Chapter Text
— "Eu quero falar com você, sobre as coisas que eu faço. Esse é mesmo você? Ou existe algo sujo ai dentro também?" - 𝑀.𝑊 —
13 de Janeiro de 1987.
Maldito Diário, como sempre somos só eu e você.
Embora não por muito tempo, já que surgiu alguém...
Um garoto.
Eu o observo há um tempo, ele me intriga, me faz pensar sobre ele, desperta sensações novas, sensações... boas.
Penso que posso finalmente ter encontrado um parceiro à minha altura, uma alma tão sombria quanto a minha, à sua maneira.
Não é estimulante, Diário?
Eu sinto no meu âmago que somos iguais.
Ou quase...
Bem, ele finge para as pessoas, ele insiste não ser a alma atordoada que é. Ele é bom nisso, em fingir, já eu nunca me dei ao trabalho de conquistar um público para preencher o vazio de algo passado.
Ele disfarça o que falta em si com doçura, eu sequer tento encobrir meu jeito feio e erro de portar socialmente. Eu não preciso de atenção redobrada e validação como pública. Mas isso não é um problema, ele até que me diverte bastante com o teatro contemplativo. É interessante analisá-lo.
Você sabia que os olhos dele mudam quando nota alguém o observando? É ai que começa o show.
A escuridão se dissipa do olhar dele, dando lugar a uma luz doce e gentil, quase melancólica. Sua pupila se torna maior, como se estivesse coagindo quem o olhar a fazer suas vontades. O verde brilha, se fazendo presente como nunca, mais visível, sem a necessidade de fixação visual para ser notado. Ele parece até inocente assim, com os olhos grandes e sentimentais, com a postura relaxada, transparecendo tranquilidade, a voz quase um melaço de cana de açúcar de tão doce, a gentileza convidativa, que inibe quem o assiste a beber de sua performance e adora-lo sem questionamentos. O que funciona muito bem, já que sua fama de bom moço escorre, feito o desabar das cachoeiras nos riachos em cada canto dentro e fora daquela instituição.
A popularidade o abraçou mais rápido que a qualquer coisa que eu já tenha visto. É quase como se, ele tivesse encontrado seu lugar nos braços da admiração adquirida por todos gostarem dele. Quase.
Ele faz isso todos os dias. E embora as pessoas o notem, ninguém o faz como eu faço. É divertido, divertido o suficiente para que eu decida.
Eu o farei confiar em mim.
Precisar de mim.
Escolher cada pequena coisa.
E bem, quando isso acontecer... ninguém mais será tão importante para ele quanto eu serei.
William Byers será o meu projeto, e só meu.
- M.
