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Pintura Íntima

Chapter 3

Notes:

E chegamos ao último capítulo de Pintura Íntima.

Eu estou bastante feliz com o resultado final e espero que a experiência tenha sido boa pra vocês, como foi pra mim.

Já começamos com saliência.

Nos vemos no fim, boa leitura.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

Quente 

Tudo ao redor de Chanyeol e Kyungsoo era… Quente. 

Ao conhecer o rapaz entrando no ateliê, Kyungsoo virou de frente para a porta, queria finalmente ver o que Chanyeol estava aprontando, e nem em seus melhores sonhos poderia imaginar que ele o surpreenderia de tal maneira. O artista tinha o rosto todo rubro, desde a ponta das orelhas até o pescoço e o começo do peitoral também. Em sua contemplação do corpo alheio, Kyungsoo vasculhou cada detalhe, e ele jurou que Chanyeol estava se contorcendo de vergonha bem ali em sua frente. 

Chanyeol estava nu. Completamente nu. 

O peito magro de mamilos amarronzados, que clamavam pela língua quente de Kyungsoo, eram rígidos de orgânica. O empresário desceu vagarosamente os olhos, queria degustar da visão nova e devastadora que era o jovem adulto que tinha a barriga lisa; os oblíquos demarcados davam alas ao quadril estreito, e o pênis ereto, que apontava para o alto. Ficou preso na parte específica do corpo de Chanyeol, vendo com deleite ele se envergonhar ainda mais. Descendo as vistas, vislumbrou as coxas nas quais ele queria encher suas mãos, abrir e marcar com seus dentes. 

 

Percebeu o detalhe da perna curva na altura do joelho, sorrindo ao achar que ele ficou adorável assim, envergonhado e nu, em uma mistura de pureza e devassidão, ele era perfeito. Nas mãos que exerciam sua arte, camisinhas, lençóis umedecidos e finanças davam todo o tom de que Chanyeol era tudo, menos inocente. 

 

Mesmerizado pela visão do jovem artista queimando de vergonha e motivação, Kyungsoo se moveu lentamente, pé ante pé, como um caçador que não quer assustar sua presa a fim de não perdê-la.

 

 

— Então… — Chanyeol chamou sem fôlego, assim que sentiu o calor do corpo quente no seu.

 

— Você é um artista tão incrível… — Kyungsoo elogiou enquanto dedilhava os braços magros, indo sentido as mãos grandes — Tão sensível e inteligente, faz coisas incríveis com essas mãos bonitas que você tem — contínuo, delicadamente tirando das mãos do maior o que ele havia ido buscar, levando-o para o divã, que aguardava paciente pelos dois futuros amantes — Você é tão bonito, da cabeça aos pés, de dentro pra fora, e eu só quero amar você…

 

— Então me ame — respondeu —, sou seu.

 

 

Kyungsoo beijou os lábios bonitos que ainda proferiam a última sentença, mas não havia afobação, em seu beijo não havia pressa ou rapidez, somente profundidade e saudade. As bocas grossas de lábios carnudos, como magnéticas tocavam-se lentamente, as línguas lambiam o céu da boca, os dentes, experimentavam, provavam e sentiam o sabor único da paixão um do outro. Chanyeol arfou mole, Kyungsoo planeja sua alma em um beijo lento e sedutor, mordeu os lábios inferiores, o queixo e batidas sua trilha tortuosa, lambendo e mordendo gentilmente seu pomo de Adão sentindo-se satisfeito, Chanyeol aperta seus braços e quer fundir seus corpos.

 

 

— Então, me deixa… 

 

 

Com o braço que contornava sua cintura, Kyungsoo o puxou com força para mais perto, sorrindo satisfeito ao sentir as mãos agarrando seus cabelos, ombros e pescoço. Beijou os lábios grossos, estava embevecido pelo perfume marcante que desprendia da pele do mais novo, deixou escapar um suspiro em agrado sentindo os lábios dele sorrirem entre o beijo.

 

Chanyeol tentou proferir alguma sentença, porém não conseguiu concluir seu raciocínio, gemendo alto ao ter a ereção segura nas mãos firmes, pela primeira vez. Kyungsoo segurou o pau duro e lubrificado, enquanto inconscientemente após o susto prazeroso, Chanyeol ia e vinha lentamente, fodendo seus dedos e sua palma.

 

 

— Shiii, não se preocupe, me deixe cuidar de você? Nesse momento meu único desejo é te dar prazer. — afirmou rouco, a voz grave fazendo um estrago nas terminações nervosas do rapaz que gemeu ao ter o pau pego em um aperto mais forte — O que você quiser, eu farei.

 

 

Kyungsoo deitou o corpo grande de Chanyeol que arfava entre o beijo, ele era tão gentil, que o rapaz mal se deu conta de sua movimentação. O mais velho se via incapaz de soltar a boca carnuda, enquanto apertava o corpo grande que era delicado. O peito indo e vindo, em uma respiração frenética e superficial fizeram-no sorrir, ele é tão ansioso. 

 

 

— Calma, meu amor… — Kyungsoo sorriu — Não existe mais pressa, agora somos só nós dois. 

 

 

Chanyeol respondeu com um lindo sorriso, acalmando o coração de toda a névoa de ansiedade que o preenchia naquele momento. Não era hora de pensar em nada além deles dois. Lentamente, como todos os atos de Kyungsoo, que parecia ter prazer em degustar de seu corpo, ele deitou sob si, sustentando o próprio peso com os braços. 

 

O beijo veio naturalmente, pois ainda não estavam satisfeitos dos lábios um do outro e com certeza, jamais se satisfariam. As mãos de Chanyeol bagunçavam os cabelos negros, enquanto Kyungsoo tocava toda a extensão de pele completamente exposta, ao seu bel-prazer. A vontade abrasadora nos corpos febris, que praticamente se fundiam, se provavam e se acariciavam, tornava tudo cada vez mais forte, mais intenso e quente, e eles não conseguiam mais separar-se.

 

Chanyeol se ajeitou embaixo dele, a fim de acomodar melhor seu corpo, abriu mais as pernas compridas, satisfeito ao senti-lo perto, duro. Ofegava enquanto Kyungsoo distribuía beijos por seu pescoço, clavícula, até novamente chegar em seus mamilos, e, no mesmo momento em que provou novamente dos botões amarronzados, Kyungsoo ergueu sua perna direita, encaixando pela primeira vez seus sexos, massageando as bolas inchadas de Chanyeol com o próprio membro, que ainda estava preso pelo tecido macio da boxer.

 

Movimentou a pélvis novamente contra o rapaz que se contorcia abaixo de si, soltando um gemido sôfrego pelo contato prazeroso, lentamente esfregando os membros, viciado na respiração irregular, no rosto contorcido em prazer, nos olhos bem abertos, que não perdiam nenhum detalhe de suas reações. Poderia gozar novamente, só com isso. Sentia o incômodo da boxer, queria se livrar logo dela.

 

 

— Por favor. — Chanyeol suplicou, os lábios vermelhos, castigados pelos beijos intensos e seus próprios dentes, pois mordia-se, querendo mais.

 

— Você é tão gostoso… Eu seria capaz de passar horas, somente possuindo você.

 

 

Ouviu o gemido necessitado e engasgado que era proferido juntamente com seu nome, e isso o deixava extasiado, enfeitiçado pelo homem que havia, em tão pouco tempo, conquistado seu coração de maneira irremediável, e que agora fazia parte de sua vida se fazendo tão necessário quanto respirar. 

 

Envolvido demais nos gemidos manhosos que Chanyeol libertava sem pudores, puxou as pernas quilométricas e as acomodou em seus ombros, agarrou as bandas da bunda magra e firme e, cravando os dedos na carne, trazendo o quadril do rapaz em direção ao seu rosto. A movimentação abrupta arrancou um gritinho afetado pelo susto, provocando uma risada infame vinda do mais velho, porém, Chanyeol gemeu lânguido em seguida, ao ter a cabeça de seu pênis engolida como um doce.

 

 

— Soo! — estendeu a vogal na medida de seu prazer intenso, enquanto Kyungsoo o provava como a mais saborosa das sobremesas. 

 

 

Kyungsoo lambia toda a extensão, sentia o perfume misturado ao sal do suor pelo calor excessivo que havia feito naquela tarde, e isso aumentava exponencialmente o prazer que sentia na felação gostosa, que fazia Chanyeol usufruir. Decidido a arrancar tudo dele, Kyungsoo o engoliu mais vezes, indo da ponta a base em movimentos cadenciados, mamando todo o pau intumescido, enquanto Chanyeol contorcia-se sobre si.

 

Com o dedão esperto, acariciou as bolas tesas, ouvindo os murmúrios de aprovação do mais novo que gemia e arqueava as costas, tamanho prazer o arrebatou. Lambeu as bolas sorvendo ambas de uma vez, sendo quase enforcado pelas coxas que apertavam seu pescoço, tentando descontar um pouco do prazer ali.

 

Cansado da posição que lhe exigia, Kyungsoo beijou ternamente cada banda da bunda, o períneo e deitou novamente o corpo ofegante no divã preto de cetim. 

 

 

— Vira pra mim, vira? — Kyungsoo pediu meio que mandando, enquanto em um movimento rápido, girou o corpo grande e puxou seu quadril para cima, tendo-o exposto, do jeito que sempre desejou

 

— Soo, o quê? — interrompeu o próprio questionamento, os lábios se partiram em um gemido grave, sentindo a língua quente, úmida e áspera, lamber o ânus que se contraiu pelo carinho devasso — Oh, socorro — clamou, arrancando uma nova gargalhada do homem que nem ao menos levantou o rosto de entre bandas, dedicado em seu trabalho de arrancar o máximo de prazer possível de Chanyeol, que tinha a cara enfiada na almofada macia.

 

Chupou e provou do corpo jovem, excitado, mordeu a banda macia e estapeou a carne judiada pelas mordidas 

 

— Você é tão gostoso, se eu pudesse, ah — outra mordida — arrancava um pedaço de você.

 

— Me coma. 

 

 

Kyungsoo gemeu necessitado, circulando o dedo no ânus úmido e relaxado pelos beijos recebidos, queria mais, delicado, pressionou o dedão no anel de músculos lentamente, experimentando visualmente a sensação que acometia o corpo grande que tremia sob seus dígitos. 

 

Pegou o lubrificante e, treinado, abriu-o com somente uma mão, despejando uma quantidade generosa desde o cóccix, vendo o líquido viscoso escorrer entre as bandas e alcançar as bolas, enquanto Chanyeol contorcia-se.

 

 

— Gelado! — Chanyeol resmungou.

 

— Já já esquenta, meu amor.

 

 

Antes que Chanyeol pudesse fazer qualquer observação, Kyungsoo introduziu o primeiro dedo inteiro, tão leve que o mais novo não sentiu incômodo algum, somente a sensação de estar cheio. Rebolou o traseiro no alto, praticamente na cara do empresário que gemeu, queria muito estar dentro dele, porém, se seguraria, pois sentia que o estava devendo.

 

O segundo dedo entrou, encontrando um pouco mais de resistência e Chanyeol arfou ao sentir ser preenchido 

 

— Soo! Ah, já tá bom, vem… — chiou necessitado.

