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Capítulo Único - I love you, moms
SOPHIE, com o cabelo ruivo preso num rabo de cavalo, abriu a porta com cuidado, evitando fazer barulho. Inclinou o corpo para frente e alargou um sorriso ao ver, por trás do sofá, um chifre colorido emergir.
— Brooke? — chamou. — Cadê você, meu amor?
Rindo baixinho, a pequena Brooklynn torcia para que a tia não a achasse.
— Achei você!
— Buu!
Sophie colocou a mão no peito e fingiu espanto, não demorou muito para caírem na gargalhada.
— Já pro banho, sujismunda! — disse, num tom de falso vitupério.
A criança fantasiada de unicórnio cor-de-rosa correu para o banheiro, mas antes beijou-lhe a bochecha.
Sophie se dirigiu ao quarto de Casey.
— Hora de acordar, preguiçoso!
Pôde escatimar a porta se destrancando. Um garoto magro, alto, de cabelos encaracolados apareceu vestindo o uniforme escolar e exalando perfume.
— Olha, já tá todo arrumado! — elogiou, arrumando sua gravata.
— Sabe como é, tem que começar cedo para realçar minha beleza — Brincou passando a mão pelos cabelos.
— Meu menininho tá se tornando um moço! Saudades daquela criança que corria pela casa de madrugada, não deixando ninguém dormir. — Apertou sua bochecha.
— Tia, assim você me envergonha — Retirou a mão dela do seu rosto, fazendo careta. Sophie riu.
— Vamos tomar café.
Mesmo na cozinha, era possível ouvir a cantoria de Brooklynn no banheiro.
— Deveríamos inscrevê-la no The Voice — Casey ironizou. — Ela canta igual a... — A frase morreu. Em seus olhos, um resquício de aguilhão. Sophie pegou sua mão.
— Também sinto falta dela.
— Titia terminei! — Brooklynn gritou ao chegar correndo na escada dímere.
Sophie enxugou uma lágrima intrusa.
— Passei maquiagem, como você — disse apontando para o rosto. O batom estava borrado e a sombra estava mais acima da sobrancelha do que na pálpebra. — O que acharam?
Casey desatou a rir.
— Preciso te dar umas aulinhas primeiro, querida, mas tá no caminho certo.
Sophie deixou os sobrinhos na escola e os prometeu que a tia Kaya os buscaria, teria uma reunião importante na agência, o problema era que não sabia onde ela estava.
Andou pelos lugares que costumavam frequentar. Academia, restaurante favorito, shopping, mas nada.
Cogitou não comparecer à reunião quando viu a mulher magra de cabelos de ébano sair de um beco.
Estacionou o carro às pressas e foi ao seu encalço.
— Olha só quem apareceu... — Kaya disse amarga.
— Por onde esteve? Fiquei-
— Está perguntando como policial ou como uma amiga precisando de um favor? — Suas palavras lançadas como espículo.
— Como namorada.
— Você parou de atender minhas ligações depois da briga de outro dia — explicou Sophie. — Me preocupei.
— Acha que eu não estou sóbria, né? — Kaya disparou.
— O quê? Nunca duvidaria disso.
— Não quero ser um fardo. Você tem sua vida, não deveria se estressar comigo...
— Não fale assim. — Sophie a beijou. — Tenho orgulho de você.
Kaya encolheu-se diante de seu opróbrio. Não tinha nada do que se orgulhar de uma mentirosa.
— Busco as crianças e nos vemos de noite? — Kaya esquivou-se.
— Combinado.
— Sophie? — chamou-a quando esta entrou no carro.
— Sim?
— Eu te amo!
Sophie sorriu radiante. Aquela fora a última vez.
Últimas notícias: Terror em Jump City!
— Aconteceu na manhã dessa segunda-feira um atentado terrorista na 51º delegacia de polícia de Jump City. — O âncora de meia-idade e cabelos grisalhos anunciava no jornal da noite. — Segundo as investigações, esse atentado ocorreu como protesto da Igreja Sangue, em prol da soltura de seu líder. — As imagens dos destroços do prédio foram exibidas.
— Infelizmente, esses terroristas se negam a ter opsimatia pelo bem. — disse o prefeito McKay, em seu posicionamento oficial.
— A presidente Allen acabara de chegar à cidade. — Continuou o âncora. — É com pesar que anunciamos as primeiras vítimas fatais, os agentes: Colin Row, Velma Davis, Sophie Summers...
