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Melhor que eles (porque estou com você)

Summary:

Jasper subiu de patente muito rápido dentro da Ordem o que causou inveja em Remi, que o odeia com todas as forças, odeia ver que ele é realmente bom, que seja realmente melhor e que tenha subido tão rápido. Por isso invade a sala de Veríssimo e lê seus arquivos, é como descobre o trauma de Jasper. No dia da fatídica missão, ele vê a equipe voltando e Jasper completamente catatônico, ele precisa ser levado pra área hospitalar, com todos dizendo que ele falhou, que não conseguiu ajudar quando mais precisava.

Remi então é o único que sabe sobre o trauma da água e o único que pode ajudar.

Ou, como seria se Remi e Jasper tivesse se conhecido antes do Hexatombe.

Notes:

Quando li nos textos q o Celbbit mandou pros players que o Jasper subiu rápido na Ordem e que o Remi tinha ódio de quem subia antes dele, logo pensei é isso, o Remi odiava o Jasper. Mas não consegui parar de pensar que eles também combinam muito então e se do ódio tivesse nascido um sentimento de importância?

Work Text:

22 anos, aquele infeliz tinha 22 anos, era uma criança, Remi estava sendo desbancado na Ordem por uma criança!

Aquilo era inadmissível, inacreditável!

Remi já tinha cerca de 6 anos dentro da organização, tinha sido recrutado pelo próprio Senhor Veríssimo, treinava com o próprio líder por mais que o odiasse, era mais velho e excelente em tudo que fazia e então havia aquele garoto que com 22 anos, 5 anos de Ordem, já era de uma patente maior que a de Remi.

E a pior parte de tudo aquilo era que Jasper parecia ter a mesma opinião que Remi, de que não merecia nenhum dos prêmios ou gratificações, que não fazia mais que sua obrigação como agente.

Aquele garoto não fazia sentido algum! E era por isso que Remi tinha invadido a sala de Veríssimo e revirado os arquivos até encontrar o de Jasper e qualquer explicação de porque aquela criança era tão boa em tudo que ele queria ser.

Demorou mais do que queria, os dedos da prótese não eram tão rápidos quanto queria nos arquivos, mas conseguiu encontrar a ficha de Jasper A. Ele não usava o sobrenome, o que já fazia Remi questionar suas relações familiares. Apesar de que, logo encontrou suas respostas.

Nascido em uma cidade no interior do Paraná no ano 2000, Jasper foi usado como fonte de Medo pelos pais durante toda a infância, junto da irmã mais nova Elisa, para servir a um culto de Sangue. Com 16 anos, ele matou os próprios pais numa reação explosiva de medo e ódio, e por fim ainda ajudou a equipe da Ordem enviada para resolver o caso.

No fundo, Remi não estava tão surpreso de Jasper ser um prodígio.

A surpresa foi quando continuou lendo os arquivos e encontrou um laudo psicológico. Haviam diversas páginas assinadas pelo psicólogo da Ordem alegando um quadro grave de depressão com episódios de catatonia e fobia extrema de água. Uma nota a mão informava que Jasper se recusava a falar sobre os motivos do trauma mas que não era difícil perceber que um dos métodos utilizados pelos pais pra gerar medo era afogamento.

Remi guardou a informação para quando precisasse derrubar Jasper.

Ele não fazia ideia de que acabaria usando a informação mais cedo do que imaginava e que não seria pra derrubar, mas sim segurar Jasper para que não caísse.

---

Remi soube assim que o grupo da missão voltou que havia algo muito errado.

Estava na área comum da sede da Ordem algumas horas depois do retorno quando ouviu os comentários.

- Que tipo de prodígio é esse? Matou o próprio companheiro de equipe.

- Quero só ver o que o Veríssimo vai falar. Mandou buscar o menino pra dar uma dessa.

- É isso que dar confiar em criança, eles acham que o Paranormal é brincadeira.

- Do que vocês estão falando? - ele não se conteve mais e perguntou ao grupo, franzindo a testa e ocupando um dos lugares na mesa

- Que surpresa você não saber, Remi - a mulher entre os três falou em tom de deboche - Você geralmente é tão bem informado..

