Work Text:
Ela passou o final de semana comemorando o aniversário dela, mas no fundo ela sabia que se não fosse por suas amigas, ela teria passado o dia na cama comendo bobagem e engolindo a vontade de chorar. Ela estava tão cansada de se sentir invalidada nos seus sentimentos, de sempre se desculpar por sentir demais. Ela só queria não sentir mais nada ou pelo menos voltar a se sentir bem consigo mesma…
…Sozinha.
Na segunda-feira ela esperou que ele ao menos já tivesse esquecido aquela discussão que eles tiveram na semana passada, ocasionada por mais uma de suas incompatibilidades de opinião. Ela tinha esperanças que ele ligasse para lhe dar os parabéns, para dizer que queria estar com ela, que “odiava” o tempo que ficou distante sentindo a falta dos seus beijos e seus abraços. Era o que ele sempre dizia antes de sufocá-la em seus braços e fazê-la perder o ar em sua boca.
Mas ela não teve nada dele. Nenhuma palavra.
Faz 6 dias desde a última vez. Desde o último beijo e da última vez que se falaram. É terça-feira e ela o observa agora pelo espelho retrovisor enquanto estaciona nos Estúdios da Universal. Ele está ao telefone dentro do carro dele, logo atrás do carro dela. Ela se apressou recolhendo sua bolsa e uma pequena maleta do banco do passageiro, batendo a porta um pouco forte demais. Ela só precisava de alguns segundos para alcançar a segurança do seu trailer, mas ela se perdeu no plano perfeito ao virar o rosto para trás e encontrá-lo olhando de volta para ela. Psicopata! - pensou. Ele não desligou o telefone mas ela pôde notar que tinha sua atenção.
Ela forçou um sorriso. Ela não deveria nem se dar ao trabalho de ser cordial mas ainda assim ela tentou e seu sorriso saiu torto e sem graça. Ele sorriu de volta e quando ela se virou para abrir a porta do trailer ela ainda pôde sentir os olhos dele em suas costas.
Ela entrou respirando profundamente de raiva e de excitação. O coração ainda batia forte quando ela se jogou no sofá, mas logo sentiu as batidas voltarem a um ritmo normal enquanto se distraía mexendo no celular. Ela tinha uma nova mensagem desse cara com quem ela ficou algumas vezes há um tempo atrás e que não parava de convida-lá para um revival. Ela está enrolando porque sabe que não seria prudente adicionar mais uma complicação na sua vida amorosa.
Ela estava ali procurando se distrair porque precisava esperar o resultado do seu teste de covid para poder se dirigir ao trailer de maquiagem. Eles tem três cenas hoje. Ela e Manny. Duas pela manhã e uma no início da tarde; depois ele se vai, mas ela ainda terá muito trabalho pela frente. De certa forma é bom... ela só precisava aguentar o peso da presença dele por algumas horas.
O telefone tocou 40 minutos depois avisando que estava tudo certo e ela saiu do trailer em direção à maquiagem. Julie, a maquiadora, deu os parabéns a ela quando a viu na entrada do trailer e lá de dentro ela conseguiu distinguir a voz do outro maquiador dizendo qualquer coisa parecida. Mas foi só quando ela entrou que o sorriso em seu rosto desapareceu quando ela percebeu que Manny já estava lá, sentado na cadeira ao lado da qual ela deveria se sentar. O rosto virado para o teto enquanto Jeremy termina de cobrir aquela tatuagem em seu pescoço para finalmente fazer a transferência do pássaro do personagem. Ela não gosta... não gosta nada daquele rabisco que ele fez no pescoço porque ela sabe que outro alguém tem uma igual e ela se lembra...todas as vezes que está beijando aquele ponto perto da orelha dele, sobre as linhas de tinta, ela lembra o que significa.
Ele tinha um sorriso de merda no rosto quando ela ocupou a cadeira ao lado, mas ele não olhou pra ela. Ele também não falou nada e isso doeu, mas se ele não dá a mínima, então ela também não vai dá. Sentada na cadeira em frente ao espelho ela tirou as sandálias e cruzou uma perna sobre a outra. Uma leve dor de cabeça e os olhos cansados denunciavam a tragédia que suas noites tem sido. Ela tem dormido tarde e pouco. Passa horas pensando em decisões que ela não toma e relembrando outras que ela tem certeza que não deveria ter tomado. Algumas dessas noites ela chora até dormir e promete a si mesma que ela vai se amar mais, então amanhece.... ela recebe alguma mensagem boba dele e ela esquece tudo que prometeu a si mesma. Mas hoje não... hoje nada. Então ela se aproximou mais do espelho analisando o próprio rosto e quebrou o silêncio:
“Julie, você tem algo pra disfarçar sinais de uma noite inteira de festa e bebedeira?”