 

— Nós nem começamos.

 

 

Kyungsoo passou a introduzir os dedos de maneira cadenciada, estava estimulando o períneo com o dedão enquanto lambia as bolas. Chanyeol contorcia-se e miava, sentiu os joelhos falharem quando, finalmente, o dedo acariciou a próstata e ele urrou, perdendo finalmente a força das pernas, sendo amparado pelo braço forte de Kyungsoo.

 

 

— Fique aí. — Kyungsoo ordenou sério ouvindo o gemido sôfrego que Chanyeol libertou do fundo da garganta, para ele, tudo era demais.

 

— Eu não quero, ah! — gemeu de novo, sentindo Kyungsoo massagear sua próstata ininterruptamente — Gozar — revirou os olhos sentindo lacrimejar, estava vindo e Chanyeol sentia-se tonto, choroso e mole, nunca havia sentido tanto prazer — agora… 

 

 

Chanyeol contorceu todo o corpo sendo amparado por Kyungsoo que, maldoso, seguia maltratando a próstata do rapaz enquanto ele se desfazia em lágrimas e gozo. Pode ouvir um soluçar doloroso, Chanyeol tremia, incapaz de controlar seu corpo, enquanto Kyungsoo sorria satisfeito.

 

Virou o corpo grande de frente e pôde admirar sua obra satisfeito, Chanyeol era uma mistura linda de fluidos de prazer, e Kyungsoo só queria mais, muito mais. Gentil, pegou os lenços umedecidos e passou a limpar o rosto do rapaz das lágrimas e saliva, bem como o gozo que havia sujado seu corpo e o divã. Chanyeol estava mole, sendo manipulado como um boneco, com os olhos entreabertos e o peito buscando um compasso confortável para respirar.

 

 

— Você goza tão bonito… — Kyungsoo elogiou enquanto acariciava o próprio pau que pendia inchado, avermelhado entre as pernas, estava extasiado pela visão que era Chanyeol e decidiu que a partir daquele momento, uma de suas missões mais importantes era fazê-lo feliz — Eu nem acredito que vou poder, finalmente ter você.

 

— Vem cá — com voz falha, Chanyeol chamou o homem que caminhou ao lado do divã, parando bem em sua frente.

 

 

Chanyeol tinha uma camisinha já a postos em suas mãos, queria tudo dele, mesmo hipersensível como estava, na verdade, tinha certeza que sua sensibilidade potencializaria tudo que Kyungsoo tinha a lhe oferecer. Não podia mais esperar. Ainda ofegante e com as pernas moles, se inclinou levemente na direção do homem que massageava o próprio pênis, fazendo com que sua boca salivasse. 

 

Antes de colocar a camisinha no membro avantajado, quis provar mais uma vez do gosto do mais velho, lambendo, quase que displicentemente, a cabeça bulbosa que tencionou ao contato. Kyungsoo gemeu contido, estava à flor da pele e precisava enfiar-se logo dentro de Chanyeol.

 

 

— Não brinque assim comigo… Eu já sou um senhor, não aguento mais tudo isso, garoto… — falou fazendo graça e gemendo ao sentir seu membro vibrar dentro da boca sedosa de Chanyeol quando ele riu.

 

— Quem acredita, tiozinho! Você tem saúde pra dar e vender… — brincou entrando no jogo, tinha algo de muito especial em quando ele o chamava de garoto, e Chanyeol adorava ser o garoto dele.

 

 

Ansioso por tê-lo, abriu a embalagem contendo a camisinha e vestiu lentamente o membro grande, com mãos trêmulas, distribuiu lubrificante por todo seu cumprimento, sentindo-o tensionar em suas mãos. Os olhos conectados não abandonavam-se, Kyungsoo se movimentou como em câmera lenta, vislumbrando orgulhoso todo o corpo repleto de marcas, marcas essas que ele havia feito, queria gravar aquele momento em sua retina, nunca mais esquecendo quando finalmente tornou Chanyeol seu. 

 

Parado em frente ao mais novo, pegou seu tornozelo direito e distribuiu beijos, lambidas e chupões, alternando entre uma perna e outra quando também capturou a canhota, apoiou novamente as pernas quilométricas em seus ombros e seguiu em seu intuito, beijando as coxas que já tinham diversos vergões avermelhados e, nesse momento estavam ganhando mais. 

 

Subiu as mãos inquietas pelo dorso magro, adorando cada parte da pele macia e cheirosa que estava ali, disponível para si, enchendo sua boca de água, jamais se cansaria de provar do corpo dele. Chanyeol contorcia-se sob seus dígitos, o olhar faminto que escapava de Kyungsoo dava certeza de era seu, que aquele homem que serpenteava por sobre si era totalmente devoto. 

 

Com o corpo em ebulição e excitado, completamente pronto e a postos para continuar, Chanyeol teve a visão que tirou seu fôlego, e o fez entender que tudo até ali, tinha valido a pena. Kyungsoo estava com seus tornozelos nos ombros, inclinado em sua direção e com os rostos próximos, sorriu um dos sorrisos mais bonitos que Chanyeol já havia visto na vida.

 

Sorriso de coração.

 

 

— Oi. — Kyungsoo cumprimentou com a voz grave e risonha, felicidade escorrendo por todos os poros e, indubitavelmente, amor.

 

— Oi. — soprou feliz, o coração pulando dentro do peito.

 

— Te amo. 

 

— Te amo.

 

 

Kyungsoo segurou o membro necessitado e posicionou em Chanyeol que estava lubrificado, relaxado e ansioso, muito ansioso. Se movimentou lento, experimentando o ânus que dilatava ao seu redor, colocou a cabeça inchada e somente com isso ele poderia gozar novamente. Lentamente, Kyungsoo aprofundou o contato, afetado, gemeu em uníssono com Chanyeol, que tinha os olhos grandes arregalados, mirando diretamente aos seus semelhantes.

 

Chanyeol sentiu Kyungsoo grudar os dedos em seu quadril, se afundando lentamente e em cadência, gemeu dolorido e necessitado, sentindo, finalmente, todo o pau do homem que amava enterrado em si.

 

 

— Tá doendo, amor? — Kyungsoo perguntou preocupado, vendo o rosto contorcido de Chanyeol, enquanto afundava a cabeça na almofada macia.

 

— Hn, ah, só espera um pouquinho… — respondeu ofegante, mordendo os lábios ao sentir o mais velho pulsar dentro de si.

 

 

Paciente, Kyungsoo esperou parado, sentiu uma gota de suor escorrer por suas costas, era uma verdadeira prova estar naquela situação sem poder se mover. Quase chorou quando sentiu Chanyeol rebolar levemente abaixo de si, naquela posição tão íntima e reveladora.

 

 

— Posso me mover? — perguntou desejando a resposta positiva, estava enlouquecendo.

 

— Devagar — manhou, rebolando lentamente no pau de Kyungsoo. 

 

 

Sentiu o mover lento, quase lento demais de Kyungsoo em seu interior, a dor que nem era tanta, dando lugar ao prazer que o contato do corpo alheio o proporciona. Sentiu a movimentação torturante e queria mais. Chanyeol choramingou, os dedos presos em seu quadril erguiam-no para ir um pouco mais fundo, podia sentir em sua carne a sensação quase aflitiva do toque alheio que queimava sua pele como brasas, e quanto mais certeiras aquelas primeiras estocadas eram, mais próximo de enlouquecer de prazer Chanyeol se encontrava. 

 

 

— Eu poderia morar dentro de você. — Kyungsoo segredou rente a audição do outro, o ângulo perfeito para que, a cada estocada firme, o pau massageasse certeiro a próstata sensível, levando de Chanyeol todo e qualquer raciocínio lógico.

 

— Eu preciso Soo… — respondeu ofegante — Eu vou enlouquecer… — respondeu mole.

 

 

Kyungsoo ergueu-se a fim de visualizar o que acontecia entre os corpos e com deleite, apreciou Chanyeol engolindo seu pau inteiro, de maneira gulosa, as paredes macias castigavam seu membro praticamente o ordenhando, enquanto ele arremetia firme e imparável, assistindo seu garoto se contorcer, gemer e chorar, balbuciando palavras sem nexo, pedindo por mais. Saber que estava proporcionando prazer a Chanyeol, que finalmente o tinha ofegante e choroso abaixo de si, provocava uma sensação tão enlouquecedora que seria capaz de desfazer-se naquele momento.

 

Com saudade de beijá-lo, Chanyeol grudou as mãos grandes na nuca e nos cabelos do mais velho, em um impulso levantou o tronco grudando ao de Kyungsoo que sentado em seus tornozelos, gemeu com a boca sendo capturada com volúpia. Chanyeol gemeu mudo em seus lábios, sentindo a invasão mais profunda que a nova posição o proporcionou. 

 

Em busca de sua libertação, Chanyeol passou a cavalgar no colo de Kyungsoo, as pernas longas o ajudavam na tarefa de subir e descer meio sem ritmo, tudo sendo intenso e íntimo demais para que qualquer um dos dois pudessem se movimentar de maneira coordenada. Kyungsoo era incapaz de guardar sua voz, gemendo grave a cada vez que o rapaz sentava em seu pau, sentindo ir mais fundo e mais perto de seu limite.

 

Com Chanyeol não era diferente, o suor escorrendo por seu corpo, e a cada vez que ele castigava a si mesmo subindo e descendo, sentia um pouco de sua sanidade se esvaindo. Segurou os cabelos de Kyungsoo quase que grosseiramente, incapaz de se segurar, gemeu alto e lânguido, os olhos presos aos de Kyungsoo, enquanto se derramava entre os abdômens, sem nem ao menos ter sido tocado. Sentindo as forças se esvaindo, liquefez-se em seus braços, sem mais conseguir se sustentar.

 

Em contrapartida, Kyungsoo sentindo o aperto enlouquecedor, o pau sendo ordenhado de maneira bruta pelo cu que contraia violentamente pelo orgasmo contundente, passou a foder bruto, projetando o quadril enquanto segurava Chanyeol pela cintura, pois o mesmo já estava praticamente deitado em si, a boca buscando seu pescoço com beijos molhados enquanto o ouvia gemer baixinho, sensível demais sequer para se mexer. 

 

Tudo era muito, tudo era demais, e ele se gozou dentro da camisinha em um gemido gutural. Cansado, a respiração falha e sem sentir as pernas, Kyungsoo manteve-se firme até recuperar o fôlego e ter a mente clareada após o orgasmo prazeroso, como nunca antes. Quando conseguiu novamente ter pensamentos ordenados, deitou Chanyeol no divã, riu ao ouvir o grunhido que ele soltou ao sair devagar de dentro dele e, sem cerimônias, deitou por sobre seu peito, fechando os olhos ao ter os cabelos penteados pelos dedos trêmulos da mão grande, sentindo o coração do outro bater acelerado. Afagou o nariz na pele suada, sorvendo o cheiro bom que vinha dele, estava feliz. 

 

 

— Que sentada sensacional, não sinto minhas pernas. — gracejou recebendo um tapa ardido na bunda.