Jump City estava devastada.
Quando os Titãs chegaram, tudo viram foi uma espessa fumaça preta e os destroços do que outrora fora o prédio espelhado da 51º delegacia.
Helicópteros sobrevoavam. Bombeiros e super-heróis buscavam por sobreviventes. Ambulâncias corriam com os giroflex ligados.
— São mais de 20 mortos, 15 feridos e 25 desaparecidos. — Batman anunciou, acompanhado da Liga da Justiça.
Cumprimentaram os Titãs. Batman continuou, mas a única coisa que Estelar conseguiu focar era a destruição.
— Está bem, amor? — Ravena perguntou, segurando sua mão.
— Em meus 7 anos e meio aqui na Terra, ainda me surpreendo com a aleivosia da humanidade.
Foram dois dias incessantes de buscas. Os cidadãos ainda entorpecidos diante tamanho ato de pulhice.
Na 45º delegacia, Robin conversava com os capitães e comissário sobre o correr das investigações.
Estelar foi beber água. Viu duas crianças latinas sentadas na sala de espera. A garotinha sorriu ao vê-la e foi ao seu encontro, dizendo:
— Me lembro de você! É a moça bonita que ajudou a ganhar meu ursinho. — Mostrou a pelúcia.
Estelar sorriu, amorosa.
— Também me lembro de você, é a garota com nome bonito.
— Brooklynn.
— Venha Brooke, não vamos incomodá-la — Casey interviu, pegando sua mão.
— Não é incômodo algum.
Estelar os observou voltar, cabisbaixos, para aquela sala de espera lotada.
— Todos ali perderam seus entes queridos mais importantes. — O comissário Roark surgiu atrás de si.
— O que sabe sobre aquelas crianças?
— O conselho tutelar as trouxe. Perderam seus pais, Louise e Anthony, há três anos num acidente de avião. Sua tia, Sophie, ficou com a guarda, mas ela faleceu no atentado. E sua companheira Kaya está desaparecida e tem histórico com drogas. Elas não têm mais ninguém. — explicou o comissário.
Os olhos de Estelar lacrimejaram.
— Garanta que o Irmão Sangue nunca saia da cadeia! — As palavras saíram com detração.

Estelar, melhor, Kory Anders havia se casado em maio daquele ano.
Fora uma festa praiana, repleta de convidados. O buffet diversificado, juntara a culinária terráquea e a tamaraniana. Havia muita mostarda, é claro.
Ela e Rachel selaram votos ao pôr do sol, receberam uma salva de palmas.
Dick não compareceu, aquela união o fazia exagitar desde o início. Dizia não por palavras, mas por atitudes. Perder Kory ainda o assombrava.
Elas mudaram-se da torre para um apartamento grande e espaçoso no centro de Jump.
Enquanto almoçava, pensava em como Casey e Brooklynn poderiam gostar daquele apartamento. Será que Rachel aprovaria?
Novamente em casa, Rachel tomou um banho gelado para relaxar os músculos. Os últimos dias de buscas haviam sido exaustivos.
Enquanto secava os curtos cabelos pretos, observou pelo espelho do banheiro a esposa, apreensiva, sentada de pijama na cama.
— Precisa desabafar, amor? — perguntou.
— Não dá para esconder nada de você, não é? — Sorriu, se aproximando. — Se lembra que, quando fomos ao parque há alguns meses, eu consegui ganhar um ursinho para uma menininha?
Rachel assentiu.
— Então, ela e o irmão perderam a tia no ataque. Eles não têm mais ninguém. Estava pensando se não poderíamos adir eles a nossa família?
Rachel não conseguia gostar dos pais.
Seu genitor era Trigon, um demônio interdimensional, que só a via como um portal para trazer desgraça e trevas para esse universo.
Enquanto sua genetriz, Angela, era amarga e se odiava por ter sido aquela que trouxera a filha do terrível a vida, conforme a profecia.
Quando era criança, em Azarath, era constantemente submetida a sessões de exorcismo.
— Domais vossas trevas, ó filha da perdição! — Angela, junto aos monges, gritava num círculo.
Angela nunca sequer havia a abraçado.
Por isso, quando Kory fez a proposta, ficou em silencio. Como poderia cuidar de crianças assim?
O dia seguinte chegou e com ele o tempo bravio. Kory e Rachel tomavam o café da manhã em silêncio. Quando acordou, Rachel tomou um comprimido para dor de cabeça, não havia dormido bem e sabia que a esposa merecia uma resposta.
