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Remember the words said

Summary:

Kara e Lena passaram anos agindo como namoradas antes de serem oficialmente um casal. Adicione uma criança a equação e você vai ter uma situação um tanto confusa.

Ou

Quando Lori chama Kara de mãe o casal tem uma conversa que já deveria ter acontecido.

Notes:

Finalmente temos a tão prometida continuação. Se você não leu a primeira parte não se preocupe, essa fic pode ser lida de forma independente, mas eu particularmente gosto de "Your eyes look like comin' home" então recomendo que dê uma olhada.

Tenho algumas outras ideias para esse universo, então me conte se você quiser uma continuação ou tiver alguma sugestão.

Espero que goste :)

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

"Mamãe" Lena estava terminando de se arrumar para o trabalho quando a filha entrou no quarto com uma expressão chateada.

"O que foi, querida?"

"Não consigo fazer minha lição de casa."

Assim como qualquer Luthor, Lori era inteligente na mesma medida que era teimosa. Estava sempre tentando fazer tudo de forma independente, fosse para amarrar os sapatos ou em um jogo com a família, se alguém invadisse seu espaço a situação se tornava um problema até que conseguisse resolver tudo por conta própria. Por isso era sempre um pouco surpreendente quando vinha pedir ajuda com a escola, é claro que Lena acompanhava todas as atividades, mas com uma certa distância para que a criança se sentisse confortável.

"Me deixe ver o que é." Se abaixou na altura de Lori e pegou a folha estendida. Era o desenho impresso de uma árvore, cada galho terminava em um quadrado vazio acima das palavras mãe, tio, avó e outros parentes.

"Eu tenho que colar uma foto de cada pessoa na minha família."

"Tudo bem, nós podemos procurar algumas revistas e álbuns para você recortar."

"Mas isso está errado." A menina disse irritada e cruzou os braços sobre o peito.

Lena analisou a folha com mais atenção procurando qual era o grande problema, mas parecia uma árvore genealógica completamente normal. "Desculpe amor, mas não estou entendo qual o problema"

"Isso, está errado." Lori colocou o dedinho em cima do espaço escrito pai, suas sobrancelhas franziram como se aquilo a incomodasse profundamente.

"Ah, entendi. Nós podemos deixar esse lado da árvore em branco, tenho certeza que sua professora não vai se importar." De alguma forma ela pareceu ainda mais chateada, seu lábio inferior começou a tremer e os olhinhos verdes se encheram de lágrimas.

Elas já haviam tido essa conversa alguns meses atrás quando Lori entrou na escola e percebeu que algumas crianças tinham um pai e uma mãe, assim como nos desenhos e filmes. A descoberta foi o grande momento dos seus 5 anos de idade, mas parecia que tudo estava perfeitamente bem, até mesmo achou divertido descobrir como cada família podia ser diferente. A mudança repentina pegou Lena desprevenida.

"Amor, não chore" disse em um tom suave puxando a filha para um abraço. "Nem todo mundo tem um pai, assim como nem todos tem uma mãe. Toda família é especial, o que importa é que sempre vão ter pessoas que te amam ao seu redor."

"Eu sei, mas onde Kara vai ficar?"

"O que?" Lena se afastou um pouco para poder ver o rosto vermelho de Lori.

"Eu quero que ela esteja na árvore para poder mostrar para os meus amigos que ela também faz parte da nossa família, mas só tem um quadrado para mãe." Ela falava frustrada, aquele era um problema muito simples que Lena não parecia entender.

"Você quer dizer aos seus amigos que Kara também é sua mãe?"

"Ela não é?"

"Ela.. na verdade, a Kara..." Ela estava sem palavras, seu cérebro ficou dividido entre achar a situação adorável ou entrar em desespero porque esse nunca foi um assunto discutido com a namorada, o que poderia dizer para não iludir ou machucar os sentimentos de uma criança?

"Por que a Kara não pode ser minha mamãe também?"

"Lori..."

"O Luke disse que a mãe dele lê histórias antes de dormir e o pai brinca de pega pega. Vocês duas fazem isso comigo."

"Eu sei que pode ser difícil de entender, mas não é tão simples assim."

"Mas vocês se amam e eu amo vocês. Por que a Kara não pode ser minha mamãe também?" Outra onda de choro estava muito próxima de dominar Lori e isso estava partindo o coração de Lena.

