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Quase enforcado

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Estar com a corda no pescoço era amenizar para o mínimo a situação em que Jaeyoon estava. Porque ele estava totalmente perdido e sem esperanças no momento.

Fazia mais de dois anos que estava participando de uma investigação para prender o chefe de um cartel de drogas que operava na Coreia e no Japão. Mas sempre que estava perto de conseguir qualquer tipo de flagrante de um dos nomes grandes do cartel seus planos desabavam em frente aos seus olhos.

Já havia enfrentado todo tipo de problemas: informantes mortos, batidas em que não havia ninguém no local, quase ser pego por cartéis inimigos no meio das missões, entre outros vários problemas que sempre chegavam à sua equipe. E para se somar aos problemas estava correndo o risco de ser desligado não só da equipe de investigação de narcóticos, mas de toda Agência de Inteligência Coreana.

Esse era o cenário no qual Jaeyoon se encontrava e para o qual não via saída.

 

Estava sentado na sala de sua equipe repassando tudo o que já sabia quase de cor depois de mais uma reunião com seus agentes e pensando no que fazer. O desânimo de todos era evidente, sem falar que a desconfiança crescia para cima de Jaeyoon que já era chamado por várias pessoas de fora de sua equipe de espião e traidor. E por mais que ele não fosse, não via modos de negar aquilo, já que suas palavras pareciam cada vez mais como vento para todos.

 

— Perdido em seus pensamentos, chefe? — Jaeyoon viu Seokwoo entrar na sala.
— Como sempre, Seokwoo... como sempre. — O chefe fechou suas coisas pronto para sair e se preparar para a missão que teriam dali dois dias.
— Dessa vez acha que iremos conseguir prender o líder do cartel?
— E quem sabe? Já estamos aqui faz dois anos, sempre pensando quando será o dia, então quem sabe, espero que sim.
— Eu também espero, é bem cansativa essa rotina, sempre vivendo na corda bamba de conseguir e não conseguir o que queremos. — Seokwoo brincava com uma caneta que estava na mesa.
— Sim, é bem frustrante. — Jaeyoon tentava imaginar onde aquela conversa ia, já que Seokwoo não era dos que mais falava em sua equipe.
— Mas acho que teremos um final logo, muito tempo já passou. — O mais alto sorriu para o nada. — Acho que Breeze Bar é um palco para terminarmos tudo isso, não acha? Bem chique.
— Sim, realmente é um ótimo cenário. — Jaeyoon sorriu e olhou para o subordinado com os olhos brilhando, já que teve uma ideia, não só para a missão, mas também de como acabar com seus problemas.

 

***

— Você tem certeza que confia em mim para isso? — O ex-colega de operações de Jaeyooon o olhava enquanto os dois estavam sentados no terraço do prédio onde o Lee morava.
— Confio, aliás você é uma das únicas pessoas que ainda confio. — Jaeyoon observava o pôr do sol. — Mesmo que esteja na equipe anti terrorismo eu ainda acho você um ótimo agente, Kim Inseong.
— Tão formal… e falso. — O outro revirou os olhos e apoiou no parapeito do terraço e acompanhou o olhar de Jaeyoon para o sol que se punha.
— Estou sendo gentil e você me trata assim? — Olhou para o Kim com um sorriso nos lábios.
— Pare de gracinhas, o momento não está nada favorável para que você faça isso.
— Com sua ajuda vai estar. Amanhã vai ser um dia agitado, mas acho que vou conseguir minha vida calma de volta. — Jaeyoon arrumou seus cabelos para trás.
— Adoro quando está confiante assim. Significa que ou iremos acabar com todos os inimigos, ou vai ser como quando fomos para Belarus e quase não voltamos. — Inseong riu.
— Você sempre lembra dos nossos piores momentos, mas aquela missão foi muito boa. Ainda não sei porque deu errado.
— Não vou nem comentar o porquê. — Os dois sabiam que tinham errado por serem novos e precipitados, mas não iriam estragar a piada, ainda mais antes de uma missão importante. — Amanhã, vou levar um dos meus homens comigo.
— Está em dupla com alguém? Isso é novo. — Jaeyoon sorriu debochado para Inseong.
— Idiota, mas sim, eu tenho um cara que está comigo, já que não posso contar com você mais, chefe de equipe Lee.
— Ei! Você sempre pode contar comigo, eu só saí da unidade porque é meio cansativo ter que arriscar a vida todo dia pelo país, fora os treinamentos, não gosto nem de lembrar. — Jaeyoon fingiu um arrepio.
— Fraco. — Inseong debochou. — Mas Juho é um cara legal, por mais que ainda não estejamos muito entrosados.
— Admita que nunca terá uma dupla tão boa quanto como era comigo. — Jaeyoon riu. — Eu vou com Seokwoo.
— Só ele? Não acha que é pouco? Ele nem é tão bom atirador e é péssimo em fugir. — Inseong olhou desconfiado para Jaeyoon. O Kim conhecia bem a equipe do amigo e sabia que a escolha de Seokwoo era inusitada.
— Não fale assim do meu subordinado. Eu tenho um plano para ele na missão e também tenho uma surpresa. — Jaeyoon se afastou do parapeito.
— E não vai me contar? — Inseong perguntou seguindo o amigo.
— Como você mesmo disse, não posso confiar em ninguém. Então só amanhã você vai ter um pouco mais de detalhes.
— Eu realmente te odeio, não quero nunca mais ser seu parceiro. — Inseong reclamou e os dois saíram do terraço.

