi olhando para Laila, uma garota russa que se juntou ano passado à sinfonia, dando um olhar fatal e levantou sua flauta de um jeito ameaçador, pelo menos não seria um único a ser um suspeito em potencial. 

Mas ao mesmo tempo que queria com certeza enfiar Chanyeol num saco preto e despachar, era inegável seu talento como violinista principal, era mágico e até mesmo hipnotizante a forma de como ele fechava os olhos e entrava no mundo só seu, era como ver um conto de fadas pegar cor e forma. Mesmo tendo que se segurar para não errar no piano, Arthur gostava de observá-lo. 

Chanyeol era como um presente enviado dos céus para aquela orquestra, um prodígio — como a nossa professora do primeiro ano de música costumava a dizer —, ele poderia ser muito pior, ter um gênio ainda mais forte. Músicos são sentimentais. E os ricos são os piores. 

Com a última nota tocando no instrumento de cordas, Chanyeol largou o violino como se tivessem chamas ardentes corroendo seus dedos. Seus colegas o seguiram suspirando. 

Ele bateu palmas com o encerramento do ensaio. Seus colegas o seguiram não tão entusiasmados. Se alegram pouco depois com o pedido de que todos saíssem pra comer e beber por sua conta como pedido de desculpas pelo esforço contínuo. E era por isso que todos amavam Chanyeol na mesma intensidade que odiavam. Ele era o que poderia chamar de popular. 

— Park, sinceramente, pensei hoje que valeria a pena te jogar do palco — Thomas disse servindo mais uma dose de suju, uma bebida coreana que Park tinha lhe apresentado no segundo ano da faculdade. 

Todos a mesa concordaram. Ele puxou as mangas da camisa social azul, rindo para o colega. 

— Seria divertido ver você tentar. Vocês vivem tentando me apunhalar pelas costas, mas olha onde estão, se deliciando de um banquete que eu vou pagar. No mínimo injusto. 

Eles riram do tom não cortês na sua voz. A verdade é que viver numa orquestra levava uma medida de estresse e calmaria. Muitos músicos juntos dava nisso. Arthur serviu Chanyeol, os dois amigos conversavam mais baixinho, às vezes fazendo um ou dois comentários bobo sobre algo que seus colegas falavam.

— O que foi? Não caíram de amores por você no casamento do Baekhyun? — Arthur pegou uma porção de batatas fritas, molhando no ketchup.

— Ah, sim, teve um cara lá, mas ele me tratou mal, me chamou de babaca, mas ele era tão bonito que relevei. Mas pra mim foi um choque. 

— Foi um choque pra você finalmente alguém ter te dado um fecho? Não estou te humilhando tanto como eu deveria. 

Chanyeol fez biquinho e revirou os olhos. 

— Você me ama, para com isso. 

— Cada um acredita nas mentiras que te deixam dormir. 

Chanyeol bateu seu ombro, ele era adepto a esses gestos de violência. Arthur massageou onde doía rindo.

— Mas você queria o quê, Park?! Insultar casamentos para um cerimonialista, é tipo de se alguém chegasse pra você e dissesse que Mozart era o cara mais xarope do mundo e que musica clássica é um lixo. 

— Mozart é um gênio e casamentos são um contrato de escravidão! Música clássica é pra quem tem bom gosto.

— Viu? Você já está irritado — Arthur cantarolou. 

Chanyeol se levantou do seu lugar, indo para seus outros colegas, toda vez que Arthur pegava no seu ponto sensível, Chanyeol, como bom adulto que era, se retirava dizendo que ele não entendia seu ponto. Uma gritaria começou novamente e lá estavam de novo em outra rodada de bebidas. 

 

Terno era uma opção de vestimentas que Chanyeol sempre tinha por perto, um bom terno é algo a se ter sempre que puder, nunca se sabe. Naquela manhã escaldante e ensolarada, ele pegou seu melhor par de óculos escuros e fingiu prestar atenção no discurso do padre. Era seu recorde estar em dois casamentos em cinco anos, palmas para ele. Arthur não poderia estar numa posição menos desfavorável, quase dormindo naquele banco duro e desconfortável de igreja. Às vezes ele levantava a cabeça em pânico de ser pego, Chanyeol ria divertido. 

