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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-03-29
Words:
2,940
Chapters:
1/1
Kudos:
15
Hits:
186

Kriptonita

Summary:

Quando Superman invade o escritório de Bruce Wayne, não é para pedir ajuda ou relatar uma ameaça. É para tomar o que sempre quis.

Obs : Contém gatilhos

Work Text:

Bruce Wayne havia acabado de se livrar da última reunião do dia, dispensado a secretária e trancado a sala.

 

O silêncio finalmente reinava.

 

A cobertura da Wayne Enterprises parecia isolada do resto do mundo — vidro, aço e altura suficiente para fingir que nada lá embaixo realmente importava. Bruce afrouxou o nó da gravata com um movimento breve, já caminhando em direção ao bar.

 

Serviu-se sem pressa.

 

Uísque caro. Antigo. Intocado até então.

 

Girou o copo entre os dedos, observando o reflexo distorcido das luzes da cidade no vidro e no líquido âmbar.

 

Um raro momento de pausa.

 

Então o impacto.

 

O som de vidro estilhaçando explodiu pela sala antes mesmo que seu cérebro processasse o que estava acontecendo. A janela simplesmente cedeu, fragmentando-se para dentro com violência.

 

Bruce reagiu por instinto.

 

O copo escapou de sua mão, quebrando-se no chão com um estalo seco, o líquido se espalhando sem ter sido provado.

 

E lá estava ele.

 

Flutuando sobre os cacos de vidro.

 

Superman.

 

— Que porra é essa, Clark?! — Bruce rosnou, ainda recuperando o equilíbrio, o susto rapidamente substituído por irritação.

 

Seus olhos já analisavam tudo. Postura. Respiração. Expressão.

 

Errado. Tudo errado.

 

— Você esqueceu onde é a porta? — continuou, a voz cortante. — Ou decidiu que identidade secreta agora é opcional?

 

Clark não respondeu. Apenas o encarou, o semblante fechado, indecifrável.

 

Aquilo não era normal. Não nele.

 

Bruce sentiu um frio estranho percorrer a espinha, sutil, quase imperceptível — mas suficiente. Seu corpo já reagia antes mesmo que a mente terminasse de organizar os fatos.

 

Algo estava absolutamente errado.

 

Eles eram aliados, claro. Mas Bruce não era um homem que se permitia esquecer o óbvio. Nunca foi. Não importava quantas vezes lutaram lado a lado, quantas vezes confiaram um no outro em campo.

 

Superman ainda era a maior ameaça daquele planeta.

 

Sempre foi.

 

E Bruce sempre soube disso. Por isso existiam planos. Protocolos. Limites. Porque, se um dia Clark Kent deixasse de ser quem era, não haveria ninguém para detê-lo.

 

Exceto ele.

 

Bruce apertou levemente o maxilar.

 

Então era isso. Parecia que esse dia havia chegado.

 

Precisava distrair o alienígena e alcançar a kriptonita na gaveta de sua mesa. Simples no papel. Quase impossível na prática.

 

— Clark? — chamou novamente, mantendo a voz firme apesar da tensão que já endurecia seus músculos. — Eu te fiz uma pergunta. O que está acontecendo?

 

Superman não respondeu. Apenas pousou no chão de forma abrupta e, com uma lentidão carregada de uma imponência quase sufocante, começou a caminhar sobre os cacos de vidro em sua direção.

 

Cada passo soava alto demais. Pesado. Errado.

 

Bruce tentou recuar, mas não houve tempo. Num piscar de olhos, a distância entre eles deixou de existir. A mão de Clark fechou-se em seu pescoço com força absoluta, erguendo-o alguns centímetros do chão como se não pesasse nada.

 

O ar lhe faltou instantaneamente.

 

Os olhos azuis, agora frios e distantes, o analisavam como se ele não passasse de um objeto de estudo.

 

— Sabe quais são as ostras mais saborosas, Bruce? — perguntou Clark, a voz baixa, quase contemplativa, completamente fora de lugar. — As que dão mais trabalho para abrir.

 

Sem aviso, ele o lançou.

