Work Text:
Você e Joel se conheceram próximo a Jackson, quando você foi resgatada por um grupo de exploradores da cidade e acolhida por eles. Joel era um dos exploradores, o qual te protegeu com a vida quando um grupo de infectados avançou sobre o grupo. Se você não fosse tão cética em relação ao amor, poderia dizer até que foi amor a primeira vista. "Que patético", você pensa.
Atualmente você está trabalhando no bar, limpando o balcão e cantarolando alguma música dos anos 80, sentindo uma tranquilidade que não sentia a muito tempo. Joel entra no bar, com a mesma carranca de sempre, a cara fechada se desmanchando ao olhar para você. Seu olhar se torna reconfortante, te fazendo puxar os lábios em um sorriso.
– Bom dia, ovelhinha— Você revira os olhos, dando uma risada com o apelido. Joel começou a te chamar assim quando tiveram uma conversa sobre qual animal cada um gostaria de ser. Você disse que se imaginava como um lobo, e ele riu da sua cara, dizendo que você se parece mais com uma ovelha. Você ficou um pouco brava, mas aceitou o apelido de bom grado, achando bonitinho. – Trabalhando muito, huh?
Eu coloco o pano sobre o balcão, me aproximando dele.— É, tá corrido por aqui, mas é bem melhor do que ficar fugindo de infectados.— Ele se senta em um banco em frente ao balcão. Seus olhos brilham ao encarar os seus, e você se sente acolhida por Joel, como nunca se sentiu na vida.
Vocês passam alguns minutos conversando sobre o evento que ocorreu no bar no dia anterior, pontuando as coisas interessantes que aconteceram e rindo de seus amigos que ficaram extremamente bêbados. Você debruça os braços no balcão, as sobrancelhas levemente franzidas.– Joel, você viu Frederich? Ele não apareceu aqui hoje como de costume.
Frederich é um dos exploradores, que se tornou seu amigo durante esses tempos em que você esteve em Jackson. Ele demonstra se interessar por você, dando em cima de você "de brincadeira" e outras coisas do tipo, mas você continua o tratando como um amigo, já que não corresponde o sentimento dele e gosta de sua amizade.
O sorriso de Joel se desfaz lentamente com a pergunta, fazendo você levantar uma sobrancelha.– Fizemos uma expedição nas redondezas hoje de manhã, mas depois não o vi mais.— Seu sorriso volta, mas ainda não te tranquilizando.– Não se preocupe com ele, ovelhinha. Eu o conheço, ele sabe se cuidar.
Eu levanto as sobrancelhas em rendição, deixando o assunto de lado, mas ainda pensativa sobre o porque Frederich não havia vindo no horário de sempre; você se preocupa com seu amigo, afinal. Você tenta esquecer isso, voltando a conversar com Joel sobre outras coisas.
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Era a manhã do dia seguinte e você ainda não havia visto seu amigo. Essa situação já estava estranha, mas ficou ainda mais quando você foi convocada para a patrulha da manhã de hoje. Não era seu dia de patrulhar, mas alegaram que Frederich havia desaparecido. Todos em Jackson estavam preocupados, já que ele havia sumido em sua missão.
– E ele estava com quem, Maria?— Você pergunta baixinho para sua companheira de patrulha, ainda achando estranha essa história.
– Não sabemos. Houve uma nevasca terrível, e nos perdemos uns dos outros por um tempo. Depois, quando eu, Tommy e Joel nos encontramos, disseram que não viram Frederich mais.
Você franze as sobrancelhas, acariciando o cavalo em que está montada para se acalmar um pouco.
– Mas Joel me disse que não viu ele após a patrulha, ele não me contou a história toda.— Maria também franze as sobrancelhas, estalando os lábios enquanto tirava um pouco de neve de seus ombros.
– Não sei o porquê ele não contou. Talvez queria te acalmar. Mandamos outra patrulha à tarde para procurar Frederich, talvez ele não quisesse te preocupar sem necessidade.— Ela avança o passo com o cavalo, sempre avaliando o ambiente com atenção.— Mas agora definitivamente Frederich pode estar em perigo.
Alguns minutos depois, você e Maria encontram uma cabana abandonada, parando para descansar um pouco, pois a neve agora estava caindo em grande quantidade. O vendo gelado estava fazendo seu corpo inteiro tremer, mas você continuou a inspecionar a cabana, a procura de algum recurso útil para a comunidade.
