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Português brasileiro
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Published:
2021-10-30
Words:
4,833
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1/1
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29
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486

Silly lil' call

Summary:

Baekhyun gosta de ouvir as histórias promíscuas de Kyungsoo sempre com uma mão dentro da calça. Um dia, Kyungsoo o ouve de volta.

Work Text:

Baekhyun tinha acabado de chegar da faculdade. Um pouco suado de caminhar na rua num dia quente, ligou o computador e, enquanto isso, foi para o banheiro lavar o rosto, passando a mão molhada nos cabelos loiros para refrescar, ajeitando-os para trás. Tinha aula em períodos diferentes dos amigos nesse semestre, por isso quase não via Chanyeol, Jongin e Kyungsoo pelos corredores do campus de engenharia da Universidade de Seul, limitando seu contato por saídas de final de semana e chamadas de voz no server F4, como eles se denominavam ironicamente.

Eram os típicos garotos héteros de classe alta, populares e desejados por todas as meninas, como em qualquer drama clichê. Park Chanyeol, 23 anos, mesma idade de Baekhyun, eram amigos de infância e entraram juntos na faculdade. Filhos de engenheiros, iriam continuar o tal do legado da família na profissão. Conheceram Kim Jongin, 22, que veio do interior para estudar, logo no acolhimento de calouros. Apesar da fachada de mocinho simples, Jongin é herdeiro de uma vinícola renomada no país e chegou na capital pronto para causar. Discretamente, claro.

E tinha Do Kyungsoo, 21, o terror particular de Baekhyun. Seus pais eram donos de uma montadora de carros, então tinha que conviver com o amigo levando garotas para cima e para baixo em um conversível diferente toda semana. Claro, ele também andava nos automóveis caríssimos do mais novo, mas a verdade era que fantasiava mais do que era saudável em estar no banco do passageiro, com a mão do outro espalmada em sua coxa.

Ah, é. Sobre esses pensamentos em particular, tinha toda uma história. Desde o começo do semestre, Kyungsoo criou o hábito de contar para os outros três suas aventuras nada virtuosas com as veteranas do departamento e algumas moças da faculdade de odontologia. E ele não poupava detalhes. Para Jongin e Chanyeol era engraçado, para Baekhyun era torturante. Quer dizer, estava sendo desde que um episódio especial aconteceu.

Antes do relato, é importante pontuar que Baekhyun achava, até então, que era hétero, mas após ouvir toda a história que Kyungsoo contou, ele pensou que talvez fosse bissexual. Em um dia qualquer, o Byun logou no servidor e abriu a chamada, cumprimentando todos brevemente para não atrapalhar o assunto que discutiam com tanto afinco antes de ele chegar. Como era para ser uma sessão de estudos, estavam com as câmeras ligadas.

— Chegou em ótima hora. — Chanyeol avisou, levantando o olhar brevemente para ver Baekhyun acenando enquanto ajeitava sua mesa e abria a janela. O Park estava acompanhado de Jongin, na varanda de casa, e enrolava um cigarro com cuidado. — Soo ‘tava contando umas putarias.

— Achei que estivessem estudando. — Baekhyun riu, jogando o livro pesado de planejamento e controle de obras de lado e se sentando na cadeira. — Continua, Soo, não quero atrapalhar.

— Ah, não é nada demais. — O mais novo mexeu no cabelo, folheando o caderno. — Sabe a Xiang, a intercambista amiga do Lay, Baek? De odonto? Então.

— O que tem ela? — perguntou, tentando lembrar, já que toda semana era uma moça diferente.

— Despertou coisas no nosso Dyo — contou Jongin, assustando Chanyeol com o volume da voz. — As mais sujas que o Soo conseguiu pensar.

— Exatamente. Nunca tinha feito isso, tipo… ela queria que eu falasse umas coisas, que xingasse, e eu não sabia o que fazer, aí eu improvisei. — Kyungsoo contou, um pouco envergonhado, mas se recompôs. — Mas acho que deu tudo certo. Ela não para de me mandar mensagem desde então.