 

***

 

Já passava das dez da noite quando Jaeyoon e Seokwoo entraram no Breeze Bar e sentaram em uma mesa perto do bar. Estavam fingindo que bebiam enquanto viam o dono do cartel jogar poker com amigos.

Quando chegaram, Jaeyoon viu Inseong e o cara que achava ser Juho com ele, conversando e bebendo.

 

— Aqui está mais cheio do que eu pensei. — Seokwoo comentou olhando ao redor.
— Realmente, mas não acho que vai ser um problema. — Jaeyoon fez sinal para o garçom lhes dar duas bebidas.
— Vai beber em serviço? — O subordinado se surpreendeu.
— E você não? Acho que vamos levantar suspeitas se pelo menos não pedirmos algo para deixar na mesa. — Jaeyoon bebeu um gole de sua bebida e ficou apreciando o que se passava ao redor.
— Boa noite, posso me sentar aqui com vocês? — O cara que estava com Inseong no bar se aproximou e se sentou na mesa.
— A vontade. — Jaeyoon confirmou. — Querem jogar algo? Parece que hoje todas as mesas estão com ânimo de jogar.
— Acho que vai é uma boa escolha. — Juho respondeu com um sorriso, mas Seokwoo estava visivelmente desconfortável.

 

Os três começaram a jogar, trocando poucas palavras. Jaeyoon estava solto, o que deixava Seokwoo muito desesperado, o chefe nunca havia agido daquela maneira e parecia que ele não iria se mover para tentar pegar o chefe do cartel tão cedo naquela noite.

Já era quase uma hora, quando um grupo grande de convidados chegou ao Breeze e tanto Jaeyoon quanto Seokwoo ficaram tensos, já que eles eram de um cartel rival ao cartel que estavam ali para prender o líder.

 

— Isso não vai ser nada bom… — Seokwoo comentou vendo os quatro homens sentarem em mesas diversas.
— Acho que eles vão ser nossa porta de saída. — Jaeyoon sussurrou para Seokwoo.

 

Um dos homens sentou na mesa com eles pedindo para jogar também, e Jaeyoon não negou, mas o clima no salão estava bem tenso e não demorou nem meia hora para que uma discussão começasse. Partiu dos homens do cartel que Jaeyoon estava atrás, ele estava visivelmente bêbado e começou a se gabar de seus feitos, matando pessoas, estuprando jovens e sendo um dos maiores contrabandista do sul da Coreia. Chamando a atenção de todos no recinto, principalmente dos inimigos.

Jaeyoon tinha uma escuta com ele, assim como Seokwoo e se desse certo estaria pegando os gritos do cara e poderiam usar como provas. Na verdade o Lee queria fazer a prisão em flagrante, mas com tanta gente ali seria muito difícil. E foi muito bom que Jaeyoon não iniciou nada, porque enquanto se gabava, o homem esbarrou na mesa onde ele estava e o cara da gangue inimiga o ofendeu e os dois começaram a bater boca e quase pegaram em armas, mas foram impedidos. Fazendo Jaeyoon e Seokwoo suspirarem um pouco.

— Acho que já está na hora de irmos, não, Jae? — Seokwoo falou logo depois da quase briga.
— Vocês vão agora que as coisas estão ficando interessantes? — Juho provocou os dois e Jaeyoon sorriu.
— Não vamos embora não, estou realmente achando tudo isso interessante. — O Lee concordou e pediu outra bebida, era a quarta ou a quinta dose dele? Seokwoo afroxou a gravata sentindo que tudo ainda podia piorar.