 

— Tanta coisa pra você me falar, e a primeira é essa. — Chanyeol disse meio emburrado, meio rindo.

 

 

Kyungsoo riu escalando o corpo alheio, afundando o nariz em seu pescoço.

 

 

— Não há um só momento da minha vida que eu tenha me arrependido de você. Te amo.

 

— Te amo. — quase ronronou.

 

— Meu Deus, meu joelho tá latejando… — Kyungsoo resmungou, provocando risos no mais novo.

 

— Depois eu faço massagem nele, tiozinho. 

 

— Acho bom, porque eu não tenho mais idade pra esportes radicais. E espero que vc tenha canela-de-velho aí, porque eu vou precisar.

 

— Sua sorte é que eu tenho a coluna de um senhorzinho de 80 anos, então, sim, eu tenho pomada de massagem.

 

— Você é perfeito.

 

— Soo? 

 

— Hn?

 

— O que é um nome de guerra? 

 

— Ahn? — Kyungsoo perguntou levantando-se de seu peito, sem entender de onde o rapaz havia tirado aquela pergunta.

 

 

Chanyeol ficou envergonhado, havia se lembrado repentinamente da frase de Baekhyun e suas ideias e curiosidade sempre saltavam sem controle por sua boca.

 

 

— Nada não… Bobagem. Vamos pro quarto? Precisamos de um banho, e a pomada tá lá.

 

— Vamos… — Kyungsoo respondeu desconfiado — Mas quero entender esse papo de nome de guerra, viu? 

 

 

Chanyeol sorriu sem graça, mas não se importaria, conversaria com Kyungsoo em outra oportunidade. Vendo-o levantar, admirou a bunda redonda e bonita e, arteiro, sentiu ganas e novamente não se refreando, deu um tapa estalado que ecoou por todo o cômodo, pegando o mais velho de surpresa e tamanho o susto, fez com que Kyungsoo desse um pulo no lugar. 

 

 

— Se eu tivesse uma bunda bonita dessas, ia ser um nojo.

 

— Pelo amor de Deus — Kyungsoo riu, seu garoto era terrível —, venha — falou erguendo a mão para dar suporte ao outro — vamos para o quarto.

 

 

Chanyeol fez menção de se levantar e assim que se pôs em pé, sentiu a fisgada incomoda, contorcendo o rosto pela dor chata que se alojou em um local específico. Chanyeol soltou um gemido dolorido, ficando vermelho na hora, e arrancando uma gargalhada satisfeita do homem que, sem cerimônias, deu as costas e chamou para que ele pulasse em seu cavalinho.

 

 

— Vem, pelo jeito não é só meu joelho que precisa de uma pomadinha.

 

— Kyungsooooooo!

 

 

 

🎨🎶

 

 

 

Era madrugada, a chuva forte caía lá fora e Chanyeol acordou pelo som do trovejar que, alto e forte, clareou todo o quarto. As cortinas totalmente abertas, deixavam o ambiente à mercê de toda a claridade que a tempestade com raios e trovões proporciona, por sorte, a porta francesa da varanda já estava fechada. Acalmando o coração do pequeno susto que levou pelo estrondo, pôde finalmente se dar conta da situação que estava vivendo.

 

Chanyeol havia passado uma das tardes mais incríveis de sua vida, desde o momento em que havia pisado naquele bar pela primeira vez sentiu que a partir dali, mudaria todo o curso de sua vida, e não estava errado. Estava deitado sobre o corpo menor e forte, tinha Kyungsoo nu em seus braços na cama confortável e espaçosa, e ele ainda não conseguia acreditar que não havia o perdido, mesmo após duas semanas de tristezas e indecisões. 

 

Fez amor com Kyungsoo, e era surreal lembrar de como tudo aconteceu, de como ele adorou e beijou cada parte de seu corpo, de como foi bom, e de quantas vezes ele havia dito que o amava.

 

Estava nas nuvens. Se alguém dissesse a ele, nunca acreditaria. Embevecido em sentimentos que se mesclavam entre amor, desejo, ternura, saudade e euforia, Chanyeol acariciou com o indicador, todo o peito do mais velho, vendo com deleite, ele suspirar ao contato. Ainda era difícil acreditar que havia, finalmente, conquistado-o para si. Feliz, completo e satisfeito, aconchegou-se novamente no peito forte, sentindo Kyungsoo abraçar sua cintura e puxar seu corpo o mais perto possível, ronronando de contentamento.

 

Em meio a contemplação, adormeceu. 

 

 

 

 

 

Eu quero me esconder debaixo, dessas suas calças 

Pra fugir do mundo

Pretendo também me embrenhar

No emaranhado desses seus cabelos

Preciso transfundir seu sangue

Pro meu coração, que é tão vagabundo

Me deixa te trazer num dengo

Pra num cafuné, fazer os meus apelos

Me deixa te trazer num dengo

Pra num cafuné, fazer os meus apelos

 

 

 

 

 

Era manhã, Chanyeol ressonava baixinho, a boca entreaberta fazendo um barulho fofo, o que só fez Kyungsoo amar mais aquela particularidade. Os cabelos bagunçados, espalhados na fronha colorida, o rosto inchado pelo sono gostoso e pesado que ele tirava após o dia cansativo que tiveram, após o quanto se amaram…

 

Kyungsoo se alimentou daquela visão tão caseira, visão essa que ele nunca pôde vislumbrar sem mentiras ou coisas escondidas, com qualquer outra pessoa que fosse e no fim, ele concluiu plácido que tudo ocorreu exatamente como deveria ocorrer. 

 

Não se arrependia de nenhum passo que tomou em sua vida, no máximo, teria sido mais esperto. 

 

Ter Chanyeol em seus braços após tudo estar finalmente dando certo para si, soava até suspeito, mas não se refrearia, decidiu mergulhar de cabeça em tudo de bom que sua vida estava oferecendo, não se privaria.

 

 

 

 

 

Eu quero ser exorcizado pela água benta

Desse olhar infindo

Que bom é ser fotógrafo

Mas pelas retinas, desses olhos lindos

Me deixe hipnotizado pra acabar de vez

Com essa disritmia

 

 

 

 

Chanyeol se remexeu na cama, a voz grave, melódica, cantando baixinho em seu ouvido, enquanto acariciava seus cabelos, eram uma mistura excitante de costume e novidade. Costume, pois ter Kyungsoo ali junto a si era tão fácil e prazeroso que não havia estranhamento, somente a satisfação por finalmente tudo ter dado certo.

 

Novidade porque acabara de descobrir que o alvo de seu amor era um malandro boêmio incurável. 

 

Sorriu antes de abrir os olhos, se aproximou mais do corpo menor e quente, sapeca, beijou os lábios carnudos que ele sabia, sorriam de volta.

 

 

— Bom dia bonitão… — cumprimentou com a voz rouca pelo desuso.

 

 

 

 

 

Vem logo, vem curar seu nego

Que chegou de porre lá da boemia 

 

 

 

 

 

— Você que chegue de porre aqui pra ver o que acontece. — Chanyeol resmungou.

 

— Deixarias de cuidar do homem dos seus sonhos?

 

— O homem dos meus sonhos não chega de porre da boemia — refutou achando graça do argumento dele, tiozinho exibido.

 

— Mas aí eu preciso ter algum defeito, garoto.

 

 

Chanyeol riu da cara de pau de Kyungsoo que esperto, começou a se esgueirar coberta adentro, distribuindo beijos pelo peito nu que já se arrepiava aos toques nada castos que o provocavam descaradamente. 

 

 

— Aonde você vai? — Chanyeol ofegou ao fim da frase, ao ter seu pênis pego sem cerimônias pelas mãos habilidosas.

 

— Te tocar… Ainda não tive o suficiente de você, tenho fome — respondeu abafado, por debaixo das cobertas.

 

 

Mal concluiu a frase e lambeu a cabeça do pau de Chanyeol que já estava em riste, a ereção matinal se fazia presente, porém, a excitação instantânea por receber todo o estímulo que Kyungsoo dava além da própria presença dele, fazia com que ficasse mais duro, mais sensível e muito mais necessitado. Gemeu ao ter seu membro sugado lentamente, Kyungsoo degustava de seu corpo como se ele fosse uma sobremesa cara e preciosa, e era exatamente assim que o via.

 

 

— Soo… Ah! — gemeu lânguido, o vai e vem lento, descoordenado na boca de seu amado.

 

— Posso ter você? Por favor — Kyungsoo suplicou baixo.

 

— Sim — soprou necessitado — devagar.

 

— Como quiser, você é quem manda meu amor, eu só sigo suas ordens.

 

 

Chanyeol com a ajuda de Kyungsoo chutou a coberta confortável para os pés da cama, estavam novamente excitados, prontos para tudo que viesse. Kyungsoo serpenteou pelo corpo grande alcançando a boca, beijou-o lento, quase terno, mas sempre com aquele quê de malícia que era intrínseco ao seu jeito de ser. Não era um beijo profundo, estavam preguiçosos, aproveitando a presença um do outro e todos aqueles sentimentos aflorados dentro de ambos. Kyungsoo acariciava toda a extensão de pele que encontrava, assim como Chanyeol que apalpava cada parte do corpo quente em cima de si.

 

 

— Me dá o lubrificante e fica de ladinho, fica? — Kyungsoo sussurrou no ouvido do rapaz que, mesmo envergonhado, pois ainda não havia se acostumado a ideia de que possuía Kyungsoo, seguiu seus comandos sem hesitar.

 

 

Esticou o corpo grande até a mesa lateral, alcançou a gaveta e pegou um novo lubrificante, entregou nas mãos de Kyungsoo e se deitou de lado e de costas, sentindo a vermelhidão percorrer seu pescoço e orelhas.

 

 

— Ainda com vergonha de mim, amor? — Kyungsoo perguntou divertido, abrindo a embalagem e depositando o produto viscoso em seus dedos.

 

— Desculpe, eu preciso me acostumar… — respondeu queimando em vergonha, sentindo Kyungsoo abrindo as bandas de suas bunda, deliberadamente.

 

— E dos outros, você tinha vergonha? — perguntou maldoso, circulando o indicador e médio no cuzinho que se contraia pelo contato.

 

— Não, mas você eu amo, Soo — Chanyeol gemeu, ao ser invadido por dois dedos.

 

— Deve ser por isso que mesmo queimando em vergonha, você está tão relaxado aqui embaixo, não é mesmo? — Kyungsoo ofegou ao ter seus dedos sugados para dentro do corpo de Chanyeol — Gostoso, você é tão gostoso.

 

 

Kyungsoo passou lentamente a movimentar os dedos em vai e vem, a fim de preparar bem o corpo de Chanyeol para que ele não sentisse dor. Sabia que era grande, não queria que toda vez que fizessem amor o mais novo se sentisse dolorido. Não tinha pressa nem muito menos gana, seus dias estavam completos agora. 

 

Empurrando seus dígitos ânus adentro, sentia a própria excitação lá no alto, o pau latejava pendendo pesado entre as pernas, impaciente para tomar o lugar tão aconchegante que havia descoberto no outro. Inclinado por cima do corpo de Chanyeol que estava de lado, Kyungsoo passou a se esfregar na coxa do rapaz enquanto o preparava, a fim de aplacar um pouco o desejo e impaciência. 

