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Maldita testosterona

Summary:

Minho sai com um amigo. Jisung vê uma oportunidade de finalmente ter um orgasmo — o que vem sendo frustantemente difícil desde que começou com as injeções de testostena. Um objetivo simples, certo? Isso até Minho decidir voltar para casa mais cedo.

Notes:

Escrevi isso meio bêbada à 1 da manhã tentando superar um bloqueio criativo. Sejam compreensivos.

Auto defesa a parte, alguns avisos: Tentei relatar a experiência de uma pessoa trans com o máximo de verossímilhança possível. Apesar do uso de termos como "buceta", "clitóris" e etc. Não há intenção de feminilizar Jisung em nenhum momento, são sempre pronomes masculinos a serem usados para se referir a ele.

Para ser bem sincera, isso é 95% PWP e 5% enredo emocional.

Boa leitura!

Chapter Text

Jisung geme. O dedo indicador se movendo para cima e para baixo em seu clitóris sensível, muito mais pressão do que ele normalmente usa, quase dolorido e, ainda assim, insuficiente. Ele fecha as pernas, apertando a própria mão entre as coxas, mas nem um segundo depois as abre novamente. A vagina descaradamente exposta, o ar contra suas dobras úmidas só serve para fazer mais líquido escorrer.

O lubrificante provavelmente mancha o sofá abaixo de si, mas ele já passou do ponto de se importar com isso. Jisung tenta abrir ainda mais as pernas, separando os lábios com dois dedos e aumentando os estímulos com a outra mão. Ele deixa sua cabeça cair contra o encosto do sofá. Sentindo-se frustrado a ponto de chorar, o relógio na parede marca três da tarde. O que significa que ele já está nisso há mais de meia hora, e nada, nem um mísero sinal de que ele esteja perto do clímax. 

Apenas cãibras de tanto contrair os músculos. Até mesmo seu pulso já está doendo. Jisung interrompe seus movimentos. Maldito hormônio. Tomar testosterona foi uma das melhores escolhas da sua vida? Sim, sua voz está mais grossa, uma barba por fazer começa a aparecer em seu rosto... Ele se sente muito bem. Mas alguém podia ter avisado que ele nunca mais ia conseguir ter um orgasmo. Porra. Ele já tentou tudo, tudo que dava. Encontros de uma noite, seções longas de masturbação que geralmente o teriam feito gozar pelo menos três vezes... Ele até se rendeu a vergonha de comprar num sexshop — online... e ninguém mais sabe, mas ainda assim. E nada funciona.

Jisung se joga sobre o sofá, sem se preocupar em vestir o fino short de algodão jogado em algum lugar no chão da sala. Seu clitóris está pulsando, vermelho e inchado pelo estímulo prolongado. Mais de meia hora. Jisung realmente se sente prestes a chorar. Não é justo. A injeção o deixa excitado como nunca, e ele não consegue se aliviar de jeito nenhum. 

Jisung pega uma garrafa d'água, que estava aos pés do sofá, tomando um grande gole. E então pega o controle da TV, colocando um dos animes que começou recentemente. Mas não dura. Mal se foi meio episódio, e em algum momento uma das almofadas viajou para o meio das pernas dele. Suas coxas esmagam a almofada, que está suja e molhada. Os pequenos movimentos para frente e para trás exigem muito esforço e a recompensa é pouca, o atrito dolorosamente insuficiente. 

Pequenos suspiros deixam seus lábios. Ele se vira lentamente até estar deitado de costas, empurrando a almofada e esticando uma das pernas para repousar sobre o encosto do sofá. Enquanto a outra escorrega para o chão. Deixando-o o mais aberto que consegue. Uma das mãos viajando para baixo. A mão desce pelo peito, pela barriga, está quase onde ele precisa... Até que o som da porta se abrindo o faz pular. Se apressando para pegar a manta fina no braço do sofá e estender sobre sua metade inferior.

