Work Text:
Megumi estava distraído com a tela do celular quando ouviu um som de buzina ao lado de fora de casa. Eles finalmente haviam chegado.
Deu uma desamassada na camisa, uma última ajeitada no cabelo, se despediu da irmã e entrou no carro, se sentando no banco de trás ao lado dos seus amigos.
— Que demora foi essa? Vamos chegar lá quase uma da manhã. Vocês não têm nenhuma noção de horário...
— MEEEEGUUUUMIIIIIII!!!! Estou tão feliz que você vai! — Berrou Yuji, animado. Segurava uma lata de cerveja na mão e um sorriso de orelha a orelha estampava seu rosto.
— Vamos nos divertir PARA CARALHO! — Completou Nobara, seus olhos castanhos brilhando de entusiasmo. — Senhor taxista, pé na tábua!
— SEU MOTORISTA, PODE CORREEER! ♪ A QUINTA SÉRIE NÃO TEM MEDO DE MORREEER! ♪ — os dois cantavam em uníssono.
Megumi suspirou, já cansado de toda aquela empolgação, mas não pode deixar de esboçar um sorriso tímido. A alegria deles era contagiante.
Os amigos combinaram de ir juntos a uma festa da faculdade — a famosa calourada, uma recepção aos alunos que estavam iniciando o 1º ano. A festa era organizada pelos veteranos e aconteceria em uma república de estudantes localizada próxima à Universidade.
Os três eram calouros — haviam acabado de passar no vestibular. O mundo universitário era ainda muito novo a todos, especialmente para Nobara, que vinha do interior e ainda se habituava à cidade grande. Aos poucos, estavam se acostumando a esta nova fase de suas vidas.
Megumi e Yuji cursaram o ensino médio juntos, mas Nobara entrou em suas vidas havia apenas duas semanas, quando as aulas começaram. Eles participaram das atividades do trote juntos e logo se aproximaram da garota. Nesse curto período, já haviam saído juntos várias vezes e sentiam como se fossem amigos de longa data.
Yuji tomou um gole da cerveja e passou a lata para Nobara. De repente, seus olhos castanhos assumiram um tom sóbrio.
— Megumi, tem uma coisa que eu preciso te dizer... talvez Sukuna esteja lá.
Megumi estremeceu.
— Euuu seeeei. Não falei isso antes porque não queria que você desistisse de ir.
— Sukuna? Quem é?
— Ah... é meu irmão mais velho. Ele está no último ano.
— Uau! Você tem um irmão mais velho, Yuji? E ele é nosso veterano? Demais! — o olhar curioso de Nobara se encontrou com o sério de Yuji e ela entendeu o recado. — Ah... quer dizer... qual é o grande problema de ele estar lá? Megumi está com cara de quem vai vomitar e nem bebeu nada ainda.
— Quando foi? No segundo ano? Megumi costumava ir lá para casa jogar videogame depois da aula... um dia estávamos por lá e ele e Sukuna discutiram feio. Quase saíram no soco. Desde então evitam se ver.
— Eu. Eu evito vê-lo. — Se atravessou Megumi, ríspido.
— Isto. Bom. Tudo ficou simples porque meu irmão logo saiu de casa...
Nobara ergueu uma sobrancelha, instigada.
— Caramba, mas deve ter sido uma briga séria mesmo, hein? Já faz tanto tempo e vocês não se resolveram...
Megumi não mordeu a isca. Apenas cerrou os dentes e um silêncio desconfortável dominou o carro por alguns segundos. Sentia os aromas dos perfumes dos dois se sobreporem e impregnarem o espaço fechado, causando-lhe uma leve dor-de-cabeça.
— Ah, bom... Na verdade nem eu me dou muito bem com ele. Ele é meio nóia. Mas não esquenta, Megumi, a festa vai estar bombando tanto que você nem vai cruzar com meu irmão... — Yuji forçou um sorriso meio constrangido, como se nem ele acreditasse naquelas palavras.
— Sim, relaxa! Vamos aproveitar! — A garota também tentou recuperar o clima ameno de logo antes.
A briga entre Megumi e Sukuna, no entanto, era muito mais complexa do que Yuji havia testemunhado naquele fatídico dia — aquilo fora apenas a ponta do iceberg. O garoto não tinha conhecimento dos detalhes da relação entre Megumi e seu irmão, porque o amigo preferiu poupá-lo deste constrangimento.
Megumi era naturalmente reservado, mas quando se tratava deste assunto em específico, se sentia especialmente inibido de revelar o que de fato havia acontecido a Yuji, por dois motivos principais — primeiro, só faria o amigo se sentir culpado por ter colocado Sukuna em sua vida, já que ele tinha pleno conhecimento do tipo de homem que seu irmão era; e, segundo, a situação era vergonhosa o suficiente por si só.
Aquele era um segredo que Megumi levaria ao túmulo. Por mais próximos que fossem, estava fora de cogitação contar a Yuji que, naquela época, ele viveu um curto caso com Sukuna. Que enquanto Yuji estava ocupado treinando no time de atletismo da escola, Megumi estava em sua casa fodendo seu irmão mais velho.
Megumi se sentia culpado toda vez que lembrava ter confiado o suficiente em Sukuna para entregar sua virgindade a ele. Pensava que o outro havia se aproveitado dele. Sukuna era manipulador, tóxico e arrogante. Megumi lamentava não ter percebido isso antes, embora não tivesse demorado muito até que eles se desentendessem a ponto de o moreno não querer vê-lo nem pintado de ouro.
A verdade é que os dois estiveram juntos poucas vezes e o rolo não deve ter durado mais do que três meses, mas Megumi sentia que nunca havia passado por um período tão intenso em sua vida. Já fazia mais de um ano que ele não via Sukuna e ele estava muito bem, obrigado. A melhor decisão que tomou foi ignorar todas as tentativas de contato do outro durante este período.
— Oba, chegamos! — Exclamou Yuji quando o veículo encostou na calçada para estacionar. Os três sacaram suas carteiras e contribuíram com um pouco de dinheiro cada um para pagar a corrida.
Quando saíram do carro, já conseguiam escutar o som abafado de música vindo de dentro da casa e o amalgama de vozes das dezenas de conversas acontecendo ao mesmo tempo.
A noite estava agradável. Apesar de ainda ser verão, a temperatura estava amena e uma tímida lua crescente brilhava no alto do céu límpido. A festa já acontecia a pleno vapor.
Algumas pessoas estavam do lado de fora, encostadas ao muro da residência. Outras muitas estavam dentro, bebendo e conversando no quintal do terreno, este em sua metade ocupado por uma piscina infantil inflável. Alguns colegas já se encontravam alterados o suficiente para se aglomerarem dentro dela, brincando de atirar água uns nos outros.
Os três cumprimentaram os colegas e veteranos que estavam por ali no quintal e entraram na casa — um imóvel de dois andares que definitivamente precisava de uma mão nova de pintura.
Como esperado de uma república de estudantes, não era muito limpa nem organizada. A escassa mobília era velha e desgastada e o lugar cheirava a suor e cigarros. Megumi nem havia entrado nos quartos ainda e já achava o local insalubre para alguém viver. Deu graças a deus que a iluminação era mínima e ele seria poupado de enxergar mais detalhes desagradáveis do ambiente.
A casa não era muito espaçosa — especialmente considerando que deveria haver mais de uma centena de pessoas espalhadas entre os ambientes, dançando, conversando e bebendo. O calor lá dentro estava infernal e o pancadão tocava no último volume. Megumi, Nobara e Yuji mal conseguiam se locomover naquele mar de gente. A energia caótica da festa era formidável.
— A cozinha é lá atrás! Vamos pegar uma bebida? — Sugeriu Yuji, gritando para que os outros conseguissem escutá-lo em meio a música e ao barulho, enquanto tentava abrir caminho entre as pessoas com os braços. Megumi e Nobara se esgueiravam por entre os espaços que o amigo conseguia criar.
— Yuji! AQUELE é o seu irmão? — Nobara de repente gritou em resposta, apontando em direção ao fundo. Seus olhos se arregalaram.
