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Category:
Fandom:
Relationships:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2022-06-14
Words:
2,554
Chapters:
1/1
Kudos:
9
Bookmarks:
1
Hits:
203

Despertar da Manhã

Summary:

Momentos diurnos entre Elain e Azriel na cama agraciados com muito amor e pouquinhas obscenidades (quase nada, apenas menção e pensamentos) baseado numa fanart.

Notes:

fanart:

art: xjuliart
link:https://t.co/S9mlX3LGDC https://t.co/hAcOBkKwEN

Work Text:

Seus dedos percorriam cada relevo de sua mandíbula, seguindo a nascente de seu maxilar e terminando na junção da foz dos seus lábios rosados e aveludados, que distribuíram beijos por toda noite contra sua pele.

Ela voltou a repetir o movimento retrocedendo todo o caminho e pairando na linha entre suas sobrancelhas marcada pelas tantas vezes em que apertou-as. Havia um sorriso se expandindo na boca dele e Elain sabia que tinha surgido naturalmente por estar tão sereno ao despertar aos poucos, ainda mais tendo-a como companhia.

Sorriu em resposta também mesmo que ele não pudesse vê-lo. Aprumou-se sobre seu corpo quente afastando seu dedo de sua face e substituiu pelos seus beijos cálidos como a terna brisa de uma noite de verão. Não havia uma célula sua que não tivesse sido presenteada pelo roçar dos lábios de sua amante.

Seus olhos abriram-se aos poucos e, finalmente, Elain pôde observar os tons de uma floresta em suas íris pela mistura do marrom com o verde os quais a acalmava toda vez em que seus olhos se encontravam.

— Bom dia, dorminhoco — saudou e, por fim, dispôs um longo e terno beijo em sua boca.

Quando se separaram, Azriel levou seus dedos para tirar a madeixa de cabelo da frente do rosto de sua amada e sorriu.

— Bom dia, sol da manhã.

Elain gemeu vergonhosa e corou, escondendo-se na curva do seu pescoço igual o sol atrás das nuvens quando a chuva chegava. Azriel entendia o motivo do vermelhidão em suas bochechas e ainda achava engraçado o fato dela não ter se acostumado com esse apelido carinhoso que ele tanto pensou e declarou com extrema afeição como a de um poeta apaixonado.

— Ainda é difícil me acostumar com você sendo meloso — ela desapareceu um pouco do seu esconderijo e olhou para ele querendo demonstrar que mesmo ficando sem graça toda vez em que o recebia, não deixava de deleitar da ideia de terem um nome único nesses momentos fortuitos em que apenas eles existiam para si mesmos como o céu e a terra que entravam em abundância toda vez que se uniam.

Azriel apenas soube sorrir minimamente e puxar seu rosto para próximo ao seu para tocar seus lábios em leves segundos. Várias borboletas se debatiam dentro do estômago de Elain toda vez que reproduziam cenas assim e similares. Às vezes, nem ela acreditava que isso era real, que Azriel era real e estava junto de ti, podendo sentir seu calor e o valor de seus beijos.

Em contrapartida, também não deixara de estar com medo, porque sabia tão bem quanto o verde das folhas que eles eram um risco um ao outro se forem pegos juntos. Como toda felicidade tinha seu preço, essa era a deles.

Elain não deixou-se viajar por estes caminhos para que a manhã não ficasse melancólica e deu um jeito de fazê-los eclipsarem.

— Eu senti sua falta — Azriel confessou ao observar o castanho de seus olhos que remetiam ao cacau. Eles sempre tinham a tentação de brilhar em sua presença.

— Eu também senti a sua — Elain apoiou o queixo em seu peito e ambos entraram na maior sintonia com os olhares sem desviaram. Parecia uma criação de uma música única, as partituras voando as soltas enquanto o som se dispúnheis ao ambiente.

— Será que eu posso passar o dia inteiro com você nesta cama e nunca mais sair?

A risada da Elain surtiu como um leve som de cascata calmante entre os dois e algumas sombras de Azriel apreciaram escutar o som sem se moverem do espaço que estavam descansando. Quando os dois amantes estavam juntos, elas sempre lhe deixavam a sós.

