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Ninguém sabia.
Ninguém sabia que as noites chuvosas causavam arrepios pelos pelos de todo o corpo daquele homem. Ninguém sabia que a chuvarada que caía era o suficiente para fazê-lo cair também. Ninguém sabia que, dia após dia, sobrevivia naquela casa dos horrores em silêncio; ninguém sabia que ele usava o pretexto dos trovões para abafar os gritos irrefreáveis por socorro. Ninguém sabia dos gritos e esperneios, dos roxos debaixo das roupas, do real motivo da rouquidão.
Ninguém sabia.
Mas Chan sabia .
E ele só sabia porquê o odiava muito , o bastante para não ter pena. Bang Chan só sabia porquê Lee Minho não conseguia esconder nada do mais velho, nem os machucados que sequer seus pais enxergaram; não conseguia desmentir, a voz rouca, ao dizer que não era nada demais.
Ainda assim, Chan nunca tinha visto Minho derramar uma única lágrima. Eram apenas conversas rasas que o haviam entregado, nada demais. Supérfluo, Minho jamais imaginaria que a mente endiabrada de Bang Chan guardaria cada mínima informação. Como chegaria à conclusão de que Chan havia decorado cada pedaço de seu corpo, mesmo apenas por cima das roupas, e saberia dizer de olho fechado onde tinha uma cicatriz, onde tinha um roxo e onde a pele estava imaculada?
Minho e Chan se conheceram em um dia chuvoso, após alguns drinks em mesas separadas e olhares trocados. Minho, claro, tinha namorado, mas Chan sequer sabia seu nome, quem dirá que aquele ser ao seu lado carregava uma aliança compartilhada consigo?
Naquele bar, eles iniciaram aquela relação de ódio . Chan queria flertar, mas derramou vinho tinto na camiseta branca de Minho. O tal namorado brigou com Chan muito mais do que o próprio Lee; Jisung, Seungmin e Changbin tiveram de vir até o tumulto que se criava. Pediram desculpas, Binnie carregando Seungmin pela mão para longe de Minho e do homem com más intenções. Jisung e Minho rapidamente viraram amigos, as almas caóticas se encontrando em meio ao seu ambiente de conforto: o caos.
Quando menos esperavam, tinham virado amigos. Minho, Jeongin, Hyunjin e Felix haviam somado ao grupo de quatro. De repente, eram nove. E, sinceramente, nenhum deles gostava daquele número.
Nenhum deles gostava porquê isso incluía aquele inferno , disfarçado de homem, que gostava de se autodeclarar namorado de Minho; gostava de sobrepor a voz sobre a de todo mundo; gostava de apontar e xingar alto; gostava de beber às quartas e ir para o trabalho chapado. Muitas daquelas coisas, eles mesmo gostavam de fazer (céus, Jisung já havia perdido as contas de quantas vezes tinha ido completamente louco para a faculdade), mas passaram a odiar.
Minho e Chan mantinham aquela relação odiosa inicial, nenhum dos dois dispostos a mudar qualquer coisa. Chan opinava em algo e imediatamente Minho discordava; assim como o Minho vinha empolgado com algo e o Chan cortava o assunto no mesmo instante. Pela raiva, aprenderam a se entender um com o outro. E, após alguns anos, gostaram daquela relação mais do que qualquer outra coisa.
Um dia, entretanto, Chan disse que Minho deveria terminar. E tudo explodiu
