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i’m just not killing it today

Summary:

— Do que você está falando, Miya? Ele não foi para o treino de hoje. — Sakusa assume uma posição de alerta, apertando com força o telefone que estava em sua mão. — E não respondeu às minhas mensagens.

— O quê? — Osamu desliga o fogão, tirando os olhos da panela e focando na porta do quarto do corredor. — Como assim, Kiyoomi? Ele chegou em casa reclamando do treino que vocês tiveram.

— Por favor, veja se ele está bem.

Work Text:

 

 

 


 

 

— ‘Sumu. — Osamu entra no quarto lentamente, como se estivesse pisando em cartelas de ovos. — Está tudo bem?

Um ambiente escuro e uma temperatura baixa sempre foram algo habitual no apartamento dos gêmeos, principalmente no quarto do loiro. Osamu não se preocupou muito com a demora do irmão gêmeo para acordar. Pelo o que ele lembrava de ter ouvido, o treino com os Black Jackals MSBY havia sido pesado e seu corpo doía como inferno.
Mas, a mensagem de Kiyoomi em seu celular desbloqueou sua preocupação e o seu lado irmão mais velho protetor. Atsumu não havia ido ao treino naquele dia e muito menos respondido as mensagens de Kiyoomi.

Atsumu havia mentido.

Não iria tirar conclusões precipitadas, não é como se eles sempre dissessem a verdade um para o outro sempre. Uma mentirinha aqui, duas ali, não machucavam. Mas, Atsumu mentir que o treino foi pesado e que estava cansado demais para comer e conversar? Estranho, no mínimo suspeito. Osamu estava preocupado.

 

— Do que você está falando, Miya? Ele não foi para o treino de hoje. — Sakusa assume uma posição de alerta, apertando com força o telefone que estava em sua mão. — E não respondeu às minhas mensagens.

— O quê? — Osamu desliga o fogão, tirando os olhos da panela e focando na porta do quarto do corredor. — Como assim, Kiyoomi? Ele chegou em casa reclamando do treino que vocês tiveram.

— Por favor, veja se ele está bem.

 

 

 

 

— Me deixe em paz, ‘Samu.

 

Apesar da iluminação precária, Osamu conseguiu ver o gêmeo se prender ainda mais nas cobertas e se encolher sob a cama. O computador estava aberto ao lado, mas não conseguiu identificar qual música tocava.
O visor do seu celular se iluminou chamando sua atenção temporária, mas não ligou muito para a nova mensagem. Caminhou até Atsumu preocupado, sentando na cama e puxando lentamente o lençol para baixo.

 

— Ei, está doente?


Silêncio.


Os olhos de Atsumu estavam abertos, mas nada saía de sua boca. Osamu pode ver com clareza as olheiras um pouco fundas e os cílios molhados, não iria entrar no assunto agora, mas Sakusa estava vindo e com certeza queria explicações. Respirou fundo.

 

— Sakusa está vindo, certo? — disse hesitante. — Ele me mandou mensagem preocupado, então vim ver se está tudo bem.

— Aham.

— Sabe que pode me contar tudo, não é?

— Só me deixa em paz, ‘Samu.

 

Aquilo doeu. Osamu se levantou lentamente da cama, depois de ajeitar o lençol que havia tirado do irmão. Sussurrando um “tudo bem, me avise se precisar de alguma coisa.” ele saiu do quarto e finalmente visualizou a última mensagem recebida.

 

/Miya Osamu/

É com você, Kiyoomi.

/Sakusa Kiyoomi/

Ele não falou nada?
Chego aí em 5 minutos.

/Miya Osamu/

Nada.
Se apresse.

 

🦊

 

Atsumu resmungou, no menor volume que conseguiu quando fechou a porta de seu quarto e se jogou em sua cama. Não foi difícil mentir para Osamu, diferente das lágrimas que já caiam dos seus olhos e molhavam o tecido grosso e branco. Sua cabeça latejava, e apesar de ter faltado o treino de vôlei se seus músculos fossem pessoas eles estariam gritando pedidos de ajuda, a dor aguda em cada parte do seu corpo o fazia se sentir tonto.

Odiava saber que o que sentia era algo totalmente psicológico. As palavras de seus pais ainda corriam sem rumo em sua mente, a mensagem do namorado que deixou de responder ainda se repetia em sua mente, a fala animada do seu irmão concordando que o treino realmente deve ter sido intenso e que estaria tudo bem se Atsumu descansasse um pouco ainda vagava por sua mente.

Ele estava machucado, e por isso ele machucou as pessoas que ama.
Atsumu se sentia um lixo. Um pedaço ambulante indesejado e que se não existisse todos estariam melhor. As lágrimas do seu rosto saíam agora com mais violência, e seus soluços eram abafados por seu travesseiro.

 

Você engordou, Atsumu. Sempre foi meu sonho você ser bem sucedido como seu irmão, não deveríamos ter deixado você entrar no clube de vôlei. Não namora ainda, com uma aparência assim certamente não irá tão cedo. Você deveria ser um filho melhor.

