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Submerso

Summary:

Byun Baekhyun, um alfa convicto, jamais poderia imaginar que melhor do que estar sob a água, era poder estar submerso na existência de Do Kyungsoo, seu maior rival e, para piorar, um beta.

Notes:

Plot #49

Agradeço a esse projeto pela chance de trazer mais o ficdom br para esse site perfeito e principalmente a pessoa que doou esse plot. Me diverti muito no processo de escrita e espero imensamente que a pessoa que pensou nele fique satisfeita com o resultado ♥

PLAYLIST

Chapter 1: Capítulo 1

Chapter Text

A ansiedade que precede o salto para o desconhecido.

Era essa a sensação que tomava conta de cada célula de seu corpo sempre que estava diante da plataforma de partida. O corpo atento, pronto para enfrentar o desgaste da submersão, os sentidos em seu máximo. Respirou fundo e balançou os braços com certa violência, sentindo cada músculo repuxar em um leve protesto. Quando sentiu que ambos os braços estavam suficientemente alongados, bateu cada uma de suas mãos contra seu peitoral, cada tapa causando uma onda de agitação em sua pele, deixando-a avermelhada, marcada por sua força. A touca já apertava sua cabeça, mantendo seu cabelo firmemente seguro. 

Olhou para a arquibancada, lotada. Era sempre assim em dias de competições que significavam alguma coisa de fato. Aquela era uma das eliminatórias para o Nacional, tinha que chegar no mínimo em terceiro lugar para conseguir uma vaga para a próxima fase, mas jamais se contentaria com tão pouco. 

Nunca. 

Ele deveria ser imbatível, havia nascido melhor do que os outros, ou era isso que constantemente era incutido em sua cabeça, quase como uma lavagem cerebral. Seja o melhor da sala, seja o primeiro do ranking, seja sempre o número um não importa para o quê. O topo, era esse o único lugar possível para se estar. Não seja apenas mais um alfa que busca por poder, seja O alfa que alcançará o que deseja. 

Naquele dia não seria diferente, ele iria conquistar o topo, era o seu lugar de direito. 

Uma sombra surgiu de um dos seus lados, diante da plataforma de partida. Não ousou olhar para quem quer que fosse. Já sabia quem era, mesmo que jamais tivesse sentido seu cheiro para reconhecê-lo em alguma daquelas ocasiões — por conta dos bloqueadores de cheiro — saberia sempre quem ocupava a raia ao seu lado. Talvez aquele fosse o seu castigo de alguma vida passada. 

Porque a pessoa ao seu lado era simplesmente o ser mais detestável que já havia cruzado o seu caminho. 

E, obviamente, a criatura mais inconveniente que não se contentava em passar despercebido. Porque ele sabia, mesmo que não estivesse o encarando diretamente, que aquele ser odioso estava dando um de seus sorrisinhos igualmente odiosos. Eram alguns anos já se acostumando com aquela presença, com a inegável intensidade que aquele cara conseguia se mostrar. E esse, provavelmente, era um dos aspectos que mais o deixavam com o sangue fervendo! Como um simples beta conseguia ser daquela forma?! Para piorar tudo, para deixá-lo ainda mais atiçado em sua raiva, também se somava o fato de que aquele beta era realmente bom, já que toda competição conseguia desagradavelmente estar ali ao seu lado. 

Respirou fundo e tentou se concentrar novamente, buscando com todas as suas forças ignorar aquela presença maligna ao seu lado que todas as vezes parecia ter o dom de tirá-lo do sério. Colocou seus óculos e observou adiante, seu mundo escurecendo, sendo seu único foco a imensidão azulada adiante. Seu destino era a outra extremidade. 

Aguardou. O silêncio caiu pela quadra, a tensão foi crescente em cada canto daquele lugar, mas nada se comparava ao que acontecia dentro de si. A excitação de mais uma vez estar diante de um desafio, o momento que precede a explosão da euforia pelo futuro incerto. Pelo canto de sua visão, viu o árbitro atento a tudo, o comando mais aguardado: “aos seus lugares” . Subiu à plataforma de partida, o mundo azulado aos seus pés, reverente à sua inegável presença. O placar, o relógio no telão estava zerado, apenas aguardando o momento para estampar os vitoriosos. Respirou fundo.

Os dedos de seus pés se contraíram, um deles agarrou-se à beirada da plataforma de partida, o outro apoiou-se ao suporte de impulso traseiro. Suas mãos, firmes, também rumaram ao suporte de agarre, sentindo o metal frio. A ansiedade crescia dentro de si, estava consciente de cada músculo de seu corpo, sentia cada vértebra de sua coluna se ajeitando para que pudesse atingir a perfeição em sua espera. 

Então, como uma melodia invadindo cada ponto de seu canal auditivo, o sinal soou, intenso e resoluto. E ele desligou-se do mundo ao seu redor. 

Com a força destinada apenas àquele momento, o impulso foi dado. Seu corpo avançou pelo ar, esticado em sua perfeição, uma obra de arte, voando acima das águas que o receberiam de braços abertos. Sentiu a água primeiramente na ponta de seus dedos, quebrando a tensão superficial, abrigando-o quase como em uma capa. Seus braços foram em seguida, e então sua cabeça. Tudo ficou frio e abafado. Todo seu corpo agora encontrava-se submerso, possuído por aquela pressão avassaladora, soberana, que podia lhe dar tanto prazer na mesma medida que era capaz de acabar com qualquer resquício de seu controle sobre si. Seu corpo moveu-se fluidamente, unindo-se às moléculas ao seu redor, ondulando como um ser pertencente às águas do mundo. 

Avançou, contendo a respiração dentro de si, sentindo o corpo pesar e querer enganá-lo na iminência de um colapso. Mas esse colapso jamais chegaria. Porque ele sentia-se um com a água, sabia o poder do que o cercava e, acima de tudo, era capaz de reconhecer os seus limites. Quinze metros era o limite. Quinze metros era o permitido. Então seu corpo voltou a subir, veloz, sedento por um respiro de vida. Cortava a água como uma foice que ara os campos de trigo. E então oxigênio. 