 

E realmente piorou, pelo menos do ponto de vista de Seokwoo, já que um infiltrado chegou no recinto, era Youngkyun, mas seu nome falso era Hwiyoung e ele estava infiltrado no cartel já fazia um ano. Seokwoo olhou desesperado e perdido para Jaeyoon que não parecia nada afetado com a chegada de Youngkyun.

Assim que o infiltrado adentrou no recinto vários olhares foram para ele, dos dois cartéis. E o mais surpreendente foi que Hwiyoung homens dos dois cartéis chamaram o infiltrado ao mesmo tempo, como se ele fosse conhecido dos dois lados. O que fez todos ficarem surpresos e tensos.

 

— Não me diga que você é um infiltrado dele no meu cartel. — O chefe do cartel alvo de Jaeyoon perguntou se levantando irritado.
— Eu que deveria dizer isso! — O homem que estava na mesa de Jaeyoon e Seokwoo levantou também. — Acho que não teremos uma noite de paz mesmo.

 

Ele sacou a arma e disparou na direção de Hwiyoung, mas este desviou, rolando para o chão. O problema foi que os ânimos já frágeis do recinto pioraram e um dos homens da mesa ao lado da que Jaeyoon estava tentou atirar no que havia acabado de atirar, mas acertou apenas de raspão, fazendo outro dos homens da gangue inimiga apontar a arma para sua cabeça, em um sinal para que ele parasse.

Jaeyoon pegou sua arma dentro do paletó que usava e a destravou ficando pronto para atirar se fosse necessário, vendo Seokwoo fazer o mesmo.

 

— Acho que é nossa deixa para irmos. — O subordinado virou para o Lee, que parecia não o escutar, mas olhava para o bar, onde Inseong bebia despreocupado. — Chefe… você não acha?

 

Antes que Jaeyoon pudesse responder, outro tiro foi dado e os dois viraram para ver, o chefe do cartel tentava acertar Hwiyoung que havia levantado depois de alguns instantes escondido atrás do bar.

— Levante de novo e você é um homem morto! — Ele gritou e atirou andando indo em direção ao bar, mas no caminho, Inseong apontou sua arma para ele.
— Chegue perto e quem vai morrer é você. — O Kim não mostrava medo em apontar a arma para o chefe do maior cartel de drogas coreano.
— E quem você acha que é para apontar a arma para nosso chefe?! — Um dos homens levantou de seu lugar e tentou atirar em Inseong, mas além de errar, por estar bêbado, fez o Kim atirar na perna de seu chefe.
— Eu não estou blefando. Então vamos todos com calma. — Inseong sorriu.
— Você é um homem morto! Atirem nele! — Outro dos homens deu o comando, mas antes que os demais pudessem disparar, Jaeyoon, Youngkyun, Juho e os homens do outro cartel atiraram neles.

 

Vários caíram machucados ou mortos e outros só saíram correndo, enquanto os que começaram os tiros tentavam se proteger dos tiros que vinham dos inimigos. Enquanto isso, Inseong puxou o chefe do cartel para uma das saídas laterais do salão, ainda o mantendo como refém sob a mira de sua arma.

Jaeyoon virou a mesa e continuava atirando contra os outros, assim como Juho, que havia se escondido atrás de uma pilastra e tentava alcançar os inimigos mais longe.

Não havia tanta gente no salão, então logo as balas pararam de ecoar pelo salão e aos poucos algumas pessoas foram vistas saindo de onde estavam atirando, para ver como estavam os estragos. Do lado do cartel não havia muitos vivos, e os que estavam com o coração batendo tinham machucados medianos ou profundos. Pelo lado de Jaeyoon e dos outros havia dois machucados, mas nada grave.

 

— Chame ambulâncias. — O Lee deu a ordem a Juho e foi atrás de Inseong, sentindo a falta desse e de Seokwoo que sumira logo no começo do tiroteio.

 

Chegou nas escadas de emergência rapidamente, ouvindo vozes acima de sua cabeça. Então subiu tentando não fazer barulho e logo que chegou ao terraço, viu Seokwoo apontando a arma para Inseong e o refém.

