Chapter Text
O destino geralmente é a sucessão inevitável de acontecimentos que se relaciona a uma possível ordem cósmica.
A coincidência ocorre quando acontecem eventos semelhantes, mas que não possuem uma relação de causa e consequência.
E por último, o conceito de Sincronicidade foi definido por Carl Gustav Jung como o acontecimento que não se relaciona por uma causa, mas sim por um significado específico. Ou seja, os eventos não ocorrem por uma causalidade, mas sim por terem um significado igual ou semelhante. Então, quando vamos a um lugar e encontramos alguém ou algo que gostamos, é porque essa pessoa ou objeto possui uma ligação conosco – pode ser uma filosofia de vida, um desejo, um gosto, um objetivo etc.
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°•°•°PARTE UM°•°•°
Era um dia ensolarado quando Soobin o viu pela primeira.
O de cabelos na cor lavanda estava em frente a secretaria da universidade com alguns amigos, resolvendo alguns problemas quando se distraiu com o aglomerado de pessoas que desciam do ônibus na parada que havia ali perto. Seu olhar passava pelos passageiros sem manter os olhos fixos em algo ou alguém, porém, de forma inusitada, sua atenção foi roubada por alguém.
Um rapaz, de sua idade supôs, chamou-lhe atenção. Ele usava uma calça de moletom cinza, camisa branca e uma blusa quadriculada por cima. O cabelo castanho-escuro era bagunçado pelo vento e ele tentava, sem sucesso, arruma-lo no lugar. Aquele moço era sem dúvidas uma das pessoas mais deslumbrante que já vira na vida. O rapaz tinha consigo uma mochila pendurada em um dos ombros e alguns livros. Aparentemente, estava atrasado visto a maneira rápida que andava. Soobin quase deixou um sorriu surgir... adorável, pensou.
— Soobin, vamos cara!
O moreno voltou a realidade assim que ouviu chamarem por ele. — Ah, claro!
Sorriu e seguiu seu caminho sem dar muita importância ao rapaz bonito que tinha certeza que nunca mais veria.
(...)
Ao longo da vida não há muitas situações onde encontramos a mesma pessoa por acaso mais de uma vez, ainda mais uma pessoa vista por acaso. A vida é feita de encontros e desencontro com pessoas aleatórias, que podem ou não se tornar conhecidas.
E Soobin não contava que veria a mesma pessoa tantas vezes e que em uma delas se colocaria em uma situação vexaminosa.
Foi inevitável se sentir atraído por Choi Beomgyu, o tal rapaz que chamou sua atenção ao descer de um ônibus casualmente. Se perguntarem a Soobin se ele acredita em coincidência e em destino, a resposta será que não, entretanto, em seu interior mais inexplorado, ele acredita sim! E é por acreditar que Soobin criou uma fantasia em sua cabeça que deve arrumar um jeito de chamar Beomgyu para sair.
Como e quando irá fazer isso? Ele não tem a mínima ideia e muito menos coragem para cumprir tal objetivo.
Se esse dia chegar, Soobin espera que pelo menos não se envergonhe.
(...)
Raiva. Desgosto. Nojo. Medo. Surpresa... é um misto de sentimento.
Sabe aquele momento em quê dizemos algo tão absurdo que levamos tempo para processarmos o que foi dito? Pois bem! Soobin se colocou nesta posição.
Quando levantou da cama decidido a chamar a atenção do crush, não se referia a passar vergonha na frente do dito cujo. É uma obra maligna de sua mente que mais trabalha contra si do que a favor. De todas as histórias, hipóteses e pensamentos que teve nenhuma delas tinha ele falando uma cantada ridícula para Choi Beomgyu, o atual dono de seus pensamentos e seu desejo de consumo.
Choi Beomgyu que trabalha numa lanchonete/ cafeteria/ boliche como faz tudo e que, de forma muito estranha e aleatória, em poucas vezes, esta no mesmo espaço que Soobin. Ele está em, literalmente, todos os lugares. Desde que notou a existência do rapaz, ele tem se tornado uma presença quase constante em sua vida.
Soobin o viu de longe umas quinze vezes – provavelmente foram mais, mas quem está contando? Ele certamente não está. –, mais de três já coincidência demais.