- Anda, o que aconteceu?

- Aquele branquelo do Paraná, o tal prodígio do Veríssimo saiu em missão e deixou um dos companheiros morrer.

Jasper… estavam falando dele, Jasper tinha deixado o companheiro morrer. Jasper já podia sair em missão? Aquilo era tão injusto!
Foco, Remi!

- Estão falando que ele só assistiu enquanto o Rafael morria. Pelo que ouvi eles estavam investigando uma casa usada em rituais. Encontraram uma Mulher Afogada e ele não ajudou.

- Eu ouvi que ele fugiu também, foi chamar o resto da equipe.

- E porque não lutar de uma vez? Se ele lutasse, o Rafael teria tempo de escapar. Dois contra uma só.

- A questão é que ele não fez nada e perdemos um bom agente por causa disso!

- Tem notícias do funeral? - Remi conseguiu perguntar, mas sua mente só conseguia repetir "Mulher Afogada", ele sabia porque Jasper não tinha feito nada

- Conseguiram recuperar parte do corpo - a mulher falou com pesar - Vão enterrar amanhã, mas o moleque não vai.

- Como assim?

- Ele entrou em estado de choque, sei lá, voltou todo esquisito, calado e sem reagir. Ta na ala médica.

- Um fracote! - o mais velho entre os agentes exclamou - Não consegue lidar com as merdas que faz. Nem deveria ter entrado pra Ordem.

- Obrigada pela informação - Remi se levantou e saiu da mesa, a cabeça cheia de Jasper, carregando o fardo de ser o único que entendia

Ninguém na Ordem sabia e nem ele saberia se não tivesse invadido a sala de Veríssimo. Ninguém sabia que Jasper tinha pânico de água, que tinha sido torturado pelos pais e que tinha laudo psicológico.

Ninguém sabia da depressão que se manifestava em catatonia ou de seu sofrimento silencioso, ninguém sabia que aquele era seu jeito de lidar com os problemas, que depois de todo o trauma, o cérebro dele se desligava para não precisar lidar com nada.

Remi sabia, carregava o fardo de saber, de ser talvez o único que sabia e talvez não pudesse mudar a opinião de todos, mas precisava ver como Jasper estava.

Ele esperou que a área comum esvaziasse um pouco para que finalmente entrasse na Ala Médica, vendo a mulher responsável, Marcela se ele lembrava bem, levantar o olhar.

- Hm, Oi, eu vim ver Jasper. Ele ainda está aqui, certo?

- E vai ficar - ela suspirou - Eu nunca vi nenhum caso de catatonia assim, foi um custo pra colocá-lo na cama. O grupo não foi muito... gentil também. Você é amigo ou algo assim?

- Algo assim - Remi murmurou - Eu só queria ver como ele está

- Fisicamente bem - Marcela prosseguiu - Ele só tinha alguns hematomas espalhados, mas seu psicológico é que me preocupa, eu contatei alguns psicólogos e psiquiatras e já ministrei um dos medicamentos indicados, mas ele não… não respondeu, nem aos medicamentos, nem a qualquer estímulo…

- Eu posso ver ele?

- Claro! Por aqui.

Marcela guiou Remi até uma das macas mais distantes da ala médica, tampada pela cortina fina. E quando abriu, nada poderia preparado Remi para ver Jasper, quase desaparecendo entre todo o branco das paredes e das roupas em que estava. Ele estava sentado sobre a maca, as pernas esticadas, os braços caídos de ambos os lados, um acesso ligado ao esquerdo, a agulha no meio das linhas das tatuagens, que era o único ponto de cor na visão. Os olhos azuis translúcidos estavam abertos mas ele não parecia enxergar realmente, as íris presas em algum ponto a sua frente, mas com as pupilas enormes e dilatadas. Ele não usava seus óculos, que estavam dobrados na mesinha de cabeceira.

- Você pode tentar conversar com ele - a médica indicou - Mas ele provavelmente não vai responder. Não tem demonstrado nem ecolalia, que é quando pacientes em catatonia só repetem o que é dito pra eles. Ele só tá… ali, preso na própria mente.