Um tempo de paz para Azriel que ficava escutando o turbilhão de notícias recebidas a cada segundo passado.

— O melhor mestre-espião de toda Prythian falando algo desses? Como pode?! Quem vai nos defender caso algo aconteça?

Ele revirou os olhos e apertou seu nariz em repreensão.

— Todo mestre tem seus auxiliadores e os meus podem fazer meu trabalho por hoje enquanto fico com você.

Azriel colocou uma mecha sua para junto da cachoeira de seu cabelo, roçando de leve em sua orelha pontuda e depois descansando a mão em sua costa nua lisa e macia como a pétala de uma flor, fazendo movimentos para cima e para baixo. Elain deixou escapar alguns ronronares, tendo pego esse costume com seu amante.

Ela voltou a se deitar em cima dele, sentindo como seu peito a lembrava daqueles montes de folhas do outono o qual adorava deitar quando tinha chance por fazerem a recrear-se, por milésimos segundos, da sua antiga vida. Sentia-se livre da fajuta vida criara pela mãe.

Sua mão começou a fazer segmento para a sua asa, tocando no osso de sua membrana igual quando movia os dedos pelo tronco de uma árvore. Ela sentiu seu peito ficar tensionado pelo contato.

— Raio de sol... — advertiu ele, mas Elain não dera muita atenção.

— Hm...

Ela continuou sua passeata por toda sua extensão e sentia cada vez mais que Azriel ficava mais arrepiado. Elain sabia que os illyrianos não gostavam que tocassem em suas asas sem permissão, e saber que Azriel tinha dado o passe livre para ela ainda a deixava boquiaberta, porém, feliz pela confiança que ele tinha por si. Isso significava tanto para ambos.

No momento em que Elain raspou sua unha bem de leve como se tivesse tocado na água em sua membrana, Azriel soltou um gemido e segurou-a com força enquanto trocava de posições. Tudo o que ele podia ouvir era o sonoro riso de Elain reverberando por todo o recinto no maior contentamento. Seu riso era como apreciar o amanhecer, não querendo perder nenhum momento do nascimento do sol. Ele amava cada pequeno barulho que fazia.

E suas sombras também, visto que se remexeram pela procura da melodia harmoniosa.

— Você é uma donzela muito prepotente — advertiu, tentando soar sério, mas apenas de observar o sorriso presunçoso em seu rosto, deixou cair todas suas estruturas e se deu por vencido, sorrindo junto e abaixando-se para tocar seus lábios.

Beijar Elain era como voar, pois se sentia livre para ir em qualquer lugar enquanto aproveitava cada ventania calorosa no processo. Era como se pudesse testemunhar cada nova manhã e observar os tons pastéis do céu e saber que sempre estaria impressionado por a cada dia existir uma nova mistura de cores. O céu nunca perdia sua beleza.

Beijar Elain era apenas... saber que era recíproco. Que cada segundos que se tocavam eram significativos por causa das emoções que os rodeava iguais suas sombras. Ele não queria perder isso jamais, e nada e nem ninguém poderá afastá-lo de sua musa.

Após separar seus lábios, continuou soltando beijos por toda sua face, trazendo arrepios e cócegas pelo caminho, o que fez, novamente, com que a risada de Elain sobressaísse no âmbito.

Elain segurou seu rosto e suspendeu em sua direção. Azriel se apoiou pelos cotovelos quando ela laceou sua pescoço e deixou mais de um, dos milhares de seus sorrisos, transparecer.

— Eu amo você.

Ele corou pela surpresa, afinal, nunca conseguia se acostumar com essas meras, mas significativas, palavras. Sempre acreditou que não era digno nem destinatário delas.

— Eu também amo você.

— Eu sei.

— E eu também sei que você sabe — mais um riso em resposta, o qual ele só soube corresponder com um de lábios colados.