 

— Me entregue seu refém e ninguém se machuca. — Seokwoo avisou Inseong, mas o Kim nem se mexeu, apenas arrumou a arma na cabeça do mafioso.
— Acho que ele não vai fazer isso. — Jaeyoon chamou a atenção de seu subordinado e se aproximou.
— Chefe! Que bom que você chegou! Ele não quer me dar o refém. — Seokwoo falou olhando de canto para o Lee.
— E não vai. — Jaeyoon comentou sorrindo para Inseong, que tirou as algemas do bolso com a mão livre. — Não que fosse preciso.
— Mas… o que é isso? — Seokwoo virou para Jaeyoon, que o desarmou e ergueu a arma contra sua cabeça.
— Eu acho que você sabe o que é isso, Seokwoo. Sabe muito bem aliás. — O Lee comentou. — É o fim da linha para vocês.
— Chefe… como assim? — Seokwoo recuou e Jaeyoon avançou a cada passo que ele recuou.
— Não adianta mais fingir, Woo, todos já sabem de você. — Seokwoo olhou para trás de Jaeyoon onde estavam Hwiyoung, Juho e os homens do outro cartel.
— Finalmente eu consegui descobrir qual era o problema em minhas missões. — Jaeyoon teve a atenção do subordinado de volta. — E pensar que eu nunca duvidei de você. Até nossa conversa de dois dias atrás, quando você se entregou. Aliás, que belo escorregão você deu… comentar onde seu chefe estaria, sendo que nem eu sabia que iríamos vir para cá. Você realmente estava confiante de seu trabalho, Seokwoo.

 

Jaeyoon sorriu ao ver o rosto de Seokwoo ficar branco como papel e ele entender que havia sido pego como infiltrado depois de ter deslizado.

 

— Você é o pior tipo de pessoa que existe. — Um dos homens que era do cartel inimigo se aproximou e algemou Seokwoo, enquanto Jaeyoon ainda mantinha a arma apontada para ele. — Pelo menos vai apodrecer na cadeia agora.
— Vocês também são agentes? — Seokwoo falou surpreso.
— Acha mesmo que um mafioso iria te prender? — Outro dos caras comentou e fez todos rirem.
— Se acha que só você tem truques na manga e contatos? — Jaeyoon abaixou a arma e fez sinal para levarem Seokwoo. — Conheça a equipe número um contra crimes cibernéticos. — Apontou para os homens que figiam ser do outro cartel. — E claro, nossa dupla anti terrorismo. — Apontou para Jaeyoon e Juho que faziam um curativo no chefe do cartel de verdade para o levar preso.
— É amigo… o chefe tem muitos contatos. — Youngkyun comentou sorrindo apoiado em um dos caras da divisão cibernética. — E eu espero que você tenha também, ou a prisão vai ser um lugar bem triste.
— Cala a boca, fui eu quem te mantive vivo dentro do cartel esse tempo todo, ou você acha que ninguém sabia que você era policial? — Seokwoo retrucou e levou um soco na cara de Jaeyoon.
— Cuidado como fala com meus homens, se não quer piorar sua situação. — Jaeyoon olhou com nojo para o outro. — E vamos sair daqui, eu quero descansar um pouco depois dessa.

 

Todos concordaram e conduziram os presos para o camburão onde eles foram levados para a Agência de Inteligência Coreana. Enquanto as últimas ambulâncias e carros fúnebres levavam os feridos e mortos dali, sob o olhar atento de curiosos e de alguns repórteres.

 

— E no fim você tinha uma baita surpresa. — Inseong comentou enquanto todos estavam sentados em um restaurante pequeno perto do bar. Jaeyoon gostava de ir até ali comemorar os casos com sucesso.
— Eu precisava de um motivo para começar uma briga. Achei que criar uns capangas falsos de um cartel inimigo era uma boa. E as coisas pareciam muito calmas para a equipe de cibernéticos, então chamei eles. — Jaeyoon deu de ombros.
— O que causou a briga na verdade fui eu. — Disse Youngkyun. — E quase sai sem vida dessa sua brincadeira.
— Tão sensível… nem parece que pediu para ser transferido da minha equipe para a do Jae. — Youngbin, o líder da equipe contra crimes cibernéticos, falou.
— Você está ressentido e eu sou o sou o sensível. — Youngkyun revirou os olhos e todos riram.
— O importante é que no fim meu plano deu certo. Pela primeira vez em dois anos. — Jaeyoon tomou um gole de sua cerveja. — E posso ficar bêbado sem me preocupar em trabalhar amanhã.
— Na verdade você precisava começar a se preocupar com o como vai pagar esse monte de favores que nos deve. — Inseong bebeu um shot de soju e sorriu para Youngbin que concordou.
— Vocês são péssimos amigos… — Jaeyoon reclamou e serviu mais cerveja para si. — Mas tudo bem, eu pagarei meus favores… não hoje e nem amanhã. Por enquanto só quero lembrar como é ser um homem que não vai ser mais enforcado.
— Brindemos por isso então. — Youngkyun propôs. E todos ergueram seus copos. — A Jaeyoon que deve sua vida aos amigos, mas que não é mais o enforcado.