— Aposto que se isso tivesse acontecido com você, ‘cê teria chamado a menina de imbecil quando ela pedisse pra ser xingada. — Jongin sussurrou para Chanyeol, o Park riu e lhe deu um tapa nos ombros.

— Entendi. — Baekhyun ainda ria dos amigos. — E o que você falou, exatamente?

— Não pude falar muito, na verdade — começou, e Jongin já interrompeu o relato.

— Ah, é, Baek, o Soo deu pra foder em lugar público agora!

— Por Deus, eu fico cinco minutos fora… — resmungou, olhando de canto para a tela da câmera de Do enquanto checava seus e-mails. — Onde foi?

— No banheiro do departamento — murmurou, fazendo Chanyeol e Jongin gritarem e rirem. — Que caralho, vocês dois.

— Eu que o diga, Soo. Quer dizer, a Xiang que o diga — zombou o Park.

— Vocês estão enrolando demais pra contar o que o garanhão aí fez, vou pegar um café — avisou e saiu do quarto, indo até a geladeira se servir de uma latinha de expresso. Tirou a camiseta e jogou no cesto da lavanderia. As vantagens de morar sozinho eram as melhores, principalmente quando ele podia se livrar da calça e circular pela casa só de cueca.

Voltou sem pressa, já estava cansado de ouvir os casos sórdidos dos amigos. Colocou os fones, o headset rosa com orelhas de gatinho, se preservando para não aparecer seminu na frente da câmera, então sentiu o café parar no trajeto da garganta para o estômago.

— … eu mandei você ficar calada. Quer que o departamento todo escute e saiba a putinha que você é? — O Do estava no meio do relato, os outros dois permaneciam em silêncio para ouvir. — Aposto que você iria adorar se outro cara entrasse aqui e te fizesse ficar quieta na marra, não? Eu não me importaria em dividir você, amor, não com alguém que pudesse te deixar quietinha. Quero ver como você vai conseguir gemer assim com um pau afundado na sua garganta.

Kyungsoo era conhecido e elogiado pela voz grave e aveludada. Foi até convidado para participar de um programa do departamento de jornalismo, narrando alguns acontecimentos do campus de engenharia quando a universidade recebeu um prêmio e tudo mais, mas aquilo era um campo completamente novo, até mesmo para Baekhyun, que ouvia Kyungsoo falando praticamente todos os dias.

Dissociou-se por alguns segundos quando escutou tudo aquilo, mas logo os gritos de Chanyeol e Jongin o trouxeram de volta à realidade.

— Eu duvido! — desafiou o Kim. — O que você ia fazer se aparecesse outra pessoa lá? Colocar a Xiang pra chupar um desconhecido?

— Claro que não! — Kyungsoo gargalhou, as bochechas assumindo um tom levemente ruborizado. — Eu provavelmente iria broxar de susto, mas na hora a fantasia serviu pra ela. A Xiang gosta de se exibir. Quer dizer, ela não parou de gemer alto, aí eu tive que segurar a boca dela. Foi difícil, já que ela estava de quatro em cima da privada e eu queria muito apertar a bunda dela, mas…

Baekhyun arrancou o fone e jogou em cima da mesa, correndo para o banheiro e batendo a porta atrás de si. Olhou para baixo, a ereção apontando na cueca. Riu, incrédulo, sem entender muito bem, mas jogando a culpa nas duas semanas de seca — o período de provas esgotou seu corpo totalmente, não estava com cabeça para as burocracias das transas casuais.

Enquanto encarava seu reflexo no espelho amplo do banheiro, imaginou coisas que, se um dia fosse questionado, iria negar até a morte: Kyungsoo, atrás de si, falando aquelas coisas condenáveis em seu ouvido, segurando em sua cintura, descendo a mão até sua bunda. Inferno de cérebro criativo demais.