Ela tá usando aquela voz afetada. Aquela que ela usa quando quer convencer alguém de alguma coisa.
O outro maquiador apenas riu enquanto Julie respondeu. “Acho que tenho o corretivo ideal pra isso”.
Os olhos dela procuraram os dele imediatamente através do espelho e dessa vez não encontrou um sorriso, mas uma cara séria com a testa franzida. Ela sorriu pra si mesma porque sabe que funcionou, ela atingiu onde dói. Então ela se pôs a falar sobre o final de semana com todos os detalhes e algumas mentiras inofensivas. Ela não esqueceu de contar sobre as flores surpresa que recebeu daquele cara e nem de mencionar que ele a conhece tão bem e “...não se cansa de me procurar”.
Então quando ela saiu de lá, toda ‘Elizabeth Boland’ em direção aos estúdios, ela já estava se sentindo melhor apenas porque ela sabia que ELE NÃO ESTAVA e é boa a sensação de inverter as coisas de lugar pra variar.
Ela estava na metade do caminho quando ouviu passos atrás de si e a voz dele chamando
“Yo! E então, o que tem esse cara?”
Ela se virou e apoiou as costas na frágil parede de madeira que separa os sets de filmagem. É um corredor, atrás tem cenário e normalmente tem gente passando por ali, mas não agora. Agora não tem ninguém, apenas eles.
Ela agradeceu mentalmente estar usando uma máscara que esconde o pequeno sorriso que apareceu em seu rosto. A dele está pendurada na orelha e ele estava tão perto que ela podia sentir sua respiração. Não é seguro DE FORMA NENHUMA.
“Não entendi”
Ele sorriu e levou a mão a uma mecha de cabelo retirando do rosto dela num gesto igual ao que ele fez tantas vezes no personagem. O corpo dela se retraiu, assustada, quando ele puxou a máscara dela pelo elástico, retirando-a completamente. Ela franziu a testa, puxou a máscara de volta da mão dele e lhe lançou um olhar de desafio e reprovação.
Ele repetiu a pergunta, reformulando.
“Se divertiu no final de semana então?”
Ela ajeitou os ombros, inadvertidamente ressaltando os seios e levantou o queixo antes de responder com sua voz doce e aguda.
“O que você acha? Me diverti muito. O que mais eu deveria fazer? Ficar esperando por você?”.
Ela acha que a pergunta dela a entregou, mas ela já estava se cansando desse jogo.
“Esse cara tá te fazendo feliz? Tá enviando flores e a merda toda. E o que mais?” - Ele apertou a cintura dela com as duas mãos. Ela fraquejou em seus braços, depois o afastou. “Alguém pode nos ver e acho que você não gostaria disso... não quero levar a culpa de novo se..“
Ele a interrompeu - "Yeah...mas não tem ninguém aqui...” - ele voltou a segurá-la dessa vez apertando seus quadris por baixo da blusa dela. “Você sabe que eu queria ter ligado, né?”
“Não, não sei...Por que não ligou? Você deixou seu celular cair na privada?”
Ele soltou uma risada e alguém passou por eles. Christina o afastou, retirando as mãos dele e se afastando da parede, não deixando margem para que ele a prendesse outra vez.
“Nahhh, mas é complicado. Tem sido difícil esses dias”.
“Não importa… E de qualquer maneira eu tava ocupada demais pra sentir sua falta”.
Seus olhos de bambi estavam sobre ele, mas seu queixo permanecia erguido como se ela estivesse muito orgulhosa disso. A verdade é que ela é uma grande mentirosa e ele sabia disso. “É melhor a gente ir…” - ela continua - “...já devem estar nos esperando e eu não quero atrasar ninguém”.
Ela não esperou por uma contra-resposta e nem olhou para trás para ver se ele seguiu seus passos. Ele não disse mais nada e apenas a acompanhou ao local de gravação.
Depois disso, ele não tentou mais conversar; embora seus olhos nunca deixaram de persegui-la por todos os cantos do cenário, já ela, se apressava em deixar o set antes dele, evitando se demorar por perto.
Ela não o viu mais depois da última cena que eles tiveram no início da tarde e a sensação da ausência dele trouxe alívio e uma certa melancolia. Alívio por não precisar mascarar seus sentimentos todas as vezes que ele estava do lado. E os sentimentos são muitos, de todos os tipos. Isso drenava sua energia de uma forma que ela detestava. Ela podia sentir na boca do estômago. Era tão ruim quando eles estavam assim, afastados. E melancolia porque ela queria - esperou por dias - que fosse diferente, que ele tivesse se importado mais.