Seus olhos desceram para apreciar a extensão do corpo de Elain, encarando cada pequeno chupão parecido com a coloração de ameixa em sua pele alva. Não que ele conseguisse esconder, mas ver que havia marcas suas impressas iguais tintas nela mexia consigo. Devia ser aquelas besteiras no estilo alfas que ainda estava aprendendo a lidar.

Ele contemplou cada curva primorosa, passeando sua mão como pena tenra em sua epiderme e evidenciando cada sutil calafrio que surgia. Parando na região do quadril, apertou sua carne fofa e macia que formava as mais deliciosas dobras que ele já vira e Elain gemeu. Deuses acima, ele amava seu corpo. Amava o quão bem se encaixava com o seu como se existissem apenas para isso, para um completar o quebra-cabeça do outro.

Os lábios de sua donzela estavam entreabertos e seus peitos estavam surtindo com o leve tom rosado iguais às cerejeiras, imitando suas bochechas e a cor de seus lábios carnudos. Ele revelou, claro, o seu sorriso grandemente lascivo e predador. O cretino tinha que ter a boca mais linda que Elain já vira, era o inferno como imaginava coisas por causa dela.

— Parece que alguém não se contentou pelo o que aconteceu nesta madrugada — Azriel levou seu indicador ao redor de seu umbigo, desenhando círculos invisíveis em sua pele. Angústia parecia retumbar pelo corpo dela, juntando-se com o calor expandindo-se por aquela área. — O seu cheiro está forte...

Nessa mesma hora, Elain apertou as penas uma na outra, ou quase. Era de absoluta certeza que Azriel seguraria sua coxa numa agilidade que até as asas de um beija-flor ficariam com inveja.

Sua palma escorregava para cima e para baixo, brincando com ela enquanto mais e mais seu centro parecia chamuscar por sua atenção. Eles ficaram acordados a noite inteira e mesmo assim ela não ficara saciada. Como? era uma pergunta recorrente que voltava como um ioiô em sua mente.

Azriel se locomoveu ficando no meio de suas pernas, e Elain aproveitou a nova posição para passar os dedos do pé em seu torço para tentar tirar alguma turbação daquele olhar felino observando-a com brilho nos olhos que resplandecia mais que o próprio sol e uma sede insuportável de querer prová-la de novo, de novo e de novo.

Até se cansar.

Com as carícias dos dedos de Elain nele, seu corpo reagiu da mesma maneira que a dela, seus pelos todos se eriçaram igual os dorme-dorme acordando. Seu cheiro começou a mudar para algo mais adoroso de fervor. Suas pupilas se dilataram mais do que ela achou impossível. Observá-las era como ver um abismo de sensações sem recear o medo de pular.

Estar apaixonado realmente mexia com as estranhas de alguém, fazendo com que pensassem em movimentos que nunca sequer supuseram antes.

Tudo era diferente com ele. Tudo.

— Você é uma atrevida brincalhona — ganiu ele.

— Aprendi com quem, será? — ela sorriu, satisfeita por saber que era seu ponto fraco da mesma forma que ele era o dela.

Azriel voltou a ficar em cima dela e a beijou com velocidade, junto do complemento de dentes se trombando no início pela rapidez. Ele a beijava como se precisasse de algum âmago que só ela podia lhe dar. Alguma substância que não poderia viver sem.

E Elain, em resposta, beijava-o como se sempre fosse a primeira vez, tirando proveito de tudo que poderiam sem nunca pensar no mais tardar.

Mas ambos sabiam que o que acontecia naquele espaço individual pertenceria apenas a eles e a ninguém mais. Um segredo sujo que mantinham guardado nas sombras pois se alguém o exibisse para a luz, o caos que isso conceberia estava longe da percepção deles. Eles tinham ilusões do que poderia acontecer, entretanto, sempre que dividiam o mesmo local, não ousavam pensar nisso e estragar o clima. Não quando esses momentos roubados eram tudo o que tinham.