Aquela foi a primeira vez que se masturbou pensando em Kyungsoo. E, veja bem, deliberadamente pensando em Kyungsoo e não nas histórias que ele contava. Afinal, era seu amigo, o que tinha de errado? Baekhyun sempre foi aberto a novas experiências — inclusive lembrava com carinho da massagem na próstata que sua ex-namorada sabia fazer. Para ele, eram pensamentos normais de um jovem perfeitamente saudável.

 

Nada como ter a consciência limpa!

 

Voltando ao dia de hoje, sentou-se na cadeira do computador, só de bermuda e com os cabelos ainda úmidos, e abriu a chamada para ouvir o que os amigos estavam falando.

 

Sobre a vida sexual de Do Kyungsoo, claro.

 

— … não tem gosto ruim? Dependendo do que você come e tal? — Jongin perguntou. Baekhyun pegou a ideia da conversa, apenas com áudio, enquanto lia algumas coisas do chat.

— É só você não comer lixo, né, Nini. — Kyungsoo rebateu. Chanyeol era o único com a câmera ligada, sem prestar atenção no debate dos outros dois, e foi chamado para opinar sobre o assunto.

— A questão é que porra dá gastrite — pronunciou, com toda a certeza do mundo. Eles riram. — É sério, eu tenho um tio que é médico.

— Eu fiz uma pesquisa rápida e descobri sem o menor esforço que isso é mentira. — Jongin corrigiu, fazendo Chanyeol bufar. — A não ser que você tenha alguma infecção, sêmen não faz mal. — E enviou o link de uma matéria no chat.

— Qual é a putaria da vez? — perguntou, tentando não parecer tão interessado.

— Sabe a menina que faz iniciação científica comigo? — O Do perguntou e Baekhyun respondeu que sim.

— Aquela que parece um menino. — Jongin adicionou, corrigindo assim que Kyungsoo começou a reclamar. — Qual é, um menino bonito!

— Só porque ela tem cabelo curto? Machista! — Chanyeol acusou, tumultuando a chamada.

— Caras, eu queria passar um dia sem que vocês não fizessem um escândalo toda vez que o Soo tenta contar alguma coisa. — Baekhyun suspirou, reclinando na cadeira.

— Se você viesse aqui em casa quando eu chamo, se pouparia. — O Do retrucou, voltando ao assunto. — Então, fui levar uns papéis na sala do coordenador e ela estava lá.

— Pelo amor, não me diga que vocês transaram na sala da IC… — O mais velho murmurou, incrédulo, provocando risinhos nos demais.

— Não, a gente trocou números e ela me chamou pra casa dela. O que eu estava contando é que ela não curte muito penetração, só queria me chupar. — Parou de falar, até que Baekhyun o chamou. — Perdão, ela acabou de me mandar mensagem. Enfim, ela me chupou tantas vezes que, meu Deus, achei que não fosse sobrar nada.

— E sobrou, Soo? — O Kim zombou.

— Sobrou não — confessou. — Mas foi interessante, ela de joelhos no meio da sala falando todas aquelas coisas que eu já contei e, por favor, não me peçam pra repetir.

Eles riram um pouco mais, como era de costume do grupo, e ficaram num silêncio confortável por um tempo.

— Vou sair, minha mãe lembrou que preciso fazer compra — avisou Chanyeol.

— Passa aqui? Quero comprar sorvete. — Jongin pediu. — E que responsável! Ele faz as compras dele.

— Gostou? — Chanyeol riu, desligando a câmera. — Estou saindo, me espere na portaria. Chegou em vinte minutos.

— Eles andam grudentos, né? — Kyungsoo comentou assim que os dois desligaram a chamada, sozinho com Baekhyun.

— Sempre foram — resmungou. — Aliás, engraçado o Yeol correr no mercado depois que o Nini mandou essa matéria com a lista “alimentos que deixam o sêmen com gosto bom”, fecha aspas.

— Eles são bobos — concluiu, digitando algo em seguida. — ‘Tô terminando um relatório, depois fico livre. Quer fazer algo?

— Do tipo…?

— Sei lá, tomar um café, comer alguma coisa. Faz tempo que a gente não conversa — comentou, mais como uma lamentação.

— Ué, Soo, a gente se fala todo dia.