Boba!
Ela se despediu dos técnicos de filmagem que ficaram trabalhando com ela em sua última cena do dia e passou em seu trailer apenas para trocar de roupa e recolher suas coisas antes de ir pra casa.
Foi só então que ela observou sobre a mesa de canto um vaso de flores que não tinha notado antes. São suas preferidas e ela se perguntou quem as deixou. Olhando com cuidado ela notou um cartão.
-
sei que já passou do dia e sei que já passamos da conta, mas será que é muito tarde pra me redimir? Feliz aniversário Chris.
M.
-
O que ela deveria fazer? Ligar e agradecer? Ela não liga pra ele, nunca. E que tipo de redenção ele esperava com cartão e flores? Nada vai mudar porque eles não foram feitos para dar certo. Eles são qualquer coisa muito diferentes que por acaso se encontraram, que por acaso se sentiram atraídos e que por acaso se envolveram.
Ela pensou se deveria levar as flores pra casa, mas ela achou que ficar olhando para elas toda hora não ia lhe fazer bem afinal de contas, então ela deixou lá. Talvez amanhã ela mudasse de ideia.
Passa das 9 da noite quando ela chegou em casa. Tirou suas roupas largando em um canto do seu banheiro recém reformado e prendeu o cabelo em um coque alto. Algumas mechas se soltaram, caindo em seu rosto aleatoriamente. A banheira já estava cheia, então ela jogou um punhado de sal de banho e entrou. A sensação da água morna em seu corpo era como um cobertor aquecido que parecia desatar todos os nós de tensão acumulados durante o dia. Por alguns minutos ela fechou os olhos e tentou não pensar em nada. Depois de um momento, ela os abriu, analisou as paredes com seu papel elegante e sorriu satisfeita enquanto afundava um pouco mais na água, molhando sem querer as pontas do cabelo.
Nesse momento, a campainha tocou e ela não pôde deixar de soltar uma maldição porque não é possível que, de todos os momentos, alguém achou conveniente aparecer desavisado em sua casa justo quando ela está relaxando.
Ela fez um trabalho rápido de se secar como pôde e vestir um roupão antes de descer as escadas e atender a porta. Ele estava lá, em pessoa, parado na frente dela em uma camisa branca e jeans.
Ela quase conseguia ouvir ele gritando ‘surpresa’, mas é claro que não foi isso que ele falou. Ele sorriu sem jeito e perguntou se podia entrar - “Tá ficando frio aqui”.
Passou pela cabeça dela que era uma piada muito sem graça porque eles estão na primavera e ta fazendo 19 graus. Mas ao invés disso ela se afastou e permitiu que ele entrasse. Ele observou ela com atenção. Os braços enrolados ao redor do corpo em clara posição defensiva, cobrindo a abertura do roupão. Os cabelos meio molhados e alguns restos de maquiagem contornando seus olhos. Ela estava uma bagunça linda.
“Você gostou…das flores?”
“São lindas”, ela mudou o peso do corpo para outra perna, se mexendo desconfortável - “O que você veio fazer aqui? É tarde, sabia?"
“Não pra gente, espero. Isso sou eu pedindo desculpas, vim pra consertar as coisas entre nós”.
Ela deu as costas pra ele fechando a porta e caminhando até a sala. Ele seguiu logo atrás.
“Você não vai ter problemas por estar aqui?”
“Eu resolvo isso”.
Ele se aproximou e puxou ela para si, beijando o pescoço dela ao mesmo tempo. Ela tentou resistir e afastá-lo. Ele a soltou quando percebeu e olhou pra ela.
“Você vai continuar assim comigo?”
“Talvez…”, ela continuava séria.
“Não seja assim”, disse tentando ser paciente - “Você sabe que eu faria de tudo para estar aqui com você...”
Ela o olhou com uma cara de “então porque não fez de tudo e veio?”.
“...Mas nem tudo é simples assim”, ele se aproximou novamente, “Além do que estávamos estranhos um com o outro, não sabia se vir te ver no seu dia seria a melhor opção. Eu não queria estragar tudo”- Descansou as mãos no quadril dela, descendo um pouco mais.
Ela deu um sorrisinho ao receber o toque e ler a sinceridade em seu olhar.
“Você sabe que eu sempre vou querer te ver”, ela acariciou os braços dele, “mas isso me chateou, já havíamos conversado sobre como aniversários são importantes pra mim”.
