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Quem é o monstro?

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 Ouve-se um grito longínquo. Ji-hoon grita freneticamente "DONG-SIK HYUNG! DONG-SIK HYUNG!"

 Dong-sik e Ju-won correm até o Ji-hoon. Ao veem-no no chão, os seus olhos seguiram para onde Ji-hoon está olhando nervosamente, para o cadáver submerso no chão lamacento.

 Ju-won dá um passo atrás, percebendo a quem era o cadáver.

*Bate**

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 Dong-sik agarra o colarinho de Ju-won. "Han Ju-won, você sabe quem é essa mulher, não sabe?"

 Ju-won olha fixamente para Dong-sik. "Como é que sabe? ...Como sabe que esse cadáver é uma mulher?" Ele sorri e bate na mão de Dong-sik duas vezes. "Solte o meu colarinho e me responda, subinspetor Lee."

*Bate, bate*

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 Dong-sik acende sua lanterna sobre o cadáver, esperando Ju-won reportar.

"Subinspetor Lee, estou curioso sobre algo. É sobre a Lee Yu-yeon, sua irmã." Ju-won olha para a parte de trás da cabeça de Dong-sik, parando a meio de uma frase. "Você... não a matou mesmo?"

 Dong-sik virou-se para trás. Com o brilhar da lanterna em frente, ele andou lentamente em direção a Ju-won, encarando-o.

 Ele se aproxima do rosto de Ju-won.

 E um sorriso forma-se lentamente no seu rosto.

*Bate, bate, bate, bate, bate*

 

"É você." Ju-won pensou como a sensação de imensa excitação surgiu dentro dele.

 Ele olha diretamente nos olhos de Dong-sik e encara.

"Eu te encontrei."

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 Han Ju-won cresceu sabendo que era diferente dos outros. Cresceu com falta de amor e de atenção. Mas isso sempre o levou à decepção.

 Quando tinha 16 anos, a sua primeira obsessão foi um homem de 20 anos que deu a Ju-won toda a atenção e “amor” que nunca tinha tido antes. Mas Ju-won descobriu que esse homem estava o traindo.

 Logo no dia seguinte, o homem foi encontrado num beco com o pescoço cortado.

 Três meses mais tarde, outra obsessão entrou na sua vida. Uma mulher que tinha uma cafeteria, sorria sempre para ele quando a visitava. Ela sempre lhe dava comida extra, dando-lhe toda a sua atenção. Mas Ju-won descobriu que ela era casada.

 Duas semanas mais tarde, um casal casado foi encontrado morto no seu carro, estrangulado até à morte.

 Com o passar dos anos, mais e mais obsessões iam e vinham, deixando para trás um rasto de corpos. A polícia nunca conseguiu apanhá-lo porque os modi operandi eram sempre diferentes. Por isso, os casos sempre eram arquivados.

 Aos 27 anos, Ju-won era um detetive da Assuntos Externos quando se deparou com um novo caso.

*Bate* “Ele sabe.”

 Ele sabe que uma nova obsessão virá em breve.

"Subinspetor Lee Dong-sik." sorri enquanto olha para a foto da polícia de Dong-sik.

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 Após o curtíssimo “interrogatório”, Dong-sik voltou para casa cansado, arrastando os seus pés. O seu portão da frente abriu-se ruidosamente. Andando pelo seu jardim da frente, ele vê o parapeito de pedra.

"Dong-sik, tente de novo. Isso foi o que você fez... depois cortou os dedos, assim como fez com a Bang Ju-seon." o detective insiste.

"Esses não são a Yu-yeon." Dong-sik encara os dedos de plástico. Todos os dez dedos estendidos no parapeito de pedra no seu jardim da frente. "As unhas delas eram pintadas com flores de bálsamo". Ele ri com lágrimas nos olhos.

 Dong-sik olha fixamente para o parapeito de pedra vazio. Ele está cansado. Cansado da culpa. Cansado da vergonha que sente. Cansado de não conseguir se controlar. Ele só quer achar a Yu-yeon e finalmente encontrar a paz.

"Ouvi dizer que a Yu-yeon foi morta porque era uma prostituta. Vi ela andar por aí flertando com muitos caras." Uma mulher nos seus 20 anos fofocava com os seus amigos que de repente ficou quieta quando Kang Jin-mook passou por ali.

"Isso... é.... o que ela disse... Dong-sik ah... Eu... não posso acreditar... existem tais... rumores..." Jin-mook gritou para Dong-sik.

 Dois dias depois, essa mulher desapareceu.

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 Ju-won andou em círculos nervosamente em sua sala de estar, mordendo seu dedão. Ele precisa da sua dose. Precisa ver Dong-sik, estar perto dele, lhe dar atenção, o amar. Sim, o amar. A sua obsessão está crescendo.

 Ele liga para o corretor de imóveis. "Arranje uma casa em Manyang... Sim... Perto do supermercado Manyang."

 Sim, ele irá até o Dong-sik. Ele fará Dong-sik ser seu.

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 Todos estão em na Jae-yi para jantar hoje à noite. Incluindo Ju-won, que está aborrecido por saber que teve de usar utensílios compartilhados.

"Como está a mudança, inspetor Han?" o chefe Nam pergunta, colocando soju para ele.

"Ah, sim, está indo bem. Tudo foi concluído ontem." Ju-won respondeu, aceitando-o encher o copo.

"Mudou-se para cá ontem!? Devia ter me dito! Eu podia ter te ajudado a se mudar, inspetor Han." Ji-hoon disse entusiasmado.