— Mas não só nós dois — reclamou. — A gente se fala todo dia mas é só bobagem. Eu tenho mais coisa pra contar além dos boquetes que recebo. Também não sei mais nada da sua vida.

— Entendi, você tá com saudade de mim — zombou.

— Estou. — E silêncio.

Tinha algo muito peculiar em ouvir Kyungsoo dizer que estava com saudade, mesmo conversando todos os dias. Ainda mais porque era o Kyungsoo que tinha todos os tipos de contatos físicos possíveis e, mesmo assim, fazia questão de estar com Baekhyun presencialmente. A situação toda mexia com o Byun, esquentando seu colo e fazendo com que ele descesse a mão para dentro da bermuda fina de tactel.

— Ei, tá aí? — chamou, já que o mais velho parou de responder. — Ficou tão emocionado que desmaiou, foi?

— Haha, estou — respondeu, sem graça, suspirando em seguida porque, bom, estava começando a ficar duro e queria sair da chamada o mais depressa possível. — Mas ok, Soo, eu passo aí mais tarde. Vou terminar umas coisas aqui e te aviso.

— Vou ficar esperando, Baek, até. — Se despediu com a voz arrastada, um pouco cansada, suave demais. Foi o suficiente para Baekhyun decidir consumar a punheta. Ele não era de ferro.

Colocou os fones de lado e clicou de qualquer jeito no botão para encerrar a ligação, deixando Kyungsoo sozinho no servidor. Já estava confortável o suficiente na cadeira, mas pendeu a cabeça para trás e esticou as pernas, se masturbando com preguiça enquanto pensava na voz do amigo e, principalmente, na história do dia. Já tinha experimentado o próprio sêmen, claro, era curioso o suficiente, mas não foi algo que o agradou — diferente da imagem mental de estar de joelhos, com Kyungsoo gozando em sua boca.

Depois que pensou naquilo, suspirou e apoiou os cotovelos no braço da cadeira, levantando-se do assento brevemente para descer a bermuda e a cueca até os joelhos. Cuspiu na palma da mão, espalhando saliva na glande e fazendo movimentos circulares. Fechou os olhos e usou a mão direita para beliscar seu mamilo, mordendo os lábios com a sensação que descobriu há pouco que gostava.

Não demorou para começar a gemer. Baekhyun era sonoro, tanto no sexo quanto em suas masturbações solitárias. Ele fazia questão de vocalizar tudo que sentia, geralmente usando o nome dos envolvidos. No sexo, era sempre chamando o nome da menina da vez ou qualquer outro apelido carinhoso, especialmente quando não lembrava ou tinha medo de confundir. Sozinho, era sempre Kyungsoo.

— Soo… — suspirou, apoiando a cabeça no próprio ombro e olhando para baixo. A saliva já estava misturada com sua lubrificação natural e ele estava completamente ereto. Desceu a mão até a base do pênis devagar, subindo mais lento em seguida, só para ver o membro pulsando com o toque. — Soo.

Baekhyun era um pouco tímido ainda na coisa toda de chamar Kyungsoo enquanto se masturbava. Em sua cabeça, desenvolvia as falas mais vulgares que conseguia pensar, mas elas nunca conseguiam passar dos lábios para fora, como se aquilo fosse denunciar para o amigo tudo que ele fazia escondido.

Sempre lembrava do que Kyungsoo falava, todas as sessões onde ele esmiuçava os diálogos que tinha com as várias mulheres com quem transava, e imaginava o Do dizendo tudo aquilo para si. Era difícil manter a compostura.

— Ahn… Merda, Soo — grunhiu, dessa vez com a mão mais rápida, subindo e descendo por toda a extensão de seu pau, enquanto a outra, antes ocupada em seu mamilo, fazia um caminho trêmulo até suas bolas, parando os dedos no períneo e estimulando a área. Acelerou o possível, sentindo que não demoraria a gozar, gemendo mais alto.

