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Finalmente, amor

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Quando Vitório chutou a porta do quarto para fechá-la num estrondo seco, Olívia já tinha perdido o rumo. Estava eufórica, seus dedos passavam pelo corpo dele querendo mais e mais, e sentia-se tremer tamanha era a ansiedade por… Tudo. Estava se casando com Vitório, afinal. Finalmente, ela pensava. Finalmente com ele para sempre. Finalmente tudo ajeitado. Sem mais joguinhos e sem mais provocações: finalmente, amor . Porque, no fim das contas, era tudo o que ela sempre quis, desde muito nova. Amor imenso, amor de romance antigo, amor de fazer borbulhar o sangue este que ela só conhecia lendo e achava ser invenção para entreter jovens moças como ela um dia foi. Mas o jeito que ele a beijava provava que tudo aquilo era possível, que quando os autores escrevem que a moça se derretia nos braços do amado, era porque a sensação era exatamente essa. As pernas bambeavam, os pelos se arrepiavam, e os beijos molhados trocados pareciam dizer que queriam grudar um no outro para sempre. 

O tempo já nem parecia existir quando Olívia sentiu as costas se acomodarem no colchão, sem parar de beijá-lo. Mas ele parou, por um breve momento, e encarou-a tão profundamente que, ali sim, parecia que o casamento já estava consumado. Nenhuma palavra precisou ser trocada, porque os olhos e boca de Olívia e Vitório expressavam tudo o que tinha a ser esclarecido: é você que eu quero para toda a vida. A pausa se estendeu por mais alguns segundos, os dois sorrindo feito bobos, decerto desacreditados da enorme felicidade a que estavam prestes a ter pelo resto da vida, enfim felizes e descansados depois das tristezas das últimas semanas. Vitório teve que piscar várias vezes para acreditar que aquilo não era um sonho, que ela realmente estava à frente dele. Depois de achar que a tinha perdido para sempre, tê-la ali era a realização de todas as suas rasas orações. O que sentia por ela fervia dentro de si, e estava longe de ser considerado sagrado, mas Vitório não conseguia deixar de pensar que sim - ela era praticamente uma benção. 

Já Olívia estava radiante, parecia ter engolido o sol e deixado que seus raios de luz despontassem de seu corpo. Casada, e com a pessoa que amava. Casada com alguém que também a amava profundamente, que faria de tudo por ela. Dessa vez, o casamento não teve véu nem grinalda, nem jóias sobre seu colo nem uma orquestra a acompanhando ao entrar na igreja mas a falta desses elementos não a fazia se sentir menos casada. Devia ser pecado estar tão feliz daquele jeito, devia ser pecado querê-lo tanto — mas ela nem se importava mais com isso. Ele a beijou novamente, devagar como o primeiro e profundo o suficiente como se fosse o último. Devagar, provando nela o gosto de um amor sincero e intenso, sentindo os dedos dela tocarem suas costas e puxá-lo para mais perto. As línguas se encontraram e Vitório sentiu-se perder o fôlego. Passou a beijar o rosto dela até perder-se na curva de seu pescoço. Ela tinha um perfume doce pelo qual ele era encantado, e não conseguiu evitar o sorriso que surgiu em seu rosto. Olívia sorriu também, apertando mais os braços ao redor dele. Tudo parecia ficar mais lento e profundo, o tempo derretendo por seus dedos enquanto buscava a boca dele para beijá-lo novamente. Mas se Olívia estava agora se deliciando com a lentidão, Vitório se revirava por dentro de tanta ansiedade. Tantas vezes eles já estiveram naquele mesmo quarto daquele mesmo jeito, ele sobre ela na cama se beijando como se o mundo dependesse daquilo — e tantas vezes eles tiveram de se controlar. Mas agora nada os impedia de nada — e Olívia bem sentia um fiozinho de medo passar por seu corpo, mas imediatamente afastando qualquer pensamento ruim no momento em que abriu os olhos e o viu sorrindo para ela ali de tão perto. Ela perdeu a respiração por um momento.

 

"Acho melhor…" Ela percebeu que falava com dificuldade, a respiração já descompassada. Tentou se acalmar. "...Fechar a porta."

