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A sensação de euforia domina o quarto. Há maquiagem espalhada pela escrivaninha, assim como glitter se apossando aos poucos da bancada. O caminho até o banheiro cheira a 4 perfumes diferentes: meu perfume favorito misturado ao adocicado de Amiga-1, com um toque herbal da loção corporal de Amiga-2 e o creme para cabelo de Amiga-3, que tem o cheiro tão potente quanto cloro.
Após uma semana entediante, meu grupo de amigas de infância venceu a improbabilidade, concordando em unanimidade a conhecer uma balada com áreas privativas no centro da cidade. Enquanto ainda nos preparamos para a noite, duas delas já iniciam uma discussão boba sobre uma ter cortado torta a franja da outra. Há 4 anos atrás. Trocando olhares com a Amiga-2, rimos da situação, relembrando com nostalgia da nossa adolescência.
- Se fosse naquela época, a Amiga-3 teria resolvido cuspindo chiclete no cabelo dela...
- Não, imagina! Ela teria cortado o cabelo dela enquanto a Amiga-1 dormia! - rimos juntas.
- Cala a boca, S/n! Não fui eu quem fiz buracos no cabelo com gilete porque achei que ia ficar maneiro - rimos todas juntas.
- EI, EI! Em minha defesa, a gente tinha sei lá, uns 6 anos, ninguém falou nada quando a Amiga-3 pintou o cabelo com tinta de tecido aos 14!
- Nem vou negar meu erro não, puta que pariu o que eu tinha na cabeça?
- Tinta de tecido, né?! - as risadas começaram a se tornar contagiantes, até que elas se originassem nas risadas uma da outra - Aí, como a gente errou, né? - todas concordamos, recuperando o fôlego e reparando no horário.
- Bora gente? Não é muito minha vibe esse tipo de rolê, então vamos antes que eu mude de ideia - relembro-as.
- Aí, é! Esqueci que nossa S/n é introspectiva por um momento. Você sabe que vamos hoje por você, né? - Amiga-1 diz.
- Ué, como assim? - não entendo a afirmação, mas assim que vejo os sorrisos maliciosos nas meninas, entendo a situação e fechando a cara - Ah não, mano!
- Ah, qual é! Mana, a gente sabe que você tá solteira faz tempo... - começa Amiga-2.
-... e que você tá precisando dar uns pegas em alguém. - termina Amiga-3.
- Gente, gente, peraí! Vocês sabem como eu sou... - já começo a alertá-las, me incomodando com a ideia de me jogarem qualquer cara.
- Calma, coração! Sem pressão... A gente sabe que com você, se não rolar uma conexão, não vai rolar nada. Nossa ideia é ficar de olho ao redor e, sei lá, socializar. Nosso circulo de amizades tá esgotado demais, ainda mais pra você, que é bem seletiva.
As olho com receio, mas concordo com a cabeça. Sei que posso confiar nelas, e que se me sentir desconfortável elas serão as primeiras a fazer algo a respeito. Apesar de concordar com as meninas, prefiro manter meu foco inicial - tomar 1 shot no início da noite e passar ela compartilhando histórias com minhas amigas.
Com isso, nos dividimos para a ida à balada. Como vim de moto e prefiro voltar para casa depois da festa, a Amiga-1 vem em minha garupa para andar de moto pela primeira vez, enquanto as outras vão de carro. Passo o caminho me empolgando com a ideia delas, e se acabar achando alguém bacana? Não precisa ser alguém para me relacionar de forma tão íntima, mas conhecer alguém novo e sentir aquela agitação na barriga seria bom.
Ao chegar lá, me surpreendo. Conhecendo minhas amigas, esperava o som sendo escutado desde a esquina, mas aqui parece mais calmo e privativo, o que me permite sentir mais confortável. Ao entrar no lugar, a música aumenta gradativamente. Sinto uma mão em meu ombro, a de Amiga-2.
- Ei, duas, vão na frente! Vou guardar nossas coisas na chapelaria... - elas se empolgam, e vão na frente, parando para pedir a um funcionário para guiá-las até uma mesa privada.
- S/n, tá tudo bem? Gostou daqui? - me pergunta, enquanto lida com nossos objetos pessoais.
- Melhor do que eu esperava! Gostei daqui, e a musica parece ser boa.
- Olha, eu tenho que te contar uma coisa... Sua irmã falou que ontem ia sair com aquele irmão mais novo daquele conhecido meu? - aceno com a cabeça - Pois é, o escroto voltou com a namorada e, pelo visto, deu um bolo nela. Grande filho da puta!
- Não creio! Por isso ela tava mau humorada antes que eu saísse de casa...
- Pois é, mas essa nem é a fofoca... - ela conta, enquanto escutamos murmúrios atrás de nós, logo observando um grupo entrando na balada. Até paramos a conversa para observar disfarçadamente os 6 caras que nos observavam de volta. Trocando um olhar de cumplicidade e choque com a beleza deles, opto por incentiva-la a continuar nossa fofoca - Então, a fofoca... Seguinte, eu meio que sou vizinha dele né, e amo sua irmã...
- Ah não! Que que cê fez com o menino? - minha preocupação começa a me dominar, a última vez que ela disse algo semelhante tive que tirar ela de cima de um cara que não parava de socar e chamar de resto de aborto.
- Caaaaaaaalma, eu não bati nele, era uma criança... - tento segurar uma risada, que vem acompanhada de mais 2 do grupo que estava atrás de nós. Ao olhar para eles, vejo que os dois que riam, o de cropped xadrez e o com uma faixa laranja na cabeça, tomavam cotoveladas do rapaz com a camiseta cheia de furos.
- Enfim! - digo, segurando o riso.
- Enfim... Ele tinha um cachorro... - minha cara de preocupação piora, e a risada dos 2 se soma com mais uma, mas mantenho a atenção em minha amiga - E era bem bonzinho mesmo, mas ficava preso fora de casa. A casa tava vazia, a despensa de comida deles cheia e só o moleque e a namorada em casa, transando sem parar. Pois bem, resumo da ópera: coloquei toda a comida no chão e o cachorro livre pela casa toda, afinal, a bronca iria vir pro moleque.
- Meu... - Minha cabeça até dói, e se o cachorro levar a culpa? - Mas o cacho...
- O cachorro vai ficar bem! Ele é mais amado que os meninos lá! Relaxa - Ainda preocupada com o bichinho, apenas aceito o que ela diz como verdade e começo a rir.
- Eu te amo, sabia? Minha irmã vai amar ouvir isso! - a abraço forte - Obrigada, viu? Me poupou de castrar um menor de idade.
- Também te amo, sonsa. Agora vamos, já causamos uma primeira impressão chocante nos bonitos aí atrás! - escuto agora os 6 rindo, enquanto nós duas andamos em direção a música e olhando para trás, para os rostos dos homens mais estilosos que já vi nessa cidade.
Os escaneio com mais calma, não teria por que me envergonhar já que eles ouviram essa história absurda, exceto quando volto meu olhar ao último homem, e me encontro com olhos azulados penetrantes me encarando, tão azuis quanto o mar caribenho e tão profundos quanto as fossas Mariana.
Sou tirada do transe, que durou mais do que pareceu assim que chegamos na mesa privada separada para nós 4. Que lugar interessante: no centro há uma mesa redonda, cercada por um grande estofado acolchoado encostado na parede, além de cortinas translúcidas que separavam-na das 2 mesas ao lado da nossa e da pista, essa que deixamos apoiada na pilastra que dividia as mesas.
- Miga, aquele grupo tá escolhendo a mesa, olha lá...
- Meninas, vocês demoraram e agora entendi porquê... S/n já tá bem arranjada, é isso mesmo? - diz com malícia a Amiga-3.
- Nada, só ficamos vendo eles...
- Ficamos nada! Eu fiquei, ela ficou secando aquele lá com french bob, que tava gamadinho nela também - diz a Amiga-2.
- Não viaja!
- Ah não? Olha lá... - constou a Amiga-1, que os observava com atenção.
Todas observamos ao mesmo tempo o homem que prendeu minha atenção, ele agia com autoridade e apontava para a mesa ao lado da nossa, enquanto os mesmos que riam nos observando me lançavam um olhar divertido. Ele com certeza me viu encarando, será que virei piada interna? Com minha preocupação, começo a fazer expressão de desconforto.
- Ei! - Amiga-1 chama minha atenção com seriedade - Só ignora! Eu acho que ele tá afim também, mas se tá te incomodando, vem comigo tomar uma?
- Bora... - respiro fundo e a olho de volta, recebendo um sorriso e aceno. Levantamos e seguimos adiante - Acho que vou de vodka! Lido melhor com ela, né?
- Sim mana, só não esquece que você vai embora de moto! Mesmo que seja daqui umas horas, é um gole e nada mais, ein?
- Um golinho na água do capeta, e depois só na coquinha gelada - digo, recebendo um sorriso acalentador e sentindo sua mão em meu bíceps, me puxando enquanto corre em direção ao bar.
Chegando ao bar, optamos por pedir uma bebida para cada uma de nós e que fossem entregues direto na mesa. Ao me virar para o lado, vejo um dos 6 caras do grupo bem próximo de mim e faço uma inspeção rápida, porém detalhada: homem, alto, magro porém com músculos que indicam memória muscular, cerca de 20 anos, cabelos longos e platinados, senso de moda apurado, extremamente cheiroso. Ao virar seu olhar em minha direção, o vejo me analisando de volta com desconfiança, sua análise parece mecânica, deve ser envolvido com métodos investigativos, cientista ou detetive talvez. Termina mais rapidamente que eu, encarando meus olhos.
- Nossa moço, seus olhos são incríveis! - falo em sincronia com meus pensamentos - Acho que eu nunca vi um caso de heterocromia como o seu... É heterocromia mesmo? - sua desconfiança é dominada por curiosidade, creio que ele não esperasse que tivesse feito uma observação minuciosa também.
- Heterocromia seletiva... Por isso o degradê.
- Foda! Seu chapéu faz destacar bastante também. Boa escolha - digo apontando para seu chapéu e sorrindo, porém já me virando para ir embora.
- É proposital. Valeu por reparar.
- Mandou bem! - respondo já me afastando dele, meu interesse foi súbito, mas morreu na mesma velocidade que nasceu. De qualquer forma, ele faz o tipo da Amiga-1, que durante a interação inteira ficou ruborizando ao meu lado e não pegou minha deixa de conversar com ele. De qualquer forma, ainda há tempo. Retornando a mesa, vejo que as outras 2 foram para a pista.
- Mana, quer ir lá com elas? Eu fico aqui esperando nossas bebida... - digo a ela, que apenas concorda e acelera em direção a pista. Dando risada comigo mesma da empolgação das meninas, olho rapidamente para a mesa dos 6, onde há apenas o homem dos olhos azuis sentado. Vejo quatro deles na pista, com minhas amigas, o que conversei ainda no bar enquanto bebe sozinho.