 

O corpo de Bruce foi arremessado contra a mesa, que se despedaçou sob o impacto. Madeira quebrou, gavetas se espalharam, papéis voaram em todas as direções. A dor foi imediata, violenta, arrancando o ar de seus pulmões.

 

Ainda assim, ele se moveu.

 

Ignorando o impacto, ignorando o corpo protestando, Bruce rolou entre os destroços, os olhos já procurando, calculando, encontrando.

 

Ali. Entre os estilhaços e documentos espalhados. O pequeno saco de veludo preto. A kriptonita.

 

Ele estendeu o braço, os dedos quase alcançando o objeto...

 

Porém uma bota ridiculamente vermelha pressionou sua mão contra o chão, interrompendo o movimento com força controlada, suficiente para causar dor, mas não para quebrar ossos. Ainda.

 

Bruce cerrou os dentes, suportando a pressão.

 

— Não tão rápido, Wayne.

 

A voz de Superman veio baixa, carregada de uma calma que tornava tudo ainda mais assustador.

 

E, naquele instante, Bruce entendeu com clareza brutal: Clark não estava fora de controle. Não havia manipulação, nem ataque inimigo dominando sua mente.

 

Ele estava lúcido. E estava escolhendo aquilo. Escolhendo atacá-lo. Escolhendo machucar.

 

Clark sorriu. Sádico.

 

— Hora de brincar, Batman.

 

— Não estou entendendo... — Bruce arfou, testando libertar a mão. — O que você quer?

 

Houve um breve silêncio. Denso. Pesado o bastante para fazer o ar que entrava pela vidraça quebrada parecer mais frio.

 

Clark inclinou levemente a cabeça, os olhos fixos nele como se avaliasse cada reação, cada respiração descompassada, cada tentativa inútil de escapar.

 

— Você.

 

O quê?

 

Bruce estava entendendo direito? Desde quando Clark se interessava por outros homens? Ele não tinha uma noiva? Lois… Lana? Os nomes se embaralhavavam na mente, fugindo justamente quando mais precisava de algo concreto para se agarrar.

 

— Você agora é gay? — questionou, forçando um tom sarcástico, mesmo com o medo transparecendo a cada sílaba.

 

Clark não se ofendeu. Não hesitou. Apenas sustentou o olhar. Quase predatório.

 

— Eu sou um alienígena, Bruce. Termos humanos não se aplicam a mim. Mas desejo — ele continuou, a voz baixando um tom — isso é universal. E neste momento, não há nada que eu deseje além de você.

 

— E se eu disser não?

 

— Não existe essa opção — rebateu Clark , friamente.

 

Ele retirou o pé da mão de Bruce e se abaixou ao lado dele, próximo demais, invasivo.

 

— Vamos fazer isso do jeito fácil… ou do difícil? — continuou, em tom baixo. — Tudo depende da sua colaboração.

 

Foi a abertura.

 

Bruce não hesitou.

 

Aproveitou o mínimo espaço, puxando o pequeno saco de veludo entre os destroços. Em um único movimento, abriu e lançou a kriptonita contra Clark.

 

O grito veio imediato. Agudo. Real.

 

Clark recuou por um instante.

 

Um único instante.

 

Foi o suficiente.

 

Com o que ainda lhe restava de força, Bruce Wayne se ergueu e correu em direção à porta do escritório, mas não chegou nem a tocar a maçaneta.

 

Um puxão violento em seu cabelo o travou no lugar. Seco. Brutal.

 

O impacto o fez prender a respiração por um segundo, o corpo inteiro tensionando.

 

— Que pena pra você… — a voz de Clark sussurrou ao pé do seu ouvido, ainda carregada de dor… mas firme. — Eu desenvolvi resistência. Vai ser do jeito difícil, então.

 

O sangue de Bruce gelou.

 

Sem qualquer aviso, foi pressionado contra a porta numa pressão brutal, mantido no lugar por uma mão pesada segurando-o pela nuca. A velocidade era inumana. A madeira de mogno estalou sob o impacto, e Bruce sentiu a vibração percorrer a espinha até os dentes.

 

— Clark!

 

Uma puxada violenta transformou suas calças em trapos. O tecido rasgou como papel molhado, e o vento frio que entrava pela janela quebrada tocou sua pele exposta em ondas que faziam seus músculos se contraírem.