E não ajuda que Beomgyu tenha que desempenhar muitas funções em seu trabalho. Há dias em que está dando auxílio na manutenção do local, em outros está dando aula de como jogar boliche – ele é tão bom nisso que deixa Soobin todo bobo. –, e às vezes é garçom na pequena lanchonete. Algumas poucas vezes ajuda a banda que toca ao vivo nas sextas-feiras – este lugar não é sensacional?! Soobin e seus amigos o adoram. – e raramente é caixa no balcão da cafeteria.
A própria Barbie coreana... o nome deles até começam com a letra B. Coincidência? Acho que não.
Sim, Soobin escolheu o pior dia – e pessoa – para soltar uma de suas pérolas. Ah! Como queria voltar dez minutos no tempo e ter pago a conta e ido embora sem olhar para trás como sempre faz.
Mas o quê de fato aconteceu? Vamos contextualizar.
É mais um dia lindo de primavera que prometia muita umidade e um vai e vêm entre o calor e o frio, Soobin e seu colega de apartamento – e amigo de infância, Kang Taehyun. – decidem em unanimidade que aquela manhã com aquele clima frio pedia um copo grande de chocolate-quente e um pão-doce de creme que só é vendido na Orange Magic.
Eles trocam poucas palavras nos quinze minutos a pé de sua casa até o local. Fazem o pedido e esperam.
— Já reparou que o sorriso do Beomgyu está meio apagado hoje? — Pergunta atraindo a atenção do colega de apartamento para si. — Será que aconteceu algo? Ele parece cansado.
— Cansado estou eu. — Murmurou ao revirar os olhos. Taehyun olha para o balcão onde Beomgyu está recebendo o pagamento de um cliente e sorri largamente ao finalizar. — Para mim ele parece o mesmo de sempre. Igual ontem, antes-de-ontem e antes... e igualmente a semana passada.
— Sério... tem algo errado.
— Você que tá errado. — Disse ao tomar sua bebida. — Se isso está te incomodando é só ir até lá e perguntar. Hyung, você é capaz!... não é a primeira vez que você chama alguém para sair, não entendo esse cu doce agora.
E realmente essa não é a primeira vez. Digamos que Choi Soobin é alguém relevante entre os universitários; sua boa aparência, educação e personalidade o faz se destacar. Herdeiro de um casal de advogados renomados esta estudando para seguir o caminho dos pais um dia, e é um dos melhores da turma, vale ressaltar. Soobin chama a atenção por onde passa, e por mais introvertido que seja, é confiante. Anos e anos sendo alvo de olhares, tantos bons quanto ruins, o fizeram ser determinado e vaidoso.
Poucas foram às vezes em que tomou coragem e chamou algum interesse amoroso para sair. Normalmente as pessoas vinham até ele e não o contrário.
É tentador a ideia de o chamar para um encontro, porém, pela primeira vez em tempos, está inseguro. Tudo no moreno é cativante e o faz querer se aproximar, mas como o fazer? É difícil lê-lo. Há pessoas que apenas um olhar transmite mil palavras e pensamentos, entretanto, Choi Beomgyu é o oposto. Em vez de dizer algo, ele se cala; é como olhar para um céu limpo, vazio e, de certa forma, lindo e melancólico.
Não há como saber o que se passa naquela cabecinha bonita emoldurada por lindos cabelos escuros.
— Uhum, não. Me falta coragem.
Soobin morde o canudo antes de beber o líquido que já foi quente e agora estava mais gelado que o ar do lado de fora. Ele encara as gotículas de chuva que caem no vidro da janela perto dele. Desejou que uma súbita onda de coragem se apossasse de seu corpo qualquer dia e o fizesse dizer ao menos um "bom dia" decente a Beomgyu. – normalmente Soobin tropeça nas próprias palavras e sai do local parecendo um tomate de tão vermelho que fica.
E, merda, isso nunca aconteceu antes.
Ele nunca gagueja ou se perde em suas palavras, mas toda vez que chega perto do moreno é como se tudo desaparecesse e em sua mente só aparecesse: Choi Beomgyu! Em letras grandes e fofas e com corações ao redor.
Frustrante demais!
Após terem comido e conversado um pouco – incrível como mesmo morando juntos eles ainda têm tantos assuntos a falar. –, Taehyun vai para a faculdade primeiro, pois tem uma aula extra naquela manhã. E é a vez de Soobin pagar o lanchinho deles.
Assim que se aproxima do caixa e espera a sua vez, ele o observa. Tem algo de errado com o sorriso de Beomgyu naquela manhã, normalmente é tão genuíno e alegre e aquele é tão robotizado que deixa uma sensação ruim na boca do estômago de Soobin. Ele pode reconhecer um sorriso falso a quilômetros de distância.