O respiro da liberdade que o permitia apenas ter a consciência de que ainda existia um contato com a superfície. Então seus braços se erguem, violentos, cortando a água e a agredindo em toda a sua gana por vitória. Sentia o vento lhe tocar a pele e então a água novamente, abrindo-se à sua braçada. Os pés batiam de modo agressivo, ferindo a receptividade das águas. Quando um braço estava submerso, dando o impulso necessário, empurrando a água para longe, acariciando-a com brutalidade para se afastar, o outro retornava pelos domínios dos ares e mostrava sua força humana, sua soberania enganosa diante da força do mundo. 

A cada braçada que o impulsionava adiante, seu rosto virava-se em busca do ar que era seu combustível antes de submergi-lo mais uma vez para a pressão da água. Era nesse veloz intervalo tão ínfimo de tempo, entretanto, que ele o via de relance. 

Lado a lado. 

Como iguais. Semelhantes em todas as suas tão absurdas e odiosas diferenças. 

Avançou, tomando as águas com a voracidade que um amante saudoso agarra-se ao corpo de seu amado. O mundo embaçado ao seu redor seria eternamente o de menos. Importava apenas o momento seguinte, o segundo crucial da diferenciação. 

Importava, desagradavelmente, aquela pessoa ao seu lado, tão amado pela água quanto ele.  

E então o toque final se iniciou na ponta de seu dedo médio, engrandecendo-se conforme toda a sua mão espalmava na parede que significava o fim. Seu corpo elétrico começava, muito lentamente, a relaxar enquanto retornava a uma posição vertical, boiando na água. A respiração descompassada pesava em seu peito, ardida, enquanto a água escorria por seu rosto que se erguia para observar o placar. 

Não seria exagero em dizer que gostaria de ser engolido pelas águas conturbadas da piscina ao focar seus olhos arregalados no seu nome em segundo lugar naquele placar. Arrancou os óculos com força exagerada, sentindo até mesmo suas orelhas protestarem ao serem atingidas pelo elástico. Arrancou a touca, também, com uma fúria que o fez socá-la contra a água e repetir alguns tapas a cada vez que a água se agitava mais. Havia perdido. Segundo lugar era o mesmo que perder, não interessava o que pudessem dizer para lhe deixar se sentir melhor. O esperado dele seria sempre o primeiro lugar! Levantou o rosto abruptamente, sentindo os cabelos castanhos encharcados caírem-lhe sobre o rosto e as gotículas de água escorrerem para sua boca. Olhou para o placar de novo, viu seu nome em segundo lugar. Então se tocou que isso significava que havia um nome a sua frente. Não havia prestado atenção suficiente, mas agora seus olhos incrédulos focaram-se naquele nome acima do seu.   

E todo seu corpo se aqueceu em pura raiva, triplicada quando ao seu lado ouviu o dono daquele nome nadar em sua direção, pendurando-se na raia e tirando os óculos e a touca, passando a mão pelos cabelos pretos molhados e os bagunçando. E ali estava aquele sorriso arrogante e entupido da provocação mais descarada naquela boca grossa e brilhante pela água. 

Do Kyungsoo. 

— Seu nome fica muito melhor quando está abaixo do meu, não acha… Byun Baekhyun? 

Baekhyun o encarou em todo o seu ódio fervilhante, queimando por dentro. Agradeceu mentalmente pelos bloqueadores de cheiro estarem em ação, porque não duvidaria nem um pouco que seus feromônios estariam espalhados por todo o ginásio por culpa de seu temperamento que se descontrolava todas as vezes que aquele cara estava por perto. 

— Acho que você deveria calar a porra dessa boca, Kyungsoo. — Baekhyun estava com os punhos cerrados, submersos, agarrando-se com uma violência considerável a sua touca e óculos. Porém de nada sua raiva transparecia em seu rosto. Algo que havia aprendido desde pequeno era esconder suas emoções atrás de uma poker face infinita. Seus olhos permaneciam sérios, seu rosto sequer se repuxava de algum modo. A cara da paciência e irreverência. 

Kyungsoo apenas aumentou ainda mais seu sorriso, quase felino, mordendo o lábio inferior, claramente divertindo-se extremamente com o destemperamento de seu companheiro de pódio. Porque, para ódio completo do moreno, o beta era um dos poucos que sabia o que estava por trás daquela falta de expressão de Baekhyun. Quanto mais o alfa parecia não demonstrar emoções, mais sabia que por dentro ele estava prestes a entrar em combustão. Então ele desapareceu, submergindo, Baekhyun o observou passar por baixo da raia e nadar em sua direção. Prendeu a respiração quando sentiu que o beta parou de nadar pouco antes de o alcançar, emergindo exatamente à sua frente, seu corpo quase tocando o de Baekhyun. Seu rosto molhado a milímetros do alfa, seus cabelos abaixados em sua testa, seu olhar vidrado ao de Baekhyun, quase como se o desafiasse a soltar o ar, como se ele fosse capaz de sugá-lo para si quando o alfa o fizesse. Baekhyun não ousou respirar, não com aquele cara bem na sua fuça, sendo capaz de compartilhar o mesmo ar que si.

—Por que você não vem calar a minha boca, seu alfa de merda? — Cada palavra fazia com que Kyungsoo mexesse a boca perigosamente perto da de Baekhyun, soltando seu ar contra o rosto do alfa. Sem jamais deixar de encará-lo. 

Os dois ficaram daquela forma. Era como se Kyungsoo o estivesse provocando desesperadamente a soltar o ar, porque pela forma como ele sorriu, com aquele sadismo descarado, ele sabia que Baekhyun não estava ousando respirar tão próximo a ele. Era como se o alfa, mesmo sabendo sobre os bloqueadores, tivesse certo receio em sentir o cheiro do beta, por mais que não fosse tão significativamente forte. E Kyungsoo estava o desafiando, estava o chamando para mais uma competição. 

E maldito seja! Baekhyun não conseguiu conter por mais tempo e lentamente soltou o ar pelo nariz. E, maldito seja, mais uma vez! Kyungsoo simplesmente abriu um sorriso e lambeu os lábios e, para completa perplexidade de Baekhyun, o beta revirou os olhos e mordeu o lábio inferior, ao mesmo tempo em que simulava uma porra de um gemido! Que merda era aquela?!