"Amor, está tudo bem." Deus, porque essa conversa tinha que acontecer com Lori antes de Kara? "Vamos fazer assim: deixe essa lição para fazermos a noite, nós vamos para o apartamento de Kara e ela nos ajuda a escolher quem fica em cada lugar da sua árvore. Temos um acordo?" Estendeu a mão e esperou, pedindo a todas as forças do universo, que a filha aceitasse

"Okay." Ela disse relutantemente ao retribuir o aperto de mão. Lena nunca respirou tão aliviada na vida, agora ela só precisava encontrar a coragem para explicar isso para a namorada.

[...]

Passarem as noites no loft era mais comum do que em seu próprio apartamento. Começou quando Lori ainda era um bebê porque ela dormia melhor perto de Kara – claro que não tinha nada haver com Lena também dormir melhor nos braços da, até então, melhor amiga. Depois que começaram a namorar há dois anos o hábito apenas se consolidou, tanto que a essa altura Lori tinha seu próprio quarto e a Luthor constantemente se perdia entre quais de suas coisas estavam na cobertura ou no loft – provavelmente seria muito mais fácil se apenas se mudassem de vez, mas esse era um assunto para outro dia, ela tinha preocupações demais no momento para pensar nisso.

"Kara!" Assim que passou pela porta, Lori correu para os braços da loira, que prontamente a ergueu em um abraço.

"Oi, ukiem. Senti tanta saudade hoje." A menina riu quando Kara a apertou mais no abraço.

"Você está me esmagando."

"Acho que não ouvi direito. Você disse que está amando?"

"Não!" A risada ficou mais forte quando a Danvers começou a balançá-la de um lado para o outro. "Mamãe, socorro."

"Procure alguém do seu tamanho." Lena entrou na brincadeira cutucando as costelas da mulher.

"Ei, dois contra um não é justo."

"Bem, você é a única aqui com superpoderes, acho que estamos equilibrando as coisas."

"Duas Luthor contra uma Super parece injusto para mim."

"Mas eu sou Super também, Super e Luthor." Lori disse orgulhosa fazendo com que Kara desse uma risada e Lena se lembrasse o porquê de sua ansiedade.

"Filha, vá tomar banho antes de jantarmos. Depois continuamos o Super VS Luthor." A menina desceu para o chão e correu até sumir no próprio quarto.

Assim que ficaram sozinhas Kara passou um braço pela cintura da namorada, puxando-a para perto. "Senti sua falta também."

Lena se aproximou em um beijo que por um instante a fez esquecer de todo o resto. A loira colocou a mão livre em sua nuca aprofundando o contato, isso era o que ambas ansiavam o dia inteiro.

"Também estava com saudade." Ela sussurrou quando se separaram sem fôlego, um centímetro era a distância que separava um novo beijo. Kara sorriu e se inclinou para continuarem o que haviam pausado, mas Lena se forçou a impedi-la. "Precisamos conversar primeiro."

"Está tudo bem?"

"Sim, não é nada ruim, eu acho."

"Bem, você não começou isso de forma muito tranquilizadora." Kara soltou um riso meio nervoso, estava visivelmente preocupada com a mudança repentina.

"Desculpa, é só que isso está na minha cabeça o dia inteiro."

"Então me conte o que é, vamos ver o que posso fazer para ajudar."

Lena respirou fundo antes de falar qualquer coisa. Ela estava nervosa com uma possível reação negativa, sabia que era improvável, mas não queria cometer o erro de julgar os sentimentos e a presença da namorada como garantidos. "Lori me fez uma pergunta hoje de manhã e eu não soube o que responder."

"Isso não é surpreendente, qual foi a questão dessa vez?"

"Ela quer saber se você é mãe dela." Kara abriu e fechou a boca algumas vezes sem que nenhum som saísse, isso fez uma repentina necessidade de se explicar crescesse dentro de si. "Eu não queria te colocar contra a parede desse jeito, por isso não respondi nada na hora. Se você não se sentir confortável com ela te chamando assim está tudo bem, eu vou garantir que ela entenda."

"Eu não estava esperando isso agora."

"Também me pegou de surpresa. Desculpa, eu vou conversar com ela."

"Não, não foi isso que eu quis dizer." Ela se apressou em explicar vendo a decepção que Lena não pôde conter. "Lori me ver como mãe está longe de ser uma coisa ruim. Na verdade é bem fácil entender de onde ela tirou isso, nós estamos basicamente vivendo juntas desde que ela nasceu."

"Isso não significa que você precise assumir essa obrigação com ela."

