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this song is about you (but you don't know)

Work Text:

Os pensamentos fluíam facilmente por seus dedos e iam pouco a pouco completando a folha que a tempos deixou de ser branca. Era simples assim—caminhava pelo campus, observando seus arredores, quando sentiu a inspiração bater como a brisa da manhã sempre presente no local. Sentou-se na árvore mais próxima e deixou que sua mão movesse o lápis sobre os papéis incolores, segurando o caderno com muito cuidado como se pudesse perdê-lo a qualquer momento.

Todo cuidado era necessário. Era para ele, afinal.

Não que o outro soubesse. E se iria saber, também, Yoongi não tinha resposta. Mas era confortável assim, em segredo, pesando apenas em sua consciência o fato de ter um caderno repleto de letras, poemas e rabiscos destinados ao melhor amigo. Sentia-se culpado tendo o garoto como base para grande parte de suas composições sem sua devida permissão, mas ainda assim isso não o parou.

Porque é viciante.

É viciante escrever sobre seu sorriso, o quão aconchegante (e no início, irritante) era recebê-lo às segundas-feiras sete horas da manhã. O sol nascia junto ao sorriso de Hoseok, e Yoongi nunca conseguiu evitar o seu calor.

É viciante, também, seus orbes escuros, misteriosos, e como eles refletem tudo em sua volta, sempre repletos de um brilho intenso, como se Hoseok fosse a própria luz. E era. O próprio sol de Yoongi.

O mais velho parou de se questionar quando isso se tornou frequente. Ter o mais novo invadindo sua mente, das mais diversas maneiras possíveis.

Yoongi nunca tinha parado pra pensar sobre isso. Atração. Se encontrar interessado por outra pessoa. Aquele estranho que começa em algum lugar na barriga, passa pela corrente sanguínea e desacelera na curva da espinha, ficando um pouco tempo demais ali, apenas para provocar uma faísca na ponta dos dedos quando duas mãos se esbarram acidentalmente. Olhar para alguém e descobrir que gosta do que vê, gosta do que sente, apenas gosta.

Ele nunca havia pensando sobre isso também—relacionamentos. Gostar de outra pessoa. O conceito de amor lhe soava tão estranho, distante, algo para seus pais e não para a mente dos mais jovens.

Yoongi ainda não percebeu que Hoseok lhe proporcionou todos esses sentimentos, sendo que eles estavam bem ali, em suas mãos, nas folhas que segurava com tanta cautela. O resultado de toda bagunça que a cabeça do mais velho se tornou desde que o conheceu.

 

Hoseok era o protagonista da sua história e Yoongi só estava ali para contá-la. E estava tudo bem, sinceramente. Mais do que bem.

 

“Ei,” sentiu alguém passando o braço pelos seus ombros, “O que faz aí?” a voz familiar tão próxima aos seus ouvidos nunca falhara em lhe deixar arrepiado.

“Nada,” fechou o caderno e olhou o melhor amigo, “Só escrevendo,” e Hoseok sorriu o sorriso de sempre, com aqueles dentes brancos que poderiam cegar qualquer um, mas não Min Yoongi. “Vamos indo.” Ambos se levantaram e caminhavam lado a lado em direção as suas devidas salas.

“Quando você vai me mostrar?” O mais velho o fitou com um olhar de desentendido e Hoseok continuou, “Sua música, Yoongi,” disse como se fosse óbvio, “Já tá pronta?”

Oh. “Oh,” ele responde, “Ainda não, mas... Prometo que você vai ser o primeiro a ouvi-la.” E o outro sorriu de novo e Yoongi não pode evitar sorrir também.

Isso era o suficiente.

Mais do que o suficiente.