Soobin quer tanto mudar aquilo; ele quer que o sorriso de Beomgyu seja mais leve e mais parecido com o habitual. Não há nada de errado em querer melhorar o humor de alguém certo?! Ele pode fazer isso!
— Bom dia! Algo mais ou posso fechar a conta? — Diz Beomgyu.
Soobin respira fundo e o olha nos olhos. — Posso fazer uma pergunta...?
— Claro!
— Você acredita em amor à primeira vista ou devo passar por aqui mais uma vez?
E assim chegamos no presente que é: Soobin petrificado e com os divertidamente correndo em sua mente feitos loucos.
Beomgyu pisca algumas vezes atordoado e depois sorri – um sorriso de verdade e não uma carranca como a de antes.
— Essa é boa... ensaiou muito para contá-la? — Perguntou ao passo que digitava algo no computador.
— Se eu te contar que apenas saiu, você acredita? — Riu.
Se um buraco se abrisse no chão ele pularia com gosto ou se um caminhão atravessasse a porta em direção a eles, e mesmo que tivesse como fugir, ele não iria se mexer. Desejou que o teto caísse na cabeça dele.
A vergonha... ela não é boa de se sentir.
— Me desculpe, normalmente eu não saio dando cantada em todo mundo... é só que... — Mordeu o canto da bochecha ao procurar as palavras certas. Beomgyu o encara com uma sobrancelha arqueada. — Você parecia um pouco tristonho e eu quis te animar. — Contou. — Te juro que é essa a história... meu deus, que vergonha. Me desculpe.
Soobin se inclinou duas vezes em meio às desculpas, e iria fazer mais uma se Beomgyu não tivesse esticado a mão para parar.
— Tá tudo bem, calma.
Depois disso pagou a conta e quando Beomgyu se despediu, Soobin sorriu minimamente e se virou, mas antes de ir voltou rapidamente para perto do rapaz com uma confiança que só quem já está na merda pode ter.
— O meu nome é Choi Soobin. — Contou assim que Beomgyu o notou. — E mais uma coisa... o mundo não é Mortal Kombat, porém sua beleza me deu fatality! — Ao terminar fez um coração com os dedos, piscou um olho e sorriu.
Antes de se virar para ir embora pode ver Beomgyu cobrir o sorriso com a mão e então soltar uma gargalhada alta. Soobin ao ir de encontro com a saída, o escutou pedir desculpas aos clientes que estavam ali, mas não ousou olhar para trás.
Fora do estabelecimento Soobin se parabenizou por fazer Beomgyu rir, mas se xingou por ser impulsivo.
Será que vendem pão doce do outro lado da rua? Será que é tão bom quanto o que acabará de comer?
Talvez esteja na hora de pesquisar outros lugares para ir.
(...)
— Você tá brincando... Soobinie, você não fez isso.
E pela sétima vez teve que reforçar, que sim, ele Choi Soobin, o cara que estuda direito e, portanto pensa bastante em cada movimento que faz, alguém culto e inteligente, que tem uma dicção perfeita – com exceção de quando esta com os amigos, ai ele vira um ignorante para tudo. – não disse apenas uma, mas duas cantadas ao garoto que está afim.
— Eu fiz!
Choi Yeonjun – estudante de dança, super popular, melhor amigo e o cara que não acredita no potencial alto destruidor de Soobin. – o olhou por alguns segundos antes de gargalhar. Ele estava rindo tanto que se debruçou sobre a mesa do refeitório da universidade, limpou algumas lágrimas do conto do olho e se encostou em Taehyun, que estava petrificado comendo sua salada e apenas ouvindo o que eles diziam.
— Taezinho, acho que vou morrer de tanto rir!
— É bem provável. — Disse ele, simplista. — O hyung pode morrer de insuficiência cardíaca se rir por muito tempo. - Dito isso colocou um pedaço de alface na boca. Os dois Choi's ficam estáticos o encarando. — O quê?! Pode acontecer. Não necessariamente com vocês, mas com qualquer um!
Ah! Kang Taehyun é um prodígio da medicina, então, é normal ele dizer algumas coisas assustadoras. – uma vez ele fez um monólogo sobre como uma simples tosse pode se tornar um risco a saúde do paciente. Yeonjun o escutou falar por mais de duas horar sem pausas e Soobin, bom, ele dormiu nos primeiros vinte minutos. Mas assim que acordou o dançarino resumiu o que Taehyun havia dito e eles debateram o assunto por uns vinte minutos.