Um filho melhor.
Melhor.
Igual a Osamu.
Um filho melhor.

 

— Eu deveria. — um soluço e com ele mais lágrimas que ensopava aos poucos o travesseiro. — Eu deveria ser um filho melhor.

 

Por que? Por que ele nunca conseguiu um parabéns. Um discurso de quão orgulhosos estavam dele. Céus, por que ele nunca ganhou nada. Um sorriso, um elogio, nada.

Ele não era nada. Certamente, isso.

 

— Eu não sou nada. — Atsumu afirma, tentando achar qualquer explicação que acabe com seu choro. Patético, não funcionaria. — Eu não sou bom em nada, certo.

 

Errado.
A porta se abriu com uma certa agressividade interrompendo seu choro e soluços, porém, o loiro não moveu nenhum músculo, afinal não tinha forças para isso.
Não demorou dois segundos para o cabelo cacheado e os olhos pretos brilhantes carregados de preocupação estarem à sua frente, o encarando. Atsumu se forçou a dar um leve sorriso.

— Atsumu, fale comigo. Me diga o que está errado.

— Nada está. — Kiyoomi sentiu seu peito doer. — Estou bem, não se preocupe.

— Não, amor. Você não está bem. — o cacheado sentou-se na cama, afastando e acumulando o lencol nos pés do namorado e o ajudando a sentar. Atsumu não soube identificar o que Kiyoomi colocou em seu colo logo depois, seus olhos ardiam e sua vista estava embaçada com as lágrimas que ainda não haviam ido embora. — Eu trouxe seu doce preferido e alguns livros de fantasia, você disse que só faltavam estes para a sua coleção.

— Omi.

— Coma e depois conversamos, tudo bem? — Atsumu concordou lentamente e cabisbaixo, Kiyoomi sorriu, acariciando a bochecha levemente avermelhada do loiro e enxugando com seus dedões as lágrimas acumuladas no queixo. — Coma devagar.

 

Atsumu encarou o pote com vários docinhos, os seus preferidos. Sorriu satisfeito quando o sabor de leite condensado e as raspas de coco atingiram seu paladar. Beijinhos.

 

Você engordou, Atsumu.

 

Foi como um comando final, uma ordem. Atsumu parou de mastigar imediatamente e afastou o pote de sua mão, ato percebido por Kiyoomi que franziu sua testa em completa confusão. Seus olhos se alternavam entre o loiro que ainda tinha o doce na boca e o pote que foi abandonado. Ele já fazia ideia. Kiyoomi sabia exatamente o que havia acontecido.

 

— Não está bom? — Atsumu mentiu, afirmando silenciosamente. — Irei pegar um pouco de água, espere.

 

Kiyoomi suspirou alto na cozinha, Osamu o olhou preocupado.

 

— Vocês visitaram seus pais este final de semana?

— Como soube?

 

Kiyoomi sabia exatamente o que havia acontecido. E se surpreendeu ao perceber que Osamu não tinha relacionado os pontos ainda. Ele não sabia? Atsumu escondia isso dele?

Ignorou a pergunta do gêmeo, pegando um copo d'água e voltando para o quarto. O doce não estava mais lá, Atsumu havia cuspido.

 

— Beba.

— Não estou com sede.

— Beba, Miya.

 

Atsumu se arrepiou. Não tinha mais escapatória ou qualquer maneira de fugir. Kiyoomi, com certeza, já tinha uma leve ideia da causa que havia o deixado assim, os seus olhos estavam em chamas, e sua voz mais grossa que o usual. O loiro bebeu, esperando a pergunta que viria e que teria que responder.

Você engordou, Atsumu. Sempre foi meu sonho você ser bem sucedido como seu irmão, não deveríamos ter deixado você entrar no clube de vôlei. Não namora ainda, com uma aparência assim certamente não irá tão cedo. Você deveria ser um filho melhor.

Um filho melhor.
Melhor.
Igual a Osamu.
Um filho melhor.

 

— Você prometeu que não visitaria mais eles.

— Osamu queria que eu fosse. — as lágrimas caiam novamente. — Ele estava animado, eu não queria cancelar.

— Atsumu.

— Eu sei.

— O que ela disse?

 

Você engordou, Atsumu. Sempre foi meu sonho você ser bem sucedido como seu irmão, não deveríamos ter deixado você entrar no clube de vôlei. Não namora ainda, com uma aparência assim certamente não irá tão cedo. Você deveria ser um filho melhor.

Um filho melhor.
Melhor.
Igual a Osamu.
Um filho melhor.

 

— Nada novo.

— Atsumu, você nunca deixou de comer seu doce favorito. Você nunca faltou a um treino de vôlei se quer. — Kiyoomi se aproximou mais. — O que ela disse, me fale.

 

Você engordou, Atsumu. Sempre foi meu sonho você ser bem sucedido como seu irmão, não deveríamos ter deixado você entrar no clube de vôlei. Não namora ainda, com uma aparência assim certamente não irá tão cedo. Você deveria ser um filho melhor.