Assim que sentiu o espasmo que sempre vinha acompanhar seu orgasmo, soltou o peso do corpo na cadeira e colocou a dobra do braço sobre o rosto, esperando sua respiração normalizar. Também tentava não se mexer demais, já que sua barriga estava molhada de porra; se aquilo escorresse na cadeira seria um transtorno para limpar.

Quando finalmente parou de ofegar, virou com cuidado para alcançar a caixa de lenços de cima da mesa, mas seus olhos foram direcionados para a tela do chat do servidor, mais precisamente para o cantinho onde sua foto e apelido eram acompanhados das palavras “voz conectada”.

 

Baekhyun gelou.

 

Antes que tivesse tempo de reagir, seja lá qual fosse a reação possível para aquilo que tinha acabado de acontecer, pôde ouvir o som escapando do headset que largou na mesa assim que pensou ter desligado a chamada.

Já acabou?

Olhando para a tela, leu o chat. Kyungsoo estava ouvindo desde o começo porque Baekhyun nunca saiu dali. As mensagens “Baek, tá aí?”, enviadas diversas vezes, seguida de “que merda, Baekhyun, você tá com o microfone ligado” e alguns pontos de interrogação fizeram com que ele sentisse vontade de pular da janela. O rosto quente de vergonha, o estômago embrulhado, não sabe até hoje como conseguiu colocar o fone de volta no ouvido e responder.

— Foi mal — murmurou, com a voz obviamente trêmula e, agora sim, saiu da chamada, puxando a tomada do computador e encarando o monitor desligado.

Depois disso suas ações foram mecânicas. Levantou-se e rumou para o banheiro, ligando o chuveiro e tomando um banho frio, se secando de qualquer jeito e indo para a cama, não sem antes colocar o celular no modo avião. Iria dormir para sempre, tinha decidido.

Não tinha problema nenhum em dormir horas após um vexame. Já fez isso várias vezes, principalmente no ensino médio, o tempo áureo da humilhação em sua vida. O top cinco, das que conseguia lembrar melhor, incluía quando se declarou para a menina que gostava, mas Chanyeol acabou chegando na frente para o primeiro beijo dela, e vários tombos que caiu na frente de todos. Nunca houve melhor remédio do que doze horas de sono e nada podia tirar aquilo de si.

Para seu desprazer, conseguiu cochilar menos de duas horas. A cabeça pesada, ainda atordoado quando lembrava da voz baixinha do amigo escapando pelo fone, denunciando que seu segredo já não era mais um segredo. Respirou fundo e pegou o celular, desativando o modo avião e ignorando todas as notificações. Então a tela mudou para o aviso de chamadas.

 

Soo, ligando.

 

Atendeu, olhando para a janela. Estava em crise, ainda pensando na possibilidade de pular... Era um emocionado.

— Alô? — respondeu baixinho, respirando fundo e preparando o psicológico para a conversa. Decidiu que iria fingir que nada aconteceu.

— Baek, você ‘tá bem? — perguntou, sem nenhuma nuance de nada além de legítima preocupação em seu tom de voz. — Você sumiu, estava quase indo até aí.

— Eu não sumi — murmurou, colocando o celular no viva-voz e se afundando nas cobertas. — A gente se falou tem algumas horas.

— Isso sim, mas fiquei preocupado pelo jeito que você saiu da call depois de… depois do que rolou.

 — Não rolou nada — rebateu envergonhado, sem conseguir pronunciar o nome do outro. — Esqueça, tudo bem?

— Esquecer, Baekhyun? — O tom de Kyungsoo mudou para incredulidade. Ele soltou uma risada, desacreditado, e murmurou: — Como eu vou esquecer de você gemendo meu nome daquele jeito?

Baekhyun engoliu seco, a respiração pausada com impacto do que ouviu, recuperando os fatos: Kyungsoo presenciou do início ao fim.

— Sorte sua que estávamos sozinhos no servidor — continuou, a voz daquele jeito que ele sabia que aniquilaria o restante do juízo de Baekhyun. — Ou o Yeol e o Ni teriam te ouvido também. Imagina só? Ter que dividir você com eles?

 

Ah. Kyungsoo era desses.