 

— Clark, por favor… não — Bruce implorou, tentando se virar, encarar o outro homem, fazê-lo voltar à razão. Mas a mão na sua nuca o manteve imóvel, os dedos cravados com precisão cirúrgica no ponto exato que anulava qualquer tentativa de movimento.

 

Ele sentiu as próprias pernas sendo afastadas com um único movimento do joelho de Clark. Um gesto bruto, eficiente, que abriu seu corpo contra a porta e deixou claro, sem qualquer margem para dúvida, quem estava no controle.

 

O desespero tomou conta de seu corpo. Não o desespero calculado que ele usava como combustível para lutar contra inimigos — este era visceral, primário, a resposta de um animal que sabe que foi caçado. Ele tentou engolir ar, mas a garganta falhou; o pulso disparou, galopando contra as costelas enquanto seus olhos marejavam com a certeza cruel de que seria tomado de pé, à força ,contra a porta de seu próprio escritório, por alguém que ele havia aprendido a chamar de aliado.

 

A única mão livre de Clark — a que não o mantinha pressionado contra a porta — desceu por sua coluna. Lenta. Quase casual. Como se tivesse todo o tempo do mundo. Os dedos percorreram a curva da lombar, mediram a tensão nos músculos que tremiam sob o toque, e continuaram descendo.

 

Até um dedo grosso se infiltrar entre as nádegas fartas e pousar sobre a entrada tensa.

 

Bruce prendeu a respiração. A ponta do dedo não entrou — apenas pousou, sentindo a resistência, a pressão que Bruce já fazia instintivamente para fechar o que deveria estar sendo oferecido, como se pudesse negar acesso pelo puro esforço da vontade.

 

— Vai ser melhor se você relaxar — Clark disse contra sua orelha. A voz estava baixa, controlada, mas não havia doçura nela. Era uma instrução. Uma ordem. O mesmo tom com que se diz a um refém que entregar a carteira vai ser menos pior.

 

Bruce rangeu os dentes. A mandíbula travou com tanta força que ele sentiu o dente molar ameaçar lascar.

 

— Eu não vou… Eu não vou deixar você…

 

— Vai. Você vai, Wayne. — O dedo pressionou um pouco mais, apenas o suficiente para Bruce sentir a ameaça do que estava por vir. A entrada cedeu por um milímetro, e o ar escapou dos pulmões de Bruce num soluço que ele tentou disfarçar. — Porque se não relaxar, vai doer.

 

A mão na nuca apertou, girando o rosto de Bruce contra a madeira fria. A bochecha amassada, a visão periférica captando o reflexo obsceno dos dois no que restou da vidraça — Clark de pé atrás dele, as roupas intactas, o símbolo no peito brilhando como um farol de esperança enquanto suas mãos faziam algo que nenhum inimigo jamais ousara.

 

— E você não quer que doa — Clark continuou, o hálito quente varrendo a orelha de Bruce, e havia agora um tremor na voz que não estava ali antes, algo que vacilava na borda entre controle e perda. — Eu também não quero. Mas se você ficar assim…

 

O dedo recuou. Voltou a apenas pousar, molhado, escorregadio. A ameaça suspensa.

 

— …vai ser do jeito que eu não quero.

 

Bruce fechou os olhos. Sentiu o peso do próprio corpo contra a porta, os farrapos das calças enrolados nos tornozelos, o frio na pele exposta, o calor do dedo que não entrava nem saía. Sentiu o medo que ainda tremia em suas pernas. E sentiu, embaixo dele, algo que demorou anos para nomear.

 

Desejo. De ser dominado. Exatamente assim.

 

Abriu os olhos.

 

— Não vai doer? — perguntou. A voz saiu mais baixa do que pretendia, mas não havia hesitação nela.

 

Clark balançou a cabeça. Lento.

 

— Não se você deixar.

 

Bruce sustentou o olhar por um longo momento. Depois, muito devagar, forçou os ombros a caírem. Forçou os músculos das costas a cederem.