Ela o observou rememorar algo que ela contou a ele alguns meses antes. Naquela ocasião, eles estavam deitados na cama dela, com apenas um lençol fino cobrindo seus corpos. Ela compartilhava mais sobre si, retomando uma conversa que eles haviam tido mais cedo, falando sobre como seus aniversários eram super importantes para ela já que, quando menor, era a data em que seus pais se reuniam e pareciam se amar de novo por um dia. Ela prosseguiu em dizer que por isso seu aniversário significava dia de união e amor.
Tudo fez sentido na mente dele.
Ele sorriu. Engraçado como ele sempre se lembrava de todos os detalhes daquela mulher. Suas curvas, seus gostos, suas cores. Mas naquele momento ele havia esquecido sobre algo tão significativo.
“Amor e união.” Ele repetiu a fala passada dela em voz alta. Eles nunca haviam dito eu te amo um para o outro. Se dissessem, iriam cruzar uma linha e não haveria volta, mas no fundo eles sabiam quais sentimentos já faziam parte dessa relação.
Ela concordou calmamente com a cabeça, e viu ele se aproximar um pouco mais.
“Me desculpe. Posso ter outra chance?”
Ela fingiu pensar um pouco mesmo sabendo a resposta que daria.
“Ok.”
“Ok.” Ele repetiu. “Então vamos fingir que ainda é segunda-feira. Acabou de dar meia noite, e somos só eu e você.”
Ela cruzou os braços em volta do pescoço dele, levantou o rosto em sua direção e fechou os olhos enquanto esperava com um sorriso.
“Feliz aniversário, baby”
Aproximou-se, e a beijou com saudade. Era o melhor dos beijos. Seus braços continuavam abraçando ela enquanto as mãos dela agora seguravam o rosto dele.
“Obrigada por isso. Obrigada por ter vindo.” Ela confessou quando o beijo acabou.
“Eu sempre irei vir.” Ele prometeu. “Ter discussões é normal, vai acontecer de novo. A gente só não pode deixar chegar a esse ponto outra vez.”
Ela sorriu. Amava esses momentos. Eram segundos em conversas que pareciam pertencer a um relacionamento saudável e real. Algo que não envolvesse encontros secretos, e confissões proibidas.
“Quando você diz “esse ponto”, você quer dizer o ponto em que não me desejou feliz aniversário?” Christina atiçou, cruzando os braços. Mas isso só fez ele a apertar mais ainda.
“Em minha defesa, achei que as flores fossem significar algo.”
“Flores?”, olhou com deboche, “Aquelas que você enviou depois de discutimos de novo nos corredores?”
Dessa vez, ele que a olhou estranho.
“Eu deixei as flores no seu trailer antes mesmo de você chegar.”
Ele a viu colocando as peças no lugar.
“Inclusive, achei que estava me provocando ao falar que o outro cara havia lhe dado flores também.”
“Oh meu deus, me desculpe! Eu não havia notado as flores antes.” Ela se sentiu envergonhada.
“Tudo bem. Eu mereci.”, contorceu seu nariz na hora de admitir. “Elas estavam um dia atrasado mesmo...” Puxou ela para mais perto de seu peito, e sussurrou em seu ouvido. “Mas sei como posso recompensar.”
“Como você vai me compensar?”
Ele beijou o pescoço dela e passou as mãos pelo corpo dela, por cima do roupão macio. Ele chegou no laço e desfez devagar, observando sua nudez - “eu interrompi seu banho?”. Ela sorriu e meneou a cabeça fazendo que sim.
“Por que você não sobe e termina? Eu vou pedir alguma coisa pra gente jantar e já te alcanço”, disse enquanto puxava uma mecha do cabelo molhado dela.
“Parece uma boa ideia”. Ela riu. “Mas não acha que o banho pode esperar?” disse, e o apertou por cima das calças, dando o sorrisinho que era tão dela.
Manny a beijou rápido, se afastou dela e mordeu os lábios.
“Você quase me pegou”, ele confessou que estava tendo que resistir. “Mas acho que você deveria ser mais paciente.” O moreno
implicou.
Ela o deixou com mais uma risada, uma piscada de olho e correu para subir as escadas de volta ao banho. Ele puxou o celular do bolso, abriu num aplicativo de delivery e gritou pra ela - “Qual é mesmo seu endereço?”
Ela riu enquanto respondia “sério, como foi que você chegou até aqui?” e continuou o caminho para cima.
Ela chegou ao banheiro depressa. Não conseguia tirar aquele estúpido sorriso do rosto. Como ele tinha tanto poder sobre o humor dela, era algo que ela não entendia e em parte morria de medo.