Megumi sentiu seu coração parar e virou o pescoço ao outro lado para evitar qualquer contato visual. Então Sukuna estava lá, mesmo.
Sabia que a amiga não deveria estar enganada, porque Yuji e Sukuna eram incrivelmente parecidos fisicamente. Não fosse a diferença de idade, que fazia com que o caçula tivesse feições mais juvenis em relação ao primogênito, seria possível aventar que os dois fossem gêmeos. Até o corte de cabelo era semelhante. Apesar disso, suas personalidades eram completamente distintas. Enquanto Yuji era gentil, altruísta e amigável, Sukuna era um canalha megalomaníaco.
— Relaaaaxa, Megumi! Ele está de costas! Não vai te ver! — Observadora, Nobara percebeu seu pânico e fez questão de tranquilizá-lo.
Megumi se perguntou como a amiga tinha um olho tão bom a ponto de reconhecer alguém que nunca havia visto na vista, no meio de tanta gente diferente, até de costas, mas assim que virou o pescoço, entendeu.
Sukuna dominava a festa em toda a sua glória. O jovem de cabelos rosados se encontrava em uma posição de destaque, acima de todos os demais — dançava em cima de uma mesa, com uma garrafa de uísque meio vazia em uma das mãos e um cigarro aceso em outra.
Vestia uma calça jeans de cintura perigosamente baixa e nada no torso. Megumi reconheceu o padrão de tatuagens pretas em seus braços, suas costas e pescoço, que contrastavam tão bem com sua bela pele morena e valorizavam seu porte físico musculoso.
Seu belo corpo brilhava de suor e seus cabelos pareciam meio úmidos. Megumi não saberia dizer o que era mais obsceno — a maneira como ele se movia, as costas fortes nuas ou a bunda malhada socada no jeans daquele jeito.
À distância, Megumi o observou executar uma dança sensual direcionada aos pobres mortais que o olhavam de baixo, em volta da mesa — algumas dezenas de garotos e garotas cujos olhos brilhavam em admiração e desejo.
Era como um deus e seus fiéis. Ele rebolava devagar e fingia que ia abaixar a calça, para delírio dos seus devotos, que gritavam seu nome e palavras de baixo calão. Um verdadeiro momento de pregação da fé.
Com seu carisma opressor, Sukuna certamente era o veterano mais popular e desejado naquele recinto.
Megumi engoliu em seco. Subitamente, entendeu por que havia evitado de ver Sukuna durante todo aquele tempo. Mesmo o olhando de costas assim, sem ter nem caído na armadilha que eram seus olhos vermelho rubi, já começava a lembrar por que um dia havia se atraído por aquele homem, e sua mente involuntariamente se poluía de memórias imorais.
Megumi. Era como se ele ouvisse a voz de Sukuna sussurrar seu nome, lento e suave, igual quando eles faziam amor.
O rapaz suspirou, entendendo que aquela seria uma longa noite. Sentiu a garganta seca — já se conformava que sobreviveria àquilo apenas com uma boa dose de álcool metabolizada no sangue.
Megumi.
O pior de tudo, a julgar pelo semblante daqueles que estavam o observando, Megumi imaginava o tipo de expressão que deveria estampar o rosto de Sukuna naquele momento.
Concluiu que não foi nada saudável pensar sobre isso.
Megumi!
De repente, ele sentiu uma mão delicada envolver seu punho e puxá-lo para frente.
— Megumi! Alô! Terra para Megumi! Você está me ouvindo? Vamos atravessar por aquele canto para chegar nas bebidas. — Era Nobara, tentando guiá-lo no meio daquele caos.
Ele assentiu, encabulado ao perceber que tinha se perdido assim que colocou os olhos em Sukuna.
Tinha acabado de ir à lua e voltar só o contemplando.
A cozinha e a sala por onde entraram não eram separadas por paredes, apenas por um balcão — onde o pessoal que morava na casa deveria fazer suas refeições mais rápidas. Megumi abaixou o pescoço e seguiu os dois, se esgueirando pelos cantos, até que eles alcançaram o tal balcão onde estavam as bebidas.
Havia muitas opções de intoxicação naquele balcão, de fermentados a destilados, até alguns cigarros molhados espalhados por ali. Megumi decidiu ir com um trago forte logo de cara e colocou algumas doses de cachaça e gelo em um copo, espremendo um limão dentro. Não conseguiu encontrar açúcar nem misturar direito, então a caipirinha ficou incompleta, mas o sabor não estava mal. Yuji e Nobara prepararam uma gin tônica e se revezavam para bebê-la.
Os três voltaram até a parte central da sala, onde mais pessoas estavam dançando, e decidiram permanecer por ali. Megumi se certificou de ficar de costas para a mesa sobre a qual Sukuna fornecia seu espetáculo e pediu para os outros o avisarem caso ele saísse de lá.
Os dois bobos logo começaram a reproduzir dancinhas que viram na internet. Em condições normais, Megumi sentiria vergonha alheia daquilo, mas ele já estava com a cabeça mais leve e não conseguiu segurar a risada. Yuji e Nobara até que eram sincronizados e outros calouros que também conheciam as tais coreografias se juntaram e eles. Uma cena divertida.
De vez em quando, Megumi olhava para trás de relance, apenas para averiguar o paradeiro de Sukuna. Ele seguia dançando incansável, cada vez mais suado e grudento, e a garrafa em sua mão cada vez mais vazia também.
— Vou buscar mais bebida para nós. Vocês querem alguma coisa? — Megumi se prontificou quando eles terminaram de secar os copos. A casa estava ainda mais cheia e seria trabalhoso para os três se locomoverem até a cozinha juntos novamente.
— Mais uma gin tônica! — Responderam os dois, risonhos.
Megumi foi se esgueirando entre o pessoal, no meio daquele calor absurdo, até encontrar o balcão novamente. Em um copo plástico, preparou o drink dos amigos, caprichado no gin. Experimentou um gole — estava ótimo. Pegou uma garrafa de energético na geladeira e, em outro copo, misturou um pouco com algumas doses de vodca. Segurou um copo em cada mão e torceu para que não acontecesse nenhum incidente no percurso de volta.
— Me-gu-mi, que prazer vê-lo por aqui, meu amor. — Uma voz conhecida exclamou, e o rapaz deu um sobressalto, quase derrubando as bebidas logo de cara.
Ouvir aquela voz pronunciar seu nome depois de tanto tempo lhe causou um arrepio. A forma como as três sílabas foram enunciadas era quase pornográfica.
Sukuna estava ao seu lado, escorado no balcão, com um sorriso sórdido estampado no rosto.
— Ah, como você está lindo, Megumi.
— E você está bêbado. Me deixa passar. — Megumi respondeu, desviando o olhar para a multidão. Estava decepcionado com o vacilo de não ter monitorado os passos de Sukuna enquanto preparava as bebidas.
— Ei, eu só quero conversar um pouco! Megumi, você não sabe o tamanho da alegria que senti quando soube que você seria meu calourinho!
Mesmo a uma certa distância, Megumi conseguia sentir o aroma do perfume de Sukuna. Ele ainda usava o mesmo.
O garoto sentiu sua consciência se dispersar, recordando todas as vezes que ficara com aquele cheiro delicioso impregnado em seu nariz. Tentou varrer os pensamentos tomando mais um gole de bebida, mas no fundo sabia que aquela não era a melhor estratégia. Quanto mais ele bebia, mais corajoso ele se sentia para enfrentar o outro.
Sukuna apenas o contemplava, seus olhos carmesins brilhando de satisfação.
Megumi rapidamente passou os olhos por seu tronco nu, ornamentado com tatuagens, tal como o resto do corpo, incluindo o rosto. O padrão do contorno em linhas pretas realçava sua beleza e seu físico escultural de maneira majestosa. Megumi notou que ele havia colocado piercings nas aureolas — esses eram novidade. O brilho prateado da jóia refletiu em seus olhos e ele de repente se pegou imaginando como seria passar a língua ali.