- Soube de alguma coisa do Rafael?

- Eu jamais julgaria um paciente meu - Marcela falou olhando pra Jasper - Eu sei que ele tem medo de água, sei que ele não conseguiria reagir.

- Você sabe?

- Fui eu quem identificou o medo quando ele chegou, o pânico na verdade. Algo forte pra deixar ele assim… Eu não o culpo, você?

- Não… não culpo, também sei do medo. Acredito que ele fez o melhor que podia ao chamar o restante da equipe.

- Fico feliz que ele não vai estar sozinho quando isso acabar. Vou deixar vocês a sós, se precisar….

Remi assentiu e voltou a atenção pra Jasper, se aproximando devagar. Agora conseguia notar mais detalhes no jovem que nunca se permitido antes, quando o odiava as custas de nada. Via marcas cruéis nos braços e no pescoço, cicatrizes de torturas, ele só podia imaginar o que mais as roupas escondiam. Notava também um leve tremor nos olhos azuis, sob os cílios também brancos, ele tinha pesquisado sobre, era chamado de nistagmo, era comum em pessoas com albinismo, um tremor nos olhos, ele se perguntou se aquilo atrapalhava em combate.

Quase involuntariamente, seus olhos foram até sua prótese, começava pouco abaixo do cotovelo, com os fios da harpa por todo espaço que seria seu antebraço e então a mão, que não funcionava perfeitamente, mas o suficiente para segurar uma espada, o que era bom o bastante.

- Eu sinto muito - ele admitiu depois de um tempo - Talvez eu só esteja dizendo isso porque você não me ouve, ou talvez não vá se lembrar disso, mas eu sinto muito… Eu tava te odiando, ainda odeio, não sei, mas você passou por tanta merda quanto eu, não é justo… Eu sinto muito pelo seu amigo também, sei que você queria ter ajudado. Sinto muito pelas merdas que vai ter que ouvir depois daqui.

Apenas uma piscada lenta o respondeu, nenhum sinal de que Jasper realmente ouvia. O silêncio então começou a ficar insuportável, e Remi começou a tocar pequenos acordes na harpa em seu braço, uma tentativa frágil e falha de passar conforto, mas era o máximo que podia e estava disposto a fazer. Ele não carregava mais o fardo de saber sozinho, podia relaxar um pouco. Ou foi o que pensou.

---

Depois de 24 horas da internação, Remi recebeu uma ligação de Marcela, ele nem sabia que ela tinha seu número, mas ela ligou e pediu pra que ele fosse ver Jasper, sem dizer muito, apenas pedindo ajuda. E normalmente, Remi negaria, ele não tinha nada a ver com aquele caso, nem era amigo de verdade de Jasper, mas a memória daquele garoto com os olhos vazios na ala médica o impulsionava a fazer coisas boas.

Era irritante!

Mas lá estava Remi, voltando pra base da Ordem tarde da noite porque Jasper parecia ter melhorado, mas não o suficiente pra conseguir comer e a esperança da mulher é que Remi pudesse ajudar. Ele não achava que poderia, mas estava ali mesmo assim.

- Jasper? - ele chamou, se aproximando do jovem mais uma vez, ainda na mesma posição na noite anterior, os olhos ainda mais desfocados, entretanto…

- Fome… - Jasper murmurou, tão baixo que Remi pensou ter imaginado - Fome…

- Eu disse mais cedo - Marcela explicou - que ele deveria estar com fome e desde então ele tá repetindo, só essa palavra… ecolalia

- Isso é uma melhora, certo?

- Mais ou menos, significa que ele está respondendo aos remédios, devagar, mas está respondendo.

- Certo, e como eu posso ajudar?

- Tenho esperança de que ele responda a sua presença, se você falar com ele, talvez ele entenda melhor que precisa comer. Achei que valia a tentativa.

- Não custa tentar - Remi deu de ombros e então se aproximou

Várias vezes olhando pra trás até Marcela entender que ela devia ir embora e só então realmente se colocou ao lado de Jasper. Bem devagar, o jovem foi virando a cabeça até que os olhos azuis estivessem cravados em Remi.