Abaixando o olhar, volto a sentar em nossa mesa, respirando fundo e analisando mais o local, observando minhas amigas se divertindo, mas por mais que tente evitar, quero olhá-lo novamente. Consigo segurar o impulso até que chegue uma bebida única, da cor roxa e brilhante.
- Moço, isso deve ser de outra mesa...
- Nada moça! - o garçom diz rindo travesso - O capo enviou para você.
- Capo? - pergunto baixo, voltando meu olhar ao homem com heterocromia no bar - Ele? O que é um capo?
- Não, senhorita... - se aproximando de mim, diz para que só eu escute - O senhor da mesa ao lado, de terno aberto no peitoral. E capo... Basicamente, significa que ele é chefe.
Pego a bebida sem jeito, agradecendo com um sorriso ao funcionário. Cheiro a bebida, e me surpreendo reconhecendo minha fruta favorita nela. Olho mais uma vez o garçom.
- Eu mesmo fiz, não se preocupe. E esse grupo jamais faria algo assim.
Olho minhas amigas, tendo certeza de que estão cientes. E como ótimas amigas, estão além de cientes, curiosas e sorrindo para mim, incentivando-me a dar uma chance. Assim o faço, experimentando a melhor bebida que já provei fora de casa.
Sozinha na mesa, e sorrindo satisfeita pelo gosto incrível da bebida, sinto a coragem aumentar suficientemente para me virar e agradecer, mas quando viro para direita para surpreendê-lo, minhas palavras escapam ao encontrar os mesmos olhos azuis que me hipnotizaram quando cheguei me encarando com intensidade, mas dessa vez enevoados pela cortina translúcida que dividia nossas mesas.
Seus olhos seguem lentamente toda a cortina até alcançar a parte mais ao fundo, onde observa que pode ser puxada. Seus olhos voltam a mim, e nos entreolhamos por mais um instante, até que viro minha cabeça em direção ao canto da cortina, ainda o olhando, perguntando no silêncio se devemos abri-la. Sorrindo para mim, imita meu movimento, mas se aproxima lentamente daquele canto. Sigo sua deixa, e seguimos em um ritmo desacelerado para removermos a divisória, nos observando durante todo o trajeto. Meu coração bate mais forte conforme chegamos mais perto, até que o que parece uma eternidade termina ao chegamos em nosso objetivo.
Desviando o olhar para a própria mão, o homem de french bob usa seus dedos para passear com delicadeza pelo tecido, até alcançar sua extremidade, a segurando e retirando do caminho suavemente. Assim que termina, volta seu olhar a mim, observando pacientemente cada detalhe visível aos seus olhos, dos meus ombros até meus olhos novamente.
- Oi - diz, sorrindo.
- Oi - digo, correspondendo ao seu sorriso enquanto sinto meu rosto esquentar - Qual o seu nome?
- Me chamo Bruno Bucciarati, e você, divinità?
- Bruno é um dos meus nomes favoritos, sabia? - ele tenta esconder um sorriso envergonhado, porém se esforça e o mostra mesmo assim - Eu sou S/n... - O rosto do garoto se ilumina.
- Seu nome soa como música em meus ouvidos... Muito prazer - diz, abrindo sua mão para que lhe entregasse a minha, o que faço, sendo erguida para receber um beijo carinhoso na palma - Gostou da bebida?
- Muito, mas acho que você me viu gostando...
- Vi sim... - confirma minhas suspeitas de que me encarava enquanto sorria - Você parecia preocupada na entrada, queria que relaxasse e decidi enviar minha bebida favorita a você.
- Bom, agora também é a minha favorita... - o vejo sorrindo vitorioso - Mas é uma pena, admito... - finjo uma expressão de decepção e observo uma de dúvida surgindo nele - E eu aqui pensando que o cara mais bonito que já vi tinha me enviado porque também tinha interesse...
- Isso também. Como não me interessaria, depois de ver seu sorriso? - perco no flerte, e sorrio enquanto tento esconder as bochechas vermelhas. Sinto seu olhar intensificar em minha pessoa - Esse é ainda mais lindo! - volto meu olhar ao seu, sorrindo para si.
- Bruno, por que não se senta aqui? Me deixa agradecer você te dando a bebida que pedi - vejo seu olhar ser substituído por um de decepção.
- E eu aqui pensando que a mulher mais linda que já vi iria me chamar para abraçá-la a noite inteira... - diz, me olhando travesso.
- Isso também! - respondo, o encarando com intensidade e o observando ruborizar, perdendo no flerte dessa vez. A noite vai ser longa, e estou ansiosa por ela - Por que não conversamos aqui na minha mesa? - Assim que convido o tal Capo para minha mesa, sua expressão receptiva muda para uma de preocupação genuína. Será que foi rápido demais? Em que eu errei?
- Eu adoraria, cara, mas, você vê aquele ragazzo ali na pista, usando o chapéu que tem uma seta? - diz, apontando em direção a pista de dança. Viro meu olhar, procurando o tal rapaz, não o encontrando - Bem ali olha... - sinto meu rosto se esquentar do lado direito, fenômeno logo compreendido ao sentir a bochecha do italiano se juntar a minha, enquanto seu dedo se reposiciona para uma nova direção. Desta vez, consigo encontrar seu amigo.
- Encontrei... - digo, não contendo o sorriso.
- Ele tem medo do número 4... - diz relaxado, demonstrando preocupação com seus companheiros - E vocês estão na mesa número 2. Juntar 2 grupos em uma mesa de número 2 pode preocupá-lo, capisci?
- Entendo...
- Mas antes que se entristeça, perfezione, me permite ordenar a mudança de sua mesa para a nossa? - separando nossos rostos, me olha extremamente preocupado - Até porque eu não gostaria de ver você e suas amigas expostas aos perigos do número 4... - sorri após a própria piada, junto a mim.
- Vou solicitar uma reunião com minhas sócias, e lhe retorno com um acordo, parece justo?
- Perfetto come te...
Perfeito como você...
Viro o rosto em sua direção, ao mesmo tempo que Bucciarati se vira em minha direção. Neste momento, nossos narizes se encostam, e percebo o quão próximos estávamos. Não resisto a olhar seus lábios com desejo, sentindo os meus doerem com a pressão que meus dentes realizam nos mesmo. Ergo o olhar aos seus olhos, que estão tão hipnotizados em meus lábios quanto eu estava antes, mas o italiano fecha seus olhos levemente e se esforça para se afastar.
- S/n, tem algumas coisas que... - o próprio interrompe sua fala, em sincronia com o som das vozes de nossos amigos se aproximando. Me lançando um olhar de cumplicidade, muda de assunto - Hora da reunião de negócios?
- Vou tentar convencer as minhas amigas, tomara que...
- S/N, VOCÊ TÁ SURDA MULHER? - viro meu olhar a Amiga-1, questionando sua atitude, mas recebo um olhar que quer dizer vagabunda, eu te dou 10 segundos pra prestar atenção e você entender, depois eu vou surtar. Suspiro pesado, já estressada com minha amiga, mas presto atenção aos sons ao meu redor, até reconhecer a música que nós 4 sempre dançamos juntas. Sorrio, já entendendo a deixa para largar qualquer coisa e ir dançar com elas, sentindo-a agarrar a parte de trás do meu braço e me puxar com pressa.
- Licença moço, a gente já devolve... - Amiga-3 diz para Bucciarati, não contendo sua risada, assim como eu.
Viro meu rosto para ele, preparando um pedido de desculpas, mas lidando com um sorriso genuíno vindo do italiano.
- Não esqueça de voltar, cara... Quero o feedback da proposta! - sorrio para afirmá-lo que voltarei, e redireciono o corpo para as meninas que agora me agarram, correndo para dançar.
- PERAÍ, PERAÍ! - digo para minhas amigas, antes de me afastar demais da mesa. Busco o copo com a bebida enviada pelo italiano, a virando rapidamente, sorrindo satisfeita com o sabor. Me viro para ele - Uma delícia, viu! - surpreso com a atitude, escapa um riso alto de si, acenando com a cabeça. Pronta, disparo rapidamente para a pista.
Nos divertíamos em nosso próprio mundo, até que uma garota se aproxima subitamente, segurando as mãos da Amiga-1, dizendo algo a ela que não conseguimos entender, mas que a deixa extremamente séria e tensa, trazendo a estranha para perto e olhando para os lados. Procuramos ao redor o que de desconhecido ela buscava, mas logo um homem chegou perto demais da garota.
- Que é isso, eu só quero conversar!
- Eu já disse não cara, me erra! - a menina diz, extremamente incomodada. Ele se aproxima, segurando-a pelo pulso.
- Eu disse que só quero... - tão rápido que quase perdi a cena, Amiga-2 o soca no estômago e o homem desaba. Um soco de uma profissional em luta deve ser suficiente para que ele não nos incomode mais, nem mais ninguém. Nos entreolhamos, concordando em apenas nos afastar e fingir que nada aconteceu, esperando à poucos metros de distância os resultados das pessoas tentando ajudar o rapaz.
Ao percebermos que o orgulho ferido daquele homem o impediria de contar que quase foi apagado por uma mulher, voltamos para a garota desconhecida, para nos assegurarmos de que estava bem.
- Gata, como você tá? - pergunto primeiro.
- Eu tô apaixonada nela! - aponta para a Amiga-2 - Sério, aquilo foi incrível! Por favor, me deixa agradecer você... Vocês todas! Vocês são tão lindas e... Tão sensacionais... - a garota começa a chorar, emocionada sob efeito de álcool. Rimos e recusamos educadamente, mas ela insiste, nos conduzindo até o bar para comprar doses para cada uma de nós.
- Mana, eu não vou beber, volto dirigindo... Passa minha dose pra você! - digo para a garota.
- Eu tô a uma dose de me arrepender de sair de casa! - parece ficar triste com minha rejeita, mas seu rosto se ilumina, virando para sua bolsa e tirando uma máscara da cor preta com um rosto assustador, porém enfeitada com aquarela que a deixam mais com tom artístico.
- Toma... Eu usei numa festa à fantasia antes de vir pra cá, e é bem legal, né? - inspeciono a peça, achando tão estranho quanto interessante, acenando com a cabeça - Fica pra você, coisinha linda! - diz, dando um beijo em minha bochecha, me deixando envergonhada. Adoro a relação de parceria genuína construída entre 2 mulheres bêbadas.
Assim que minhas amigas viram suas bebidas, voltamos para a pista enquanto a menina desconhecida encontra seu próprio grupo e vai embora.
- Mano, essa máscara? - Amiga-1 diz, e não resistimos em cair na gargalhada,
- Sei lá, é bem foda, né? Nunca vou entender gente bêbada... - coloco a máscara e imediatamente recebo toda autoconfiança para dançar da forma mais livre possível.