— Mas voltando ao assunto... Soobin-hyung vai chamá-lo para sair? — Perguntou genuinamente curioso. — Pelo amor de Deus, diz que sim.
— Um convite para sair não é mais vergonhoso que dizer duas cantadas seguidas, convenhamos que não chega nem perto. — Diz Yeonjun. — E se ele não te xingou depois de falar essas cantadas ridículas é porque você tem alguma chance com ele.
Claro que Beomgyu não disse nada, ele fugiu antes.
Eles dois pareciam esperançosos, Soobin quase ficou tocado. Seus amigos tinham expectativas muito altas, era quase maldade acabar com isso.
— Não sei se devo. A vergonha de hoje cedo ainda é muito recente, vou precisar me recuperar mentalmente antes de o ver novamente.
— Você é um banana mesmo! — Exclamou Yeonjun ao revirar os olhos e dar uma mordida com raiva em seu sanduíche. — Cara, eu queria ver a cara do povo dessa universidade se te conhecesse de verdade. A visão que eles tem de você é tão equivocada que me deixa pasmo! — Tomou um gole de refrigerante e olhou para Soobin com a testa franzida. — Se eu contar a eles que você é um medroso e que chora sempre que vê desenho...
— Animes... o termo correto é anime e não desenhos. — Interrompeu com um revirar de olhos.
— Que seja! Eu não ligo. — Exclamou. — Se eu espalhar a sua verdadeira personalidade, diga adeus a sua imagem de bad boy. Você merece isso por ser devagar.
Soobin não deu bola para o que Yeonjun disse, era sempre a mesma ladainha.
— É realmente hilário essa imagem que todos têm de você hyung. — Concorda o Kang com uma risadinha baixa. — É como conviver com alguém com duas personalidades.
Soobin apenas ri, não diz nada porque secretamente concorda com o que foi dito.
Desde que se conhece por gente ele está rodeado de pessoas falsas, com sorrisos e gestos falsos. Soobin cresceu em meios a eventos de alta classe, filho único de um dos casais mais influentes no ramo da advocacia, ele está acostumado com a atenção e o fato de sua vida não ser totalmente sua. Desde pequeno aprendeu a esconder seus pensamentos e desejos em uma carranca séria e inexpressiva.
Choi Soobin inconscientemente criou uma imagem de alguém sociável, educado e distante. Alguém que não se importa em ser o centro das atenções e que ama ser quem é.
Até que ponto isso está certo?
Ele não será hipócrita e mal-agradecido, o fato de vir de uma família rica e influente tem seus benefícios que apenas o seu rosto bonito nunca poderia proporcionar. É meio prepotente e arrogante da parte dele pensar assim? Talvez, mas é uma verdade nua e crua que ele não pode esconder nem se quisesse. Seu status social já o ajudo e o privilegiou muitas vezes, seria mentira dizer querer ter outra vida.
Sim, ele é grato pela família que tem e pelas regalias que seus pais lhe permite ter.
Soobin só não é grato pelas pessoas que se aproximam dele por causa de seus pais, que resumem quem ele é a apenas um garoto rico sem conteúdo. Que dão a si o rótulo de vazio e mesquinho.
Não, não é grato pelas pessoas verem apenas Choi Soobin e seu lado superficial.
Aos 15 anos ele aceitou essa identidade, tudo bem ser metido e ostentar, muitas pessoas que falavam mal de si, queriam estar em seu lugar e tudo bem.
Ao completar a maioridade comprou uma moto e esse foi a última pá de terra para as pessoas, depois disso ele era apenas Choi Soobin, o cara rico com comportamento rebelde e egocêntrico.
O teimoso, desajeitado e impulsivo... o Soobin original apenas Taehyun e Yeonjun conhecem.
Afinal eles dois foram os únicos que permitiram Soobin ser quem ele é, sem mentiras e falsidade.
(...)
Soobin sempre teve ideias ridículas, uma pior que a outra, porém a que teve agora supera todas.
Em algum momento a ideia de arrumar trabalho pareceu ser interessante. Ter o seu próprio dinheiro e se sustentar com o suor de seu trabalho pareciam ser um passo de independência financeira que precisava – porque seus pais concordam com isso? Eles não deveriam. Soobin decide por a culpa neles por enquanto. –, após enviar currículo em todos os cantos – perto da universidade – enfim, arrumou trabalho em uma cafeteria que havia em uma Patinação no Gelo que abrirá a pouco tempo.
