Chapter Text
Mais um fim de semana monótono...
A música de fundo não entretém, os assuntos de meus amigos parecem fúteis demais, ou específicos demais, para minha mente enevoada pelo efeito do álcool. Onde será que ele está?
Olho ao redor da sala, procurando entre o aglomerado de rostos familiares que mal conheço o rosto do dono da casa, e meu amigo de infância: Eren.
Não o encontrando, e cansada de ouvir o burbúrio dos meus amigos Connie e Sasha conversando ao meu lado, decido procurá-lo pela casa. Busco na sala de jantar, na cozinha, na garagem, no quintal, e repito tudo de novo para me certificar que o álcool não me pregava peças, mas ele não estava em nenhum desses lugares. Escuto a voz de sua irmã, Mikasa, me chamando de longe (ou de perto?)
- S/n, tudo bem? Você está com uma cara preocupada... - me pergunta na esperança de me ajudar.
- Ah sim, estou sim. Só estou meio devagar, sabe como sou com bebida né? - digo sorrindo.
- Sei sim, você fica ainda mais fofa que o normal - me responde estampando um dos sorrisos mais lindos que eu já vi.
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Os irmãos Mikasa e Eren tinham uma história comprida em minha vida...
Nos meus 13 anos de idade, mudei de escola e entrei em uma pequena escola de bairro.
Assim que entrei, fui muito bem tratada pelas minhas colegas de classe, que formavam uma base de apoio umas para as outras. E, como toda adolescente se descobrindo, um dos assuntos recorrentes eram as pessoas mais bonitas da escola, nesse tópico sempre estava presente Mikasa...
Apesar das outras meninas provavelmente citarem ela apenas reconhecendo sua beleza, eu a via com outros olhos.
Ela era uma das meninas mais bonitas, não apenas da escola, mas que eu já havia visto em minha vida. E só isso já foi o suficiente para me fazer ter minha primeira paixonite juvenil, e ate hoje achar seu sorriso o mais lindo que já vi.
Naquela época eu fazia de tudo para me aproximar dela, que era 1 ano mais velha que eu e estava 1 ano acima do meu. Fiz amizade com pessoas de sua sala só para me aproximar e poder falar com ela, mas toda vez que nos encontrávamos, eu travava, e só conseguia falar o básico: "oi", "tudo bem sim, e você?", "tchau" e "agradeço", essas 4 resumem bem os nossos diálogos.
Com a mente iludida, e o corpo travado, inconscientemente eu conversava naturalmente com qualquer outra pessoa que não fosse ela, e em uma dessas situações em que estamos eu, Mikasa e outras pessoas numa roda, comecei a conversar com Eren, que me surpreendeu abordando assuntos que eu gostava e mais ninguém falava sobre.
Conforme o tempo foi passando, a primeira paixão foi embora, dando espaço ao meu primeiro amor.
Eu e Eren éramos inseparáveis. Passávamos os intervalos da escola juntos, dividindo nossos lanches e rindo alto de como nossos dias estavam caminhando. As vezes seus amigos Jean, Connie e Sasha ficavam conosco, mas não conseguiam acompanhar o excesso de piadas internas que compartilhávamos, acabando por conversarem mais entre si mesmos.
Porém, como nossa relação começou com amizade, ambos mantemos esse padrão... Uma amizade duvidosa, cheia de abraços que me esquentavam por dentro, carinhos que me faziam sentir formigamentos indecentes, e olhares que, por si só, me desestabilizavam e, caso eu tentasse conversar, sairia muito mais gaguejo que palavras coerentes.
Nossa aproximação levou nossos pais a se conhecerem, um verdadeiro desastre pois os quatro sabiam que nós nos gostávamos, e convivíamos com nossas mães incentivando que namorássemos, e nossos pais de cara feia afirmando que não deviam tentar impor nada em nossa amizade. Aliás, todos em nossas famílias e na escola sabiam, menos nós, que fomos estúpidos e acabamos perdendo a oportunidade.
Sendo mais velho que eu, com 2 anos de diferença, ele se formou, entrando na faculdade. Nos afastamos de forma natural, nos falando uma vez por ano para parabenizar nossos aniversários, até a chegada dos meus 20 anos e o parabéns se tornar uma desculpa de reaproximação.
Desde então, todo final de semana ele me chama para ir em sua casa, que está sempre cheia de antigos conhecidos da escola e outros amigos que ele e sua irmã fizeram no decorrer dos anos. Eu nunca entendi o porque dele me chamar todo final de semana desde a primeira vez que aceitei, mas agora que o tédio bateu e eu estou cansada devido a semana pesada, preciso saber se tenho motivos para ficar, ou se devo ir para minha casa descansar, e seguir com minha vida.
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- Mikasa, posso te fazer uma pergunta? - pergunto nem ligando para seu flerte, que era um traço natural dela.
- Não flertei de propósito! - respondeu percebendo o que fez.
- Não é isso... - respondo rindo - Por que eu estou aqui?
- Me pergunto isso o tempo todo, tipo, qual o propósito da vida? Acho que seria procriação, de acordo com a biologia...
- Não amiga, não... - rio alto - Por que seu irmão ainda me chama toda semana, se ele mal conversa comigo quando estou aqui?
Ele para e me olha perplexo, como se eu tivesse descoberto um crime cometido por ele. O que eu não entendo, porque eu não descobri nada, e seu olhar só serve para me confundir mais ainda... Era algo bom? Ruim?
- Olha, eu vou ser sincera e direta... Ele está passando por uma fase difícil, a faculdade terminando e a vida adulta batendo na porta, se fosse pra chutar, acho que ele te vê tanto como o passado feliz, quanto uma possibilidade de futuro. Tipo, faz sentido? - ela parecia tão perdida em seu raciocínio quanto eu.
