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A Ninja das Duas Aldeias - Quando Tudo Era Konoha

Summary:

Entre os acontecimentos de Naruto Clássico, acompanháveis em paralelo à trama original, surge a história de Kaori — uma ninja médica de Konoha que carrega um dom tão raro quanto perigoso: um Kekkei Genkai capaz de influenciar emoções.
Determinada a nunca abusar desse poder, ela se dedica à cura, utilizando também suas misteriosas mariposas de invocação em combate. Mas, por trás da postura firme, Kaori guarda um amor silencioso por Kakashi Hatake, intenso, contido e, muitas vezes, doloroso.
Enquanto esse sentimento cresce nas entrelinhas, um vínculo inesperado começa a surgir com Gaara, trazendo novas emoções e conflitos para seu coração.
Ao seu lado, estão aqueles que a sustentam: Iruka Umino, como um irmão; Maito Gai, com seu apoio incansável; e Akira, sua confidente.
Entre dever, sentimentos e escolhas difíceis, Kaori precisa decidir até onde pode ir, sem perder a si mesma, e sua vontade de ser uma Kunoiche de campo, não apenas uma médica em um hospital.

Chapter 1: PRÓLOGO

Chapter Text

O vento daquela tarde atravessava os corredores de Konoha como um sussurro antigo. As árvores balançavam devagar sob a luz dourada do entardecer, enquanto a vila seguia viva em seu caos costumeiro: crianças correndo pelas ruas, vendedores anunciando dangos recém-feitos e ninjas cruzando os telhados como sombras rápidas contra o céu alaranjado.
E, entre todas aquelas vidas, existia Nokata Kaori.
Alguns a conheciam como uma das ninjas médicas mais promissoras da Folha. Outros apenas cochichavam seu nome pelos corredores do hospital, fascinados pela estranha mistura de delicadeza e perigo que ela carregava consigo.
Kaori tinha um tipo de beleza difícil de ignorar.
Media cerca de um metro e setenta, com postura elegante e passos silenciosos, quase felinos. Seu corpo era esguio; não possuía músculos muito definidos, já que sua função não exigia treinos pesados de força, mas compensava isso com curvas suaves, cintura fina e pernas longas. Os cabelos castanhos eram curtos, volumosos no topo e constantemente bagunçados pelo vento, como se nunca aceitassem ficar perfeitamente alinhados. A franja caía de forma leve acima dos olhos castanho-esverdeados, intensos o bastante para prender a atenção de qualquer um por tempo demais.
Mas quem enxergava apenas a kunoichi médica jamais imaginaria o peso que ela carregava.
Dores antigas se escondiam atrás de sorrisos discretos e respostas sarcásticas. Seu rosto delicado costumava transmitir serenidade, mas bastava observá-la com atenção para perceber o cansaço nos detalhes: as olheiras suaves de quem dormia pouco e o olhar distante de quem convivia com fantasmas antigos. Ainda assim, continuava bonita de um jeito quase injusto. Não era uma beleza extravagante ou inalcançável, e talvez fosse justamente essa simplicidade que a tornasse tão hipnótica.
Kaori usava, quase sempre, roupas simples, sóbrias e bem alinhadas para trabalhar no hospital: uma blusa branca ajustada ao corpo, saia preta acima dos joelhos e sandálias ninja que ecoavam suavemente pelos corredores de Konoha. No braço, carregava a bandana da Vila da Folha.
Aquilo nunca foi uma escolha. Konoha era a aldeia onde nascera e, apesar das lembranças dolorosas da infância, ainda amava o lugar que chamava de lar.
Desde muito jovem, Kaori aprendeu que algumas pessoas nascem destinadas a carregar pesos maiores do que deveriam. No caso dela, esse peso tinha nome: Shinkanki.
Um Kekkei Genkai raro e assustador, capaz de manipular emoções humanas.
Medo, ódio, amor, desespero.
Sentimentos podiam se transformar em armas nas mãos de Kaori, e isso a aterrorizava. Ela sabia exatamente do que aquele poder era capaz. Algumas pessoas a olhavam com desconfiança, temendo serem manipuladas, mas Kaori jamais usaria o Shinkanki de maneira leviana. Sua moral era sólida demais para isso.
Talvez tenha sido justamente por esse motivo que escolheu a medicina.
Salvar pessoas parecia uma forma silenciosa de provar que era digna de confiança. Cada vida curada era uma tentativa desesperada de equilibrar a balança dentro do próprio coração, ainda atormentado pelos erros e tragédias do passado.
Mas monstros não desaparecem apenas porque aprendem a sorrir. Eles apenas adormecem.
E Kaori era humana. Por mais que pudesse controlar os sentimentos dos outros, jamais conseguiu controlar os próprios. Ela percebia isso toda vez que seus olhos encontravam os dele.
Hatake Kakashi. O Ninja Copiador.
O homem do olhar cansado e da voz preguiçosa que, sem perceber, desmontava todas as muralhas que ela levou anos para construir.
Às vezes, Kaori o odiava por isso.
Odiava a forma como seu coração acelerava sempre que ele aparecia pelas ruas, lendo aquele maldito livro laranja como se não tivesse preocupação alguma no mundo. O pior de tudo era que Kakashi sequer parecia notar sua existência. Permanecia frio, distante e indiferente, completamente alheio ao fato de que ela era apaixonada por ele desde a infância, desde a primeira vez em que o viu.
Nunca houve espaço para conversas sinceras ou confissões. Kakashi jamais lhe dera abertura para isso.
Ainda assim, Kaori odiava perceber o quanto desejava tocá-lo. Odiava mais ainda saber que poderia fazê-lo amá-la se quisesse. Bastaria um impulso. Um comando emocional. Um pequeno empurrão em sua mente.
Mas amor falso era pior do que solidão.
Por isso, permanecia presa naquele limbo cruel entre sentir demais e nunca se permitir ultrapassar a linha.
Talvez aquele fosse seu verdadeiro castigo.
Kaori perdeu os pais ainda muito jovem, mas o destino não permitiu que ela enfrentasse o mundo sozinha. Havia Umino Iruka.
Os dois estudaram juntos na Academia Ninja, e os pais dele ajudaram Kaori inúmeras vezes após a tragédia que destruiu sua família. Cresceram praticamente juntos, como irmãos. A amizade entre eles era o laço mais puro de amor e carinho que Kaori conhecia.
Mais tarde, ao começar a trabalhar no hospital, também encontrou em Akira uma amizade inesperada. A recepcionista compartilhava com ela o humor ácido, a insatisfação com a monotonia da rotina e o azar quase cômico no amor.
Além dos laços humanos, Kaori possuía seu contrato de invocação. Suas criaturas eram, em sua maioria, pequenas mariposas translúcidas, delicadas e silenciosas. Mas havia duas pelas quais nutria um carinho especial: Terucho e Hearicho, mariposas gigantescas, grandes o bastante para carregar até duas pessoas sobre suas costas.
E assim seguia a vida de Nokata Kaori.
Em um mundo onde Uzumaki Naruto sonhava em se tornar Hokage enquanto carregava uma Bijuu selada dentro do próprio corpo, Kaori apenas tentava sobreviver aos próprios sentimentos e se provar uma ótima kunoichi sem precisar adulterar os sentimentos de ninguém.