Sukuna estava mais atraente do que nunca, muito mais do que Megumi poderia ter imaginado.
O rapaz entornou o copo e bebeu mais um pouco. Deus me abandonou, pensou, se sentindo traído pelos próprios pensamentos, sob o efeito do álcool na cabeça.
Sukuna abriu ainda mais o sorriso ao notar o olhar do outro e suas tentativas nervosas de se distrair do que acontecia ali. Estava exultante em perceber que mesmo depois de tanto tempo Megumi não havia construído resistência alguma a ele. Ele se aproximou, fixando seus olhos nos de Megumi, que sentiu seu rosto esquentar.
Diante do silêncio do garoto, o mais velho continuou a provocar.
— Megumi, o que você acha de ir estudar lá em casa qualquer dia desses? — Perguntou, aveludando sua voz para assumir um tom persuasivo.
— Não preciso de ajuda com os estudos. — O mais novo fingiu que não entendeu as implicações daquele convite.
— Megumi... por que você não confia em mim? Sou o melhor aluno do curso! Até professores e professoras me convidam para estudar na casa deles. — Sukuna deu uma piscadela.
— Pelo amor de deus. — A ideia de Sukuna sendo azarado pelos docentes do curso não parecia tão absurda assim, mas o garoto não quis dar o braço a torcer.
— Ah, não se preocupe, Megumi. Só existe uma pessoa na universidade que desperta meu interesse.
Megumi revirou os olhos.
— Não estou preocupado.
Os dois falavam tão baixo que mal conseguiam se ouvir no meio de tanto ruído. Como se aquela conversa fosse altamente confidencial. Sukuna se colocou em frente a Megumi, trancando a passagem e o fuzilando com os olhos. O sorriso debochado não abandonava seu rosto.
— Que olhar é esse, Megumi? Você sente alguma raiva de mim? — Ele se fez de desentendido, tentando se aproximar do garoto, que em reflexo deu um passo para trás. Megumi sabia que deveria sair dali, mas suas pernas simplesmente não se mexiam mais.
— O que você acha?
Os olhos de Sukuna colaram no pedaço de pele pálida exposta pelos primeiros botões abertos da camisa de linho branco que Megumi vestia.
— Eu acho que não. — Sukuna deixou escapar um riso curto e baixo. — Mas por que você não respondeu minhas mensagens, Megumi? Me bloqueou? Quanta crueldade!
— Você sabe muito bem. — O rapaz se limitou a dizer, impaciente.
Sukuna parecia fazer questão de soprar seu nome toda vez que lhe dirigia a palavra. Como se adivinhasse o efeito que aquele ato tinha sobre Megumi — em como ele gostava de ouvir seu nome pronunciado pela voz do mais velho. Megumi sabia que não poderia alongar o papo, ou se colocaria em uma cilada.
Sukuna já havia preparado a ratoeira, e estava colocando o queijo nela.
— Por que você me maltrata assim? Hum? — Zombou Sukuna, fazendo biquinho. — Megumi, eu queria tanto te ver. Eu estava com tanta saudade de ouvir a sua voz e de ver esse seu rostinho lindo.
— Mentiroso. — Megumi respondeu ríspido, trombando com Sukuna para tentar forçar sua passagem, mas era difícil fazer isso equilibrando dois copos nas mãos, até porque ele já estava um pouco tonto, e o outro era muito maior.
Sukuna se curvou e aproximou a boca da orelha de Megumi para que ele pudesse ouvi-lo bem. Quando o hálito quente do outro tocou sua pele, o garoto sentiu uma onda de calafrios.
— Megumi... você também não estava com saudade? Hum? — Sukuna sussurrou com jeitinho, sorrindo malicioso.
Ele estava próximo o suficiente para que Megumi sentisse o calor do corpo dele se fundir ao seu próprio. Era o bastante para que o rapaz se contraísse todo, tenso. Já suava um monte, resultado da temperatura do ambiente e do esforço desumano de ter de lidar com aquelas provocações.
Era bem difícil se contrapor quando o outro falava aquelas coisas, com aquele jeitinho, se portando como se fosse seu dono, como se o tempo não tivesse passado, como se nada tivesse mudado. Mesmo claramente alterado, suado e desarrumado, Sukuna estava tão divinamente bonito que era quase criminoso.
Sukuna nem precisaria se esforçar, mas naquele momento estava verdadeiramente empenhado a seduzir o mais novo, que sentia o ar abandonar seus pulmões aos poucos, toda vez que colocava os olhos nele e ouvia sua voz.
Antes que pudesse ser encurralado, Megumi não respondeu e deu as costas, finalmente conseguindo se desvencilhar. Queria dar um jeito de fugir para se afundar mais na bebida e aproveitar o restante da festa.
Tomou outro gole do seu copo e se enfiou no meio das pessoas, tentando alcançar a sala, mas logo sentiu uma mão quente envolver seu braço e puxá-lo. Sukuna havia ido atrás dele, por óbvio. Seria difícil tentar despistá-lo. As pessoas simplesmente abriam caminho para ele passar.
E é claro que Sukuna não se daria por vencido, ainda mais quando via as entrelinhas nas ações do outro.
A maior tragédia, Megumi quase entrou em pânico percebendo que o breve toque da mão de Sukuna fez os pelos do seu braço se eriçarem e o seu estômago dar uma cambalhota e meia.
Ele tentou se virar e esquivar para que Sukuna não chegasse tão perto, mas os longos dedos encostaram em seu queixo, o forçando mover seu pescoço e encarar seu rosto tatuado.
— Você não está cansado de fugir de mim, Megumi? Hum? Não quer se divertir um pouco comigo? — Seus olhos pegavam fogo de desejo. — Vem passar a noite lá em casa. A gente volta a não se falar depois. Que tal?
Megumi já não confiava em si o suficiente para responder àquelas perguntas.
— Ah, sinceramente, quem te deixou sair de casa deste jeito? — O olhar de Sukuna o escaneou, analisando cada centímetro do seu rosto, concentrando-se nos seus lábios. Ele nem piscava, de tão concentrado.
— Você tem noção do que faz comigo, Megumi?
— Uma vaga ideia.
Sukuna moveu o polegar sobre o lábio inferior do rapaz, apreciando a pele delicada em contraste com a da ponta firme do seu dedo. Megumi prendeu a respiração, sentindo o lábio formigar com a leveza daquele toque ousado.
Ele só foi capaz de mover o rosto para o lado e se desfazer do toque quando Sukuna tentou ir longe demais e colocar o polegar para dentro da sua boca.
— Por que você não responde meu convite, Megumi? É porque você não força para negar? — Seu tom de voz era suave e doce como mel. — Está com problemas para admitir que ainda gosta de mim? Não consigo entender o motivo.
— É claro que você não entende. Está muito acostumado a ter as pessoas te venerando, como agora há pouco, quando estava dançando em cima da mesa.
— Então você viu aquilo? — O sorriso torpe voltou a estampar seu rosto. — Ficou com ciúmes da plateia? Não esquenta, vamos lá para casa e posso fazer um show particular para você. Strip tease, lap dance, o que você quiser.
Megumi se empenhou muito para não imaginar tal cena, mas falhou miseravelmente. Se empenhar para não pensar em algo, por definição, é estar pensando nesse algo. Sentindo seu corpo aquecer de desejo, ele inspirou devagar, tentando se tranquilizar.
Sukuna percebeu a mente do mais novo indo para longe e continuou a provocá-lo.
— Ei, Megumi. Você tem ideia do esforço descomunal que estou fazendo neste momento, para não te empurrar para aquele canto e...? — Ele repousou a mão na cintura do rapaz, tentando puxá-lo para mais perto.
— E... e o quê? Me foder na frente de todo mundo?
Megumi enrubesceu, se arrependendo assim que aquelas palavras saíram de sua boca. Ele não queria saber a resposta.
— Porra, quantos desses você já bebeu? Está soltinho, é? Quanto atrevimento. Até colocando palavras na minha boca. — Sukuna mexia a cabeça para os lados, em sinal de desaprovação.