Ela testou a água na banheira que já começava a ficar morna. Então ligou o aquecimento enquanto acrescentava um pouco mais de sais de banho. Pegou algumas velas aromáticas e acendeu em volta da pia e da banheira. Apagou a luz e retirou o roupão enquanto apreciava seu reflexo no espelho sobre a luz das velas. Ela se sentia sexy.
Quando ele subiu ela já estava submersa em meio a espuma, e com os olhos fechados.
Ela sentiu a presença dele e ouviu quando a calça dele tocou o chão. Em pouco tempo, ele estava sentado à sua frente, acariciando as pernas dela. Por um tempo eles apenas se olharam enquanto fodiam com os olhos. Mas ele quebrou o silêncio.
“Quem é o cara?”
Ela fez uma expressão de confusão, mas ele tratou de esclarecer.
“Que tá atrás de você, te procurando”
“Ninguém importante”
Ele jogou a cabeça para trás, soltou um ruído estrangulado e comentou olhando para o teto - “não quero te imaginar com outra pessoa” - então quando ele finalmente olhou pra ela já a encontrou olhando de volta.
Eles não eram exclusivos, nem tinham como ser, mas era uma regra não mencionar outras pessoas quando estavam juntos. Ela havia quebrado isso quando usou para provocá-lo. Ele estava quebrando agora ao falar abertamente sobre isso.
“Achei que você tinha dito que hoje seríamos só eu e você”, ela falou séria, “não precisamos trazer mais ninguém pra cá”.
Ele concordou, mordendo os lábios.
“Você tem razão. Sempre tem razão”, ele segurou as pernas dela e a arrastou para ele. “Vem aqui”. Ela foi até ele sentando em seu colo. As pernas em volta dele e os braços ao redor do seu pescoço. Ela o beijou próximo a orelha enquanto balançava o quadril sobre ele.
“É que eu quero você só pra mim”, ele a apertou por trás. “Sempre só pra mim”. Então seu olhar se alternou entre seus seios e sua boca. Ele a capturou em um beijo meio desleixado e rápido, mordendo levemente os lábios dela. “Você sempre me deixou louco, mesmo antes de te conhecer, sabia?”
“Awww você era meu fã”
Ele soltou uma gargalhada levando a cabeça para trás. “Você é uma viagem, baby. Mas eu era…”, ele pensou um pouco e se corrigiu, “…não…eu ainda sou muito seu fã”
Ela arrastou as mãos do pescoço dele para seus ombros e o usou como suporte para se erguer um pouco, o suficiente para pressionar sua buceta em sua ereção proeminente. Ela balançou sobre ele, esfregando-se em todo seu comprimento, arrancando-lhe um gemido gutural.
“Eu to vendo que você é mesmo um GRANDE fã”
Ele agarrou seus seios fartos com as duas mãos e lambeu, beijou e mordeu levemente. Ela continuou provocando, num vai e vem lento e torturante. Inclinando-se em sua orelha, ela sussurrou baixinho.
“Você tinha fantasias assim comigo?”
Ele correu suas carícias por suas costas, subiu até seus cabelos prendendo-os em uma mão. Puxou levemente até que ela olhasse para ele. “Isso é bem melhor que qualquer fantasia que eu já tenha tido sobre foder você”
“É?” Christina precisava que ele afirmasse. E quando ele falou que sim, pôde ver a pupila dela dilatar de desejo.
“E se eu te falar que eu quero muito que você me foda agora?”.
Dessa vez não havia mais brincadeiras em seu olhar de águas claras. Apenas tesão.
Manny então não hesitou, a beijou com força enquanto sua mão descia até a parte íntima dela. Ele tinha que provocá-la, deixar ela no auge.
Após circular seus dedos nela, ele a levantou um pouco do seu colo e lentamente entrou nela. Na hora, os dois que estavam concentrados em olhar o visual que seus corpos produziam, mudaram a vista para os olhos um do outro e gemeram.
Era por esses e outros momentos, que tudo valia a pena. Por mais que trouxesse anseios e não fosse nada perfeito, aquele relacionamento sempre seria o que eles iriam ter de melhor. Não havia nada como Christina para Manny, e não havia nada como Manny para Christina.
Depois de apreciarem a primeira metida, o moreno apertou firme a bunda dela, e começou a ajudá-la e guiá-la enquanto ela sentava. E o que começou em um ritmo devagar, se tornou um ritmo frenético em poucos minutos. E ele podia jurar que não ia aguentar por muito tempo, mas iria fazer valer a pena. Ele a impediu de continuar arrancando protestos dela, mas logo seu gemido foi convertido em prazer.
