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O Dia da União já havia começado.
Luz e seus amigos enfrentavam Belos—ou melhor, Philip, na esperança que seja possível parar seu plano. Cada um dava seu melhor, porém era em vão, pois eles lentamente percebiam que Philip era bem mais forte que eles, principalmente naquela forma.
— Luz, cuidado! — Amity gritou, mas Luz não teve tempo de reagir rápido o suficiente para desviar de Philip, a lançando para fora da ponte e caindo no chão. — Luz!
— Eu estou bem! Continua lutando que eu já subo!
Amity hesitou por um momento, mas acenou e voltou para ajudar os outros. Ela olhou pro lado e viu algumas escadas. Estava pronta pra se levantar e correr pra tentar ajudar, mas então...
— Luz! — Uma voz interrompeu seus pensamentos. Ela olhou pra trás e avistou King correndo com os braços esticados em sua direção. — Você se machucou?
— N...Não, não se preocupa...
“Droga! — Luz pensou. Parecia uma situação impossível. Ela tentou se levantar. — Não há nada que a gente possa fazer?!”
— Não... tem jeito. — Luz olhou pra frente, atrás de King, e viu Kikimora no aberraton, enfraquecida por causa do Feitiço de Drenagem. Ela encarou Luz e King, que a encarava de volta, a ouvindo. — Belos não consegue impedir o feitiço tanto quanto eles. Apenas o Colecionador tem esse poder.
— Quem... é o Colecionador? — perguntou King, se aproximando lentamente dela.
— Não é um bruxo ou demônio. É uma criança das estrelas. — respondeu Kikimora, desviando seu olhar e olhando para seu braço com a marca do clã no seu braço.
“Uma criança?”
— Belos só falou com ele quando pensou que não havia ninguém por perto, mas eu sempre ouvia. Belos tinha medo dele.
— Nos leve até ele! — Luz falou rapidamente. King acena, também querendo ir e ajudar.
— Se significa acabar com a bunda do Imperador, — Kikimora se levanta e mostra mais um caminho de escadas atrás dela, — com prazer.
Rapidamente, Luz, junto com King, desce as escadas correndo, com Kikimora indo junto atrás. Ela não pode perder tempo enquanto seus amigos seguram Philip.
Chegando no lugar mais fundo da cabeça do Titã, Luz e King viam várias máscaras e esqueletos quebrados no chão. Era uma visão horrível.
— Que lugar é esse? — King pergunta, um pouco assustado.
— Onde os fracassos acabam. — respondeu Kikimora. Luz engoliu seco. Os dois olharam ao redor e avistaram algo no chão e caminharam até ele. King encara aquele objeto de vidro e a toca. Aquilo começa a brilhar e uma sombra negra emerge dela.
— Me deixe em paz! Eu não me associo com mentirosos. — A entidade sombria começa a falar. Aquilo era o Colecionador? Ele olha ao redor e parecia estar um pouco confuso
— Espera. Eu consigo ver você-- — Ele aponta para Luz, e parece ignorar completamente Kikimora que estava atrás deles, — mas eu sei que tem mais alguém aí. Eu consigo sentir! Mas por que eu não te vejo...?
Luz olha para King e percebe que o seu colar estava brilhando. Será que aquele símbolo o deixa invisível para ele? King também percebe isso e tira o colar de seu pescoço. O Colecionador pula de surpresa e se aproxima dele pelo chão. — Você parece aquele valentão que me colocou aqui! Não acredito. Você é o bebê Titã dele?! Eu sempre quis brincar com você, mas seu pai idiota te escondeu. — Ele disse, usando a sombra do King e se transformando em várias figuras diferentes enquanto ele fala. — Ei, você gosta de brincar de esconde-esconde? Eu me escondo primeiro!
— Senhor Colecionador! — Luz o interrompe e pega sua atenção. — Por favor. Precisamos de sua ajuda. Belos está lá em cima lutando com meus amigos e todos das Ilhas Escaldantes estão em perigo, a gente precisa de você.
— Isso! A gente precisa que você pare o Feitiço de Drenagem, por favor.
— Senhor? Nossa, que chatice vocês dois são... — O Colecionador boceja. Luz já estava quase entrando em pânico e ficando sem ideias, até que King para e começa a falar.