— Megumi, eu posso ser impulsivo, mas não sou um maníaco descontrolado.
— Que capacidade impressionante de autocrítica essa sua.
— Quem precisa de um pouco de autocrítica é você, meu amor. Ou vai dizer que você não quer se divertir um pouco comigo?
Megumi gelou.
— Ah, me deixa em paz... eu tenho que levar isto ao Yuji... — O rapaz quebrou o contato visual, aflito, percebendo que as palavras do outro estavam ficando cada vez mais perigosas e as dele próprio também.
Sukuna franziu o cenho.
— Ei, isso tudo é medo de o pirralho nos ver juntos? Prometo que ele não vai ficar sabendo de nada.
— Deixa o Yuji fora disso. — Megumi continuou andando. Sentia o calor do corpo de Sukuna o seguindo por trás e seu olhar pesado repousado sobre suas costas.
— Ih, alá! O pirralho se divertindo sem você! — O mais velho riu, apontando para um canto da casa, em que claramente se podia ver três cabeças juntas unidas em um beijo triplo — uma cabeça rosa e uma cabeça castanha que claramente eram de Yuji e Nobara. Megumi não fazia ideia de quem era a terceira pessoa, mas supôs que fosse alguma outra colega.
— Tsk! Quanta libertinagem! Ao menos são duas gostosas! — Sukuna continuou caçoando.
Perfeito. Agora Megumi não poderia nem pedir resgate aos seus amigos para se tentar se distrair da presença do outro.
Ele bebeu mais um gole do seu copo, que agora já estava quase no final e, se sentindo corajoso, resolveu responder a provocação. Parou onde estava e virou de frente para Sukuna.
— Está vendo, Sukuna? Você ficou me atrasando. Poderia ser eu lá no meio da diversão. Perdi a chance de dar uns pegas no seu irmão.
O sorriso imediatamente sumiu do rosto de Sukuna, que ergueu uma sobrancelha, incrédulo. Era a primeira vez que o outro o chamava pelo nome, mas foi justamente com o intuito de provocá-lo.
— Você não ousaria. — Sua voz assumiu um tom sério.
O mais novo deu de ombros, atiçando mais. Os lábios de Sukuna se curvaram para baixo e seu olhar se incendiou. Megumi podia ver como ele estava possesso com aquela insolência. Ele deu uma piscadela e começou a rir, entretendo-se com a ira estampada no rosto do tatuado.
De súbito, Megumi sentiu suas costas se chocando contra uma superfície dura — Sukuna havia o puxado pelo braço e empurrado contra uma parede próxima.
Por conta do movimento brusco, o garoto acabou derramando um dos copos de bebida em cima do próprio corpo. Sentiu o líquido gelado e grudento molhar sua camisa e seu colo, mas nem teve tempo de pensar sobre isso.
— Megumi, você acha que pode falar uma coisa dessas e sair impune?
Sukuna o prendia à parede com um braço e, com o outro, o enjaulava, se situando a apenas alguns centímetros de distância. Megumi não tinha alternativa senão encará-lo.
Sukuna tentava triturá-lo com seu olhar furioso, mas Megumi conseguia perceber que o outro estava perdendo o controle e não havia diversão maior do que aquela.
Apesar de estar literalmente contra a parede, ele se sentia no controle da situação. Então, respondeu com deboche.
— O que você disse? “Não ousaria”? Talvez já tenha ousado, quem sabe... — O rapaz deu um último gole no copo que sobrara, agora finalmente vazio.
— Você não seria capaz. — Respondeu Sukuna, ríspido, apertando o braço dele com força.
— Por que você tem tanta certeza, Sukuna?
Megumi apenas sorria, travesso, se deixando ser dominado pela leveza que o álcool lhe causava.
— Porque você é meu. Sabe muito bem disso.
— Minha nossa. Como você tem coragem de me dizer isso depois de tanto tempo?
Petulante, Megumi intensificou o olhar sobre ele e mordeu os lábios lentamente. Sukuna estava tão, tão perto, Megumi sentia seu perfume, seu calor, sua respiração quente, e pode observar as pupilas dele seguirem o movimento dos seus lábios.
— Sua audácia passou dos limites, Megumi. Eu vou te punir. — Sukuna anunciou, tão sério que parecia sóbrio.
Megumi soltou um riso abafado.
— Me punir? Ah, é? E com qual autoridade você vai me punir?
— Chega dessa palhaçada.
E com essas três palavras, antes que o moreno pudesse esboçar qualquer reação, Sukuna o prensou na parede, colocando seu peso sobre o corpo franzino, agora completamente encurralado, e grudou seus lábios nos dele.
Megumi sentiu um arrepio quando a língua quente e úmida do outro apareceu dentro de sua boca, desesperada, intensa. Ele tentou responder, mas estava mole, totalmente tomado pela sensação avassaladora de estar sentindo aquela língua macia roçar na sua depois de tanto tempo. Apenas arfava, extasiado, sentindo seu corpo pegar fogo.
Enquanto explorava sua boca com uma ansiedade implacável e sem a precisão calculada que Megumi lembrava que ele tinha, Sukuna prendia suas mãos na parede para que ele não conseguisse se mover. Megumi estava simplesmente sem saída, sua única opção era se render — não era como se ele não quisesse.
Sentia que estava sendo devorado por um monstro, mas era maravilhoso, na verdade, era o melhor beijo que deu na vida. Seu corpo estava relaxado de uma forma perturbadora, formigando com o deleite de sentir a ânsia de todo desejo que havia se acumulado entre os dois.
Naquele instante, seus amigos, a música alta, a casa, a festa e até a possibilidade de estarem sendo vistos evaporaram dos seus pensamentos. Megumi se esqueceu completamente de onde estava; a única coisa que existia era o calor e a pressão do corpo seminu do outro, o contato da língua ávida sugando a sua própria, o som de umidade que escapava do beijo desordenado, a satisfação imensa de estar com ele, de estar sendo constantemente lembrado, segundo a segundo, de porque tudo era tão bom com ele.
Se a tontura que sentia era por causa da bebida ou por causa de Sukuna, Megumi nem saberia distinguir, mas não se importava, só queria continuar naquele beijo, poderia ficar horas ali sem sentir o tempo passar.
E ele então teve certeza de que havia cortado todo tipo de contato porque sabia que seria assim se o encontrasse de novo, os dois eram como polos opostos de imã, estavam simplesmente fadados a se magnetizarem, a serem obcecados um pelo outro.
Sukuna colocou uma das mãos por baixo da sua camisa, e a passeava por sua pele, pressionando com força para usufruir da textura suave e macia com seus dedos longos e quentes. Como um animal feroz, suas unhas arranhavam a pele frágil do garoto, imprimindo um tracejo avermelhado por onde elas passavam.
Se antes Sukuna havia conversado com ele como se o tempo não tivesse passado e nada acontecido, agora suas ações revelavam o contrário. A voracidade com que ele se lançava para cima dele, desfrutando cada segundo do beijo, querendo arrancar tudo que podia, só escancarava como ele havia sentido falta de estar com Megumi.
Megumi tremia com aqueles toques e, quando os dedos dele começaram a amaciar seus mamilos e beliscá-los de leve, se forçou a separar os lábios dos dele para conseguir libertar o gemido que estava preso em sua garganta.
Sua voz saiu fraca e entrecortada, resultado da respiração instável, mas assim que Sukuna ouviu aquele som tímido escapar pelos lábios do mais novo, seu corpo se contraiu e o pressionou ainda mais, a mão o apertando tanto que ele sentia que suas costelas poderiam se partir.
A boca dele agora passeava pelo seu pescoço, a língua pontiaguda lambia e sugava a pele úmida de suor, percorrendo um caminho sinuoso até encontrar o lóbulo da orelha. Megumi arfava, cada vez mais ansioso pelo outro.
Com a mão que se liberou, o rapaz envolveu as costas de Sukuna, admirando sua musculatura firme, e trilhou o dedo indicador por sua coluna, descendo devagar e sentindo as vértebras, até alcançar a curva da lombar e finalmente o traseiro.