Jisung está ofegante, vermelho e, mesmo que já seco, suas mãos estão cobertas de líquido viscoso. A porta se fecha com uma batida. E logo o som de passos se aproximando faz Jisung apertar mais as pernas juntas, olhando para a TV como se realmente estivesse assistindo alguma coisa. Ele vê Minho — que só deveria chegar à noite — se aproximando. Ele mal tem tempo de pensar em dizer alguma coisa, antes que Minho se jogue em cima dele com um gemido. O que estaria tudo bem, normalmente está tudo bem, mas hoje ele não está vestindo nada, e manchou o sofá de lubrificante... e é bem provável que esteja manchando a manta também, que está dobrada entre suas coxas. 

O tecido áspero não dando um segundo sequer de trégua, ainda mais com o peso adicional de Minho em cima dele agora.

— Hyung.

Sua voz está muito diferente do que estaria se fosse um dia normal. Em que ele estaria suspirando e repreendendo Minho por fazê-lo aguentar seu peso. É quase uma súplica. Minho não deveria estar aqui, onde pode descobrir toda a situação vergonhosa em que Jisung se encontra.

— Ahhh, Sungie. Deixe seu pobre hyung descansar por um momento. 

Jisung está prestes a protestar... Mas não sabe como. Qualquer coisa que diga vai parecer suspeita, ele não pode se levantar, porque sua falta de roupas ficaria evidente. E pedir para Minho sair da sala seria óbvio. Jisung morde a parte interna da bochecha. Sentindo seu rosto ficar mais quente. Sua vagina traidora libera outro jato de lubrificação. 

Ele não tem muitas opções... Mas Minho marcou de sair com Seungmin hoje, estudos ou algo assim, eles vão às dezoito horas. Agora já são quinze horas, ele com certeza pode aguentar até Minho precisar ir. 

— Hyung, você está me esmagando. — Minho solta um suspiro brincalhão, mas se move para sentar na outra ponta do sofá de três lugares. Certo, um problema a menos.

— Vamos assistir alguma coisa. — Minho diz e Jisung prontamente entrega o controle para ele, ignorando como o tecido entre suas pernas pinica seu clitóris com o movimento. 

Eles escolhem um filme, um filme com vários tiroteios, muito previsível e pouquíssima trama. Jisung solta um suspiro de alívio. Ele pelo menos vai conseguir disfarçar o quão dividida está sua atenção. Minho, ao contrário, parece entretido, pelo menos o suficiente para não notar como Jisung às vezes puxa a coberta para cima, o mais sutilmente que consegue. Mesmo com o gosto amargo da culpa na boca, a pressão é incrível com aqueles pequenos puxões. Ele está excitado há mais de uma hora, que o processem!

Isso é claro, até Minho começar a puxar insistentemente a ponta da coberta.

— Sung, eu quero me cobrir também. — Ele diz com mais um puxão. Desviando os olhos da TV quando Jisung segura com mais força. 

— Ahh, certo. Desculpe.

Jisung, hesitante, permite que a coberta saia do meio das suas pernas. Rezando a qualquer divindade que não tenha absorvido a umidade, ou que ao menos Minho não perceba nada de diferente. Agora os dois estão debaixo da mesma coberta, Jisung consegue sentir a calça de Minho pressionando alguns pontos nas suas pernas nuas. Um dos pés do mais velho encostado na junção do quadril e da coxa. Perto demais de descobrir que Jisung está praticamente nu, dividindo o sofá e a coberta com ele.

O filme continua passando, mas Jisung permanece distraído. Com o coração acelerado. Minho também não deveria estar prestando muita atenção, porque de repente, ele fala:

— Un? Por que a almofada está no chão? — Minho começa a se mexer, se estendendo para pegá-la. 

Jisung vê sua vida passar diante de seus olhos. Todos aqueles anos de amizade, reprimindo seus sentimentos pelo mais velho, só para acabar com tudo por causa de uma masturbação, e ele nem gozou. Jisung sente seus olhos começarem a umedecer, Minho vai o achar nojento? Uma pessoa horrível? Que se masturba na sala de estar e deixa seu melhor amigo dividir uma manta com ele sem que o amigo saiba que ele está sem roupa?