— Bem, sabe o que é melhor que esconde-esconde? Um jogo chamado... “A Casa Coruja”!! — King diz.
— Ooh, como se joga? — O Colecionador pergunta, parecendo que estava bem interessado nesse “novo jogo”.
— Ah, é tão divertido, muito divertido! E eu posso te mostrar se quiser. Vamos precisar de muitos jogadores. Uma ilha inteira de jogadores.
— Uh... isso! — Luz entendeu e internamente agradece a King. — Ah, Casa Coruja. Nossa, como eu amo esse jogo! Mas ahn... ah, poxa.
— O que foi?!
— Bem, né... todo mundo vai morrer nesse Feitiço de Drenagem maldito... — King disse, num tom de desapontado, — Acho que não vamos poder jogar esse jogo incrível. Cara, era divertido. — King se virou e caminhou para trás, parecendo que ia sair, mas o Colecionador foi rápido e apareceu no chão na frente dele.
— Espera, se você é um Titã, você pode me soltar! Eu posso parar o Feitiço, e podemos brincar juntos!
Uma luz de esperança veio para Luz e King. — Caramba! Você faria isso? — exclamou King.
— Pera. Vocês dois não tão me enganando pra fazer suas tarefas como o Philip, tão?
— Nós? Que nem Philip? Jamais! — Luz, nervosamente, disse.
— Sim, jamais. Promessa de dedinho. — King mostra o mindinho, e Luz faz a mesma coisa. O Colecionador riu. Então, ouviu-se um rosnado e o chão começou a tremer. Eles imediatamente sabiam que era Philip lá em cima e começaram a ficar um pouco mais nervosos.
— Olha, eu te tiro daqui agora mesmo. O que eu preciso fazer? Você precisa do meu sangue...?
— Não, bobinho! Mas... eu vou precisar de algo a mais. — O Colecionador disse, com sua sombra indo para o lado de Luz. — Eu vou precisar de uma forma física, e é aí que você entra, humana.
— Eu? — Luz aponta pra si mesmo.
— Eu vou precisar do seu corpo para poder sair completamente. Philip tinha uma pessoa que iria servir, mas agora que ele mentiu pra mim, não acho que essa pessoa aparecerá. Então você terá que me ajudar para eu te ajudar, e aí a gente vai poder brincar! E então? Tá dentro?
Luz hesitou. Será que realmente daria certo fazer isso? E se algo desse errado? Mas também seus amigos e a ilha inteira dependiam dela, e ela precisava se apressar. Não tinha como. Ela precisava salvar a todos. Esse era o único jeito.
“Lo siento, Amity, Eda, Willow, Gus, Hunter, Mami... Eu tenho que fazer isso.”
— ...Certo. Eu aceito! — O Colecionador sorriu. Ele colocou sua mão pelo vidro com o dedinho mindinho.
Dando um respiro bem fundo, Luz e King se aproximaram dele e encostaram seus dedos no vidro, mais precisamente onde estava o mindinho dele. O vidro começou a brilhar bastante. No chão, apareceu o rosto dele como um sol, estrelas e as fases da lua ao redor. Na mão da Luz, uma sombra começou a aparecer percorrendo até seu corpo.
— Luz! — King exclamou, mas era em vão. Luz gritava e caia com os joelhos no chão enquanto a sombra consumia mais do seu corpo. Seus cabelos mudavam de cor para um branco puro, e lentamente a cor da sua pele também. Metade azul, metade laranja. Seu rosto e seus olhos brilhavam enquanto ouvia-se o Colecionador rindo. O vidro com formato de meia lua se rachou e caiu no chão. O corpo de Luz brilhou completamente que King e Kikimora precisavam cobrir seus olhos.
E então, silêncio.
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Todos estavam esgotados. Amity, Willow, Gus e principalmente Hunter, que estava no chão enfraquecido pelo Feitiço de Drenagem, não conseguiam mais lutar. Philip se encontrava na frente deles. Ele levantou sua mão, a transformando numa foice, pronto para atacar. Porém, bem quando todos se protegem do ataque, fechando os olhos, se preparando pelo pior... ele não vem. Lentamente, eles abrem.