Encheu a mão com a nádega firme, apertando o mais forte que conseguia e sentindo a rigidez até o máximo que a barreira imposta pelo jeans apertado permitia. Ao sentir aquele toque atrevido, Sukuna inspirou fundo e alto, seu corpo se retesando ainda mais.
Megumi sentia a ereção dele roçar na sua por debaixo dos tecidos das calças, Sukuna movimentava seu quadril para cima e para baixo devagar para que ele sentisse bem como estava duro.
Àquela altura, ele mordia o pescoço do moreno, enterrando seus dentes na pele pálida, que futuramente os reproduziria em forma de hematomas. O rapaz gemia baixo e constante, a cada mordida sentindo uma onda de tesão se dissipar por seu corpo.
— Megumi... Por que você faz isso comigo? — Sussurrou Sukuna. — Estou convencido de que talvez eu seja um maníaco descontrolado, afinal.
Megumi esboçou um sorriso satisfeito e, olhando no fundo dos olhos vermelhos do outro, finalmente conseguiu colocar ar para dentro dos pulmões e articular alguma fala.
— Você não seria capaz.
— Capaz do quê? — Sukuna sentiu um tom de desafio em sua voz. — Diga, Megumi.
— De me foder. Na frente de todo mundo.
— E por que você tem tanta certeza, Megumi? — Sukuna semicerrou os olhos.
O rapaz desviou o olhar para o lado, hesitando em dizer as palavras que estavam na ponta da língua.
— Você começou com isso, Megumi. Agora diz para mim.
— Porque eu sou seu. Você jamais dividiria com os outros. — Provocou.
— Ah, puta que pariu, Megumi! De todos os motivos, você cita esse? Você quer me deixar maluco! MALUCO!
— Talvez. — O rapaz sibilou, desejando sentir a língua dele na sua mais um pouco e se curvando para tentar alcançar seus lábios.
Sukuna não respondeu à investida e apenas liberou a pressão que exercia sobre Megumi. Por causa do barulho da festa, o mais novo não pode escutar, mas conseguiu ler os lábios do outro se moverem de um jeito que se parecia com as palavras “vem cá”, enquanto virava de costas e lhe puxava pela mão.
Sukuna foi abrindo o caminho para ambos passarem até encontrar uma escada. Os dois subiram os degraus com cautela, mais devagar do que gostariam, para não se atrapalharem devido à falta de equilíbrio causada pelo álcool.
Megumi sentiu o outro apertar sua mão com força, para segurá-lo caso ele se desequilibrasse. Quase um momento romântico.
Chegaram ao segundo andar da casa e Sukuna abriu uma porta que parecia ser de um quarto. De fato, era, porém o local estava lotado — as três camas beliche tomadas de gente, alguns se beijando, outros apenas bebendo e conversando.
No fundo do quarto havia uma outra porta e Sukuna a escancarou, dando de cara com um banheiro vazio. Ele puxou Megumi para dentro e virou a chave para trancá-los ali.
Megumi nem teve muito tempo de analisar o ambiente antes que Sukuna estivesse o colocando contra a parede gelada de azulejo para agarrá-lo, mas conseguiu constatar que o banheiro estava completamente imundo.
Havia roupas sujas e toalhas usadas espalhadas pelo chão, o local cheirava a mijo — provavelmente de bêbados que não conseguiram mirar corretamente — e a fraca iluminação ficava por conta de uma lâmpada incandescente que parecia estar no fim de sua vida útil.
Megumi sentiu o calor do hálito do outro em sua orelha.
— Você tem razão, Megumi. Eu não dividiria com os outros. O único que pode ouvir seus gemidos e ver essa cara que você faz quando está com tesão sou eu. — Sukuna murmurou baixo no ouvido de Megumi, enchendo a voz de mel assim como havia feito logo antes e causando-lhe um pico de excitação.
A sós e mais livres, eles retomaram o beijo de onde haviam parado. Com a mesma ânsia, Sukuna mordia seus lábios e metia a língua para dentro de sua boca enquanto abria os botões da camisa encharcada, deixando exposta uma generosa porção da pele pálida.
Megumi respondia, entrelaçando a língua na dele, sentindo o arrepio delicioso que aquele contato lhe proporcionava. O mundo girava ao seu redor e a única sensação que importava naquele momento era o afago da língua insaciável, a excitação insana de estar recebendo toda aquela dedicação de Sukuna, de perceber que ele estava fora de controle, tudo por causa dele, por causa de suas palavras, do seu olhar, das suas ações.
E também de perceber que ele, Megumi, estava fora de controle. Que todo aquele tempo evitando o outro não havia servido para nada; que aquilo estava tão bom — não, até melhor do que na época em que os dois estiveram juntos.
Era boa a sensação de estar cometendo uma infração consigo próprio, de estar cedendo à sua vontade de algo que jamais estaria em seus planos: se envolver com aquele homem de novo.
Sukuna levou a língua ao torso agora nu do garoto, saboreando o suor misturado à bebida derramada, passeando as mãos pelo resto do corpo, agressivo, como se nada fosse suficiente, como se quisesse tudo e mais um pouco.
Megumi olhava para baixo e via os cabelos rosados se enterrando no seu peito, sentia os dentes e a língua do outro extraindo tudo que podiam dele, sugando, mordendo e afagando sua pele, seus mamilos, seu umbigo.
Não lhe restava nada além de se entregar e gemer alto, pelo prazer, mas também em antecipação. Seu pau apenas pulsava dentro das calças, como se pudesse rasgar o tecido e se libertar a qualquer momento.
— Hummm... Megumi. Você é uma delícia. — Sukuna sussurrou, esboçando um semblante de dor, como se provar o outro daquela forma fosse tão bom que lhe causava sofrimento.
Sukuna olhou para cima e encontrou com os olhos de Megumi, vislumbrando sua expressão bagunçada, que ele tanto gostava de ver. Mordeu os lábios, faminto.
— Vira de costas, meu bem.
Um pouco hesitante, Megumi obedeceu a ordem e ficou de frente para a parede, apoiando as duas mãos nos azulejos do banheiro.
Sukuna envolveu sua cintura, abriu o botão e desceu o zíper das calças — não antes de alisar seu pau de forma suave, provocando-lhe um arrepio, até finalmente puxar a vestimenta para baixo.
Por alguns instantes, ficou contemplando o traseiro do outro dentro da cueca boxer preta, até abaixá-la lentamente, pressionando os polegares na pele despida.
De repente, Sukuna abriu a palma da mão e aplicou um tapa na bunda do mais novo.
Megumi virou o pescoço para o lado, encaixando a cabeça sobre o ombro, e o encarou com o canto dos olhos.
Seu olhar reluzia em júbilo com a insolência do que diria.
— Que foi isso, Sukuna? Algum problema com seu braço? A bebida te deixou fraco?
— O que você está dizendo, Megumi?
— Eu... nem senti.
Megumi instantaneamente soube que se arrependeria da provocação, mas agora já era tarde demais. Uma expressão de ira tomou o rosto de Sukuna, que de súbito envolveu todo o corpo dele com o seu, o prensando na parede com violência e levando a mão até seu rosto.
Ele envolveu toda a extensão do queixo do menor com a mão grande, apertando os dedos em volta do maxilar e das bochechas com força e aproximando o rosto do dele.
— Sabe qual foi o problema, meu amor? Eu estava com muita saudade. Meu coração amoleceu. Até esqueci que com você eu não posso ser gentil.
Sentindo o calor flamejante do corpo dele contra o seu, Megumi se deu ao luxo de soltar uma risada, como se não acreditasse naquelas palavras. Embora soubesse das consequências, ele não conseguia evitar — queria colocar mais lenha na fogueira.
— Certo, Sukuna. Então... isso foi a “punição”?
Sukuna cerrou os dentes.
— Mas que porra! Você está tão atrevido hoje, Megumi. Quem te ensinou a ser assim?
— Você.