 

Vitório assentiu, levantando-se de cima dela e a deixando se levantar também para passar a chave na porta. Claro que nenhum dos filhos dela iria entrar no quarto, mas era melhor prevenir. Olívia ficou parada com as costas apoiadas na porta, tentando deixar sua respiração se normalizar, mas parecia impossível já que Vitório continuava olhando para ela daquele jeito que a fazia tremer da cabeça aos pés. Sentia-se imensamente amada, e profundamente desejada. Aquela troca de olhares parecia dizer tudo o que era impossível pôr em palavras, e Olívia não conseguiria desviar os olhos dos dele nem se quisesse. Foi descendo dos saltos lentamente, e caminhou devagar na direção dele. Tudo dessa vez muito lento, sem conseguirem parar de se olhar daquele jeito tão intenso. Vitório sentou na cama e tirou os próprios sapatos e meias, esperando que ela chegasse mais perto dele, até ela estar bem perto, inclinando-se para baixo para beijá-lo. Ela respirando fundo quando ele passou as mãos pelo corpo dela procurando o zíper do vestido, deslizando-o para baixo enquanto ela tentava, com os dedos trêmulos, abrir os botões da camisa dele. 

Parecia que tudo vinha em ondas, um tanto de calmaria e um tanto de urgência, porque agora toda aquela lentidão de antes já não tinha espaço — porque Olívia já tinha conseguido tirar a camisa dele e seu vestido estava no chão. A roupa de baixo feita de cetim claro, com a qual Vitório tinha sonhado por tantos dias, era tão fina que ao tocá-la era possível sentir o calor inteiro que o corpo dela exalava. Ela subiu no colo dele sem pensar muito, beijando-o novamente. Conhecia aquele beijo tão bem e nunca se cansava de estar com ele. Sentia que nunca cansaria. 

 

Ele segurava as costas dela, e queria aproximá-la cada vez mais, colocando uma das mãos em sua nuca e aprofundando mais aquele beijo. Olívia não conseguiu reprimir o gemido que veio rouco de sua garganta quando Vitório lhe agarrou os cabelos da nuca e os puxou de leve. Deixando seu pescoço vulnerável, ele passou a trilhar beijos e mordidas por ali, completamente embriagado pelo cheiro suave que a pele dela tinha por ali, um perfume adocicado que ele nunca se cansaria de sentir. Ela abriu os olhos e encarou o teto branco. Aquele homem lhe roubava o rumo, e parecia atacar direto nos seus pontos mais fracos — estes que ela nem sabia que tinha. Um sorriso satisfeito surgiu na boca dela. Sentia-se a maior das pecadoras: o desejo que sentia fazia borbulhar o sangue parecia tudo menos certo, e ela estava adorando cada segundo. Estava apaixonada por aquela sensação de sentir-se nas nuvens ao mesmo tempo em que tudo queimava. Ele a beijou novamente até precisarem parar para respirar. 

 

Uma boca a poucos milímetros da do outro, Olívia manteve os olhos fechados. Uma de suas mãos estava no peito dele e podia sentir o coração dele bater rápido. Deixou-se levar naquele ritmo e passou a beijá-lo por todo o rosto, e ele continuou acariciando seus cabelos. Com calma, ele tentou tirar as presilhas do cabelo dela que o impediam de continuar o carinho, e ela riu e o ajudou, até que seus cabelos castanhos estivessem soltos e ele pudesse passar os dedos entre eles sem impedimento. 

 

Soltou a boca da dela e a segurou firme pelos quadris, virando-a na cama com uma delicadeza que ela não sabia que ele tinha. Talvez o que estivesse mais ansiosa para o resto da vida era descobrir todos os segredos que ele guardava. Deixou que ele a beijasse novamente, desta vez as mãos dele percorriam as pernas dela, as meias finas impedindo que encostasse nela completamente. As mãos subiram e levantaram o cetim, e Olívia sentiu-se arrepiar inteira só com os dedos dele encostando em sua cintura descoberta. Parecia que perdia um pouco da sanidade a cada minuto que passava, apertando os dedos nas costas e braços dele como se estivesse tentando dividir com ele toda aquela loucura que era o desejo.

 

Temendo que não conseguisse dizer qualquer palavra depois de mais alguns minutos, ela agarrou os cabelos dele e puxou, fazendo com que ele a olhasse nos olhos. Vitório suspirou e não pôde negar que adorou tudo aquilo, como se estivesse num eterno jogo de quem provocava mais o outro até a loucura. Ele sentia que ela estava ganhando, mas jamais diria isso em voz alta.

 

“Vitório, por favor, só… Devagar, tá bem?” Ela balbuciou baixinho como se contasse um segredo, quase envergonhada. Ele sabia do que ela estava falando. E se sentiu cada vez mais apaixonado por ela. “Faz com cuidado senão eu grito.”

