Work Text:
Mina, Denki e Hanta sabiam de muitas coisas — ou pelo menos, muitas das coisas que aconteciam no colégio. Não havia uma fofoca que o trio não soubesse ou tivesse desconfiado. No entanto, se havia uma coisa que sempre deixava-os com uma pulga atrás da orelha, era o motivo de Katsuki Bakugo parecer tão sem jeito perto de Eijiro Kirishima.
Eles já haviam pensado em tudo que conseguiram, sempre chegando a lugar nenhum. Primeiro, acharam que Kirishima era o tipo de pessoa que fazia piadas maliciosas o tempo todo, e que isso podia constranger Bakugo, mas descartaram a ideia após trocarem algumas palavras com o ruivo e se darem conta que ele era adorável demais para fazer esse tipo de coisa.
Depois, Hanta pensou em algo mais inteligente — como costumava fazer. Sero havia dito que, na verdade, a coloração nas bochechas do loiro eram devido a raiva que sentia de Kirishima, porque ele e o ruivo eram opostos demais para poderem conviver em paz. Mina e Denki, que nunca agradeceram tanto por ter um amigo tão racional que avaliava as coisas antes de dar sua opinião, aceitaram aquela teoria como a correta e deixaram o assunto de lado.
O que não durou muito tempo. O motivo de Bakugo ficar corado perto de Eijiro já era assunto morto, mas foi revivido quando, enquanto o trio jogava conversa fora na sala do dormitório, ouviram Kirishima dizendo para Bakugo que iria na biblioteca para buscar alguns livros. Mas não de um jeito convencional:
— Preciso passar na biblioteca, pimentinha. Quer que eu pegue alguma coisa?
Bakugo não demorou para responder (e, para a surpresa de todos, seu tom não era irritado):
— Não precisa, Kiri. — Pausou, deixando os três adolescentes do andar de baixo curiosos. — Obrigado.
Foi então que o trio surtou. Katsuki nunca agradecia a ninguém. Se não tivessem acabado de ouvi-lo dizendo essa palavra, provavelmente iriam assumir que Bakugo não era o tipo de pessoa que dizia “obrigado” nem para a própria mãe.
As três mentes começaram a trabalhar, teorizando mais e mais. Denki, após alguns minutos pensando (e não muito depois de ver que Kirishima já estava voltando), sugeriu:
— Vamos falar com ele.
— Com Katsuki? — Sero arqueou a sobrancelha, incrédulo. Era uma ideia suicida.
— Não, cabeção. Com o Eijiro.
— Não é uma ideia tão ruim. — Mina concordou, e Hanta assentiu.
Apoiaram-se, então, na parede que ficava ao lado da porta. Assim que Kirishima entrou, Kaminari tomou a dianteira:
— Bro, como você consegue fazer o Katsuki corar?
Eijiro ficou da mesma cor que os cabelos quase que instantaneamente. Gaguejou, gesticulou, sem nunca dar uma resposta sólida — por um momento, o trio achou que ele ia sair correndo, mas o ruivo parecia nervoso demais para conseguir pensar nisso. Foi só quando Katsuki apareceu que Kirishima suspirou aliviado.
— Kiri? — Mina, Sero e Denki se entreolharam, parecendo compartilhar de um único pensamento: “Kiri?”
— Os livros que você pediu, pimentinha. — Correu em direção a ele, colocando os livros em seu braço. O trio sabia que ele estava mentindo, mas esperou a reação de Bakugo antes de comentarem algo. Katsuki corou, arqueou a sobrancelha e, como Hanta percebeu, encarou-os pelo canto dos olhos antes de sorrir, agradecer e começar a andar.
Mina, que sempre foi a melhor com o quesito “identificar sentimentos”, sorriu, pensando na forma genuína como os olhos escarlate de Bakugo miraram o sorriso de dentes pontudos de Eijiro. E então, a rosada concluiu:
— Até garotos maus coram quando estão perto de quem eles gostam.