- AS VEZES EU ESQUEÇO COMO A S/N MANJA DE DANÇA. DEVIA TER CONTINUADO NO STREET, CARALHO! IA SER PROFISSIONAL HOJE... - a Amiga-1 grita próxima a todas nós, tentando competir com o som alto da música, mas o superando excessivamente. Aproveito o envolvimento com a música e começo a dançar ao seu redor, fazendo graça e a entretendo.
- Tá faltando um funk agora ein, peraí... - pegando seu celular, a Amiga-3 digita em um App que funciona como outdoor a frase "SOLTA O PONTO, DJ", balançando freneticamente na direção do responsável pela música, que ergue a mão pedindo para esperarmos um pouco.
- Ah, meninas! Sabe o cara da mesa ao lado da nossa? - pergunto, levantando a máscara que cobria meu rosto inteiro, a posicionando no topo de minha cabeça.
- Aaaaaaaaaa, a gente sabe sim... - as 3 falam juntas, me rodeando e empurrando levemente de uma para a outra enquanto fazem sons de provocação.
- Para gente, deu! - digo entre as risadas - Ele convidou a gente pra sentar na mesa privada dele, aí vocês querem?
- Enquanto você tava constituindo família com ele, a Amiga-1 tava pegando aquele tal de Leone do bar, menina! Íamos sentar com eles já... - minha cara de espanto chega a ser teatral. A olho sem conseguir piscar, enquanto ela parece orgulhosa.
- MULHER, EU VOU SENTAR NELE E VOCÊS QUE LUTEM PRA ME TIRAR! - as 3 escondem o rosto, enquanto riem de nervoso e timidez. Olho para a mesa do grupo de homens, e eles estão importunando o homem platinado, com excessão de Bucciarati, que me olha intensamente. Sorrio para ele, que pisca para mim. Escondo minha expressão tímida com a máscara, o fazendo sorrir.
- E eu vou sentar no tatuado! - as 3 me olham chocadas, logo arrancando minha máscara e enchendo minha cabeça e bochechas de beijos enquanto fazem piada com a situação "nossa menina tá tão crescida", "que orgulho da nossa neném", "se ele te magoar, eu apago ele igual o escroto de agora pouco", "hummm hummm S/n, sua gostosa", "cai de boca no meu pirocão". Minhas bochechas doem de tanto rir, assim como minha barriga.
- Tá bom, tá bom, deu, deu! Eu ein, que que todo mundo tá com fixação na minha cara hoje?
- Aí S/n, você é muito fofa! Vai, vamo lá com os italianos... - Amiga-3 diz, nos levando-nos ao local.
Há certa comoção com nossa chegada, mas não me atento ao motivo, pois troco olhares com o capo, que sorri docemente enquanto prepara espaço ao seu lado para me sentar. Assim que me sento, a mão dele passeia suavemente por minhas costas até encontrar a costura do tecido que cobre minha parte superior. Seus olhos, que passeavam seguindo o trajeto de sua mão, agora me olham pedindo permissão, que concedo. Enquanto aproveito a deixa para passear com minha própria mão por suas costas, a dele invade a pele escondida pelo tecido. Alcançando os cabelos de sua nuca, fico por ali brincando com os fios, para me distrair da sensação de arrepio causada por sua mão na pele de minha cintura, me puxando para si.
Ao nos ajustarmos, o grito de um dos outros homens da mesa chama nossa atenção.
- Mista, sua cintura! - o jovem com faixa laranja diz, enquanto todos na mesa olham para o local.
- O que que tem ela? - questiona olhando seu próprio corpo - Eu depilei, o músculo tá trincado, qual o problema?
- Você veio armado pra uma balada? Sério mesmo? - o loiro com uma trança questiona, e então todas nós percebemos. Ao mesmo tempo, começa o funk que pedimos para o DJ, perfeito com a ocasião. Lanço um olhar compartilhado pelas minhas 3 amigas, que seguram a risada em conjunto.
- Assustou as garot... - Bucciarati é interrompido por nosso grupo.
- Balança, balança a glock. Balança, balança a glock. Balança, balança a glock...- fazemos um coro enquanto apontamos para o Mista, complementado pela Amiga-2 - BOTA PRA CANTAR PAPUM! - o olhar de confusão dos estrangeiros é generalizado e impagável.
- Tá bom... - o italiano armado abaixa sua mão, sendo impedido de sacar sua pistola pelo platinado do bar. Começo a crer que não somos tão caóticas quanto esse grupo, e tento segurar uma risada intensa demais para a primeira impressão que o Bucciarati terá de minha pessoa.
Os poucos minutos que se passaram resultaram em uma união de pares: Fugo e Amiga-2, Mista e Amiga-3, e Leone com Amiga-1, esse último que se formou e desapareceu, mas não antes que ela indicasse que ia embora com ele. Continuo com o Bucciarati, que me mantém perto de si, conversando sobre nossas vidas pessoais.
Bruno Bucciarati, um homem de 21 anos vindo da Itália à lazer com seus amigos de trabalho, este que quando mencionado é desviado elegantemente, porém pelas atitudes de suspeita constante do grupo, juntas ao fato de andarem armados de formas diferentes e tratarem ao homem que me encanta com tanto respeito, meu palpite seria que estão envolvidos com investigações particulares ou uma organização criminosa. De qualquer forma, optei por não pensar nisso no momento, já que estou tão envolvida com o capo que prefiro não construir medo em minha mente.
Ao saciar minha curiosidade de saber seus motivos para estarem em meu país, a conversa se torna natural e leve. Percebo um homem gentil e afetuoso, que age com elegância e inteligência mesmo em ações pequenas. Meu toque em sua pele é respondido com necessidade, não apenas sexual, mas exibe a falta de afeto que o homem sente. Ele não deve buscar relações descartáveis, o que me tranquiliza, por ser incapaz de me envolver sem sentimentos.
Outro detalhe curioso: ao estar ao seu lado, sinto como se sua presença me rodeasse fisicamente. Tenho a sensação de que, de forma inexplicável, Bucciarati se sente livre para abrir seu eu, me dando confiança, e o que quer que o componha está tanto onde seu corpo se encontra, quando do lado oposto. É quase como se ele conseguisse projetar parte sua oposta aonde se encontra, e me colocar no meio dos dois. Minha teoria alimenta meu cérebro toda vez que olho para o outro lado, esperando encontrar outra figura dele, e ele me olha com curiosidade, esperando que me surpreenda com algo que ainda não vi.
O loiro chamado Giorno se retirou após uma ligação, chamando minha atenção que tenha pedido autorização de Bucciarati para tal. O problema que surgiu com isso é um jovem amável chamado Narancia sentado no canto do sofá, em silêncio e aparentando se sentir triste.
- Ei, Amiga-3! - ela se vira em minha direção, aguardando o assunto - Vou lá no banheiro, quer vir comigo? - a olho, esperando que entenda que quero falar sobre os homens que cativamos.
- Vamo miga, bora! - ela diz, sorrindo para Mista o afirmando que volta em breve, este que a olha intensamente.
Chegando dentro do banheiro, surpreendentemente limpo e cheiroso, começo o assunto.
- Mana, eu prometi que ia voltar pra casa, pra minha irmã. Mas eu quero passar a noite com o Bucciarati... - nisso, ela se empolga e começa a comemorar, atraindo outras mulheres que estavam por perto para comemorar conosco.
- Tá, e agora? Nossa, eu tô tão feliz por você... Viu como ele te olha? - a olho, não entendendo - Bobinha, ele te olha como se você fosse a única pessoa no mundo. E vocês acabaram de se conhecer!
- Olha quem fala! Aquele Mista olha pra você amiga, como se... - tento pensar em alguma relação - Como se você fosse o primeiro amor dele. Real! - ela sorri com força, dando pulinhos de alegria.
- Mas então, como vai ser? Tem sua irmã né...
- É, ela é sempre a prioridade! Mas olha, pensei aqui... Ela tem 17, gosta de garotos fofos e divertidos, e tá precisando de um amor juvenil pra compensar as últimas decepções dela.
- Fiquei sabendo! Tadinha, a gente se sente tão diminuída quando é tratada desse jeito...
- É... E sabe, esse Narancia não parece que faria algo assim... - olho para ela, com a expressão exagerada de quem planeja algo, sendo correspondida pela mesma expressão vinda dela.
- Liga pra ela mana? Ela não vai acreditar em mim...
- LIGANDO! - ela responde, já colocando seu telefone no ouvido - Alô?... Oi gatonaaaaaaaa... Tô um pouco alterada sim! Mas olha, achei o seu tipo aqui... Sim, ela tá aqui comigo... Tá bom... - me olha, relutante - Quer falar com você - pego o telefone, receosa.
- Oi!
- Me passa seu scanner nele, por favor.
- Mal fez 18, baixo, muito lindinho, um tanto andrógeno, personalidade fofa e engraçada, não parece ser inteligente academicamente mas é esperto quando convém, acho que também tá de coração partido, ou triste por não ter encontrado ninguém para dividir momentos aqui na festa.
- Não queria ir de bicicleta até a balada…
- Olha, não seria sua primeira vez saindo com minha moto, né? Eu já vou pra casa e você vem pra balada com as meninas, que acha?
- Beleza! Tá chato aí pra você fugir tão cedo?
- Eu conheci alguém...
- Me conta amanhã a noite! A casa é de vocês, você quer?
- Sim! Obrigada coisa feia. Até já! - desligo o telefone, dando saltos de alegria com minha amiga - Você faz o corre com o Narancia, e me avisa? Sabe como é difícil pra mim quando fico muito tempo fora de casa...
- Sei sim, vem cá! - me abraça forte - As vezes esqueço como você fica quando tá longe de casa. Se preocupa com o seu gostosão, eu cuido do resto. Vou buscar suas coisas também... - a abraço mais forte, antes de nos separarmos para ajeitar minha ida.
Voltamos para a mesa, e aproveito minha coragem momentânea para falar com o italiano.
- Então Bruno, eu não sei você, mas eu tenho um nível de socialização bem baixo, e já cheguei no meu limite de estar fora de casa confortavelmente... - me olha com tristeza, achando que vou dispensá-lo - Tudo bem se eu te levar pra casa comigo?
Ao invés de me responder, vira para seu grupo, falando em sua língua natal com eles. Não compreendo bem o que dizem, mas todos liberam espaço para que ele se levante e passe por todos, virando e oferecendo sua mão para que eu lhe acompanhe, oferta que aceito.
- Espera Bucciarati, moça! - vejo Narancia se aproximando com minha amiga - Ela é tão bonita quanto você? - sinto minhas bochechas esquentarem com o elogio, abaixando a cabeça escondendo meu riso tímido, mas acenando positivamente.