- Você sabe que eu tô aqui?

Ainda mais devagar, Jasper assentiu, tão devagar que no meio do movimento já não parecia mais um assentir.

- Você quer tentar comer? Você precisa…

- Comer… Sim…

- Olha cara, eu não sou realmente seu amigo, e definitivamente não tô disposto a te dar comida na boca, então se você puder reagir o suficiente pra comer sozinho, eu ficaria bem feliz.

Dizendo isso, Remi colocou o sanduíche que Marcela tinha colocado na mesinha de cabeceira na mão de Jasper, vendo seus dedos se fechando devagar na embalagem. Ok, aquilo ele podia fazer, podia ajudar Jasper a levar a mão até a boca e segurar o peso de seu braço pelos longos 5 minutos em que ele esteve mastigando. Toda a refeição deve ter durado mais de uma hora, mas por incrível que pareça, Remi não ficou tão entediado como imaginou que ficaria.
Na verdade, ver Jasper comer o deixou satisfeito.

- Porque… - o jovem começou, sua voz rouca pelo desuso e construindo cada palavra lentamente - você… ficou?

- Porque você merece alguém que fique.

- Não… amigos

- Não, não somos amigos, mas eu… por incrível que pareça, senti empatia.

Jasper só assentiu, e se encolheu devagar, finalmente deitando na maca, os joelhos apertados contra o peito.

- Você… “Sem espaço pra erros”, é o que… você diz - ele tentava se comunicar, a catatonia parecia estar o deixando finalmente, apenas a letargia a ser vencida - Mas eu… sou um erro… O Rafa…

- Não, Jasper, você não é um erro. O que aconteceu foi uma fatalidade e eu sei porque você não conseguiu reagir. O seu medo é válido e não deveria ser confundido com má vontade em lutar. Em uma Ordem melhor, você seria avisado da possibilidade de existir aquela criatura lá.

- Uma Ordem… melhor? Como?

- Isso é um sonho antigo meu, mas não um possível. Eu acho que o Veríssimo poderia fazer muito mais e muito melhor do que realmente faz. Eu faria melhor se estivesse na posição dele. A começar por situações como essa de ontem, que não teriam acontecido.

- Você… não me culpa?

- Olha, Jasper, vou ser brutalmente honesto com você, eu li seus arquivos da Ordem, você tava se saindo bem demais pra só um moleque ai eu fui atrás de saber quem é você.

- Obrigado… eu acho

- E aí descobri sobre o seu medo, assim como do seu quadro psicológico. Um bom líder levaria suas particularidades em consideração antes de enviar pra esse tipo de missão. A partir do momento que tem uma piscina na casa, você não deveria ser enviado.

- Eu deveria conseguir… sem regalias

- Respeitar você não é uma regalia, é o mínimo. Eu falo isso como alguém que não dá regalias a ninguém.

Jasper levantou os olhos para Remi, finalmente o analisando. Passou pelo rosto angulado, com uma cicatriz enorme no olho esquerdo, pelos olhos intensos, o cabelo em um moicano com a lateral raspada e uma mecha laranja, afinidade com Conhecimento talvez, e só então chegou na prótese e no cropped que ele usava. Remi carregava consigo uma altivez, não era difícil perceber que ele tinha personalidade forte, que era até meio previsível que ele quisesse a Ordem, ele tinha o olhar de um líder. Jasper admirava isso, assim como admirava o fato de que eles eram praticamente estranhos, mas Remi tinha se importado o suficiente pra estar ali.

- Obrigado…

- É, de nada - Remi foi se afastando devagar, tinha sido legal demais pra pouco tempo - Bom ver você melhorando, eu volto amanhã, ou sei lá

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Remi não precisava, sabia disso, que não precisava estar ali de novo, Jasper já estava bem o suficiente para comer sozinho e em breve receberia alta, e não precisava mais dele, nunca tinha precisado, eles não eram amigos! Mas quando entrou na base da Ordem, a primeira coisa que fez foi se encaminhar para a ala médica. Antes que sua mente percebesse, seus pés já o tinham levado pra lá.