 

Chanyeol empinou o bumbum, queria mais, a essa altura já gemia descaradamente, mordendo o travesseiro a fim de descontar todo o prazer que sentia somente por ser dedado pelo mais velho. 

 

 

— Soo… — murmurou baixinho, rebolando sob os dígitos.

 

— Hn — Kyungsoo gemeu a resposta.

 

— Kyungsoo.

 

— Oi, eu — respondeu ofegante.

 

— Toma — ofereceu a camisinha.

 

— Ainda não, você vai ficar dolorido de novo.

 

— Não vou, amor, vem — Chanyeol chamou.

 

— Só mais um pouco — suspirou profundamente, gemendo ao ter os dedos sendo engolidos com tanta facilidade — Você precisa relaxar mais…

 

— Kyungsoo! Se eu relaxar mais eu gozo! — afirmou levemente irritado, teria que implorar pelo pau dele agora? Pro inferno então, que assim fosse — Vem cá, vem… — Chanyeol saiu do aperto de ferro da mão que nem havia percebido que o segurava, com certeza os dedos ficariam marcados. Tendo a visão de Kyungsoo ofegante, descabelado e de pau duro, ele desejou que nunca mais ninguém além dele, pudesse vislumbra-lo assim — Você não vai me machucar — Chanyeol afirmou sorrindo, enquanto se punha de quatro na frente do homem que respirava cada vez mais descompassado e ruidosamente —, me coma sim? Estou esperando Soo… — disse manhoso olhando por cima dos ombros — Vai me deixar assim, precisando de você? 

 

 

Kyungsoo sentiu a visão turva, ele estava tentando, ele jurava que estava tentando ser o cara legal ali, proteger e cuidar de Chanyeol, tratar a ele com amor e carinho, mas isso também fazia parte, correto? Satisfazê-lo plenamente. Buscou a camisinha que já estava jogada em cima da cama, e se aproveitando da espera ansiosa do mais novo, decidiu agradá-lo imediatamente.

 

Satisfazendo a si mesmo e ao homem que rebolava a bunda no alto, passou a beijar de língua todo o ânus relaxado, escorregadio e macio, e gemeu em aprovação pelo arfar surpreso que arrancou de Chanyeol e também por tê-lo rebolando em sua cara, melando seu rosto de uma mistura de fluidos e lubrificante de baunilha. 

 

Se assim ele queria, assim teria, sem mais questionar, penetrou lento o cu que engolia de bom grado todo o comprimento, gemendo em uníssono, inclinando o corpo por cima do outro que tremia abaixo de si. 

 

 

— Seu desejo é uma ordem.

 

 

 

🎨🎶

 

 

 

Era segunda-feira e Chanyeol tinha um sorriso idiota na cara, uma série de marcas pelo corpo e um cu dolorido. Estaria quase mancando, se não tivesse sido tão bem tratado por Kyungsoo no domingo. 

 

Estavam juntos. Finalmente eles estavam juntos e Chanyeol não poderia se sentir mais completo e satisfeito. Ter passado esses dois dias com ele, tê-lo amado, ter sido cuidado, tudo foi de zero a cem muito rápido e ele ainda sentia dificuldades de acreditar em como tudo havia dado tão certo.

 

Mostrando duas fileiras de dentes tal qual um tubarão, ele entrou na sala de aula quase que levitando, sem perceber que era acompanhado pelos olhos curiosos do quarteto fantástico. Aéreo, sentou em sua carteira costumeira, jogou a mochila em cima da mesa e apoiou a cabeça sobre ela, suspirando alto toda sua felicidade. 

 

 

— Esse aí sentou o final de semana inteiro. — Baekhyun decretou, fazendo com que Yixing risse alto e Sehun quase engasgasse com o Trident que mastigava — Você também… — apontou pro rapaz que se recuperava do acesso de tosse.

 

— Amor, não seja mau e indiscreto, por acaso não ficamos de chamego o fim de semana todo também? — Yixing perguntou apaziguador. 

 

— Mais ou menos né, você foi mó tirano comigo, me obrigando a terminar o trabalho. — fez bico.

 

— O trabalho! — Chanyeol afirmou com olhos arregalados, sua felicidade vacilando ao lembrar desse detalhe que ele ignorou por duas semanas.

 

— É colega… Essa é a última semana. Inclusive eu já terminei. — Sehun informou pomposo.

 

— Belíssima tarde mentes brilhantes e futuros artistas da nova geração! Hoje o dia será cheio! — Junmyeon entrou bem-humorado em sala de aula, depositando seus materiais na grande mesa no centro.

 

— Esse aí tá com jeito de quem transou também. — Baekhyun cochichou levando um tapa no ombro, vindo de seu namorado.

 

— Fodeu. 

 

 

 

🎨🎶

 

 

 

— Como é Chanyeol? — Junmyeon perguntou paciente.

 

 

Após a aula que arrancou seus couros, Chanyeol correu a fim de falar pessoalmente com o professor que aguardava algum posicionamento referente ao trabalho dele, visto que foi o único que não havia mostrado nada até o presente momento. Percebeu que o rapaz estava afobado e sabia que havia acontecido algo no percurso de sua tarefa, pois presenciou mais de uma vez ele completamente disperso em suas atividades.

 

 

— Professor Junmyeon, eu sinto muito, eu preciso de prazo. — Chanyeol pediu temeroso.

 

— Prazo é impossível Chanyeol, o que aconteceu com você? Esses dias não têm sido fáceis, eu percebi. 

 

— Eu tive problemas pessoais, Junm. Me ajuda aí, só mais uma semana. — pediu com as mãos postas.

 

— Não seria justo, não é mesmo? Yixing e Baekhyun estão em vias de terminar. Sehun já terminou seu trabalho, inclusive tenho de parabenizá-lo por ter sido o primeiro. Não posso te dar uma semana a mais. Você ao menos tem um atestado médico? 

 

— Não… — respondeu cabisbaixo — Não é como se eu tivesse ficado doente ou algo do tipo… Doente de amor, talvez? 

 

Junmyeon riu do aluno e bateu amigavelmente em seu ombro enquanto caminhavam pelo corredor movimentado da instituição de ensino — Espero que não tenha ido procurar remédio na vida noturna. — gracejou.

 

— Quase isso! — Chanyeol riu acompanhando, estava um pouco mais leve — Você tem razão, uma corrida só é legal se todos estão em pé de igualdade não é mesmo? 

 

— Isso aí.

 

— Então eu ainda tenho uma semana. Professor Junmyeon, posso me dedicar somente a isso? 

 

— Vai lá, eu dou um jeito aqui pra você não se ferrar muito — riu mais ainda da cara contorcida do aluno. 

 

— Vou correr então! Obrigada Junm! — e como sempre, do mesmo jeito que vinha, ia, inquieto, vivaz e correndo pelos corredores no alto de seus quase 1,90.

 

 

Junmyeon sorriu olhando o rapaz sumir pouco a pouco entre os alunos, Chanyeol com certeza era sua dor de cabeça e também seu melhor artista.

 

 

 

🎨🎶

 

 

 

Oi garoto.

 

 

Chanyeol ouviu a voz grave e baixa reverberar pelo outro lado da linha enquanto caminhava sentido a saída da faculdade e não se refreou em suspirar, estava muito, muito ferrado, e estava adorando.

 

 

— Oi bonitão… — soprou apaixonado.

 

Como foi a faculdade hoje? Conseguiu prazo?

 

— Nada… Junmyeon fez jogo duro. Mas né, nem tudo nessa vida é fácil. 

 

Eu sou, facinho pra você.

 

— Graças a Deus por isso! — afirmou ouvindo a gargalhada que tanto amava — Preciso que modele pra mim amor, tô bem atrasado. Preciso de você esses dias o máximo possível. — suspirou — Eu sei que você não tem nada a ver com isso e que também eu fui infantil, mas… 

 

Hey, ninguém tem culpa aqui. Nem sempre as coisas correm do jeito que planejamos e a vida é isso aí, Yeol, você não foi infantil.

 

— Ok…

 

Dito isto, eu estou cem por cento comprometido contigo sobre isso desde o início, nada mudou, na verdade, só se intensificou, tá me entendendo? Bom também que eu te vejo, já tenho saudades…

 

— Eu também tô com saudade Soo… É ridículo porque, eu queria te ver — riu sem graça — eu tô virando um belo pegajoso e a culpa é sua! — afirmou saindo pela porta da universidade, apertando os olhos ao ser banhado pela claridade daquela tarde.

 

Novamente, não temos culpados aqui. Olha pra trás, garoto.

 

 

Chanyeol ouviu a buzina alta soar na rua movimentada e não pôde acreditar ao ter estacionando ao seu lado o Compass cinza chumbo, e dentro dele, Kyungsoo com um sorriso enorme, de óculos escuros e se inclinando no banco do passageiro com o celular no ouvido. O rapaz riu contente, sentiu o coração descompassado no peito e uma leve falta de ar o acometeu naquele exato momento. 

 

Havia se apaixonado.

 

De novo.

 

 

Sua carruagem, meu senhor — ouviu o gracejar da voz grave por telefone, desligando, parou sorridente, apoiando-se no vidro do passageiro.

 

— Eu tenho motorista agora é? — perguntou sorridente, ouvindo o click da porta do passageiro.

 

— Sempre que possível, meu amor. Entra, deixa eu te levar pra casa.

 

— Opa, será que consigo uma carona desse casal meloso que eu ajudei a juntar? 

 

 

A voz melódica se fez presente logo atrás do rapaz que já abria a porta do carro, a fim de se acomodar no banco do passageiro. Kyungsoo sorriu mais ainda ao ver a mulher como sempre bem vestida, carregando pastas e mais pastas que seu trabalho como professora exigia. Contente e sem se importar com quem estava observando, Chanyeol abraçou a docente sendo correspondido na hora, pegando de seus braços as pastas a fim de a ajudar. Abriu a porta de trás, depositou o material no banco e deu a mão a ela, para que entrasse no carro.

 

 

— Deixei? — Kyungsoo perguntou piadista, recebendo um tapa de Jongin em seu ombro e outro de Chanyeol, em sua coxa — Hey, fui duplamente alvejado!

 

— Esse foi pra criar caráter, como diria Baekhyun. — Jongin jogou os cabelos da cor de mel para trás afastando-os de seus olhos que estavam brilhantes, estava muito feliz pelo amigo. Já havia fofocado com ele e sabia de todas as novidades.

 

 

Chanyeol riu da cara fingindo enfado que Kyungsoo fez, sabia que ele sempre faria qualquer coisa que Jongin pedisse, desde que não dissesse respeito a ele que, nesse momento, sabia ser sua prioridade. Riu ao pensar nisso, estava em um sonho vívido.

 

 

Kyungsoo beijou terno os lábios de Chanyeol, sorriu em sua boca e afagou a bochecha rubra do rapaz que se sentia envergonhado de estar na frente de Jongin — Pavê de nozes? — perguntou sorridente, tendo Jongin sorrindo mais brilhante que o sol.