Você escuta um choramingo vindo de uma das portas, sacando sua arma instantaneamente, pensando ser um corredor. Você aproxima o ouvido para escutar, então reconhece a voz. Parecia a voz de Frederich. Você nem pensa nos possíveis riscos, abrindo a porta com brutalidade. Você vê Frederich agachado abraçando as pernas enquanto chorava; seu corpo estava quase inteiramente machucado, e sua expressão demonstrava puro horror. Você consegue ver uma mordida em seu braço, fazendo você congelar em seu lugar. Ele te nota, seus olhos não desgrudando de você.
– Você está aqui!— Ele se arrasta um pouco para perto de você, e você nota que suas pernas estão quebradas. Seu corpo se enche de angústia, percebendo que está vendo seu amigo prestes a morrer em sua frente. Ele parece estar em um estado de quase loucura em sua frente.– Por favor, não chegue perto dele...
Você se força a perguntar.– Quem?! Eu não devo chegar perto de quem?!– Você se aproxima, pensando em como acalmá-lo. Ele tenta se levantar, se arrependendo no mesmo minuto com um grunido de dor.
– Joel...— Ele quase sussura, sua voz tremendo, tomada por horror e medo.– Ele me jogou para a morte, disse que assim eu nunca mais chegaria perto de você... Eu juro, eu não fiz nada! Ele me jogou em um abismo repleto de infectados, eu fui mordido, é tudo culpa dele! Me desculpe, me desculpe...
Ele começa a chorar desesperadamente, colocando as mãos no rosto. Você para no meio do caminho, tentando processar toda a informação.
– O Joel fez isso com você?! — Você pergunta incrédula, sua voz começando a tremer.— Não é possível, não é...
Você se abaixa para checar seus ferimentos, e ele agarra seus ombros com uma força tão grande que chega a machucá-la.– Me dê sua arma, por favor me dê sua arma...
– Não vou te dar minha arma!– Ele te ignora, arrancando a arma de sua cintura, e após isso você fecha os olhos por instinto, escutando um barulho ensurdecedor de tiro e em seguida sentindo um líquido espirrar em seu rosto.
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– Ei, você está me escutando?— Maria diz com uma voz preocupada, segurando você com todo cuidado que ela consegue.
Seus olhos continuam vidrados em algum lugar. Vocês já chegaram em Jackson, já estão na sala da casa de Maria. Você já contou tudo o que aconteceu, menos o fato de que Joel foi acusado por Frederich. Você não teve forças para falar o nome dele, e seus pensamentos ainda estão presos na cabana. Você está completamente tomada por horror, e na sua cabeça você só tem cada vez mais certeza de que não vai esquecer aquilo nunca.
Seus pensamentos vão para Joel. Frederich havia acusado Joel de tentar o matar. Você ainda não conseguia acreditar em suas palavras, mesmo elas passando tanto medo. Frederich era um cara brincalhão, gostava de inventar histórias, mas nunca inventaria algo do tipo; acusar alguém assim? Não se parece com algo que ele faria.
Mas você ainda não consegue acreditar. Joel... O mesmo homem que te protege com todo o amor do mundo... Tentar matar um homem, seu amigo, por ele estar interessado em você? Não, isso não parece real.
"Ele me jogou para a morte, disse que assim eu nunca mais chegaria perto de você..."
Mas talvez... seja real. Você sabia que poderia ser, você sabia que provavelmente... É real. Você só não quer acreditar.
Você escuta a porta da casa de Maria abrir, vendo a pessoa que está tomando seus pensamentos nesse exato momento entrar, completamente atordoado.
– Ovelhinha! Me contaram o que aconteceu, você está bem?!— Você se afasta dele por reflexo, fazendo Maria arregalar os olhos. Você está tremendo, e a pessoa que você menos queria ver nesse momento está na sua frente, tentando chegar perto de você.
– Sai daqui.— Você diz com a voz trêmula, sentindo seu rosto empalidecer.
Ele franze as sobrancelhas.— Não vou te machucar, ovelhinha...
– Eu disse para sair daqui!— Você grita, se levantando do sofá. Você vê os dois arregalarem os olhos, e você está tremendo tanto que sente que vai desabar a qualquer momento, mas continua tentando se manter firme.