— Não vejo problema em adotar as crianças.
Kory sorriu, pegou sua mão.
— Tem certeza? Sei que é um tópico delicado pra você, não quero que se sinta pressionada.
— Refleti e vi que não é algo acroático. Já me mostrei melhor que meus genitores, dessa vez não será diferente. Vamos aprender juntos a ser uma família.
Abraçaram-se com ternura.
Primeira Visita
Dado alguns meses que iniciaram o processo, fora permitida a primeira visita.
Iriam proporcioná-los um piquenique, no terraço da Torre. Igualmente a elas, Mutano e Cyborg estavam animados. Os rapazes disputavam qual prato — hambúrguer ou burrito — chamava mais a atenção das crianças.
— Viu, latão? Elas preferem burrito! — Garfield vangloriou-se.
— Foram apenas educadas com sua comida sem graça! — Victor rebateu, com um bico vultoso.
Brooklynn riu. Casey brincava com a azeitona, com o garfo.
A tarde começou ensolarada, de repente o tempo tornou-se bluco. Entraram, para uma sessão de filmes, Brooklynn adormeceu no ombro de Kory. Casey sentou numa poltrona, distante.
Victor acordou os adultos, tocando de leve seus ombros, quando o filme acabou.
— É hora de irmos, querida — Kory sussurrou, Brooklynn abriu os olhos devagar, ainda abraçada ao urso.
— Cadê o Casey? — Rachel perguntou para Garfield, que olhou para os lados. — Vou procurá-lo.
Ela sentiu sua presença no terraço. Ele estava sentado, com as pernas balançando, na maior tranquilidade em meio breu. Parecia ter apreço pela escuridão, igual ela.
— Querido, é hora de ir. — Rachel disse com cuidado, sentou-se ao seu lado. — Sei como é difícil ter que esconder os sentimentos. Pode conversar comigo.
— É cansativo sempre ser o calcês.
Kory e Rachel foram ao orfanato na manhã seguinte, Julie, a assistente social, as esperava em sua sala.
— Admito que a princípio a profissão de vocês me deixou receosa, entretanto observei uma evolução linda na Brooke, ela até mesmo está desenhando vocês. — Informou, mostrando os rabiscos feitos com giz víscido.
— Ela é um amor. — Kory comentou.
— Mas o que mais me chamou a atenção foi o Casey. — Julie observou. — Ele disse a psicóloga que se sente bem com vocês. Porém, teme criar novos laços e sofrer mais uma perda.
— Entendemos. — Rachel assentiu.
— Mas vocês estão no caminho, não se preocupem.
Casey se lembrava dos longos cabelos dourados de sua mãe, sentada na areia da praia, lendo “O mágico de Oz” para ele, enquanto o fazia cafuné. Brooke estava dando seus primeiros passos e seu pai a levava para conhecer o mar.
Sentado na parte superior do beliche do orfanato, Casey observou a irmãzinha dormir taciturna. Queria ser que nem ela: acro, inocente e sempre otimista.
Havia visto, por vezes, os Titãs pelo jornal. Desejara ter poderes que nem eles, imaginando como seria voar e impedir o avião que matou seus pais de cair.
Agora aquelas lembranças eram apenas lindos fantasmas.
Casey estava no quintal da Torre. Decidiu sair, após o almoço, para tomar um ar e riu ao ver um cachorrinho de três patas, da raça pitbull, latir para um pombo. Ambos pareciam estar desvarios.
O filhote correu até ele, com um graveto na boca. Casey lhe-fez carinho. Leu o nome na coleira.
— Quer brincar, Haley? — perguntou. Recebeu um latido. Jogou o graveto. Entre risadas e carinhos, repetiu o gesto dez vezes.
— Ela gostou de você. — Um homem baixinho e de topete, disse. O reconhecia, era Robin.
— Ela é muito fofa!
— Estou surpreso, geralmente ela é brava com todo mundo.
Dentro da Torre Titã, Kory abriu a porta do quarto e se assustou com manchas em tons de rosa escuro e vermelho pelo chão. Seguiu o rastro, deixando um starbolt a postos, e empurrou a porta do banheiro semiaberta.
Brooke estava na banheira em posição fetal, chorando, com sua boneca Barbie zagala rabiscada.
— Tudo bem, querida? — Kory perguntou.
Mostrou o rosto, esse sujo de batom.