O trabalho parecia ótimo, os funcionários também, o real problema é quem encontrou lá fazendo a integração junto a ele e uma menina.
(Quem disse Choi Beomgyu acertou na mosca.)
O dono do cabelo mais brilhoso e sedoso do mundo, o cara que tem os olhos castanhos mais lindos e os cílios mais longos já visto, o visual da nação e o dono da cintura mais charmosa existente... pode entrar o rapaz que deixa Soobin mole feito gelatina, Choi Beomgyu!
O tanto que Soobin é rendido por ele é quase um crime.
Ok, é um exagero, mas Soobin é um romancista extravagante.
Nos primeiros dez minutos que eles estavam na mesma sala ouvindo a gerente dar-lhes boas-vindas e mais algumas bobagens como horários, folgas e o que pode e não pode se fazer no local, Soobin pensou que Beomgyu não o havia reconhecido – doeu um pouquinho, igual à distância do planeta terra até a lua. –, entretanto, quando as pessoas foram saindo e eles foram os últimos a ficarem e Soobin se dirigiu a porta, Beomgyu disse severamente:
— Você é a porra de um stalker ou algo assim!?
Soobin congelou no lugar. Sinceramente, até algumas semanas chegou a pensar o mesmo de Beomgyu por aparecer em cada canto que olhava, mas com o tempo apenas aceitou ser o destino mandando um sinal para ele.
E qual era? Que eles são almas gêmeas ou alguma coisa clichê e cafona como essa!
— O quê?
Soobin se virou e deu de cara com Beomgyu a alguns passos de distância com o semblante fechado e os braços cruzados em frente ao peito, os olhos cravados nele e a boca em linha reta. Em qualquer outra situação o, atual, loiro ficaria intimidado – talvez esteja um tiquinho. – mas o pensamento de que o moreno parecia um pinscher com raiva, quase o fez rir.
É fofo. Beomgyu é fofo.
— Você parece um stalker. — Repetiu, sua voz soando profunda e irritada. — Você está em quase todos os lugares que vou e frequenta a Orange Magic e deu em cima de mim também. E arrumou trabalho no mesmo local que eu, isso tudo me parece suspeito demais.
O cerebro de Soobin estava em alerta. Óbvio que queria chamar a atenção de Beomgyu, mas de uma forma leve e espontânea, e não de um jeito esquisito e que o fizesse parecer um maluco psicopata! O que fazer? O que dizer? Como sair daquela situação?
Provavelmente o silêncio dele era suspeito, pois Beomgyu o encarava atentamente de forma ríspido e gélida. Agora Soobin se sentiu acuado.
— Olha acho que houve um mal-entendido aqui. — Soltou um longo suspirou de propósito para ganhar tempo para arrumar seus pensamentos. — Eu frequento a Orange Magic há muito tempo e sempre que posso tomo café e como um pão doce lá, que é muito maravilhoso vale ressaltar, muito antes de você trabalhar naquele lugar, porque é perto de casa e o preço é aceitável. E eu nem dei em cima de você, só falei aquilo para te fazer sorrir porque você parecia cansado e eu quis melhorar o seu dia. — Explicou. — E é você que está nos mesmos lugares que eu, mas diferente de você, eu não saio difamando as pessoas por estarem no mesmo local, pú-bli-co, que eu! — Terminou dando ênfase na palavra "público" por que realmente se sentiu ofendido. — É apenas uma coincidência muito estranha e inesperada.
Soobin agradeceu mentalmente a sua mãe por te-lo incentivado a fazer teatro aos nove anos – durou dois anos. –, por que graças a isso ele pode manter a voz instável e imitar os trejeitos de quando diz a verdade. Soobin notou um brilho de dúvida nos olhos do moreno e se deu parabéns pelo esforço.
— Eu não acredito em nada que você disse. — Soobin quase grunhiu de exasperação. Beomgyu é alguém difícil. — Mas eu não te conheço e pode ser só uma suspeita sem sentido. E é como você disse, os locais eram públicos e eu não posso te julgar sem provas.
— Sim, exatamente. — Sorriu pequeno. — Eu nem sabia que você trabalhava aqui, te juro!
Se ele soubesse nem teria pisando no local.
A vergonha... ele ainda a sente.
— E nem tinha como saber, é meu primeiro dia também. — Resmungou ainda o avaliando.