- Ela é mais bonita, alta e musculosa. Uma versão minha feita com mais amor... - seu sorriso se torna uma risada de alegria.
- Boa noite pra vocês! - diz docilmente. Respondo com um sorriso, pegando meus pertences com minha amiga, guardando a máscara que repousava no topo de minha cabeça a guardando, por fim caminhando em direção a porta.
Estou a sós com Bucciarati, que para de andar para me observar de perto, tão perto que sinto sua respiração em meu rosto. Suas mãos sobem para meu maxilar, erguendo meu olhar em sua direção, causando em si um sorriso amoroso.
- Onde está seu carro, regina? - diz, logo depositando um beijo suave em minha testa.
- Ah, aí que tá a piada... Eu vim de moto, bonitão! - o vejo surpreso, mas sorrindo com o canto da boca.
- Muito sexy!
- Aliás, por que me chamou de regina? - pergunto curiosa com o significado da palavra.
- Em sua língua seria... - se torna pensativo - Rainha? - solto uma risada tímida.
- Neste caso, vou ser a sua regina - aponto para o local em que minha moto se encontra - Está pronto, vossa alteza? - ri tímido enquanto lhe ofereço meu capacete extra, acenando com a cabeça.
- Eu jamais perderia a chance de me agarrar a uma mulher tão espetacular quanto você, fragrante - sinto sua mão agarrar minha cintura. Não apoiar, nem segurar, agarrar. Com intensidade, quase arrastando meus pés imóveis devido ao choque até minha moto.
Ao chegar no veículo, sua outra mão agarra meu quadril, então sou encostada com delicadeza na parede onde a roda da frente se encosta. Olho para cima, buscando seus olhos, que miram com desejo meus lábios. Seu rosto se aproxima, encostando nossos narizes. Fecho meus olhos enquanto sinto sua respiração em minha boca semiaberta, esperando seu avanço. Quando ele não o faz, busco seus olhos, que já estavam nos meus.
- Ouvi o garçom te dizendo que sou o capo. Você já sabe o que significa?
- Não sei... - Digo com receio e dúvida. Sabia que seu trabalho envolveria assuntos delicados, mas recuar antes de me beijar indica ser algo perigoso.
- Meu grupo, que você conheceu hoje, é da máfia italiana... - diz, analisando minha reação, que se apresenta apenas como surpresa e choque. Deixo transparecer também meu receio - S/n, vejo em você alguém que, como eu, quer algo a longo prazo. Eu também não busco uma noite de prazer, mesmo que contigo deva ser mais que suficiente para uma vida inteira. Quero sentir algo além da carne e do tato. Mas você precisa entender que estar comigo, é estar com um mafioso, junto a tudo de bom e ruim que se atrai com o cargo.
Não havia pensado nisso antes. Estou nos braços do mafioso. Não de UM mafioso, O mafioso. Capo é um chefe mafioso. E se ele for agressivo? Ou possessivo? Ou louco? Sádico? Com certeza um assassino. Começo a temer, relembrando que torturas reproduzidas em filmes são reais, e que fazem parte do ofício de Bucciarati.
- Vejo a dúvida em seus olhos. E também o medo. Eu entendo. Eu sei que não importa o que eu fale, porque você mal me conhece principessa, mas o seu não sempre significará não... - ele se afasta, segurando minhas mãos e me conduzindo até minha moto - Se quiser, posso lhe fazer uma promessa eterna, pela minha honra... - Arrumamos os capacetes.
- Qual promessa? - pergunto, já me acalmando pela confiança que Bucciarati me transmite. O vejo sorrir com receio
- E prometo já querendo quebrá-la! - ri para si com um pouco de decepção - Eu jamais farei um movimento ou avanço em você, até que você me peça para quebrar essa promessa. E mesmo quebrando a promessa, eu jamais te farei mal, seja físico ou psicológico. O que acha, regina? - Ao terminar de perguntar, já estava sentado na garupa.
Algo em sua voz me tranquilizava, fazendo-me ver sua honestidade. Bruno jamais me faria mal, via em seus olhos amor desde a primeira troca. Aceno a cabeça, então.
- Acho que se você não fizer nenhum movimento, vamos demorar um ano para segurar as mãos.
Escuto sua risada se aproximando. Olho discretamente para trás, flagrando seu olhar de desejo fitando minhas costas, com suas mãos tocando meus ombros, descendo dolorosamente devagar por toda extensão das costas, até transpassar minha cintura, me envolvendo e colando nossos corpos.
- Os toque inocentes, como esse abraço... - o sinto colar ainda mais seu corpo no meu, eliminando qualquer espaço entre nós. Sinto então sua ereção em minha bunda - ...vão te fazer pedir por mim.
Observo os carros atentamente, sofrendo com a palpitação em meu peito me relembrando do pau de Bucciarati. Observo as luzes tentando me distrair, mas minha moto é esportiva e eu sou pequena em relação ao italiano, que aquece meu corpo inteiro com o seu próprio debruçado sobre mim. Começo a me distrair questionando-me sobre caminhos alternativos até minha casa, e o movimento de meu corpo me faz senti-lo novamente: seu pau ocupa o espaço entre o final da minha coluna até onde os dois pontinhos do meu quadril, acima da linha da calça. Quando lido com a informação e volto a perceber o que está acontecendo, minha mão está em sua coxa esquerda e a outra na ignição enquanto estamos parados no semáforo.
Luto com meus impulsos e desejos, eventualmente conseguindo agir com naturalidade. Dirigir é calmante, e quando mergulho-me na viagem o mafioso parece perceber meu estado quase meditativo, pois seu toque se torna menos provocante, porém mais delicado e carinhoso, permanecendo terno até que desligo a moto em frente a minha residência, onde descemos e nos preparamos para adentrar. Tiramos os capacetes e vejo seu cabelo levemente frizado. Me aproximo, abaixando os fios rebeldes, recebendo um olhar surpreso e contente.
- A rua aqui é bem tranquila, não tem problema deixar a moto fora - seu olhar muda para um brincalhão, parecendo descrente e levemente ofendido.
- Quem seria ousado a ponto de tentar algo comigo, belìssima? - dou risada, finalizando seu cabelo, voltando as mãos para seu braço direito, lhe puxando levemente para a entrada. Girando a chave junto a maçaneta, grito para minha caçula, avisando-a de minha chegada.
- A moto tá na mão e estou com visita! Pronta? - ela vem bruta e rápida como um touro em minha direção, falando alto durante todo o trajeto.
- ACREDITA QUE AQUELE FILHO DE UM PAI AUSENTE ME DEU UM BOLO? - ao me alcançar e ver meu acompanhante, ela logo para e se sente envergonhada - Oi moço... - diz, acenando timidamente.
- Boa noite, ragazza. Sinto muito pelo jovem que a perdeu... - impressionada com Bruno, sorri timidamente enquanto pega as chaves de minha mão.
- Quem é o cavalheiro elegante aí ao seu lado, S/n? - diz, trocando um olhar cúmplice comigo.
- Bom, ele me chama de rainha em italiano, acho que meu futuro rei... - enquanto minha irmã arregala os olhos com espanto devido minha cantada, Bucciarati fica com os lábios entreabertos e a pele avermelhada. Não resisto a risada.
- Ok então, vou lá na cozinha beber uma água por uns 15 minutos e, quando vocês acabarem de entrar em casa, vejo vocês lá pra gente... Beber água junto. Por favor não transem comigo em casa, me esperem ir embora... - fecho a cara com minha irmã, lendo uma mensagem de minhas amigas avisando que Narancia não aguentou a ansiedade e está vindo buscá-la pessoalmente.
- Oh sem noção, seu pretendente vem te buscar. Como os 2 estão pra fazer 18, quem não deveria transar com visita em casa é você... Vai, termina de se arrumar, insuportável!
- Eu não queria sair de casa depois de tomar bolo não, na moral. Aquele imbecil me deixou lá, plantada no cinema, por tipo 2 horas. Mano, dava pra ter visto um filme ou, sei lá, qualquer outra bosta que não esperar o otário! - apesar da raiva em sua voz, vejo tristeza em seus olhos. Observo Bucciarati ao meu lado, também preocupado com o estado de minha irmã.
- Olha, não tem como fazer um cara escroto deixar de ser assim... Mas sabe o Narancia, que te falamos? Ele sabe de você e quer tanto te ver que já tá a caminho, né Bruno?
- Nós nem mostramos uma foto sua, ragazza. Ele vem para te conhecer e te fazer companhia. Dê a ele o benefício da dúvida, sou responsável pelo jovem há certo tempo, e não há nada além de um coração puro nele... - minha caçula escuta Bucciarati com tremenda atenção. Ele possui o dom de cativar as pessoas e as fazer escutá-lo, além de transmitir paz e calmaria, tudo que ela precisava no momento.
- Vai lá limpar a máscara borrada da sua cara pra borrar depois de novo... - digo, provocando-a.
- CALA A BOCA S/N, VAI A MERDA! - me xinga, porém rindo de desespero e nervosismo ao aceitar sair com Narancia. Se vira em direção ao banheiro em que nos maquiamos para se arrumar, e me vejo sozinha com o italiano novamente.
- Desculpa, Bruno... - minha fala é cortada.
- Vocês duas são engraçadas... Consigo ver o quanto vocês se amam e são parceiras - paro e olho minha irmã, sorrindo orgulhosa de minha caçula.
- É. Ela é terrível, mas é a única pessoa no mundo com quem posso contar o tempo todo... - respiro fundo e olho em seus olhos, atentos a tudo que falo, me sentindo segura para compartilhar um pouco de minha vida pessoal - Desde que sai de casa e comecei a cuidar de mim mesma, a chamei pra vir morar comigo. Meu pai tinha problemas com bebida, e minha mãe o amava demais para ficar ao meu lado num júri... Quando minha irmã começou a enxergar nossa família pelo que ela realmente é, seu quarto já estava esperando aqui... - olho ao redor, orgulhosa de poder custear a casa que temos - É confortável, e não falta nada. Só tem sido difícil cuidar de uma adolescente tão inteligente quanto ela... É fácil enganar alguém com coração bom como eu, - rimos juntos, e continuo - e ela também me ajuda desde semana passada. Conseguiu um emprego temporário que não atrapalha nos estudos para faculdade, e sei lá... Estamos indo bem.
- Você é uma pessoa muito forte, S/n... - me olha enquanto pondera sobre compartilhar algo comigo - É difícil, no meu caso, compartilhar minha história. Você já sabe com o que trabalho, e dividir minha historia significa colocar sua vida em perigo... - aceno para si, me aproximando para segurar sua mão e trazê-lo conforto - Mas também lidei com questões em relação aos meus pais. Me separei de minha mãe e vivi com meu pai por anos, até que um incidente com traficantes e uma série de eventos a partir daí o levaram a morte. O problema é que, depois de perder minha base, não tinha ninguém ao meu lado, como você sempre teve... - o observo tentando mascarar a dor que sente - Somente anos depois juntei minha atual gangue, que você conheceu hoje, e comecei a praticamente construir uma família com eles. - sorrio para ele, me identificando com o nascimento de nossas famílias desajustadas - Também estamos indo bem. Mas há momentos que gostaria de desvincular o trabalho de minha vida pessoal e assentá-la com alguém... - neste momento, me olha, buscando reações e deixando claro que está considerando fazê-lo comigo.