 

— Sim! Vamos mostrar a Chanyeol qual é a primeira maravilha do mundo e aí, vocês vão trabalhar na obra-prima desse geniozinho aqui que já está atrasadíssima. 

 

— Eu topo! — Chanyeol empertigou-se em seu banco, empolgado em ter um tempo com duas das pessoas que mais admirava. 

 

 

Partiram os três para uma tarde cheia de conversa boa, doces deliciosos e companheirismo.

 

 

 

🎨🎶

 

 

 

A semana havia passado voando, era sexta-feira e Chanyeol corria contra o tempo para conseguir terminar seu trabalho que estava muito aquém do desejado. Obviamente, era uma linda obra de arte, o jardim de outono imortalizado nos traços tão característicos do artista estava lindo, os tons predominantes sendo o vermelho, o dourado e o verde, haviam sido trabalhados de maneira magnificente e ele tinha colocado todo seu amor e energia nessa tela. 

 

Mas… Particularmente, como artista, havia algo naquela pintura que não o agradava mais. Claro que ela era um trabalho primoroso e Chanyeol obviamente estava orgulhoso de seu resultado final, principalmente por ter tido tão pouco tempo para concretizá-lo, mas o que colocava em cheque todo seu esforço era simplesmente o fato de que, não o via mais assim. 

 

Chanyeol idealizou sua obra segundo o que viu, as impressões que teve de Kyungsoo no momento em que o conheceu e, agora, simplesmente nada mais fazia sentido. 

 

O artista havia idealizado aquele homem inalcançável, brutalmente bonito e levemente blasé e agora… Ah… Agora Kyungsoo se idealizava como todo o verão de sua vida. Ele era caloroso, amoroso e quente como o inferno, e nada nem ninguém poderia mais dissociar a visão que ele tinha dele. E isso, essa chave virada, fez com que toda a visão sobre sua obra mudasse, o deixando inseguro sobre o resultado final. 

 

Homem descansando era uma bela obra de arte, até por ter sido feita por Chanyeol, que era um artista fabuloso, mas infelizmente, não era sua obra campeã. Ao menos assim ele pensava olhando-a com seus olhos apaixonados. 

 

Em seu ateliê, parado e analisando a obra finda, Chanyeol tinha o olhar perdido pensando em diversas coisas ao mesmo tempo, quando sentiu braços quentes circundando sua cintura e sorriu com o encaixe perfeito que seus corpos faziam. O singelo beijo na nuca, e a pressão do queixo apoiando em seu ombro, provocando o bater de asas das centenas de borboletas que haviam se instalado dentro de si. 

 

 

— Oi, meu amor.

 

— Oi, meu amor.

 

— Tudo bem com você? Te liguei pouco antes de chegar, como não atendeu imaginei que estivesse aqui — Kyungsoo perguntou enquanto afagava a nuca cheirosa com o nariz.

 

— Eu tô bem, só um pouco cansado, essa semana foi pesada…

 

— Sim, mas agora você pode descansar um pouco.

 

— Acho que não vou levar o quadro. — Chanyeol afirmou sério, sendo alvo dos olhos cor de mel. 

 

— Como assim? Por quê? 

 

— Não quero todo mundo vendo você peladão não — afirmou não mais conseguindo manter a cara séria, rindo, ao tomar um tapa na bunda. 

 

— Você é muito besta. — Kyungsoo negou com a cabeça.

 

— Seu besta.

 

— Assim como Deus quis. Já almoçou? 

 

Chanyeol sorriu disfarçando, caminhou para a frente do quadro e soltou — Ficou lindo né, fala a verdade?

 

— Se entupiu de coxinha de novo, Chanyeol? É claro que ficou lindo, foi você quem o fez. 

 

— Em minha defesa, hoje eu comi quiche. Saudável.

 

— Saudável é comer comida, meu Deus, onde eu fui me enfiar, esse garoto não come, vai ficar com anemia… — e saiu resmungando, arregaçando as mangas da camisa e se dirigindo até cozinha, afinal de contas, seu garoto precisava comer. Comida de verdade. 

 

 

Chanyeol riu de seu mau-humor, amava aquele homem.

 

 

 

🎨🎶

 

 

 

— E aí, perdedor! 

 

Chanyeol revirou os olhos com a provocação infantil, Baekhyun era seu amigo e o amava, mas ele era insuportável — Você fala como se tivesse ganho alguma merda, otário. — respondeu tranquilo.

 

— Vocês são DOIS otários perdedores porque EU GANHEI MUAHAHAHAHAHAHAHA — Sehun riu como um vilão de filme da Disney, mãos na cintura e cabeça pendendo para trás.

 

— Parabéns Sehunnie, sua escultura ficou linda, ficou divina mesmo. Ela tem quase a minha altura! — Yixing afirmou dócil com os olhos arregalados e a boca em um perfeito O, o trabalho de seu protegido havia ficado magnífico em beleza e tamanho, e ele jamais pouparia elogios ao seu talento.

 

— Também, ele gastou toda a energia dele nisso! Da próxima vez eu não vou ficar transando ao invés de trabalhar… — Baekhyun afirmou bicudo, odiava perder.

 

— Como é que é? — viu a fúria nascer nos olhos ameaçadores de Yixing.

 

— É brincadeira, amor, eu tô brincando! — Baekhyun correu para se desculpar, com medo de encarar o namorado.

 

— Hoje é o meu dia e eu tô feliz demais! Preciso contar pro Dae agora! — e saiu com o telefone em mãos, praticamente saltitando para fora do anfiteatro onde as obras estavam todas expostas para avaliação dos seus mestres e alguns poucos convidados, especialistas em arte.

 

 

Todas as obras foram avaliadas, elogiadas, e tiveram um incrível retorno positivo. Os rapazes deram seu melhor em entregar toda a técnica que aprenderam ao longo dos anos como estudantes de arte, e Junmyeon, Minseok tanto quanto Jongin, sentiam-se felizes pelo resultado final e pela dedicação deles. Consideraram até um empate técnico entre os quatro jovens artistas, porém o voto de minerva foi dado por Arata Mackenyu, o homem responsável pela premiação e que receberia o vencedor em Paris, e ele simplesmente ficou encantado com a escultura gigantesca em madeira, que Sehun havia feito em tão pouco tempo e com tanta diligência.

 

Apaixonado pela arte em madeira feita pelo rapaz e por nunca ter tido a oportunidade de trabalhar com algum artista que manuseasse tal material, a escolha foi óbvia para o artista, deixando claro que, todos os outros trabalhos eram dignos de profissionais.

 

Chanyeol estava feliz pelo amigo, sabia que aquela experiência seria importante para Sehun principalmente em tão pouca idade, entendia também que havia conseguido desenvolver um trabalho inacreditável em tão pouco tempo, mas era impossível não se frustrar pelas coisas não terem acontecido segundo seus planos. 

 

No fim, não se podia ter tudo, conformado, parabenizou o amigo e combinou de fazer uma visita para ele nesses seis meses de estágio na França. Nesse momento, sua preocupação era Jongdae, pois não sabia como ele reagiria a isso, e estaria a postos para ajudar o amigo no que fosse preciso.

 

Desatento, caminhava como sempre pelos corredores da faculdade, o fone no ouvido e a playlist que Kyungsoo havia feito para si eram seus companheiros constantes. Sentiu o celular vibrar e pegou o aparelho guardado no bolso, de certa maneira já imaginava quem o chamava naquele momento. A mensagem de texto era simples, concisa e direta:

 

 

Eu quero morrer.

 

 

Chanyeol até o chamaria de dramático alguns meses atrás, mas agora, sentiria exatamente a mesma agonia. Compadecido pela angústia de seu melhor amigo, respondeu à mensagem prontamente no whats:

 

 

tô indo pra aí.

 

 

Eu tô na sua casa.

 

 

Folgado — Chanyeol pensou rindo, pegou o metrô e foi direto pra casa, tinha um amigo para consolar.

 

 

 

 

 

— Chanyeol, o que eu faço? 

 

 

Jongdae perguntou agoniado, os olhos pequenos estavam cheios de lágrimas ainda não derramadas, e seu amigo sabia que não demoraria muito para que ele desabasse sua tristeza.

 

 

— Espera… Você não está feliz por ele? — perguntou sondando o terreno. Estava com fome, pegou o aplicativo de entregas a fim de pedir alguns salgadinhos pra almoçar e como uma entidade, Kyungsoo surgiu em sua mente: “Vai comer besteira de novo, garoto?”, bufou resignado olhando no congelador, as marmitas prontas para serem consumidas, todas guardadas com etiquetas, dizendo o que cada pote continha.

 

 

Foi inevitável sorrir, e sentir aquele quentinho dentro do peito, toda vez que pensava no mais velho, ou quando via algo que ele havia deixado ou feito para si. Ouviu o amigo bufar ao seu lado o olhando feio e sentiu vergonha, precisava se focar em ajudar ele. 

 

 

— É claro que eu tô feliz, e vingado né, porque você não me quis e veja aí, quem foi o modelo vencedor! — respondeu provocativo, fazendo o amigo gargalhar pelo rancor alheio.

 

— Além de ter ganho, essa troca fez com que eu conhecesse Kyungsoo e você desse uma chance pro playboyzinho do Jardim Europa.

 

— E agora eu vou perder ele.

 

— Você não vai perder o Sehun. Já almoçou? Tem frango teriaki, e frango xadrez o que você quer? — perguntou enquanto revirava o congelador.

 

— Tem amendoim? 

 

— Tem.

 

— Quero o xadrez então…

 

— Ok dois xadrez saindo.

 

— Desde quando você cozinha? — Jongdae perguntou desconfiado vendo Chanyeol tirar abacaxis descascados de dentro da geladeira e fazendo um suco natural — Muito bem, quem é você e o que fez com meu amigo? — perguntou acusatório com uma espátula de manteiga nas mãos.

 

Chanyeol riu da idiotice dele — Eu só tô tentando comer direito, tá? E quanto a cozinhar eu continuo não sabendo, mas agora eu tenho quem cuide de mim… — respondeu sonhador, suspirando no fim da frase.

 

— Kyungsoo é um santo mesmo.

 

— Não muda de assunto. Se você tá feliz por ele, por que essa tristeza toda? — Chanyeol imaginava o porquê, mas queria ouvir da boca do melhor amigo.

 

— Chan, uma semana em Paris e eu nunca mais vou ouvir falar do Sehun… — disse triste — Ele vai me esquecer…

 

— De onde você tirou essa ideia? Sehun é apaixonado por você Dae, e não é de agora. Toma. — empurrou o copo grande contendo suco gelado.

 

— Ele vai me esquecer Chan… Vai estar do outro lado do mundo, com um monte de gente interessante, bonita, culta e talentosa que nem ele, esse futuro radialista aqui não tem chance… — respondeu desolado.

 

Chanyeol nada respondeu, ouviu o apito do micro-ondas que acusou o término do aquecimento de ambas as marmitas, com uma luva de silicone retirou-as de dentro do aparelho e depositou em cima da bancada de mármore, de frente a Jongdae que já aguardava — Detesto quando você se menospreza — respondeu sisudo — Pra que esses pratos?