Nem se Soobin estivesse nu, se sentiria tão exposto como se sentia naquele momento. Beomgyu parecia o avaliar e a sensação não era boa e a julgar pela cara dele a avaliação também não.
Porque tudo está contra ele no momento? Que injustiça!
— Já vou indo. — Disse Beomgyu indo em direção a porta. — Até amanhã! Stalker.
Dito isso, saiu. E deixou para trás um loiro a ponto de se espernear e a chorar de frustração.
(...)
— E aí, como foi a reunião? Eunbi-noona falou demais?
Beomgyu mal entra na cozinha e já é bombardeado com perguntas por Kai Kamal Huening, um de seus colegas de trabalho e colega de apartamento e, também, melhor amigo. Kai estava em pé perto da pia com um pote de biscoito na mão e um copo de vitamina ao lado.
— Não fale de boca cheia, é nojento para caralho. — Repreendeu ao se aproximar e tomar um gole da bebida gelada do amigo. — Ai, desceu gelando tudo. — Resmungou e tomou mais um gole.
— Bem feito, isso é por ter me chamado de nojento. — Disse ele ainda de boca cheia.
Beomgyu o olhou com uma expressão de nojo e pegou um biscoito.
— Você não vai acreditar no que me aconteceu hoje. — Começou. — Lembra do cara alto que mencionei, o que aparece em todos os lugares igual o Mestre dos Magos e que me passou duas cantadas esses dias?
— O stalker? — Perguntou com as sobrancelhas erguidas e Beomgyu confirmou.
— O maluco vai trabalhar na cafeteria. Vamos começar amanhã.
Kai o olha surpreso e com a boca meio aberta.
— Puta merda! — Exclamou. — Ele tá te perseguindo ou algo assim!? Deixa comigo, amanhã eu acabo com ele...
— Você não vai acabar com ninguém. — Riu ao interromper o amigo. — Ele me jurou que não é um stalker e que não deu em cima de mim.
— E o hyung acreditou? — Perguntou desconfiado.
— Claro que não! — Revirou os olhos. — Não sou idiota.
Eles ficam em silêncio por um tempo, apenas comendo alguns biscoitos na companhia um do outro.
— Pelo menos ele é bonito? — Perguntou Kai sem conseguir segurar a curiosidade.
— Eu não pensei sobre isso, amanhã você vai vê-lo e tirar suas próprias conclusões sozinho.
E não é mentira. Beomgyu não faz o tipo que observa atentamente o rosto das pessoas para julgá-las bonitas ou feias. Para ele todo mundo é igual, não há algo que chame tanta sua atenção para ser considerado belo.
(a não ser o cabelo super hidratado e as mãos grandes do tal Choi Soobin.)
— Qual é mesmo o nome dele? — Beomgyu o olhou confuso, havia se distraído com os biscoitos. — O nome do seu admirador, qual é? — Perguntou novamente com um sorriso irônico.
— Ah! — Kai quase revirou os olhos, seu hyung às vezes é tão lerdo. — É... Choi Soo... — Respirou fundo e usou tudo de si para tentar lembrar o nome do rapaz alto. — Aham, lembrei! É Choi Soobin! Isso Choi Soobin. — Sorriu mínimo.
Kai inclinou a cabeça para o lado e se engasgou com o farelo do biscoito. Beomgyu foi rápido em encher um copo de água e o fazer engolir tudo. O menino continuou a tossir, Beomgyu mordeu o lábio e levantou a mão para bater nas costas do amigo, porém, Huening desviou rapidamente.
— Já estou com a garganta seca, não quero ficar com dor nas costas também.
— Que dramático. — Diz o Choi. — Era só um tapinha.
Huening não o responde, apenas deixa o pote na pequena mesa que eles tem no meio dá, também pequena, cozinha e sai praticamente correndo para a sala. Beomgyu nem fica surpreso ou curioso com o ato, já está acostumado com Kai ficando animado com tudo e qualquer coisa. O moreno fica lá por um tempo, entretanto, quando notou que o cabeça-de-vento não iria voltar, pegou uma garrafinha d'água da geladeira e foi ao encontro do colega de apartamento.
Eles se conheceram no ensino médio quando Kai mudou para o mesmo colégio que si. No começo eles não se gostavam, mas eram obrigados a conviver juntos, pois tinham amigos em comum.
Beomgyu era vizinho e amigo de infância de Jeongin, este que era amigo de Jongseong, que por sua vez, era amigo de Kai des do berço.