 

— Você vai me zoar disso pelo resto da vida, já entendi — desconversou, tentando disfarçar como aquilo tinha o abalado.

— Eu nunca faria isso — retrucou. — Somos amigos, nunca faria nada que você não quisesse. Se bem que, haha, aparentemente tem várias coisas que você quer.

— Soo...

— Finalmente falou meu nome, Baek. Você gosta, não? Você me chama toda vez que se toca? — Baekhyun se mantinha em silêncio. — Me responde, Baekhyun.

— Não — rebateu, cínico. — Você entendeu errado.

— Entendi errado, foi? Você vai negar que gozou gemendo meu nome?

— Até a morte. — Foi ríspido, pronto para desligar o celular.

— Não seja assim. Poderíamos estar nos divertindo agora se você não fosse tão birrento — falou arrastado, apostando tudo o que tinha no poder que sua voz exercia no amigo. — Você estava dormindo?

— Sim. — Baekhyun não tinha a menor intenção de prolongar a conversa, mas começava a ceder. — O que você quer, Soo?

— Por que você acha que eu quero alguma coisa? — Ele riu.

— Tá, vou desligar então.

— Espera! — O Byun bufou. — Você sabe o que eu quero. Você também quer.

— ...

— Vou tomar isso como um sim — brincou, suspirando em seguida. — Você não vai demorar, eu prometo. Aliás, espero que esse showzinho particular dure mais do que a punheta de antes. Me ouvir te excita tanto que você mal se aguenta? — Esperou uma resposta, mas Baekhyun continuava impassível. — Vai, abre as pernas pra mim.

Arrepiou com o pedido. Pedido não, ordem, e obedeceu, jogando o edredom para o lado e dobrando os joelhos. Afinal, Kyungsoo não teria como confirmar se ele estava ou não cooperando.

— Você está vestido, Baek? — perguntou, ao que Baekhyun murmurou que sim. — O que você está usando?

— Moletom. E cueca, por quê?

— Eu quero que você levante o moletom e tire e cueca — pediu, fazendo Baekhyun rir.

— Você não está me vendo, não tem como você saber se eu estou obedecendo ou não — provocou, mas inesperadamente Kyungsoo acompanhou sua risada.

— Eu te conheço, Byun Baekhyun — silabou seu nome. — Você vai obedecer porque isso vai ser bom pra nós dois. Agora tire a cueca.

— Já tirei — respondeu tímido, fazendo os lábios de Kyungsoo arquearem num sorrisinho sacana. Era uma grande pena que eles não podiam se ver.

— Perfeito, já é meio caminho andado. Devo entender que a partir de agora você vai ser bonzinho? Você tem que fazer tudo que eu mandar, vou confiar que vai obedecer.

— E se eu não obedecer? — perguntou, soando como um desafio.

— Não tem essa opção — retrucou ladino. — Feche os olhos e aperte seus mamilos, os dois. Não quero que você encoste no seu pau.

Baekhyun teve um delay de segundos pensando se deveria fazer aquilo ou não, mas já estava sem cueca, devidamente humilhado, que diferença fazia? Iria aproveitar. Se acomodou na cama antes de levar as mãos até os mamilos, se beliscando levemente, do jeito que gostava. O pensamento de que Kyungsoo estava do outro lado da linha, consciente disso, desta vez, ajudou muito com sua ereção. A respiração começou a pesar, o Do escutou.

— ‘Tá gostoso, Baek? — recebeu um resmungo como resposta. — Quero que você imagine que é minha mão, pense exatamente em tudo que queria que eu fizesse com você. Sabe das coisas que eu sou capaz, não sabe?

— Sei — gemeu. Já tinha feito sexting e outras coisas pelo celular e, sinceramente, nunca achou nada demais, mas o jeito que Kyungsoo controlava seus movimentos pelo telefone era algo que mexia seu corpo de um jeito que nunca aconteceu antes. Pelo menos, não que ele lembrasse.