— Isso não vai acabar nunca, ele pretende citar toda a bíblia com novo e velho testamento? — Arthur comentou. 

— Não seja tão dramático, logo ele chega no livro dos apóstolos. 

Ambos riram das suas piadinhas infames. A senhora ao seu lado os olhou em repreensão. 

Quando o sim foi dito finalmente, Chanyeol se aprontou para jogar arroz nos recém casados que escolheram se casar ao ar livre num jardim muito bonito.

A coisa que mais prestou atenção na cerimônia toda foi na moça de cabelo rosa cacheado que parecia muito algum doce, que andava para cima e para baixo falando baixinho sozinha, mesmo com uma roupa neutra era impossível, pelo menos para Chanyeol, não prestar atenção nela, já que quando falava sozinha algo acontecia na cerimônia do casório, até mesmo pombas brancas da paz voaram quando a noiva disse sim e ela deu um okay para alguém que Chanyeol não conseguia enxergar do seu lugar no banco. Era como observar um mágico mostrando seus truques. 

Rachael Kim era sua amiga de longa data, foram para a mesma escola particular, junto de Arthur, claro, eram inseparáveis, agora ela seria a primeira do trio a estar casada. O trio de amigos tiraram fotos e trocaram boas lembranças do tempo da escola e da adolescência, agora eram trintões. 

Arthur cochichou no ouvido do amigo que estava quase na hora de apresentar seus presentes, Chanyeol balançou a cabeça, o amigo saiu em disparada para onde o piano de cauda estava.

O músico rondou um pouquinho mais na festa, cumprimentou algumas pessoas no caminho e bebia champanhe, gostaria de algo mais forte que aquilo mas precisava se assegurar de que não beberia demais.

A moça de cabelo rosa passou por si apressada, agora mais de perto ele percebeu que havia um ponto em seu ouvido, fazia total sentido. Chanyeol a seguiu devagar até que ela sumisse do seu campo de visão o fazendo esbarrar numa pessoa. 

— Não lhe vi, peço perdão — Chanyeol disse.

O esbarrado ainda mexia no braço, mas logo se endireitou falando:

— Magina, acontece. — Quando Chanyeol olhou para aqueles olhos expressivos não poderia esquecer de tamanha coincidência. Era o mesmo cerimonialista. 

— Ah, não, é você. Ótimo, meu dia não tinha como melhorar em 100%.

Ele se afastou, andando para onde devia ir, mas o músico não o deixou passar, agora as coisas estavam ficando interessantes. 

— Deixa eu adivinhar, é mais uma ex sua? — ele falou com sarcasmo, Chanyeol gostou daquilo. 

— Não, dessa vez eu só vim como amigo. 

— Que pena da noiva, então. 

Ele riu, realmente achando engraçado como o cerimonialista ficava puto e afobado, andando apressado entre os convidados. 

— Na verdade, vim tocar no casamento — disse cheio de si.

— Jura? Agora tudo faz sentido, você é músico!

— Isso é ruim? — Chanyeol perguntou.

— Muito ruim, muito ego. — Uma voz chiada foi ouvida. Kyungsoo olhou para a esquerda apenas dando de ombros. 

Agora Chanyeol entendia tudo, a garota rosinha era sua colega de trabalho. Fazia sentido. Ele iria o seguir, mas o som de um microfone sendo testado chamou sua atenção. Já estava na hora.

Em um palco de madeira redondo estava um piano preto e do seu lado um violino, os dois homens foram recebidos com aplausos calorosos. Chanyeol puxou o arco do violino e posicionou em seu ombro, do seu lado um moço alto, negro, de cabelos cacheados e corpo gordo começou a tocar as primeiras notas de uma canção romântica. A feição da noiva foi de ternura a leves lágrimas, os dois músicos sabiam que essa era a música favorita dela, aquela na qual ela disse uma vez, brincando, que queria um dia se casar com essa música. Era um presente especial para uma amiga tão querida. 

Chanyeol abriu os olhos se certificando que estava tudo certo com a apresentação ensaiada de última hora, olhando para Arthur para verificar se estavam em total sincronia. Mas seus olhos resgataram o de Kyungsoo na plateia, seu olhar não parecia encantado e surpreso, mas, sim, de certa forma chorão. Aquele ar sofrido. Estava quase acabando a música, Rachael estava feliz e isso era o que importava, quando os olhos de Chanyeol o caçaram de novo, Kyungsoo olhou no fundo da sua alma, deu um suspiro e partiu. Uma infinita lista de perguntas passaram pela sua mente. O que havia acontecido? 