 

— Eu sou criança pra comer em pote de plástico? — torceu o nariz — Eu não me menosprezo, sou realista, Chanyeol. 

 

— A única realidade que eu vejo é que Sehun é apaixonado por você, brigou bastante pra conseguir sua atenção, uma chance contigo, e você tá aí, diminuindo os sentimentos dele por causa de insegurança. E besta é quem suja um prato podendo comer no pote, sai fora.

 

 

Jongdae nada respondeu, enfiou uma garfada do conteúdo cheiroso na boca e mastigou lentamente, tanto a comida quanto o que Chanyeol havia dito. Era insegurança, ele sabia disso. Estava aderindo a Sehun, uma insegurança que não era dele, de certa maneira o responsabilizando por ela. Engoliu suas conclusões e a garfada.

 

 

— Você acha que ele gosta mesmo de mim? — perguntou frágil, os olhos grudados no prato enquanto revirava o conteúdo com o garfo.

 

— Sehunnie é apaixonado por você, disso eu sei. Como também sei que ele jamais te magoaria. 

 

— Kyungsoo cozinha bem… — disse com voz embargada e olhos baixos.

 

 

Chanyeol sorriu, abraçou o amigo pelos ombros e deu um beijo em sua cabeça. 

 

 

— Tudo que ele faz é gostoso — disse sacana, sentindo o empurrão que o amigo deu em seu ombro.

 

— Me poupe dos detalhes sórdidos.

 

— Mas eu não quero ser poupado não, como foi com vocês??? Quero detalhes. Gráficos.

 

— Toma vergonha Chanyeol.

 

— FALA!

 

— Ah que inferno! Ele tem a bunda mais bonita do mundo, e é só isso que você vai saber de mim! — respondeu irritado, mas rindo da indiscrição do amigo.

 

— Em um mundo onde existe Kyungsoo? Eu duvido. — desdenhou.

 

 

Jongdae revirou os olhos, e enfadado pela cara de tacho que Chanyeol fazia, deu risada e se resignou, não deixaria que sua insegurança afastasse a melhor coisa que aconteceu em sua vida em muito tempo. Era sua vez, agora, de brigar pelo seu playboy do Jardim Europa.

 

 

 

🎨🎶

 

 

 

A roda de samba estava animada, era inverno e o frio já dava as caras com força na cidade insone que era São Paulo, mas nem por isso os amantes da boemia deixavam de sair e se divertir na noite gelada da capital. Dessa vez a coisa era mais intimista, a roda de samba fervia no quintal da casa de Daniel e Jongin, onde era comemorado o aniversário de 39 anos dele, e todos os presentes eram amigos e familiares do homem que, feliz, dançava no meio dos convidados, girando com a mulher que havia escolhido para sua vida. 

 

A aderência de Chanyeol ao núcleo deles também trouxe novidades, pois agora estavam entre aquele grupo de sambistas quarentões, os artistas novatos, Baekhyun, Yixing e Jongdae eram queridos e sempre estavam juntos deles, onde quer que fosse a roda de samba. Sehun havia partido há quase um mês, e os amigos estavam sempre em torno de Jongdae para que a tristeza da saudade não o abatesse. 

 

Yixing e Jongin se aproximaram mais, uma intimidade além da sala de aula que deu ao rapaz curioso, liberdade para saciar a vontade de saber tudo que havia acontecido no período de transição da mulher, e ele a enchia de perguntas sobre o processo, dúvidas e sentimentos, diversas coisas estavam passando por sua cabeça e ele estava finalmente amadurecendo um desejo interno, implícito, o qual em um primeiro momento ele nem mesmo sabia que existia, e que depois foi obrigado a esconder com receio da reação familiar. 

 

Agora, Yixing se sentia mais independente, mais forte e principalmente, ele tinha a Baekhyun. 

 

Em meio ao burburinho no quintal, onde os amigos riam, conversavam e bebiam cerveja, Jongin sumiu com um Yixing queimando de vergonha, deixando para trás o namorado que estava ansioso, sem saber o que tanto eles conversavam. Tempo demais depois, ao menos na concepção de Baekhyun, Jongin voltou de dentro de sua casa e tinha um sorriso enorme nos lábios pintados de vermelho, instintivamente Baekhyun procurou Yixing com os olhos. Com a demora do retorno dele, o rapaz levantou e seguiu em direção a docente, a fim de saber para onde havia ido o namorado.

 

 

— Ela está no meu quarto, pode ir lá. Subindo as escadas, última porta do corredor. — Jongin respondeu com um sorriso enorme, capaz de cegar quem não estivesse acostumado com sua luz.

 

 

Confuso, Baekhyun sentiu a boca do estômago se contrair e dilatar, naquela sensação de uma ansiedade boa, o que estava acontecendo? Subiu as escadas devagar, intuiu que era um momento muito importante para os dois, e ele não podia abrir sua grande boca e falar nenhuma merda que magoasse a pessoa que amava. Deu três batidas leves na porta e ouviu a voz que soou mais doce ainda ao responder que poderia entrar. Ansioso, abriu lentamente e finalmente pode ver. Yixing estava de frente ao espelho grande da parede, de costas para Baekhyun. 

 

O vestido preto de mangas compridas e canelado, que caia perfeitamente, delineando o corpo delgado, a cintura fina demarcada por um cinto fino em tom de lilás e o vestido que se abria como um leque no quadril estreito de bumbum arrebitado, a saia em um cumprimento elegante, descia até os tornozelos findando na bota preta de salto fino. 

 

Baekhyun perdeu a voz e quase que os sentidos, o coração batia em seus tímpanos e ele achou que fosse desmaiar.

 

Tinha se apaixonado novamente, seria possível? 

 

Devagar, caminhou até ela e parou atrás de suas costas, a olhando por cima dos ombros. Pode ver finalmente seu rosto, Yixing tinha uma maquiagem leve, os olhos estreitos em marrom e nude, a boca delineada em um gloss rosado e nos lábios um sorriso que vacilava, temeroso de algo que Baekhyun sabia o que era, e que nunca deixaria se tornar realidade.

 

Colocou as mãos trêmulas na cintura fina, sentindo o tremor da carne ansiosa. Virou o corpo esguio de frente a si e ergueu seu queixo com carinho, podia ver a hesitação em seus olhos.

 

 

— Você é a mulher mais linda que eu já conheci, conseguiu ficar mais bonita ainda...

 

— Lay… — disse em voz hesitante.

 

— Você é linda Lay, daria a honra desse paspalho aqui continuar sendo o gado do seu namorado? 

 

 

Lay riu uma mistura de feliz e envergonhada, apoiando os braços em seus ombros, se aconchegando no calor já conhecido e tão reconfortante, tinha cheiro de… lar.

 

 

— Vou pensar no seu caso. 

 

— O que houve, quando aconteceu? O que eu perdi, Lay? — Baekhyun perguntou aturdido, revistando todo o rosto da mulher que se revelava em sua frente.

 

— Tem um tempinho agora para conversarmos? — Lay perguntou decidida.

 

— Meu amor… Eu tenho todo o tempo do mundo pra você, a qualquer hora, em qualquer lugar.

 

 

Lay sorriu feliz, segurou a mão de seu namorado e o puxou para a varanda do quarto do casal, que dava para o quintal onde, do segundo andar, podiam ouvir o som gostoso da cacofonia que eram seus amigos. Baekhyun sentou na poltrona confortável e Lay não se fez de rogada, acomodando-se no colo dele, que sorriu, levando as mãos inquietas ao bumbum dela.

 

 

— Você sempre foi… Mulher? — Baekhyun perguntou indeciso, não sabia direito como essa identificação se dava e havia também sido pego de surpresa, pois sempre viu Lay como um homem.

 

— Sim, não… É estranho porque eu nunca pensei profundamente sobre isso, eu não tinha visto isso como possibilidade real, até conhecer Jongin. 

 

— Você sempre foi doida nela, né? Na minha cabeça eu achava que você só pagava um pau — riu.

 

— Também né, Nini é a mulher mais linda que eu já conheci… Mas mais do que pagar um pau eu admirava… Nini anda segura de si por qualquer lugar, é respeitada como profissional, como mulher e eu… Eu quero isso também Bae… Eu não sei exatamente em que momento eu entendi isso, nem qual foi o gatilho, mas… Eu quero tanto… Quero vestidos azuis, rosas, pretos e vermelhos, quero maquiagens e saltos, unhas enormes, Baek, eu sou uma Barbie — Lay riu com o rosto vermelho, as bochechas cheias de covinhas e os olhos lacrimejando, sendo acompanhada por Baekhyun que a olhava apaixonado — Eu sei que não estava nos planos, eu sei que você não se apaixonou por uma mulher Baekhyun desculpa por não ter tido coragem de te falar antes, me desculpa, sei lá, por aparecer assim pra você do nada, eu…

 

 

Baekhyun viu a lágrima de medo escorrer dos olhos bonitos de Lay e a dor que sentiu foi física. Imaginar que era uma fonte de preocupação e agonia para a agora mulher que ele amava causava uma ânsia enorme de acalentar e cuidar dela. Antes que ela continuasse devaneando entre suposições do que ele pensava ou sentia, agiu por instinto, para que ela entendesse, para que finalmente entendesse.

 

Lay fechou os olhos ao sentir a aproximação do homem que amava, e Baekhyun sentiu o salgado das lágrimas ao beijar seus lábios. O gloss tinha gosto de morango, e ele sorriu pela novidade, sentindo o soluço doloroso e quando deu por si, também chorava, não de tristeza, por amor. Afastou-se delicado e acariciou os cabelos curtos, o rosto lindo que ela tinha, era perfeita, a amava.

 

 

— Eu amo você. Você! Sua inteligência, seu humor quebrado, a sua inocência e até mesmo quando você é lesada — riu junto da mulher que secava as lágrimas —, eu amava Yixing pelo que Yixing era, e amo você Lay, porque pra mim nada mudou em relação aos meus sentimentos. Na verdade, eu tô é mais preocupado agora, porque você já era linda e todo mundo te olhava, agora puta que me pariu, eu vou ter que andar armado! — terminou a frase indignado e feliz por ter arrancado uma gargalhada da mulher em seu colo. 

 

— Bobo.

 

— Você tá rindo? Tá rindo? Isso aqui é sério viu? — ouviu a gargalhada e riu junto — O tanto de macho que vai dar em cima de você, meu Deus, eu preciso colocar uma aliança nesse seu dedo!

 

— Como é? — Lay arregalou os olhos.

 

— A gente tá junto só há três meses e eu sei que eu sou emocionado, boca suja e ciumento pra caralho mas…

 

— Mas… — Lay incentivou com os olhos brilhantes.

 

— Deixa eu botar uma aliança no seu dedo… Deixa eu planejar minha vida com você… Seja minha mulher. — ela arregalou os olhos e ele correu para se justificar — Não é hoje nem amanhã, mas, sabe como é, eu sou meio tapado e preciso de garantias, tá ligada, mulher?

 

 

Lay riu contente, não é como se seu desejo fosse qualquer coisa diferente disso. Queria botar uma aliança no dedo dele, planejar uma vida, ser sua mulher. 