 

Olívia tentou ser o mais firme possível, um tanto divertida, mas se derreteu inteira quando ele assentiu ao pedido dela, beijando-a ternamente. Ah, ele a faria gritar, mas só de um jeito bom. A essa altura ele já tinha afrouxado o cinto, mas suas mãos foram em direção ao corpo dela. Beijou-a novamente e com muita calma foi baixando a alça da peça de cetim para baixo junto com o sutiã, beijando a pele eriçada de seu colo. Olívia estava em chamas, sem conseguir formular qualquer pensamento coerente. Estava completamente entregue. Os beijos delicados que ele antes distribuía foram se intensificando, até que abocanhou um seio dela, fazendo ela gemer sem controle. Ele imediatamente levantou o rosto para ela, verificando se estava tudo bem, e sorriu assim que a viu cobrir a boca com a mão. 

 

“Mais baixo, cara dama.” Ao vê-lo rir, ela fingiu se enfurecer, revirando os olhos. Mas ela puxou-o para outro beijo, e logo o riso sumiu. Ele continuou tocando-a na pele nua até esbarrar nas meias que cobriam suas pernas. Encarando-a firmemente, ele desprendeu as fivelas da cinta-liga e tirou-as devagar. 

 

“Confia em mim?” Ele pediu e ela assentiu prontamente, impaciente. Vitório foi beijando lentamente cada parte do corpo dela, abaixando-se cada vez mais. Olívia já não sabia o que esperar, sentindo cada beijo arder em sua pele. Primeiro em seus seios depois em seu ventre, até que ele começou a abaixar cada vez mais, mordiscando suas coxas lentamente, lambendo-as cada vez mais sem pudor. Ela respirava com dificuldade, às vezes soltando um gemido baixinho que ele achava o maior dos estimulantes, e olhava concentrada para ele e dele para o teto. 

Vitório finalmente deixou as provocações de lado, já que ele mesmo estava uma pilha de nervos, e respirou fundo antes de olhá-la nos olhos uma última vez. Afastou o tecido que a cobria e abocanhou seu sexo, deslizando sua língua toda sobre ele. Olívia cobriu a boca com a mão, apertando os olhos numa tentativa de reprimir os sons que saiam dali. Nunca, em toda sua vida, imaginara uma coisa daquelas. Ele parecia beijar seu sexo, movimentando lábios e língua sobre ela e a fazendo se contorcer sem controle. Vitório segurou os quadris dela e continuou chupando-a ritmadamente, experimentando o gosto dela com a maior vontade que tinha dentro de si. O mais inebriante de tudo era ouvir os sons que ela fazia, mesmo que os tentasse abafar. Era sentir o calor o corpo dela subindo, era sentir os tremores das pernas. Manteve os movimentos da língua até que percebeu que de um determinado jeito ela ficava respirando mais rápido, e assim manteve-se ali. Olívia por sua vez não conseguia pensar em nada. Estava sentindo seu corpo quase que levitar, e toda aquela sensação lhe parecia de outro mundo. Ele beijava seu sexo apaixonadamente, e Olívia estava num estado de pura entrega: ele poderia fazer o que quisesse com ela que ela permitiria. 

Uma sensação deliciosa foi crescendo dentro dela, uma onda de prazer imensa que ela nem sabia ser possível sentir, e ela aumentava cada vez mais e mais. Um calor subiu por seu peito e ela sentiu o próprio rosto arder. A vontade de gemer veio mais e mais e ela forçava-se a cobrir a própria boca, até que as mãos não foram suficientes e ela passou a virar o rosto de lado e puxar o travesseiro para abafar seus sons. Vitório levantou os olhos e a viu se contorcer sobre sua boca, o que o apressou e incentivou a mais. Olívia achava que nada poderia ser melhor do que aquilo, até que sentiu uma descarga elétrica percorrer seu corpo dos pés à cabeça. Apertou seus olhos até ver pontinhos brancos na escuridão, e esqueceu que gemia mais alto do que devia. Parecia que tinha chegado a um pico depois de uma longa escalada, completamente extasiada. E ele continuava a beijá-la lá embaixo, o que a proporcionou mais umas breves ondas menores daquela sensação anterior. 

Essa foi a primeira palavra que lhe apareceu na cabeça. Prazer .

Queria achar que era errado, mas não conseguia. Como eu vivi todo esse tempo sem saber que isso existia?