— Foi o que pensei… Capitão. — Kyungsoo deu um tapinha no ombro de Baekhyun e, ainda que aqueles dois se odiassem estratosfericamente, percebiam o quanto algumas faíscas surgiam entre eles. Só não sabiam definir ao certo se odiavam ou se apreciavam aquilo. Bem… Ao menos Baekhyun, porque Kyungsoo sabia muito bem o que achava daquilo. 

O beta nadou para a borda da piscina as costas de Baekhyun e impulsionou seu corpo para cima. O alfa virou-se a tempo de vê-lo nesse processo. As costas largas e musculosas tensionadas pela força, as pernas fortes, a bunda… Baekhyun parou aí e desviou o olhar para qualquer lado. 

Quando estava prestes a repetir seu inimigo e sair da piscina, apoiando-se nos braços e forçando o corpo para cima, Baekhyun parou a meio caminho, sustentando-se na mesma posição porque aquele desgraçado de Kyungsoo estava abaixado a sua frente, um sorrisinho cinicamente cordial. 

— Até a final, capitão, espero continuar vendo seu nome abaixo do meu. — Kyungsoo piscou. — Nenhum pouco impressionante pra um alfa tão superior, sabia?! Perdendo assim pra um beta… tsc, tsc. Você consegue fazer melh—

Foi interrompido quando Baekhyun impulsionou-se completamente e já estava bem diante dele, puxando-o para cima, agarrando-o pelo pescoço. Kyungsoo apenas sorria. Desgraçado, Baekhyun se viu repetindo incansavelmente em sua mente. 

— Na final, capitão — Baekhyun imitou o tom sarcástico com que Kyungsoo falou aquela palavra. — Você não vai precisar se preocupar com isso. Meu nome vai estar no topo, no placar, nas primeiras páginas, enquanto o seu… vai ser esquecido. Não interessa o que você faça, sabia? Você sempre vai ser inferior a mim, Kyungsoo, mesmo que tente se convencer do contrário. Não interessa como, você vem sempre abaixo de mim. 

— Será mesmo, Baekhyun? — Kyungsoo agarrou a mão do alfa que lhe apertava o pescoço. — Isso é o que nós vamos ver… Quem vai estar abaixo de quem. 

E o empurrou para longe. Baekhyun não se moveu tanto, apenas deixou que seu braço fosse afastado. Ficou observando Kyungsoo se afastar, sendo rodeado pelos integrantes de sua equipe e aclamado pela torcida de sua universidade na arquibancada. Enquanto o encarava, o alfa pensou que aquele cara tira algo muito esquisito. Kyungsoo, estranhamente, era diferente dos outros betas que conhecia. Ele tinha algo. E esse algo o fazia odiá-lo ainda mais. 

Não demorou para que seus companheiros de equipe também o alcançasse, parabenizando-o com certo receio. Afinal, todos sabiam o quanto Baekhyun prezava por estar sempre no topo, o quanto se cobrava e se esforçava para isso. 

— A final é sua, Baekhyun. — Sentiu os tapinhas que seu colega de equipe, e irrevogavelmente seu melhor amigo, Minseok, lhe deu no ombro. 

— Eu sei. — Retrucou com confiança, ainda que bem no fundo, escondido, tivesse certo receio.

— Sabe do que você está precisando, irmão?! — Minseok se jogou sobre os ombros de Baekhyun, abraçando-o desajeitadamente e andando escorado no amigo. — Relaxar. Olha só esses ombros, esses músculos fortes e gostosos! — O rapaz fingiu massageá-lo sensualmente, recebendo um revirar de olhos em resposta naquele rosto estático do alfa. — Relaxar, amigão! E sabe a melhor forma pra isso?

— Caindo na cama e dormindo por dois dias seguidos, levantando só pra mijar e encher o bucho? — Baekhyun indagou, cansado, só queria realmente fazer o que havia dito. Estava exausto física e, por cristo, emocionalmente. Odiava perder e isso o abalou completamente.

— É óbvio que NÃO! — Minseok retrucou em um tom de indignação forçada, levando uma das mãos ao peitoral molhado e despido. — A melhor forma, meu bombonzinho, é enchendo a cara em uma festa. Música alta, gente bonita, quem sabe arranjar alguém pra dar uma boa trepada e tirar toda essa tensão dos seus ombros!

—Passo. — Baekhyun respondeu imediatamente. Não que odiasse festas, pelo contrário, até que as curtia, mas estava realmente cansado daquela vez. Não tinha tanta certeza que seria capaz de acompanhar a animação do melhor amigo.

— De jeito nenhum! — Minseok quase gritou, sua voz ecoando conforme entravam no corredor que os levaria aos vestiários. — Já falei com Sehun e confirmei a sua ilustre e saborosa presença. Todos estão ansiosos pra ter o delicioso alfa capitão do time de natação da Yonsei!

Baekhyun suspirou cansado, sabendo que não teria como discutir e, ainda por cima, vencer seu amigo naquela. Ou ele iria para festa ou iria para festa. Então um detalhe lhe chamou a atenção.

— Sehun? — Virou-se para encarar Minseok. — Não é aquele seu amigo da SKKU?

— Sim! Qual o problema? — O jovem passou os dedos pelos cabelos castanhos, jogando-os para trás. Então ele focou em Baekhyun quando o amigo não respondeu, notando que o alfa o encarava fazendo o que pareceu ser uma careta naquele rosto sem expressão. Então a ficha caiu. — Porra… esqueci que o Kyungsoo é da SKKU! Merda, cara! 

Baekhyun inspirou profundamente, buscando sua paz interior.

— Ele também é amigo do Sehun, né…

— E também é capitão do Sehun, afinal, os dois são do time de natação! — Os dois finalmente chegaram ao vestiário e Baekhyun parou bem diante do armário onde havia deixado suas coisas. — Porra, Minseok, cê vai me fazer ir pra mesma merda de festa que aquele desgraçado! 

— Vai ver o cara nem vai, Baekhyun! — Minseok deu de ombros, nem um pouco convencido do que estava dizendo.