Ele aproveitou enquanto se acalmava para beijá-la, fazê-la se sentir desejada, querida, pois era sempre assim que ele a queria.
Então ele tomou seu tempo apertando os seios dela, enquanto fazia carinho no resto de seu corpo. Passou suas unhas curtas no braço dela, depois nas costas, e em seguida na nuca, puxando ela para um beijo rápido.
Enquanto isso, Christina focava em sentir tudo o que ele lhe causava. Era seu aniversário afinal. Porém, quando aqueles toques não eram mais o suficiente, ela levou as mãos ao rosto dele e quase implorou com os olhos.
Ele fez com que ela, então, mudasse de posição e sentasse de costas para ele agora, de forma que ela ficasse do outro lado da banheira, com as mãos apoiadas na borda.
Colocando seus dedos dentro dela pela primeira vez, ele brincou um pouco com sua buceta. Fazendo com que ela arqueasse as costas, se empinando. Quando ele a chamava de gata, não estava mentindo. Em seguida, ela começou a rebolar, o convidando sem precisar dizer nada. Ela mordeu os lábios quando sentiu ele brincando com o pau dele em sua entrada.
Apesar de muitos comentarem sobre seus seios, Manny sabia apreciá-la por completo, e nunca deixava de assistir a bunda dela daquele jeito. Ele gostava de vê-la se esticando ao redor dele e dos sons que eles produziam juntos.
Puxando os fios ruivos do cabelo dela para trás, ele começou a se movimentar. Os dois estavam super perto de atingirem um orgasmo, entretanto, apesar de sexo na banheira ser quente, ela queria terminar no quarto, e assim pediu.
“Me leve pra cama.”
Sem hesitar, ele saiu de dentro dela, levantou, ajudou ela a se levantar em seguida e foi de beijo em beijo, conduzindo-a para aquele quarto do qual ele tanto sentia falta. Ele já esteve ali antes, algumas vezes, mas ele nunca perdia aquela sensação de estar entrando num santuário, o dela.
Quando eles atravessaram a porta do quarto, os beijos que ele distribuía na boca e pescoço dela cessaram e tudo o que ela pode sentir foram as mãos douradas dele a empurrando. Ela já sabia o que estava acontecendo, então quando ele a jogou na cama, ela se apoiou rapidamente com os cotovelos.
Ele a arrastou para mais perto e apoiou uma das pernas dela em seu ombro enquanto a outra ele afastava, deixando-a mais aberta.
Ele beijou sua barriga, e foi descendo entre mordidas, lambidas e beijos até chegar na buceta dela. Ele cuspiu na área, pegando um de seus longos dedos e deixando tudo molhado, antes de cair de boca.
Os gemidos dela agora eram mais altos.
Entre vários “isso, isso” e “continua”, ele inseriu o primeiro dedo nela. Não demorou muito para que ele aumentasse o ritmo e a tocasse onde sabia que ela gostava mais. Também não demorou para que ela se derretesse em sua boca, apertando-se em torno dele.
Ela estava uma bagunça. Cercada de lençóis molhados, Christina se encontrava com uma respiração irregular e a pele vermelha. “Eu te odeio”, ela soltou quando viu o estado em que estava.
Ele apenas levantou e sorriu para ela. “Falei que ia compensar depoi-“ Ele foi interrompido por outro beijo. “Eu não terminei ainda. Eu quero que você goze.” Ela falou no meio de mais um beijo enquanto o puxava para cima da cama com ela.
Quando ele encostou a cabeça no travesseiro sentiu as pequenas mãos dela em seu pênis. Ela beijou todo os arredores daquela área antes de finalmente beijar o pau dele.
“Christina-“ Foi tudo o que ele conseguiu dizer. Logo quando ele achava que tinha algum controle, ela provava o contrário. Mesmo aquilo tendo acontecido várias vezes, ele sempre se encontrava sem palavras quando estava na boca dela.
Ela o chupou mais algumas vezes, queria provocá-lo e depois de massageá-lo um pouco mais, terminou de subir nele para então começar a cavalgar. Ele gostava de vê-la no controle, arqueando-se e se abrindo para ele. Ela gostava de ser observada, de ver a adoração nos olhos dele. Naquelas condições, nenhum dos dois iria durar muito mais. Enquanto ela acelerava e o apertava dentro dela, ele a estimulou com dedos ágeis levando-a ao limite logo em seguida. Ele não demoraria muito a acompanhá-la, flutuando na borda da sua própria liberação. Virando-a de costas, ele inverteu a posição com ela, ficando por cima, sob controle.
