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Talon jazera cinco anos enclausurado, o corpo lacerado pela tortura, a mente esfacelada pela solidão. No dia em que os ferrolhos rangeram e a porta se abriu, esperava a morte... Mas encontrou Kayn. Vivo. Imponente. E desalmado.
O olhar que outrora o buscava em silêncio, mas nunca sem anseio, agora o desconhecia. Kayn não se lembrava. Nem da guerra. Nem da traição. Nem dele.
Zed murmura que Talon deveria ter perecido ali. Que o pretérito é um fardo que não carece ser desvelado. Mas Kayn começa a tropeçar em vestígios de uma história sepultada. Uma missiva, escrita por suas próprias mãos. Vocábulos tão pungentes que ardem-lhe a epiderme, mas que não evocam resquício algum daquilo que fora.
Enquanto Talon se esvai no silêncio de sua existência negada, Kayn se perde numa realidade informe, distorcida, apodrecida pelo esquecimento. Alguém mente. Alguém urde a trama nas sombras. E entre os escombros do que foi consumido, a verdade ainda sangra, almejando ser exumada.
Mas há cicatrizes que não devem ser reabertas. E há feridas que, uma vez tocadas, tornam a matar.
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Esse amor que entre eles existia não era lícito à paz, nem digno da benevolência. Era um amor nocivo, úmido de febre e ruína, feito de dependência, de dor partilhada no silêncio, de marcas na carne e memórias que sangram. Não era amor, era maldição escolhida, pacto assinado com o sangue dos próprios limites.
Kayn não amava Talon apesar da sua instabilidade. Amava-o por ela. Era no desequilíbrio do outro que ele via beleza, era na sua tristeza incurável que encontrava o altar onde queria sofrer.
Talon era sua ruína e seu templo. O caos onde ele se ajoelhava para ofertar tudo o que era, e de onde saía mais selvagem, mais tomado.
Talon o tirava do prumo, o rasgava com a delicadeza.
E nele, em Talon, uma melancolia incorruptível, aquela espécie de tristeza mansa que escorre pelo canto dos olhos mesmo quando o rosto sorri. Uma dor tão antiga quanto as Primeiras Terras.
E era essa dor que Kayn desejava com toda a violência de um homem apaixonado demais para deixar o outro intacto.
Queria curá-lo, sim, mas também queria ser sua doença final.
Queria ser o último homem que Talon amasse e o único responsável pela sua ruína, até que ele não pudesse amar ninguém mais.
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Talon had languished for five years in confinement, his body scarred by torture, his mind shattered by solitude. On the day the bolts creaked and the door opened, he awaited death... But found Kayn. Alive. Towering. And soulless.
The gaze that once sought him in silence, yet never without yearning, now did not recognize him. Kayn did not remember. Not the war. Not the betrayal. Not him.
Zed murmurs that Talon should have perished there. That the past is a burden that need not be uncovered. But Kayn begins to stumble upon remnants of a buried story. A letter, written in his own hand. Words so searing they burn his skin, yet stir no trace of what he once was.
While Talon fades in the silence of his denied existence, Kayn loses himself in a formless, distorted reality, rotting with oblivion. Someone is lying. Someone is weaving a plot in the shadows. And amid the ruins of what has been consumed, the truth still bleeds, yearning to be exhumed.
But there are scars that should never be reopened. And there are wounds that, once touched, kill again.
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Last race. Five points. But racing isn’t the only thing on Talon’s mind, both on and off track.
F1 AU Kayn/Talon
Bookmarked by KaynnTalonn
20 Sep 2025