— Tentei me maquiar, para ficar bonita como você. Não consegui. Tia Sophie prometeu me ensinar, mas ela se foi…
— Querida — Foi ao seu encontro, a abraçou. — Te ajudarei a resolver isso, mas antes vamos arrumar essa bagunça. — disse doce.
— Está se saindo bem. — elogiou Garfield, sentados no sofá da sala.
— Acha mesmo?
— Claro, é impossível encontrar exprobra. Os olhos de Brooke não enganam.
— Até ganhou de mim hoje no videogame. — Victor comentou. — Ela é muito esperta!
— Minha psicóloga disse que viu uma mudança positiva em mim também. — Rachel comentou.
A porta se abriu.
— Atenção, por favor! — pediu Kory.
Brooke vestia um longo vestido rosa e usava uma maquiagem sutil. Seus cabelos castanhos soltos e com uma trança lateral.
— Eu sou a pequena miss sunshine! — exclamou a menininha, sorridente.
— Que linda! — Rachel elogiou.
— Muito obrigada! Onde tá meu irmão?
— Lá fora, brincando com a Haley. — informou Dick, entrando na sala.
Algumas horas depois, Rachel e Dick estavam na cozinha.
— Ouvi dizer que está tentando uma cátedra em Educação Física. — Rachel comentou.
— Sim, estou tentando novos caminhos.
Rachel se preparava para sair com seu chá de ervas.
— Rae, peço desculpas por agir imaturamente. Perdi Kory por minha culpa, mas estou feliz que ela esteja com você, alguém que sabe pô-la em alceado, e formando uma família. Você a fez feliz, as crianças têm sorte.
Rachel sorriu.
— Seu coração é bom, Dick. Senti falta de você no meu casamento; sempre foi como um irmão. Ainda encontrará alguém especial.
Rachel deixou Dick abraçá-la, concedendo-lhe sua bênção.
Os meses se passaram e as visitas se tornaram mais frequentes.
Durante a semana, Rachel ensinava para Casey as técnicas da meditação, a fim de ajudá-lo com a insônia.
Aos primeiros finais de semana do mês, costumavam sair. Iam no parque de diversões — onde Kory sempre ganhava uma pelúcia para cada um; iam à pizzaria, iam a exposição de barcos, o que Casey adorava, mas o seu passatempo preferido mesmo era passar os dias com Haley.
Como também, Rachel podia comprar os produtos de “Pegasus é Fofo Demais”, sempre que podia, sem julgamentos, afinal, eles eram dirimente para sua filha.
2 de Outubro.
Era o aniversário de Casey. Resolveram ir à pizzaria celebrar seus dez anos. Além disso, faltava poucas etapas para a adoção ser efetivada.
— Temos muito que comemorar. — Kory refletiu. Todos os titãs à mesa. A mudança em Casey era perceptível, aquecendo o coração delas.
— Sim, amor. — Beijou sua testa.
O celular tocou. Era da escola. Rachel saiu para atender.
— Sra. Roth, Casey é um aluno sédulo, mas hoje ele brigou na escola, quebrando o nariz de outro aluno. A família quer que as responsáveis cubram os gastos. — informou a diretora.
— Lamento, não entendo porque ele agiu assim.
Kory e Rachel optaram por levar Casey para um lugar mais reservado do estabelecimento.
— A diretora ligou — Kory informou. — Você agrediu um coleguinha, por que fez isso?
— Ele fez uma piadinha sem graça sobre o atentado. Então, eu dei uma zupa nele — Representou o gesto com as mãos. — Pra ele aprender!
— Cass, entendemos sua raiva, mas violência não é a resposta. — Rachel disse.
— Vocês dizem isso porque não entendem o que é perder alguém que você ama tanto! Não é justo que ele faça piadas sobre isso! Não aceito!
— Querido, entendemos…
— Não entendem nada! — Ele saiu correndo.
— Espera! — Kory pediu.
Dick encontrou o menino na sala da torre, com Haley nos braços.
— Você está aí — disse, surpreendendo Casey. — Não irei te vapular, mas por que fugiu?
— Elas não entendem minha dor. — Casey abraçou os joelhos.
— Não é assim. Todos aqui conhecem a perda. Eu e Garfield perdemos nossos pais na infância. Victor perdeu a mãe no mesmo acidente que o deixou com membros mecânicos. Kory nunca mais viu seus pais após a invasão da Cidadela. Rachel nunca teve figuras paternas. Todos enfrentamos traumas, mas a chave não é esquecer, é permitir-se superar e encontrar a felicidade. Sua tia aprovaria isso.