Sem conseguir respirar direito, ela passou as mãos pelo rosto, sem saber onde colocá-las, e por fim empurrou a cabeça dele para longe dela. Vitório descansou o rosto entre a coxa e o ventre dela. Olívia respirou fundo e não viu que ele a encarava fortemente. Ele limpou a boca com as mãos e voltou a subir pelo corpo dela, beijando o corpo dela com a maior devoção. Mas, desta vez, ela não se sentia mais queimar: porque o corpo dela era o próprio fogo. Sentia que ela mesma podia causar um incêndio. 

 

Só abriu os olhos quando o percebeu sobre ela novamente. Ele tinha se encaixado no meio de suas pernas, apoiando as mãos no colchão para acariciar o rosto dela. Olívia ainda respirava com dificuldade, mas não conseguiu evitar rir quando encarou o sorriso satisfeito dele. A risada foi morrendo aos poucos, e depois de hesitar por um segundo ou dois, ela puxou a nuca dele e selou seus lábios nos dele. De primeira achou que estranharia mais o próprio gosto na boca dele, mas sentia-se tão embriagada naquela situação que não tardou a aprofundar o beijo. Olívia tinha um milhão de perguntas e inseguranças a serem debatidas, mas seu corpo estava experimentando sensações tão novas que guardaria as perguntas para depois. Estava, pela primeira vez, sentindo. E deixou que ele a levasse, que a guiasse. Confiava a ele seu corpo, suas sensações e todo o seu amor. Eram tantos pensamentos a milhão em sua cabeça que apenas uma névoa de prazer e felicidade era visível — Olívia sentia que seu corpo não era mais apenas seu, mas que guardava cravados na pele os toques e beijos de seu amado. Ele jamais a deixaria. 

Vitório foi aos poucos cedendo mais o corpo junto ao dela, e o beijo cada vez mais furioso não o deixava pensar em mais nada. Enquanto a beijava, tentou abaixar suas calças, e Olívia impacientemente o ajudou, rindo de olhos fechados naquela tarefa quase patética frente ao desejo que estavam sentindo. Ela o encarou, passando as mãos pelas costas dele, sentindo o corpo despido dele sobre o seu próprio. Respirou fundo, tateando as curvas bem definidas do corpo dele. Ele posicionou seu membro na entrada dela, e Olívia imediatamente fechou os olhos. Vitório a chamou.

 

"Ei, olha pra mim." Foi quase como num sussurro. Ela assentiu mais uma vez.

 

"Com calma." Ela sussurrou de volta. 

 

Ele a penetrou bem devagar, sem desgrudar os olhos do rosto dela. Ela soltou um suspiro quase inaudível e o puxou para um beijo. A verdade era que quando o beijava não conseguia pensar em mais nada, decerto funcionasse para aplacar seu nervosismo também. E tanto funcionou que ele afundou-se completamente nela e ela só conseguia beijá-lo entre suspiros e gemidos finos que saíam de sua garganta. Ele começou a se movimentar lentamente e Olívia cravou as unhas nas costas dele. A esta altura já tinha desistido de beijá-lo e abraçou-o. A cada movimento mais forte dele, Olívia abafou um gemido contra sua pele. Ele passou a estocar mais forte, e buscou a boca dela novamente. Ele sugou o lábio inferior dela e a sentiu cravar as unhas em sua nuca. Mais do que nunca, ele sentia que com ela vivia numa eterna batalha: o amor deles era assim, um cabo de guerra até que o outro se rendesse. Naquele momento, Vitório poderia até considerar que a tinha na palma da mão - sempre dando o passo seguinte, com o corpo dela ao seu dispor, ditando o ritmo e a força. Mas sabia que não era verdade, porque ela sem querer o estava derrotando aos poucos - em cada som que escapava de sua garganta e em cada movimento de seus quadris, as respostas corporais dela que eram por puro instinto e que ela nem fazia ideia que o estavam enlouquecendo. Puxou uma das mãos delas de suas costas e entrelaçou seus dedos aos dela, deixando que ela apertasse forte a cada movimento. 

Se das outras vezes no sexo rezava para que acabasse logo, Olívia agora concentrava-se no momento presente e seria capaz de pedir para que nunca acabasse. Poderia morrer nos braços dele, com o corpo dele junto ao dela, mais colados do que nunca. E então, como um feitiço que se quebra, Olívia foi tirada daquela atmosfera etérea quando Vitório, sem avisar, rolou pelo colchão e a fez ficar por cima. A expressão confusa de Olívia pareceu diverti-lo.