Maria ainda está parada sem saber o que fazer, quando alguém chama ela para o lado de fora e ela sai, fazendo um leve carinho em seu ombro com um sorriso, tentando te confortar. Você acompanha um frio olhar de Joel seguindo os movimentos de Maria, te fazendo se sentir mais apavorada do que nunca.
Ele olha para você, um um olhar preocupado que agora só te deixa enojada.– Tudo bem, ovelhinha. Apenas descanse, okay?
Ele olha para você mais uma vez antes de sair pela porta, te dando a possibilidade de respirar um pouco mais tranquila, pelo menos por enquanto.
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Já se passaram três dias, e você não saiu de casa. Você não tem coragem de enfrentar as pessoas, e principalmente não tem coragem de enfrentar... ele. Você pensa nisso dia e noite, a todo instante. Você não consegue comer nem dormir com qualidade, e quando dorme, tem uma noite repleta de pesadelos.
Essa era uma dessas noites. Você se levanta para ir no banheiro, indo para a cozinha pegar um copo d'água em seguida.
Enquanto você bebe um pouco da água do copo, tentando esquecer o pesadelo, você escuta barulhos vindos da sala. Suas pernas começam a tremer ao ponto de tentar tirar todas suas forças, mas você continua imóvel, tentando identificar o som.
Você escuta uma porta abrindo, quase fazendo seu copo cair da mão. Você coloca o copo em cima da pia, tentando fazer o mínimo de barulho possível, enquanto procura uma faca para se defender. Quando você se vira novamente para a porta, vê a figura aterrorizantemente conhecida lhe apontando uma arma. Joel está com uma expressão indecifrável, o que te apavora ainda mais. Você continua segurando a faca com toda força que há em você, apontando para ele inutilmente, visto que ele está em maior poder, portando uma arma de longa distância.
– Eu não queria ter que fazer isso, ovelhinha, mas você me obrigou.— Ele se aproxima lentamente, e o barulho de seus sapatos pesados batendo no chão fazia sua cabeça girar. Você dá alguns passos para trás, esbarrando no armário da cozinha, sentindo seu estômago se revirar ao perceber que não há para onde escapar. Lágrimas começam a escapar de seus olhos. Ele contínua se aproximando, não se deixando intimidar pela faca nas suas mãos, com um sorriso doce que agora lhe fazia parecer nojento.— Não precisa chorar, querida. Não vou te machucar. Apenas abaixe essa faca, okay?
Você ignora seu comando e ele, com uma manobra rápida, te desarma, voltando a apontar a arma para sua cabeça. O olhar dele derrepente se torna sombrio.— Você continua desobediente. O que Frederich te falou? Maria me contou que vocês viram ele.
Ele segura seu queixo com delicadeza, contrastando com a brutalidade de sua atitude atual.– Ele disse o que fiz com ele, não é?! Ele disse que faria de tudo para te encontrar...– Ele contrai a boca, em sinal de asco.– Patético.
Você continua a chorar, soltando soluços altos. Você estava presa ao olhar aterrorizante dele, você não consegue se mexer.
Mas você tenta.
Quando você vê que ele desvia a arma um pouco de sua cabeça, você dá uma joelhada em seu estômago, mas mesmo atordoado com a dor, ele consegue te agarrar seu pescoço, te tirando quase completamente a sua respiração. Ele diz friamente, afrouxando um pouco o aperto em seu pescoço, ao ver que seu rosto estava ficando vermelho.– Você não está colaborando, ovelhinha. Infelizmente, terei que te fazer seguir minha ordens, nem que seja por meio da dor.
Você escuta um barulho de tiro ecoar no local, grunindo de dor ao sentir que seu pé foi atingido por um disparo. A dor te deixa completamente desnorteada, possibilitando que Joel te carregue. Você começa a se debater com as forças que lhe restam, chorando desesperadamente enquanto grita por ajuda.
– Ninguem vai te ajudar, ovelhinha. Estamos muito longe das outras casas. Estamos sozinhos aqui, só eu e você... juntos.— Ele te leva até seu quarto, lhe jogando em sua cama e amarrando seus braços nela. Ele te encara com um sorriso, fazendo você se encolher.– As pessoas costumam dizer que disciplina vem por meio da dor, não é? Acho que elas tem razão.
