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crianças do progresso

Summary:

Jayce estava falando empolgado sobre algo fazia uns bons muitos minutos, mas V conseguia apenas pensar na conversa que tivera com a mãe na noite anterior.
“Eu quero contar pro Jayce sobre isso. Eu quero!" ela exclamou deitada no colo da mãe. "Toda vez que ele me chama de “ele” eu penso em falar, mas e se as coisas ficarem esquisitas entre a gente?”
"Você conhece o Jayce melhor do que eu, meu anjo." A mulher se abaixou para depositar um beijo na testa da filha. "Você acha que ele não vai entender?”
"... Ele vai."

Ou
V cria coragem para contar para o melhor amigo que ela é uma garota.

Notes:

ESTOU DE VOLTA! COM MAIS UMA FIC PRO MÊS DO ORGULHO! YAY!
Assim como a última, estou me inspirando nesse bingo aqui
Essa segunda história se encaixa em “Coming Out”, “Pronouns”, “Transfem”, “Hurt/Comfort” (bem leve, mas mesmo assim...) e acho que “Acceptance”? Acho que “Ally” também, por via das dúvidas vou marcar.
Enfim, espero que gostem e boa leitura!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

As duas crianças estavam no laboratório delas, na casa na árvore de Jayce. O pequeno clube deles, um formado por apenas os dois e sem pretensão de abrir novas vagas. Jayce estava falando empolgado sobre algo fazia uns bons muitos minutos, gesticulando para a lousa cheia de desenhos e anotações e o diagrama do robô que planejavam construir nas férias de verão que estava há apenas algumas poucas semanas de distância. Mas V, que sempre fora muito centrada, conseguia apenas pensar na conversa que tivera com a mãe na noite anterior. Deitada no colo da mãe, com a mulher passando os dedos nas madeixas marrons da garota, ela chorava de medo.

“Eu quero contar pro Jayce sobre isso. Eu quero! Mais do que tudo! Toda vez que ele me chama de “ele” eu penso em falar, mas e se as coisas ficarem esquisitas entre a gente? E se ele me odiar? Eu não quero isso, mãe!”

“Meu anjinho.” A mulher se abaixou para depositar um beijo na testa da filha. “Vocês são melhores amigos desde que eram bebês. Ele sempre foi compreensivo e acolhedor com suas limitações e luta por você quando eu não estou perto... Mas você conhece o Jayce melhor do que eu, é claro. Você acha que ele não vai entender?”

Ela não precisou pensar muito antes de dizer: “...Ele vai.”

Jayce vai entender.

“V, você não tá prestando atenção. Por que você não tá prestando atenção?” Jayce perguntou, fazendo biquinho. Era fofo. Ele sempre fazia aquilo sem perceber e era mais uma coisa para deixar ela confusa e com o coração disparado, como as asas de diversas borboletas recém saídas de seus casulos, ansiosas para desbravar o mundo.

“Jayce,” ela disse pegando uma das inúmeras almofadas espalhadas no chão para que pudessem se sentar confortavelmente e não no chão duro de madeira. Jayce queria muito ter levado um sofá velho para a casa na árvore, ele tinha todo um plano de como poderia levantar o sofá até a grande janela da casa de madeira com um sistema de cordas e roldanas e então, com um pouquinho de jeito e força, passar o sofá pela janela, mas Ximena logo o proibiu. Quando Jayce tentou argumentar que era pelo conforto de V, eles chegaram em um consenso com aquelas almofadas bem fofinhas. “Eu preciso te contar algo.”

“Hm, okay? O que?”

“Eu...” Ela abraçou a almofada. Respirou fundo. E disse: “Eu não sou um garoto.”

“Huh? Como assim você não é um garoto?” Jayce perguntou, franzindo o cenho. “Mas...” Ele pausou antes de perguntar: “Então o que você é?”

“Uma garota.” Ela disse simplesmente. Ela estava tremendo. Desde quando estava tão frio ali na casa na árvore?

O silêncio entre os dois era pesado.

Uma garota?” Jayce perguntou enfim. V não gostou do tom dele.

“Sim.” Ela confirmou, a voz baixa. Ela não conseguia olhar para Jayce então olhou para baixo, para as próprias mãos, e começou a cutucar as unhas. Ela estava... errada? Ela nunca esteve errada sobre Jayce.

“Droga...” Jayce murmurou e ela se encolheu ainda mais, tentando se afundar no meio das almofadas e desaparecer. Ela estava errada. Ela estava errada. “A gente precisa mudar o nome do nosso clube então. Garotos do Progresso era tão bom... E eu demorei meses pra pensar nele! Mas acho que pode gerar confusão. Então é, vamos mudar o nosso nome!” ele afirmou.