 

[...]

Kyungsoo estalou as costas que precisavam de um descanso, o casamento de Rachael Kim era de longe um dos mais trabalhosos nesses últimos meses, por mais que pegasse muitos casamentos para organizar por puro prazer maníaco num nível assustador, aquele preferiu tirar todas as suas forças. Rachael Kim vinha de uma família asiática importante dentro de NY, eram donos da La Beauty, uma importante marca de cosméticos, então tinha que realmente se empenhar e fazer mais uma vez seu nome como marca. A decoração com piso de vidro com luzes brilhantes por dentro se assemelhava a um chão de estrelas.

A área era coberta por uma tenda extensa e brilhante com tulipas espalhadas por todo aquele cenário, em homenagem ao noivo estrangeiro. Sem contar todos os pequenos luxos dentro daquela festa com pombas na hora do sim, flores vindo diretamente da Holanda, pulseiras da Tiffany encomendadas a dedo, relógios caríssimos passando com vistorias, lembrancinhas no tom específico de lilás. Sem contar o grande banquete reunindo comida coreana e pratos típicos da Holanda. Não só Kyungsoo estava exausto como toda a sua equipe, eles pegavam esse tipo de casamento especificamente apenas uma vez ao ano. Sem contar que Kyungsoo teve que implorar para a Constance Zahn daquele mês escolher o casamento da sua cliente para entrar na capa como noiva também. 

Sem contar todo o desgaste físico e mental que também veio com tudo quando ouviu a música que aquele patife estava tocando. Kyungsoo obviamente não sabia que ele era músico, mas devia ter adivinhado, foi de uma surpresa incrível quando viu o rapaz daquele tamanho se posicionar para tocar tão delicadamente as teclas do piano como se estivesse fazendo carinho no instrumento. 

Mas nada o preparou pra ver aquele cara com a camisa social branca maior do que seu tamanho habitual tocar um violino de um jeito tão hipnótico e arrebatador principalmente quando as primeiras notas de My Heart Will Go On tocaram, era uma de suas músicas favoritas. Na verdade, ele não conseguia tirar os olhos da figura alta e esguia com dedos tão ligeiros e ao mesmo tempo tão singelos. Foi impossível para Kyungsoo não viajar por um tempo tão distante que o lembrava de coisas que machucavam, quando os olhos de Chanyeol pousaram nos seus, ele teve uma reação de correr para longe, e foi isso que fez. Limpando algumas lágrimas no processo, iria se esconder onde não o achariam. Um homem adulto chorando em casamentos só por ouvir My Heart Will Go On sendo que todo casamento tocava, mas daquela vez foi diferente. Tinha cheiro de perfume amadeirado e cigarro, um cheiro muito característico para si. O cheiro do seu pai, ele se lembrava perfeitamente de ir ao cinema quando o filme estreou. Foi o último filme deles juntos. Mas o que lhe tinha feito chorar foi a forma como Chanyeol tocou.

Seria possível ficar tão emocionado com alguém tocando tão lindamente?  

Kyungsoo estava naquele ponto específico para casamentos de trás de toda organização, lá ele encontrou duas celebridades dividindo um baseado e um barulho horrível de engasgo. Bom não era nenhuma novidade do que poderia acontecer em festas como essa, o homem saiu da salinha o mais apressado, logo depois uma mulher tentando se esconder com uma bolsinha da Gucci cobrindo o rosto, mas aquele cabelo ruivo era reconhecido em qualquer lugar do mundo.

Ele se sentou no banco, puxando as pernas curtas para cima, o tecido da calça era larga o bastante para que não prendesse em sua pele, tirou um cigarreira metálica do bolso. O isqueiro riscava pela terceira vez, estava difícil fazer uma faísca. Ele estava tentando parar de fumar, já tinha começado a se exercitar com mais frequência e Abigail tinha jogado todos os seus maços escondidos fora, já que ela sabia muito bem que ele ainda escondia, dar intimidades para as pessoas levava a isso: elas sabem muito sobre você, e quando percebe, não consegue mentir para elas. Teria que dar seus pulos para que não sentissem o cheiro de Marlboro. 