Deste momento, seus olhos passeiam por todo meu corpo, e torno-me consciente da proximidade em que nos encontramos, há menos de um palmo de distância. Sinto meu rosto esquentando, e meus olhos percorrerem seu corpo, evitando seu rosto. Sua tatuagem rouba minha atenção, eu mesma possuindo algumas em meu corpo, escondidas pelas roupas que uso. Passo a ponta dos dedos levemente por toda extensão da arte em seu corpo, admirando-a. Subo os dedos para sentir toda a extensão de seu peitoral, como resposta Bucciarati fecha seus olhos e joga a cabeça para trás, soltando um arfar rouco e prolongado, segurando minhas mãos as mantendo imóveis. Seu rosto volta a posição comum, ainda de olhos fechados.
- Para! - diz afobado, enquanto abre seus olhos lentamente, lançando um olhar feroz em minha direção - Não me provoca desse jeito. Eu prometi... - Desejando seus lábios, meu olhar vidrado é incapaz de deixá-los, e logo que percebe, aproxima-se perigosamente de meu rosto, atraído também pelos lábios entreabertos que tanto lhe desejavam.
- Desculpa... - digo sem intenção real, ainda aficionada em sua boca carnuda.
- Me diz que você me quer... - seu pedido parece uma ordem por estar envolto em desejo intenso, e corto sua fala com uma resposta imediata.
- Eu te q... - sou interrompida por seus lábios se encontrando com os meus, desesperados por sentirmos nossos gostos. Sua língua tem resquícios do sabor da vodka que lhe passei junto a gosto de canela. Não resisto a atacá-lo com brutalidade, deixando meus desejos me tomarem por completo. Minha necessidade em tê-lo me domina, assim como a de Bucciarati por mim o faz puxar-me sem parar para sentir meu corpo no seu, desejo amenizado apenas quando seus braços estão embaixo de minhas roupas, tocando toda pele de minhas costas. A respiração afobada durante o beijo começa a dar tontura em ambos, que nos afastamos contra nossa vontade.
Tomamos distância um do outro, percebendo o quanto nossas roupas, cabelo e maquiagem se bagunçaram, e sinto-me desorientada pela intensidade de seu beijo. Ao buscar seus olhos, encontro-os me encarando com intensidade. Respiro fundo, afastando-me mais.
- Então... - tento me recompor, arrumando a bagunça causada em mim - Tá com fome? Quer comer alguma coisa? - sua expressão muda, vejo nela a necessidade em continuar o que paramos.
- Quero... - me responde, obviamente não falando sobre comida, se aproximando novamente a milímetros de meus lábios, onde me encontro entregue antes mesmo do beijo - Que tal uma pizza? - diz, mudando seu olhar de meus lábios aos meus olhos.
- Que? - recobro meus sentidos, abrindo meus olhos com dificuldade - Pizza? Sim? - vejo um sorriso triunfante em seus lábios.
- Pizza para comemorar nosso início, capiche? Ainda temos outro assunto a resolver...
- Temos? - minha mente ainda está impactada com o italiano, mas me esforço até relembrar da situação de minha irmã com Narancia - Temos! Mas espera... Vem cá.
Seguro a mão de Bucciaratti e o conduzo até minha cozinha, onde me lembro de ter guardado a massa de pizza semipronta que armazenei do meu restaurante italiano favorito. Olho para o homem ao meu lado, receosa por sua reação que me surpreende.
- Você compra a massa pronta de um restaurante típico? Ela... - observa de perto, logo lavando suas mãos na pia e inspecionando com as mãos - Tá muito boa. Congelada não seria minha primeira opção, mas vamos evitar nossa primeira briga de casal com o italiano entre nós sendo compreensível... - o olho espantada, brincando com a ofensa mal mascarada por ele.
- Se você quiser, senhor Bruno Bucciaratti, italiano raiz... Você pode cozinhar comigo uma pizza do zero. Mas olha, já é madrugada, e eu pretendia ocupar nosso tempo quando minha irmã for embora de outra forma... - suas mãos param de trilhar a massa congelada, e seu olhar malicioso se ergue em minha frente.
- Neste caso... - sinto suas mãos agarrarem com velocidade meu quadril, me virando e encostando minhas costas na bancada da cozinha. Seus lábios roçam meu pescoço, depositando um beijo demorado até que sussurre em meu ouvido - Onde fica o molho de tomate? - não o respondo, contendo a voz falha pelo tesão. Percebendo meu estado, agarra mais meu quadril, apalpando minha bunda e roçando sua ereção em mim - Responda, mia cara... Não vai querer saber o que acontece se me deixar com fome.
- Arm... Armári... io... - se afasta de meu pescoço, sorrindo inocentemente para mim, depositando um beijo suave e rápido em meus lábios.
- Vou fazer a melhor pizza italiana que conseguir para você, perfezione! - com isso, afasta-se de mim enquanto busca os ingrediente para cozinhar. Quando consigo puxar o ar novamente, começo a regular a respiração, o observando surpresa por mais tempo que deveria admitir.
Quando me acalmo, aproximo-me do italiano, observando cada cuidado atento e preciso que este tem com os ingredientes separados, desde a forma como reserva os ingredientes e temperos, até como suas mãos se movimentam, dando novas cores e odores ao molho e aos recheios da pizza. Sempre que minha curiosidade me domina, questiono suas ações, e aprendo com Bucciarati suas tradições e histórias culinárias durante sua vida, desfrutando do momento leve e divertido que compartilhamos.
O celular de Bucciaratti vibra e ele solicita que pegue em seu bolso e diga o que foi recebido. Ao apertar o botão lateral, vejo o nome de Narancia na tela. Limpando rapidamente seu dedo, libera o acesso ao aparelho com sua digital, me solicitando a leitura enquanto termina nossa refeição. Leio a mensagem silenciosamente, lhe dando o resumo.
- Ele chegou. Vou abrir para ele, certo? - o capo acena com a cabeça, depositando um beijo rápido em minha bochecha e continuando seu trabalho. Bloqueio seu aparelho e o deixo na bancada, em um local onde ele possa ver que foi repousado.
- COISA RUIM, ELE CHEGOU! - grito para a jovem, escutando sons de objetos de maquiagem e cabelo caindo, escapando uma risada cúmplice quando entendo que ela está nervosa. Abrindo a porta principal, encontro um Narancia indo em direção à rua.
- Narancia? - ele para, se virando de forma ansiosa - Ei, tá tudo bem?
- Não... Tá... Tô nervoso. E se ela me achar esquisito? Como eu tô? - levanta os braços, mostrando suas roupas.
- Você tá perfeito, fofinho! - sorrio para ele - Vem, entra. Tá muito frio hoje, e ela tá tão nervosa quanto você, se te ajudar a se acalmar - a ansiedade se esvai, substituída por surpresa e determinação. Assim que adentra minha casa, o guio até a cozinha, escutando-o falar com Bruno enquanto paro meu trajeto em busca de minha irmã.
- Fazendo sua pizza, chefe? Você quer muito conquistar ela, né?
- Ela é especial, Narancia. Quando me viu desse jeito antes?
- Nunca mesmo! Espero que dê tudo certo...
- E com vocês também. Você precisa de amigos da sua idade, e de fora da máfia. E se ela gostar de você, ja deixo avisado que você vai ficar apaixonado.
Sorrindo com a conversa que escutei, finalmente encontro minha irmã, olhando-se no espelho e se acalmando. Trocamos um olhar pelas imagens no espelho, logo trocando pela imagem real.
- Se eu não gostar, você vai embora com os dois, entendeu S/n?
- Sim senhora! - digo sem hesitação e sem mentira. O bem estar de minha família sempre vem em primeiro lugar. Em um ato afetuoso raro entre irmãs, alcanço sua mão, a conduzindo até a cozinha, onde Narancia se encontra de costas para minha caçula. Solto então sua mão, a guiando por metade do caminho até o ombro do jovem, este completado pela própria jovem. Acelero o passo para ficar ao lado de Bucciarati, nós dois tão ansiosos pelo encontro quanto eles.
Assim que percebe nós dois o olhando, Narancia parece deixar seu corpo por um instante, virando o corpo lentamente e cruzando olhares com minha caçula, nos proporcionando uma cena fofa: Narancia e minha irmã boquiabertos, sem pronunciarem uma palavra, apenas enrubescidos com sorrisos tímidos surgindo no lugar da expressão tímida.
- Oi! - ela diz para ele, que não tem nenhuma reação. A vejo coçar a nuca, pensando no que dizer - Narancia... Falei certo? - piscando rapidamente, o vemos respirar fundo e reagir.
- Sim! Não... Quase. Sou Narancia. Narancia Ghirga. E você? - enquanto ela se preparava para responder, os interrompi para que seguissem viagem e nos deixassem sozinhos.
- Ei dois! - ambos me olham, com dificuldade de sair do transe - A festa tem hora pra impedir entrada... Você veio de carro, Narancia?
- Uber...
- Então a filhote de ornitorrinco aí te leva de moto, na garupa, né não? - a olho furiosa comigo, porém contida e acenando positivamente - Perfeito! Bora? Eu levo vocês...
- Sei onde fica a porta, coisa ruim! - ela me diz, segurando a mão de Narancia e o levando até lá. Antes que saísse, vejo sua carteira na mesa, correndo para alcançá-la.
- EI, PERAÍ! - ela interrompe a ida, passando a chave ao jovem, que segue até a moto enquanto a entrego a carteira - Outra coisa. Ele é meio desligado, mas eles fazem parte da máfia italiana. Se ele for um escroto, já te ensinei como usar a faca, né?
- Que é isso, sua louca! Eu sei me defender... Caramba, máfia? E você envolvida com um é novidade...
- Ainda mais com o chefe! - ela me olha assustada - Meu scanner indicou que eles jamais nos fariam mal. Muito pelo contrário. Mas o seu é jovem ainda, qualquer coisa...
- Já sei, já sei... Relaxa. Ele parece... - ela o observa não conseguindo colocar o capacete sozinho - fofo. De um jeito desajeitado e inocente. Vou ficar muito bem! Encontro as meninas e te aviso.
- Ótimo. Boa noite, anã...
- Sou mais alta que você, S/n... - viro para voltar para dentro de casa - Ah, outra coisa... - pela sua cara, sei que vira alguma provocação - Quer que traga remédio pra assadura na volta? - que criança insolente! Ela foge de mim, porém não a tempo de escapar de um chute em sua bunda.