 

"Que… Que isso?" Ela perguntou, o corpo tenso e a respiração ofegante. Desconfortável naquela posição e sem saber bem como ou o que fazer, Olívia ficou parada. Vitório, com uma resposta imediata à tensão dela, começou a ajeitá-la, colocando uma perna dela de cada lado de seus quadris. Com os movimentos, tinham desencaixado seus corpos, mas nada que não seria resolvido nos próximos minutos.

 

"Pra você trabalhar um pouco, tá achando que eu vou fazer tudo sozinho?" Ele sorriu, próximo a ela, acariciando a longitude do corpo dela, subindo e descendo nas curvas de Olívia para senti-la e acalmá-la.

 

"Tá mas… O que eu faço agora?" Ela não o olhou nos olhos quando perguntou, e ele não precisou de muitos segundos para perceber que a conversas que precisaria ter — como a vida sexual dela com o marido — teria que ficar para depois. 

 

"Faz assim…" Ele começou, segurando os quadris dela com força "Levanta as costas e senta bem aqui em cima de mim…"

 

Olívia então parecia ter tomado consciência de cada célula do seu corpo. Estava com o colo exposto, completamente à mostra para os olhos dele, enquanto ele deitava sobre seus lençóis. Nunca, em toda sua vida, tinha estado naquela posição, não sabia nem que isso era possível — sequer permitido! Como ele inventava essas coisas? Apoiou-se em seus joelhos e tentou encaixar o membro dele entre suas pernas. Algumas tentativas desafortunadas pareceram deixá-la mais impaciente e até mais nervosa, mas Vitório sussurrou por calma e quando finalmente Olívia sentou sobre ele, o mundo parou. Talvez fosse aquela posição, mas Olívia sentia que tinha ido mais fundo, e apoiava as mãos sobre o peito dele tentando segurar seu corpo. Olívia passou um longo minuto tentando se acostumar com aquela posição, um silêncio repleto de suspiros. Quando relaxou completamente sobre ele, abriu os olhos para encontrar Vitório completamente fascinado por ela. Os olhos bobos, parecia que ela era a primeira mulher que ele via. Vitório sempre tinha olhos de quem a devorava, e poucas vezes ela tinha arrancado um suspiro ou ou deixado sem palavras: este era um desses momentos. Olívia sorriu de leve, e dias depois lembraria daquele sorriso como um ato de vitória. Ela não era apenas a mulher por quem ele havia se apaixonado, mas também uma mulher bonita e sensual que ele desejava. Era tão bom ser cobiçada daquele jeito, ver que ele sentia aquilo que ela tinha acabado de descobrir por completo — prazer — por causa dela. Aproveitou aquele olhar bobo dele por uns segundos antes de sussurrar:

"E agora, senhor cozinheiro?"  Ela fez questão de sustentar a expressão mais charmosa que tinha no rosto.

Vitório soltou um sorriso satisfeito antes de cravar os dedos nos quadris dela e começar a guiar os movimentos dela sobre si. Vitório fechara os olhos e parecia tentar se controlar enquanto Olívia parecia mais atenta aos detalhes do que nunca. Os sons da cama, dos lençóis, dos corpos em contato e aquela harmonia entalada na garganta que ela tentava reprimir. Sentiu que Vitório se contorceu levemente sob seu corpo, e começou a repetir os movimentos que ele a guiava a fazer, mas mais rápido. Era gostoso para ela, e parecia ser gostoso para ele também. Vitório já nem conseguia manter os olhos abertos, mas Olívia estava com os seus olhos bem atentos. Num misto de curiosidade e êxtase, continuou aumentando a velocidade dos movimentos que ele comandava, chocando seus corpos com mais força, até que diminuiu a velocidade e retomou os movimentos lentos e circulares com ele dentro de si. Vitório foi acalmando seu corpo para continuar os movimentos, e abriu os olhos para ver a versão mais bonita que já tinha visto de Olívia em toda a sua vida. Seus cabelos estavam desgrenhados, sua roupa de cetim enrolada perto da barriga e seus seios mal e mal expostos pelo sutiã. E um sorriso tímido, daqueles fáceis, que ele queria ver pelo resto da vida. Era uma visão explosiva, para dizer o mínimo. Aquela visão quase selvagem o fez aumentar de novo a velocidade e força, a obrigando a sentar mais rápido. As respirações ficaram mais entrecortadas, e o olhar dele a dizia que ele não iria parar até que chegasse lá. Ela balbuciou o nome dele algumas vezes, tentando em vão firmar algum pensamento para ser dito, mas por um breve momento só conseguiu aproveitar aquela sensação deliciosa — então era por isso que as pessoas gostavam tanto de sexo?