— Aham… 

Minseok fez uma careta quando ouviu o tom sarcástico do amigo, em seguida fez um biquinho e ficou o encarando. Conseguia convencer Baekhyun a fazer o que queria quando se fingia de chateado. Dito e feito! O alfa o encarou e revirou os olhos, sabendo que realmente aquilo seria uma batalha em vão. Teria que aturar ver a cara de bosta de Kyungsoo para assim evitar a cara de bosta com a qual seu melhor amigo provavelmente ficaria por umas duas semanas se não fosse naquela maldita festa. 

— Quando é? — Sorriu discretamente quando Minseok gritou um “YES!” muito agudo e fez uma dancinha ridícula. 

— Amanhã à noite! — Minseok jogou a própria toalha na cabeça e virou-se para o amigo. — Te espero às 22h!

— E eu tenho que te dar carona?! 

Baekhyun o atingiu com a toalha bem na bunda quando Minseok se afastou dando uma risadinha sacana. Ignorando o melhor amigo, o alfa começou a se secar e vestir a roupa, sentindo o cansaço e a baixa da adrenalina da competição lhe atingir os músculos. Aquele dia havia sido exaustivo, olhar para Kyungsoo havia lhe tirado o restante das energias e, principalmente, aturar aquelas provocações absurdas daquele beta arrogante. 

Pensar que na noite seguinte corria o risco de encará-lo de novo e, principalmente, fora de uma competição o deixava precocemente irritado e, desagradavelmente, ansioso?!  










No banco do carona, Minseok já virava a segunda latinha de cerveja. Baekhyun fez o que pareceu ser uma careta, pensando como aquele cara conseguia virar uma cerveja daquela forma, quase como se fosse um shot de tequila. Seu melhor amigo não mostrava qualquer sinal de alteração, bem, considerando que Minseok era quase um carro velho e consumista que bebia tanques e tanques de álcool, não esperava vê-lo transtornado até pelo menos ter enchido a cara de todas as bebidas possíveis que o estariam esperando naquela festa. Quanto a ele? Bom, Baekhyun não gostava de beber exageradamente em público, era comedido e bem discreto em festas, apesar do que outros gostavam de assumir sobre ele.

As pessoas esperavam demais das atitudes dele como um daqueles alfas expansivos, escandalosos no sentido de que era sempre o centro das atenções. De certo modo, era o centro. Mas apenas por ser um alfa e nada mais. Tentava sempre se manter discreto e aparecer apenas nos momentos certos e necessários. Quanto a razão de não gostar de beber tanto? Baekhyun preferia ser levado à guilhotina a admitir que era porque podia ser classificado como um consumidor de álcool… frouxo. Não precisava de muito para tê-lo um pouco mais alterado, então evitava beber para não chamar essa atenção demasiada. Quem dirá a sua intrigante tendência a ser muito mais suscetível aos cheiros alheios. Quando estava sob efeito de álcool, Baekhyun era uma máquina de identificar feromônios que o deixavam atiçado. 

Por essa razão gostava de evitar exageros. Quando olhou para o melhor amigo ao seu lado, abrindo outra latinha, sentiu que naquela noite era capaz de perder um pouco o controle. Estava um pouco mais animado, apesar de ainda carrancudo, e sentia que naquela noite teria sua melhor oportunidade de extravasar um pouco toda a tensão acumulada dentro de si. Quem sabe não conseguia arranjar alguém para levar para cama. Estava precisando aliviar toda aquela bomba dentro de si, nada melhor que um pouco de sexo. 

Minseok lhe encarou e deu um sorriso com olhinhos já bem ligeiramente mais nebulosos, esticou a mão e balançou a latinha para Baekhyun. Mesmo sabendo que não deveria e dos perigos que aquilo claramente significava, o alfa pegou a latinha e deu bons e longos goles. Que se foda! Era um universitário, jovem, despreocupado e incrivelmente idiota e irresponsável.

Sentiu a bebida descer com aquele gosto que não era nem ruim e nem bom. Minseok o encarava com um sorriso meio diabólico, contente demais que seu melhor amigo estava se deixando soltar. Talvez ele fosse um dos poucos que soubesse o quanto Baekhyun tinha uma tendência meio imbecil a se conter para muitas coisas. A única coisa que aquele alfa desgraçado não tinha amarras era quando se jogava em algum lugar com água. Baekhyun devia ter sido um peixe em sua vida passada. Ele era simplesmente outra pessoa quando estava nadando. Minseok o conhecia há muito tempo e sempre se admirava com o quanto o amigo parecia tão livre na água, tão feliz. Era até mesmo capaz de colocar um pouco mais de expressão naquela cara eternamente taciturna. Seria interessante vê-lo daquela forma, um dia, em terra firme. 

Não demorou tanto tempo para Baekhyun virar o carro em uma rua e o som estridente da festa os atingir. Era uma casa grande. Mansão. Provavelmente do mesmo tamanho ou até maior que a casa da família do alfa. Sehun era um bostinha rico e não media esforços para deixar isso claro. Tinha luzes, tinha dj, tinha gente para caralho. Baekhyun pastou um pouco para encontrar um lugar onde poderia deixar o carro. Quando parou, Minseok parecia bem ansioso para estar dentro daquela casa, rodando por aquele lugar, enchendo o cu de álcool e se enroscando em alguém que cruzasse seu caminho e lhe desse condição. 

Entraram naquele lugar e Baekhyun foi imediatamente inundado por uma tsunami de cheiros, até mesmo torceu o nariz. Em partes era por já ter alguma coisa de álcool em seu sangue, mas andava tão focado nas competições e nos treinos que passava a maior parte de seu tempo naqueles ambientes em que não havia qualquer cheiro a não ser o de cloro, ninguém podia entrar na água ou sequer no ginásio sem ter ingerido os bloqueadores. Então não era de se espantar quando aquele universo de aromas o deixou até mesmo tonto e irritado, havia esquecido como era viver em sociedade e ser constantemente alvejado por todo tipo de cheiro de todo tipo de gente. Maldito nariz sensível de alfa. 

