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O sonho que todos compartilhamos

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Estou a começar a estudar português, espero que seja pelo menos compreensível. Tenham piedade, por favor :')

 

O sonho que todos compartilhamos

 

Podes dizer-me qual é o teu problema? Ultimamente és insuportável.” diz-me Jacob.

Depois faz uma pausa, como se estivesse a repensá-lo, e acrescenta: “Quero dizer, sempre foste isso, mas ultimamente é mais do que o habitual.” no seu rosto aparece uma expressão sarcástica.

Sinto a raiva crescer em mim, como um fogo que – já eu sei – não posso desligar.

De vez em quando gostaria de ter reações humanas. Teria-me aproximado dele, teria-lhe dado uma tapa e teria ido embora, irritada.

Em vez, estou forçada a transformar-me num monstro, a atacar esse adolescente espertalhão que, infelizmente, é também o macho alfa da minha alcateia. Se três lobisomens à deriva podem-se definir alcateia.

Transformo-me depressa. Salto para cima dele, deito-o abaixo no momento exato onde ele também muda de forma. Começamos a morder-nos, a perseguir-nos, a insultar-nos através dos nossos pensamentos.

Não consigo estabelecer se gosto menos de ti sob forma humana ou sob forma animal. Se não pertencêssemos à mesma alcateia, diria a animal, pelo menos não te ouviria nem falar, nem pensar.” a minha reação às suas palavras – cheias somente de ódio – é pensar intensamente em Bella Swan, no seu aspeto quando vai ser transformada numa vampiresa ou, na melhor das hipóteses, quando vai ser morta. O uivo que segue de Jake é lancinante; afasta-se de mim, e depois volta humano, e eu faço o mesmo.

“Não tens ideia do que sinto eu, Leah. E não queres saber. Só pensas em ti mesma, em tudo o que abrange ti. Gostaria muito de saber porque odeias tanto Bella.” grita, amargamente. Eu suspiro.

“Porque a odeio, Jacob? Odeio-a porque está com essa sanguessuga. Eles são a razão pela qual nós ficamos ligados a esta condição para sempre.” minto, e continuo em tom sarcástico: “E não me digas que não os odeias pela mesma razão. Não percebo como podes continuar a amá-la. Ela fez as suas escolhas. E tu vais pagar as consequências.”

Ele baixa os olhos, com ar triste.

“Tu amas Sam?” pergunta-me, de repente. Eu esbugalho os olhos e coro.

“Não é da tua conta.” respondo, irritada. Ele vira as costas, e perde-se a olhar no vazio.

“Os teus pensamentos sempre correm a ele, Leah. E a Emily. Sempre dizes que os odeias, que te sentes traída peles, mas eu sei que continuas a importar-te da tua prima, e que continuarás para sempre a amar ele.” murmura.

Involuntariamente eu começo a chorar, silenciosamente.

“Queres saber porque a odeio, Jake? Queres saber porque odeio a tua querida Bella?” cuspo as palavras como se fossem veneno. “Odeio-a porque é feliz. Está grávida com um filho que está a matá-la, o seu destino está marcado, no entanto ela sente de ter tudo o que sempre desejou.” suspiro. “Olha para nós, Jake. Tu e eu somos iguais. Nenhum dos outros parece sofrer. Sam tem Emily. Quil tem Claire. A Jared, Paul e Embry é suficiente comer para ser felizes. E o meu irmão adapta-se a tudo, tornou-se mesmo amigo de tudo o que a sua natureza imporia-lhe de aborrecer.” agora Jake vira-se para mim. “Então, porque tu e eu somos assim?” pergunto. “Porque só nós sofremos o peso do que somos? Porque só nós não conseguimos aceitar esta vida como fazem os outros?” pergunto, entre as lágrimas.

Jacob aproxima-se de mim.

“Não é ser licantropos, Leah. Nós pagamos toda a nossa culpa de amar os que não temos.” diz-me, em voz baixa. Eu desvio o olhar pelo seu.

“Estamos destinados a nunca ser felizes?” digo, a minha voz rota.

“Estamos condenados a amar. Mas se conseguisses olhar para além do teu sofrimento, verias que não existe nada melhor no mundo.” sorri, por fim.

“Como podes dizê-lo? Como consegues superar a dor?”

“Não posso. Quando fico sozinho sinto-me como se o peso da sua ausência me esmagasse. Mas quando estou com ela...” o seu sorriso aumenta. “Esqueço mesmo de que ela não é minha.”

Olho para ele, duvidosa.

“Eu não te aguento, Jake. Não gosto de ti, acho que tenhas horríveis ilusões megalómanas e nunca vou perceber porque ames tanto Bella.” digo, depois faço uma pequena pausa e volto a falar, hesitante. “Mas... se mesmo consegues amá-la e respeitar as suas escolhas, mesmo si absurdas... bem, talvez não és completamente terrível.” concedo, e faço-o rir. Estica a mão, a esperar que eu a tome, algo que não faço imediatamente.

“Sou o macho alfa, tens de respeitar as minhas disposições. E o que quero que faças agora é que superes as tuas reticências, que tomes a minha mão e que vamos a fazer um pouco de coisas de lobos.” diz-me, um pouco serio e um pouco a brincar.

“E achas que vou seguir-te com esta prospetiva?” ironizo.

“Não podes sabe-lo, talvez enquanto estavas ocupada a denegrir tudo da vida de licantropo, perdiste algo divertido.” insiste.

Suspiro, exasperada, mas depois tomo a sua mão e aperto-a. Encaminhamos-nos para a floresta; a olhar ao meu redor, vejo os árvores, respiro a essência deles e tento convencer-me que aquela é a minha vida agora.

Depois olho para Jake, olho para as nossas mãos ainda apertadas. Quer queira ou não, ele é parte desta vida.

Começamos a correr, e deixamos tudo para trás.