— Divide esse cigarro aí comigo, não tô aguentando mais esse ambiente. Muito branco — aquele tom cortante e a voz grave só poderiam ser de uma pessoa, assim como aquelas mãos grandes que tocavam um instrumento tão pequeno. Kyungsoo deu espaço para Chanyeol que puxou o tecido da calça para se sentar apoiando os cotovelos nas coxas que Kyungsoo inocentemente reparou serem grossas, não tinha culpa se marcavam muito bem no tecido caro da veste. 

Ele puxou as mangas da camisa branca, abotoando as mangas, alguns hábitos não sumiam em meses.

Tirou o um isqueiro vermelho do bolso novamente, no qual havia gravado a paisagem da famosa torre de Paris. Era apenas um dos que ele tinha escondido pelas calças. Fumar era um costume antigo seu, adultos não eram muitos pulidos nas frentes das crianças nos anos oitenta. Todos adultos que Kyungsoo conhecia fumavam, não foi difícil um adulto não responsável oferecer seu primeiro cigarro. Sendo bem sincero, por mais que aquela droga fosse péssima para a saúde, foi assim que ele conseguiu conhecer muitas pessoas.

O uso do cigarro era sempre uma boa desculpa, foi com isso que ele acendeu uma chama, deu uma tragada longa e soltou a fumaça pelo nariz encostando as costas nos tijolos frios da parede. 

— Essa merda é boa demais. — Ele riu descontraído com uma leve moleza no corpo, Chanyeol riu de volta. Ainda estava tentando se recuperar da imagem mental de Kyungsoo fumando e continuar tão bonito. Tratou rapidamente de mudar o rumo dos seus pensamentos.

Kyungsoo tirou mais um, e ofereceu para o violinista, seus dedos compridos engatinhavam a caminho do isqueiro em sua mão esquerda, Kyungsoo foi mais rápido, trazendo sua mão para o peito do Chanyeol que apertava o cigarro com força nos lábios. Ele se aproximou o suficiente para sentir sua respiração em conjunto da sua. Juntaram o cigarro um no outro. Não era a primeira vez de nenhum dos dois fazendo isso. Chanyeol se afastou, ainda sentindo o cheiro de loção pós barba. Era um cheiro masculino. 

— Você tem cara de quem manja de bolar um bom baseado.

— E você, senhor Park, tem cara de quem não consegue tragar sem se engasgar.

— Não se preocupe, não é a minha primeira vez. 

Kyungsoo sorriu de lado. Era a primeira vez que ele prestava atenção em detalhes do sorriso de um outro homem. 

— Sobre bolar baseado, com certeza Minseok é melhor do que eu, a seda sempre fica sobrando, eu nunca consigo fazer ela ficar numa marcação certa. — Seus dedos mexiam como se estivessem bolando um beck imaginário, Chanyeol sorriu, não queria assustar Kyungsoo. Tinha medo de que se falasse alto demais ou apenas respirasse ele iria dar as costas e vestir sua farda de sargento novamente. 

— Você veio me perguntar o porquê de eu estar chorando, não é? 

Kyungsoo não deixava escapatória, preferia começar sempre jogando sal na ferida e esfregar do que ir pelas beiradas, anos lidando com gente meio desequilibrada e ricas fazem você ter um senso de ir logo ao assunto antes da pessoa desviar. E por qual outro motivo Chanyeol estaria ali se não fosse por isso? 

— É, não me leve a mal, sabe, só que você saiu correndo e chorando. Meu ego de músico ficou machucado, geralmente jogam rosas em cima de mim. — Soltou a fumaça para cima observando as pessoas passarem apressadas para o canto mais remoto. 

— Logo que é algo muito difícil não ferir seu ego. 

Kyungsoo se levantou, batendo a poeira imaginária das suas roupas, Chanyeol fez o mesmo, seguindo ele. O cerimonialista andava apressado, se esgueirando das pessoas como um mágico sem esforço algum, enquanto Chanyeol ficava para trás toda vez que o alcançava, até mesmo tentando alcançá-lo com o braço. Quando chegaram ao final da festa Kyungsoo empurrou uma porta de metal olhando para Chanyeol antes da porta se fechar por completo ele correu para o corredor. 