 

— Assim — Clark murmurou, e agora a voz era outra. Não ordem. Não ameaça. Era promessa. — Assim, Bruce. Não vai se arrepender

 

O dedo entrou. Escorregadio. Certo.

 

E Bruce deixou.

 

Não houve contração voluntária. Não houve resistência. Apenas a rendição silenciosa de um corpo que finalmente parou de lutar contra o que já estava decidido.

 

Clark moveu o dedo com uma lentidão calculada. Não era carinho. Era demarcação de território. Cada centímetro percorrido com a precisão de quem sabia exatamente onde pressionar, onde parar, onde fazer aquele corpo de aço e tensão finalmente ceder.

 

— É assim que você fica quando para de pensar? — Clark perguntou contra sua orelha, a voz baixa, quase admirativa. — Mole. Aberto. Esperando.

 

Bruce não respondeu. A mandíbula ainda estava travada, os olhos fixos em algum ponto indistinto da porta de mogno. Mas o corpo falava por ele — os ombros caídos, os quadris imóveis, a abertura cedendo cada vez mais ao movimento lento e implacável do dedo que o explorava.

 

Clark inseriu um segundo dedo.

 

Bruce arqueou as costas, um som preso na garganta — não dor, não prazer, algo entre os dois que ele não tinha nome. A cabeça caiu para frente, a testa encostando na madeira fria.

 

— Olha para mim — Clark ordenou.

 

Bruce não se moveu.

 

A mão na nuca apertou, puxando seu cabelo com força suficiente para erguer seu rosto, forçando-o a olhar para o reflexo no vidro quebrado. Os dois estavam ali — Clark de pé atrás dele, as roupas intactas, o símbolo no peito brilhando, Bruce de calças rasgadas nos tornozelos, o rosto marcado pelo impacto contra a mesa, os olhos marejados, a boca entreaberta.

 

— Olha — Clark repetiu, os dedos parados dentro dele, imóveis, esperando. — Olha o que você é agora.

 

Bruce encarou o próprio reflexo. O homem no espelho não era o Batman. Não era Bruce Wayne, o bilionário. Era alguém que ele nunca tinha visto — vulnerável, exposto, os lábios trêmulos, o peito arfando sob a camisa amassada.

 

— Bonito — Clark murmurou, e havia verdade na voz. Não deboche. Não crueldade. Apenas constatação. — Você é bonito assim. Desfeito.

 

Os dedos se moveram novamente. Lento. Fundo. Encontraram o ponto que fez os joelhos de Bruce falharem, um gemido escapando antes que ele pudesse abafá-lo.

 

— Aí — Clark disse, e agora havia um sorriso na voz. — Aí, né?

 

Bruce mordeu o lábio com tanta força que sentiu o gosto de sangue. Os dedos dentro dele não paravam, massageavam aquele ponto com uma precisão cirúrgica, desfazendo qualquer resquício de controle que ele ainda tentava manter.

 

— Você vai gemer para mim — Clark ordenou, a voz mais firme agora,de volta ao tom gelado de comando. — Vai gemer e vai pedir. Porque agora você é só o que eu quiser que você seja.

 

Bruce balançou a cabeça contra a porta, um movimento fraco, quase imperceptível.

 

— Não?

 

Clark riu. Baixo. Contra sua orelha.

 

— Vamos ver.

 

Os dedos saíram. Bruce ofegou com a perda, o corpo tremendo, a entrada pulsando vazia. Antes que pudesse processar, ouviu o som da abertura da calça de Clark, sentiu o pau pesado contra sua entrada — mais grosso que os dedos, mais quente, pulsando.

 

— Por favor — Bruce sussurrou, a palavra escapando antes que ele pudesse impedir. Não sabia se estava pedindo para parar ou para continuar.

 

Clark pressionou. Apenas a ponta, apenas o suficiente para Bruce sentir o que estava por vir.

 

— Por favor, o quê?

 

— Por favor… coloca.

 

Clark empurrou.

 

Não foi lento. Não foi gentil. Foi um movimento contínuo, implacável, que abriu Bruce centímetro por centímetro, sem pausa, sem hesitação. O grito que Bruce soltou foi abafado contra a porta, os dedos arranhando a madeira, o corpo inteiro tensionado em arco.