Tentou se concentrar no próprio cheiro, às vezes isso ajudava. Conforme avançava, desviando de vários corpos, notava os olhares sobre si, um misto de surpresa por encontrá-lo ali com algo parecido com desejo, outros apenas torciam o nariz quando ele passava. Bom, assim como ele podia sentir o cheiro de outros, esses mesmos outros podiam sentir seu cheiro. E não era todo mundo que estava sempre receptivo a um alfa. Ignorou cada uma daquelas pessoas, não era como se fosse importante para si o que elas podiam estar pensando. 

Avançou até onde Minseok já estava se pendurando em uma espécie de bar. Iria dizer que era algo improvisado, mas conforme se aproximava notou que era, de fato, toda uma estrutura elaborada de um bar. Atrás da bancada encontrou o dono daquela festa. Sehun e seu cabelo rosa se destacavam com as luzes de diversas cores. O cara estava tribêbado, provavelmente, mas ainda era capaz de reconhecer as pessoas e até mesmo falar algumas frases completas e consideravelmente coerentes. 

— Baekhyun!!! — Sehun só faltou subir no balcão, como se nunca o tivesse visto antes, abrindo os braços e fazendo uma considerável quantidade de sua bebida voar do copo que segurava, mas nunca o derrubando. Bêbados nunca deixam o copo cair. Minseok o deixou se apoiar em seu ombro para que Sehun pudesse trespassar o balcão e correr em direção a Baekhyun. 

— E aí, Sehun. — Cumprimentou com o que podiam conseguir interpretar como um sorriso meio preocupado. Aquele cara não ia demorar para começar a dar trabalho. Logo Minseok os alcançou, carregando consigo dois copos e entregando um para o alfa que observou o conteúdo ali dentro. Suspeito. O cheiro era de algo destilado misturado com muitas outras coisas. — Que porra é essa? — Ficou encarando o copo e deixou que Minseok segurasse sua mão e o empurrasse até sua boca. 

— Não pergunta, cara, só bebe! — Respondeu rindo, sendo acompanhado por Sehun que em algum momento jogou os braços por sobre os ombros de Baekhyun e meio que o estava abraçando, escorando no alfa.

Baekhyun deu de ombros e bebeu o negócio. Era doce e era extremamente alcoólico. Não conseguiu nem evitar a careta que fez. Era bom. Bebeu de novo e tirou umas risadas de Minseok e Sehun, sentiu um pouco de calafrio, mas apesar de seu melhor amigo ter algumas atitudes meio insanas ele jamais lhe daria algo batizado. Confiava nele. Sehun se escorou um pouco mais no alfa, jogando mais de seu peso sobre o mais baixo. Nisso Baekhyun conseguiu sentir seu cheiro com muita nitidez. Merda ! Sehun tinha um cheiro até que bom, mas devia ter enchido tanto o cu de bebida que mais cheirava álcool do que qualquer coisa. Era enjoativo pra caralho. Percebeu que não tinha ideia do que aquele cara era. Talvez fosse beta. Mas seu cheiro era bem proeminente então podia ser um alfa. Foda-se. Não lhe interessava. 

— Sabe quem tá aqui, também, capitãaao?! — Sehun chegou com o rosto tão perto de Baekhyun que o alfa até se assustou achando que iria ser beijado. Mas ele parou, bem perto, soltando aquele hálito de bêbado para cima de si. Ficou até meio tonto. 

— Quem tá aqui, Sehun? — Baekhyun arriscou perguntar, bebendo mais um pouco daquela coisa em seu copo. Minseok ainda estava com eles, mas estava mais interessado em falar com um carinha que estava bem próximo a ele, sussurrando no ouvidinho. Logo, logo seu melhor amigo iria desaparecer de vista e deixá-lo com Sehun e seu cabelo rosa. 

— A sua pessoa favorita do mundo, Baekhyun! — Minseok parecia estar mais atento a eles dois do que indicava. Ele passou um braço sobre o ombro do garoto, ainda deixando ele sussurrar em seu ouvido.

— Do Kyungsoo. — Sehun colocou a boca em seu ouvido e falou baixinho. Podia ser pela voz daquele cara, ou pela bebida, ou, talvez, mas só talvez, pudesse ter sido pelo nome que lhe foi dito, mas Baekhyun sentiu um arrepio na espinha. 

Ficou quente. De raiva. Sabia que havia uma probabilidade de 100% de a pessoa que mais odiava no mundo estar na mesma festa que ele, considerando que Sehun era um dos amigos mais próximos de Kyungsoo. Mas comprovar que de fato ele estava ali o deixava com o sangue fervendo. Minseok e Sehun riram enquanto o encaravam, riram mais pelo fato de não saber o que se passava na mente do alfa. Era uma das coisas mais difíceis do mundo decifrar Baekhyun com aquele rosto sempre inexpressivo.

— É… já imaginava. — Retrucou enquanto virava todo o conteúdo em seu copo. Olhou para Minseok, ele já estava mais envolvido com aquele carinha, estava numa conversa meio esquisita enquanto tentavam dançar no ritmo da música que tocava. — Tem mais dessa merda aqui? — Virou para Sehun que imediatamente abriu um sorrisão e o puxou para o bar. 

— Sempre tem mais, meu querido! — Ele passou por cima do balcão de novo. Abaixou-se e reapareceu com um enorme galão ainda mais suspeito que qualquer outra coisa. Virou aquela mistura perigosa no copo de Baekhyun e encheu, encheu até aquilo transbordar e o alfa se afastar dando um inesperado sorriso, ainda contido.

Certo. Uns goles generosos de cerveja, que podia considerar ter sido quase toda a latinha, e agora aquela coisa escura e docinha. Começou a ficar meio tonto, mas ainda sob controle. Sehun ficou o encarando com um sorriso meio desfocado, o homem não devia nem entender mais o que tava fazendo. 

— Vira aí, cara! — Sehun bateu o copo dele contra o de Baekhyun. — Mostra quem é o alfazão aí! 

Baekhyun revirou os olhos. Mas fez o que Sehun disse. Virou, e virou tudo. Aquela coisa descia queimando, mas era gostosa. Começou a ter uma sensação de leveza muito boa. Terminou de beber tudo e deu uma risadinha, pedindo para Sehun colocar mais. E ele colocou. E Baekhyun virou de novo e logo estava encostado no bar, olhando ao redor e encontrando Minseok à distância beijando alguém. Pelo que conseguiu notar já não era mais o mesmo carinha de antes, era outra pessoa. Sentiu uma presença às suas costas e notou que Sehun estava apoiado no bar, bem próximo a ele. 