- Acho que sim... Mas Mikasa, eu não sei se é o álcool falando, mas eu sinto que deveria ir embora e não voltar no próximo final de semana. Eu cresci gostando dele, depois a distância foi tão natural que a reaproximação me assusta. Não sei mais se quero algo com ele, ou se são resquícios de um sentimento imaturo.
- Pode até ser, mas na minha opinião, você deveria ficar. Eu também estou aqui, não tem só Eren nesse mundo... Fica, se diverte com a gente, e depois decide se não tem mais nada para você aqui - assim que termina, Mikasa solta um sorriso carinhoso e me abraça com afeto. Retribuo, e a agradeço por me fazer sentir desejada.
Voltamos para sala, onde vejo que Jean, um amigo da faculdade dos irmãos, chegou com outros dois amigos. Como Jean ocupou o lugar que eu estava sentada, o mesmo me chamou para sentar ao lado de um de seus amigos. Assim que me aconcheguei, Jean me cumprimenta:
- S/n, como você tá gata hoje! - da um beijo em minha bochecha e continua - Ó, esse aqui do seu lado é Levi, ele é meio carrancudo igual você, vão se dar bem... - sorri cumprimentando o rapaz, que tinha a cara mais fechada que a minha, porém era extremamente educado, beijando minha mão de forma natural.
- Reiner, vira pra cá! - o rapaz começa a se virar quando Jean vira para mim - esse é o Reiner. Não se assusta não chaveirinho, ele tem esse tamanho todo mas é um ursinho de pelúcia.
Quando o loiro virou, meu coração parou. Eu nunca havia me sentido tão intimidada em minha vida. Ele era alto e forte, sim, mas puta que pariu, que homem gostoso. Quando olhou para mim, a luz da sala refletiu em seu olhos, e pude ver sua coloração mel me encarando com cara de espanto, que durou pouco e foi substituída por seus olhos virados para o chão.
O silêncio nos dominou, os 10 segundos mais constrangedores da minha vida. Então, eu dei o primeiro passo em sua direção, me preparei para uma apresentação que pudesse ser interessante, e naturalmente lhe disse:
- Tem pizza... De frango... - parei de falar assim que percebi, o que eu estava fazendo? O que eu estou falando?
Surpreendendo a mim e ao Jean, que obviamente estava observando tudo em silêncio para rir de mim depois, Reiner respondeu com empolgação:
- É minha favorita! Vem comigo? - vi em seu rosto uma expressão de vergonha após responder, e tentei ser mais rápida que o constrangimento.
- Aonde você quiser, ursinho.
Fomos até a cozinha, onde percebi que o que aconteceu foi o álcool me deixando falante e honesta. Com vergonha ao perceber que, aparentemente, ficaríamos só nós dois sem assunto além do ocorrido na sala, minha consciência falou alto e decido fugir para minha toca:
- Isso foi horrível, desculpa moço. Eu não te acho um ursinho, tá? Na verdade você tá mais pra um grande gost... go... g... gigante. Olha, eu já ia embora de qualquer jeito, pode comer em paz, já que você parece estar com fome de verdade, sem uma semi bêbada te incomodando - morrendo de vontade de virar uma formiga para ser esmagada por esse cara, e sem entender como eu posso pensar em algo tão esquisito de forma tão erótica enquanto estou com tanta vergonha, me virei apressada para ir embora, mas comecei a desacelerar ouvindo o som de sua risada grossa. Meu lado direito inteiro se arrepiou com o som, e contive um calafrio consequente do arrepio.
- Já vai? Você me fez sorrir em 2 minutos, dentro de uma festa que fui arrastado para vir, só pra me deixar pensando em você pelo resto da noite? E sem nem saber o nome da garota mais linda que eu já vi?
Me virei para ele, que me olhava com um sorriso enorme, e não resisti em sorrir de volta com a mesma intensidade, e respondê-lo:
- S/n, Reiner - soltei uma risada boba, e sai em direção a sala, pegando meus pertences. Nesse momento, Mikasa apareceu me oferecendo carona até minha casa, que aceitei de bom grado.
O caminho foi silencioso entre nós, apenas escutávamos a música que saia do rádio, aproveitando o vazio das ruas e as luzes passando rapidamente pela janela.
- O Reiner gostou de você... - óbvio que ela viu, Mikasa tem o passo muito leve, e o radar de fofocas calibrado - Mas e aí, continua não tendo nada pra você lá?
Me sentindo um pouco sem jeito, acabamos por dar risada juntas. A atração existe sim, mas não vou me precipitar por um cara que mal conheço, então prefiro apenas responder:
- Passa meu número pra ele, depois eu te respondo - rimos mais da situação, até chegarmos em minha casa.
Ao entrar em casa, não consigo parar de pensar em Reiner, e nem quero. Tento ao máximo guardar toda informação que tenho sobre ele em minha cabeça. O quão alto ele é ao meu lado, como seus olhos conseguiram me deixar parecendo uma idiota quando tentei falar com ele, o quão fofo foi da parte dele entrar no meu diálogo sem sentido só para manter uma conversa comigo, o quão largo seus ombros são, como seria arranhá-los durante uma foda intensa?
Peraí, por que eu estou pensando nisso? Eu nunca fui assim. Eu nunca quis registrar alguém em minha mente, por que agora quero tanto guardar detalhes de um cara que mal trocou 5 falas comigo?
Eu nunca sequer transei, e cá estou eu, pensando em como seria a sensação se ele fosse meu primeiro. E em que cenário criar com ele, enquanto me masturbo antes de dormir.