“O que?” Ela levantou a cabeça de supetão e percebeu que Jayce estava olhando com descontentamento para a grande placa que ficava bem em frente à escada, uma que dizia “GAROTOS DO PROGRESSO” com tinta azul junto com desenhos de engrenagens e chaves de boca.

“A gente não pode ser os Garotos do Progresso se só eu sou um garoto,” Jayce comentou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. “Tecnicamente podemos, mas que nem eu falei, pode gerar confusão e não quero ninguém te fazendo se sentir mal. Ou desrespeitada. Mas o nome era tão bom!” Jayce colocou as mãos sobre o rosto, choramingando. “Garoto e Garota do Progresso é muito comprido e não tem a mesma força! Eu preciso pensar. De novo. Ugh!”

“Você...” ela piscou várias vezes, tentando afastar as lágrimas que não percebera terem se formado em seus olhos. “Você está bem com o que eu te falei? Não tá... bravo? Não me odeia?”

“Como assim te odiar?” Jayce olhou para ela confuso e então entendeu. “Oh. Oh! Okay, eu sou um idiota. Desculpa. Você achou que eu não tinha gostado da ideia de você ser uma garota? Eu não ligo!” Ele então fez uma careta. “Quer dizer, eu ligo. Eu ligo muito! Porque é importante pra você, certo?” Ela assentiu. “Perfeito! Mas isso não muda nada, você continua sendo... minha melhor amiga!” Jayce então pausou, pensativo. “Pensando melhor, muda sim. Porque agora vou te ver como uma garota. Mas não acho que vai fazer tanta diferença assim.” Ele então observou o rosto dela. “Ou vai? Você vai começar a usar maquiagem e tipo aqueles batons gosmentos que as garotas usam? Parece tão desagradável e se você deixar seu cabelo crescer ele vai grudar nele. Ew.”

“Eu...” Ela riu, desacreditada com o rumo que a conversa estava levando. “Eu não sei?”

“E acho que é melhor você não deixar suas unhas crescerem porque você pode acabar se machucando quando formos construir nosso robô! Segurança em primeiro lugar!”

Ela assentiu muito séria. “Segurança em primeiro lugar. Faz sentido.”

Jayce se jogou em uma das almofadas ao lado dela. “E mais importante do que tudo... Como eu devo te chamar? V mesmo ou...”

“V está bom, por enquanto.”

“Okay.” Jayce colocou a mão sobre o ombro dela e apertou de leve. “Combinado.”

“Jayce, é isso? Você realmente não tem problema com isso?”

“É claro que eu não tenho problema com isso V. Eu te amo! Você sabe disso, né?” Ele passou o braço pelo ombro dela e a puxou contra si em um meio abraço. “Eu te amaria mesmo se você virasse um alienígena roxo gigante agora mesmo e quisesse causar o apocalipse. Ou tipo começasse a me perseguir querendo me matar. Isso é o quão sério eu tô falando. E você sabe que eu tenho pavor de alienígenas.” Ele estremeceu, provavelmente relembrando do filme Alien que haviam assistido escondido algumas semanas atrás. 

“O que você tá dizendo?!” V riu. “Cala boca!” Ela empurrou Jayce e escondeu o rosto. Tudo que ela não precisava naquele momento era que Jayce visse as bochechas vermelhas dela e o quanto ouvir ele dizer que amava ela a afetava.

“Tô falando sério! E eu tenho certeza que você seria um alienígena muito daora. OH!” ele exclamou. “EU JÁ SEI! Crianças do Progresso. A gente tecnicamente ainda vai ser criança até o ano que vem. Aí então a gente pensa em um novo. Um ano inteirinho pra pensar. Fácil. O que você acha? Eu sou um gênio, não sou?” Jayce perguntou com o queixo erguido e muito satisfeito consigo mesmo.

“Uhum uhum, um super gênio.” V revirou os olhos. Não querendo quebrar o pobre coração dramático de Jayce, ela concordou. “Crianças do Progresso. Pode ser.”

Notes:

Quatro anos depois eles finalmente mudaram o nome do clube deles para Hextech, nome que seria usado para a empresa que eles ocasionalmente criariam.
E Viktoria de fato passou a usar e ficou obcecada por gloss. Transparente, rosa, vermelho, com glitter ou sem. E quando ela e Jayce começaram a namorar, porque eles VÃO namorar (em todos as minhas fics pre-slash eles namoram no futuro! Eu faço as regras!), Jayce a princípio odeia a textura de gloss, mas guarda seu desgosto para ele por respeito a namorada, mas então passa a ficar obcecado também, só que por motivos diferentes...! >:)
Eu tenho outras ideias de fics para esse mês do orgulho que vou TENTAR escrever e postar, mas se não conseguir eu posto mês que vem e/ou em agosto, porque mês do orgulho é todos os meses, né não? HAHAHA (digam. que. sim.)
Enfim, até a próxima!!! <3

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