— Ei, Baekhyun, diz aí… qual é o problema entre você e o capitão? — O cabelo rosa de Sehun estava nitidamente melado de bebida. — Vocês dois parecem que estão sempre prontos pra se atracarem e se afogarem na piscina… — Ele falava meio enrolado, mas parecia saber exatamente o que estava dizendo.

— Ele é arrogante. — Respondeu simplesmente. O rosto era novamente uma máscara inexpressiva, mas os olhos meio perdidos e amolecidos não negavam seu estado de iminente embriaguez. Pensar em Kyungsoo o deixava irritado de uma forma estranha. 

— Você também! — Sehun começou a rir esquisito. — Não, sério! — Levantou os braços como se estivesse tentando se mostrar inocente de algo. — Diz aí! Aconteceu alguma coisa pra deixar vocês dois se odiando tanto, fora o Kyungsoo ganhar de você na maioria das vezes?

Baekhyun virou-se para encará-lo com certa animosidade no olhar. Sehun segurou uma risada. Era interessante vê-lo expressar alguma emoção. E o alfa percebeu que provavelmente essa deveria ser a razão, ao menos para ele, em odiar tanto aquele cara. Não conseguia suportar perder para ele. Ser inferior à Kyungsoo. Ele era um beta e Baekhyun era um alfa, as coisas deveriam ser diferentes, não é? Mas também pensou nas atitudes de Do Kyungsoo. Ele sempre o provocava com isso, ficava cutucando a ferida, como se ele próprio também o odiasse por essa razão. Talvez os dois fossem dois imbecis complexados com aquelas merdas de gêneros. 

— Kyungsoo é idiota. — Baekhyun disse por fim. E ao dizê-lo percebeu o quanto aquilo devia ter soado infantil e até mesmo como uma desculpa para esconder o fato de que sabia exatamente a razão da imbecilidade da inimizade dos dois. 

Kyungsoo é idiota! — Sehun o imitou, começando a rir igual um doido, batendo a mão no balcão. — Cara, vocês dois são hilários com isso! 

— O que quer dizer? — Baekhyun virou para encará-lo, apoiando os cotovelos na bancada melecada. Estava tonto. 

— Que ele responde quase da mesma forma que você quando eu pergunto pra ele essas coisas. — Se inclinou mais no balcão, colocando uma mão no ombro do alfa e apertando-o. — A única diferença é que ele fala isso com um sorriso bem… interessante. 

— Hã? 

— Assim! — Sehun ficou sério por alguns instantes e então abriu um sorriso interessante, como ele definiu. Um sorriso que parecia ter um duplo sentido. Então ele continuou, com a voz meio baixinha e rouca, imitando a Kyungsoo. — “Baekhyun é um idiota.” — Se afastou, claramente gargalhando da inexpressividade afetada que o alfa deveria estar fazendo. — Mais ou menos assim. 

Baekhyun não disse nada. Apenas se afastou do bar e foi andando de costas, ainda encarando Sehun. Estava um pouco chocado. Não pela forma como aquele cara havia falado consigo, ou com o fato de que Kyungsoo também não conseguia explicar porque o odiava e que potencialmente os dois tinham a mesma reação. O que chocou Baekhyun foi o fato de que ele havia imaginado o beta falando daquela forma, sorrindo daquele jeito, exatamente como havia feito no dia anterior. Aquele sorriso que o deixava tão puto da vida e tão… ansioso. Nervoso. Fervendo. Era essa a palavra mais certa para se usar, não importava muito o que Kyungsoo fizesse para ele, tudo relacionado àquele cara o deixava fervendo. 

Ele deu as costas para Sehun. Andando naquela multidão de pessoas e cheiros, foi saindo do interior da casa e caminhando para o exterior, a área da piscina. Estava tonto para caralho, mas ainda sob controle. Já havia perdido Minseok de vista e conforme avançava não conseguia encontrar mais nenhum rosto tão conhecido. Parou numa região mais aberta, algo que parecia uma pista de dança ou algo do tipo. Nem sequer havia se ligado que tinha levado consigo o copo com metade daquela bebida gostosinha. 

Naquele momento, mesmo não gostando de ficar muito em evidência, Baekhyun sentiu um relaxamento bem-vindo, uma vontade de se deixar um pouco mais solto. Uma música legal começou a tocar. Era de uma cantora que estava em evidência nos últimos tempos, tinha uma batida interessante que o deixava com vontade de dançar um pouco. Meio desajeitado e tentando não se importar muito com alguns poucos olhares que ainda pareciam se interessar em sua presença, começou a se mover, discreto.

A música parecia se intensificar a cada batida, como se fosse capaz de transportá-lo para outro universo. Era uma música realmente muito interessante. E foi reparando nesse ritmo que Baekhyun sentiu. Veio suave, quase como um carinho em seu interior. E então foi crescendo, intensificando. Um cheiro que o alfa jamais havia sentido, jamais havia sido capaz de distinguir em qualquer lugar ou pessoa em toda sua vida. Era forte, ao mesmo tempo que era leve. Uma dualidade deliciosa que o fez revirar os olhos quando inspirou profundamente. Aquele cheiro parecia preencher cada parte de si, acariciá-lo de uma forma tão ordinária de gostosa. Baekhyun sentia que estava sendo embalado por aquele cheiro, abraçado, alisado, lambido, esfregado, qualquer coisa! O que conseguia entender e até mesmo o assustava era que aquele cheiro conseguia ser a melhor coisa do mundo. Nunca havia se sentindo tão leve, tão sugado para o fundo de um poço de sutilezas que sussurravam contra seu ouvido as melhores e mais excitantes obscenidades. Estava submergindo naquele cheiro e não sabia se queria ser puxado de volta para a realidade. Café? Canela? Cereja. Uma mistura exótica e tão interessante, tão instigante. Seu corpo inteiro queimava por aquele cheiro. 