Minho pega a almofada e distraidamente a coloca embaixo do braço, sem pensar muito. Isso faz Jisung se sentir horrível. A almofada está grudenta de lubrificante seco e nojenta. E ele também está nojento naquele sofá, mentindo para Minho.

— Hyung. — Minho olha para ele. — Desculpa.

— An? Por quê? — O rosto de Minho se contorce em uma carranca de confusão. 

— Não estou usando calça... Nem cueca. — Jisung sente os olhos arderem, ele é nojento.

— O que? — E a represa se rompe.

— Me desculpa, é que você não devia chegar cedo e eu tomei uma injeção de testosterona hoje e você sabe como elas me deixam e você não estava em casa então achei que não ia ter problema... usar... o sofá. — Jisung está sem ar, mas Minho permanece quieto. — Desculpa, eu não pensei direito, eu já estava na sala e eu estava com muito, muito, tesão mesmo. Desculpa, isso é nojento, eu não devia ter feito isso e-

— Jisung. — Minho está vermelho, tão vermelho quanto Jisung sente que seu rosto está. — Éé, está... Tudo bem... An, eu sei que... as injeções podem ser... Tudo bem. Não tem problema. — Minho engole seco, franzindo as sobrancelhas. — E você não é nojento.

— É que é... é tão difícil. — Jisung passa as mãos pelos cabelos com força, ele e Minho falam sobre tudo, mas sexo é um assunto que eles geralmente evitam. — Eu me sinto bem com os hormônios, até ficou mais fácil acompanhar Chan e Changbin na academia agora. É só... Eu não consigo mais... gozar — A última palavra não passa de um murmúrio, Jisung enterra o rosto nas palmas, completamente vermelho.

— Ann, eu li... sobre isso... é bem comum, na verdade. 

— Você leu sobre... — Jisung lambe os lábios. — Dificuldade de... chegar... lá?

— O que? Não! — Minho parece realmente mortificado agora. — Eu li sobre os efeitos de injeção de testosterona!

Um calor diferente do da excitação percorre o estômago de Jisung. Um que ele já quis que desaparecesse antes, que ele já vem escondendo de Minho há muito tempo. Minho não se envolve em relacionamentos, não duradouros... e não com ele. Eles são amigos e só isso. E mesmo que não fossem, Jisung nem é o tipo de Minho. Não que ele ache que Minho tenha algum problema com a ausência de um pênis entre suas pernas, é só... Minho gosta de homens mais... Jisung simplesmente não é o tipo dele. Ele sabe disso, aceitou isso anos atrás.

O silêncio depois dessa frase é desconfortável. O que é raro entre eles, mas não um desconforto horrível. Apenas, como se Minho tivesse mais a dizer e Jisung, pela primeira vez em tempos, não tivesse ideia do que é. Os lábios de Minho se abrem e fecham algumas vezes, alguns suspiros que quase viram sílabas deixam sua boca, mas nunca palavras completas.

Até que Minho se vira para ele, por inteiro, até mesmo seu corpo. Com um olhar determinado e a mandíbula cerrada.

— Eu poderia te ajudar. — Jisung congela, sua entrada se contrai ao redor do nada com a insinuação. Parece tudo um sonho, um delírio da sua mente privada de alívio sexual. — Quer dizer... Como amigo... Só sexo. Podia... ser bom para nós dois.

Seu coração — traidor — erra uma batida. Talvez por um breve instante, Jisung tenha pensado que Minho poderia retribuir seus sentimentos. De alguma forma. Claro que não. Ele deveria recusar, soltar uma risadinha e levar na brincadeira como todos os outros flertes entre eles. Mas, se for totalmente sincero consigo mesmo, ele não quer. Ele quer deixar Minho o beijar, passar as mãos pelo seu corpo e abraçar o mais velho. Mesmo que seja só sexo. Ele pode fingir que não é.

— Tudo bem... Eu, ahem, aceito sua ajuda.