"Sim! Nos convide qualquer dia para um chá de casa nova!" chefe Nam riu. Ju-won sabe que nunca o fará, mas tudo o que podia fazer era acenar a cabeça.

 Dong-sik estava ouvindo a conversa. Confuso sobre o porquê desse jovem mestre se mudar para cá em primeiro lugar. Ele olhou para o Ju-won, que olhou de volta com um sorrisinho.

 Ele conseguia sentir. Mesmo quando olhou pela primeira vez para Ju-won na subestação. Ju-won sentiu-se como um predador. Normalmente, a maioria das pessoas não serão capazes de ver aquela escuridão escondida por de trás desses olhos..., mas ele podia.

 Ele sabe que Ju-won já tinha seu nome esculpido no inferno.

 Tal como o próprio Dong-sik.

 A noite passou e todos estavam saindo bêbados do restaurante da Jae-yi, despedindo-se uns dos outros. Dong-sik vira-se para voltar andando para casa, que ficava a 15 minutos a pé.

“Subinspetor Lee" Ju-won caminhou para o seu lado. "Eu também vou por aí."

"Ah, sim. Se mudou para cá ontem." Ele vira para olhar para Ju-won e sorri. Eles continuaram a andar até que Ju-won parou em frente da casa dois quarteirões antes da casa do Dong-sik. Ele tira as suas chaves para abrir o portão da frente.

 Dong-sik começou a rir. "Gosta tanto de mim para se mudar para tão perto, inspetor Han~?"

 Ju-won ficou parado, de costas para Dong-sik. "Está bem, está bem. Não precisa levar tão a sério~." Dong-sik sorri, com as duas mãos no ar.

 Ju-won virou-se lentamente, movendo-se para mais perto de Dong-sik. Ele lambeu os lábios, sorrindo. "Há mais de uma semana que brincamos de gato e rato. Por que é que sinto que essa 'brincadeira' há pouco não era... na verdade uma brincadeira? Queria que fosse esse o motivo? Que eu me mudei para cá por sua causa, subinspetor Lee?"

 Dong-sik congela como um veado apanhado pelos faróis. Ele não sabia o que responder. O cheiro da colônia de Ju-won deixava-o tonto.

 Será que a Ju-won tinha percebido... que sensação é essa? O sentimento que fazia Dong-sik ficar enojado de si mesmo? Ju-won era 13 anos mais novo, pelo amor de Deus. Não importa o quanto Dong-sik sabe que é um monstro, ele sabe que tem de ser o adulto aqui.

 Ele não podia se deixar estar novamente no centro das atenções de Manyang. Com certeza haverá mais fofocas e muito mais atenção se ele começar algo com Ju-won.

 Ele tem que ser invisível.

"Não." Dong-sik engoliu em seco e deu um passo atrás. "Boa noite, inspetor Han" virou-se rapidamente e correu para longe.

 

 Dong-sik fechou rapidamente a porta da frente e colocou as suas costas sobre ela. Ele fechou os olhos tentando se acalmar. Já fazia um tempo, droga, há anos que ele não cobiçava ninguém.

 Uma súbita onda de emoções o dominou. "Não consigo mais fazer isso". Desmoronou no chão e soluçou. “Não consigo continuar vivo. Não posso continuar magoando as pessoas.”

“Yu-yeon ah... onde você está...”

 Ele adormeceu no chão, com lágrimas nos olhos.

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 Ju-won começou a trabalhar de bom humor. Especialmente ansioso por estar muito próximo da sua nova alma gêmea que encontrou.

"Inspetor Han, vou fazer as rondas contigo hoje. O Dong-sik hyung me ligou doente." Ji-hoon sorri quando liga a viatura de patrulha.

*Bate* Ju-won pergunta-se porque está novamente com a sensação de aperto no peito. É preocupação? É desconforto?

 Seja o que for, ele quer ver o Dong-sik agora. Mas sabe que precisa de fazer o seu trabalho. Ele não pode deixar ninguém saber a influência que Dong-sik tem sobre ele.

 De qualquer modo, ainda não.

 Após o fim do turno de Ju-won, ele foi rapidamente foi trocado quando o chefe Nam o chamou.

"Inspetor Han, pode passar no Dong-sik e ver como ele está? Dê também este mingau. A Jae-yi que fez." Ju-won olhou aborrecido, mas acenou com a cabeça. "Claro que vou ver como ele está."

 Ju-won apertou a campainha com um saco de plástico cheio de medicamentos e a garrafa de mingau de carne.

 Ninguém responde.

 Ele colocou os dedos na maçaneta e empurrou-a para baixo. A porta se abriu facilmente.

 Quando ele entrou, sentiu o frio a batendo no rosto.

“A caldeira não está funcionando?” tentou procurar por Dong-sik apenas para encontrá-lo dormindo enquanto tremia no sofá.

 Ju-won ficou ao seu lado e encarou Dong-sik tremendo. Parecia um cachorrinho triste. Mas em vez de querer estrangular este cachorro, o desejo de proteger torna-se mais avassalador com os segundos.

 Ju-won desceu para carregar* Dong-sik até quarto dele, na esperança de que lá estivesse mais quente. "Ele é mais leve do que o esperado."

 Dong-sik foi colocado na sua cama, que parecia não ter sido usada por muito tempo.

"Tem dormido no sofá todo esse tempo?" Ju-Won sussurra, colocando as suas mãos na bochecha de Dong-sik, acariciando-a suavemente. "Vou precisar de tomar conta de você a partir de agora, não é? Afinal de contas, somos almas gêmeas."

 Ele se inclina e coloca os lábios na testa de Dong-sik.