Um filho melhor.
Melhor.
Igual a Osamu.
Um filho melhor.

 

— Que eu engordei. — Atsumu sentiu sua garganta fechar. Doeu. — Que eu não deveria ter me tornado um jogador de vôlei. — ele não podia ver, sua visão estava totalmente embaçada devido às lágrimas, mas suas mãos tremiam. — Que eu deveria ser um filho melhor, igual Osamu.

 

Osamu daria tudo o que tinha para voltar no tempo e não tomar a decisão de ouvir a conversa por detrás da porta. Osamu daria tudo o que tinha para um médico descobrir porque seu coração parou de bater naquele momento. Osamu Miya daria com tudo o que tinha para proteger o irmão.

Osamu Miya pagaria com todo o dinheiro que tinha mais de mil passagens para a cidade natal, com o objetivo único de falar para os pais que nunca mais queria os ver na vida.

 

 

— Você sabe que…

— Eu sei que não é verdade. — interrompeu Kiyoomi. — Eu sei, mas porra. Elas estão aqui, Omi. As palavras deles estão aqui. — Atsumu soluçou alto, Kiyoomi não exitou em puxá-lo para si e abraçá-lo com toda a força que tinha. Querendo juntar todos os pedaços que foram quebrados. — Eu não consigo tirá-las da cabeça, Omi.

 

Seus olhos arderam ao mesmo tempo que seu ombro era molhado pelas lágrimas de Atsumu, mas quem liga? Seu namorado, o amor de sua vida, o homem com quem queria casar, o adulto com maturidade de 10 que animava todos os seus dias estava quebrado. Kiyoomi fervia, de dor e raiva. Se depender dele, Atsumu nunca mais pisa naquela maldita casa.

 

— Jogue tudo para fora, meu amor.

— Eu sempre tentei, Omi. Eu sempre tentei ser um filho melhor, eu vivi para que eles dissessem que estavam orgulhosos de mim. Mas, eles nunca… — Atsumu se agarrou mais em Kiyoomi. — Eu nunca fui suficiente? Eu nunca fui desejado?

— Atsumu… — Kiyoomi não estava gostando do rumo do desabafo.

— Então porque eles me tiveram? Apenas Osamu era o suficiente, eu não deveria existir, Omi. Eu não deveria ter…

— Atsumu. — Kiyoomi gritou, separando-se do loiro apenas o suficiente para que ele o olhasse nos olhos. Osamu, do outro lado da porta, mordia o braço para não chorar e soluçar alto. — Meu amor.

— Eu…

— Você é perfeito do jeito que você é, absurdamente lindo e gostoso independente do dia, bem sucedido fazendo exatamente o que você gosta e o que sonhou desde pequeno, hilário, confiante e dono de si o suficiente para que eu não fique com ciúmes pois confio em você infinitamente. — Atsumu fungou. — Sexy, divertido, o melhor jogador de vôlei que eu conheço e é o melhor namorado do mundo.

— Omi.

— Eu te amo do jeito que você é, tenho orgulho de você por tudo o que passou pra chegar até aqui. Sou feliz por te amar do jeito mais lindo, e eles deveriam também. Não são capazes de fazer isso? Exclua-os, Atsumu. Não engula o que eles dizem. Eles são burros demais para serem levados a sério.

— Eu te amo.

— Eu também te amo. — um selinho suave foi compartilhado, que fez Atsumu sorrir igual um bobo. — E Osamu também te ama, você deveria contar para ele.

— Eu não deveria.

— Deve. Por que ele se importa com você, e assim como eu odeia te ver assim. Ele merece saber disso, Atsumu.

— Eu vou tentar. — diz inseguro.

— No seu tempo, amor.

Kiyoomi pega suavemente seu queixo, puxando a boca do loiro para a sua e aprofundando o beijo dessa vez, recebendo um sorriso sincero de Atsumu. Céus, como o amava. E esperava sempre conseguir demonstrar isso todos os dias para o loiro a sua frente.
Atsumu Miya é precioso demais para ser machucado. Kiyoomi se deu o papel de transformar cada cicatriz em constelações dando todo o seu amor. Não seria um problema, afinal, ele ama astronomia. E Atsumu.

 

 

🦊

 

Atsumu estava no supermercado, como todo dias as quartas feiras, quando Kiyoomi adentrou na loja nervoso. Teriam um encontro mais tarde, em comemoração aos 4 anos de namoro e apesar de Atsumu insistir para eles ficarem em casa assistindo seus filmes favoritos, Kiyoomi já tinha duas passagens prontas para um destino um tanto quanto, questionável para "férias do trabalho".
Bem, Atsumu acharia que era "férias do trabalho".

 

— Boa tarde, senhor. Em que posso ajudá-lo?

— Eu gostaria de ver o melhor par de alianças já prontas que vocês têm. As duas masculinas, por favor.