 

 

 

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Faz mais de seis meses que Sehun havia ido para Paris, o casal se falava com frequência, porém, no último mês, o ritmo de vida louco que Sehun estava levando devido ao fim do seu estágio, somado ao fuso horário que não era satisfatório o suficiente para que eles pudessem ter um tempo juntos, causaram um afastamento natural que para o mais velho foi doloroso. Jongdae sentia-se ansioso, sua cabeça conjecturava diversas possibilidades, todas negativas.

 

Esse mês, no qual praticamente não se falaram, ativou diversas inseguranças, inseguranças essas que estavam adormecidas dentro da mente hiperativa durante a maior parte do tempo. Jongdae tinha certeza que Sehun havia finalmente esquecido de si e não tinha mais interesse em se relacionar com uma pessoa a quilômetros de distância, mesmo que momentaneamente. Ele era jovem, lindo e rico, para Jongdae fazia todo sentido ele partir para algo mais interessante, mais fácil. 

 

Depois de três semanas de quase silêncio, onde se comunicaram muito pouco e não conseguiram engatar uma conversa sequer, Jongdae recebeu no meio da madrugada uma mensagem importante que ele não chegou a visualizar, pois estava bêbado demais para sequer ter controle do que acontecia com seu corpo. Jogado na cama de Chanyeol, Jongdae havia bebido demais, chorou no ombro do amigo que o consolava enquanto Kyungsoo, empático com a tristeza dele, achou por bem deixá-los a sós naquela madrugada de quinta para sexta. 

 

Horas antes, Jongdae chegou na casa do amigo em torno das oito da noite, já levemente alterado. Chanyeol estava curtindo preguiça com Kyungsoo, ambos jogados no sofá espaçoso, em um chamego gostoso naquela noite agradável de primavera. Quando seu amigo bateu a porta falando um pouco grogue, Chanyeol percebeu, também pelo cheiro de álcool, que ele estava afogando as mágoas que tinham nome e sobrenome e uma bunda linda, como ele fazia questão de sublinhar no último mês, onde andava bebendo mais vezes do que o indicado. 

 

 

— Dae, você tá bem? — Chanyeol perguntou preocupado, dando passagem pro amigo que cambaleava levemente.

 

— Duas semanas… Faz duas semanas.

 

— Faz duas semanas o quê? 

 

— Faz duas semanas desde que Sehun respondeu uma mensagem minha… — Jongdae apoiou o corpo no do mais alto — Quero beber…

 

— Jongdae pelo amor de Deus! — Chanyeol respondeu preocupado. 

 

 

Kyungsoo chegou da sala de estar com um copo contendo whisky, entregou na mão de Jongdae que agradeceu e bebericou. 

 

 

— Soo! 

 

— Amor, melhor ele beber aqui onde você pode cuidar dele do que no meio da rua. Ele vai encher a cara de qualquer maneira.

 

— Mas a gente tem que convencer ele do contrário, Kyungsoo!

 

— Não adianta. Se ele quer beber, deixa ele beber. 

 

— Isso aí, o Kyungsoo sempre tem razão! — Jongdae sorriu ébrio, fazendo um joinha sendo correspondido pelo mais velho, enquanto Chanyeol revirava os olhos.

 

— Tá bem, deixa ele comigo, a gente precisa conversar — Chanyeol segurou Jongdae pela mão, guiando-o até seu quarto — Você vai pra Jongin, amor? 

 

— Vou, tenho que encontrar Daniel, tô aprontando mais uma graça com ele — sorriu safado, aquele sorriso que Chanyeol já conhecia, tinha coisa ali.

 

— O que você tá inventando? 

 

— Logo, logo te mostro amor, é uma música nova.

 

— Se eu tivesse um homem assim, bom pra mim, que tivesse — pode-se ouvir o soluço bêbado — comigo o tempo todo, ia ser — outro soluço — tão apaixonado quanto vocês.

 

— Você já é — Kyungsoo encorajou —, e também tem um rapaz que é completamente apaixonado por você. Confia. 

 

— Será Kyung? — Jongdae perguntou choroso.

 

— Eu tenho certeza. Estou indo, garotos, se comportem. — Kyungsoo puxou Chanyeol pela cintura, sorriu ao ver os olhos amorosos que brilhavam em sua direção — Até amanhã, te amo. — finalmente beijando os lábios cheios de maneira carinhosa.

 

— Te amo… — Chanyeol soprou afetado, sem desviar o olhar, até que o homem saísse do seu campo de visão. 

 

— Eu tenho inveja. Eu tô triste porque eu tô com inveja de você, inveja do Baekhyun e da Lay, eu tenho inveja do Kyungsoo, eu tô me tornando uma pessoa pequenininha e amarga, e eu não quero isso Chanyeol, eu não sou assim, eu queria só meu playboy comigo, eu tenho tanta saudade dele, do timbre de voz dele, Chanyeol, eu quero ele falando no meu ouvido, eu quero apertar ele todinho, eu vou enlouquecer Chanyeol — Jongdae choramingou se jogando na cama macia do melhor amigo.

 

— Dae pelo amor de Deus, calma — consolou afagando as costas dele. 

 

— Como que a gente fica sem quem a gente ama Chanyeol? Ele não fala comigo há semanas, e eu só posso sentir que acabou, que a distância venceu nós dois. 

 

— Você tá apaixonado no Sehun, de quatro, né Jongdae?

 

— Eu sou louco por ele… Ele é meu amor, meu playboy.

 

— Então confia, ele tá voltando já já, eu tenho certeza. Agora vem que eu vou te enfiar debaixo do chuveiro porque você não vai dormir do meu lado fedendo cachaça não.

 

— Eu quero beber mais! 

 

— Vai beber nada, aquieta teu facho. 

 

 

Jongdae se banhou, colocou um pijama confortável duas vezes o seu tamanho, pois pertencia a Chanyeol, e dormiu agarrado ao amigo, enquanto nesse meio tempo, o celular no silencioso brilhou em mais uma nova chamada perdida, do número o qual ele tanto queria notícias.

 

 

 

 

 

Sehun corria pelo aeroporto de Congonhas, preocupado, triste e ansioso, ele não sabia mais o que fazer para ser atendido pelo homem que amava. 

 

Queria fazer uma surpresa a ele, foi obrigado nas últimas semanas a quase desaparecer, trabalhando demais, aprendendo demais e cansado, extremamente cansado de tudo aquilo. Era evidente que foi uma experiência ímpar, tudo que viu, que aprendeu, deu a ele uma vantagem de no mínimo, uns cinco anos de técnica em relação aos outros, porém, não havia sido nada fácil. 

 

Dormia pouco e estudava muito, conseguia se comunicar relativamente bem por dominar o inglês, mas mesmo assim, não se fazia entender em todas as situações e sentia-se frustrado. Por mais que o ritmo de vida estivesse agitado, Sehun sentia-se só, com saudade dos companheiros de faculdade, da vida que levava e de Jongdae.

 

Principalmente de Jongdae.

 

Não houve um só dia de sua viagem no qual ele não pensou com saudade no cara por quem era apaixonado, na verdade, quem ele queria enganar, ele amava Jongdae, e seus dias se resumiam a esperar o reencontro com ele. Conheceu pessoas interessantes ao longo desses seis meses, houveram tentativas de pessoas que se interessaram por Sehun, mas para ele, isso não fazia a mínima diferença, pois há muito tempo, só tinha olhos, ouvidos e coração para Jongdae de Campos, e esperava que ele também estivesse esperado por si com tanto afinco quanto.

 

Quando finalmente chegou o dia de retornar, Sehun estava convicto de que a primeira pessoa que veria seria Jongdae, mas isso não aconteceu. Ligou diversas vezes e não foi atendido, o coração batendo na boca, por medo de que ele finalmente houvesse desistido de si, e entendido que era uma fria se envolver com um moleque mimado como ele.

 

Sehun tinha medo, sentia-se em desvantagem por ser mais novo, e esse prêmio que, querendo ou não, veio em não tão boa hora, fez com que ele fosse obrigado a se afastar prematuramente do outro, quando eles mal haviam começado a ficar. Por Deus, Sehun nem ao menos era seu namorado, transaram somente duas vezes e ele sentia saudade física de Jongdae, de senti-lo apertando todo seu corpo. Estava inseguro sobre tudo, mesmo a conversa dos dois fluindo naturalmente durante todos aqueles meses, era inevitável que sentisse aquela pontinha de medo, de receio de que esse afastamento botasse tudo a perder.

 

Saudoso, comprou para ele uma linda gargantilha de ouro com um pequeno brilhante, somente um ponto de luz, esperava que ele não o achasse prematuro e emocionado. Queria que ele fosse seu namorado. 

 

Tentou contato com Jongdae por horas a fio e não havia conseguido nada, assim que chegou em casa se banhou e trocou, correria para a casa de Chanyeol, pois era certo que ele saberia onde seu melhor amigo estava. Com o coração batendo na garganta, ele correu mais, até chegar na casa de seu também amigo, precisava saber de Jongdae.

 

 

 

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Chanyeol estava na cozinha, preparava um café forte, para curar a ressaca leve que Jongdae estava. Não é como se ele tivesse ficado podre de bêbado, podia-se dizer que era mais um estado de espírito, a tristeza fazendo moradia no peito do rapaz que era alegre e vivaz, e Chanyeol já não sabia mais o que fazer para que Jongdae voltasse a normalidade. Enquanto passava o café, Jongdae estava em seu quarto, haviam acordado a pouco e ele convenceu o amigo de que seria bom sair um pouco de casa, pensou em arrastá-lo até o Ibirapuera, para que pudessem caminhar. 

 

Ouviu o Interfone tocar e ficou intrigado por quem seria aquela hora, qual não foi sua surpresa ao ter anunciado por seu Toninho ninguém menos que Sehun Oh de Alcântara. Dando pulinhos de alegria como se a visita fosse para ele, autorizou a entrada e aguardou elétrico a chegada dele, que também aparentava ansiedade. 

 

 

— Sehunnie! — Chanyeol sussurrou sendo abraçado pelo rapaz que tinha quase sua altura — Que saudade de você! 

 

— Eu também tava com saudade Chan! Desculpa se eu parecer meio apressado, desculpa o mau jeito mas…

 

— Ele tá lá no quarto. — respondeu risonho vendo a confusão nos olhos pequenos do rapaz mais novo — Jongdae, tá lá no meu quarto chorando as mazelas do bundudo dele, que sumiu — riu da cara de espanto do rapaz.

 

— Ele tá aqui! Obrigado Chanyeol, eu vou lá! — fez menção em correr casa adentro, sendo parado por Chanyeol que teve uma ideia, uma graça, pra fazer o melhor amigo feliz.

 

— Calma, vem cá! — e puxou o rapaz pelo braço, até a cozinha.

 

 

 

 

 

Jongdae se espreguiçava na cama confortável do amigo, sempre foi praxe dormirem juntos, mas depois que Chanyeol começou a namorar sério com Kyungsoo, eram cada vez mais raros esses momentos, ao menos sabia que o namorado dele era um cara legal, e sempre que precisava podia contar com Chanyeol. Como agora, por exemplo. Levantou triste da cama, ao lembrar o motivo pelo qual tinha acabado indo parar na casa dele. Estava em casa, havia passado a tarde toda olhando o celular. Duas semanas. Faz duas semanas que Sehun não o responde, não direito ao menos.