Azriel descolou seus lábios trazendo seu inferior no caminho e com um gemido — por Elain ter apertado as pernas ao seu redor por extrema graciosidade, conseguindo sentir o crescimento de sua dureza, enquanto ele fazia de tudo para não entrar nela e manter uma certa distância até onde conseguia — passou as mãos em seus cabelos, segurando sua cabeça, e deu um selinho demorado, contemplando seu olhar ao se afastar

— Não podemos fazer isso agora, você sabe — havia um pesar em sua voz, como se tivesse no fim da linha e perdido, juntando com a agonia de seus membros doidos.

Elain empurrou seus fios de cabelos compridos — pois ele estava testando um novo estilo de penteado, mas nada próximo ao de Cassian — e respondeu na mesma entoação:

— Eu sei.

— Sinto muito não poder te dar mais. De ter que te trazer para um lugar onde só nós sabemos da existência e não poder te tocar aos olhares dos outros. Eu queria te dar um romance digno. Ser digno para você.

— Meu amor... — lamentou ela, observando seu semblante amuado.

Ela beijou seus lábios serenamente como se estivesse tocando uma flor macia e fez com que ele deitasse a cabeça em seu peito. Azriel laceou seus braços musculosos em seu minúsculo corpo e permaneceu assim, escutando seu coração bater igual o barulho da água da chuva caindo na primavera. Como uma batida música atenuante que o ajudava a se salientar.

Elain mexia em seus cabelos. Ela amava passar as mãos em seus sedosos fios como se passasse em tecidos felpudos, além dos cheiros de cedro e névoa que vinham como brinde, com a companhia de outros exóticos aromas que o vento trazia durante seus voos.

— Eu também sinto muito por não poder te dar nada disso. Por não conseguir mostrar aos outros que você está feliz. Que nós estamos felizes porque estamos juntos e conseguindo levar uma vida. Eu queria poder sair com você, segurar sua mão, fazer piquenique ao longo do rio Sidra — ela soltou um longo suspiro que fez seu peito se levantar e descer numa lentidão igual uma bexiga se enchendo e esvaziando. — Mas mesmo que ainda não tenhamos isso, estou contente pelo pouco que temos. Eu gosto de passar meu tempo com você — Azriel se encostou em seu peito com o queixo apenas para visualizar seus olhos taciturnos, mas que ainda carregavam o fulgor da esperança. — Vamos conseguir, um dia, ter essa liberdade.

Todo aquele momento de luxúria se dissipou no instante em que começaram a retomar o assunto dessa fragilidade que bombeava pelos sangues deles. Em melhor dos casos, Elain sabia lidar com isso de uma maneira melhor do que ele. Ele ainda estava parado no tempo com esse assunto, demorando para tolerar toda situação.

Mas por ela, como sempre repetia, tentaria agir como se isso não o afetasse. Como se não os afetasse. Ele sabia que ela também ficava triste, mesmo que conseguisse esconder bem o bastante.

— Eu espero que sim.

Elain sorriu e beijou sua testa e ele voltou a deitar em seu peito. Ela o abraçou e permaneceu cheirando a fragrância que emanava. Adorava seu cheirinho pós-sexo e aproveitava o máximo, porque depois daqui, ambos teriam que lavar seus corpos com um especial sabonete para limpar seus odores.

Mesmo que as asas dele surtissem com um peso capaz de deixar todos seus membros com cãibras, não trocaria isso por nada no mundo, porque sabia que poderia perde-lo para, talvez, sempre. Fora que Elain estimava muito poder venera-las, principalmente pelo seus tamanhos. Elas eram arte. A puríssima arte.

Azriel plantou um beijo em cima de seu coração e deixou-a com frio na barriga. A mão dele começou a fazer carinhos na curva da sua caixa torácica como sussurros das folhagens das gramas contra a pele sem fins voluptuosos e ficaram em silêncio apreciando a sonoridade de suas respirações enquanto observavam o nascer do sol.

Naquele momento, tudo o que traçavam eram planos para um futuro juntos, sem medo dos julgamentos e livres para se amarem sem amarras dos outros. E, mais importante, do destino.

Eles criariam o seu próprio, tinham convicção disso. Ninguém os iria deter quando chegasse a hora.

Ninguém.