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Beyond The Rainbow

Work Text:

“it’s no use going back to yesterday, 

because I was a different person then”

 

- quando você fechar os olhos, belle-bee, vai para o País das Maravilhas - Charlie ninava a criança, os grandes olhos castanhos piscavam lentamente, já cansados de absorver o mundo hoje, o policial suspirou aliviado, colocando a filha adormecida no berço, ao que parece Belle não teria um dos dias ruins para dormir. Ele acariciou a bochecha fofa e a ajeitou no cobertor, tirou algumas pelúcias do chão e finalmente fechou a porta, estremecendo de leve ao ouvi-la ranger, mais um trabalho para o fim de semana, ele pensou divertido. 

 

- finalmente ela dormiu - ele anunciou vitorioso,  chegando na sala, - assistir algum filme ou ir dormir? - Charlie bocejou, mas disfarçou rápido, lançando um sorriso para René, sorriso esse que se perdeu quando viu as feições sérias da esposa. Foi inevitável, mas ele analisou todo o comportamento da mulher, seus olhos logo focando nas mãos dela, escondidas uma pela outra, mas ele viu, mesmo assim, o que ela não queria que ele visse. 

 

- tinha me dito que ele estava morto - ele resmungou, tentando não soar muito julgador, Bella ainda estava dormindo no andar de cima e seu cérebro estava meio travado com a nova informação. René gaguejou, abrindo as mãos ao ver que Charlie já encontrou o que ela devia informar; - eu- eu também pensava dessa maneira Charls, mas parece que ele não estava… 

 

Charles bufou, mesmo sem eles nunca terem se conhecido, almas gêmeas simplesmente sabem que sua metade morreu, durante meses, anos, uma filha agora, René sempre afirmou não sentir sua alma gêmea, e agora, casada e com um bebê recém nascido, ela simplesmente encontra o tal par destinado. Olhe, Charlie era um policial, ele gostava de ordem e justiça, mas nesse momento ele só queria matar a porra do Destino. Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos, seus pensamentos confusos e sem nexo, mas ele sabia o que René o diria, dava pra ler na cara dela, de maneira clara e simples, ela o deixaria pelo destino, se jogaria para sua alma gêmea, e o deixaria sozinho na casa recém comprada deles. 

 

- Bella… ela irá ficar comigo. - ele informou, deixando uma René culpada na sala e indo na cozinha procurar alguma lata restante de cerveja, ou talvez algo mais forte. 

 

- Charls, por favor, vamos conversar - René correu atrás do jovem policial, os olhos tão cheios de lágrimas quanto os do homem. 

 

Charlie bufou uma risada sarcástica, finalmente achando uma lata de cerveja, a abrindo, e tomando um longo gole; - não precisamos conversar René, já é bem óbvio o que você irá decidir, mas no mínimo, eu quero ficar com Bella, pelo menos até você ter… algo estável com sua… você sabe . - ele comprimiu os lábios, desviando o olhar ferido para uma pequena janela em cima da pia, ainda pintada pela metade. 

 

- Ele… - Charlie riu baixinho, corações partidos, porra, não acontecem só entre almas gêmeas, - ele vale a pena René? O suficiente para você abandonar uma recente vida que levou anos para se construir?

 

- talvez tenha levado tantos anos porque não era o certo Charlie - ela tentou falar docemente, a voz embargada de choro, Charlie percebeu, ele não era idiota, talvez isso nem fosse por causa da alma gêmea em si, talvez o relacionamento deles sempre esteve destinado ao fracasso. 

 

O policial suspirou, olhou para suas mãos limpas de marca d’alma e viu os pequenos brotos de flores florescerem nas pontas dos dedos de René, como doces e pequenas tatuagens perfeitas, mas com vida, e que crescem ou morrem com o desenvolvimento do relacionamento das almas gêmeas. 

 

- Coreopsis Arkansa - Charlie notou, com um sorrisinho, René o olhou confusa, seguindo seu olhar até suas marcas d’alma, ela balançou os dedos e notou algumas flores abertas entre os brotos que apareceram hoje. 

 

- Eu achei que eram margaridas - René riu baixinho, a voz suave, ela sempre soube o quão compreensivo e doce Charlie era, mesmo que ela tivesse acabado de quebrar seu coração. - você sabe, Linguagens das Flores nunca foi minha matéria favorita. 

 

Ele deixou a cerveja na pia, se apoiando contra ela, toda a confusão em sua mente estava indo para o limbo e ele sentia sua alma ficar inerte, - é uma espécie de margarida - ele comentou, - significa amor à primeira vista. 

 

Foi inevitável para René sorrir com amor enquanto olhava com novos olhos sua marca d’alma, no fundo de sua alma Charlie sentiu seu coração se quebrar mais um pouco com a paixão que René tinha para alguém que conheceu a poucas horas, sabendo que mesmo com anos de relacionamento, ela nunca olhou-lhe daquela maneira.

 

Ela piscou, saindo do momento de paixão e voltando a olhar para Charlie, o sorriso se transformando em algo melancólico. - Ele está em um lugar alugado em La Push, eu vou ir para um hotel perto, amanhã ou depois nós conversamos sobre Bella? - Ela tentou ser racional, sabendo que seria demais tudo isso numa única noite para o homem. 

 

Charlie acenou com a cabeça distraído, mal notando quando René se aproximou e beijou-lhe na bochecha, subindo rapidamente para o andar de cima e deixando a casa com uma mala rapidamente feita. Ele mal notou quando caminhou até o sofá, a televisão ainda ligada num jogo qualquer, seus olhos fixos e ainda desfocados observavam uma foto do dia do casamento dele. Ainda inerte, seu corpo só agiu enquanto ele andava até o quarto de Bella, sua alma buscando um pouco de conforto em sua bebê fofa e dorminhoca, talvez. 

 

Piscando, Charlie saiu de seu estupor quando viu Bella sentada no meio do berço, mastigando sua coberta e com os grandes olhos castanhos analisando a prateleira cor de rosa com as pelúcias e brinquedos, provavelmente escolhendo a próxima vítima para suas gengivas doloridas. Charlie riu baixinho, finalmente deixando as lágrimas caírem, pegou Bella no colo, a enrolou num cobertor não babado e trocou o babado por um mordedor, caminhou até a cadeira de balanço em frente a grande janela do quarto, parando só para pegar Alice no País das Maravilhas, e ajeitou ela no braço enquanto balançava na cadeira e lia as aventuras de Alice com voz calma. 

 

Charlie poderia nunca ter uma alma gêmea, mas ele tinha Bella e isso, para ele, era mais que suficiente.