— Conta pra mim o que você estava fazendo antes — pediu manhoso demais para que o Byun pudesse negar. — Eu sei o que foi, mas quero ouvir você contar.

— Eu... — hesitou, ainda apertando um dos mamilos enquanto a outra mão deslizava pela sua barriga. — Estava pensando no que você contou, de ter sido chupado até não sobrar nada pra gozar.

 — E o que mais?

— Você disse que sentia minha falta...

— Eu estar com saudades suas te deixa excitado? — provocou. — Por quê, exatamente? Você acha que eu vou te prensar contra a parede e te foder assim que nos encontrarmos?

— Não, eu... — resmungou, tentando formular algum pensamento, mas entendeu que aquilo era só parte da performance de Kyungsoo e preferiu entrar logo no jogo. — Talvez.

Kyungsoo soltou uma risadinha antes de responder.

— Fala todo cheio de si, como se fosse aguentar — debochou. A voz rouca e suave fazia Byun estremecer da cintura para baixo, por isso ele continuou descendo a mão pousada na barriga até chegar em seu pênis, já molhado. Arfou, então Kyungsoo continuou. — Eu mandei você não encostar no seu pau.

— Desculpe — pediu, se soltando e fazendo o Do rir.

— Você é obediente mesmo, hyung, gosto assim. — Era possível perceber o arquejo pretensioso, o mais novo estava adorando todo aquele controle. — Mas você já está falando demais. Coloque dois dedos na boca e chupe.

— O quê? — Ele tinha entendido, mas queria ouvir Kyungsoo repetir.

— Se eu estivesse aí, teria te colocado pra me chupar no seu primeiro resmungo — contextualizou. — Mas como não estou, preciso ser criativo. Quero que você deixe seus dedos bem babados porque, depois que fizer isso, você vai se foder sozinho, imaginando que é meu pau.

— Mas, Soo, eu nunca fiz... essas coisas... com outro cara — sussurrou. — Deve doer.

— Pra tudo tem uma primeira vez — disse, divertido. — E eu aposto que você deve ter um lubrificante por aí em algum lugar. Isso resolve.

— Calma, você ‘tá falando sério?

— Claro que ‘tô, Baekhyun — resmungou, já ficando sem paciência. Baekhyun se virou com pressa para alcançar a mesa de cabeceira, vasculhando-a. Kyungsoo esperou por alguns segundos, então se pronunciou: — Olha na sua gaveta de cuecas.

Justo, Baekhyun deveria ter se lembrado. Levantou-se, envergonhado quando o moletom voltou para o lugar e acabou enroscado em seu pênis. Se ajeitou, colocou o capuz, sabe-se lá o porquê, e abriu a gaveta. Estava lá! Ficou se perguntando como Kyungsoo sabia, se eles já conversaram sobre ou se era uma convenção social guardar o lubrificante ao lado das meias e cuecas. Perdeu uns três minutos nisso, mas Kyungsoo não gostava de esperar.

— Anda logo, Baekhyun — bradou, assustando o Byun, que já não estava mais duro. — Deita de bruços e empina a bunda.

Ficou em silêncio, talvez pelo choque de realidade em estar fazendo sexo pelo telefone com seu amigo de faculdade. Por sorte, ou azar, Kyungsoo o chamando do outro lado da linha não permitia que ele caísse nessa espiral de pensamentos que tinham potencial de fazê-lo simplesmente encerrar a chamada.

— Pronto — respondeu assim que estava devidamente posicionado. De joelhos no colchão, com os cotovelos apoiados, a cabeça abaixada entre os braços e o lubrificante na mão. Era, de certa forma, humilhante, mas era muito mais estimulante do que as últimas experiências que ele teve até aqui.

— Pronto mesmo, Baek? Acho que só vou acreditar quando você estiver gemendo meu nome com os dedos enfiados nessa sua bundinha gostosa — disse, fazendo Baekhyun suspirar. Estava tão arcado que o moletom já tinha descido até o meio de suas costas. — Mas não precisa ter pressa, não quero que você sinta dor.