Diante daquela resposta, Sukuna abriu um sorriso, de alguma forma se sentindo vitorioso.
— Está bem. Você vai ter o que quer.
Ele se afastou, liberando o corpo do garoto da pressão. O silêncio imperou por alguns segundos — só se ouvia a música abafada da festa e o pingar constante da goteira do chuveiro. Sukuna respirou fundo e Megumi fechou os olhos, sentindo seu corpo se contrair, pressentindo o impacto iminente.
Nem o instinto foi suficiente para antecipar a força da paulada que ele levou em seguida. O som do estalo da palma dura de Sukuna em sua pele rasgou o silêncio, uma, duas, três, quatro vezes... Ele espancava suas nádegas com a mão grande, colocando toda sua força, sem freio algum.
Megumi deixava escapar um lamento de dor a cada pancada e sentia as lágrimas se formarem no fundo dos seus olhos. Ele resistiu à sequência de golpes impiedosos, sabendo que não podia reclamar, mas acreditava que sua pele não aguentaria aquilo sem se partir.
— E agora? Está bom para você, Megumi?
— S-si-im... — Foi o que ele conseguiu responder, ouvindo os estalidos reverberarem como eco dentro do banheiro.
— Então agora repete para mim o que você disse lá embaixo. Você sabe o quê.
— P-por f-favor... P-pa... — Pediu, pensando que não aguentaria mais.
— Eu não vou parar enquanto você não dizer, Megumi. Não era isso que você queria? Hum?
O som dos estalidos dominava o ambiente e Megumi sentia uma ardência insuportável tomando aquela região do corpo, mas sim, era isso que ele queria.
Tinha certeza de que a mão do outro deveria estar estampada nele em formato de vermelhidão, e dali algumas horas a marca se tingiria de roxo; mais um rastro que o lembraria do pecado que estava cometendo naquele exato momento.
— S-Sukuna... E-eu ss-sou s-seu... — Ele expeliu com dificuldade, a respiração oscilante impedindo de enunciar as palavras com clareza.
— O quê? Eu não ouvi bem.
Algumas lágrimas tímidas escorriam pelo seu rosto e Megumi sentia a pele completamente dormente depois de apanhar tanto, mas ele se esforçou para falar direito desta vez.
— Sukuna, eu sou seu. — Sussurrou, metade envergonhado por estar admitindo aquilo com tanta convicção, metade excitado pelo mesmo motivo.
Não era mais apenas uma provocação.
Satisfeito, Sukuna parou de golpeá-lo e deixou escapar um riso baixo, passando a acariciá-lo, como se aquilo pudesse aliviar a dor. Megumi sentia seu pau latejar, gotejando pré-gozo e implorando por um pouco de atenção.
— Calma. Não se toque. — O tatuado disse rápido, antes que Megumi pudesse cogitar levar a mão até ali. — Você não acabou de dizer que é meu? Então só eu posso te tocar hoje, está bem?
Um pouco a contragosto, Megumi acenou com a cabeça, concordando.
— Relaxa, Megumi. Eu já vou fazer você se sentir bem.
Sukuna se abaixou, passando a língua por suas costas, chegando na curva da bunda, até se colocar de joelhos no chão. Ele acariciou as nádegas ainda sensibilizadas, delicadamente, e inclinou o rosto para perto.
— S-Sukuna, e-espera! Eu não...
Megumi sentiu a intenção do outro, mas nem conseguiu terminar a frase pois foi interrompido por seu tom de voz autoritário. Quem estava no controle da situação agora era ele.
— Ssssssh, quietinho. Que porra você está falando? Até parece que não me conhece. — Sukuna mordeu os lábios, faminto. — Vai me dizer que você não gosta de sujeira, meu bem? Hum? Olha para mim e me diz se não está excitado de saber que estou prestes a te foder neste lugar imundo.
— Ah... — Foi o som que o garoto foi capaz de articular e ainda saiu chocho. Sukuna estava muito certo.
— Está vendo, Megumi? Você é um safado... você é um pervertido, um sujo... você está gostando disso, não está?
Sukuna encheu as mãos com suas nádegas e as separou, levando a língua quente até sua entrada e a abarrotando de saliva. Megumi se retesou, agradando-se com a sensação de senti-lo ali. Apoiou todo seu peso nas mãos que o sustentavam de frente para a parede de azulejo.
— Ah... M-Megumi...
As mãos de Sukuna o apertavam com força, gravando o formato de letra “C” das unhas compridas em suas nádegas, à medida em que enterrava o rosto cada vez mais e lambia rápido e suave.
Ele sentia o corpo do mais novo se desfazendo em tremores, e ouvia sua voz se rasgar em gemidos, para seu próprio delírio.
— Quando você geme assim para m-mim, m-meu a-amor... e-eu...
Megumi sentiu uma pontada de satisfação ao perceber que nem Sukuna conseguia falar direito, tamanho era o tesão.
O tatuado endureceu a língua e a empurrou a fundo, transpassando anel de músculos e beijando as paredes internas, enquanto Megumi apenas se contorcia e gemia, invadido pelo prazer que se espalhava por seu corpo.
Ter aquela língua o fodendo era um pouco demais. Megumi sentia seu pau latejar, besuntado com a umidade que também já se espalhava por suas coxas, e fazia um esforço descomunal para não seguir seu instinto de tocá-lo.
Ele sabia que o outro não gostaria nem um pouco caso ele descumprisse o combinado, mas mal conseguia respirar de tanta excitação. Aquilo era muito bom. O contraste com a dor que ele sentira logo antes, então, intensificava tudo.
Sukuna se afastou um pouco e, com o canto dos olhos, Megumi o viu abrir o armarinho sobre a pia e vasculhar as gavetas, procurando algo em meio a uma porção de objetos amontoados. Dentro de toda aquela desorganização, ele encontrou um pote de vaselina e abriu, espalhando uma porção generosa do creme translúcido nos dedos.
— Hum. Isto vai ter que servir... — Murmurou.
Ele deu uma última lambida na entrada do mais novo antes de começar a acariciá-la com o polegar, o passando pelo entorno e aplicando suaves pressões. Ele sentia o corpo de Megumi reagir aos seus toques, ansioso, assim como ele também estava.
— Quanto tempo faz que você não transa, Megumi? — Sukuna questionou, genuinamente curioso, para saber até onde poderia ir com os dedos.
Megumi apenas não respondeu.
Diante daquele silêncio revelador, Sukuna abriu um sorriso exultante.
— Ah, não se preocupe. Você também foi meu primeiro e único.
— Mentiroso.
E assim, Sukuna inseriu o dedo indicador nele, sentindo as paredes apertadas se fecharem em volta dele e o corpo franzino do outro se contrair de prazer.
Sukuna empurrou mais o dedo longo para dentro dele, curvando a ponta para cima até sentir que estava alcançando o ponto desejado. Executou uma massagem suave, estimulando o local e fazendo o rapaz gemer alto ao recordar uma sensação que não tinha há muito tempo.
— Eu nunca menti para você, M-megumi. A-acho que você não entende como eu sou louco por você.
Megumi sentiu Sukuna remover o dedo e o inserir novamente, desta vez junto ao médio, ambos em meio a mistura confusa de saliva e lubrificante, mas alcançando o fundo, em movimentos leves e certeiros.
Suas pernas vibraram com o prazer, e ele temeu que logo mais elas amoleceriam a ponto de ele não conseguir se manter em pé.
— Puta que pariu, Megumi. Olha como você está duro e molhado. Eu nem te toquei ainda. P-pelo a-amor de d-deus...
Sukuna finalmente lhe concedeu um pouco de misericórdia e levou a outra mão até seu pau, apertando o polegar contra a ponta até senti-la expelir um pouco mais do líquido transparente. Envolveu a extensão e começou a movimentar a mão de baixo para cima, lentamente, sem pressa alguma, simultaneamente à penetração que exercia com os dedos.
Megumi honestamente sentia que poderia se desmanchar a qualquer momento. Seu corpo reagia àqueles toques da forma mais bagunçada possível.