Encontrou Jasper na mesmíssima maca dos dias anteriores, mas agora ele parecia realmente ali. Sentado na cama com as pernas cruzadas e comendo sozinho o que parecia outro sanduíche. Suas ações ainda pareciam lentas mas ele se parecia muito mais com o guerreiro que Remi invejava, ao invés do fantasma dos últimos dias.

- Oi, Remi! - Jasper o localizou antes que Remi pudesse pensar no que faria, seu sorriso e aceno tão sincero que o fazia se perguntar o que Jasper via nele - Você veio mesmo.

- É… - ele disse apenas, taõ desacreditado quanto o jovem - Eu queria… ter certeza de que você tá bem.

- Eu tô bem, a Marcela disse que eu vou ter que continuar tomando antidepressivo, mas que a tendência é melhorar até os movimentos que ainda estão lentos e…

- Não é isso que eu quero saber…

Jasper suspirou, fechando os olhso e cerrando os punhos devagar pra finalmente responder.

- É uma merda processar o luto, saber que o Rafa não tá mais aqui e que isso é sim, um pouco minha culpa. Mas é bom saber que alguém não me culpa, então obrigada por isso.

- Minhas intenções ao descobrir não foram boas.

- Mas você tá aqui ainda, existe alguma coisa boa em você.

- Claro que existe, eu sou bom em tudo!

- Não nesse sentido - instintivamente, Jasper juntou as pernas contra o peito e se encolheu, para Remi era quase cômico que um homem daquele tamanho e daquele porte tentasse se encolher daquela forma, mas então sua mente o lembrou de quem era Jasper.

Um menino forçado a crescer rápido demais pra sobreviver, somente 22 anos e já tinha visto mais morte e sangue do que deveria, mais dor e sofrimento que Remi na idade sequer imaginava.

- Desculpa… - Remi se aproximou, levando a mão direita ao ombro de Jasper, seu toque real, pele com pele - Eu vim porque sei que não é justo com você e porque eu queria ser melhor do que todos aqueles desgraçados te julgando, porque você é melhor que eles. Merece a patente e o lugar que conquistou aqui dentro. Nada do que eu disser vai te ajudar com o luto, mas eu quero ser melhor do que todos aqueles que querem te deixar sozinho.

- Tá dizendo que quer ser meu amigo?

- Se é o que você quer… sim - o mais velho admitiu, um pouco para si mesmo também e não doía dizer que queria alguém - Na verdade, eu planejava esperar você melhorar um pouco pra te chamar pra sair, mas amigos também serve.

- Pra sair?! - Jasper engasgou, arregalando os enormes olhos azuis para Remi - Eu?!

- Sim, quer dizer, você é bonito, gostoso, se me permite. Você é bom lutando, parece ser uma pessoa gentil e eu invejava você antes disso. Eu sou pansexual e gostei de você, se quiser, eu quero. Mas novamente, eu tô disposto a respeitar o seu luto e se quiser só amizade também.

- Você me quer? - o mais novo parecia ter congelado naquela informação, sua mente não parecia processar o carinho genuíno e aquilo fez Remi odiar ainda mais os pais já mortos de Jasper

- Sim, mas não vou ficar admitindo isso toda hora não, é melhor guardar a informação.

- Eu… sim, claro. Obrigada, eu aceito. Quero sair com você…

- Ótimo, me avise quando receber alta

E com aquelas palavras, Remi deu as costas e saiu da ala médica, deixando Jasper sozinho pra processar o que tinha acabado de acontecer. Remi o invejava, ele, Jasper, o moleque de 22 anos que só tinha entrado pra Ordem por causa da infância traumática, o invejava o suficiente para invadir seus arquivos e descobrir sobre os maiores segredos de Jasper, o medo e a depressão, e então, por causa da morte de Rafa tinha ido procurá-lo, pra não deixá-lo sozinho no que era o momento mais difícil da vida de Jasper depois que saiu da casa dos pais. Como aquilo era possível? Que o pior momento de sua vida o tivesse apresentado aquele homem lindo e egocêntrico, mas de uma forma tão deliciosa e que acalmava a ansiedade de Jasper.

Aceitar aquele encontro não poderia ser mais fácil.