— Ok... — respondeu enquanto abria a embalagem de plástico, que fez um estalido. Kyungsoo continuava com suas risadinhas breves e cínicas.

— Eu disse que não precisa de pressa, mas você quer, não quer? Numa hora dessas já deve estar duro de novo. — Baekhyun respondeu que sim, num murmúrio, enquanto lambuzava os dedos com o líquido viscoso e de cheiro doce. Já tinha experimentado, claro, sabia que gostava, mas fazia muito tempo desde a última vez em que se penetrou com os dedos e era uma situação completamente nova. Realmente, abandonou o juízo desde que aceitou a chamada de Do.

Desceu com os dedos até sua bunda, posicionando dois deles em sua entrada, que pulsava de excitação. Pensou brevemente no controle que o amigo exercia sobre si resmungou um “que merda, Soo”. Ele suspirou.

— Você é muito mal-educado, hyung, mas vou deixar passar já que está sendo bonzinho. Quer dizer, mais ou menos bonzinho. Se esqueceu que não posso te ver? — sussurrou, provocando. — Você precisa me contar o que está fazendo.

— Não, Soo. — Era tudo sobre suas vergonhas, as mesmas de antes, que decidiram das as caras só agora. — Eu não consigo ser tão... vocal sobre isso.

— Consegue sim — insistiu, a voz diferente dessa vez. — Vai, hyung. Eu quero gozar também.

Com a menção de gozar também, Baekhyun praticamente teve um pico de adrenalina. Não era mais só Kyungsoo lhe provocando no telefone, era Kyungsoo lhe provocando no telefone enquanto se masturbava. Era Kyungsoo se tocando enquanto ouvia Baekhyun gemer. Ele podia ter um orgasmo só com esse pensamento.

— Eu... vou colocar um dedo agora — avisou, grunhindo assim que se penetrou com a pontinha do indicador. Era desconfortável, mas nada assustador.

— Se você quiser que eu enfie meu pau em você, vai ter que acomodar mais do que um dedo, hyung — sussurrou. Estava com a respiração pesada e enquanto Baekhyun gemia, o barulho molhado de fricção acompanhou a fala de Do. — Que inferno, Baekhyun, agora eu quero te foder...

— O que houve, Soo? — perguntou travesso, sabia muito bem o que estava acontecendo, mas podia se dar ao luxo de fazer com que o outro também contasse o que estava fazendo.

— Só não consigo admitir que estou batendo punheta enquanto você está de quatro na cama, fazendo tudo isso sozinho...

— Eu estou sozinho, mas... ahn — hesitou, gemendo penoso porque inventou de colocar mais um dedo —, você sabe onde eu moro. Eu deixo a porta aberta.

Kyungsoo gemeu. Alto, manhoso, ainda rouco, então os barulhos do atrito foram diminuindo. Se recompôs depois de alguns segundos. — Você tem certeza?

— Eu ‘tô literalmente me preparando pra ser fodido por você, Soo — sussurrou abafado porque agora mantinha a cabeça apoiada no travesseiro. — Se não der certo, pelo menos eu posso te chupar. Então... não goza ainda.

Rindo, o Do concordou. Baekhyun pode ouvir o barulho de chaves tilintado. Ele estava saindo.

— Ótimo. Tira o moletom e me espera na sala — avisou, encerrando a chamada.

Baekhyun sorriu, ainda gemendo quando retirou os dedos de dentro de si e se levantou. Tirou a blusa confortável — o moletom azul bebê que adorava usar em casa e que, nessa altura, estava cheio de suor, lubrificante e pré-gozo —, e a deixou em cima da cama desfeita. Kyungsoo provavelmente demoraria menos de dez minutos para chegar já que morava perto, então ele se apressou em conferir o reflexo no espelho, sem se importar muito em estar apresentável ou não, visto que o objetivo do outro era fazer uma bagunça.

Caminhando para a sala, com o lubrificante em mãos, pensou que ser pego em flagrante não era tão ruim, e que não havia jeito melhor de confirmar as façanhas sexuais do amigo do que participar de uma delas. Afinal, é isso que amigos fazem.