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Characters:
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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2026-01-29
Words:
974
Chapters:
1/1
Comments:
3
Kudos:
12
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1
Hits:
137

One Last Kiss

Summary:

Henri sempre achava que tudo ficaria bem desde que estivesse com Aguiar. Aguiar sempre achava que tudo ficaria bem desde que estivesse com Henri.

Amar um ao outro era como um alcoólatra amando bebidas.

(Não sei usar tags, mas tem violência, relacionamento tóxico e vícios)

Notes:

Espero que gostem.

Work Text:

Uma noite fria e silenciosa, cortada pelo som das botas do delegado. Ele pisou em uma poça e a xingou por isso, ele procurou a chave da caminhonete dentro dos bolsos mas tudo que encontrou foi um folheto velho e rasgado de um bar que costumava ir. Aguiar se perguntou há quanto aquilo estava ali, e ficou ainda mais curioso se o estabelecimento estava aberto.
O homem ouviu uma risada, o que não seria estranho se fosse de dia. Mas não era. Ele encarou o relógio de pulso e percebeu já passar de uma da manhã, quem estaria rindo? Os drogados costumavam ficar longe da delegacia onde trabalhava e Jonas não tinha paciência para afugentar adolescente. Ele respirou fundo e seguiu o som da risada, mas não havia adolescente algum. Era um homem? Ah, com certeza era. Pelo menos vinte e oito anos, rindo sozinho em uma praça… O delegado colocou a mão por cima do coldre e se aproximou sem anunciar presença, apenas para vê-lo segurando alguns quadrinhos que o mais velho reconheceu, ele estava lendo as HQ’s de Batman.

— Meio tarde, não? — O homem de cabelo comprido parou de rir e se virou para trás, ele não se assustou, mas parecia surpreso.

— Você é policial? — A iluminação do lugar quase baldio não ajudava o rapaz com apenas um olho e quase cego. — Não tô fazendo nada de errado!

— Vim checar isso, qual o seu nome? — Os ombros do homem se encolheram com a voz do delegado, talvez receio, medo, algo a esconder.

— Henri, não tenho sobrenome. Tô sem documento também. — Aguiar arqueou as sobrancelhas com a resposta, deixando um riso nasal escapar. Desbocado demais para um trombadinha lendo revistas geek de madrugada.

Aguiar ia seguir seu caminho, de qualquer forma Henri não representava perigo com uma HQ e dois bottoms de Superbat na jaqueta. Mas antes que se virasse em silêncio o moreno falou novamente:

— Eu conheço esse bar! — Apontou para o folheto ainda na mão do maior. — Tá livre agora, policial? — Ele teria piscado se ainda tivesse o olho que sabia flertar.

Contrariando tudo que deveria fazer, ele tirou a mão do cinto e se virou a Henri.

— Estou.

 

E eles foram até esse bar, afinal, ele estava de folga no dia seguinte e não bebia fazia semanas. Henri bebia muito, mas ele era mais falante sem o álcool. Henri gostava de cerveja, apesar de só beber blood mary. Henri não tinha família, mas agia como o irmão do meio que foi rejeitado. E andando lado a lado perto de um beco às quatro da manhã, Henri não hesitou em puxar o colarinho da camisa social do delegado e o beijar mesmo com ambos cheirando a bebida alcoólica e cansados demais para pensar que se conheciam há poucas horas.

 

 

Diferente do que pensava, Henri não foi embora.

 

— Porra, Henri! — O policial gritou ao abrir a porta e ver o namorado desmaiado no tapete com vômito em volta e uma garrafa do outro lado da sala. Aguiar se cansou daquilo depois da terceira vez, não suportava ter que dar banho nele e ouvir promessas bêbadas de que não aconteceria de novo.

Henri acordou perdido, olhou para o lado e sentiu o cheiro ardido do próprio vômito, ele colocou a única mão sobre a boca e levantou correndo para terminar de colocar tudo pra fora no banheiro. Não olhou para trás, não olhou para Aguiar, não pediu desculpa horas depois quando acordou de verdade.

— Vou chegar mais tarde hoje, não me espere acordado. — O delegado avisou jogando uma nota de cinquenta em cima da mesa, o suficiente para Henri comer alguma coisa. — Bom, não é como se você me esperasse mesmo.

O homem mais novo agarrou o copo de vidro em cima da mesa e jogou contra Jonas, este que nem reagiu, Henri estava bêbado demais naquele momento para conseguir mirar corretamente e Aguiar estava cansado demais para lidar com mais um de seus surtos.

— Vai se foder! Eu vou embora! — Mas ele nunca ia. Bom, já tentou uma vez… Mas voltou depois de três ligações do delegado e algumas lágrimas. Mas continuava ameaçando todos os dias, ir embora, engolir alguma lâmina que Aguiar tivesse esquecido no banheiro do quarto deles, mas ele nunca cumpria de fato.

— Você vai ficar aqui e vai comer alguma coisa enquanto eu não volto, você está me escutando? — Jonas agarrou o rosto dele, obrigando-o a ficar no lugar, ouvindo enquanto sentia o maxilar doendo pelo aperto. — Me responde, caralho!

— Tá! Tá… Só vai embora logo, porra. — Tentou se libertar do aperto, só conseguindo sair quando foi empurrado contra a parede branca. Ele deu o dedo do meio antes de agarrar a nota vendo o namorado sair pela porta, lágrimas caindo pela pele tatuada enquanto o mesmo caía no chão, escorado na parede.

 

 

— Hm… Ahn, porra, Aguiar! — Ele gemeu em baixo do corpo grande que o prensava contra o sofá, ele não se importava com as reclamações constantes dos vizinhos ou o namorado o mandando calar a boca a cada poucos minutos.

Eram nessas horas que Henri esquecia quando brigavam, era depois disso que o mais velho cuidava dele e dizia o amar mesmo depois de jogarem louças um no outro. Depois de Jonas o expulsar do apartamento ou ir embora e deixá-lo sem comer durante alguns dias.

— Henri… Vira. — O tatuado obedeceu sem pestanejar, olhando por cima do ombro e por alguns segundos imaginando ver o delegado perfeitamente, como queria desde que o conheceu. Aguiar segurou o rosto dele com carinho e se abaixou, beijando seus lábios como se fosse um último beijo. — Eu te amo.

Porque Aguiar o amava, o amava como um alcoólatra ama bebida.

— Eu te amo, muito…

E porque Henri o amava, o amava como um cristão adorando sua estatueta.

E porque um precisava do outro como alguém precisa de uma perna quebrada.