As pernas estavam adormecidas, mas ao mesmo tempo ele se contraía que nem louco, arfando como se estivesse correndo os últimos quilômetros de uma maratona. Suas mãos empurravam a parede e suas costas se contorciam para maximizar o prazer causado pelos dedos dentro dele e pela mão que o masturbava.
Ele sentia sua mente se espalhar em um emaranhado desconexo de lascívia, enquanto se esforçava para respirar com alguma consistência — estava completamente dominado e entregue.
— Ah, caralho. Você vai gozar para mim, Megumi? — Sukuna conhecia muito bem as reações do seu corpo, mais do que ninguém. — Enquanto eu te fodo com os dedos assim? Hum?
Ele intensificou os movimentos com a mão, apertando o pau do outro de leve e mantendo os dedos pressionando a próstata em um ritmo suave e constante, do jeitinho que era melhor para ele.
— S-sim... S-Sukuna... E-eu v-vou... — Megumi começou a dizer, mas nem conseguiu terminar. Apenas sentiu seu corpo enrijecer e se derramar completamente na mão do outro, alcançando o ápice do prazer. — Aaaah...!
Sukuna removeu os dedos e se levantou rápido para passar a língua em seu pescoço e cheirar sua nuca, ao mesmo tempo em que tentava coletar tudo que podia, embora não tivesse destreza suficiente no momento e algumas gotas caíam no chão do banheiro.
Ele se regozijava ao ver o semblante de prazer no rosto do mais novo e ao escutar seus gemidos sôfregos, como estivessem entalados na garganta há um bom tempo, mas, simultaneamente, denunciavam um certo tom de culpa ao fundo.
Era como música para seus ouvidos.
O jovem de cabelos rosados virou Megumi de frente para ele, erguendo a mão abarrotada e a lambendo como sinal de triunfo, em uma expressão de absoluto deleite. Em seguida, grudou os lábios nos dele, para que degustasse bem o sabor meio salgado, meio azedo do próprio sêmen.
Confuso, Megumi já não estava mais acostumado a sentir aquele gosto e tossiu em sua boca, ainda se recuperando do orgasmo avassalador. Seu cérebro não conseguia executar uma sinapse naquele momento.
— Tudo bem, Megumi. Você se saiu muito bem... Ah... Como eu senti falta de ver essa carinha de perdido que você faz depois de gozar gostoso para mim.
Sukuna ficou contemplando o semblante do mais novo e seu belo corpo nu empapado de suor, já repleto de marcas de mordidas e vermelhidão.
Megumi esboçou um sorriso, desajeitado e cansado, fixando os olhos nos dele e levando as mãos até o botão das suas calças, em uma tentativa confusa de abri-lo. Seu olhar se focou, no empenho para dizer algo.
— Tá’ no inferno, abraça o capeta.
Sukuna soltou uma gostosa gargalhada.
— Como se você não quisesse sentar no colo do próprio.
— Q-que seja. — Respondeu Megumi, finalmente alcançando o sucesso e movendo para a próxima tarefa: abrir o zíper, que parecia o mecanismo mais complexo do mundo naquele momento.
— Isso quer dizer que você já está pronto para mais um pouco?
— Isso quer dizer que eu quero você.
Antes que Sukuna pudesse responder, um barulho subitamente perturbou a harmonia do banheiro e distraiu os dois — o trinco da porta se movendo como se alguém tentasse entrar.
— Foda-se. Tomara que mije nas calças. — Riu o mais velho, e Megumi não pode evitar de rir junto.
— Este não deve ser o único banheiro da casa, né? — Perguntou, cogitando a possibilidade de haver uma fila gigantesca do lado de fora enquanto os dois estavam muito ocupados em foder.
— Quem se importa?
Megumi deu de ombros. Ele com certeza não se importava.
Seus braços estavam fracos demais para que ele conseguisse colocar as calças do mais velho para baixo, então ele o ajudou e fez o trabalho, ficando apenas de cueca. O rapaz encarou o volume marcado no tecido e sentiu a boca salivar enquanto seu pau já endurecia novamente.
Megumi atendeu ao ímpeto de se ajoelhar para chupá-lo. Queria sentir o membro duro dele dentro da sua boca, inchando mais e mais com os estímulos da sua língua, seu sabor delicioso, sugar até que ele despejasse tudo, e olhar para cima para conferir sua expressão de prazer.
Mas suas pernas não obedeceram direito e, assim que Megumi começou a se abaixar, desequilibrou-se completamente, sentindo a cabeça girar. Sukuna o segurou pelo braço, impedindo que ele caísse no chão.
— Cuidado. Você está mais bêbado do que julga, Megumi.
O rapaz entendeu que talvez fosse verdade e que, no momento ele não tinha condições de fazer o que havia tentado. Mas de uma coisa ele tinha certeza: ele precisava de mais Sukuna. Clamava por mais, enquanto podia aproveitar as maravilhas de sentir a consciência leve.
— Sukuna... — Sussurrou, manhoso.
— Diga, meu bem. Você quer ir lá para casa? — Perguntou o mais velho, acariciando o rosto enrubescido do outro.
— Eu quero que você me foda. Aqui. Agora.
— Como é?
Megumi aproximou o rosto do dele e cochichou como se estivesse revelando um segredo de estado.
— Agora... Eu quero seu pau dentro de mim... até me encher de porra... Agora.
O tatuado ergueu uma sobrancelha, esboçando um semblante confuso. Ele olhou de relance para o pote quase vazio de vaselina no chão.
— Você tem certeza, Megumi? Vai doer um pouquinho.
— Sukuna, que porra você está falando? Até parece que eu não te conheço.
Sukuna abriu um sorriso malicioso, fascinado com as palavras do mais novo, que reproduziam as suas de logo antes.
— Sukuna... Por favor. — Megumi continuou a implorar, mordendo os lábios. Estava exagerando na súplica, sabia, mas sua racionalidade estava completamente tomada pelo desejo que sentia pelo outro.
Ele colocou o próprio polegar para dentro da boca, besuntou de saliva e levou até o mamilo endurecido do outro, circulando delicadamente e experimentando a textura do piercing que o atravessava. Abaixou o pescoço de leve e meteu a ponta da língua ali. Sentindo aquele toque, os olhos avermelhados do outro brilharam em antecipação.
— Caralho, Megumi! Você vai MESMO me enlouquecer.
Sukuna o beijou e abaixou a cueca, expondo seu pau que, àquela altura, também já estava completamente envolto de pré-gozo.
De súbito, Sukuna repousou as mãos por baixo das coxas umedecidas do menor e o ergueu de costas para a parede, sem tirar os lábios dos dele, colocando quadril contra cintura. Sentindo o pau dele pressionar sua pele nua, Megumi o abraçou para se segurar bem, cravando as unhas nas suas costas.
Distraído pela língua que o devorava, Megumi nem sentiu o outro deslizar o pau besuntado de lubrificante para dentro dele até que fosse tarde demais e ele se precisasse se libertar para rasgar a garganta com um urro.
Naquela posição, em que Sukuna apoiava todo seu peso, Megumi não tinha muito o que fazer além de se submeter. O outro tinha controle total do ato.
— A-ah, S-sukuna! C-calma... — Megumi soltou um lamento com o prazer dolorido, se acostumando à sensação de estar sendo partido ao meio.
Sukuna ignorou suas palavras e arqueou o corpo, segurando suas coxas com ainda mais força e empurrando o pau grosso a fundo, até ter certeza de que estava alcançando o ponto certo. Megumi gemeu alto com o prazer que se dissipava pelo âmago, lágrimas se formando no canto dos seus olhos novamente.
— Ah... m-eu a-mor. V-você pediu por isto. — Sukuna finalmente respondeu, com o olhar entorpecido e longínquo. — Está difícil de me controlar. Você está tão apertadinho...
Ele começou a aplicar movimentos lentos de vai e vem, sentindo as paredes do mais novo relaxarem aos poucos e abraçarem toda a sua extensão. A cada estocada, Megumi se contraía tanto quanto a posição lhe permitia e, o sentindo cada vez mais receptivo, o outro aumentava a intensidade, causando-lhe arrepios.