Estava tudo escuro, e naquele momento Chanyeol se perguntou pela primeira vez se seguir Kyungsoo não foi uma boa ideia, ele se localizava principalmente pelos sons dos sapatos no piso. 

— Você tem medo do escuro, Chanyeol? 

— Não, mas em compensação tenho medo de cerimonialistas maníacos. 

Kyungsoo gargalhou, ele sabia o que estava fazendo, como andar naquele corredor que não era tão longo e nem abafado. Sentiu seus dedos enroscaram nos seus. E finalmente viu a luz das ruas, dos prédios da avenida movimentada, levou um xingo de um cara com certeza uma ofensa xenofóbica.

— Toma cuidado por onde anda, Park, o pessoal de New York tem costume de morder, você sabe, né? 

Agora estavam os dois andando lado lado, Kyungsoo ainda não tinha falado uma palavra e Chanyeol também não se esforçava para quebrar o gelo, não era desconfortável mas a pergunta estava na ponte da sua língua só queria um espaço para poder retomar ao assunto que levaram os dois a caminharem pela 5th Avenue. 

— Então… — Chanyeol queria saber, ele estava se coçando por isso. 

— Chorei porque tinha que chorar, satisfeito?

— Achei que era pela minha beleza. 

— Você nem é tão bonito assim, Park Chanyeol! 

Era mentira, mas não daria esse gostinho para ele.

Desde de quando precisava ter a urgência de conhecer alguém para saber as velhas fofocas sobre a sua vida?  

Kyungsoo apontou com o queixo para um bar, a decoração mais intimista com iluminação âmbar pareciam dois fugitivos estando tão arrumados. Se sentaram na mesa mais afastada do estabelecimento os dois pediram whiskey com gelo. 

— Já pensou que talvez whiskey seja o que ligue a gente? 

— Isso era pra ser uma cantada? 

— Não. Talvez um início de amizade? 

Ele ergueu o copo em paz, usando seu melhor olhar açucarado Kyungsoo relutante bateu o copo no seu. 

— Whiskey não é a minha bebida favorita, sabe? Eu gosto muito mais de soju. 

— Eu sou muito mais um vinho. Tô ficando velho para whisky. 

— Então por que pediu um duplo logo? — Chanyeol perguntou intrigado.

— Já disseram para você que a curiosidade matou o gato? — Ele bebeu o restante da sua bebida. Sua resposta parecia áspera mas com certeza seu semblante era outro. 

— Como você quer manter essa amizade me dando respostas tão atravessadas assim? — Chanyeol levantou o dedo pedindo mais uma rodada, o garçom prontamente serviu o copo vazio. 

— Eu sou muito amargo, meus amigos vivem dizendo que eu posso ter trinta e três mas com o humor de um idoso de setenta.

— É mesmo? Nossa, eu nem percebi.

E os dois brindaram mais uma vez. Kyungsoo tinha desistido do Whiskey e passou para o vinho. Chanyeol pediu o cardápio escolhendo qual seria o jantar daquela noite. A realidade é que Kyungsoo mal comia quando estava nas cerimônias eram tantas coisas rondando a sua mente que seu corpo só ia pedir por alimento quando estava deitado na cama numa posição muito boa para se levantar o cansaço acabava matando a fome. 

— Eu não conhecia esse restaurante, ele é lindo. 

O teto era totalmente ornamentado com peças de metais com a iluminação por dentro transformado quadrados de diferentes tamanhos, sem contar as luzes mais claras que viam do chão. 

— Eu amo esse restaurante, dizem que eu pareço com o dono, mas na minha cabeça não parece em nada — disse Kyungsoo dando uma garfada generosa na sua comida, parecia desesperado ao ponto de até mesmo lamber o prato.

 

Na quinta rodada, Kyungsoo já havia tirado a parte de cima do terno, Chanyeol tinha os cabelos bagunçados e as mangas abertas de uma forma vulgar que faria sua mãe surtar em vê-lo com os cotovelos na mesa.