Beomgyu naquela época tinha picos de energia e de personalidade, no momento em que estava sorrindo e sendo um pestinha, no outro estava quieto e sendo um ignorante. Foi difícil para todos, até mesmo para o próprio Beomgyu, entender seu humor nada constante. Era caótico.
Huening Kai por sua vez sempre foi um doce de menino. Poucas eram às vezes que ficava irritado ou bravo com alguém.
Isso até conhecer Beomgyu.
Por Beomgyu muitas vezes não saber se expressar ou por dar uma resposta atravessada sempre que estava de mau humor, resultava em um Huening muito pistola e pronto para discutir. Não era preciso de muito esforço da parte do Choi para deixar Kai revoltado. Ninguém soube explicar quando a inimizade deles se transformou em amizade, nem mesmo eles.
Eles lentamente se aproximaram e desde então não se desgrudam.
Beomgyu não se vê sem Kai em sua vida, e vice-versa. Pouco antes de entrarem na universidade eles e os outros dois amigos próximos, Park Jongseong e Yang Jeongin, combinaram de alugar um apartamento e dividir as despesas. Eles quatro vivem juntos tem quase dois anos.
Quando Beomgyu se sentou no sofá oposto do Huening, este que tinha os olhos grudados no celular e não se importou com a presença dele, Jongseong saiu do banheiro secando os cabelos.
— E aí, como foi no café?
Beomgyu abriu a boca para repassar o que havia contado a Kai, quando o dito cujo deu um grito tão alto que assustou Jongseong e fez Beomgyu o xingar e jogar uma almofada na cara dele.
— ACHEI ELE!
— Tenta agir feito gente! — Diz o Park o empurrando para o lado. — Vai para lá! — Kai se arrasta para o lado ainda com o sorriso no rosto. — Achou quem? — Pergunta ao se sentar.
— O stalker do Beomie-hyung! — Respondeu animado e virou o celular para o amigo. — É ele né?
Beomgyu franziu a testa e pegou o celular nas mãos. Deu uma olhada nas fotos postadas, algumas em frente ao espelho, com os amigos e algumas selfies. Olhou também o número de seguidores e soltou um assobio baixo antes de devolver o aparelho ao dono.
O tal Soobin é bem famosinho e extremamente bonito, mas Beomgyu resolveu ignorar a última observação.
— Sim.
— Puta merda! — Exclamou olhando para Jongseong e depois para Beomgyu.
Huening sorria largo e murmurava algumas coisas, Jongseong olhou para Beomgyu com uma sobrancelha arqueada e o moreno deu de ombros.
— Me dê aqui, quero ver quem é o esquisito. — O Park estende a mão e Kai dá o celular para ele. — Eita!.. eita, eita! — Jongseong levantou a cabeça e olhou para Beomgyu. — Como que um cara desses gosta de você!?
E mais uma almofada voa e dessa vez acerta os braços de Jongseong, porque ele os usa para bloquear o rosto.
— Vai tomar bem no olho do seu cu! — Xingou. — Ele não gosta de mim, foi um mal-entendido.
Jongseong o olhou desconfiado, mas não disse nada. Ele e Kai continuaram a fuçar o perfil de Soobin por mais alguns minutos.
Beomgyu respirou fundo e se deitou de qualquer jeito no sofá. Sem querer pensou em como notará Soobin pela primeira vez.
(...)
Foi em uma festa de final de semestre que Beomgyu sem querer viu um rapaz alto de cabelos na cor lavanda se agarrando a uma menina baixinha perto da porta de entrada.
Beomgyu não gosta de ficar no meio da multidão e muito menos de festas. Jeongin o havia prometido um fone novo caso saísse de casa, por que segundo ele, é preciso sair de casa e viver para ser feliz.
Qual é, isso é uma baboseira. Beomgyu não precisa ouvir música barulhenta, jovens-adultos bêbados gritando por qualquer coisa ou ter o corpo cutucado por estranhos que ficam ocupando seu espaço pessoal para ser feliz. Ele sozinho com um fone e uma música calma tocando já é felicidade.
Mas não é para Jeongin. Na visão do garoto isso é deprimente e nada saudável. Ele foi contra a vontade de Beomgyu de o deixar descansar e ver um filme no calor de sua cama, insistiu e o atormentou até o Choi desistir e se arrumar para a tal festa.