Megumi se sentia totalmente congestionado de sensações naquele momento, a tontura, a exaustão, a dor, justapostas ao prazer imenso de estar sendo fodido ali e daquela forma, era tudo um pouco demais para que sua mente e corpo pudessem processar.
Suas pernas continuavam dormentes — não fosse a habilidade impressionante e a força bruta de Sukuna, Megumi cairia estatelado no chão. Ele confiava plenamente em Sukuna, portanto isto não o preocupava nem um pouco.
Então, ele só relaxou e se deixou levar, sentindo seu pau endurecer mais e o orgasmo se aproximar, satisfeito de ouvir os grunhidos do outro à medida em que metia o pau para dentro dele, pressionando sua próstata sensível.
O som da pele batendo e dos gemidos constantes dominava o banheiro, ressoando entre as quatro paredes e tornando inaudível qualquer outro ruído.
— A-ah, M-Megumi. Você é tão barulhento. Lembra de quando a gente fodia e eu precisava afundar sua cabeça no travesseiro para que os vizinhos não ouvissem seus gritos?
— Ah... — Ele lembrava muito bem. Durante o último ano, havia pensado nisso com mais frequência do que gostaria de admitir. Mas suas memórias reprimidas não chegavam nem perto do quão boa era a realidade.
— V-você é tão bom para mim, M-megumi... Me engolindo inteirinho assim...
Sukuna articulava a fala, mas seu ritmo estava cada vez mais irregular, indicando que ele também estava próximo de alcançar seu clímax. Do outro lado, Megumi sabia que só precisava de mais um empurrãozinho para chegar lá e tentou mover um dos braços das costas do tatuado, que de pronto abriu a boca para reprimi-lo.
— Não se toque, meu bem. Eu sei que você consegue sem.
— Aaah, v-você e-está me t-torturando, Sukuna. — Choramingou Megumi.
— N-Não, quem está me torturando é você, Megumi. Agora olha nos meus olhos e goza para mim... v-vamos...
Megumi se esforçou para olhá-lo nos olhos, mas gastou mais energia em frear a vontade incontrolável de encaixar a mão no estreito espaço entre os dois corpos para se tocar. Aquilo era agoniante.
— Eu vou te dar uma ajudinha, meu amor. — Sukuna tirou uma das mãos que apoiavam a coxa do menor, imprimindo toda sua força para equilibrá-lo contra a parede e manter algum ritmo. Ele envolveu a mão agora livre em seu pescoço, os dedos perfeitamente encaixando-se sobre sua garganta.
— S-Su-sukuna... V-você vai me m-matar... — Ele foi capaz de enunciar, antes que o outro apertasse a mão em sua garganta e impedisse o fluxo de ar, o asfixiando.
— R-relaxa, meu bem. E goza para mim... — Sukuna sorriu travesso, contemplando toda a vulnerabilidade do mais novo.
Megumi sentiu sua cabeça vazia e aérea. Com a respiração trancada e a garganta fechada, o fluxo sanguíneo do seu corpo pareceu se alterar. Completamente zonzo, ele sentiu seu pau pulsar enquanto o outro metia nele com certa brutalidade inconstante e teve certeza de que perderia os sentidos logo — até que aqueles segundos de agonia subitamente se transformaram em uma explosão de prazer intenso.
Ele quis gritar, em especial gritar aquelas três palavrinhas mágicas que lhe vieram à mente estranhamente, mas não conseguiu, então o som ficou preso na garganta e o que saíram foram as lágrimas.
Percebendo os espasmos do corpo do mais novo à medida em que o orgasmo se espalhava e vislumbrando os filetes de sêmen que seu pau expelia, Sukuna liberou a mão do seu pescoço e lhe deixou respirar. O choro tímido escorria pelas bochechas quentes e rosadas, prova cabal do sofrimento recente.
Megumi fixou o olhar no outro e inspirou fundo, bagunçado e ainda tentando entender o que acontecera, mas logo Sukuna contraiu o corpo e pressionou seu corpo, fechando os olhos.
— M-Me-g-gumi... — Gemeu, ele mesmo alcançando o ápice e se derramando para dentro da entrada de Megumi em estocadas irregulares.
Assim ele permaneceu por alguns segundos, enterrando o nariz em seu pescoço, até relaxar o corpo e soltá-lo completamente, exausto. Megumi não conseguiria descrever o tamanho da satisfação de ver Sukuna rendido daquela forma.
Aos poucos, os dois foram se recuperando, se situando de onde estavam e lembrando de como haviam chegado lá. Megumi não sabia como estava conseguindo se manter em pé, mas bem, estava.
Sukuna o encarava com um semblante sério, o percebendo mais pálido do que o normal.
— Está tudo bem, Megumi?
O rapaz tentou abrir a boca para responder afirmativamente, mas —
— Ee-eu acho que v-vou vomitar.
Sukuna arregalou os olhos e, com a força que lhe restava, agarrou o corpo molenga do rapaz e o levou para dentro do box, ligando o chuveiro em cima dele.
Megumi se apoiou nos joelhos e, sentindo o jato de água fria massagear suas costas, regurgitou um líquido semitransparente em direção ao ralo.
Instantaneamente, a cor voltou ao seu rosto e ele se sentiu bem melhor. O ambiente já não girava mais tanto ao seu redor.
— Isto é culpa sua, Sukuna, que resolveu me esganar. — Megumi reuniu ânimo para uma provocação.
Sukuna deu de ombros.
— Não precisa me agradecer, Megumi. Eu sei que você gostou.
— Tsk.
Sukuna se aproximou e beijou seus lábios, surpreendentemente carinhoso em meio ao sabor azedo.
— A culpa é sua por ter bebido demais. Só penso na quantidade de besteiras que você teria feito se EU não estivesse por aqui.
— A pior besteira possível eu fiz. Com você. Por aqui.
A frase ambígua provocou um riso grave em Sukuna, que o abraçou, deixando a água cair sobre os corpos dos dois e refrescar o calor intenso que ambos sentiam depois de tanto esforço.
— Megumi, eu estava com tanta saudade disso... saudade de te foder... saudade de você...você é meu... meu... eu te amo.
— Sukuna, se você continuar mentindo assim, eu vou acabar acreditando.
— Eu já disse, Megumi. Nunca menti para você.
Megumi sentiu seu coração acelerar, notando que aquilo não tinha sido dito da boca para fora. Achava que Sukuna falava tudo para manipulá-lo, mas... havia sinceridade naquelas palavras.
Sukuna saiu do box e pegou uma toalha do chão, se esfregando um pouco para secar o excesso de umidade do peito e das costas. Megumi fechou o chuveiro e Sukuna lhe passou a toalha. Com certa repulsa, o rapaz a utilizou para também não precisar sair completamente encharcado do banheiro.
Calmamente, os dois juntaram as roupas atiradas por ali e se vestiram, preparados para retornar à festa. O banheiro estava ainda mais caótico e imundo do que quando eles chegaram.
Sukuna colocou a mão no trinco da porta para sair, mas foi impedido pelo chamado suave de Megumi.
— Sukuna?
— Hum?
— Você tinha razão. Eu também estava com saudade. — Megumi disse baixinho, um pouco constrangido, porque sabia no fundo que se arrependeria daquelas palavras depois — e elas certamente seriam usadas contra ele.
Sukuna esboçou um sorriso radiante, ciente de que não tinha como sair mais vitorioso daquela noite.
— Tsk. Vamos lá para o meu apê, Megumi. Eu cuido de você esta noite.
O mais velho destrancou a porta e saiu do banheiro, Megumi o seguindo logo atrás.
— Sukuna? Então era você que estava abatendo um suíno lá dentro? Eu quase me mijei aqui, porra!
Megumi sentiu seu coração parar ao ouvir a conhecida voz pronunciar aquela frase, mas agora era tarde demais, ele já havia saído do banheiro e encontrado com um confuso olhar castanho.
— Y-Yuji?