Você vê o ambiente a sua volta se dividir em flashes, sabendo que é a dor agonizante em seu pé e a perda de sangue que estão te fazendo ficar tonta. De repente, você vê Joel segurando um bastão.
– Vou preparar a cama para você. Que tal dormir um pouco enquanto isso, ovelhinha? Acho que vai te fazer bem.– Você mal consegue raciocinar o que ele acabou de dizer, sentindo uma dor aguda apagar seus sentidos.
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– Oh, você finalmente está acordando. Foi uma noite longa, não foi, querida?— Você escuta, sentindo uma dor pulsante em seu rosto, te fazendo choramingar de dor. Seus braços e pernas estão acorrentados na cama, e você vê o seu pé machucado com um curativo, ainda lutando para entender se tudo aquilo realmente aconteceu ou foi um de seus pesadelos. Você vê Joel sorrir, caminhando em sua direção, só não te fazendo arregalar os olhos porque você não consegue abri-los sem sentir dor. — Fiz um café da manhã incrível para você, espero que goste.
Você passa os olhos pelo lugar inúmeras vezes, começando a sentir a ansiedade crescer em seu peito a cada lugar que você olha. Sua janela e porta estão trancadas com enormes cadeados, e sua cama está manchada com seu próprio sangue. Sua respiração se acelera em desespero, e você sente apenas dor em seu pescoço, por conta do aperto que Joel deu nele. Ele acompanha seu olhar para sua cama, passando a mão pela mancha delicadamente, como se tudo aquilo não fosse culpa dele.
– Oh, sinto muito por essa bagunça, ovelhinha.— Ele olha para você, mas você desvia o olhar. Você não consegue olhar para esse monstro por nem mais um segundo.—Prometo que trocarei sua roupa de cama em breve.
– Porquê você tá fazendo isso?!— Voce diz em um fio de voz.— Só me deixa em paz, por favor, me deixa em paz ...
Ele se aproxima, mas você não consegue se afastar por estar acorrentada. Ele acaricia seu rosto, e você sente seu estômago embrulhar em repugnância. — Não... Eu quero te proteger, ovelhinha. Eu prometi que iria te proteger a qualquer custo, não é?
– Você quer me proteger do quê?! É você quem está me machucando! Você... Você fez aquilo com Frederich...— Voce engole em seco.— Eu faço o que você quiser, só me deixa ir embora... Eu não falo de nada disso para ninguém, só me tira daqui, por favor...— Você apela para a piedade, torcendo para que funcione.
– Eu apenas te machuquei porque você estava sendo má comigo. Não precisarei fazer isso mais se você me obedecer, dear.— Você vê que ele baixou a guarda, continuando a acariciar seu rosto. Você escuta batidas no andar de baixo, sentindo uma pitada de esperança, mas se contendo em gritar por ajuda naquele momento.
– Vou atender. Fique quietinha aqui, okay?— Ele aperta seu braço com um olhar frio.– Ou serei obrigado a machucar você e a nossa visita.
Você escuta ele descer as escadas, e em seguida vozes lá embaixo. Você escuta a voz de Maria, mas não consegue gritar. Por medo de Joel e por medo de Maria sofrer as consequências, pois você sabe que Joel iria matá-la em qualquer deslize seu. Mas, surpreendentemente, você escuta uma comoção do andar de baixo; gritos e barulhos de tiro. Você ignora toda sua linha de raciocínio, focada em não fazer barulho, agora gritando com todas suas forças, em busca de ajuda. Você escuta Maria gritando lá embaixo, e logo escuta mais tiros. Você sente uma onda de pavor tomar seu corpo quando escuta passos lentos e arrastados subindo as escadas.
Não funcionou. Você estragou tudo.
Você matou Maria.
Você se encolhe ao ver a porta se abrir, mas quase não acredita ao ver Maria na porta, com a perna sangrando.
– Eu sabia que ele tinha feito algo. Você não me contou, mas eu juntei as peças. Ele... — Ela se engasga em sua fala, com um olhar agoniado para você.– Que porra ele fez com você...
Você começa a chorar.
Você chora enquanto ela te desamarra.
Você chora mais quando ela te abraça.
E continua chorando quando passa ao lado do corpo de Joel, com um tiro na testa, o sangue vazando por todo seu rosto.
E você sente que, mesmo agora estando livre, você vai chorar o resto da vida ao lembrar desse dia.