Suspendendo os joelhos dela, ele acelerou o ritmo das estocadas, estimulando novamente seu ponto já sensível. Ela apertava os olhos e os braços dele e estava quase implorando para que ele desacelerasse quando outra onda a atingiu no mesmo instante em que ele saiu dela derramando-se em sua barriga e virilha.
Ele caiu ao lado dela na cama tentando recuperar o fôlego. “Merda! Eu quase não consegui tirar. Qualquer dia eu acabo botando um bebê em você”
Ela deu um tapa de leve nele. “Não brinca com isso! Somos dois irresponsáveis”
Ele se inclinou e beijou o pescoço dela, respirando seu cheiro e mordendo de leve aquele ponto sensível atrás da orelha dela. “Quem permitiu ser tão apertada assim e me prender tão bem?”, seus dedos foram até a barriga dela brincando com o que ele tinha feito ali. Então a campainha tocou anunciando que o jantar havia chegado.
Ele levantou dando-lhe um beijo rápido.
“Relaxa. Hoje você só ganhou mais um banho”.
Ela ainda tentou acertar a mão nele mais uma vez, mas ele já estava a caminho de uma ducha rápida para em seguida descer as escadas vestindo suas calças sem jeito para atender a porta.
Quando ela desceu com uma blusa clara maior que seu tamanho e com seu cabelo já penteado, ela o encontrou procurando por algo em seus armários.
“O que você tá fazendo?” Perguntou e viu ele virar de frente a ela, com uma vela de papai noel nas mãos.
“Eu estava procurando velas.” Confessou quase que cabisbaixo, e tudo o que pode ouvir foi a risada gostosa de sua mulher. “Não ria, eu estava tentando te fazer uma surpresa.”
Christina cobriu a boca com as mãos. “Eu não estou rindo não.” Se segurou. “Mas ia ser super romântico jantar com o papai Noel em maio.”
Ele suspirou com a implicância dela. “Você é um saco, sabia?” Foi até ela e a beijou na bochecha algumas vezes. “Agora a senhorita pode me dizer onde estão as velas?”
Ela apontou para o armário que ele ia abrir em seguida, e se sentou no balcão de sua cozinha, onde ele havia organizado a mesa.
“Hm, comida indiana?”
“Achei que você já podia estar enjoada de mexicana.” Ele se aproximou, apoiando as velas no balcão e puxando um isqueiro do bolso, as acendendo.
“Nunca”, ela respondeu enquanto observava. Ela estava feliz. Ele a fazia feliz. Mesmo com altos e baixos, no final do dia, era de momentos como esse que eles lembrariam.
“Obrigada.” Ele levou seu olhar ao sereno azul dos dela.
Por um segundo eles não disseram uma palavra. E silenciosamente, ele sentou a seu lado. “Obrigado.”
Roubou-lhe um beijo e começou a servir a comida. Logo eles estavam falando sem parar, como sempre acontecia quando eles tinham um momento a sós que não era para ter sexo apressado. Ele falou do filho, ela contou sobre o que aconteceu no seu aniversário. Eles falaram da série favorita que eles tinham em comum. E quando repararam, ambos estavam jogados no sofá da sala dela.
Ele sem blusa, e ela sem calça. Confortáveis. Tranquilos. Seguros. O efeito do álcool que beberam sobre eles.
De repente ele lembrou de algo, dando um pulo do sofá. A mão dele foi parar na perna dela enquanto ele se levantava - “meu deus! Eu quase esqueci!”.
“Deus do céu! Por que você é assim!? Quase me matou de susto!”, ela olhava para ele com olhos bem abertos, “o que você esqueceu?”, ela perguntou enquanto observava ele ir na cozinha.
De repente ele saiu de lá com um bolinho todo enfeitado. Era pequeno, um pouco maior que um cupcake. No caminho de volta a ela, ele pegou uma vela da mesa.
“Isso aqui….” - Ele disse concentrado em não derrubar o bolo e não se queimar.
“Ah Manny, não…”, ela não conseguia parar de sorrir.
Ele sentou ao lado dela e segurou o bolo e a vela à sua frente. “Feliz aniversário, Chris." O brilho quente da vela os iluminava agora, "Faz um pedido”.
Ela fechou os olhos, sorriu e soprou a vela. Quando abriu os olhos, ele estava observando ela com cuidado, com um sorriso bobo no rosto como se ele estivesse memorizando cada detalhe de suas feições. Ele a beijou antes de colocar o bolo sobre a mesa e ficar de pé. Em seguida ele começou a afastar os móveis centrais da sala e só parou quando não conseguia empurrar o sofá com ela sentada nele.