A música estava intensa, tão intensa quanto aquele cheiro. Parecia que ela o estava carregando para dentro de Baekhyun. E, por mais que estivesse saboreando ao extremo ser enrolado naquele cheiro, precisava, desejava encontrar a origem. Ficou de olhos fechados e se virou, deixou que seus passos cheios da mais pura e inebriante ansiedade o levassem adiante. Esbarrava nas pessoas e estava pouco se fodendo, tudo que importava era que aquele cheiro ia aumentando, melhorando. Ia seguindo, ia farejando, ia deixando cada parte animal sua tomar conta. Naquele momento tinha a mais completa e enlouquecida certeza de que era movido pelo seu total instinto, pela sua parte mais profunda que o rasgava em desespero por aquele cheiro. 

Foi intensificando, tão forte agora que Baekhyun mordia os lábios e os lambia em frenesi. Intoxicado. Ainda de olhos fechados podia senti-los se revirando nas órbitas, aquele aroma perfeito era parte de sua existência agora. Era sua porta para o inferno. Para a luxúria que rasgava suas veias e o preenchia de um calor que martelava cada parte sua. 

E então ele sentiu ainda mais. Aquele cheiro o envolveu de uma forma que ele não tinha mais escapatória. Não quando alguém o segurou firmemente pela cintura. Um aperto tão delicioso que Baekhyun se surpreendeu quando deixou escapar um resfolegar, um gemido. Aquela mão firme escorregou por sua cintura, o abraçando e puxando-o firmemente contra uma parede de músculos, um corpo tão sólido e quente que o alfa sentiu que seria capaz de dissolver. 

A única coisa que Baekhyun conseguiu distinguir do mundo exterior, fora daquela bolha do melhor aroma do mundo, foi uma única e significativa palavra. 

Physical. 

Aquela mão o segurava com tanta firmeza que Baekhyun sentia suas pernas amolecidas. E foi quase a desabamento quando, ainda de olhos fechados, apenas sentindo aquele corpo pressionado tão deliciosamente contra si, sentiu aquela pessoa aproximar o rosto de sua cabeça, mergulhando o nariz em seu cabelo, aspirando seu cheiro tão desesperadamente como ele próprio arfava para consumir ainda mais do aroma que o levava a quase uma overdose de prazer. Sentiu aquela pessoa deslizar o nariz por seus fios, sentiu a respiração acelerada contra sua pele. Era quente. E então desceu, até seu pescoço, com toques delicados da pontinha do nariz, saboreando-o. O rosto daquela pessoa se afogou em seu pescoço e Baekhyun arqueou as costas quando se surpreendeu com algo. Um toque mais quente, molhado. Um beijo. 

E tudo balançou quando Baekhyun sentiu o mundo clamar por atenção. As mãos daquela pessoa firmaram o aperto em sua cintura e ele foi bruscamente virado. Não teve coragem de abrir os olhos. Mas não era necessário. Ele conseguia sentir o peitoral daquela pessoa, firme, quente. Uma mão permanecia em sua cintura, prendendo-o, puxando-o contra aquele corpo forte. Então, Baekhyun mordeu os lábios, porque aquela pessoa passou a traçar-lhe cada pedacinho de seu tronco com a outra mão, subindo e subindo, apertando-o em cada parte, até finalmente parar em seu pescoço e agarrar-se ao seu cabelo na nuca. 

O alfa sentiu a pessoa encostar a testa contra a sua. Ele, Baekhyun sabia depois de sentir aquele corpo tão perfeitamente colado ao seu, arfava. Assim como o alfa. E então Baekhyun não duvidou que talvez tivesse guinchado quando sentiu aquele cara lamber a sua boca. Isso foi o estopim para o alfa ter a certeza de que dentro de suas calças, seu pau duro estava completamente babado. 

— Por que você é tão delicioso, seu alfa de merda?! — Aquela voz foi o suficiente para fazer Baekhyun abrir os olhos imediatamente. 

Arregalou os olhos e percebeu que estava, simplesmente, colado a Do Kyungsoo. Os dois pareciam estar quase se fundindo. O rosto do beta estava tão perto que Baekhyun achou que precisaria ficar vesgo para conseguir enxergá-lo com clareza. Teve um impulso de tentar se desvencilhar, mas aquele cheiro se intensificou. O prendeu àquele contato tão irrevogavelmente que não tinha formas de escapar. Kyungsoo o apertou ainda mais contra si, sua mão agarrou-se aos cabelos de Baekhyun e ele aproximou ainda mais o próprio rosto ao do alfa. Seus lábios, vermelhos e tão carnudos, para completa perdição de Baekhyun, estavam a milímetros dos do alfa. O beta estava fascinado pela imensidão de expressões que o moreno estava lhe mostrando. Era a coisa mais rara e talvez impossível de ver Baekhyun com qualquer sinal de emoção em seu rosto, ele estava sempre com uma poker face irritante e arrogante. Mas naquele momento, muitas emoções estavam escritas em cada pedacinho do rosto do alfa.

— Que porra de cheiro gostoso é esse, capitão? — Cada palavra o fazia roçar os lábios aos de Baekhyun. — Você tá me deixando louco, Baekhyun! 

O alfa sentiu aquele beta de merda puxá-lo ainda mais. Por tudo, ele planejava fundi-los?! E então Baekhyun novamente mordeu o lábio inferior e se odiou completamente quando percebeu que havia gemido ao sentir aquela coisa dura roçando bem em cima da sua coisa dura!

— Que merda é essa que tá acontecendo aqui? — Baekhyun conseguiu falar depois de algumas tentativas em que abria a boca e Kyungsoo o lambia deliciosamente nos lábios. Sua voz saiu fraca, muito fraca, até mesmo meio aguda, meio rouca, completamente desregulada.

— Eu não tenho ideia… — Kyungsoo, para completo desespero agonizante de Baekhyun, puxou o cabelo do alfa e o fez inclinar o pescoço para trás, expondo-o completamente para o prazer do beta. E então aquela boca gostosa traçou a pele quente, fervente, de Baekhyun, apenas toques leves, fazendo uma carícia com os lábios. Ele sorriu quando sentiu as mãos de Baekhyun agarrar-lhe os ombros com força, fincando as unhas curtas sobre o tecido da camisa. Ele desceu até próximo da gola da camisa do alfa e então colocou a língua para fora e lambeu. Subindo por toda a extensão até passar pelo queixo de Baekhyun e parar com a boca colada a do alfa. E, ainda nesse toque, completou: — Só sei que é bom… Você é bom, Baekhyun! — Kyungsoo o encarava com olhos tão intensos que quase fizeram o alfa cair ali mesmo. — Sempre tive essa suspeita. — E mordeu o lábio inferior do alfa, puxando-o de leve.