— Tão brincando do que? — A pessoa encapuzada encarava-os enquanto segurava a ponta da foice. Essa pessoa se parecia com...
— ...Luz? — Amity pergunta, claramente tão confusa quanto os outros. Por que ela estava assim? Como que ela parou o ataque? As perguntas ficavam de lado quando Philip percebeu imediatamente quem era.
— Colecionador. — Philip diz, o fazendo o Colecionador a encará-lo. Ele não parecia nem um pouco feliz. — Você está livre! Como eu prometi...
— Como prometeu? Eu lembro de alguém me jogando de uma ponte. Mas eu não tô com raiva, graças a humana que me ajudou. — No momento que ele citou a “humana”, todos atrás já gelaram, preocupados e pensando o que exatamente aconteceu enquanto eles lutavam. Amity, principalmente.
— Ei, quer brincar de pega-pega?! — O Colecionador puxa Philip mais pra perto, com um sorriso no rosto. — Tá comigo. — Ele toca de leve em Philip, o fazendo ser lançado com força contra a parede, reduzindo-o a uma poça de lama, para o choque e surpresa dos outros.
O Colecionador dá uma risada do Philip, cobrindo sua boca. — Demorou, — ele disse. Então ele vira sua atenção para os outros, e pergunta, — Vocês parecem lentos também. Querem uma ajudinha?
Travados, eles não conseguiram responder enquanto o Colecionador se aproximava deles. Por sorte, King apareceu na frente dele. — Ei, ei, Colecionador, parceiro, amigo! Se lembra do que nós falamos?! Você tem que ajudar todos os meus amigos lá fora, se não a gente não consegue jogar Casa Coruja. — King olhou para trás, tentando passar a mensagem para os outros.
— Ah... Casa Coruja. Eu amo esse jogo. As memórias são eternas! — Amity começou, e os outros acompanharam.
— Eu jogo todo dia!
— Eu jogo toda hora!
Hunter estava com tanto medo que não conseguiu formar uma frase. Só sorriu e rugiu de dor, afirmando.
— Eu explico as regras depois, mas lembre-se, precisamos de muitos jogadores! — O Colecionador, então, caminha para frente para ter uma visão do lado de fora. Ele enxerga a multidão de pessoas lentamente morrendo pelo feitiço.
— Hmm... tá bom! — E com um simples “boop”, ele para o Feitiço de Drenagem simplesmente movendo a lua para o lado do sol com a ponta de dedo. Todos afetados pelo feitiço começam a acordar.
— Bem... — Amity começa, pensando cuidadosamente nas suas palavras, depois de ver o que ele é capaz de fazer, — J-já acabou, não é? A-Agora... sobre a Luz...
— Huh? — O Colecionador se vira e encara a garota de cabelos lavanda, — Oh, a humana?! Ah não, eu não posso deixá-la sair ainda.
“...Huh?!”, foi o pensamento de todos lá. Amity ficou pálida e soou frio.
— Digo, assim a gente não vai poder brincar, não é? Fora que não posso arriscar que você quebre sua promessa, depois do que o Philip fez, King. — Ele explicou, — Mas não se preocupe, ela tá bem aqui, — ele bateu com o dedo na própria cabeça, — podendo ver tudo. Assim a gente vai poder se divertir de montão!!
No momento que ele falou isso, King percebeu na hora o erro que isso pode ter sido. O Feitiço de Drenagem parou, mas agora eles têm um novo problema para impedir.
O Colecionador colocou suas mãos no queixo, pensando em algo, fazendo com que os outros ficarem levemente preocupados. Até que ele começou a rir. Bastante. — Se vamos brincar de Casa Coruja... vamos precisar de uma Casa Coruja! — Seu corpo começou a levitar, e ele começou a desmontar tudo ao seu redor, se preparando para começar seu jogo. Todos só podiam encarar enquanto ele sorria, se divertindo bastante com tudo aquilo. — Vamos nos divertir muito, pessoal!
O chão começou a ser destruído também, fazendo eles se afastarem. Willow, percebendo o perigo, começou a procurar ao redor para um tipo de saída. Olhando pra trás, seus olhos avistaram o portal ligado. Era isso!