Kory correu para abraçar Casey, quando Dick chegou com ele no restaurante.
— Você está bem? — Ela perguntou, tocando seu rosto.
— Sim...
Rachel e Brooke chegaram logo atrás.
— Me desculpa. — Casey pediu, seu semblante inditoso.
— Não tem porque, meu amor. — Kory garantiu.
— Tem sim, eu fui egoísta, só estava pensando em mim e em minha dor. — admitiu com sinceridade.
Rachel tocou suavemente seu ombro.
— Às vezes, todos nós nos deixamos levar pela dor, mas o importante é que temos uns aos outros.
— Eu amo vocês. — Ele disse, juntando as mães e a irmã num abraço coletivo. Os Titãs se juntaram emocionados.
Apesar das meditações ajudarem, Casey não conseguia dormir aquela noite, o que era bastante morfinez.
O processo de adoção fora aprovado. Oficialmente moravam com Kory e Rachel. Seu quarto novo era espaçoso, com uma cama macia e uma caixa cheia de brinquedos, mas não conseguia se adaptar ali.
2 a.m.
Brooke bateu à porta.
— Tá acordado? — perguntou, sentando-se na cama.
Casey assentiu.
— Posso te emprestar o Rigby — Levantou o guaxinim de pelúcia. — Sempre abraço ele quando não consigo dormir.
— Valeu.
Dividiram o cobertor. Abraçado a pelúcia, Casey fez cafuné na irmã e adormeceu. Não era mais um estranho no ninho.

Era véspera de Natal. A árvore de Natal ocupava o centro da sala de estar, brilhantemente decorada com luzes cintilantes e uma variedade de enfeites coloridos. O aroma de biscoitos de gengibre recém-assados permeava o ar.
Casey dormia profundamente no seu quarto da Torre, coberto por um aconchegante cobertor. Os primeiros raios de sol se infiltravam pelas cortinas, iluminando delicadamente o ambiente. Foi nesse momento que Haley entrou.
Ela saltou no colo de Casey e começou a lamber seu rosto com entusiasmo, soltando latidos alegres.
— Haley... — murmurou sonolento. — É cedo demais... É véspera de natal! — Levantou-se, lhe surgindo uma chispa.
Na cozinha, Robin e Cyborg discutiam enquanto preparavam o café da manhã. O cheiro de panquecas e xarope enchia o ar.
— O xarope de bordo é o melhor acompanhamento pra panquecas! — afirmou Dick.
— Cara, você tá muito errado! — Victor riu. — O mel é que dá aquele toque especial!
Enquanto isso, Garfield estava na sala adjacente, embrulhando presentes com papel colorido, enquanto cantarolava:
— Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock. Jingle bells swing and jingle bells ring…
No corredor, Brooke decorava a árvore de Natal. Estava indo colocar uma estrela chué no topo. Casey pegou o anjinho da tia Sophie e passou na frente.
— Agora sua arvore tá prontinha!
— Obrigada!
A noite, a mesa estava repleta de iguarias natalinas. Os Titãs da Costa Leste uniram-se a eles.
Garfield apresentou sua nova namorada, Mackenzie, uma jovem modelo. Casey não deixou de notar ela tomar um bólus antes da refeição. Era diabética.
As crianças saborearam um pouco de cada prato.
Casey passou um pedaço de presunto para Haley sob a mesa, que devorou o petisco num instante.
Conforme a noite avançava e a meia-noite se aproximava, Casey e Brooke se entreolharam e sussurraram. Deslizaram discretamente para fora da sala e correram para o quarto da pequena. Na cômoda, havia uma caixa embrulhada com esmero.
Ao retornarem, chamaram Kory e Rachel para um cantinho distante da felga natalina.
— Fizemos uma surpresa! — Brooke anunciou.
— Ah, não precisava, meus amores! — Kory ajoelhou-se, seus brincos eram longos e banhados a ouro.
— Certeza que vamos adorar. — Rachel garantiu. Ela usava um vestido tubinho azul ciano.
— Não sei o que teria sido da gente sem vocês. Obrigado por terem me escolhido, por não terem desistido de nós. Vocês são as melhores do mundo! — Casey diz, entregando presente para elas.
Eram dois colares perolados.
— Amo vocês, mães! — declarou, felice.
Elas os abraçaram e os encheram de beijos. Sentiam-se oficialmente uma família.