Beomgyu se sentia um pária no meio daquela gente. Na primeira oportunidade que teve colocou os fones sem fio, que havia pegando sem Jeongin ver e os colocou. Deu uma volta pelo local com um copo de cerveja na mão, ele nem bebe, mas a pegou caso o amigo o visse pensasse estar se divertindo. É claro que Yang Jeongin sabe que odeia festas, mas isso não o impede de tentar uma vez a cada fim de semestre fazer Beomgyu sair e socializar com outras pessoas sem ser com três caras com quem mora.
Beomgyu aprecia o esforço do amigo em tentar o fazer sair, conversar e conhecer gente nova, mas é um esforço jogado fora. Entretanto, ele sempre dá o braço a torcer para o deixar feliz.
Se tem algo que odeia é deixar os amigos preocupados com a sua falta de ânimo para sair. A vida dele é: de casa para o trabalho e do trabalho para faculdade e da faculdade para casa.
Algo bem sem graça e chato, mas que Beomgyu não consegue desapegar.
O moreno olha a hora no celular, meia-noite e quarenta. Ótimo, mais vinte minutos e ele poderá ir para casa.
Não há muito o que ele possa fazer em uma festa, então, volta para a entrada da casa e se senta em um dos últimos degraus da escada que dava passagem para os quartos e banheiros da grande casa.
Sentando lá, observava as pessoas andando, dançado e se beijando. Seus olhos apenas vagavam entre o mar de corpos... até os encontrar. O casal praticamente estavam a um passo de fazer algo obsceno no canto perto da porta. A menina usava um vestido colado que fazia um péssimo trabalho em esconder sua bunda e o rapaz usava roupas pretas, a única coisa que o fazia se destacar era o cabelo roxo.
Eles se beijavam de forma afoita. Ela era tão baixinha que o menino quase se debruçou sobre ela e a encurralou na parede quase a levantando pelas coxas. Seus corpos estavam colados e os olhos de Beomgyu grudaram nas mãos do rapaz.
Elas eram grandes e, mesmo com as luzes piscando em várias cores, dava para notar serem cheias de veias e bem cuidadas, mas máscula.
Beomgyu os encarou atônito por alguns segundos antes de desviar o olhar. Se sentiu culpado por os observar, eles pareciam estar compartilhando um momento íntimo mesmo estando quase se comendo ali no canto com tantas pessoas ao redor.
Mesmo passando dias após o ocorrido, Beomgyu ainda se lembrava de como achou a cor do cabelo do rapaz bonito e em como as mãos dele eram lindas, e foi só isso que guardou daquela noite.
Os dias foram se passando, e em um deles quando estava andando pelo refeitório da universidade, se distraiu e o viu. O cabelo roxo esvoaçante era como ímã para seus olhos, Beomgyu o viu de perfil e o reconheceu no mesmo instante.
Depois desse dia a presença do rapaz se tornou familiar. Ele estava em todos os lugares.
Beomgyu tentou não dar importância, até que, o encontrou no trabalho. Não só uma, mas várias vezes. Ok, tudo bem o garoto frequentar a Orange Magic, mas as encaradas nada discretas que eram o real problema.
Beomgyu sempre foi lerdo e do tipo que não acredita em sexto sentido, mas até a pessoa mais burra do planeta sentiria quando alguém está o encarando.
Ele contou aos amigos - porque eles sempre falam sobre tudo que acontece de diferente em suas vidas. – e eles entraram em consenso que o tal moço era um psicopata lunático que estava obcecado por ele; um maluco esquisito. Porém, Beomgyu sendo do jeito que é, cético, não os levou a sério.
Isso até as cantadas acontecerem e o fato deles terem que trabalhar juntos.
Quando viu Soobin na pequena sala de reuniões demorou cinco segundos para o reconhecer. O cabelo que antes era roxo e meio desbotado deu lugar para um cabelo loiro-claro muito vivo.
A respiração de Beomgyu travou ao lembrar dos adjetivos que os amigos deram a Soobin e os quais ele ignorou.
E como uma benção do céu, eles acabaram sozinho por alguns instantes.
Com o coração acelerado, colocou o loiro contra a parede. Estava confiante e certo do que acreditava... até se aproximar do rapaz e constar ser menor que ele, tanto em altura como em massa muscular. Mas não se deixou abalar!
... Ele se abalou.
Soobin o desarmou. Seria tudo coincidência como ele havia dito? Beomgyu não sabe, mas da ao loiro o benefício da dúvida.
Só resta saber se Soobin usará isso ao seu favor.