- Boa noite, S/n... - me diz com malícia. Volto para dentro de casa, trancando a porta. Assim que chego na cozinha, vejo a minha frente um Bucciarati de avental de cozinha, servindo a pizza que preparou de forma elegante na mesa de jantar.
A essa altura, não sei mais quando sinto paixão ou tesão por Bucciaratti. A cada mordida na pizza que ele mesmo preparou, Bruno capturava os recheios com seus lábios habilidosamente, os deslizando com calma sob o pedaço que permanecia em suas mãos, sendo capaz de tornar o ato de comer um espetáculo erótico aos meus olhos.
Meus olhos relaxam, mas minha respiração está cada vez mais difícil de ser realizada normalmente. O tremor em minhas mãos não passa despercebido quando tento comer o meu pedaço, ou beber o vinho da taça que dança em minhas mãos. A tensão sexual não me permite sair do estado hipnótico que os movimentos de seus dedos me colocaram, impossível não imagina-lós retirando cada uma de minhas peças de roupa como se fossem joias delicadas, ou as rasgando com força mas parecendo serem feitas de papel. Tentando amenizar minha ansiedade em tê-lo, procuro perguntas a entender melhor suas intenções, pois não desejo tê-lo apenas por hoje.
- Me conta Bruno, como um capo veio parar aqui, em um país tão distante, em um lugar tão simples quanto minha casa, com uma garota tão comum quanto eu? - pergunto ao italiano, que apenas sorri minimamente.
- Acho que você não vê o quão linda você é... - pausa sua fala para morder mais de sua pizza, e sou incapaz de desviar o olhar de seus lábios percorrendo o alimento, engolindo a seco ao imagina-lós explorando meu corpo - Mas respondendo as duas primeiras partes, não acho que seja segredo termos parte da máfia neste país.
- Realmente, não é... O bairro italiano próximo ao centro, certo?
- Bom, não direi nada além disso para não colocá-la em risco, regina... - aceno devagar e positivamente - E fomos aquela balada porque alguns de meus homens queriam saber como seria uma festa brasileira. Mas sendo sincero, tive um pressentimento de que algo de bom ocorreria está noite se os acompanhassem, - seu sorriso se abre por completo - e cá estou, sendo privilegiado por ter a mais bela imagem a minha frente... - diz com o olhar direcionado ao meu rosto, o explorando com admiração e desejo - Não há nada de comum em você, S/n. Não aos meus olhos.
- É difícil acreditar que me vê como algo fora do padrão quando vocês se vestem de forma tão estilosa... Parecem sair de um editorial de moda - digo, os elogiando honestamente e de forma leve.
- Você não está vestida de forma padrão, nem mesmo para uma brasileira - diz, avaliando positivamente minha vestimenta com seus olhos.
- Me desculpa, mas fica difícil competir em questão de estilo. Não precisa ser humilde nesse sentido... - digo tentando esconder meu rosto ao virar-me de lado para voltar à cozinha, sem pensar em uma desculpa plausível para a movimentação por ora, até ser impedida por sua aproximação a mim, terminando de limpar seus dedos com um guardanapo para então apoiar sua mão em meu maxilar, conduzindo meu olhar em direção ao seu.
- As roupas não importam, você era a pessoa mais cativante dentro da balada, e aqui fora também. Eu mal resisto a vontade de te beijar e levar para a cama agora, mas respeito você e lhe dou tempo para reconsideras, até porque não é como se estivéssemos completamente sóbrios, não é? - seu olhar perfura meu exterior e sinto um calafrio lutando para percorrer meu corpo, levemente entorpecido pela mistura de bebidas realizadas em meu corpo hoje, porém completamente imóvel enquanto ele se aproxima - Sou só eu me contendo, mia regina? - Derreto sentindo seu hálito quente em meus lábios, e avanço os tocando levemente e respondendo como um sussurro em sua boca.
- Não - Antes que consiga fechar meus lábios, sua língua ataca a minha, o correspondo de imediato e expressando nosso desespero em termos um ao outro. Sinto todos os meus nervos reagindo ao seu toque, arrepiando todo o lado direito do meu corpo.
A mistura de álcool e vontade me permite um nível de entrega de meu corpo jamais experimentado antes, não me importando o quão promíscuo ou obsceno seja o que faço com meu corpo, explorando o de Bruno sem pudor e nos unindo cada vez mais. Ele retribui com a mesma vontade, surpreso e contente com nossos atos. Me esforço para recobrar o controle de meu corpo, e percebo estarmos apenas com nossas roupas íntimas da cintura para baixo, não apenas aumentando a fricção em seu pau, mas com ele posicionado em minha entrada, separados apenas pelas 2 camadas finas de roupa íntima. Assim como estou, Bruno parece recobrar sua consciência, agarrando meus quadril e me mantendo imóvel, levemente afastada de si.
- Não... - diz, afobado e decepcionado - Vamos esperar...
- Eu queria tanto... - digo, derrotada e manhosa.
- Quando acordarmos, estaremos sóbrios e terei certeza de que nós não só queremos, como lembraremos, S/n - sinto um beijo amoroso em minha testa - Agora, durma bem, amore - diz, apontando em direção ao andar de cima e se levantando. Faço o mesmo, apenas parando no caminho para recolher nossas roupas e as vestirmos novamente, sendo segurada pela mão até chegar em frente aos quartos, o conduzindo para o mais arrumado e que me pertence.
- Bruno? - pergunto, virando lentamente até ficar de frente a si.
- Amore?
- Você vai dormir comigo? - questiono, erguendo o olhar em sua direção, e vejo um sorriso sincero surgir em sua face.
- Se você me permitir ficar depois que acordar, regina... - sorrio para si, me ajeitando debaixo das cobertas e abrindo espaço para que ele me acompanhe - Se importa se eu dormir do lado que você está? Por questões de segurança - olho para o local, confusa, mas me movo para o outro lado, e ele então retira o blazer, única peça que vestiu e que lhe sobra no corpo, deitando apenas de cueca junto a mim - Posso te ajudar com o pijama? - questiona, e lembro estar com roupa de festa.
- Por favor... - digo, mas sinto meu rosto esquentando com o sangue que sobe para minhas bochechas - Deixei separado em cima da cadeira - aponto para o local, facilmente alcançado pelos braços compridos do capo ao meu lado, enquanto retiro minhas roupas debaixo do cobertor.
Suas mãos deslizam lentamente pelo tecido que me cobre, retirando cada peça com calma, evitando prender seu olhar em meu corpo por muito tempo. Todas as peças do meu pijama são colocadas com facilidade, dado que usava seus dedos para alcançar minhas extremidades e guiá-las por entre as costuras com precisão. Agora completamente vestida, começo a reparar em sua figura utilizando apenas uma cueca que demarcava toda região e auxiliava no desenho de sua silhueta, e sinto minha respiração afobar com o excesso de tesão contido após essa noite ao seu lado.
- Bruno... - começo, mas sou interrompida de imediato.
- S/n, eu também quero, - seus dedos sobem para explorar a pele em minha bochecha com delicadeza - mas apenas amanhã. Tudo bem?
- Tão cruel! - digo fazendo graça, mas cedendo rapidamente ao calor e conforto dos braços que são abertos, nos deitando e quase que imediatamente dormindo pacificamente no colo de Bruno.
Em um mundo que percebo ser o dos meus sonhos, o sinto se misturar com a minha realidade, e portanto reconhecê-lo como tal. Percebo ser observada, seria por qual dos mundos? Aos poucos, percebo a luz em minhas pálpebras e o distanciamento da ilusão, acordando lentamente. Tento abrir meus olhos, respirando fundo no processo doloroso de adapta-los ao dia que já nasceu mas continua alaranjado. Conforme minhas pupilas se adaptam, alongo meu corpo da melhor forma que posso, sentindo os músculos contraindo e relaxando de forma gostosa. Assim que meu sorriso se estampa com a sensação, sinto braços envolverem minha cintura e puxarem meu corpo em direção a outro corpo, me virando curiosa e surpresa ao encontrar Bruno a minha frente, seu rosto esculpido com um grão de glitter em sua bochecha.
- Me surpreende ser só um... - digo ao tocar seu rosto com meus dedos, capturando o glitter e mostrando ao homem que mais se assemelha a visão do paraíso.
- Bon giorno, S/n... - sorri ao compreender minha fala e me observar sonolenta, mas percebendo seu olhar, da forma mais amável que já fui observada - Café na cama - diz, logo trazendo até meus lábios um pedaço aquecido da pizza feita quando chegou, que aceito felizmente.
- Bom dia - respondo tardiamente após ser alimentada, afundando o rosto em seu peitoral, esticando novamente meus músculos para baixo - Que vergonha!
- Por que eu estava te observando faz tempo? - pergunta, e respondo grunhindo negando enquanto me afundo ainda mais em seu peitoral devido a vergonha - Você estava tão linda quanto ontem, regina! - afirma, me agarrando mais em seus braços, com carinho.
- Não era isso. Agora também é... - resmungo, logo cedendo e falando - Só não acredito que um mafioso que conheci no dia anterior dormiu comigo, e nem transamos! - sinto seu corpo se movendo com a risada que solta, e o acompanho.
- Amore, olhe para mim... - diz suave, porém sinto em sua voz a imponência natural de um líder, e meu olhar imediatamente encontra com o seu - Dormir contigo em meus braços foi maravilhoso - sinto um ápice de timidez me dominar, escondendo meu rosto com a coberta e virando de costas para ele, que se aproxima e acaricia suavemente meu braço exposto.
- Desculpa. Não é que eu não quisesse, eu queria... Ainda quero! E assim... - sou interrompida pelo toque de seus dedos em meus lábios, seguido de sua fala.
- Não é momento de ser fofa desse jeito... - diz, sorrindo encantado e usando seus dedos para conduzir com cuidado meu rosto para cima, reencontrando seu olhar - Oi de novo... - sussurra em minha direção, se aproximando - Posso falar algo importante? - faço que sim com a cabeça, lutando contra a timidez - Estar com você era o que eu queria, e ficamos juntos a noite inteira. Nada mais importa.
- Mas não fizemos nada.
- Você não é obrigada a fazer nada comigo, S/n...
- Mas eu quero! - interveio em nervosismo, logo tentando me acalmar - Desculpa, fiquei ansiosa...
- Espera, - Bucciaratti começa a distribuir beijos dóceis por todo meu pescoço e rosto, imediatamente me derretendo em seu toque, o fazendo o homem mais feliz do mundo - não era a bebida, então? - diz sorrindo, sem conter a empolgação.