"Vitório…" Ela tentou falar "Eu não consigo… Mais. Me deixa deitar…"

Mas ele fez algo que ela não podia prever. Ele, com um impulso, levantou as costas e a ajeitou em seu colo, colando suas duas pernas ao redor dele, e começou a estocar mais rápido e mais forte. Foi tão rápido que Olívia só conseguiu responder quando ele enganchou os dedos no cabelo dela e a puxou para um beijo ardente. Já não sabia no que se concentrar, e Olívia logo perdeu a vontade de tentar. Jogou a cabeça para trás enquanto ele continuou a estocar mais forte; Olívia abriu os olhos e encarou o teto branco, mas apenas por um segundo antes de soltar um gemido alto e se inclinar para beijá-lo de novo. A força de Vitório a fazia pular e quicar sobre ele, e a sensação era deliciosa. Olívia mal conseguiu perceber quando chegaram naquele ponto em que já não se sabe quais forças estão agindo sobre os corpos, uma confusão de mãos e bocas e dedos e sexos que de alguma forma chegava ao ápice do ato, um gemido satisfeito tomou conta do quarto — e Olívia mal podia distinguir se era dele ou dela, tão juntos estavam os dois agora. Só sabia que seus braços estavam ao redor dele e descansava a cabeça sobre seu ombro, inalando seu perfume e tentando voltar ao mundo real. Só aí sentiu o suor sobre sua pele, o peso dos dois sobre o colchão e o silêncio da noite. Uma leve brisa entrava pela janela, mas era impossível sentir frio naquele estado, com ele rodeando ela com os braços. Percebeu então algo viscoso sobre sua perna, e quando foi olhar, Vitório falou em meio a respiração ofegante.

 

"Eu não sabia se… Podia, ou não, ai eu…"

 

"Shiii… Depois a gente limpa." Abraçou-o de novo, querendo se refugiar naquele espaço onde só existe prazer e amor. Queria aquilo com ele para sempre. Tinha valido muito a pena esperar por ele. E ele pensava coisa parecida, que nunca na vida tinha experimentado algo semelhante com aquela sensação. Estava tão apaixonado e tão devoto a ela que daria tudo para que aquela noite durasse para sempre. Estava ansioso com o resto da vida que teria com ela, mas por agora queria a eternidade daquele momento de completude que era agora olhá-la nos olhos e poder beijar sua boca com doçura e calma, a tranquilidade de um amor recíproco, a paz de ter encontrado a metade que faltava. Sem ela, viveria para sempre com um pedaço faltando, sem jamais se dar conta disso. 

Vitório caiu sobre o colchão e a trouxe com ele, e se ajeitaram para se recuperarem aos poucos. Olívia limpou suas pernas nos lençóis, pensando que precisaria trocá-los e lavá-los logo. Mas não queria pensar nisso, queria apenas decorar as linhas e curvas da escultura que era o peito de Vitório. Passeou os dedos, colheu arrepios e lhe roubou beijos enquanto nenhuma conversa foi tida, nenhuma pergunta respondida. Perguntaria depois. Conversaria sobre suas vergonhas depois. Agora queria apenas beijar seu marido e experimentar de novo aquele gostinho de céu. Trocaram olhares como adolescentes, eufóricos e bobos aos pés do grande primeiro amor, e quando Olívia finalmente achou que iria botar os pés na realidade novamente — depois de Vitório se levantar para beber um copo de água e a deixando estatelada no colchão — ele subiu à cama de novo e começou a tirar a roupa amarrotada que ela levava (nada sexy, ela julgou). Achou que ele a despia por prazer em olhá-la, sem muito entender. Ele tirou o sutiã e as meias e a roupa de baixo e a deixou completamente nua. A lua alta iluminava o quarto de um jeito bonito, nem pouco nem muito. Devia ser tarde, porque nenhum som era ouvido do lado de fora, apenas a leve brisa de fim de verão. 

 

"Eu já disse que você fica linda sob a luz da lua?" Ele sussurrou.

 

Sorrindo, Olívia se sentiu eriçar novamente e o puxou para um beijo demoradissimo, do jeito que queria ter beijado quando ele a tinha elogiado pela primeira vez. Decidiu que precisaria flertar com ele mais frequentemente. E quando Vitório beijou seus seios, ela percebeu que daria uma passeadinha no céu de novo. Porque suas núpcias estavam só começando.