Aos poucos, os dois iam se soltando cada vez mais. Não pareciam os dois ranzinzas que desejaram mutuamente uma piscina de óleo fervente para esquentar o verão. Kyungsoo e Chanyeol descobriram muitas coisas compartilhadas ao longo da vida, seus ciclos de amigos e familiares chegaram a se chocar muitas vezes é realmente incomum como os dois não se conheceram antes. Sem contar o fator principal, Baekhyun! 

Byun Baekhyun era o elo que segurava ainda mais os dois, mas o modo que Baekhyun nunca tocou no nome de Chanyeol e nem tentou apresentá-los deixava uma dúvida no ar. Pra ser sincero, ele tocava em seu nome de uma forma mais leviana e brincalhona: "meu primeiro namorado, era um cara legal, o tempo que passamos juntos foi divertido, e ainda somos amigos!". Não tinha tantas pistas assim do seu passado, a única coisa que sabia é que Chanyeol não era um dos ex's da lista vão para o inferno que Baekhyun e ele fizeram anos atrás. 

— Então seu trabalho consiste em fazer o dia dessas noivas serem perfeitos e roubar docinhos no final da festa? — Chanyeol disse, mas daquela vez não irritou Kyungsoo. 

— Sim, é esse meu trabalho, é fazer o dia de alguém perfeito e eu adoro. É uma tradição de família praticamente, minha mãe é uma design de moda, ela fazia vestidos de noivas exclusivos. Bom…— Kyungsoo deu de ombros a palavra mãe desceu salgada e pesada na ponta da sua língua,mas era impossível não saber quem ela era. — É isso. 

— Entendi. Eu ainda mantenho a minha mesma opinião.

— Ah, sim, bom eu compreendo e dou um adendo de um grande vai se fuder desse tamanho! — Suas mãos se estenderam de um lado ao outro, era cômico já que suas bochechas estavam vermelhas e seu jeito ácido não havia partido. 

Ao mesmo tempo em que a bebida ia entrando os dois iam tirando proveito dessa situação, já haviam pedido a quinta de cerveja, a fumaça subia trazendo um cheirinho incrível de carne grelhada. Kyungsoo gostava dela praticamente sangrando, enquanto Chanyeol preferia bem passada. Sua língua começava a ficar leve e solta, os seus dedos não sentia mais o tato, Kyungsoo ria para o vento.

— Sabe, Chanyeol — ele começou dando um soluço antes de completar sua frase, encantado do seu próprio deslize como uma criança que aprende que tem pés. Seu rosto estava muito vermelho e seu olhar dizia que ele iria falar a coisa mais importante de todas ou a mais idiota. Chanyeol apostava na mais idiota. — Eu tenho uma maldição, eu sei que parece loucura. Mas é verdade, eu sou amaldiçoado porque todo ex que eu tenho se casa depois que termina comigo. Para de rir Chanyeol! 

O violinista se contorcia de rir na cadeira do restaurante se debatendo e batendo com palmas da forma mais rude e nada contida. As atenções estavam voltadas para aquela mesa no momento que Chanyeol pediu para servirem, e agora completamente bêbados não seria diferente as olhadas de desconforto e até mesmo divertimento vindo de dois bêbados fanfarrões. 

— Eu juro que não estou rindo de você, mas sim com você! 

O que era uma mentira, óbvio! Kyungsoo contava sua história como se estivesse num filme de cachorrinho que perdeu o dono, com os olhos lacrimejando e até um beicinho para um homem adulto chegava ao ponto de ser cômico. Aquele comportamento não combinava com ele, não era o mesmo homem que tinha lhe ameaçado há semanas atrás.

— Como é mentiroso dá pra ver no seu rosto que está se divertindo às minhas custas! — Por Deus estava fazendo biquinho e cruzando os braços isso deixava aquela situação cada vez mais cômica. 

Até Chanyeol desconfiar que não era uma brincadeira de bar, Kyungsoo realmente acreditava que estava amaldiçoado.

— Pera, cê tá falando sério, cara? 

— Sim, eu estou! Eu tenho até um apelido: ong de homem, eu sempre escolhi aquele que tem problemas internos que precisa de terapia, seu cachorro morreu, sua mãe não te ama, você não é padrão? Não se preocupe, passe um mês namorando comigo que a sua vida magicamente toma um rumo. Eu tive um ex que foi pra Milão e se casou com um modelo! 