— Eu acho que tem uma saída. — Ela avisa aos outros, apontando para o local. Todos veem e começa a correr pra segurança... com exceção de Amity e King, que estava nos seus ombros. Willow olha pra trás e tenta chama-la, segurando no seu braço. — Amity, vem!
— Luz. Ela... a gente não pode deixá-la assim! A gente estava tão perto de consegui-la de volta, não posso perde-la assim de novo! — Ela diz, com sua voz fraca e seus olhos já formando lagrimas.
Assim que chegam ao portal, ele começa a piscar, mas a luz retorna quando Hunter abre a porta. Estava chovendo, porém ela era inofensiva. — É chuva humana. Está tudo bem. — Gus diz, olhando pra Hunter, mas percebeu também a ausência de suas amigas, e os dois olharam para trás. — Vocês duas, venham depressa! — Hunter gritou.
Willow percebeu que o portal estava caindo em pedaços e tentou segurar as peças com a vinha das plantas. Ela estava tentando, mas o Colecionador puxando deixava isso difícil. — A-Amity, King, vamos rápido!
— Willow... e-eu tenho que salvar a Luz... vamos achar um jeito de voltar pra vocês. — Enquanto elas falavam, o Colecionador percebeu o que estava acontecendo e começou a puxar King, mas Amity segurou, com Willow, novamente percebendo, tentou segurá-la com as vinhas para não ser levada junta.
— King, você e a Luz prometeram que brincariam comigo! Prometeram de dedinho!
— ...Amity. — King a chamou, — Você precisa ir. Luz também não iria querer você nesse perigo. Eu falhei em deixa-la segura, e não quero arriscar vocês todos também.
— N-Não...
— Não se preocupa. Eu vou resgatá-la, custe o que custar. Luz vai ficar bem! — Antes que Amity pudesse responder, King solta o seu grito sônico, lançando-a e todos atrás para o portal e pro Reino dos Humanos. Amity rapidamente tenta se levantar e abrir a porta de novo, mas nada aconteceu, deixando o grupo preso e sem ajuda. Todos ficam em choque, Gus começa a chorar, e Amity fica encarando o interior da casa vazia que antes levava para o Reino dos Demônios.
Eles não sabiam mais o que fazer agora.
Willow lentamente se levanta. Mesmo perdidos, eles escaparam e precisam continuar. — Pessoal, vamos ver se a gente consegue achar um lugar pra ficar. — Hunter acena, e ajuda Gus, ainda chorando, a se levantar. Willow olha para Amity e vai em direção a ela. Colocando a mão nos ombros dela, ela tenta conforta-la. — A gente vai conseguir salvar a Luz e todos. A gente vai conseguir voltar de algum jeito, tudo bem?
Não estava tudo bem, e ela mesmo sabia. Amity não falou nada e nem se virou. Afinal, quem poderia culpa-la. O plano de parar o feitiço deu “certo”, mas acabou liberando uma ameaça possivelmente bem pior, e ainda conseguiu pegar o corpo da Luz. Ainda tinha esperança? Ninguém de lá sabia, mas não podiam ficar parados. Depois de alguns segundos, Amity acena lentamente, ainda com lagrimas nos olhos.
O grupo continuou pela pequena floresta, seguindo um caminho aberto, até chegar numa casa. Tinha luz vindo de dentro, parecia que tinha alguém. Poderia ser uma péssima ideia ir falar com um humano bem agora que estão perdidos. E se notarem suas orelhas? E se eles entrarem em pânico? E se algo acontecesse com eles?
Mas nessa situação, eles só precisavam ter um lugar para descansar e pensar em algo. Respirando fundo, Willow foi e bateu na porta. Ela esperou qualquer resposta e só ouvia o barulho da chuva. Porém, ela ouviu passos se aproximando. O coração de todos batia mais rápido a cada vez que o barulho dos passos aumentava. Então, uma mulher abriu a porta. Ela tinha a pele morena e cabelos curtos e marrons. Eles acharam que ela notou que algo estava errado, seja pelo fato de ter quatro crianças no meio da chuva, os machucados em seus corpos, ou as expressões no rosto de todos.
— Olá, senhora... será que você poderia nos ajudar?