 

Clark parou quando a base tocou suas nádegas. Esperou. A respiração de Bruce era um soluço contínuo, os músculos se contraindo em espasmos involuntários ao redor da intrusão.

 

— Relaxa — Clark disse, e agora a voz estava mais rouca, menos controlada. A mão na nuca escorregou para seu ombro, segurando-o firme. — Você pediu. Agora aguenta.

 

Bruce tentou. Forçou os músculos a cederem, centímetro por centímetro, o ar escapando em pequenos gemidos que ele não conseguia mais abafar. Sentiu Clark pulsar dentro dele, sentiu o calor se espalhar, sentiu o corpo se abrir como nunca havia se aberto para ninguém.

 

Clark moveu-se. A primeira estocada foi curta, um teste. Bruce arqueou as costas, um gemido longo escapando. A segunda foi mais funda. A terceira, mais rápida.

 

E então Clark encontrou o ritmo.

 

Não era apenas sexo. Era dominação.

 

Cada movimento era uma afirmação — de força, de controle, de posse. As mãos de Clark seguravam seus quadris com força suficiente para deixar marcas, puxando-o contra cada estocada, fazendo com que cada impacto reverberasse pela madeira da porta.

 

Bruce havia perdido qualquer capacidade de conter os sons que escapavam. Gemidos roucos, palavras soltas que ele não reconhecia como suas, súplicas que se misturavam a ofensas que morriam antes de completar.

 

— Escuta — Clark ofegou contra sua orelha, a voz trêmula agora, o controle escorrendo pelos dedos. — Escuta como você geme para mim.

 

Bruce ouviu. Ouviu a própria voz, irreconhecível, ouviu o som dos corpos se encontrando, ouviu a porta rangendo sob o impacto. Ouviu tudo.

 

E em vez de vergonha, sentiu algo se soltar dentro dele. O último freio. A última barreira.

 

Ele se entregou.

 

Os braços cederam. O peito colou na porta. O rosto virou para o lado, ofegante, os olhos semicerrados.

 

— Isso — Clark murmurou, as mãos escorregando para seus ombros, puxando-o contra cada movimento, mais rápido, mais fundo. — Isso, Bruce.

 

O orgasmo veio sem aviso. Bruce gritou — um som rouco, descontrolado, que ecoou pela sala destruída enquanto seu corpo se contraía em espasmos violentos. Clark segurou seus quadris com força brutal, enterrado até a base, e Bruce sentiu o jato quente dentro de si, sentiu Clark gemer contra sua nuca, sentiu o corpo do kryptoniano tremer atrás do seu.

 

O silêncio que veio depois foi denso.

 

Bruce ficou onde estava, colado na porta, as pernas tremendo, o peito arfando. Sentiu Clark se apoiar nele por um momento, a testa encostada em sua nuca, a respiração pesada.

 

Quando Clark se moveu, Bruce sentiu o vazio imediatamente. Um gemido baixo escapou, involuntário.

 

Clark o virou com cuidado agora, com uma gentileza que contrastava com tudo que havia acontecido. Bruce ficou de costas para a porta, os farrapos das calças ainda nos tornozelos, a camisa aberta, o rosto marcado de hematomas e lágrimas.

 

Clark olhou para ele por um longo momento. Os olhos azuis não estavam mais frios. Havia algo ali que Bruce não sabia nomear — algo que parecia medo.

 

— Você está… — Clark começou, a voz hesitante pela primeira vez.

 

— Estou bem — Bruce cortou. A voz estava rouca, mas firme.

 

Clark abriu a boca para dizer algo, mas Bruce ergueu a mão, pousando-a no símbolo do S no peito de Clark.

 

— A janela — Bruce disse, a respiração ainda irregular, um sorriso cansado nos lábios —, você vai pagar.

 

Clark piscou. Depois, lentamente, sorriu. Não o sorriso predador de antes. Algo menor. Mais humano.

 

— Pode descontar do meu salário no Planeta. Mesmo que a ideia dessa cena tenha sido sua.

 

Bruce bufou — um som que podia ser riso ou desdém.

 

— Você vai trabalhar sem salário por um tempo bem longo, Kent.