- Continuo apaixonada... - vou cada vez mais entregando-me aos seus toques. Estou de costas, lentamente sendo virada de bruços com suavidade e beijos. Suas mãos massageando minhas costas enquanto se deita em cima de mim. Meu quadril se pressiona a ereção que percebo já estar formada em suas calças, curvando as costas para aumentar o contato, enquanto minhas mãos buscam seu cabelo para acariciar. Suas mãos descem até a peça debaixo do meu pijama, retirando-a e eliminando qualquer obstáculo para que pudéssemos finalmente foder.
- Posso continuar, S/n? - sussurra em meu ouvido, arrancando um gemido acompanhado do arrepio por todo lado direito de meu corpo, acenando com fraqueza a cabeça - Você vai ser minha companheira, amore? - um gemido necessitado escapa, e aceno rápido com a cabeça.
Sabemos que somos um do outro. Eu estou entregue em seus braços, seu coração me foi entregue e suas mãos necessitam de mim no momento, percorrendo meu corpo até meu seio e minha nuca, agarrando ambos. Fecho meus olhos para focalizar meus sentidos em suas mãos, surpresa com a boca dele descendo até meu pescoço, o chupando com a intenção de deixar marcas pelo local.
- Eu preciso ter certeza, S/n. Me desculpe se estiver sendo insistente... - diz esboçando, pela primeira vez, insegurança - Eu não quero que seja só uma vez - meus olhos abrem em disparada, e ao virar de frente para Bruno, o vejo receoso e afastado fisicamente.
- Bruno? - o chamo tocando seu rosto com delicadeza, tentando reconecta-lo comigo para conversarmos sobre o que lhe aflige.
- S/n, se continuarmos, irei me apegar... - diz como um aviso enquanto sua mão segura carinhosamente meu pulso próximo ao seu rosto, e começo a refletir sobre o que estamos fazendo - Eu já me apaixonei, para que tenha noção do quão apegado serei.
- Eu estou bem com isso. Estava até agora... Você ainda quer? - Ainda sentada de frente para ele, começo a fazer perguntas que me esclareçam a confusão.
- Sim. Mas... Só podemos continuar se tiver certeza da escolha que está fazendo, - ele então se aproxima, com certa escuridão em seu olhar - porque eu não vou te dividir, não divido minha companheira com ninguém. Eu devia ter perguntado antes se você gostaria de se envolver apenas comigo, mas não achei ideal... E agora, minha necessidade de despi-la por completo, seja conhecendo cada detalhe de sua personalidade e corpo, me fez tão entregue que não serei capaz de acreditar ser apenas uma vez. E não posso continuar se não for recíproco.
- Achei que estavam claras as minhas intenções com você... - digo em tom decepcionado, levemente irritada com sua dúvida em relação a minha pessoa - Acho estranho mal me conhecer e querer ficar por tanto tempo, mas eu também estou me sentindo assim. Mas e se não der certo?
- Se não der certo, nos afastamos e nunca mais nos veremos. - diz, deixando claro que só haverá relação se ambos quiserem - E suas intenções estavam claras, S/n...
- Então por que você tá agindo assim? - o interrompo, parecendo o surpreender e, ao mesmo tempo, deixá-lo vulnerável e com a postura cabisbaixa. Quando ergue seu olhar ao meu novamente, também conduz sua mão até meu rosto, o acariciando com arrependimento.
- Me perdoe, regina. Acabei de receber um anjo, e ja estou com medo de perder... - vejo lágrimas se formando em seus olhos - Só quero ter certeza de que você entende que não desejo me envolver se não for sério. E admito que preciso trabalhar em minha confiança, mas em minha área de trabalho ela dificilmente é conquistada.
- Eu estou completamente entregue desde ontem, mas... - esforço-me pensando em uma forma de ganhar mais um pouco de sua confiança - Te deixaria mais seguro se eu compartilhasse um segredo pessoal? Algo bobo, mas que ninguém mais sabe? - ele me olha curioso, acenando com a cabeça - Quando fiz 18 anos, realizei uma vontade que tinha desde os meus 14, - digo enquanto dedilho a tatuagem em seu peitoral, logo me ajeitando ereta de frente a ele - e você vai ser a primeira pessoa a ver - antes que fizesse perguntas, retiro minha camiseta de pijama, expondo-me apenas de sutiã para Bruno, que explora despudoradamente meu corpo com seus olhos.
Alguns minutos se passam, e assim que sua admiração conclui, me levanto e viro de costas para si, revelando minha tattoo que inicia no ombro e desce até o quadril no lado oposto do começo. Nesse momento, suas mãos alcançam com delicadeza minha cintura, trazendo com cuidado meu corpo ao seu, sentando-me em seu colo, mas ainda de costas para si e levemente distante. Sinto seu olhar explorando as minhas costas, ainda admirando a tattoo.
- É tão linda... - diz, mas não parece falar da tatuagem, enrubescendo meu rosto.
Para permiti-lo observar por completo, ergo minhas mãos pelas costas, buscando alcançar o feixe do sutiã, mas sinto as mãos dele suavemente se colocando entre ambos, para que pudesse tirar sozinho. Retiro minha mão e sinto meus peitos aliviados com a falta de puxão da peça, logo sentindo as alças escorregando lentamente por meus braços, com a ajuda de Bruno, as segurando e roçando seus dedos juntos ao deslize. Assim que passam por minhas mãos, escuto a peça alcançar o chão, mas seus dedos permanecem em minha pele, passeando lentamente por meus braços, até alcançarem meus ombros, permanecendo imóveis.
- Por que escolheu esse desenho?
- O dragão? - sinto o nervosismo e a vergonha me domarem - Eu amo RPG! - percebo então o quão sonsa pareço no momento, murchando minha postura e rosto - Não em um sentido bobo, mas o RPG salvou minha vida.... - sorrio com orgulho ao falar sobre o tema, porém fico séria me abrindo mais uma vez - As vezes, tenho oscilações de humor devido a traumas do passado, e isso inclui me amar ao extremo, mas também me odiar além do absurdo. Todas as vezes em que me odiava a ponto de não ver sentido em viver, canalizei essa energia em escrever minhas próprias histórias, e não demorou para que entrasse pro mundo do RPG, escrevendo e jogando com meus amigos. Isso ja faz mais de 10 anos. Pode parecer bobo, mas quando não tive pais que pudessem me dar apoio, tinha todo o universo do RPG e os amigos que fiz nele. E minha primeira personagem foi uma Cavaleira de Dragões, e esse era o meu dragão. Foi o dia em que um mundo novo se abriu para mim, e me senti capaz de fazer as coisas grandiosas que sempre sonhei. Mesmo sendo só um jogo, um pouco desse sentimento ficou em mim, e me ajudou a buscar ajuda e começar a melhorar.
Sinto os lábios do italiano onde a cabeça do dragão fica, para então seus dedos roçarem minha pele no mesmo local, trilhando o caminho da cabeça do animal até a parte do seu corpo que termina em minha costela, me arrepiando por inteira. O escuto se aproximando, enquanto conduz lentamente as mãos para explorar meu corpo de forma delicada. Sua mão direita passeia da minha cintura até meu seio esquerdo, o acariciando com paixão, seu braço esquerdo me abraça se agarrando ao osso da minha bacia do lado direito, enquanto gruda seu corpo no meu e trilha beijos lentos do meu ombro até a curva do meu maxilar. Fecho meus olhos e sinto a respiração desregulada escapar em arfares, enquanto o escuto no pé do meu ouvido
- Nunca vi nada tão bonito - Não contendo o tesão, agarro sua perna com uma mão enquanto a outra sobe em direção a sua cabeça, alcançando seus cabelos macios e os agarrando levemente.
O sinto me virar levemente pelo quadril, abrindo meus olhos e lhe encarando com necessidade, correspondida pelo seu olhar predatório nos meus seios. De forma bruta, nos agarramos. Ele busca minha bunda e pescoço, atacando meu colo e seios com os lábios, e eu agarro sua cintura com minhas pernas, voltando a sentar nele, apertando suas costas com minhas mãos usando força para tentar não gemer alto.
- Bruno, me fode... - digo em uma mistura de ordem e súplica, e o observo juntando toda força que ainda lhe resta, ele se afasta minimamente, com dificuldade de abrir os olhos e me encarar.
- Eu não quero me envolver e me apegar sem ser correspondido. Seria injusto com você ter um mafioso apaixonado. E perigoso. Preciso ter certeza do que você quer...
- Quero você! - Coloco as mãos em seu queixo, o levantando com delicadeza e tomando uma decisão - Quero você. Quero tentar algo. E estou assumindo um risco por algo que acredito valer a pena. Eu decido me envolver contigo. Ninguém me desperta tanto quanto você, isso em anos, então quero arriscar. Essa é sua única preocupação? - A cara incrédula dele é substituída por uma de alegria inocente - Certo, então cala a boca e me fode, Bruno.
Sinto seus lábios nos meus, com muita necessidade, intensidade e força. Não resisto a vontade de rebolar em seu colo e começar a tirar seu blazer estilizado, que havia voltado ao seu corpo provavelmente quando acordou, e seus acessórios de cabelo intocáveis desde ontem, os jogando no chão, onde minhas roupas foram colocadas. Suas mãos sobem para meus braços, me virando devagar até ficar de costas para si, ainda em seu colo.
- Fica de joelhos para mim, vou tirar sua calça - ordena afobado, e assim o faço, sentindo a calça e calcinha serem retiradas ao mesmo tempo. Me levanto da cama e fico de frente para Bucciaratti, que também se ergue para terminar de tirar minha roupa, e decido ajudá-lo também a retirar suas calças. Antes que eu tirasse sua cueca, Bruno me interrompe e me segura pelos ombros, virando-me lentamente de costas para si e passando as mãos pela tatuagem novamente. O sinto beijar a cabeça do dragão e descer seguindo todo o desenho até chegar na parte do meu quadril, então sua mão me conduz sem pressa a ficar de quatro na cama, seguindo seu trajeto trilhando beijos até alcançar o final da tattoo, na parte de trás da minha coxa. Suas mãos, então, vão para meu quadril, me virando para deitar conforme ele paira a parte debaixo de meu corpo, e os beijos saem da tatuagem e começam a trilhar um caminho da área interna da minha coxa até minha boceta, já molhada e na expectativa. O escuto cheirar o local, e antes que pudesse falar sobre a situação, sua língua pressiona os meus lábios maiores com vontade.
- Seu cheiro é uma delícia! - imediatamente passeia com a língua por toda extensão de minha boceta, balançando com maior velocidade sempre que cruza com meu clítoris - E seu gosto doce é tão gostoso quanto você... - não contenho um gemido que acompanha minha boceta ficando mais molhada, o que parece enlouquecer Bruno, que enfia sua língua dentro de mim e começa a beber todo o líquido enquanto geme.