 

Acometido de um medo enorme pelo fim da relação precoce que tinham e pela saudade, ele alcançou as latinhas de cerveja que estavam na geladeira e bendito seja o Zé Delivery, que entrega o néctar dos desiludidos na porta de casa. Sem querer continuar só, pediu um Uber e foi para a casa de Chanyeol, precisava do colo do melhor amigo, antes que se afundasse mais em tristeza.

 

Desolado e triste, foi até o banheiro e tomou outro banho, sabia que o amigo logo voltaria com o café e não queria estar cheirando álcool perto dele logo de manhã, mesmo já tendo tomado banho na madrugada. Banhou-se demorado, aproveitou da boa vontade de Chanyeol e usou seus produtos cheirosos, estava se sentindo magoado e precisava de um afago em si mesmo. Ouviu a porta do quarto ser aberta e não se importou muito terminando seu banho, saiu envolto em um roupão fofinho e uma nuvem de vapor quente, e nas mãos uma toalha de rosto, com a qual enxugava os cabelos.

 

 

— Bom dia, Dae.

 

 

Aquela voz. Jongdae travou na porta do banheiro, aquele timbre tão conhecido, gostoso, que tinha uma mistura de imperatividade e manha, a voz doce e grave do seu playboy mimado. Ao focar na porta do quarto, viu o rapaz jovem e alto que sorria bonito em sua direção, colocando uma bandeja de café da manhã em cima da cômoda, próxima a entrada.

 

Sentindo as lágrimas brotarem de seus olhos sem controle, se jogou inteiro no homem que o recebeu de braços abertos, amparando todo o corpo menor. Sehun o ergueu pela cintura e Jongdae riu feliz, bagunçando os cabelos da nuca do outro com as duas mãos. 

 

Os olhos buscaram a verdade dentro das irises um do outro e estava lá, tudo, nada havia mudado. 

 

 

— Você sumiu… – a voz magoada se fez presente, e Sehun sentiu a tristeza de Jongdae.

 

— Desculpa, os últimos dias foram terríveis – desculpou-se sentindo o mais velho roçar o nariz em seu pescoço.

 

— Pensei que tinha me esquecido, que não me queria mais – Jongdae confessou, não via sentido em esconder seus sentimentos.

 

— Nunca, Dae eu fiz o impossível que foi convencer você a me dar uma chance, eu jamais a desperdiçaria. É sério, eu sou doido por você — confessou Sehun, soprado em seu rosto.

 

— Eu também sou doido por você… — Jongdae sorriu, penteou os cabelos curtos de Sehun e ele praticamente ronronou fechando os olhos, agradado com o carinho do qual era tão saudoso. Segurou a nuca do rapaz com firmeza, trazendo o rosto dele para baixo, tente ao seu, a fim de beijar a boca pequena e vermelha, da qual ele queria tudo que era de direito.

 

 

O beijou era calmo, matando a saudade da boca macia. Sehun derretia em seus braços e Jongdae sorriu satisfeito entre o beijo, por ter o corpo maior grudado em si. Apertou e apalpou toda a extensão dos braços longos do mais novo, acariciou as costas bem marcadas que ele tinha e apertou a bunda farta e empinada, terminando o beijo mordendo seu lábio inferior, sorrindo satisfeito pelos ofegos que arrancava dele. 

 

 

— Namora comigo? — Jongdae pediu, enquanto dava um beijinho de esquimó no rapaz que ria contente, por sentir as mãos inquietas e exploradoras apalpando seu corpo.

 

— Só se você namorar comigo! — Sehun respondeu com a voz embargada, e tirou do bolso a caixinha de presente, colocando na palma da sua mão — Eu tô oficialmente, finalmente, te pedindo em namoro.

 

 

Jongdae tinha os olhos arregalados quando abriu a caixinha contendo a joia bonita em ouro e diamante, virou para que o mais novo pudesse colocar em seu pescoço, enquanto alisava a pedra brilhante que agora adornava seu peito.

 

 

— Eu sabia que ela ia ficar linda em você, mas e aí? Vai aceitar namorar com o playboy do Jardim Europa? Bonito, gostoso, rico, eu mesmo só vejo vantagens… — arrematou fazendo graça, para disfarçar sua insegurança.

 

— Aceito né, é claro que eu aceito! — Jongdae pulou novamente em cima do rapaz, fazendo com que caíssem em cima da cama de Chanyeol.

 

Só quem transa nessa cama sou eu viu?! — puderam ouvir o resmungou gritado de Chanyeol lá da sala e caíram na risada.

 

 

Tudo, finalmente, estava em seu devido lugar. 

 

 

 

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Dois anos depois

 

 

Chanyeol cortava o salão nos braços de Kyungsoo. Quem os via agora, nem imaginava o tanto que ele havia pisado em seu pé e choramingado sua má sorte e dois pés esquerdos para dançar, porém, dois anos depois, eles estavam mais entrosados do que nunca, eram praticamente um só e Chanyeol havia finalmente quase que dominado a arte da dança de salão. Estavam os dois ali, em meio aos amigos, comemorando sua festa de casamento. 

 

Esses dois últimos anos foram incríveis, Chanyeol se formou, consagrando-se cedo, como uma das maiores promessas de artistas bem sucedidos de sua geração, tendo inclusive, peças suas sendo vendidas a peso de ouro. Por outro lado, Kyungsoo havia conseguido com que o patamar do Samba sem Preconceito se elevasse, fazendo com que Daniel fosse finalmente reconhecido como um prodígio do samba, tendo conseguido a proeza de ser apadrinhado por Xande de Pilares. 

 

A vida era boa e eles eram felizes, realizados dentro de tudo aquilo que se propuseram a fazer, inclusive, no amor. 

 

Feliz por estar em sua festa de casamento, Chanyeol que agora tinha os cabelos negros como a noite, estava todo vestido de branco, com uma coroa de flores em sua cabeça, que havia sido feita por Jongin e Lay, suas madrinhas. Radiante, levantou-se da mesa principal que dividia com sua mãe e irmã, Kyungsoo e seus padrinhos, chamaria a atenção de todas as pessoas, incluindo a de seu noivo, que percebeu toda a movimentação suspeita.

 

Com um talher de prata e uma taça em mãos, deu três toques, sendo instantaneamente o alvo da atenção de seus convidados.

 

 

— Eu quero agradecer a todos vocês por estarem aqui ao nosso lado no dia de hoje, um dia tão importante e significativo tanto para mim quanto para Kyungsoo, bom, assim pelo menos eu espero — gracejou ouvindo os risos e vendo o noivo negar com a cabeça. Kyungsoo vestia preto dos pés a cabeça, os cabelos que começavam a ficar grisalhos davam um charme tão especial e natural a ele, que Chanyeol não se refreou em suspirar — Há quase três anos atrás, eu tive um desafio, ainda na época da faculdade, e precisava de uma modelo urgentemente, para poder pintar um quadro, um nu, mais especificamente, — riu ouvindo os assobios — e foi então que eu conheci Kyungsoo. — sorriu mais, olhando nos olhos do homem que amava.

 

 

Como se sentisse que estava sendo chamado, Kyungsoo se aproximou do noivo, beijou seus lábios de maneira terna e segurou em sua mão, que suava frio.

 

 

— Quando eu conheci ele, fiquei preso naquela aura de homem gostoso, bonito e cachorro que ele exalava — ouviu um Hey! vindo dele em protesto, algumas risadas, mas pouco se importou — e acabei pintando uma das melhores obras que eu já fiz. No fim, quando eu conheci Kyungsoo, descobri realmente quem era Kyungsoo, eu entendi que ele era sim um gostoso, bonito e cachorro, — ouviu um novo protesto e riu — mas eu finalmente vi quem era ele além disso, e tudo que ele significava para mim mudou. Meu primeiro quadro que fiz dele se chama Homem descansado, um dos meus melhores quadros, e dos quais eu tenho muito orgulho, mas que não faz mais jus ao que Kyungsoo representa pra mim. Então, a fim de presentear meu noivo no dia de hoje que é tão importante, eu apresento a vocês e principalmente a ele, O homem no qual eu descanso. 

 

 

Debaixo de salva de palmas o quadro foi trazido para próximo dos noivos e Kyungsoo tinha olhos incrédulos, não imaginava que ganharia de presente de seu noivo um quadro tão significativo. Chanyeol deixou a cordinha baixando o lençol que o protegia, e Kyungsoo não pôde se sentir mais desnudo. 

 

Era uma cena corriqueira, diria até que ordinária, a quem não entendesse todo o significado por trás das pequenas coisas. Kyungsoo estava sentado de maneira despojada em uma cadeira simples, um lençol estendia-se sobre seu colo, cobrindo-lhe as partes íntimas e ele atraiu pensando em quão ciumento era Chanyeol. Seus cabelos caem em seus olhos como cascatas, uma cascata bonita e grisalha, cabelo grisalho esse que tirou o sono de Kyungsoo em um primeiro momento, por achar que estava ficando velho demais. Sorriu analisado ao pensar em como algo que ele considerando por um período, feio em si mesmo, poderia ser retratado de maneira tão bonita pelo artista que era seu agora marido . Era assim que ele ou via?

 

As mãos hábeis seguravam um violão, e ele podia ver os dedos dedilhando uma nota que, Chanyeol com certeza não sabia qual era. O cenário ao redor era claro e límpido, somente a luz do sol entrando pelas persianas da janela e iluminando seu rosto no quadro. Pôde ver nele todas as pintas das quais Chanyeol não cansava de contar e acariciar, e finalmente, ao fundo da tela, envolto em lençóis claros, podia ver os pés de Chanyeol, que descansava em cima da cama. 

 

A cena tão caseira e corriqueira transparência tanta verdade, amor e completude que ele não pode se refrear, a lágrima escorreu grossa e quente por seu rosto. Se mudou de Chanyeol, beijou os lábios de maneira terna, e disse: 

 

 

— Casa comigo, garoto? 

 

— Eu já casei, bonitão.

 

 

 

É, inigualável na arte de amar

Estou tão feliz que até posso afirmar

Jamais vivi um amor assim

Ver renascer de dentro de mim

Um sentimento que eu sepultei

Por desamor, sofri, confesso que chorei

 

Foi bom surgir você

Pra reabrir o meu coração

E induzir de novo a paixão

E outra vez me fazer sorrir

A solidão se escondeu enfim

Tudo que eu quero é ir mais além

Pois achei o amor

Com a vida estou de bem

 

 

 

Notes:

Esse capítulo em especial é muito querido por mim (não é pela saliência, juro kakakakaka), muitas coisas aconteceram e acho que deu muito bom!

Me digam o que vocês acharam, eu vou adorar!

Um beijo, até o reveals e não esqueçam de se hidratar 💜

Notes:

Serão três capítulos e eu espero que vocês me acompanhem nessa saga gostosa.

Um beijo, se hidratem e até o próximo 💜