Era uma piada dentro do grupo de amigos de Kyungsoo, ele sempre escolhia o boy coitado, aquele todo esmigalhado pela vida, todo borocoxô e sempre era deixado e trocado no final! Consertava o cara em uma semana fazendo ele ter o mínimo de autoestima e depois era descartado ele já está acostumado a dar o melhor e receber seu pior. O problema é que ele não sabia de onde vinha essa vocação para ser babá de macho! Baekhyun dizia que era porque Kyungsoo tinha vontade de transformar e moldar todos à sua volta, ele dava um estilo, um propósito, algo para lutar. E no final era descartado já que seu trabalho estava feito. Tinha até mesmo perguntando a Jongdae em um momento de desespero porque não tinham dado certo já que compartilhavam tanto em comum ele estava arrumando suas coisas para ir embora, Kyungsoo chorava com toda a sua força pedindo para que não fosse. Jongdae apenas respondeu.

— Kyungsoo, eu não sou seu brinquedo. Eu não sou alguém que você vai encher de sonhos e moldar para que todos vejam. Eu sou um homem, eu preciso de alguém que me dê segurança, não alguém que queira me consertar. 

Um ano depois, Baekhyun assumiria esse papel de lhe dar segurança, algo estável. No começo sentiu tanta raiva dos dois que passou meses sem tocar no nome do amigo e do seu ex namorado. Onde Baekhyun frequentava e Kyungsoo sabia que ele estaria, a sua presença foi escassa. Até os dois terem uma conversa séria, Kyungsoo se lembrava das taças de vinho sendo quebradas, de choro, de desabafo e de acabar nos abraços de Byun Baekhyun.

Anos depois ele estaria no altar ao lado de Jongdae, mas não como ele pensou. Não estaria entrando pela porta de frente, mas como padrinho. Rancor não era a palavra que guardava por ele. Mas sim, talvez. Talvez era a grande esfinge que em noites de insônia encarava Kyungsoo com os seus olhos predadores e garras afiadas, não importava o quanto ele virasse de um lado para o outro em sua cama, uma vozinha em sua cabeça repetia: "Já pensou se ele fosse seu? Se ele não tivesse ido embora?".

Era como um espinho cravado em seu peito, uma ferida que foi curando cada dia mais ele pensava que apenas seguiram caminhos distintos. Jongdae tinha sua felicidade e a sua vida. Ele teria a sua também. 

Chanyeol suspirou, olhou diretamente para Kyungsoo que estava tão despido em sua frente. Falando abertamente sobre seu passado e seus medos. Por mais que ele estivesse totalmente bêbado não que seu estado também fosse diferente. Eram dois homens patéticos sentados numa mesa de bar. 

— Quando eu terminei com Baekhyun eu disse para ele que tudo passava de uma grande bagunça, eu era muito novo. E ele era tão bonito! Sabe, eu fiquei encantado com tudo sobre ele. Até perceber que eu era a pessoa mais odiosa que alguém poderia namorar. — Estava sendo sincero agora, por mais que a sua postura passasse um ar descontraído, por dentro seu estômago regredia. 

Pensar em Baekhyun depois de tantos anos era uma mistura de risos e pensar em como tinha sido imaturo e um completo imbecil. Praticamente pedindo para ficar, mas Chanyeol deu as costas e as palavras saiam cada vez mais amargas. Não foi fácil terminar, pensava em Baekhyun a cada segundo, quando se deu conta um mês já havia se transformado em anos e Baekhyun era só uma lembrança. Se não fosse pelo Instagram eles nunca teriam voltado a cruzar suas vidas novamente. Byun Baekhyun não havia mudado em nada, apenas tinha ficado mais maduro agora falava as coisas em sua cara sem dó alguma. O passado sempre volta à tona se você não souber resolver suas questões e foi isso que elef ez naquela noite de quatro de dezembro há anos atrás pedindo para Baekhyun que voltasse a ser seu amigo. 

Ali estavam dois homens, frente a frente, que tinham tanto a dizer sobre suas vidas. Não eram santos porque assumir a responsabilidade depois de adulto era algo que você não poderia fugir. De certa forma Kyungsoo entendia o que era ser uma pessoa ruim assim como Chanyeol também sabia que não era fácil.