Baekhyun revirou os olhos e apertou ainda mais os ombros de Kyungsoo. E então percebeu o que estava fazendo. Percebeu o que estava acontecendo. Ele arregalou os olhos e encarou o beta, que o observava com uma atenção tão predatória e tão sincera que ele queria só voltar a agarrá-lo. Mas não podia! Não devia! Aquilo era absurdo de tão ridículo! Ele e Kyungsoo? Se esfregando, sentindo um ao outro de uma forma que Baekhyun nunca havia sentido com mais ninguém. O cheiro ainda o cercava e o pressionava de uma forma deliciosa. O cheiro de Kyungsoo. 

Mas que porra! Como um beta de merda conseguia ter um cheiro tão proeminente daquela forma?! Pelo jeito como Kyungsoo ainda encarava ao alfa, ainda respirava intensamente, ainda o farejava, podia apostar que seu cheiro estava sendo tão intenso para o beta quanto o de Kyungsoo era para si. 

Aquilo estava terrivelmente errado de tão certo que era! Baekhyun começou a balançar a cabeça em negativa, olhando diretamente nos olhos de Kyungsoo que pareciam também estar voltando um pouco para o mundo real, mas que possuíam ainda uma intensidade desejosa, por cristo, Baekhyun se desesperou quando pensou que parecia até mesmo carinhosa! Juntando todo o seu leve sangue frio, o alfa tentou voltar a vestir a máscara da inexpressividade.

Aquele era Do Kyungsoo! O beta que sempre o fazia se sentir inferior! Que quase sempre o fazia ficar em segundo lugar! O cara que mais odiava! Então, por que caralhos, tudo que ele conseguia pensar e querer era beijar aquela boca tão saborosa de Kyungsoo?! Sentir aquele filho da puta chupando a sua língua?! 

O alfa apertou os ombros de Kyungsoo e o empurrou para trás, fazendo-o soltá-lo, abandoná-lo. A ausência da mãos do beta em sua cintura o fez quase ceder e voltar para os braços daquele desgraçado. Mas resistiu aos impulsos, aos desejos e instintos. Alfa de merda! Ele era exatamente isso! Um alfa de merda com um nariz de merda que podia sentir feromônios a quilômetros e, naquela noite, tinha que ter feito o grandessíssimo favor de sentir o cheiro da pessoa que supostamente mais deveria odiar. E que, desagradavelmente naquele momento, era a única pessoa no mundo com quem adoraria desfrutar os momentos mais prazerosos possíveis entre duas pessoas com tesão e pau duro! 

Deu dois passos para trás e se virou. Iria fugir! Era só isso que podia fazer. Fugir de Kyungsoo, fugir do cheiro dele, fugir da sensação dele em sua pele, fugir daquela vontade assustadora e nova de querer que aquele cara metesse com força na sua própria bunda! O absurdo!

Estava em choque! Estava em completo e no mais aterrorizante choque com o rumo de seus pensamentos. Precisava realmente fugir porque naquele instante era um covarde do caralho que não conseguia mais aguentar o pinto tão duro que chegava a lhe deixar tonto!

E foram dois passos cambaleantes em direção ao que imaginava ser o caminho da saída, apenas isso, e logo sentiu seu pulso ser agarrado firmemente. Kyungsoo o segurava com uma força que deixou Baekhyun quase babando, ao menos babando mais que seu pênis encharcado na cueca. 

— Você não vai fugir assim, capitão. — Kyungsoo se aproximou e, para ódio e prazer eterno do alfa, acariciou o rosto de Baekhyun com o indicador. — Não depois que eu senti você, Baekhyun. Senti seu gosto. Seu cheiro. 

Baekhyun tentou se desvencilhar e, com um pouquinho de força tirada sei lá de onde, conseguiu fazer o beta soltar-lhe o pulso. 

— Tenho que ir. 

E ele, literalmente, correu. Esbarrando em todo mundo. Sendo um belo de um covarde pervertido. Pouco se fodeu em procurar Minseok, aquele cara era a razão de toda essa insanidade que havia acontecido em sei lá quanto tempo. Pareceram horas do melhor prazer da vida de Baekhyun. Correu, mais tonto que o bêbado do Sehun. Tudo estava girando, zero culpa da bebida naquele momento. Baekhyun ainda estava com o caco cheio do cheiro delicioso de Kyungsoo. Cada célula, órgão, buraco seu estava sendo tomado pelo aroma do beta e pelas sensações dos toques. 

Kyungsoo ficou parado naquela pista de dança. O povo ao redor parecia bêbado demais para se importar com o showzinho sexual que ele e Baekhyun deviam ter dado. Atentado ao pudor em grau quase completo! Ele ficou observando aquele alfa covarde de merda correr. E, para sua diversão total, ele sorriu. Mas como sorriu! Estava extasiado. Feliz mesmo! Baekhyun era melhor do que havia apostado em seus sonhos.

O cheiro dele era simplesmente a epítome de tudo que é mais perfeito. Todos os aromas que mais apreciava em um só. E a pele dele! Kyungsoo estava tão excitado e feliz, seu pau devia estar tão duro que ele tinha a certeza que a qualquer segundo iria alcançar o estado pleno de nirvana e transcender para a dimensão das flores, outro aspecto astral! Baekhyun era tudo, absolutamente tudo, que ele mais queria na vida! 

Que inferno! Estava tão feliz e encantado, para dizer o mínimo, que chegava realmente a ficar até meio bravo. Estava uma completa — e sem sentido — confusão de sentimentos. Naqueles poucos segundos havia visto tantas expressões em Baekhyun que tinha certeza que era capaz de catalogar todas. A única coisa que sabia com a mais pura exatidão e a força de seu sangue concentrado em suas partes baixas era que:

 

Baekhyun iria ser seu.