"O que você tá fazendo?”, ela sorriu, se levantando. A essa altura, já esperava tudo dele.
“Nós vamos dançar.” Manny falou enquanto se esforçava para empurrar novamente o sofá. Ele irá jogar a culpa de toda essa dificuldade na bebida.
Ele pegou o celular do bolso da calça, abriu o aplicativo e selecionou uma música específica.
Over and Over de Bobby Vinton começou a tocar. Era a mesma música que ela havia escolhido para uma de suas cenas juntos. Ela tinha compartilhado com ele, perguntando o que ele achava. Era óbvio que ele tinha gostado.
Ela sorriu sem mostrar os dentes quando reconheceu a música, uma emoção diferente tomando conta dela.
Ele notou, claro. Mas optou por apenas segurar na mão dela e a puxar para si. Com a mão um pouco atrás da cintura dela, ele botou a dela em seu ombro e colou suas testas.
Os dois não emitiram nenhum som. Só arrastaram um pé aqui, outro pé ali, e dançaram. Isso é legal, ela pensou. E no final da música, roubou um beijo dele. Foi um leve roçar de lábios, mas que logo desconcertou eles de sua dança. De repente ela estava com as duas mãos no rosto dele, aprofundando o beijo.
Quando ambos precisaram de ar, o contato foi quebrado. Eles riram ainda perto um do outro.
“Acho melhor você comer aquele bolo antes que esqueçamos que ele está ali.”
Christina concordou, e se sentou no sofá afastado com o bolinho em suas mãos agora. Enquanto a observava, Manny sofria em silêncio. Como ele podia ser tão sortudo ao ponto de ter ela? E como ele podia ser tão azarado ao ponto de nunca realmente a ter? Ele tentou se livrar desses pensamentos, aproveitando o momento.
Ela estava com a boca toda suja da cobertura branca quando ofereceu um pedaço a ele. Ele negou e perguntou em seguida:
“Que pedido você fez?”
Nessa hora ela parou por um momento e seu olhar feliz para o bolo congelou. “Pedidos de aniversário são secretos.” Brincou tentando o distrair.
“Pode ser nosso segredo então.” Ele rebateu, enquanto limpava a boca dela com o polegar.
Ela suspirou, e olhou nos olhos dele quando disse, “Você vai ficar?”.
…
O quarto estava numa penumbra confortável. Ele a observou retirar a camisa e a calcinha e deslizar nos lençóis gelados da cama de encontro ao seu corpo quente. Ele estava às suas costas. Um braço envolto na cintura dela, puxando-lhe para mais perto. “Senti sua falta todos esses dias sem te ver, sem te tocar”. Ele deslizou a mão por suas pernas até alcançar no meio delas. Ela se encolheu com seu toque e gemeu baixinho.
Ele respirou em sua nuca, observando suas costas pintadas com as pequenas manchinhas que amava nela. “Também senti”, ela respondeu, “odeio quando a gente briga”.
Ele se inclinou sobre ela, afastando-lhe o cabelo para depositar um beijo em seu pescoço enquanto seus dedos trabalhavam nela embaixo, escorregando em seu centro molhado - “nunca mais vamos brigar”
Ela riu, porque sabia que em se tratando deles isso era quase impossível, mas seu sorriso foi sendo substituído por outro sentimento mais quente e urgente quando ela o sentiu duro em sua bunda, atiçando nela o desejo de mais contato. Ela se mexeu sobre ele, procurando senti-lo completamente.
Reagindo a isso, ele afastou suas dobras e inseriu dois dedos de uma vez. Ela já estava molhada pra ele. Ela sempre estava e ele não cansava de se surpreender com isso.
Christina queria mais e ela queria que fosse diferente, especial. Ela virou-se um pouco, o suficiente para alcançar o rosto dele com sua mão. Seus olhos o encontraram e ela pediu com o olhar antes de falar, “faz amor comigo bem devagar?”
Então ele a virou pra ele e a penetrou como ela queria, lentamente, amorosamente. Durante todo o tempo o vai e vem dos seus corpos e seus olhares fixos um no outro representaram todos os pedidos de desculpas omitidos e todas as declarações de amor guardadas no silêncio.
Ela havia desejado que ele ficasse, mas ele partiu antes do sol nascer.
Quando as flores deixadas para trás a encontraram naquela manhã em seu trailer, lindas e perfumadas, ela percebeu que eram um lembrete de que o que quer que existisse entre eles ainda estava vivo.
Ela tirou uma das margaridas do arranjo de flores, levou ao nariz e sorriu. Talvez desejos de aniversários pudessem se realizar afinal.