- Bruno... - tento chamá-lo com dificuldade em meio aos gemidos, mas se haviam palavras a serem ditas, elas logo eram esquecidas pela sensação de expectativa que meu corpo tinha a cada movimento preciso e veloz da língua de Bruno, se movendo e vibrando em meu clítoris.
A cada movimento que o italiano realizava, minha mente cedia para meu corpo e o prazer que me providenciava com fervor, e não necessitou muito tempo para que estivesse entregue em suas mãos para seu prazer pessoal, com os pensamentos acelerados e capazes apenas de serem preenchidos por Bruno Bucciaratti, refletido em seu nome escapando por meus lábios já secos dos arfares intensos. O frio na barriga que indica pouco para gozar se faz presente, primeiro tímido mas logo necessitado, e percebendo meu corpo contraindo para recebê-lo, ele para seus movimentos, a falta de seu toque me estranhando e trazendo novamente a realidade ao ser deitada de barriga para baixo na cama. Viro meu rosto para o lado para falar.
- Br... - antes que pudesse perguntar, meus lábios são atacados pelos seus com fervor e suas mãos me conduzem a ficar de barriga para cima, e o homem me pairando não é mais o inseguro e indeciso, dessa vez está decidido a aproveitar cada curva em meu corpo, explorado por suas mãos que agem sem pudor, uma apalpando com firmeza meu corpo, e a outra dedilhando minha boceta com seu dedão, ao mesmo tempo que enfia dois dedos dentro de mim.
- Tira minha cueca - ele ordena em tom calmo, então retiro minhas mãos dele, que agarravam seus ombros com força, e alcanço desajeitada sua peça. Quando começo a movimentá-la, seus movimentos dentro de mim se intensificam, acabando por retirar sua roupa íntima com extrema dificuldade, rendendo um sorriso malicioso no rosto lindo a minha frente - Gostei disso. Mas, - sinto seus movimentos cessarem - eu quero você... - encosta a cabeça de seu pau em minha entrada, fazendo movimentos de vai e vem por toda extensão de meus lábios externos, toda vez roçando meu clítoris. Não contenho mais meus gemidos, que aumentam assim como a abertura de minhas pernas, totalmente exposta e aguardando sua entrada.
- Vem cá - digo sem ar, percebendo estar incapaz de me comunicar pelo tesão.
A única coisa que sou capaz de fazer é esticar meu braço em direção ao meu móvel de canto, quase não conseguindo abrir a gaveta onde haviam camisinhas. Isso parece enlouquecer Bruno, que me olha com intensidade antes de se separar bruscamente de mim com a respiração pesada. O vejo alcançando um pacote e desembrulhando o preservativo, o colocando com jeito, porém com pressa, e imediatamente se jogando em cima de mim, mantendo-me distante do impacto com seus braços acima de meus ombros. Seus olhos ferozes me devoram antes de voltar a me beijar, chupando meus lábios e gemendo grosso ao tocar nossas línguas com violência. Dessa vez, ao invés de se movimentar, alinha seu pau em minha entrada, e para de se mover, afastando nossos lábios e me olhando com surpreendente doçura.
- Me permite, S/n? - o olho surpresa pela preocupação, sorrindo e acenando com a cabeça, imediatamente o vendo sorrir tanto quanto meu, pegando minha mão e trazendo aos seus lábios, depositando um beijo amável para depois posiciona-la em seu ombro.
Seus lábios descem de encontro aos meus enquanto posiciona os antebraços para se apoiar, colocando suas mãos em meu rosto e entrando em mim lentamente, mas de uma vez, a sensação arrancando um gemido longo nele e um suspiro prolongado em mim. Quando entra por completo, respira fundo e acaricia meu rosto, me observando preocupado e buscando por sinais de incômodo. Ergo minha mão para alcançar seu rosto, o trazendo para um beijo capaz de mostrar o quão bom foi e a necessidade que tenho dele continuar a me foder. Respondendo da mesma forma, seu quadril começa a se mexer, explorando a velocidade e minha resposta corporal, que começa a se satisfazer apenas quando escutamos o som de nossas peles se chocando com força.
- Assim... - afirmo, agarrando sua bunda ao senti-lo alcançar meu ponto G, hoje estando sensível a ponto de contrair minhas pernas nele, logo as levantando até sua cintura para que não atrapalhe o movimento.
- Desse jeito... - sua fala é contada por um arfar, afundando seu rosto em meu pescoço e agarrando a parte de trás de minha coxa com suas mãos, desacelerando o movimento - Não vai demorar...
- Não... Não para... - falo desesperada e sem controle - Goza comigo, Bruno - como se fosse apenas o que lhe faltava ouvir, suas mãos apertam com força minhas pernas, as mantendo no lugar enquanto acelera o movimento e consegue atingir com mais força o local intenso dentro de mim.
Se meus gemidos já eram incontroláveis, agora eles estão cada vez mais altos, misturados com partes do nome de Bruno e palavrões capazes de externalizar a promiscuidade que me apossa. Meu pescoço começa a doer, e escuto gemidos abafados no local da dor, que logo cessa. A velocidade alcançada me surpreende, não contendo mais sua força ao atingir bem fundo em minha boceta.
- Eu vou... S/n, eu...
- Goza comigo... - mal consigo dizer, e sinto a expectativa criada em meu corpo ceder, minha visão sensível me forçando a fechar os olhos com intensidade, e o prazer se espalhar, despencando na cama e aproveitando o momento.
O nível de intensidade do prazer começa a decair, e recobro rapidamente meus sentidos, voltando a respirar mesmo que afobadamente, abrindo lentamente os olhos e percebendo Bruno com sua testa e nariz encostas nos meus, ainda de olhos fechados e lábios tremendo com seu orgasmo que ainda finaliza. Suas mãos aos poucos afrouxam do lençol de cama ao meu lado, me relembrando das minhas próprias, que afrouxo de suas costas, retirando minhas unhas levemente fincadas pela pele. Também estico minhas pernas doloridas pela contração intensa dos músculos, e o movimento causa tremores intensos em Bucciaratti, que geme fraco e encosta nossos lábios abertos, demonstrando fraqueza após o orgasmo intenso.
- Cazzo... - sussurra quando para de tremer e gemer, e compartilhamos um beijo suave.
Bruno abre os olhos e me encara ao terminar de recuperar o fôlego, sua expressão pacífica e apaixonada não deixando espaço a dúvidas em relação aos seus sentimentos, antes florescendo, agora maduros e cada vez mais enraizados. Compartilhamos carícias sentimentais e leves um no outro, admirando-nos no momento em que não há nada a ser dito, até que ele acabe.
- Você é tão lindo - digo naturalmente, as palavras se formando e ressoando ao mesmo tempo, e sua reação é apenas intensificar seu olhar em minha direção.
- Sou todo seu, mia regina.
Aproxima-se, deixando um selar rápido em minha bochecha, em seguida saindo de dentro de mim e rapidamente lidando com a camisinha e a colocando no pacote ao chão, ao mesmo tempo em que trilha beijos por toda extensão de meu corpo desde meu queixo, seguindo pelo pescoço, meu peitoral, abdômen e, por fim, virilha.
- O que você vai aprontar aí emb... - minha fala é interrompida por sua língua avançando a estimular e aquecer meu clítoris, já sensível pelos contatos que tivemos anteriormente.
- Gostei demais de te ouvir chamar meu nome... - sua língua começa então a se mover velozmente para os lados, e minhas pernas imediatamente começam a tremer - Quero ouvir gritando enquanto goza mais uma vez - erguendo minhas pernas a passarem pelos seus ombros e repousarem em suas costas, com seu rosto entre minhas coxas, seu movimento para os lados se repete e acelera até que, mais rápido do que imaginei ser possível, sinto o intenso orgasmo me atingindo novamente, dessa vez mais sensível, me fazendo gritar seu nome.
Realizando todo o processo de recobrar a consciência, abro os olhos e observo um Bucciaratti entre minhas pernas, sorrindo vitorioso e saboreando os lábios com vontade. Minha cabeça despenca no travesseiro, e rio fraca com o homem que, definitivamente, será minha perdição. Sinto uma movimentação onde ele estava, e logo vejo seu rosto surgir na minha visão do teto do quarto, sorrindo boba ao ver a linda imagem de seu cabelo levemente bagunçado e solto a minha frente, erguendo minha mão com fraqueza e acariciando os fios.
- Bruno, Bruno... - chamá-lo parece deixá-lo levemente tímido, mas arranco uma risada cativante do italiano.
- Fico feliz que goste do meu nome, regina. Me faz sentir especial.
- Caramba, eu faço um capo se sentir especial? - sua expressão divertida não nega que tenha entendido a piada, mesmo que haja careta e negação em relação a mencionada posição em sua gangue, e rio com sua fofura - O que você achou? - a pergunta trouxe seriedade novamente aos olhos dele, que se deita ao meu lado e me puxa em sua direção, colando nossos corpos.
- Que eu estava certo... - o olho questionando - Com certeza me apeguei - sorrio para si, lhe dando mais um beijo suave.
Observo Bucciaratti mais uma vez, já que sua beleza faz agradável o ato de olhá-lo incessantemente, e vejo a verdade de suas falas em seus olhos: assim como eu, ele também se apaixonou. Ambos nos apegamos, e definitivamente não queremos nos dividir com mais ninguém. Não vejo porque dividi-lo com meu mundo, tão tedioso e comum que aceitaria mudanças caso ele as oferecesse em um futuro, e entendo que não dividir seu mundo comigo seja o melhor a se fazer em sua posição. Só me resta compreender como faremos isso se manter e como nos adaptaremos, se esse for o caso. Como se estivesse pensando o mesmo que eu, quando começo a questionar o funcionamento, seus braços me envolvem e me puxam para si em um abraço a compartilhar o desejo em nunca nos separarmos, voltando a dormir dessa maneira.
Longinquamente escuto uma porta se abrindo e desperto, percebendo estar nos braços de Bruno, que também acordou com o som e, juntos, prestamos atenção no que ocorre na sala, origem dos sons.
- ESSEENEEEEEEEEEEEEEE CHEGUEEEEEEEEEEI! - minha irmã grita pausadamente, mas extremamente empolgada.
Olho para Bruno, que me olha de olhos levemente arregalados, e imediatamente nos rendemos as risadas, que um tenta abafar do outro. Vejo em meu celular que já são quase duas da tarde, mostrando para Bruno, que sussurra um "Narancia?!?!?" assustado, e avanço em descobrir.
- Irmã? O que aconteceu?
- SE LIGA! - ela grita, e escuto o som de um aparelho conectado a nossa caixa de som, trocando olhares de dúvida com Bruno, mas logo que a música começa, voltamos a segurar a risada um do outro enquanto minha irmã canta alto e intensamente.
- 'CAUSE, MAMA IM IN LOVE WITH A CRIMINAL...
Porque, mamãe eu estou apaixonada por um criminoso...