"Zhao, talvez você não tenha percebido, mas fiz isso 5 anos atrás." A morena queria argumentar contra, mas não tinha o que dizer. Kara estava lá desde que descobriu sobre a gravidez, elas estavam criando Lori juntas desde o início. "Entendo se você não quiser que ela me veja assim, você é a mãe dela independente do meu papel na vida das duas. Mas se estiver me perguntando se eu estou confortável com isso, a resposta é absolutamente sim."

Um sorriso radiante apareceu no rosto de Lena ao se aproximar para um abraço. "Já disse que te amo?"

"É sempre bom ouvir de novo."

"Eu te amo, Kara Danvers. Não sei o que fiz para merecer você nas nossas vidas."

"Você é uma pessoa incrível, a mulher mais inteligente e linda que já conheci. Eu também te amo."

[...]

"Ei ukiem, Lena me disse que você queria ajuda com a lição de casa. Podemos fazer quando terminarmos aqui.”

Kara preparou o jantar enquanto Lori e Lena tomavam banho, agora as três estavam jantando macarrão com queijo em frente a televisão. Não era exatamente o cenário saudável ideal, mas era sexta-feira e Lena estava se permitindo relaxar um pouco e apenas aproveitar o momento.

“Não precisa mais.” Lori disse tranquilamente, muito concentrada na própria comida.

“Como assim?” Lena questionou.

“Eu já resolvi, olha.” Correu até sua mochila que estava perto da porta de entrada e voltou com um papel, segurou com as duas mão na frente do rosto para que as mulheres pudessem ver.

Em cada um dos quadrados nos galhos da árvore estava escrito com letras coloridas o nome dos membros da família. No último galho, acima de todos lia-se Lori. Um pouco abaixo, ao lado esquerdo, havia escrito “Lena” com canetinha verde, seguido por Lex, Lilian e Lionel. À direita estavam todos os Danvers; na base estavam Eliza e Jeremiah, subindo para Alex e Kelly, até Esme. Mas o que realmente chamou a atenção foi que onde antes estava a palavra “pai” agora só podiam ver um rabisco e ao lado estava escrito “mãe” em letras azuis e vermelhas, logo acima viram o nome de Kara.

Ambas olharam aquilo maravilhadas, como se a filha tivesse descoberto a cura do câncer enquanto frequentava a pré-escola. Porque não estavam encarando apenas borrões e uma caligrafia infantil, alí estava a família que construíram durante anos. Lena tinha um sorriso que ia de orelha a orelha e Kara mal podia conter a emoção para não começar a chorar. A morena puxou a filha para o colo e lhe deu um beijo na bochecha.

“Isso está perfeito, meu bem. Estou tão orgulhosa de você”

“Eu também, você fez um trabalho maravilhoso.” A loira disse com tanta adoração que Lena sentiu seu coração derreter.

“Vocês ainda vão me ajudar a colar as fotos?”

“Claro, vou buscar alguns álbuns.”

Kara separou algumas fotografias que poderiam cortar. Passaram várias horas rindo e contando as histórias por trás de cada momento registrado, Lori gargalhava com o toque cômico que davam a cada uma delas. Lena não queria que as imagens no trabalho escolar da filha fossem tiradas de páginas policiais, então conseguiram encontrar algumas revistas antigas que mostravam a família Luthor mais jovem, a menina mal reconheceu Lex pois na época que foi tirada ele ainda tinha cabelo.

Ao fim da noite ambas estavam aconchegando Lori na cama após uma última história, esta tirada de um de seus muitos livros infantis.

“Boa noite, amor.” Lena deixou um beijo em sua testa.

“Boa noite, mamãe”

Kara se inclinou também e a beijou. “Tenha bons sonhos, ukiem.”

“Boa noite, mama.” A Danvers engasgou audivelmente e Lena teria rido se não estivesse impactada pelo momento também, então tratou de puxar a namorada pela mão até o quarto que dividiam para que a empolgação da loira não a acordasse.

Se essa animação durou a semana inteira, fazendo com que Kara repetisse "Lori me chamou de mama!" para todos os Superamigos, ninguém poderia julgá-la. Afinal, esses pequenos momentos a lembravam que tinha conseguido o que sonhou desde o dia que perdeu todo o seu planeta, uma família.

Notes:

Ukiem significa amor em kryptoniano, assim como Zhao, mas este tem uma conotação romântica. Nunca me senti tão nerd quanto no momento em que pesquisei isso.

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